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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

A Águia (revista 1910-1932) como fonte de inspiração da Nova Águia (revista 2008-2013) – nº 11, 1º semestre de 2013

A revista A Águia foi uma importante revista cultural do início do século XX, em Portugal, que congregou muitas figuras de destaque das Humanidades, das Artes e das Ciências com distintas mundividências que veicularam visões plurais. Sobressaíram na História Cultural Portuguesa, no conjunto dos seus inúmeros colaboradores, intelectuais como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Hernâni Cidade, Afonso Lopes Vieira, Fernando Pessoa, António Sérgio, etc. A revista nos seus 22 anos de vida comportou temas literários, artísticos, filosóficos e de crítica cívica, que tanto inspirou os fundadores da Nova Águia.

A Águia alicerçou-se numa matriz nacionalista e neorromântica, no combate sem tréguas contra a tese da decadência nacional<!--[if !supportFootnotes]-->[1]<!--[endif]--> que pairava na mentalidade da sociedade portuguesa desde o fim do século XIX. Com efeito, aos mentores da revista, em pleno contexto de instauração do novo regime Republicano, moveu-os o espírito de promoção da autoestima nacional que os mobilizou contra a tese de declínio da nação portuguesa deixada pairar pelo poeta Antero de Quental desde as Conferências do Casino de 1871 e contra a mentalidade positivista de Auguste Comte que contaminava a intelectualidade europeia<!--[if !supportFootnotes]-->[2]<!--[endif]-->.

A revista Nova Águia, tendo por base esta magistral fonte espiritual de inspiração, pretende ser uma homenagem às várias gerações de personalidades que souberam dar corpo à revista A Águia. Os pontos de partida dos diversos números têm sido núcleos temáticos e no número 11 um dos seus elementos aglutinadores é “O Mar e a Lusofonia” partindo da emblemática frase do escritor Virgílio Ferreira “Da minha língua vê-se o mar”. Esta revista privilegia artigos ensaísticos literários, filosóficos, históricos e científicos de uma pluralidade de colaboradores, de onde se destacam pessoas como Adriano Moreira, Miguel Real, Pinharanda Gomes, Manuel Gandra, António Cândido Franco, António Braz Teixeira, José Eduardo Franco, João Bigotte Chorão, etc.

Os diversos números da revista, de que este é já o número 11, repartem-se por várias secções, designadamente pela temática central, por evocações de obras ou de vidas de homens de espírito, ensaios variados, críticas literárias e poemas, muitos deles, de jovens autores de grande valia estética. Cumpre-se, assim, um projeto ideológico Humanista que pretende revalorizar as tradições culturais portuguesas, para revigorar o espírito do país numa conjuntura de desânimo coletivo, com um sentido eclético que se desenha nas novas pontes que se pretendem construir para um futuro coletivo mais auspicioso que contemple o sentimento Lusófono que pulsa na nossa Alma. Deste modo, surgiu como um imperativo Ético combater o dogmatismo da cultura tecnocrática que tem aniquilado a liberdade de opinião, de expressão e de ação que constituem elementos fundamentais de um ambiente democrático.

Já foram temas centrais dos diversos números da Nova Águia desde 2008<!--[if !supportFootnotes]-->[3]<!--[endif]-->: António Veira e o futuro da Lusofonia; O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte; Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim; Os 100 anos da A Águia e a situação cultural de hoje; A república, 100 anos depois; Fernando Pessoa: “Minha pátria é a Língua Portuguesa” (nos 15 anos da CPLP); O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro; Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?; Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade; e “Da minha língua vê-se o mar”: o Mar e a Lusofonia.

Em suma, o objetivo supremo da Nova Águia é alimentar o ego nacional de uma forma realista baseada numa rica tradição Humanista, escorados os colaboradores na inspiração criadora da revista mãe que lhe deu ânimo para que pudesse voar, mas plenamente convictos da importância para o nosso futuro comum do projeto e do sentimento de identidade Lusófona no seio de uma Humanidade a necessitar urgentemente de se transfigurar Eticamente.

Nuno Sotto Mayor Ferrão
Publicado originalmente, com documentos complementares, no blogue Crónicas do Professor Ferrão
<!--[if !supportFootnotes]-->

<!--[endif]-->
<!--[if !supportFootnotes]-->[1]<!--[endif]--> Hoje, em plena segunda década do século XXI, esta tese da decadência nacional está tão em voga devido a critérios de pura econometria financeira como estava no início da 1ª República.  
<!--[if !supportFootnotes]-->[2]<!--[endif]--> Vide Nuno Sotto Mayor Ferrão, “Leonardo Coimbra, a Revista A Águia e o panorama cultural contemorâneo”, Sintra, Edições Zéfiro, 1º semestre de 2010, pp. 34-36.
<!--[if !supportFootnotes]-->[3]<!--[endif]--> Uma vez que a Nova Águia é uma revista cultural com uma periodicidade semestral.

sábado, 27 de outubro de 2012

Ouvide os rios (canto esperançado para um tempo de agonia)

            “Só os poetas deveriam ocupar-se dos líquidos”, dizia Novalis. E é bem certo no caso do nosso país, onde Rosalia ouvia o rumor das fontes que só a nós nos dão falas de amor. O rio, a chuva antiga caída como dádiva imprevista, transmuta-se em canção no coração comovido do segrel evocado por Avilês de Taramancos, nessa idade em que “vinham os rios na crescida todos de rosas a fulgir”. “Era o fluir do cântico”.
             Mas quem pode contar a história da Galiza sem sentir a sua descontinuidade, os seus dolorosos inacabamentos? Este nosso ser que parece estar em perpétuo recomeço, onde a agrilhoada sombra do Prometeu luminoso vagueia nos versos de Celso Emílio:
            “Há que começar:
            pelos séculos dos séculos é sabido
            que há que começar”.
            Quem vive mais duma vida, mais duma vez tem de morrer. E na nossa morte repetida a Galiza-Penélope envolve-se nos seus lençóis milenários para ouvir a chuva. “Vendo e ouvindo o rio/ passa o tempo sem senti-lo”, escrevia Novoneira desde a sua montanha mágica. Ouvir em sonhos, enquanto os rios dormem e esperam o homem novo que nasce da sua matriz líquida, como nos santuários que resistem desde o além dos séculos. O “Rio de sonho e tempo” de Ernesto Guerra da Cal, imagem da nossa peregrinação na história, como bem soube ver Outeiro Pedraio no seu limiar, é o paraíso inalienável da “saudade líquida” do exilado a desabrochar em versos, cosmos descoberto na fluidez das águas que nos esperam nos “espelhos desabitados”. “Esta permanência que nos leva como um rio no tempo até a vitória”, a idade dos poetas, dos homens nascidos para criar, que em versos proféticos cantou Pondal.
            Hoje volto da Galiza perguntando-me onde é que está a salvação para o nosso reino alienado e explorado até a exaustão. Verifico com tristeza que já não há recanto do país que fuja à violência da propaganda que fez do imperativo o seu tempo e declarou inimigos aos poetas. Vejo uma nova torre babélica que esmaga as nossas vidas e encerra a nossa liberdade em hierarquias que nos escravizam e quebram ancestrais irmandades. E buscando espaços para essa vida que se agita em tantos de nós esforçando-se por ser estrela na terra, eu, com o poeta de Taramancos, proclamo como rumor de fonte amorosa entre tanto barulho que nos ensurdece o coração: “Ouvide os rios”. Assim sentireis essa outra Galiza em que “ainda é nova a terra”, em que “passam os milénios como as horas/ e tudo está no cântico primeiro”.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Hoje, em Turim: Sobre Agostinho e a Lusofonia



Università della Terza Età UNITRE
Sede di Torino

Corso Francia 27 – 10138 Torino

Il 17 aprile prossimo, alle ore 15,30, nell’ambito degli Incontri Interdisciplinari dell’Università della Terza Età in Torino (Italia) il nostro Docente di Storia e Cultura del Portogallo, Prof. Mario Chiapetto, socio altresì del Movimento Internacional Lusófono e membro del Consiglio Consultivo di tale entità, parlerà - insieme alla Professoressa Giuliana Cordero, Docente di Letteratura greca - presso il Centro Incontri della Regione Piemonte (corso Stati Uniti, 23 in Torino) di “Miti, Riti ed Istituzioni. Dalla Grecia al Portogallo”.
L’oratore esporrà al pubblico torinese alcuni rilevanti miti fondanti del Portogallo dell’epoca della Restaurazione del 1640 relativamente poco noti in ambito italiano (il Sebastianismo, Il Quinto Impero) e tratterà, riferendosi ad epoca contemporanea, al “mito” della “Lusofonia” che si sta trasformando in Istituzione: il ruolo del Movimento Internacional Lusófono quale stimolo alla CPLP (Comunità di Paesi di Lingua Ufficiale Portoghese) sulla via di una integrazione intercontinentale basata sulla comunanza di lingua e di idem sentire dei vari popoli.
Il Prof. Chiapetto tratteggerà a grandi linee l’opera e la figura di Agostinho da Silva, considerato lo spirito fondatore di tale progetto culturale, mitico ed istituzionale.

segunda-feira, 28 de março de 2011

FEDERAÇÃO BRASIL-PORTUGAL Uma Potência Intercontinental

José Jorge Peralta

[Sugestão para a pauta da Presidente do Brasil, em sua visita a Portugal]

A Aliança Brasil-Portugal ou Portugal-Brasil é uma exigência histórica que se me afigura inevitável. Faz parte de um processo lógico de apoio mutuo
O Brasil já foi, por alguns séculos. Estado de Portugal e foi também Reino Unido Portugal, Brasil e Algarves.
A nova Aliança seria muito boa para o Brasil e seria muito boa para Portugal.
Portugal ocupa um espaço privilegiado, como portal da Europa, no Atlântico, a Leste; o Brasil é o Portal natural da América do Sul, também no Atlântico, a Oeste.
De todas as saídas possíveis de Portugal, neste momento de crise econômica, a única opção digna é a Aliança Lusófona Brasil-Portugal, a que podia se seguir, num futuro próximo, a Aliança Brasil-Portugal-Angola, formando um tripé poderoso na América, Europa e África. Poderá ser uma Aliança em que todos tenham reais vantagens e o mundo também.
Seria o caminho de uma Federação Lusófona, Econômica, Política e Cultural.
A União Lusófona não é menos importante do que a União Européia.
Sendo países que se querem bem, e falam a mesma língua, já está mais de meio caminho andado.
Lembro estas ideias, como apoio para que entrem em pauta, no momento em que a Presidente Dilma, do Brasil visita Portugal.
Para ler as contribuições que publiquei, em diversos meios de Comunicação, sobre este momentoso tema, em diversas circunstâncias, leia:

- Gesto Magnânimo do Brasil? (clique)
http://tribunalusofona.blogspot.com/2010/12/brasil-muito-mais.html
- Aliança Brasil-Portugal (clique)
http://tribunalusofona.blogspot.com/2010/11/alianca-brasil-portugal-solidariedade.html
- União Lusófona: Federação Brasil-Portugal (clique)
http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/uniao-lusofona-1.html
- União dos Povos Lusófonos (clique)
http://tribunalusofona.blogspot.com/2008/01/uniao-dos-povos-lusofonos.html

José Jorge Peralta
É Professor da Universidade de São Paulo, Aposentado, e Diretor do Instituto Tropical do Pensamento Contemporâneo e do Pacto Lusófono Mundial

sábado, 25 de dezembro de 2010

Agostinho da Silva e a CPLP

"Se a Comunidade por vontade política só foi passada ao papel rubricado dos tratados internacionais no ano de 1996, culturalmente falando ela estava criada desde os finais da década de cinquenta, no momento em que Agostinho e Judite Cortesão se separam em Santa Catarina.

Assim, quando Agostinho da Silva funda em 1959 na Bahia o CEAO (Centro de Estudos Afro-Orientais), e depois em Brasília o CBEP (Centro Brasileiro de Estudos Portugueses), passando daí a condicionar positivamente a política externa de Jânio Quadros, a CPLP é já o pano de fundo em que se move qualquer destas acções. Só a política cega e violentamente colonialista do governo português da época, bem como o golpe militar de Abril de 1964 no Brasil, adiaram por trinta anos a sua efectivação factual. Não deixa de ser altamente significativo que o estratega que foi capaz de levar a CPLP ao papel, José Aparecido de Oliveira, tenha sido o mesmo que trinta e cinco anos antes secretariou Jânio Quadros, tendo sido ele que mediou os encontros entre este e o autor de Reflexão."

António Cândido Franco, ESTADOS GERAIS DA LUSOFONIA

(excerto; a publicar na íntegra no próximo número da NOVA ÁGUIA)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

GESTO MAGNÂNIMO DO BRASIL?

CONSOLIDANDO A FRATERNIDADE LUSÓFONA MUNDIAL

J. Jorge Peralta

I - BRASIL MUITO MAIS QUE UMA POTÊNCIA ECONÔMICA

1. Neste dia de 1º de Dezembro, movido pelo espírito do Dia da Restauração, resolvi retomar e alargar algumas ideias que propus no texto “Aliança Brasil-Portugal”, levando em conta alguns comentários com que me honraram os leitores, em especial o senhor Salles Fonseca e o senhor Campos. Retomo ainda alguns conceitos do texto “Restaurar Portugal”, comemorando 350 Anos da Restauração, que merecia maior celebração de seu país.

Mantenho-me na expectativa de que o governo brasileiro fará o gesto magnânimo que lhe dará maior força, no concerto das nações, e que será, essencialmente, um gesto concernente à Geopolítica Mundial.

2. O Brasil é visto hoje, como sendo muito mais do que uma grande potência econômica emergente.

O Brasil é, sem sombra de dúvida, uma grande potência, com possibilidades reais, no contexto das Nações. O Brasil, apesar de suas mazelas patentes, que ocorrem em muitos outros países, é o grande baluarte da Lusofonia e um dos pilares do desenvolvimento mundial.

A corrupção, o desperdício deixam o país vulnerável, em alguns setores. São dores do crescimento e do amadurecimento. O Brasil surge no cenário mundial, como uma grande esperança de novos tempos. Por seu território, rico e belo; pela índole criativa, comunicativa e cordial de seu povo; por suas empresas ousadas, pujantes e versáteis; por seu espírito solidário, e muito mais... O Brasil terá, naturalmente, um papel preponderante no concerto das nações.

O texto, “Aliança Brasil-Portugal”, foi preparado como um desafio do que poderia ser feito, pelo Brasil, sem qualquer abalo interno. Aí se propõe: que o Brasil compre a dívida externa de Portugal, como um rentável investimento.

3. Bem sabemos que o Brasil precisa saber superar os vícios da grande desigualdade social que o afligem; que tal desigualdade é produto de uma governança e de uma gastança, às vezes difícil de controlar, num país continental; é produto também de uma educação, ainda parcialmente debilitada.

À parte isto, o Brasil, para quem sabe ler a cultura, tem grandes lições a ensinar ao nosso mundo, a partir de seu povo que é muito especial e sabe viver e ousar. O Brasil é o povo mais solidário, simpático e hospitaleiro do planeta. É assim que o mundo o admira...

Proponho que se pense num novo paradigma de relações entre os países lusófonos: que se fortaleça a solidariedade e a fraternidade Lusófona Mundial, para o desenvolvimento de todos. A Lusofonia estende-se muito além dos oito países de Língua Portuguesa. Está presente por todo o globo.

A Lusofonia é, a meu ver, é o caminho de nosso futuro comum.

Povos desorganizados são povos, potencialmente, tutelados e debilitados. Num mundo multipolar, a união de povos irmãos a todos fortalece. Juntos somos muito mais do que nós.

O novo paradigma supõe a consolidação de princípios éticos e valores culturais comuns que impulsionem um desenvolvimento sustentável, respeitando a índole de cada povo e ajudando a superar certos vícios que os debilitam.

No texto referido, mirei a economia para acertar na cultura, na lusofonia e no desenvolvimento de nossa gente lusófona.

4. Bem sei que o que proponho, no texto citado, é plenamente possível. É questão de vontade e de momento política.

A dívida externa de Portugal corresponde a uma mínima parcela do PIB do Brasil. Afinal, mais de 40% do dinheiro que se produz no país é captado pelo governo, através de impostos. E este é um país continental.

O Brasil teria muito a ganhar, no cenário internacional, com um gesto magnânimo e político deste quilate, em relação a Portugal. É a minha opinião e de muita gente. Um gesto que muito honraria o espírito da fraternidade lusófona internacional do Brasil, no mundo globalizado, onde o país mantém uma liderança natural.

(...)

IV - CELEBRAR A VIDA

9. Caros amigos, não tenho nenhuma lição a oferecer ao meu país, a não ser o exercício soberano de pensar e propor. Discretamente somo a minha voz, à voz de muitos outros que querem ver a dignidade e a honra restaurada no seu país, com ética e desenvolvimento sustentável, que beneficie toda a nação, sem discriminação.

Mantenho-me na expectativa de ver um dia, em breve, todos os países lusófonos celebrando a vida e o desenvolvimento de seu povo, com mais bem-estar para todos.

Os povos lusófonos, na África, dilacerados por guerras fratricidas, são efetivamente, na sua maioria gente muito bonita, encantadora, simpática e cordial. Falta-lhes um ponto de apoio para mostrarem seu potencial imenso. Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe merecem todo o apoio, mais do que as empresas que lá se instalam, só com intuitos exploratórios... Suas fraquezas não circunstanciais e não estruturais. É imenso o seu potencial.

O desenvolvimento dos povos lusófonos mantém um olhar de esperança voltado para o Brasil, como um grande irmão que pode ajudar a fortalecer e a consolidar a grande Fraternidade Lusófona Mundial, como a terceira maior potência populacional e linguística do Ocidente. O Brasil é o irmão que se destacou, saindo na frente, chamando os outros.

A Internet é uma trincheira de luta por um mundo melhor de que não podemos abrir mão.

Todos precisamos saber lutar pelos valores humanos e sociais em que acreditamos com lucidez.

... Para ler mais, clique < http://tribunalusofona.blogspot.com/2010/12/brasil-muito-mais.html >

sábado, 4 de dezembro de 2010

UMA PROSPECTIVA DA CPLP (excerto)*

A língua é o nosso instrumento mobilizador do mais importante dos capitais de recuperação, porque transporta valores, nunca é neutra.

Com a língua portuguesa acontece que, implantada em todas as latitudes, também, como aconteceu com o cruzamento das espécies, se tornou mestiça. Por isso tenho afirmado que a língua portuguesa não é nossa, também é nossa, querendo significar que em cada lugar de implantação, pela soberania, pela evangelização, ou pelo comércio, agregou valores que lhe dão especificidade na adopção plural que conseguiu.

Tem um traço comum, a que sempre chamei a maneira portuguesa de estar no mundo, que é a sua trave mestra, o conceito que une todas as etnias e culturas que atraiu, e que permitiu a formação da CPLP.

Nenhuma das potências, que participaram no Império Euromundista, conseguiu organização semelhante, nem mesmo a Espanha que também implantou o castelhano em tantos lugares.

Esta união de pessoas que conservam a identidade específica e a ligação comum que é a língua, constitui um instrumento, e o exemplo, da capacidade de responder à exigência de finalmente reconhecer que a Terra é a casa comum dos homens, que sem diferenças de etnias, crenças, e culturas, todos participam a mesma aventura de viver, e que o globalismo que realmente os unifica é enfrentarem um risco global. A contribuição dos que partilham a maneira portuguesa de estar no mundo para o património comum da humanidade, que inclui os valores que apontam para colocar o diálogo no lugar do combate, e alargar o reconhecimento recíproco pelo respeito que dispensa a tolerância, é uma parcela valiosa e indispensável desse património. E também contribuição para a segurança de que será possível reconstruir um novo futuro promissor, para além da crise brutal, e das ameaças inquietantes.

ADRIANO MOREIRA

* Texto a publicar na íntegra no próximo número da NOVA ÁGUIA.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Apresentação da revista "Limes" em Portugal

Será no próximo dia 9 de Dezembro, às 10h00, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian. A revista de geopolítica italiana dedica este número à Lusofonia, "Portugal é Grande, de Vasco da Gama à Lusosfera". (para apresentação vídeo, carregar aqui)

Índice:

José FREIRE NOGUEIRA - Il 'Grande Spazio' nell'immaginario geopolitico portoghese
Per Lisbona l'estensione territoriale ha sempre rappresentato un fattore di potenza. Le direttrici oceaniche, il Brasile, i possedimenti africani: che cosa resta di una geostrategia ambiziosa quanto realistica. Il timore di finire sotto la Spagna.

António SILVA RIBEIRO - A che ci serve il mare
Le grandi potenze hanno scatenato una corsa agli oceani simile a quella che due secoli fa culminò nella spartizione dell'Africa. Come proteggere gli interessi del Portogallo, paese atlantico, in una competizione che rischia di travolgerci.

Armando MARQUES GUEDES - La lusofonia nella partita del Sud-Atlantico
Sullo strategico bacino dell'Atlantico meridionale si affacciano cinque paesi lusofoni, Brasile e Angola in testa. I quali rischiano di restare tagliati fuori dalle manovre delle potenze esterne. Le poste in gioco energetiche.

António Paulo DUARTE - Portugal maior
La percezione dello spazio nella geopolitica portoghese, dalle origini ad oggi. L'oceano come territorio imperiale. Il sistema di interazioni fra Lisbona e l'Oltremare. Il vettore della lusofonia. Un soggetto mondiale più che europeo.

José Alberto LOUREIRO DOS SANTOS - Il modo portoghese di fare la guerra
Nella tradizione militare lusitana spicca la propensione alla guerriglia. Le lezioni delle campagne di controsovversione condotte tra il 1961 e il 1974 in Angola, Guinea e Mozambico restano attuali. E oggi sono molto utili nelle operazioni Nato.

Roberto VECCHI - Il molo estremo
Tra desiderio e rimorso, il destino europeo del Portogallo. L'ambivalenza identitaria di un paese che continua a coltivare - e talvolta ad abbellire - la propria memoria imperiale. La zattera di Saramago e lo sguardo dell'Europa secondo Lourenço.

Hélder MACEDO - Nazione versus impero
Le vere capitali dello spazio portoghese erano in Brasile e in India, come dimostra la 'disobbedienza civile' dei viceré. Un esercizio imperiale che impoveriva la metropoli e arricchiva le oligarchie. La fortuna di Lisbona è di essersi emancipata dalle colonie.

António RUSSO DIAS - La riscossa della lusofonia
Conversazione con António RUSSO DIAS, rappresentante permanente del Portogallo presso la Comunità dei paesi di lingua portoghese (Cplp) a cura di José FREIRE NOGUEIRA.

António HORTA FERNANDES - Il Portogallo nella storia del sapere geopolitico
È solo negli ultimi due secoli che si configura in Occidente l'effettiva sovranità degli Stati, premessa delle teorie e delle prassi geopolitiche. In terra lusitana si producono prima che altrove le condizioni che favoriscono tale sviluppo. Come nasce la nostra frontiera.

Luis TOMÉ - Born to Nato
Le strategie di sicurezza e difesa del Portogallo ruotano intorno all'Alleanza Atlantica. Lisbona partecipa attivamente agli obiettivi e alle trasformazioni del blocco occidentale. Con occhio attento alle regioni storicamente affini e agli umori dell'Ue.

Paula MONGE - La difesa europea per un paese atlantico
Lisbona è impegnata nello sviluppo delle politiche di sicurezza comunitarie, per non restare confinata nella periferia del continente. Ma sempre a partire dal vincolo Nato. Il rischio di una competizione fra l'Alleanza Atlantica e Unione Europea.

PARTE II OMBRE E LUCI DEL RETTANGOLO

João RODRIGUES - Un paese diseguale destinato a impoverirsi?
Il Portogallo non cresce più da anni. La crisi globale ha messo in evidenza la disfunzionalità dell'euro, che favorisce il nucleo centrale del continente a scapito delle periferie. Le ricette europee di austerità non aiutano. Le alternative possibili.

José Félix RIBEIRO - Una piccola economia dalle grandi ambizioni
1986: con l'ingresso nella Cee inizia la modernizzazione che, in un quarto di secolo, ha cambiato il volto del Portogallo. Oggi il paese è più ricco, ma non meno periferico. La crisi offre una nuova opportunità di riscatto. Che Lisbona è decisa a sfruttare.

Roberto BELLINZONA - Lisbona e Madrid separate in casa
Negli ultimi trent'anni, Spagna e Portogallo hanno preso strade opposte: la prima ha consumato il suo miracolo, il secondo è rimasto, nel complesso, un paese arretrato. Ora la crisi rimescola le carte e impone loro di collaborare. Ammesso che ne siano capaci.

Carlos ZORRINHO - L'innovazione come antidoto alla crisi
Informatica, ricerca, formazione, energie rinnovabili: Lisbona punta tutto sul futuro per scongiurare il declino economico e la marginalità geopolitica. I progressi ci sono, ma la crescita langue. Numeri e obiettivi della strategia di rilancio.

João FREIRE - La breve parabola dell'Estado social
Con la fine dell'èra salazarista, la spesa pubblica portoghese muta radicalmente. Gli alti esborsi per sicurezza e difesa lasciano il posto a una crescita esponenziale dello Stato sociale. Che ora, però, appare sempre meno sostenibile.

Luca DEL BALZO DI PRESENZANO - Perché non possiamo non vedere il Portogallo
Dall'antica Roma ai connubi dinastici, dalla Nato all'Unione Europea, la parabola delle relazioni italo-portoghesi. Il retaggio imperiale fa di Lisbona una porta verso i paesi lusofoni emergenti, a cominciare dal Brasile. Le affinità culturali.

PARTE III TRA IBERIA E LUSOSFERA

Enrique VILA-MATAS - La città che naviga

Roberta SCIAMPLICOTTI - Olivenza o Olivença? Il destino in una lettera
Nel 1801 la Spagna conquistò la città portoghese e la zona circostante. Il Portogallo ne ottenne la restituzione al Congresso di Vienna, ma i 453 km² contesi restano a tutt'oggi spagnoli. Una disputa geopolitica che riecheggia antiche rivalità iberiche.

Miguel DE UNAMUNO - Un popolo suicida (presentazione di Danilo MANERA)

Maria DO CÉU PINTO - Lisbona riscopre il Mediterraneo
Il Portogallo guarda al Nordafrica, attratto dal boom economico del Maghreb e dalla crescente dimensione comunitaria del mare nostrum. Commercio e diplomazia bilaterale prosperano, ma manca ancora una strategia. Il fattore energetico.

Catia DOS SANTOS - Capo Verde, una perla atlantica che fa gola a molti
I rapporti di Lisbona con l'ex colonia sono ottimi. Ma l'integrazione nell'Ue o addirittura il ritorno all'ex madrepatria sono assai improbabili. Il ruolo della lusofonia, gli interessi strategici europei e quelli americani: Praia come sede di Africom?

Marco MARINUZZI - Macao, la Cina latina
L'ex colonia portoghese è un ibrido culturale e amministrativo che conserva le sue peculiarità, ma guarda al continente. Le vicende storiche. I rapporti con Lisbona. Il ruolo di ponte tra Cina, Ue e Mercosur. Non c'è alternativa all'integrazione regionale.

Nuno CANAS MENDES - Timor, meu amor!
Eredità storiche, legami emotivi, ambizioni internazionali, Realpolitik. L'ostinata attenzione del Portogallo all'ex colonia è frutto di un mix di ragione e sentimento. Dove il secondo ha la meglio.

Luís ELIAS - L'incerto futuro di Timor Est
Povertà, disoccupazione, corruzione e malgoverno sono solo alcuni dei mali che affliggono la giovane democrazia timorense. Il ruolo dell'Onu. Il risiko degli aiuti internazionali. C'è spazio per il Portogallo?

Omar GHIANI - Portoghesi (poco) uniti d'America
Provenienti soprattutto dalle Azzorre, i componenti della lobby lusitana negli Stati Uniti non hanno saputo consolidare la propria influenza nella vita politica americana. Divise e lontane, le folte comunità sono destinate a un'inesorabile integrazione.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

ALIANÇA BRASIL-PORTUGAL?


Solidariedade Lusófona: uma Questão Geopolítica Internacional

JPeralta

1. As manifestações de solidariedade prática entre Portugal e o Brasil, desde o alvorecer da descoberta do país, em 1500, regem-se por manifestações inequívocas de um, quase inédito, espírito de cooperação. Foi esse espírito que manteve a unidade e impulsionou o crescimento deste país continente.

No subconsciente coletivo de Portugal há um imenso carinho pelo Brasil.

O Brasil responde com o mesmo respeito fraternal e solidário.

Os dois países soberanos mantêm e cultivam uma aliança vital que vai muito além de todos os tratados: a língua e a cultura comum.

Esta ideia, sobejamente reconhecida e repetida, recordo-a para alicerçar uma proposta que exponho adiante.

A solidariedade e a amizade, entre países e povos, revela-se em todas as circunstâncias, principalmente em celebrações festivas.

No entanto, é nas horas amargas de um dos parceiros, que a solidariedade tem oportunidade de se revelar plenamente, através de ações proativas, que vão além dos discursos protocolares.

Em concreto, é sabido que Portugal passa por dificuldades econômicas e sociais, que se acumulam há mais de 30 anos.

Portugal, como outros países do espaço do EURO, precisa captar recursos exteriores, para equilibrar suas finanças e prosseguirem, tranquilos, os rumos de seu destino histórico, evitando desperdícios evitáveis.

Esta é a hora de buscar soluções e não de apontar os responsáveis...

A proposta a seguir é uma questão de Geopolítica Internacional, capaz de ajudar a consolidar a convivência entra as nações e estimular a solidariedade da Lusofonia Internacional.

2. Dentro da proverbial e histórica solidariedade fraterna de Portugal e Brasil, e como cidadão brasileiro que dedica , a este país o melhor de suas forças, há mais de 50 (cincoenta) anos, proponho:

Que o Brasil (Governo Brasileiro) estude, com carinho, a possibilidade de comprar a dívida externa portuguesa, como um grande e solidário investimento. Com este gesto estaria aprofundando a indissolúvel aliança dos dois países irmãos. O Brasil, país que investiu no FMI, pode, do mesmo modo, investir no país irmão.

Cabe ao Brasil avaliar a validade política e as condições desta proposta.

3. É sabido que outros países pensam em comprar tal dívida, como um rentável investimento, financeiro e político.

Segundo consta, a China já se propôs a estudar a questão. O Timor Leste, também se propôs a ato semelhante. Tal cooperação poderá trazer alto retorno ao País, beneficiando o seu povo.

Esta ousadia ficaria muito bem ao Brasil, no momento em que vai projetando e consolidando densamente a sua imagem no cenário internacional.

4. Esta ousadia seria inequívoca profissão de fé na solidariedade lusófona e um exemplo para o mundo.

Seria uma atitude de alto valor simbólico no cenário mundial, capaz de trazer altos dividendos políticos, econômicos e sociais. É um desafio aos nossos estadistas e aos nossos estrategistas.

Acredito que, Portugal é, para o Brasil a grande porta da Europa. O Brasil deveria cuidar mais acuradamente em consolidar a sua presença na Europa, através de Portugal, tendo aí uma plataforma permanente de acesso.

Aliás, é isto que a China está fazendo, inclusive tentando adquirir o controle do grande porto marítimo de Sines, como foi noticiado.

Por que não o Brasil?! Seria mais lógico e natural.

Os dois países irmãos sairiam muito fortalecidos.

Portugal e o Brasil são parceiros naturais na atualidade, mas não exclusivos.

5. Discuti esta ideia em reunião de amigos, em Aveiro, há poucos dias. Havia alguns economistas. A ideia foi acolhida com entusiasmo.

Em seguida propus esta ideia, em conversas informais, em Lisboa, entre amigos. O acolhimento foi unânime.

Deixo aí a ideia. Cabe aos políticos, aos estadistas e aos economistas formatar a questão de forma adequada para que possa ser incrementada.

De agora em diante a ideia está posta, na mesa, como alternativa, a bem dos países envolvidos. Utilize-a quem puder.

Esta proposta deve ser considerada como uma questão de interesse geopolítico e sócio-econômico. É também uma questão diplomática, ao fortalecer a aliança dos povos lusófonos. É o reforço de um determinado paradigma de valores de nossa civilização.

6. Por outro lado, este poderia ser mais um passo para formatar a ideia de União Portugal-Brasil, como países soberanos, como propus em estudo publicado anteriormente (Leia: http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/10/uniao-lusofona_28.html )

José Jorge Peralta

Professor aposentado da USP

terça-feira, 16 de novembro de 2010

“Da mentalidade colonialista”

A mentalidade colonialista aparece onde, para muitos, menos se espera – e não, na maior parte dos casos, naqueles em que era mais suposto aparecer. Vem isto a propósito da inusitada reacção de alguns dos nossos governantes – e até do actual Presidente da República – à generosa oferta timorense de comprar dívida pública portuguesa. Uns dias depois do nosso Primeiro-Ministro ter definido “a Lusofonia como prioridade absoluta”, eis que o seu Governo, em “cooperação estratégica” com o actual Presidente da República, dá uma vez mais mostras de miopia, mais do que isso, é caso para dizê-lo, de mentalidade colonialista.

Não é difícil adivinhar o “raciocínio” de tão brilhantes cabeças: “Nós, aceitarmos ajuda de um país como Timor-Leste?!”. Como lapidarmente disse o actual Presidente da República: “Nós não estamos de mão estendida”.

Obviamente, os mesmos não tiverem qualquer pejo em fazer todas as vénias ao Presidente chinês quando este insinuou fazer o mesmo: comprar dívida pública portuguesa. Nesse caso, presume-se, a ajuda não seria “desonrosa”, pois que viria da maior potência económica emergente. Mesmo que, para tal, tivéssemos que varrer para debaixo do tapete todos os atentados aos direitos humanos que continuam a ocorrer na China – e não só no Tibete (este é apenas o caso mais mediático). Agora aceitar a “ajuda” de Timor-Leste, isso já seria, subentende-se, “desonroso”.

Ora, nem se trata propriamente de uma “ajuda”. Timor-Leste, dadas as receitas do petróleo, tem fundos de capitalização que aplica em vários mercados. A intenção de aplicar parte deles na compra da dívida pública portuguesa decorre apenas dessa visão estratégica que, pelos vistos, os governantes timorenses têm e os governantes portugueses teimam em não ter. Numa altura em que Portugal precisa de aliviar o peso dessa dívida pública, nada de mais natural que os nossos países mais próximos – histórica e culturalmente –, que têm alguma disponibilidade financeira, dêem esse passo em frente. Portugal já o fez no passado. Poderá e deverá voltar a fazê-lo no futuro. Entretanto, por exemplo, deveria tentar suprir algumas carências não só de Timor como de outros países lusófonos – nomeadamente, a ausência de profissionais qualificados. Há tanta gente em Portugal desempregada e sem perspectivas de emprego…

Eis a visão estratégica que o Doutor Fernando Nobre tem expresso nesta sua candidatura presidencial – salientando o potencial também económico da convergência lusófona –, a visão estratégica de que Portugal tanto precisa…

domingo, 14 de novembro de 2010

Lauro Moreira: "A língua portuguesa é hoje a quinta mais falada do mundo"

Lauro Moreira (http://liberal.sapo.cv)
Lauro Moreira (http://liberal.sapo.cv)
"A língua portuguesa é hoje a quinta mais falada do mundo, o terceiro idioma europeu usado fora do Velho Continente e, finalmente, a nona língua na Internet, sendo portanto identificada como um valioso património cultural, político e mesmo económico."

Lauro Moreira

Fernando Pessoa acreditava que o Quinto Império seria não um "império" materializado em domínios e territórios reais e concretos mas na língua portuguesa. Apesar deste sonho profético de um dos seus maiores vates, Portugal nunca soube aproveitar o imenso capital que é o de ser a matriz originária de uma língua ímpar, presente em 5 continentes e falada por algumas das mais dinâmicas economias do mundo.

domingo, 7 de novembro de 2010

Da situação de Cabo Verde no espaço lusófono

Foi um excelente debate, o que ocorreu esta semana na Associação Caboverdeana, entre o Dr. Suzano Costa, o Deputado José Ribeiro e Castro e o Embaixador Arnaldo Andrade – sobre a “parceria” entre Cabo Verde e a União Europeia.

Todos salientaram a situação especial de Cabo Verde no quadro africano. Desde logo, porque quando o território foi descoberto pelos navegadores portugueses era completamente desabitado. Depois, dada a sua condição de arquipélago, o que faz do território, como alguém disse, uma espécie de “porta-aviões natural” no meio do Atlântico…

De facto, Cabo Verde sempre foi um caso muito especial e, em 1974, se tivesse havido uma maior visão estratégica e uma menor precipitação, poder-se-ia até ter equacionado uma outra evolução no estatuto político do território. Mas a História foi a que foi e não vale a pena lamentá-lo. Importa olhar para o futuro, como fez, em particular, o Embaixador Arnaldo Andrade, dando conta das negociações estabelecidas com a União Europeia, em prol de uma “parceria”. Obviamente, não é uma adesão – o Deputado José Ribeiro e Castro frisou, de resto, que se houvesse alguma perspectiva de adesão, jamais se teria chegado a esta figura da “parceria”. A Europa, como é sabido, tem as portas cada vez mais fechadas…

Em representação do MIL – após ter lembrado o almoço lusófono de 10 de Junho, que teve como convidado de honra o Doutor Fernando Nobre, realizado no mesmo local –, saudei esta orientação política de Cabo Verde, na premissa de que essa aposta numa “parceria” com a União Europeia não se realizasse em prejuízo da aposta na CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O Senhor Embaixador garantiu-me que não, reafirmando o compromisso caboverdeano na convergência lusófona. Mas, obviamente, só pode haver convergência se esse for um caminho paritariamente trilhado por todos na mesma direcção…

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Malaca Casteleiro sobre a Cidadania Lusófona

Malaca Casteleiro (http://www.revistamacau.com)
Malaca Casteleiro (www.revistamacau.com)

"Sobre a cidadania lusófona: Eu acho uma ideia brilhante, muito interessante. [Agostinho da Silva] foi verdadeiramente um defensor da Lusofonia. Realmente uma cidadania Lusófona era particularmente interessante, mesmo que ela num primeiro momento e numa primeira fase tivesse apenas um valor simbólico. (...) teria um impacto muito grande do ponto de vista duma política de língua."
Professor Malaca Casteleiro
Boletim da AGAL 2010.

A Cidadania Lusófona é um dos princípios mais cruciais às propostas fundacionais ao MIL: Movimento Internacional Lusófono. Ela permitiria garantir a todos os cidadãos dos países que fossem signatários de um tratado internacional erguido em torno da CPLP um conjunto de seguranças quanto ao respeito de uma série de direitos e garantias, com um devido e esperado quadro sancionatório que se exige. A Cidadania Lusófona permitiria garantir que qualquer cidadão lusófono pudesse ver os seus direitos defendidos por qualquer representação diplomática de um país signatário. Permitiria igualmente facilitar a circulação dos cidadãos entre o espaço lusófono através da introdução de um "passaporte lusófono" ("Passaporte Agostinho da Silva", na proposta do MIL) que dispensasse muita burocracia, poupando tempo e dinheiro. Um tema a que voltaremos brevemente, em maior detalhe...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Promoção peca por ser "carregada de simbolismo" e falta de pragmatismo

Muitos projectos de promoção da língua portuguesa pecam por serem carregados de simbolismo e não serem pragmáticos, disse hoje em Lisboa o diretor executivo do Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (UNITAR).

“Muitas vezes, os projectos de expansão ou de promoção da língua portuguesa pecam por serem projectos que estão carregados de simbolismo. Eles são simbólicos, não são pragmáticos”, declarou à Lusa Carlos Lopes.

O responsável das Nações Unidas falou à margem do Encontro Internacional Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas num Universo Globalizado, na Fundação Calouste Gulbenkian.

“Em termos pragmáticos, o projecto de transformar o português em língua oficial da ONU custaria 120 milhões de dólares por ano. Estes 120 milhões podem permitir a criação um programa de jovens funcionários (lusófonos), que existe para muitos países”, disse ainda Lopes.

Segundo o responsável da ONU, “pode-se ter 600 jovens funcionários que seriam enviados para vários organizações internacionais, que iriam criar muito mais espaço para a língua portuguesa”.

Estes jovens “iriam transformar completamente a presença do português, em vez ter os documentos do Conselho de Segurança em português, que ninguém vai usar”, acrescentou.

“Ocupar o púlpito para defender uma língua sempre trouxe benefícios políticos para os protagonistas, fazer algo pela mesma, é uma batalha inglória que arrecada poucos trunfos”, disse ainda.

Segundo Carlos Lopes, “não se mede a influência no sistema internacional só porque uma língua é oficial”.

O funcionário da ONU disse que o francês está cada vez a ser menos utilizado nas Nações Unidas e que o russo e o chinês são usados de forma “marginal”, sendo todas estas línguas oficiais na organização.

Carlos Lopes sublinhou a presença de lusófonos em postos chaves das instituições internacionais.

O responsável da UNITAR revelou que a preocupação com a língua é generalizado entre os países e que os meios de informação virtuais estão ser muito importantes na divulgação das línguas.

Para Carlos Lopes, os jovens são “agentes das novas formas de sociabilidade (redes sociais na Internet) e fazem crescer uma língua de forma exponencial”, considerando ainda que países com população mais idosa vão acabar por “perder este jogo”.

O português é a sexta língua mais utilizada na Internet, um “feito considerável” para Carlos Lopes.

Até 2050, o português pode subir para 4.º ou 3.º lugar neste ranking, mas “tudo depende dos incentivos para a criação de produção de conteúdos”.

O responsável da UNITAR declarou ainda a China está a apostar na expansão do mandarim como “fator de relacionamento com o mundo e o reconhecimento do país”.

A China fez acordos com 32 universidades africanas para a criação de Institutos Confúcio, que ensinam o mandarim como segunda língua.

Carlos Lopes também questionou de que servem as lamentações sobre a situação da língua portuguesa, que em geral estão associadas “à falta de visão política, às limitações da CPLP e à desgraça do IILP (Instituto Internacional da Língua Portuguesa)”.

Fonte: Lusa

Agostinho da Silva (1906-1994), pensador da cultura, da liberdade e da lusofonia

George Agostinho Baptista da Silva, nasceu no Porto no início do século XX no regime da Monarquia Constitucional, tendo-se destacado como professor, filósofo e poeta. Contudo, a sua humildade e o seu sentido cívico aproximaram-no dos cidadãos, que muitas vezes tendem a olhar de soslaio para os filósofos, na medida em que procurou fazer da filosofia o móbil de legitimação da intervenção na sociedade e, por isso, mostrou a importância da “praxis” na vida dos filósofos. Deste modo, evidenciou-se como um Humanista no seu original pensamento da Liberdade e da Lusofonia que edificou com os seus escritos e com a sua vida.

Formou-se em 1928 em Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com 20 valores. Desde então passou a colaborar na revista “Seara Nova”[1], durante 10 anos, onde teve oportunidade de conhecer grande parte do escol intelectual português. Com apenas 23 anos sustentou a sua Dissertação de Doutoramento, enveredando por uma perspectiva de Filosofia da História com o seu trabalho académico “O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas”. De 1931 a 1933, já no contexto do autoritarismo português, foi estudar para Paris como Bolseiro na Sorbonne e no Collège de France.

No regresso a Portugal em 1935, já em pleno Estado Novo, começa a leccionar no ensino público secundário, mas tendo-se recusado a assinar um documento, que obrigava todos os funcionários públicos a declararem que não participavam em organizações secretas, é exonerado do cargo. Passa então para o ensino privado, onde foi professor de Mário Soares e de Lagoa Henriques. Nesta fase da sua vida dedicou-se com empenho às questões pedagógicas, levando-o à criação da Escola Nova de São Domingos de Benfica e do Núcleo Pedagógico Antero de Quental.

No início dos anos 40 quando se torna mais incómodo, pelos seus escritos, para o regime Salazarista, posicionando-se como um denodado oposicionista, a PVDE ( antiga designação da PIDE ) prende-o em 1943 e a Igreja Católica critica-o pelas suas ideias religiosas pouco ortodoxas. Estes factos adversos, indicativos de plena assumpção da sua liberdade, irão levá-lo ao exílio na América do Sul, tendo estado no Brasil, no Uruguai e na Argentina.

De 1947 a 1969 viveu no Brasil onde estudou e ensinou em diversas Universidades. Foi, com efeito, um intelectual empreendedor ao participar na criação da Universidade de Santa Catarina e na Universidade de Brasília e ao criar Centros de Estudos[2] que o fizeram aprofundar a compreensão da importância da Lusofonia. A proximidade intelectual que manteve com Jaime Cortesão, na investigação que desenvolveram sobre a figura de Alexandre de Gusmão e na Exposição do Quarto Centenário da cidade de São Paulo, terá sido decisiva para aprofundar a sua convicção lusófona, pois este eminente Historiador dos Descobrimentos Portugueses sempre sustentou a tese do Humanismo Universalista dos Portugueses.

Agostinho da Silva regressou a Portugal durante o período do Marcelismo, em 1969, e dedicou-se nessa altura, fundamentalmente, à escrita. Só após a Revolução do 25 de Abril de 1974 passou a leccionar regularmente em Universidades Portuguesas, designadamente na Universidade Técnica de Lisboa onde dirigiu o Centro de Estudos Latino-Americanos e foi designado consultor do Instituto da Cultura e Língua Portuguesa. Veio a transformar-se num dos mentores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pelas suas concepções e vivências lusófonas de fraternidade e união cultural dos países de língua portuguesa[3], sonhando mesmo com uma futura União Lusófona. Faleceu em Lisboa em 1994 sem conhecer esta nova instituição supranacional.

No princípio dos anos 90 a RTP1, imbuída de uma meritória missão de Serviço Público, emitiu uma série de notáveis entrevistas com o Professor Agostinho da Silva que o popularizou na sociedade portuguesa. Irei mostrar, de seguida, dois destes documentos televisivos intitulados “Conversas Vadias”. Além desta homenagem em vida, a este promotor da Cultura Lusófona, já postumamente constituiu-se a Associação Agostinho da Silva, em 1995, realizou-se a Comemoração do Centenário do seu nascimento, em 2006 e publicou-se o terceiro número da revista ‘Nova Águia’ intitulado “O legado de Agostinho da Silva – quinze anos após a sua morte”[4] em 2009.

O original pensamento filosófico, expresso muitas vezes numa linguagem poética de maior acessibilidade, de Agostinho da Silva, que nos foi legado pelos seus escritos e depoimentos orais, só aparentemente é libertário pelo tom provocador, crítico, que imprimiu em algumas das suas mediáticas entrevistas, mas, na verdade, este pensador foi um construtor de uma “praxis” comprometida com uma elevada consciência cívica e social actuante, como a sua vida nos demonstra sobejamente.

Nuno Sotto Mayor Ferrão

Publicado originalmente, com documentos acrescidos, no blogue Crónicas do Professor Ferrão


[1] Fernando Farelo Lopes, “Seara Nova”, in Dicionário Encclopédico da História de Portugal, vol. II, Alfragide, Selecções do Reader’s Digest, p. 216.

[2] Agostinho da Silva criou o Centro de Estudos Afro-Orientais na Universidade de Santa Catarina e o Centro Brasileiro de Estudos Portugueses na Universidade de Brasília.

[3] Renato Epifânio, “Agostinho da Silva: um legado”, in A Via Lusófona – Um novo horizonte para Portugal, Sintra, Edições Zéfiro, 2010, pp. 86-89.

[4] Nova Águia, nº 3 – 1º Semestre de 2009, Sintra, Zéfiro Editores, 203 p.