BLOGUE DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

O FÓRUM DA LUSOFONIA


Sendo este o Blogue do MIL, nele poderão participar todas as pessoas que se encontram integradas no nosso Movimento. Para isso, têm plena liberdade, podendo ainda os seus textos ser comentados por qualquer pessoa registada neste Blogue. Apenas não admitimos comentários que excedam o limite da civilidade. Quanto aos textos, pedimos apenas que eles não sejam muito longos, ou seja, que não excedam em muito o limite do écran, e que, obviamente, se coadunem com o cariz deste Blogue, enquanto espaço de reflexão sobre as Raízes e os Horizontes, os Fundamentos e os Firmamentos da Cultura Lusófona, e com a nossa visão de Portugal, da Comunidade Lusófona e do Mundo: como se depreende da nossa Declaração de Princípios e Objectivos, defendemos um Portugal aberto ao mundo, um Portugal lusofonamente multicolor...

P.S.: Reservamo-nos o direito de uniformizar graficamente os textos publicados, bem como de cortar aqueles que, a nosso ver, careçam de qualidade mínima ou que não se coadunem com o cariz deste Blogue. Quanto às “etiquetas”, elas serão colocadas por nós.
Caso pretenda aderir ao MIL e participar neste blogue, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

*** 25º ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO AMI * “Concerto Contra A Idiferença” * Orquestra Metropolitana de Lisboa * Aula Magna dia 11 de Dezembro 21h30 ***
O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de um milhar e meio de adesões, de todos os países da CPLP.

MIL:
COMISSÃO EXECUTIVA

António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.


MIL:
CONSELHO CONSULTIVO

Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Da liberdade moral dos cavalos...


Dona Filipa de Vilhena Armando Seus Filhos Cavaleiros, Francisco Vieira (Vieira Portuense), 1801


Os cavalos da cavalaria é que formam a cavalaria. Sem as montadas, os cavaleiros seriam peões. O lugar é que faz a localidade. Estar é ser.


Álvaro de Campos, in Ambiente, revista Presença, nº 5, Coimbra, 4-6-1927.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Como nós aqui não acreditamos em reincarnações, assinalamos a data da tua morte. Apesar de tu para nós não teres morrido...



A 6 de Dezembro de 1185, morre, em Coimbra, D. Afonso Henriques, Fundador de Portugal.

Proposta MIL: "Banco de Desenvolvimento Lusófono"

Tendo em consideração que:
a) o aprofundamento das relações institucionais, culturais, económicas e sociais entre os Estados membros da CPLP tem que ser claramente assumido como preocupação e objetivo prioritário dos respectivos Governos e como condição necessária da promoção da paz e do bem estar social dos seus cidadãos;
b) as profundas desigualdades económicas e sociais que ainda caracterizam o espaço lusófono, e a dimensão da atual crise económico-financeira planetária, exigem dos governantes dos Estados membros da CPLP a definição de uma estratégia comum de cooperação e de uma conjugação de políticas de longo prazo que, no campo económico e no da promoção do desenvolvimento social, se não subordinem ao imediatismo do ‘desenvolvimento financeiro’ e à vertigem da ‘competição global’ induzida e conduzida pelo discurso e pelos interesses do capitalismo dito neo-liberal, mas que visem a criação das condições para uma verdadeira gestão equilibrada e de longo prazo dos recursos naturais, para um desenvolvimento ecologicamente sustentado e para o reforço de uma sociedade livre onde a pobreza seja uma memória e não uma fatalidade;
c) o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO considera que é no quadro do respeito pelos valores essenciais da cultura lusófona e do seu humanismo universalista que se podem e devem buscar alternativas viáveis à crise do actual ciclo de civilização economicista e tecnocrático, para tornar possível a emergência de uma outra globalização, a do desenvolvimento das plenas possibilidades humanas e da harmonia ecológica, assente na utilização partilhada, responsável e democrática dos actuais recursos materiais, económicos e tecnológicos;
d) o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO considera essencial assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a que a produção e distribuição da riqueza visem o bem comum e a satisfação das necessidades básicas das populações, para o que se torna imperativo explorar as potencialidades de formas de organização económica cujo objectivo fundamental não sejam, meramente, o crescimento desgovernado e o lucro financeiro a todo o custo;
e) não existem ainda, a nível da CPLP, estruturas intergovernamentais capazes de dar resposta eficaz às necessidades de planeamento, partilha de saberes e experiências, e acesso ao crédito e ao micro-crédito por parte das famílias, das pequenas comunidades e dos projectos locais de valorização de uma economia respeitadora de recursos e de pessoas, ou sequer de auxiliar consistentemente a sustentabilidade dos Estados e regiões mais desfavorecidos e a articulação das economias dos Estados lusófonos numa rede ecológica e humana de economias locais auto-organizadas e sustentáveis;

Entende o MIL que:
Se torna necessária a conjugação de esforços dos Governos e o empenhamento dos cidadãos da comunidade lusófona na criação de uma estrutura financeira institucional de fins não lucrativos com a participação de todos os Estados que atualmente integram a CPLP, ao serviço das políticas de cooperação e envolvimento que os Governos desses Estados não podem deixar de definir em conjunto, no âmbito das aspirações comuns que presidiram à constituição e justificam o progressivo e permanente reforço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Uma tal estrutura financeira terá o objetivo e a missão de, em todo o espaço lusófono, prosseguir o desenvolvimento equilibrado e sustentado das sociedades dos países-membros, o combate à exclusão social e à pobreza, a criação de condições para a melhoria da qualidade de vida das populações lusófonas, onde quer que estas se encontrem, e a contribuição para a integração das economias dos países da CPLP.
Para tal, é indispensável a criação das condições técnicas, financeiras e humanas para que essa estrutura financeira possa estimular e dar apoio efectivo a projectos públicos ou em parceria público-privada, em qualquer dos Estados-membros da CPLP, que contribuam para concretizar os objectivos de aprofundamento da integração das economias da CPLP, que apresentem garantias de solidez do ponto de vista económico, financeiro, técnico e ambiental e que sejam susceptíveis de atrair fontes de financiamento complementares, designadamente privadas.
Uma tal instituição apenas poderá ser constituída com a participação directa dos Estados-membros da CPLP, de forma a permitir o necessário acesso ao crédito nos mercados financeiros internacionais nas melhores condições; não visando o lucro, poderá por sua vez conceder crédito em boas condições, em permanente ligação aos Governos dos países da CPLP e a instituições financeiras públicas e privadas, agências de desenvolvimento, ONGs e fundações privadas do espaço lusófono.

Assim,
- Requeremos aos Governos da CPLP que assumam o compromisso da criação de uma estrutura financeira institucional lusófona de suporte a um horizonte comum de envolvimento e cooperação entre os povos e as economias da lusofonia;
- Requeremos aos Governos da CPLP a construção comum de uma alternativa lusófona ao já existente "Banco do Sul", lançado por Hugo Chávez e que além da Venezuela, agrega também Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e o lusófono Brasil, de uma alternativa lusófona a esta abordagem estritamente sul-americana da política externa brasileira.
- Requeremos aos Governos da CPLP o empenhamento claro num projecto de longo prazo que aprofunda os laços económicos e sociais entre os povos da lusofonia, que abre novas alternativas de financiamento onde as outras se encontrarem indisponíveis, que tem como prioridade o foco no desenvolvimento humano e não apenas os critérios do lucro ou do crescimento bruto das economias, sem ter em consideração a repartição da riqueza ou a qualidade de vida e direitos cívicos e humanos dos cidadãos.
- Requeremos aos Governos da CPLP o empenhamento consistente na criação de um verdadeiro banco de desenvolvimento que promova o envolvimento das populações e a integração, à escala humana, das economias dos seus países – o empenhamento na criação e na condução partilhada de um Banco de Desenvolvimento Lusófono.


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

Algumas fotos da sessão de ontem: debate sobre a Galiza, recolha de livros para a Guiné..


(Entrega de livros para a Guiné: à esquerda, Carlos Fernandes, da ONG "Ajuda Amiga", e Renato
Epifânio; à direita, Rui Martins e António José Borges.)







(Mesa: José Manuel Barbosa, Renato Epifânio e Alexandre Banhos Campo.)



P.S.: O debate durou mais de quatro horas e foi particularmente animado, estendendo-se ainda, depois, a um magnífico jantar (fotos de Pires F.).

A Questão de Olivença é uma "Questão Lusófona"?

É certo que Olivença está hoje tornada numa cidade de fala castelhana. Como se diz, existe ali apenas uma mão-cheia de idosos que ainda compreendem o português e um escasso grupo de neofalantes.

A estratégia de Madrid de menorizar e combater a utilização da língua nos três concelhos oliventinos conseguiu efetivamente fazê-la desaparecer numa parcela de território que à luz do Direito Internacional e dos Tratados Internacionais assinados por Portugal e Espanha é, ainda, portuguesa.

Mas a colonização (via corrente migratória) ou aculturação (via despromoção do uso do português) não é fonte de direito. Devemos então nós, portugueses, lusófonos e membros do MIL, deixar esquecer a Questão Oliventina e abrir mão para Espanha dessa parcela do nosso território?

Não defendo - naturalmente - uma "invasão" militar ou pacífica (tipo "Marcha Verde") para Olivença, mas uma recuperação do tema nos fóruns internacionais que resolva de vez esta questão:

1. Reconhecendo a soberania de Espanha no território, em troca de concessões como o ensino obrigatório da língua e história portuguesas (cumprindo determinações recentes do Conselho da Europa);

ou

2. Reservando ao território um estatuto especial de "co-soberania", atribuindo a Portugal e Espanha direitos iguais, mas administração efetiva a Espanha.

ou

3. Atribuindo ao território um estatuto de "Cidade Livre", semi-independente, com soberania partilhada, no modelo andorrino.

O que Portugal e os Lusófonos não devem fazer é deixar cair a questão. Se não formos capazes de a manter viva, como poderemos realizar algum esforço consistente e produtivo na defesa da Língua Portuguesa da Galiza contra as tentativas de assimilação que agora Madrid e os Espanholistas lançam sobre ela e que são a reedição do processo de Substituição Linguística que Madrid realizou com tanto sucesso na década de 50, em Olivença?

[...] os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano [...] no temperamento intelectual deste povo


Santo Agostinho, Sandro Botticelli, 1480


A esfera armilar é um complexo sistema de transferência de graus. Após a invenção do sextante, que calculava a declinação dos astros em relação ao horizonte marítimo, e da linotipo que imprimia tábuas de logaritmos para uso em navegação, o instrumento caiu em desuso e passou a ser usado somente como produto de decoração ou status.

Fonte:
Esfera Armilar.


Os sensacionistas portugueses são originais e interessantes porque, sendo estritamente portugueses, são cosmopolitas e universais. O temperamento português é universal; esta, a sua magnífica superioridade. O acto verdadeiramente grande na história portuguesa – esse longo, cauteloso, científico período dos Descobrimentos – é o grande acto cosmopolita da História. Nele se grava o povo inteiro. Uma literatura original, tipicamente portuguesa, não o pode ser porque os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano, com a barulheira e o quotidiano omitidos, no temperamento intelectual deste povo. Ninguém como ele se apropria tão prontamente das novidades. Nenhum povo despersonaliza tão magnificamente. Essa fraqueza é a sua grande força. Esse não regionalismo temperamental é o seu inusitado poder. É essa indefinidade de alma que o define.
Porque o facto significativo acerca dos portugueses é que eles são o povo mais civilizado da Europa. Eles nascem civilizados porque nascem aceitadores de tudo. Neles nada há do que os antigos psiquiatras costumavam chamar misoneísmo, o que significa apenas ódio às coisas novas; gostam francamente de mudar e do que é novo. Não possuem elementos estáveis, como os franceses, que só fazem revoluções para exportação. Os portugueses estão sempre a fazer revoluções. Quando um português se vai deitar faz uma revolução porque o português que acorda na manhã seguinte é diferente. É precisamente um dia mais velho, um dia mais velho sem dúvida alguma. Outros povos acordam todas as manhãs no dia de ontem; o amanhã está sempre a vários anos de distância. Mas não esta tão estranha gente. Move-se tão rapidamente que deixa tudo por fazer, incluindo ir depressa. Não há nada menos ocioso do que um português. A única parte ociosa do país é a que trabalha. Daí a sua falta de evidente progresso.


Álvaro de Campos, O Sensacionismo (excerto), 1916, in Fernando Pessoa, Textos de Intervenção Social e Cultural, A Ficção dos Heterónimos, introdução, organização e notas de António Quadros, ed. Europa-América, Lisboa, 1986, p. 84 (original em inglês, tradução de J. Monteiro-Grillo).

Dêem a bandeira ao MIL que nós honramos a(s) nossa(s) bandeira(s)...

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Citação Noctívaga

“There’s a reason why you separate the Military and the Police: One fights the enemy of the state, the other serves and protects the people. When the Military became both, then the enemies of the state tend to became the people!”
General Adama, Episódio 2, 1ª Temporada de Battlestar Galactica
Na sequência do post Não se importa de repetir?...

25 de Junho de 2010: e lá se vai a União Lusófona...


Necessárias mais ligações marítimas directas entre países lusófonos, diz presidente dos Portos de Portugal

OJE/Lusa

O presidente da Associação de Portos de Portugal (APP) defende que é preciso criar condições para "assegurar ligações marítimas mais directas entre os países de língua portuguesa".
"A logística global permite hoje que qualquer carga seja entregue no destino em boas condições, mas ainda não existem muitas ligações directas", afirma João Pedro Matos Fernandes, também presidente do Conselho de Administração do Porto de Leixões.
De acordo com o dirigente a região norte de Portugal é fortemente exportadora, com destino sobretudo para o lado africano. "Mas as ligações directas entre o Brasil e Portugal, no geral, e com Leixões, em particular, ainda são muito ténues", afirmou Matos Fernandes à margem do II Encontro de Portos da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que termina quinta-feira em Fortaleza, Brasil.
"O tempo é um factor determinante no conjunto da economia. Quanto mais ligações directas houver, mais ganham os portos e as empresas", afirma o dirigente, para quem um negócio deste tipo não é "com um estalar de dedos".
O Presidente da APP reconhece como relevante nesse processo o equilíbrio entre as quantidades transportadas dos diversos países, pois um navio que regressa vazio é um mau negócio para o armador. "É esse equilíbrio que precisamos encontrar em economias com currículos, dimensões e graus de abertura diferentes".
Matos Fernandes defende ainda uma promoção de portos brasileiros e portugueses junto dos armadores. "Com uma articulação dos dois lados dessa fronteira marítima, acredito que conseguiremos essas ligações directas".
O Presidente da APP destaca que Leixões fez um grande investimento e "tem condições para ser um porto global no comércio entre a Península ibérica, com 50 milhões de habitantes, a Costa do Brasil e a África Atlântica". Destaca ainda que para Leixões o Porto do Pecém (no Ceará) "é de grande relevância do ponto de vista das condições de mar e de infra-estruturas".
É "particularmente importante para nós a relação com os portos do Nordeste do Brasil. Essa é claramente a nossa aposta".

Malaca também faz parte do espaço lusófono...

Associação Cultural Coração Em Malaca

"Korsang Di Malacca"

http://www.povos-cruzados.blogspot.com/
http://www.accemkdim.com/

Em breve, mais uma parceria do MIL...


sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Do not disturb

"O principal desafio da UE, na óptica dos cidadãos, é o de encontrar respostas para o desemprego estrutural." (António Vitorino, "Diário de Notícias", 4-12-2009, citado no "Público" online de 4-12-2009)

"Obama pede a empresários e académicos ideias para criar empregos" - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, profere o discurso de encerramento da Conferência sobre Emprego e Crescimento Económico na Casa Branca. Obama desafiou ontem os empresários e académicos para lhe apresentarem ideias inovadoras para recolocar os milhões de desempregados norte-americanos no mercado de trabalho" ("Público" online, 4-12-2009)

"O primeiro-ministro, José Sócrates, frisou que a subida do desemprego em Portugal é "igual à subida do desemprego em toda a Europa", na sequência de uma "crise séria", e disse que a criação de emprego "é a prioridade das prioridades". ("Público" online, 4-12-2009)

"É tempo de instituir um programa de criação de emprego, com carácter de urgência. Não tomar medidas contra o desemprego não é só cruel; é também sinal de vistas curtas." (Paul Krugman, economista, Nobel 2008, "I"/"New York Times", 4-12-2009, citado no "Público" online de 4-12-2009)

"como acontece frequentemente nestas situações, o reflexo da oligarquia é criar um inimigo interior, para fabricar um consenso geral" (anarquista não identificado, algures na internet)

Recomendo a leitura atenta deste post, e de tudo o que diga respeito a minaretes e outras coisas aparentemente tolas.

Não se importa de repetir?...

03 Dezembro 2009 - 00h30

Defesa: Chefe de Estado-maior do exército pede clarificação legal
Exército na rua ao lado da polícia

O Chefe de Estado-Maior do Exército quer ver os militares nas ruas a cooperar com as forças de segurança interna, mesmo que para o efeito seja necessário proceder a alterações na lei.

'Os meios policiais são insuficientes para dar resposta às novas formas de conflitualidade, e o Exército tem de cooperar', disse ontem o general Pinto Ramalho num discurso durante o almoço de comemoração dos três anos da revista ‘Segurança e Defesa’, perante o olhar atento do director nacional da PSP, Oliveira Pereira.

'Actualmente há uma fronteira difusa entre a segurança interna e externa. E há capacidades instaladas no Exército para responder a um determinado nível ou grau de ameaça. A primeira linha de resposta deve estar na PSP e na GNR, mas poderemos estar numa circunstância em que isso não chegue e então, naturalmente, o Exército poderá dar resposta, segundo o enquadramento constitucional', afirmou Pinto Ramalho.

O problema está na Lei de Defesa Nacional, que só autoriza a intervenção a título excepcional das Forças Armadas perante ameaças estrangeiras, à excepção de missões de socorro provocadas, por exemplo, por catástrofes naturais. O general defendeu que deve existir uma 'visão pragmática' da questão, que só poderá ser posta em prática com 'uma forma legislativa perfeitamente clarificada'.

O Chefe de Estado-Maior do Exército foi na altura interpelado pelo general Loureiro dos Santos, que defendeu a opinião de Pinto Ramalho. 'Em caso de ameaças transnacionais podem surgir situações de indefinição quanto ao emprego de meios militares, pelo que é necessária uma revisão da Constituição', disse o ex-CEME.

No mesmo discurso, Pinto Ramalho defendeu que os cidadãos com serviço militar cumprido deveriam ter prioridade no recrutamento para as forças de segurança, tal, o que seria 'um incentivo à prestação do serviço militar'.


João C. Rodrigues

Fonte: Correio da Manhã (o diário populista dos «recados»).


Comentário

De há algum tempo a esta parte, a aposta na terceiro mundialização de Portugal parece ser a grande resposta à incapacidade política de solucionar os problemas do País. Forças armadas e forças policiais parecem querer seguir essa tendência de substituir a inteligência pela brutalidade da força.
Num País em que os fluxos migratórios têm sido mal equacionados, ou apenas contextualizados em constructos legais ideológicos, e nunca entendidos em termos pragmáticos, económicos e sociais; em que a Educação está ao abandono, sem nunca se ter elaborado uma política educativa que equacionasse a questão migrante, proporcionando às minorias étnicas um currículo de disciplinas opcionais, que fornecessem conhecimentos da história e cultura dos grupos nacionais de que sejam provenientes, construindo desse modo nesses jovens o orgulho saudável de pertencerem a grupos étnicos distintos, em vez de os deixar entregues ao MTV, aos telemóveis, ao hi5 e ao MSN; em que nunca houve um plano sensato de aculturação das minorias étnicas (sim, escrevi aculturação, é que eu sou pragmático, e nesta questão borrifo nos «paraísos lusos» direitistas e esquerdistas), que lhes permitisse enquadrar-se como Portugueses; em que se está a esquecer a aplicação do juris solis, em que a toda a criança nascida em território português lhe deveria ser concedida, de imediato, a Nacionalidade Portuguesa (e não me venham com desculpas burocráticas!, se não houver «papelada» da parte dos pais, dois Portugueses como testemunhas bastam!); etc, etc – vem agora o senhor Chefe de Estado-Maior do Exército largar uma bacorada destas para a comunicação social!

Pois bem, no dia em que eu vir o Exército Português nas ruas a «combater o crime», juntar-me-ei aos marginais. Nesse dia a questão passará por mim a ser entendida como política, e terei toda a justificação para disparar contra quem me oprime.

K. N.

Já agora mais uma Nota:

Qualquer resposta ao actual regime, que seja o reeditar de ideologias e «soluções» a que a História já fez o funeral, seria a vergonha da Nação, perante os nossos pares europeus e o mundo: «os medíocres dos Portugueses que não sabem viver em democracia»!
O lugar das Forças Armadas Portuguesas é nos quartéis e não a entupir a via pública: corredores da civilidade e da cidadania.
Toda a mudança de regime só deve acontecer, depois de se ter algo para onde mudar. E este deve ser o trabalho do patriotismo: encontrar essa via, e que ela ainda seja democrática.

O "Lusitanismo" existe mesmo?

Segundo um artigo na Wikipedia portuguesa, o ""Lusitanismo" é uma doutrina nacionalista estremenha (da Extremadura Espanhola) que defende uma união política com Portugal, para criar uma Federação Lusitana, cuja bandeira seria verde, branca e vermelha." Este artigo é acompanhado por um artigo idêntico, mais extenso e provavelmente anterior ao português.

Esta lacónica frase é repetida - quase sem alterações - em vários fóruns e grupos de discussão na Internet, sendo usada sempre por portugueses e nunca por espanhóis ou habitantes da Extremadura.

A teoria é que tal federação permitiria reencontrar a tradição perdida da Lusitânia pré-romana, uma região de cultura e língua próprias e que sob Viriato chegou a colocar em causa o domínio de Roma na Península. Após a romanização, a província perdeu esse carácter único e latinizou-se como poucas, com excepção talvez da Bética. Mais tarde, sob os muçulmanos, terá aqui existido o "reino de Badajoz" que reunia sob a mesma bandeira territórios hoje sob administração portuguesa e espanhola da antiga Lusitânia. Existe atualmente na Extremadura um inusitado interesse pela língua portuguesa, havendo aqui mais de trinta mil alunos de português. É na também aqui que se encontram os três concelhos de Olivença, ocupados ilegalmente por Espanha desde 1801. Na Extremadura há um caracter identidário forte com a existência da "língua da Extremadura", usada com especial incidência numa região entre o vale de Xálima (ou Jálama) e o vale do rio Ellas (ou Eljas), a noroeste da província de Cáceres.

Segundo o artigo da Wikipedia espanhola sobre o "Lusitanismo" extremenho, esta corrente de opinião estaria ativa a norte da província de Cáceres, desde San Martín de Trevejo (San Martín de Trevelhu) até Valverde del Fresno (Valverde do Fresno). O artigo reconhece que em Olivença - onde apesar de tudo ainda se fala a língua de Camões - o "Lusitanismo" não teria praticamente apoiantes.

O problema é que além destes dois artigos na pouco fiável Wikipedia (qualquer anónimo pode criar e alterar textos aqui, na maior das impunidades) e de referencias a ambos em fóruns de discussão, nada mais se encontra. Nenhum blogue, nenhum sitio da "corrente", e sobretudo nenhuma referencia ao "Lusitanismo" nos meios de comunicação oficiais pode ser encontrada... Será que existe mesmo o Lusitanismo? E os Lusitanistas? Serão reais ou... Irmãos do Monstro do Loch Ness?

No túmulo de Juana de Castro, irmã de Inês, louvor e simplificação de Galiza-a-própria, que não precisa de crescer

Ti diz: Galicia é ben pequena. Eu digoche: Galicia é un mundo. Cada terra é como si fora o mundo inteiro. Poderala andar en pouco tempo do Norte para o Sul, do Este para o Oeste noutro tanto; poderala volver andar outra vez e máis! nona has dar andado. E de cada vez que a andes, has atopar cousas novas e outras has botar de menos. Pode ela ser pequena en extensión; en fundura, en entidade, é tan grande como queiras, e dende logo, moito meirande de como ti a ves.? Non din os filósofos que o home é o 'microcosmos', o compendio, o resume do universo todo? Pra canto mais unha terra con todolos homes que nela viven, un pobo, que se cadra, é unha sorte de Adam Kadmon... Do grandor do teu esprito depende todo; canto máis pequeno sexa, mais terra precisará. Sí o teu pensar é fondo, a túa terra, pra ti, non terá cabo, nela estará o mundo todo con tódolos seus climas. Sí o teu pensar se detén na codía das cousas, non digas tampouco: Galícia é ben pequena; és ti, que endexamais poderás concebir nada grande.

Vicente Risco

Reflexão que nos chegou...

A lusofonia é antes de mais uma identidade, representa uma importante plataforma estratégica no contexto de um mundo cada vez mais globalizado. A lusofonia honra o nosso passado comum e potencia o nosso futuro colectivo, num momento em que se torna necessário descobrir novos rumos de desenvolvimento.

P.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Uma história medieval, uma história moderna

Ao Klatuu e ao Pires, a quem tenho contado tantas histórias...

Em plena Idade Média (por volta de 1225) houve em Portugal uma guerra civil. No fundo havia um rei (D. Sancho II) que talvez fosse pouco inteligente (alguns dizem que era completamente incapaz), havia um grupo de poderosos que se escondia à sombra dele para governar, e havia outro grupo que queria qualquer coisa que os que governavam não queriam dar. O grupo descontente pensou em destituir o rei e fazer rei um irmão mais novo que vivia em França, e que se veio a chamar D. Afonso III, e que de Paris trouxe o nome Dinis para o primeiro filho que em Portugal nasceu. Como disse, houve uma guerra civil e o irmão de França ganhou e deu aos descontentes o lugar que era dos poderosos que se escondiam, e o resto ficou na mesma. Não é esta a história que interessa.

Interessa é que havia então um cavaleiro que achava que os descontentes tinham alguma razão, mas que tinha jurado fidelidade ao rei que havia. Era governador de um castelo importante, alcaide, como se dizia então. E não sabia quebrar um juramento de fidelidade.

Os descontentes, que queriam o castelo ou pelo menos queriam o caminho livre (o castelo era um ponto importante na guerra que se adivinhava) disseram ao cavaleiro que se não preocupasse porque um imbecil não merece fidelidade. Mas o cavaleiro teve dúvidas.

E então pôs-se a caminho de ouvir conselhos maiores. Saiu de Portugal e foi à corte de Castela. Quem sabe disso são os de Aragão, disseram-lhe lá. E o cavaleiro foi a Aragão (ou seja, ao outro lado de Espanha). Poderei, sem desonra, desvincular-me do juramento que fiz? O rei de Aragão ouviu, e chamou os seus conselheiros. Que lhe disseram, talvez por prudência política, que a França era a capital da honra e da palavra dada, o cavaleiro que fosse a França. E o cavaleiro lá foi. Já não me lembro que resposta em França teve ele. Mas isto quer dizer que fez um viagem que demorou meses, apanhou certamente frio e chuva e sol e muitas coisas por causa de uma coisa que tinha dito, e que ao dizer sentia que tinha feito.

E agora uma história moderna. Passou-se também em Portugal, e tecnicamente ainda na Idade Média. Cento e sessenta anos, mais ou menos, depois da que acabei de contar. Ouvimos falar desta época na escola como a "Crise de 1383": um rei (D. Fernando) tinha morrido sem filhos homens, a filha era a rainha de Castela; de novo a guerra civil e a invasão castelhana e Nuno Alvares Pereira e Aljubarrota e tantas coisas, entre as quais a prisão durante anos do rei legítimo de Portugal, o filho de Inês de Castro e meio-irmão mais novo do rei falecido. O novo rei veio a ser um outro meio-irmão desse rei morto, que se passou a chamar D. João I. Vamos ao que interessa, então.

O meio-irmão que veio a ser rei estava muito hesitante. Tinha uma vidinha confortável e talvez tivesse medo da guerra que a coroa que lhe ofereciam podia trazer. E foi ouvir o conselho de um milionário, um burguês de Lisboa chamado Álvaro Pais, um homem prático e moderno. O Álvaro Pais não queria os castelhanos, e fez bem porque os castelhanos perderam a guerra e mais tarde dois netos do Álvaro Pais, que era só um burguês, até foram feitos condes. Como conseguir gente suficiente, perguntava o meio-irmão hesitante, como conseguir que me apoiem? Fácil, disse o milionário. Dai o que não tiverdes, prometei o que não podeis cumprir...

Olá, mundo novo. E o meio-irmão encheu-se de brios.

São duas histórias que fazem pensar. Percebe-se porque é que nós, mais modernos ainda e muito mais práticos do que o milionário, não gostamos nada da Idade Média...

Moçâmedes Antiga




A costa de Moçâmedes foi explorada por Diogo Cão em 1485. O navegador assentou um padrão no Cabo Negro e outro mais a Sul, no Cabo da Serra, em território da actual Namíbia. O que resta do padrão do Cabo Negro está exposto no átrio da Sociedade de Geografia, em Lisboa.
A povoação de Moçâmedes foi fundada num oásis situado na Angra do Negro. Começou por ser um presídio para degredados.
O clima era benigno e havia terras férteis. Existiam no Brasil, nessa altura como noutras, portugueses na miséria. Viviam-se tempos de agitação social e a colónia lusitana de Pernambuco era hostilizada. Bernardino Abreu e Costa, miguelista exilado em Pernambuco, dispôs-se a dirigir uma colónia agrícola. O governo de Lisboa precisava de brancos em Angola e proporcionou-lhes meios de transporte. A barca “Tentativa Feliz”, protegida pelo brigue “Douro”, fundeou em Moçâmedes em 1849 trazendo perto de 180 portugueses, entre homens, mulheres e crianças.
A instalação dos colonos processou-se com alguma dificuldade. Mesmo assim, como a crise social em Pernambuco se agudizava, em Novembro de 1850 desembarcaram mais 107 emigrantes. A vila de Moçâmedes foi construída junto à praia, de acordo com um plano simples e geométrico. Quatro ruas paralelas entre
si eram cortadas por travessas e formavam quarteirões regulares. No final do século XIX já havia iluminação a petróleo. As casas, de um só piso, tinham quase todas quintal.
Os habitantes de Moçâmedes aproveitaram os terrenos de aluvião das margens dos rios Bero e Giraúl. Giraúl quer dizer “fim do caminho”. Eram terras férteis mas escassas. Caminhando durante uma hora, chegava-se às Hortas, na margem do rio Bero. O Bero era também chamado Rio dos Mortos. Morto era ele. Só corria no tempo das chuvas. No resto do ano era preciso cavar buracos na areia para alcançar água. O sítio tinha muita vegetação. A gente das Hortas vivia da produção de aguardente. Dispunha de plantações de cana-de-açúcar, de máquinas de moagem e de alambiques. A técnica fora trazida do Brasil.
Abundavam as árvores de fruta. Viam-se lindos pomares de laranjeiras e pessegueiros. A pereira e a macieira também se davam bem. As oliveiras desenvolviam-se, e havia algumas vinhas de bacelo.
Para Leste, numa distância de cem milhas, a terra elevava-se progressivamente até alcançar a uma parede sólida com mais de mil metros de altura. Era a serra da Chela. No alto, o terreno fazia-se plano e o ar refrescava.
Na zona entre a serra e o mar vivia uma população dispersa de gentios. Viam-se nas ruas da vila. Vinham comerciar. Vendiam peles, galinhas, ovos e mel. Compravam panos, missangas e vinho.
Não dispondo de
mais espaços de cultura, os colonos desenvolveram o comércio e a pesca. O mar era rico em peixe. Não era possível consumi-lo todo. Os pescadores salgavam-no e punham-no a secar em grades, ao sol. Depois acondicionavam-no em fardos que os comerciantes vendiam aos negros do planalto. A vila foi progredindo.
Os de Moçâmedes exportavam gado para longe. Não o criavam, porque não havia pastos na região. Recebiam-no dos negociantes que o compravam no interior.
Ali chamavam funantes aos que andavam pelo mato a comerciar. Aquela gente ia a toda a parte. Deixava as cidades costeiras, subia as margens dos rios secos e, às vezes, fixava-se. Havia povoações espalhadas por uma grande área do interior. Um grupo de pescadores algarvios estabeleceu-se em Porto-Alexandre, mais a Sul, na costa deserta.
Que eu saiba, na História da colonização portuguesa, Moçâmedes foi a única cidade portuguesa desenvolvida por colonos repetentes, por gente de torna-viagem.


Referências:
Moraes, J.A. da Cunha, Álbum photographico e descriptivo, África Occidental. David Corazzi Editor, Lisboa, sem data.
Trabulo, António. Os Colonos, Esfera do Caos, Lisboa, 2007.

Fotografias: Moraes, J.A. da Cunha, Álbum photographico e descriptivo, África Occidental. David Corazzi Editor, Lisboa, sem data.

Bola

Os símbolos despertam a experiência individual e transmutam-na em acto espiritual, em apreensão metafísica do Mundo (…) Compreendendo o símbolo, o homem consegue viver o universal.

Eliade, M. (1965). Le sacré et le profane, Gallimard, p. 179



Uma velha bola, Rodrigues in www.olhares.com


Circles, Tiamat, Amanethes, 2008


Objecto fascinante, esse, capaz de fazer parar países e causar paixões e desvarios. De onde virá o seu poder? Da sua forma? Símbolo misterioso e polivalente, a esfera tem, desde os tempos mais remotos, uma força mágica pela ligação que possui com o próprio Cosmos. Estática, simboliza o equilíbrio, com todos os elementos que a formam à mesma distância do centro. A mover-se, simboliza o movimento indefinido, perpétuo. É símbolo da perfeição, da totalidade, da unidade, do absoluto, do fixo. Imagem do Mundo, do Sol, de Deus, é ponto de universalidade cosmológica de natureza religiosa. Não é de espantar, portanto, que o jogo que mais multidões move no nosso país (e não só) tenha o seu sentido conferido por esse objecto, a bola – super-parceiro que faz a mediação entre jogadores e adversários, e cujo domínio é o objectivo a atingir.

O pensamento simbólico não é o domínio exclusivo da criança, do poeta ou do desequilibrado; ele é consubstancial ao ser humano: precede a linguagem e a razão discursiva. O símbolo revela certos aspectos da realidade – os mais profundos – que desafiam qualquer outro meio de conhecimento. As imagens, os símbolos e os mitos, não são criações irresponsáveis da psique; eles respondem a uma necessidade e preenchem uma função: a de pôr a nu as mais secretas modalidades do ser.

Eliade, M. (1965). Le sacré et le profane, Gallimard, p. 13


Texto inspirado pela leitura de Costa, A. (1988). “Football et Mythe. La Fonction Symbolique du Football à travers la Presse Sportive de Masse.”; Dissertação de Doutoramento, Louvain, Université Catholique de Louvain

Campos e Sousa na SHIP

4 de Dezembro, 6ª Feira, às 21H 30, José Campos e Sousa, acompanhado pelo contrabaixista Gonçalo Couceiro Feio, estará a cantar na SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, ao Rossio em Lisboa.
O tema central será o seu mais recente CD: “São Nuno de Santa Maria - Por Portugal, e mais nada”, mas também serão interpretados temas do CD «Rodrigamente Cantando» acabado de reeditar. Aguarda-se a presença dos amigos - e se os amigos levarem com eles outros amigos, tanto melhor.

Minho, Portugal e Galiza

E diz Portugal:
- Vendo-os assim tão pertinho
A Galiza mail'o Minho
São como dois namorados
Que o rio traz separados
Quase desde o nascimento.
Deixa-los pois namorar
Que os pais para casar
Lhes não dão consentimento...

E responde a Galiza:

- Si Dios os fixo de cote
Un pra outro e tenem dote
En terras emparexadas
Pol'a mesma auga regadas
Com ou sin consentimento
D'os pais o tempo ha chegar
En que tenãm que pensar
En facer o casamento...


Painel de azulejos na muralha de Monção (Minho), séc. XX


Se um dia forem a Monção do Minho vejam estes versos portugueses azulejados na muralha forte que tantas vezes enfrentou as armas del Rey de Espanha. São de João Verde, monçanense pois claro, que os escreveu em 1917; a eles respondeu a voz galeguíssima de don Amador Montenegro Saavedra. Minho e Galiza, Galiza e Portugal. E, meus amigos, vamos lá a ver se conseguem perceber isto, mesmo visto daqui de Lisboa que nem é uma coisa nem outra.

1. Deixemos de parte a identificação dos povos: não interessa agora se eram celtas, ou calaicos, ou lígures, ou iguais a povos velhos da Irlanda. Antes de os romanos chegarem, havia de um lado e de outro do Minho - do rio Minho que hoje separa Portugal de Espanha - povos da mesma cultura, provavelmente da mesma origem. Nesses tempos não se faziam mapas nem fronteiras traçadas a lápis: o rio Minho é fácil de atravessar de barco, não é largo nem corta desfiladeiros de pedra como o Douro. A paisagem começa lentamente a mudar, descendo para o Sul, por alturas do rio Lima - talvez por isso, foi a esse e não ao Minho que a tradição diz que as legiões chamaram fronteira: Lethes, rio do esquecimento.

2. Romanos chegaram, romanos partiram: no seu lugar povos bárbaros chegaram, visigodos com a capital em terras hoje de França (Toledo foi só mais tarde), suevos a ocupar não se sabe bem que parte do Noroeste. Talvez a capital fosse Braga. Não sabemos grande coisa sobre os suevos: as crónicas que nos chegaram são visigodas só. Mais importante do que tudo o resto foi talvez a diferença religiosa. Um dia os suevos foram conquistados, o seu reino fez-se memória vaga, e nessa altura faltavam pouco mais de cem anos para que o Império de Toledo, onde se sentavam os herdeiros dos saqueadores de Roma-a-eterna, se desmoronasse por sua vez. Mas notem uma coisa importante: os visigodos estavam em contacto permanente com os reis merovíngeos dos francos, os reis lombardos de Itália, o império Romano que subsistia em Constantinopla e dominava o Mediterrâneo e mesmo a costa Sul da Península. O Noroeste continuava a ser o que sempre foi: uma terra aonde os príncipes não sabiam ir.

3. Os exércitos muçulmanos - que eram isso mesmo, ao contrário dos visigodos: um exército e não um povo em marcha - não passaram duravelmente além do Douro. Devem ter ocupado as cidades, e talvez as tenham arrasado; devem ter posto em fuga os chefes tradicionais ou forçado uma vassalagem insegura. Mas não arabizaram, como agora se diz, coisa nenhuma. Não me venham falar depressa demais da influência arábica na língua portuguesa, vou dar só um exemplo: Lisboa está, ainda, atulhada de azinhagas, ao menos na toponímia; uma azinhaga é um caminho estreito ladeado por sebes e arbustos e pequenos muros; e palavra mais portuguesa não há. Mas eu tenho uma bisavó que nasceu em Braga, na quingosta da Bruxas que já nem sequer existe, e quingosta é como nós chamávamos ao que no sul se diz azinhaga (chamávamos, porque depois vieram uns senhores de que já falei há uns dias, que sabem falar e escrever correctamente, e que decretaram a forma congosta). Há excepções, claro: a palavra aldeia vem do árabe, e estende-se até à Galiza. Mas o que importa é que a norte do Douro não houve sequer, propriamente, uma Reconquista: os exércitos norte-africanos e árabes aguentaram-se pouco mais de um século, perderam umas batalhas importantes na região mais central de Leão e Castela, e abandonaram o Noroeste. Em 711 desembarcaram em Gibraltar: em 874, a região do Porto foi pacificamente reocupada pelos condes cristãos, certamente pelos bisnetos dos seus antigos senhores. Comparem isto com os quinhentos anos de domínio do Algarve, os quse oitocentos anos de domínio de Granada e Córdoba. Para comparar com o Porto, Coimbra passou definitivamente ao dominio cristão apenas em 1064, e quando D. Afonso Henriques nasceu, cinquenta anos depois, ainda era terra moçárabe. E obviamente não fazia parte de Portugal.

4. Não tenho tempo aqui para me deter na fascinante questão da origem de Portugal (para outra vez será). Notem só que o chamado condado portucalense era uma zona pequena, que provavelmente não ultrapassava o rio Lima para Norte, e a sul ficava pela ribeira de Antuã (agora conhecida por haver uma estação de serviço na auto-estrada: tristes tempos), uns vinte quilómetros a sul do Douro. Não abrangia o douro vinhateiro nem Trás-os-Montes nem Viseu nem a actual região de Aveiro. Era uma unidade dentro de uma unidade maior dentro de uma unidade maior, porque assim era a Idade Média: assim saibamos um dia reconstruir a Europa: às vezes dependia do rei da Galiza, outras vezes do rei de Leão, mas isso eram questões de fidelidade pessoal, a vassalagem, e questão de saber se na zona do Norte cristão havia um rei, ou dois, ou três: nao afectava em nada o viver dos povos, que era igual e, digamos assim, livre.

5. Ainda antes da independência de Portugal, ou melhor, da proclamação de Afonso Henriques como rei, o seu pai foi feito pelo rei de Leão e de Castela dominante no antigo condado de Coimbra, que nada tinha que ver com Portugal dos portucalenses; Afonso Henriques, por várias razões, fez de Coimbra o novo centro de poder (até aí, Guimarães e principalmente Viseu). E deu-se então o primeiro milagre de Portugal: o condado de Coimbra não ficou subordinado a Portugal, mas tornou-se parte integrante dele. Desapareceu o Portugal galego e nasceu o Portugal universal. Devagarinho, como são sempre os primeiros passos: mas depois o mesmo sucedeu a Santarém e Lisboa, e depois ao resto do que agora para nós é um só país.

6. O Minho, tão igual à Galiza em tanta coisa, ficou um pouco para trás: os seus nobres acompanharam a corte, e seguiram para Coimbra e depois para Lisboa, ou ficaram, e lentamente empobreceram. Ficou uma terra de pequena propriedade, sem grandes senhores feudais, unida pelos costumes, por um certo cristianismo pagão e pelo poder eclesiástico dos arcebispos de Braga; o Camilo Castelo Branco ainda conheceu esse Minho, ainda o descreve nos seus romances. Ao contrário da zona alentejana da fronteira, despovoada e eriçada de castelos, o Minho viveu os tempos de paz atravessando o rio: nada mais simples do que os sessenta anos de domínio espanhol, de 1580 a 1640: a reacção de minhotos e galegos foi... casar. Em Viana, em Valença, em Monção, todas as famílias que tivessem algum poder social cruzaram sangues e terras (isso não impediu Monção de sofrer um cerco heróico em 1649, e de fazer a bandeira portuguesa resistir até ao fim; foi obrigado a render-se, e só voltou a Portugal com a paz de 1668).

7. Páro aqui, e num outro dia hei-de dizer mais. São belíssimos os versos simples de João Verde: namorados, sim, mas o Minho, não Portugal. E os versos de Montenegro Saavedra - ah, é a terra galega ansiando pelo mar sem fim que Portugal parece ser. Não impeçam namoro a quem há mil anos se quer; mas não decretem o casamento entre a terra meiga e o alto mar. Um dia será o que houver de ser.

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

«Portugaliza» e «Portugasil» – breves anotações sobre fantasias, 1

Língua Portuguesa

A Língua Portuguesa não teve origem na Galiza, mas sim no Norte de Portugal e na Galiza, e não em toda, porque já se falava Galaico-Português na Galiza interior, junto ao que hoje é a fronteira portuguesa, e ainda enclaves da Galiza cantábrica falavam o Leonês, grupo a que também pertencem o Asturiano e o Mirandês de Portugal.
A Língua Portuguesa e a Língua Galega modernas não são a mesma língua, são línguas que evoluiram paralelamente a partir de uma raiz comum. A sua estrutura gramatical pouco difere e ao escrever-se o Galego com a norma ortográfica do Português torna-se ainda mais evidente a sua semelhança, de qualquer modo ambas as línguas têm funcionamentos sintagmático-semânticos que apontam para culturas diferentes; resumindo: um Português e um Galego não pensam da mesma maneira.
Parte da Galiza pode reivindicar com o Minho português (e a parte de Trás-os-Monte e Alto Douro chegada ao Minho) uma origem comum num povo arcaico: os Calaicos; tirando isso, os Galegos nada têm que ver com a Nação Portuguesa, cujo fundamento arcaico mais unificador é o povo Lusitano. Além do âmbito étnico, outros contributos linguísticos enformaram a Língua Portuguesa, porque os povos a Sul do Tejo também desenvolveram formas linguísticas novolatinas, que acabaram por se diluir no que hoje é o Português; Estrabão refere mesmo que no Séc. I os Turdetanos já só falavam o Latim – e Celtas alentejanos e Cónios algarvios também o falavam – e todos os povos arcaicos que formam hoje a Nação Portuguesa deixaram na Língua vestígios dos seus falares (e semântica e imaginário), e ainda o posterior contributo Árabe, que não alterou a estrutura gramatical latina, mas que acrescentou léxico, muito dele inexistente na Língua Galega.
Há que frisar ainda que os Moçárabes entre o Mondego e o Tejo falavam «língua cristã» (como o atesta um enviado papal no Séc. X – ou XI, estou a confiar na memória e sem tempo para andar a vasculhar alfarrábios), que foi recebido por uma escolta de cavaleiros – talvez dos condes Mendo –, que equipava ao modo árabe, mas falava a tal «língua cristã», que não era no todo o Galaico-Português... região de onde o enviado papal provinha.
Entretanto, num contexto cultural e político diverso, o Galego incorporou léxico do Castelhano e do Leonês, bem como conservou léxico do Galaico-Português, hoje inexistente na Língua Portuguesa, nem sequer já como arcaísmo. Desenvolveu ainda léxico, no seu percurso evolutivo próprio, diferente da Língua Portuguesa; esta, por sua vez, com os Descobrimentos Portugueses, foi buscar léxico e semântica a vários continentes, línguas, costumes e culturas, muitos inexistentes no Galego.
Um dos traços fonéticos que distinguem o Português (e que o diferenciam das demais línguas neolatinas, nomeadamente do Português falado no Brasil, que o contém pelas influências espanholas e itálicas; troço importante dos migrantes para terras brasileiras), é ser pouco cantabile (quando um não latino houve uma língua latina fica com a sensação que os latinos cantam ao falar); entre outros aspectos fonéticos isto resulta de nos ditongos a 2º vogal ser «fechada e baixa»; por outro lado, nas demais línguas neolatinas a segunda vogal é «aberta e alta» (casos do «yo» comparado ao «eu»), o que torna a Língua Portuguesa (de Portugal) uma singularidade no seio das línguas neolatinas, tornando o Português uma língua mais «grave e gutural» e de mais difícil fonação para um estrangeiro (uma vez um amigo Alemão disse-me que «falavamos como os Russos mas com assobios»; estes «assobios» é a nossa pronúncia arábica, no prolongamento dos ss duplos, etc). Por influências castelhanas o Galego fonético é muito mais cantabile.

Pequena amostra de diferenças lexicais
Português___Galego

cotovelo____cóbado
garganta___gorxa
em cima____enriba
uma_______unha
veado______corzo
menina____nena
instante____intre


K. N.

Portugal e Galiza: Uma só Nação?

Galiza e Portugal são parte de uma só e mesma nação. O autor italiano Sergio Salzi, em 1973 na “Le nazione proibite” citado nas actas do V Colóquio Anual de Lusofonia em Bragança1, inclui a Galiza entre as “falsas nações” do continente europeu, porque pertence ao triste lote daquelas em que não foi possível erguer a bandeira da independência numa parcela do seu território. A Galiza, segundo o autor, é assim uma parte incompleta de uma única nação a que alguns chamam de Portugaliza. Por razões políticas e históricas, uma parte logrou resistir à energia centrípeta de Castela na Península Ibérica, enquanto que outra, não...

Na corrente linguística Reintegracionista – de cuja natureza trataremos mais tarde – não é raro encontrar quem defenda, como Raquel Miragaia que defende que à aproximação linguística deve suceder necessariamente a aproximação política. Em 1998, a Comissão para a Reunificação Nacional da Galiza e Portugal seguia idêntico caminho ao declarar que “ a Galiza, parte Norte de Portugal, precisa da sua livre determinação, independência e soberania para, livre, determinar a reunificação com Portugal”.

A união de destinos entre Portugal e a Galiza é patente até na galegofobia de muito espanhóis, fruto do “desprezo ao vencido” e da lusofobia2, fruto do ressabiamento incurável de Castela por nunca ter conseguido juntar Portugal à lista de troféus de nacionalidades conquistadas. Unidos até pelo ódio duplo de Castela-Madrid-Espanha, Portugal e a Galiza ficam juntos na parte mais negra do coração dos espanholistas de Madrid e dos serventes no governo do PPdG.

Não falta contudo quem pense de forma diametralmente diversa... Ramon Lôpez-Suevos é um dos académicos galegos que advoga a distinção nacional entre Portugal e a Galiza, sem contudo chegar a negar a similitude das culturas, temperamentos e a comunhão da língua. Isolacionista, por atitude, Lôpez-Suevos, prefere encontrar pontes de contacto, inspiração e aliança para o seu justo desejo de autonomia cultural e nacional galega nas aspirações independentistas dos outros “Estados incompletos” da Península: Euskaria e Catalunha. O economista não encontra vantagens na re-ligação da Galiza com Portugal, como se houvesse um pudor de menoridade no facto da Galiza ter deixado partir uma parte de si, para o rumo da independência. O autor, parece encontrar maior comunhão de sentimentos e objetivos na comum luta catalã e basca, ambas nações longamente oprimidas pelo centralismo imperial de Castela e Madrid, como a Galiza, do que em Portugal, uma das nações independentes mais antigas da Europa e tida por muito Isolacionistas, como nação “semelhante, mas diversa”.

o tempo________esse predador




o tempo________esse predador. fulminoso regaço. fuzilante poço_____________cativa de um doce naufrágio desloco o sujeito do verbo em frondosa arritmia para que mais tarde na geometria da acção que foi causa e espinho haja o pretexto e o consenso da tua celestial ambição_________eu diria que deste ao tempo a messiânica sombra do adeus. em teia. minucioso tear dos contrastes. assombro das oliveiras. mortas. tão secas. e sabendo que o tempo é de agudíssimas horas extremas sou tão ampla quanto a vida e a morte na genuína imobilidade de uma agulha faúlha estilete raras e corpóreas lamas e feridas indissolventes estacas como harpas tensas e átonas. estátuas. o tempo? uma viagem arca gruta estrutura do sono coma o nome das imagens que a alma estrepa. estaleiro ressonante de gritos e de búzios. tudo partido. é real apenas o único momento em que a idade é mais forte que a urna. e as esporas que já foram delírio são agora insubordinadas vértebras.

Contradições Reincidentes

02 Dezembro 2009 - 00h30

Brasil: Nova estratégia para pacificar bairros violentos
Polícia ocupa favelas do Rio


A polícia do Rio de Janeiro ocupou ontem duas das mais perigosas favelas da cidade, a Pavão-Pavãozinho e a Cantagalo, localizadas entre os bairros de Copacabana e Ipanema, os dois mais turísticos da capital carioca. Desta vez não se trata de mais uma operação momentânea para combater o tráfico de droga, mas antes de uma ocupação definitiva, para implantar o projecto de Polícia Pacificadora, que já teve sucesso em outras cinco favelas.

Os militares, que enfrentaram forte resistência dos traficantes locais, estavam ontem a ocupar todo o território das duas favelas, usando cães farejadores para localizar depósitos de armas e esconderijos de narcotraficantes nas matas circundantes. A polícia de choque e os demais efectivos treinados para confronto directo vão permanecer na região até que sejam expulsos todos os criminosos que controlavam as duas favelas.

Segundo o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, este trabalho de ‘limpeza’ estará concluído até ao Natal, altura em que será instalada a Unidade de Polícia Pacificadora. Os agentes que integram esta força são especialmente treinados para interagirem com a população e ficam em permanência na comunidade, participando na sua rotina e criando laços de confiança com os moradores.

Ao mesmo tempo, como sucedeu nas cinco favelas já pacificadas este ano, o Estado, até agora omisso, entra em força no local, garantindo à população serviços e infra-estruturas até agora inexistentes.

Os próximos alvos da estratégia são as favelas Morro dos Cabritos e Ladeira dos Tabajaras, duas das mais violentas de Copacabana.


Domingos Grillo Serrinha, correspondente Brasil
Fonte:
Correio da Manhã.

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Mega-orçamento justifica escolha do Rio de Janeiro

Um mega-orçamento e a entrada na América do Sul na rotação olímpica poderão ter contribuído para a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos de Verão de 2016, sucedendo a Londres.

A capital carioca foi a escolhida durante a 121.ª Sessão do Comité Olímpico Internacional, realizada em Copenhaga, batendo na recta final Madrid, depois de Chicago e Tóquio terem sido excluídas nas duas primeiras votações.

A candidatura brasileira não regateou esforços para garantir a organização dos Jogos de Verão de 2016, tendo apresentado um mega-orçamento de 28,9 mil milhões de reais (19,8 mil milhões de euros), o suficiente para construir o TGV português e dois novos aeroportos de Alcochete. A componente económica terá estado fortemente presente na decisão do COI e, nos últimos dias, os responsáveis brasileiros, com o presidente Lula da Silva à cabeça, não se cansaram de referir que o Brasil foi dos poucos países que escapou à crise mundial.

O Brasil procura afirmar-se em todos os palcos como potência emergente da nova ordem mundial e aposta forte na beleza natural da cidade carioca, concentrando as estruturas da candidatura no distrito da Barra da Tijuca. A Aldeia Olímpica será mesmo construída entre o mar e uma lagoa, num local de grande beleza junto ao Parque Natural da Tijuca.

O apoio institucional à candidatura do Rio de Janeiro era, aliás, total, tanto a nível Federal, Estadual e da própria cidade, uma das populosas da América do Sul, com 11,5 milhões de habitantes. Dos 33 complexos desportivos que o Rio de Janeiro apresentou no dossier de candidatura, 18 já existem, oito estão planeados e apenas sete estavam dependentes da atribuição dos Jogos Olímpicos.

Os brasileiros confiavam que o nível de execução de 70 por cento das infraestruturas previstas era outro dos pontos fortes da candidatura, bem como a experiência adquirida com a organização dos Jogos Pan-Americanos de 2007. O Estádio Olímpico João Havelange, que foi palco daquela importante competição, actualmente com 46.931 lugares, deverá agora ser reconvertido para albergar mais de 60.000 espectadores, uma das exigências do COI. Localizado no bairro do Engenheiro de Dentro - o complexo é alcunhado de "engenhão" - o estádio apresenta quatro arcos na sua cobertura, muito semelhante à do Estádio da Luz, em Lisboa, onde foi disputada a final da Campeonato da Europa de futebol de 2004.

No campo oposto, os pontos fracos do Rio de Janeiro residiam em três critérios sensíveis. Segurança, transportes e hotelaria. O critério segurança era mesmo um dos "calcanhares de Aquiles" do Rio de Janeiro, tendo em conta os seus índices de criminalidade. Um facto que ainda assim não chegou para demover a FIFA de entregar ao Brasil a fase final do Campeonato do Mundo de futebol de 2014.

A escassez da oferta hoteleira - 28 mil camas - também era apontada no relatório do Grupo de Trabalho de COI de 2008. A resposta pragmática da candidatura brasileira foi no sentido da contratação de seis barcos de cruzeiro, que poderão servir como hotéis durante a competição, que exige pelo menos 40 mil camas.

A difícil topografia do Rio de Janeiro - os montes pronunciados de pedra natural são mesmo uma das suas imagens de marca - também mereceu nota no relatório do Grupo de Trabalho. Os brasileiros sabiam que este seria um "item" sensível, pelo que uma fatia importante do ambicioso orçamento de 240 mil milhões de reais (116 mil milhões de euros) para a regeneração urbana do Rio de Janeiro será gasto precisamente em vias de comunicação.


Fonte: Missnick.

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Comentário

O facto do Brasil ter vencido a corrida para os Jogos Olímpicos de 2016, foi entendido por muitos como uma «medalha lusófona» (?)... Resta fazer um exercício imaginário e conceber quantos problemas sociais (gravíssimos) poderia o Governo Federal solucionar com o orçamento de 28,9 mil milhões de reais (19,8 mil milhões de euros)! E também nada custa calcular que a verba que gasta em treinar super-polícias (que constituem já uma força para-militar imensa, quase como se o Brasil corresse algum risco de guerra civil ou ameça interna grave outra), poderia igualmente ser empregue em resolver problemas sociais.

«Favela» é um termo estigmatizante, que congrega múltiplos racismos, não só raciais, mas também sociais e económicos. Ao contrário do que se possa pensar, as favelas do Brasil não são um mero aglomerado de barracas e, dentro delas, se estruturam diversos estractos de urbanismo (nem sempre caóticos), onde há dependências bancárias, estabelecimentos de comércio vários e outros serviços comuns numa cidade. De qualquer modo, a contenção dos «favelados» (tal como na última visita papal) já começou... Os «benefícios» dos Jogos Olímpicos não serão para todos os Brasileiros...

K. N.

P. S. Este parágrafo: A difícil topografia do Rio de Janeiro - os montes pronunciados de pedra natural são mesmo uma das suas imagens de marca - também mereceu nota no relatório do Grupo de Trabalho. Os brasileiros sabiam que este seria um "item" sensível, pelo que uma fatia importante do ambicioso orçamento de 240 mil milhões de reais (116 mil milhões de euros) para a regeneração urbana do Rio de Janeiro será gasto precisamente em vias de comunicação. – é, no mínimo, tétrico...

Fénix...

Passou menos de um mês e neste espaço foram publicados 168 posts e vamos a caminho das 3.000 visitas. É caso para dizer que temos blogue...
Dezembro é o mês da meditação, da solidariedade, do recolhimento e da renovação. Não o desperdicemos.

Abraço MIL

Aforismos Lusófonos, 11




§. Os povos só têm direito às independências que merecem e as Línguas vencem pela espada – mas acima de todas as espadas move-se um lume nos céus: é cidadão dessa pátria quem ergue um castelo nas nuvens.


Jesus Carlos

10 Aforismos Lusófonos


Duas Caravelas ao Luar, Carlos Alberto Santos, 1990


Dedicados à Bia

§. Quero uma política que nada faça por obrigação ideológica, mas tudo faça por profunda convicção ética.

§. Não há destino com terras fechadas e almirantes e mapas para onde, porque este império é a utopia do mar sem fim, como um barco pirata, hasteando no mastro a revolta contra a opressão, um mundo novo e um código de igualdade.

§. Terra e território não são o mesmo: a terra abraça o mar e o vento, a luz, o longe, o ontem, o porvir, a raiz, a fonte, as serras e as aves de passagem, sagrada, saudosa – e não tem dois pesos para quem nela se abriga, da chuva ou do sofrimento.

§. A ética não é um caminho de perfeição e santidade – é salvar os outros da nossa estupidez e da estupidez colectiva.

§. Na batalha e no mar, não temos outro escudo e outra espada, que não a fidelidade aos amigos e o amor à pátria.

§. Do cimo da serra vê-se o mar; no dentro do mar vê-se abismo e céu – os profetas caminham para o alto, de bordão, mas o cume dos poetas é uma nau.

§. O mar vê fundo quem o olha: maior que a da espada somente a provação das águas – por isso os náufragos são os únicos mortos a quem é permitido cantar.

§. O afogado na praia: para onde o mar atira um náufrago, aí é a sua pátria; corais rebrilhantes do Oriente, rochedos tenebrosos de África, baías tranquilas do Brasil – são Portugal.

§. As conversas entre amigos, gritadas ou em surdina, são tão sagradas como uma carta de amor. Seja o amor de Pêro Vaz de Caminha, o de Tiradentes ou o de Gungunhana: a honra não se deixa aprisionar nem pela etnia nem por riscos em mapas.

§. Não louves a montanha alta pela sua altura, nem a tua alma por a contemplar de mais alto ainda – lembra-te que o chão em que se ergue é o mesmo chão que te sustenta.


Jesus Carlos


Nota: Republicado no seu lugar natural.

Comunicado MIL sobre a Petição "NÃO DESTRUAM OS LIVROS!"

Foi na passada sexta-feira assinado um protocolo, no âmbito do qual, conforme foi entretanto noticiado, serão distribuídas “400 mil obras de Literatura, História, Poesia, Teatro, Epistolografia, Filosofia, Ensaio e Crítica, entre outros, às associações portuguesas no estrangeiro, nomeadamente gabinetes de leitura, leitorados e escolas portuguesas”.
O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO congratula-se com esse acordo, uma óbvia resposta à Petição que lançámos, "NÃO DESTRUAM OS LIVROS!" (http://www.gopetition.com/online/28707.html), que foi já entregue na Assembleia da República, dado que superou a fasquia das 4 MIL assinaturas.
Ainda que este acordo fique aquém do que na Petição defendemos – como nesta se diz, essas obras devem ser oferecidas “às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estude a Língua e a Cultura Portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos”.
Entretanto, o MIL prossegue o seu próprio trabalho de cooperação lusófona neste âmbito, estando neste momento a recolher livros escolares a serem em breve enviados para a Guiné-Bissau.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Uma Petição a ser assinada por todos os MILitantes

PETIÇÃO PARA TORNAR OFICIAL O IDIOMA PORTUGUÊS NAS NAÇÕES UNIDAS
http://www.petitiononline.com/AB5555/petition.html

Ay Que Calor!


Primeiro Estudo para a Decoração do Proscénio do Teatro Muñoz Seca de Madrid, Almada Negreiros,
1929


Lola Flores, Paquita Rico, Carmen Sevilla en el Balcon de la Luna

Concertos de Música Antiga em Dezembro


«H» de Homem, «H» de Herói, «H» de Henrique

Li recentemente (num só dia!), e finalmente, «Um Herói Português – Henrique Paiva Couceiro» de Vasco Pulido Valente (um livro de 2006 que foi antecedido por um artigo de 2001 na revista Análise Social). Uma breve mas palpitante biografia de alguém que, entre outras qualidades, bem se pode dizer que corporizou o espírito aguerrido e inconformista dos patriotas de 1640.
Em 2009 passaram – a 11 de Fevereiro – 65 anos sobre a morte de Henrique Paiva Couceiro. Um combatente até ao fim: na fase final da sua vida recebeu a «distinção» adicional de ser preso e exilado por ordem de António de Oliveira Salazar – por ter ousado publicamente criticar, e mesmo acusar, o ditador. Antes, destacara-se como militar e como político em África (tanto em Angola, onde chegou a ser governador, como em Moçambique), e, claro, como o maior resistente à República: a 5 de Outubro de 1910 foi quem mais réplica deu aos golpistas; e nos dez anos seguintes iniciou e liderou diversas acções bélicas contra o novo regime, destacando-se as incursões da Galiza para Trás-Os-Montes e a denominada «Monarquia do Norte», que, precisamente, restaurou – durante apenas 25 dias e com capital no Porto – a legitimidade histórica e política no país.
Hoje assinalam-se também os 75 anos da primeira edição de «Mensagem». E será por isso interessante saber o que pensava o poeta dos heterónimos daquele a quem chegaram a chamar «um novo Nuno Álvares Pereira», Segundo Vasco Pulido Valente (página 87), «Fernando Pessoa considerava (Henrique) Paiva Couceiro, antes de mais, “um espírito ferranhamente tradicionalista”, que “vira erguer-se uma instituição, a que alguns maduros e um grande número de gatunos chamavam a sua querida República”, e “sentira, se o não pensara lucidamente”, que essa instituição vinha arrancar tudo quanto restava (e restava pouco) das “tradições nacionais”, sem as substituir “absolutamente por nada”. A República “representava” para Couceiro (e para Pessoa) “um atentado contra a Pátria”. Pessoa não estimava o tradicionalismo de Couceiro. Mas, sendo ele pelo menos “um conceito de nacionalidade”, era preferível a “conceito nenhum” e, por consequência, Couceiro era também moralmente superior “aos estrangeiros da República”.»
Actualmente fazem ainda mais falta pessoas como Henrique Paiva Couceiro. Para quem a coragem era uma conduta comum e «Honra» não era uma palavra vã.

Hoje, nos 75 anos da Mensagem, sessão evocativa na Biblioteca Nacional (Lisboa), a partir da 17h


La Catalogne se mobilise pour son autonomie - un exemple pour les autres régions autonomes de l'Espagne?

De correspondante du Figaro à Madrid, Diane Cambon
La région espagnole craint une révision à la baisse de son nouveau statut.

La Catalogne est sur le pied de guerre. Face à la menace de voir son nouveau statut d'autonomie tronqué par la justice espagnole, la société civile catalane est montée au créneau pour soutenir une classe politique déjà mobilisée. L'enjeu est d'importance et met dans l'embarras le gouvernement de José Luis Zapatero.

Après trois ans de délibération et d'atermoiement, le Tribunal constitutionnel doit prendre de façon imminente - la date exacte n'est pas connue - une décision cruciale sur ce texte. Celui-ci redéfinit les relations entre l'Espagne et la Catalogne, et élargit les pouvoirs de cette région prospère. Les neuf magistrats planchent sur un recours déposé par les conservateurs du Parti populaire, opposé au Statut, le statut d'autonomie. Près de quarante articles risquent d'être annulés dont celui très symbolique qui qualifie la Catalogne de «nation». Vu de Barcelone, il n'est pas question de revenir sur le sacro-saint Statut, approuvé en 2006 par le Parlement catalan et validé par référendum populaire. La société catalane a lancé une fronde sans précédent pour avertir que toute modification serait «inacceptable» et susceptible de remettre en cause la bonne entente catalano-espagnole. Syndicats, patronat, intellectuels et même le célèbre club de foot FC Barça ont apporté leur soutien à un virulent éditorial publié dans douze journaux catalans.
Véritable pavé dans la mare, l'article met en avant «la dignité de la Catalogne» : «Il y a de la préoccupation en Catalogne et il est nécessaire que toute l'Espagne le sache (…). Il y a aussi un croissant ras-le-bol de devoir supporter le regard courroucé de ceux qui continuent à percevoir l'identité catalane comme un défaut de fabrication empêchant l'Espagne d'atteindre une impossible et rêvée uniformité», peut-on lire dans le grand quotidien La Vanguardia.

Version édulcorée

Les Catalans redoutent une version édulcorée du texte originel. Les juges du Tribunal constitutionnel pourraient en effet éliminer les «droits historiques» de la région, le terme de «nation» inscrit dans le préambule et les références aux symboles (drapeau, hymne…). Autre point polémique, l'apprentissage de la langue catalane risque de cesser d'être «à caractère obligatoire» pour tout résident en Catalogne. Avec le nouveau statut, le catalan cohabite avec le castillan comme langue officielle. Toucher à ces articles serait casus belli, ont averti la plupart des partis politiques catalans, à l'exception du Parti populaire (PP, droite), très minoritaire dans la région. Le parti Esquerra Republicana au pouvoir régional en coalition avec les socialistes catalans (PSC), a mis en garde contre une décision négative de la justice espagnole : «Nous appliquerons le texte à la lettre quelle que soit la décision des magistrats». Un député de ce parti a averti qu'un tel jugement «accoucherait d'une machine à fabriquer des souverainistes».
Ce tapage politico-médiatique tombe au pire moment pour le socialiste Zapatero, qui est déjà très affaibli par la crise. La tension risque sans doute de monter d'un cran, le 13 décembre prochain, lors du référendum sur l'indépendance de la Catalogne, organisé dans 160 municipalités. Même si ce scrutin est dépourvu de valeur juridique, il permettra de tâter le pouls du potentiel électorat nationaliste.

Carta que nos chegou...

Caros membros do MIL, é com profunda consternação que vejo o dia de hoje iniciar-se sem que os orgãos noticiosos o lembrem como "Aquela manhã radiosa de Dezembro que levou à restauração da Independência de Portugal, face ao governo centralista dos Habsburg" e se passe a lembrar como o dia em que o Tratado de Lisboa entrou em vigor? Exactamente o seu oposto e celebrado por muitos condes andeiros... a história repete-se!
Estamos a celebrar no dia da libertação e da autodeterminação, o dia do início da perda da independência e de muitos dos direitos, liberdades e garantias do indivíduo. Somos cada vez mais cidadãos, seres indiferenciados da urbe e menos indivíduos, com direitos e deveres sob os auspícios da autodeterminação e da responsabilidade pessoal.

Esta "é uma manhã triste de Dezembro em que se marca o reinício do jugo dos Habsburg (actuais), os poderes centralizadores da Europa sobre todos os povos Europeus e em especial sobre nós".

Deixo a meditação à vossa consideração.

Abraço

Eurico Ribeiro

Dezembro


Restauração da Independência, 1 de Dezembro de 1640, Painel de azulejos no átrio superior
do Palácio Galveias (Lisboa), Leopoldo Battistini,azulejos da Fábrica Constância


Possa seer esta, meu Duque, a derradeyra
carta a chegar-Vos assy, nocturna e breve:
que nom mais use da penna a mão que a 'screve
ate daar ao Reyno hum Rey, e a Patria inteira.

Possa seer esta, Senhor, a madrugada
que tantas noytes guardaamos a aguardar;
as pennas que a Portugal Deos faz pennar
releve-as Deos amanhan, e a minha espada.

E possa o nome de Rey ser-Vos merecido;
Rey com honra sereis so de um rreyno novo
onde a justiça e o alto fruto appetecido

da sciencia nom caiba aos deoses, mas a hum povo,
por guardardes Portugal n'este Mysterio:
nom seja nosso o proveito, mas o Imperio.


Casimiro Ceivães

Fabrica da Pólvora - Centro de Experimentação Artística/CPAI Exposição "Integrar pela Arte"


Suiça proíbe em referendo a contrução de minaretes: um resultado que vai minar ainda mais o ambiente com o Islão...





Texto que nos chegou...

RESTAURAR PORTUGAL

AS FORÇAS MATRICIAIS DA NAÇÃO
Conselhos dos Sábios Ancestrais
(Salve 1º de Dezembro de 1640/2009)

J. Jorge Peralta


1. Depois de escrever “FARSA DOS CRAVOS VERMELHOS”, ainda meio atônito, com o panorama descortinado, senti, um novo desafio, no meu psiquismo, necessidade de realçar as forças matriciais da nação: as ideias-força que deram vida e vigor à nacionalidade. Nasceu o “RESTAURAR PORTUGAL”. Veio a calhar. No próximo ano celebramos 350 anos da Restauração, por D. João IV e 100 anos de República.

Precisamos articular as duas comemorações.

2. Enfim, Portugal é a primeira nação dos tempos modernos, fundada em nova correlação de forças, dentro dos ideais humanísticos dos Templários com decisivo apoio dos cistercienses franciscanos e outras ordens monásticas, no início do século XII.

As ideias foram se articulando, em minha mente, até encontrarem seu Norte.

Pensei na imensa plêiade de homens e mulheres que construíram esta nação, tão especial, em suas ideias fundadoras e em todos que mantiveram aceso e multiplicados os ideais dos nossos ancestrais, que hoje mantemos sempre renovados e revitalizados.

Veio-me em minha mente a referência paradigmática que, aos nossos heróicos ancestrais, faz o Hino Nacional:

“Ó Pátria! Sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há de guiar-te à vitória!”

Pus então, na boca de um anônimo antepassado:

“O espírito de Portugal, não se perderá jamais. Ele está gravado em pedra, no ar, no mar e no psiquismo coletivo da nação”.

Por incrível que pareça, a nossa “geração à deriva” desaprendeu a respeitar os nossos ancestrais, como se o país não tivesse história: as novas gerações já despertam para novas descobertas que alguém lhes ocultou.

3. O que divulgamos aqui, num enredo muito simples, é um presumível “Concílio de nossos Sábios Ancestrais”.

Vieram tomar posição firme contra a tentativa de anexar Portugal à Espanha, sob o tacão de Madri, camuflado com o nome de União Ibérica, pulverizado por mais de novecentos anos de histórias e glórias de um pequeno mas grande, honroso e rico país. Vieram dar pleno apoio à “União Lusófona de Nações Soberanas”.

Este é o enredo da ópera. Leia e verá os seus olhos brilharem com mais luz!

Nossos Ancestrais são um livro aberto. Têm muito a nos contar.

4. Em foco, nos textos desta série, está o realce à soberania e ao potencial de Portugal, como uma nação de muitas grandezas, se se assumir como é: a matriz da lusofonia, miscigenada e pelos quatro cantos do mundo repartida, mas unida pelo espírito e alma que tudo dinamiza.

Portugal, sem prepotências, está no centro da lusofonia, que busca as forças de sua unidade, articulada em grande e enriquecedora multiplicidade. A matriz da lusofonia precisa ser honrada, sem arrogâncias ou prepotências, descabidas sempre...

O Espírito democrático que preside às relações entre os povos lusófonos pode levar à presidência do nosso país um negro, ou um mulato, sem qualquer constrangimento. É questão apenas de consciência, competência e mérito. Afinal, também Portugal, hoje, é um país miscigenado, biológica e culturalmente. As pessoas medem-se pelos próprios méritos: democracia deveria ser meritocrática...

5. A Lusofonia, em sua realidade múltipla, é mais que uma União ou Federação de países soberanos mas solidários: é uma nova civilização que fortalece o bem-estar, a prosperidade da humanidade, em perspectivas mais humanitárias e solidárias.

Portugal, no entanto, precisa saber superar esta fase de conspirações, que vai amortizando a alma audaz da nação.

A satanização de Portugal, de sua alma e de sua história, e a grande mistificação que armaram para dominar a nação, precisam retomar o lugar que lhes cabe, para que a nação seja libertada em sua essência e real grandeza, sem romantismos balofos.

Restaurar Portugal deve ser a nova voz de comando, em toda a nação e em toda a lusofonia.


Para ler mais, “Restaurar Portugal” (clique)
http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/restaura-portugal.html

Leia também: A Farsa dos Cravos e o Brilho das Rosas (clique)
http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/plano-do-texto.html

Para saber, mais leia também: Nossa Pátria Lusófona
http://www.portaldalusofonia.com.br/artigosnossapatria.html

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Lira Insubmissa, Carta


Retrato de Abel Acácio Botelho, António Ramalho, 1889


Fragmento de carta de um produto híbrido da modernidade endereçada aos idealistas, aos materialistas mas sobretudo aos sobrepostos amantes da terra, e em segundo, da cultura.

(...)

4 - O "raciocínio" é um instrumento de excelência que permite a organização, sistematização e estruturação das "coisas" (para englobarmos tudo o que é ideia e emoção, acto e situação) vindo todavia com a mesma problemática que afecta a modernidade. Procura justificar-se e bastar-se a si próprio, procura ser tanto causa como efeito, o motivo motor, a rota e a conclusão. Nenhuma motivação humana, nem uma, é de natureza racional - a razão analisa, não cria. Uma vez mergulhado a fundo na razão que o ignora, o ser humano está trancado e a chave fora deste idealismo, deste sistema, permanecendo inacessível.
5 - Este idealismo, ao contrário do que se possa pensar, faz parte do aspecto negativo da modernidade - aquele de se seguir luzes falsas. O idealismo dos dias de hoje é o informatismo que veio substituir o industrialismo dos dias de ontem. As ideias abandonaram a substância, não a possuem mais do que um placar electrónico, com uma paisagem paradisíaca e uma bela mulher nua. Estão a tentar distrair-nos para não escutarmos a voz das coisas, a voz dentro da voz dos que falam e do silêncio do que está calado - porque cantar a natureza dessas coisas, isso sim, e só isso, causaria uma verdadeira revolução para o estado (situação) moderno. Uma revolução, primeiro, em consciência e do indivíduo, e depois o mundo, com uma alma, abrir-nos-ia as portas.
6 (a) - Um exemplo das coisas tornadas em falsa substância, e da flagrância do truque moderno, está na consequência do movimento hippie - e associações de direitos humanos que batalhavam nessa época - pelas liberdades sexuais - nudez, sexo antes do casamento, amor homossexual, mais liberdade para a mulher, etc - hoje feito em reclames de TV e videoclips de venda, estampado em embalagens de tudo o que é consumível ao ponto do sufoco da dimensão profunda no que respeita ao assunto sexual, tornando-o mecânico e despido de significado. Antes, o significado de todas os objectos e, inclusive, de todos os sujeitos modernos, é estes serem consumíveis, ficando assim não menos virtuais que a moeda. De igual forma ao que explanamos respectivamente à tendência da razão, também o capitalismo se fecha nessa máxima, e procura ser tanto causa como efeito, o motivo motor, a rota e a conclusão.
6 (b) - Falando alegoricamente, e agora de um anjo como esfinge: A todos impõe um teste (sem sair ainda do campo da intelectualidade) - o da luz e o da escuridão, o de depois da luz ser escuridão enquanto depois da escuridão há luz. O caminho para o Éden só se abre de Noite, e esta é uma parábola dirigida aos idealistas.
6 (c) - Quando os ideais esquerdistas e os ideais liberais se expurgarem de todo o materialismo (mito e doutrina, nunca pedra e rio e pão), serão dignos do respeito dos sábios.
7 - Há no homem o ser-se bobo, e hoje começa a descobrir-se que não existe corte, indo então este homem à procura de rir-se de si próprio e ser bobo duas vezes, numa suposta ascese que desemboca em lado nenhum. Mas isto só os bobos, ou quase só os bobos, o sabem. O riso inútil será o maior obstáculo do niilista heróico, cargo que, na modernidade, tem sido semelhante ao do profeta.
(...)

André Consciência

O voo do pássaro 1

Sonhei que um pássaro saía
da Lua e dizia
das mil cores
e das flores.

- Ao que vieste, então?

- Procuro a distância,
que o olho colado à cor ...



... não vê a flor.

Vida que depressa vai ultrapassando...

Vida que depressa vai ultrapassando
A vida
Que alimenta
A morte
Que alimenta
A vida
Que é breve
Ainda inacabada enquanto memória
Enquanto em mim mora.

Vida que marcha soturna
Fertilizando-se nos elementos,
Através do tempo e da dor
Parindo alegrias, esperanças,
O tecido entrelaçado de luz e sombra,
Melodia e poesia, germes e frutos
Com que nos veste
E que se estende, toca, cobre, cobra
Entecida de paixão, juízo e razão.

Vida móbile que retalha os dias
Sangrando o hoje e o amanhã,
Delimita e sulca o caminho
Entre o berço e o cemitério
Na viagem que se faz ao caminhar,
Não sabendo
Onde está escondida
A nova vida
A velha morte,
Saídas entre as vidas
No combate fértil da esperança
No parir do embate entre céu e terra.

Vida em que tudo está
Sempre
Rodando e em transito:
As palavras, as pessoas,
O tempo, o vento,
O hálito, o olhar,
A natureza, a dor,
Os anjos e os demônios
Rondando
A desde já velha vida
E a nova morte em ânsia.

Vida que a morte move
Ávida,
Há vida na morte ávida,
E no percurso
A paixão move a vida
Antes de tudo,
Sustenta-a o conflito instinto e razão,
Num circular ciclo dúbio
Em que sobe ao céu e desce à terra
Das coisas divinas para as humanas.

Vida terrenal
Essência perecível
No galope ultrapassando
O transito da memória
Edênica,
No pesar da saudade
Da pátria original distante.
De saudade é feito vida.


Vilemar F. Costa

Fernando António Nogueira Pessoa

«…mais vale ser criança que querer compreender o mundo

Faz hoje precisamente 74 anos, que Fernando Pessoa o autor insigne do Orfeu e espírito critico admirável, faleceu deixando uma extensa obra, praticamente toda inédita, que viria a fazer dele um dos maiores símbolos da cultura lusa.

Nasceu em Lisboa a 13 de junho de 1888, cidade aonde viria a falecer a 30 de Novembro de 1935. Morreu de cirrose hepática aos 47 anos e os seus restos mortais repousam perto dos poetas Luiz Vaz de Camões e Alexandre Herculano sob um monólito de mármore no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, o mais emblemático monumento português.

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro

I know not what tomorrow will bring. Dêem-me os óculos...


Como foi proclamada a República no Brasil!

Muitas vezes, na história do mundo, pequenos fatos podem desencadear acontecimentos notáveis. É claro, que, minúsculos acontecimentos não detectados no dia a dia vão se acumulando como mágoas até que explodem aos borbotões sem que a gente espere ou perceba, mudando o “establishment” de uma hora para outra.
Assim aconteceu com a queda da Monarquia brasileira e a proclamação da República.
Uma questão militar, seguida de um levante geral das tropas de terra e mar foi a causa imediata dessas mudanças no tecido político brasileiro. Mas, os acontecimentos de 15 de novembro de 1889 foram apenas a gota d’água que transbordou o copo da insatisfação social vigente.
Herdamos a Monarquia de Portugal, regime comum aos Estados europeus em que a uma pessoa bastava ter sangue real para ter o direito de administrar um país; para isso, desde pequenininho era preparado e educado para aquela função.
Nosso imperador Pedro II, homem de extremo saber, era amado pelo seu povo, mas, a sucessão preocupava a todos, já que o nosso imperador já era um homem idoso e planejava abdicar em nome de sua filha, Isabel e descansar em Paris para fazer o que mais gostava: estudar, fotografar e conviver com a sociedade científica, longe dos problemas do poder.
Acontece, que o marido de Isabel, o Conde D’Eu era "persona non grata" aos brasileiros e a princesa não contava com a confiança do povo.
Apesar de ter assinado a Lei Áurea que extinguia a escravidão, ou por causa desse fato que irritou os grandes fazendeiros de S. Paulo e Minas, o povo não apoiava a princesa.
Conta-se que, assinada a Lei Áurea, o Visconde de Ouro Preto lhe disse:
– A senhora libertou um povo, mas, perdeu o trono.
Então, veio a questão militar; há muito os quartéis mostravam sinais de inquietação influenciados pela maçonaria e pelo positivismo em voga na época e alguns atos monarquistas punindo oficiais só acirrou os ânimos.
Entre eles estava o Marechal Deodoro da Fonseca, militar respeitado e admirado pela tropa, mas, também respeitador da lei e amigo pessoal do Imperador. Graças a essa posição, seus colegas de farda o incumbiram de ir ao Palácio pedir à D. Pedro a revogação das punições.
O Governo cedeu face às pressões, inclusive, do Senado. Mas, as relações entre o Governo e o Exército não melhoraram.
A propaganda republicana antes confinada a clubes fechados e ti-ti-tis caseiros ganhou as ruas. Quintino Bocaiúva, Silva Jardim, Lopes Trovão, Nilo Peçanha escreviam artigos magistrais; Campos Sales, Prudente de Morais pregavam abertamente a República, em S. Paulo, Benjamim Constant, positivista emérito fazia inflamados discursos na Escola Militar.
E, acima de todos, impressionando o espírito público e conquistando as classes armadas, o baiano Rui Barbosa, a “Águia de Haia”, escrevia artigos disputadíssimos no Diário de Notícias, lidos pela elite brasileira.
No decorrer do ano de 1889, o Gabinete presidido pelo Visconde de Ouro Preto começou a tomar certas medidas que preocuparam o Exército. Ele aumentou o corpo de polícia e organizou a Guarda Nacional além de remover da Capital todo um corpo da Infantaria; além disso, trocou os comandos e excluiu vários oficiais importantes das solenidades públicas; ficou patente que o Gabinete queria desestabilizar o Exército.
A Conspiração Militar ganhou força e foi para as ruas.
A República foi feita, sem a menor resistência.
O Império Brasileiro que durou 65 anos vinha desgastado pela sucessão de governos imperiais desacreditados e pelos partidos políticos sem mensagens novas que se eternizavam no poder: o Partido Liberal e o Partido Conservador. Este último há tempos no poder não oferecia solução para os graves problemas do país.
O Imperador deposto foi para a Europa e os principais nomes que apoiaram o movimento tomaram o poder.
Para mim, tudo não passou de um golpe. Melhor, uma quartelada tão ao gosto dos políticos latino americanos.
A palavra república vem do latim e significa (res) coisa (publica) do povo.
Uma convulsão social de proporções acompanhou a chegada deste movimento, sendo o mais importante a Guerra de Canudos.

Carta

"Dir-se-ia que, incerta de si, a pátria se procura nas raízes. Ou que, pelo menos aparentemente, procura protegê-las como se protegesse a própria vida. O que significaria que ao nível do subconsciente o nosso instinto de conservação continua acordado. Simplesmente, trata-se de mais um renascimento ilusório, dos vários que têm ocorrido sem consequências de maior."

Torga, M. (1987). Diário XIV, Coimbra, Ed. de Autor





Portugal, 31 de Julho de 2008

Caríssimo Mestre Torga:

Creia-me quando lhe digo que compreendo o seu cepticismo e a amargura das suas palavras. A bela e brava cultura lusitana tem, afinal, sido tão mal tratada ao longo dos últimos tempos… Mas permita-me, Mestre, a ousadia de lhe rogar que, desta vez, acredite na sinceridade dos nossos propósitos, e na exequibilidade da nossa missão. Estamos empenhados em promover as ideias e valores da cultura portuguesa e lusófona como contributo para um outro paradigma e uma outra globalização* e, aqui o afirmamos, não haverá quem nos demova. Por muitos Velhos do Restelo que se nos atravessem à frente, Mestre, não seremos travados na nossa senda. Por Portugal e a Lusofonia!

Receba uma vénia, onde quer que esteja.

Maria


*Manifesto Nova Águia.

Foto:
Tecto dos claustros do Mosteiro dos Jerónimos (pormenor), foto tirada em Abril de 2008.
Música: Glória, Sétima Legião, letra de Miguel Esteves Cardoso.

As âncoras portuguesas estudadas pelo NIO em Goa

http://bit.ly/5Gn0hl

Foi também um mestrando deste Instituto Nacional de Oceanografia (Goa) que há alguns anos descobriu o segredo da natureza que permitiu a Vasco da Gama entrar na costa do Malabar na época das monções! Não era a perícia dos navegadores portugueses como até então explicava a historiografia nacionalista portuguesa.

A Vida


Procissão Corpus Christi, Amadeo de Souza-Cardoso, 1913


Povo sem outro nome à flor do seu destino;
Povo substantivo masculino,
Seara humana à mesma intensa luz;
Povo vasco, andaluz,
Galego, asturiano,
Catalão, português:
O caminho é saibroso e franciscano
Do berço à sepultura;
Mas a grande aventura
Não é rasgar os pés
E chegar morto ao fim;
É nunca, por nenhuma razão,
Descrer do chão
Duro e ruim!


Miguel Torga
In
Poemas Ibéricos, Edição do Autor, 1ª edição, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1965, p. 14.

Se não têm "agenda política", porque fazem mais uma Cimeira Ibero-Americana?



Ah, só se for por causa da convidada especial: Shakira, uma excelente cantora...

domingo, 29 de Novembro de 2009

Seara Nova

Lisboa, 15 de Outubro de 1921

«revista de doutrina e crítica»

Saiu o 1º número da Seara Nova, revista literária. Entre os seus fundadores contam-se Raul Proença, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Raul Brandão, Câmara Reis e Augusto Casimiro.
O grupo da Seara propõe-se exercer um magistério pedagógico que reforme o pensar e se reflicta na acção política. Considera, como prioridade, formar uma elite intelectual militante, empenhada na transformação social. O seu ideário, racionalista, diverge do do Integralismo Lusitano: é a razão que deve guiar o homem e não os valores da tradição e da raça.
António Sérgio de Sousa, intelectual de relevo, foi convidado a integrar o grupo.

Cinco mandamentos da Seara Nova

- Renovar a mentalidade da elite portuguesa, tornando-a capaz de um verdadeiro movimento de salvação.
- Criar uma opinião pública nacional que exija e apoie as reformas necessárias.
- Defender os interesses supremos da Nação, opondo-se ao espírito de rapina das oligarquias dominantes e ao egoísmo dos grupos, classes e partidos.
- Protestar contra todos os movimentos revolucionários, defender e definir a grande causa da verdadeira revolução.
- Contribuir para formar, acima das pátrias, uma consciência internacional bastante forte, para não permitir novas lutas fratricidas.


In Diário da História de Portugal, de José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, p.514.

Hoje, em Brasília...


sábado, 28 de Novembro de 2009

A Questão da Galiza: 7ª parte: A Língua Portuguesa da Galiza (ou “Língua Galega” ou "Língua Própria da Galiza")

De acordo com a formulação jurídica em vigor na Galiza, o Galego (termo neutro) é a “língua própria da Galiza”. Isso mesmo é reconhecido no Estatuto da Autonomia. O facto transforma o Galego numa língua co-oficial (a par do castelhano) da Autonomia. O Galego não está contudo reduzido ao atual território da Autonomia, já que é língua corrente de algumas comarcas limítrofes nas Autonomias de Leão e Astúrias (a chamada “Galiza Exterior”), desanexadas à Galiza por Madrid no século XVIII e até, se considerarmos que Olivença ainda é terra de fala portuguesa, poderemos também encontrar aqui neste enclave ocupado por Espanha um derradeiro testemunho do português da Galiza. Estas comarcas pertencem pela História, pela Língua e pela Cultura à nação galega e como tal, o seu regresso à matricial entidade nacional galega é reclamado por muitos nacionalistas.

Foi em galaico-português que se escreveram, cantaram e declamaram as primeiras obras literárias em língua ibérica: a lírica trovadoresca medieval. Foi a lírica que estruturou aquela que na sua época era uma línguas românicas mais dinâmicas da Europa e que, nas palavras do professor Sílvio Elia1 torna a língua portuguesa da Galiza na “matriz do mundo linguístico luso-brasileiro”, uma irmã ainda bem viva – apesar de todos os atentados que hoje cometem contra ela – e que nos permite compreender como era a nossa língua portuguesa no momento da sua gestação, verdadeiro “tesouro vivo” que preserva no galego contemporâneo traços linguísticos, assim como na cultura popular e erudita, elementos indispensáveis à compreensão daquilo que Portugal hoje é e para onde caminha no futuro próximo e mais longínquo.

Existe um certo clima de incompreensão perante a obstinada recusa de Madrid a que a Galiza assuma a sua ligação umbilical lusófona. Essa teimosia remete-nos para os regimes de Franco e antes dele dos Bourbon com a sua política centralista e aglutinadora de todas as periferias de Espanha, mas hoje encontra um aliado de peso no PPdG (Partido Popular da Galiza), atualmente no poder. Esta política aglutinadora resulta de uma profunda insegurança, como se os espanholistas sentissem que a qualquer momento, o sentir mais profundo do povo galego se pode reassumir e derrubar aqueles que o pretendem submeter a um todo “espanhol” que de facto, existe apenas em Madrid e nos seus subúrbios... Se assim não fosse, pelo bruto medo de perder a Galiza para a independência ou para a re-união com Portugal (a tal “pátria sonhada” dos poetas), nada obstaria a que Espanha, seguindo aliás o seu próprio preceito constitucional, permitisse que a Galiza assumisse a ligação lusófona da sua língua, ou mesmo a designação oficial defendida por alguns reintegracionistas de “língua portuguesa da Galiza”. Nada a não ser o pavor da perda da Galiza. Nada a não o temor de que a ligação de Madrid à Galiza seja mais fraca que a ligação linguística e cultural da Galiza aos mais de 200 milhões de cidadãos lusófonos.

Que tem o Tuga que o Brasuca não tem?

video

O Mostrengo, Azeituna, Tuna de Ciências da Universidade do Minho, ao vivo no Centro de Congressos de Aveiro, 2007


Portugal tem... lusófonos! Apesar da sua dimensão, ou por isso mesmo, o Brasil nunca conseguirá envolver na causa lusófona mais que uma pequeníssima percentagem das suas elites – a lusofonia é, e será durante muito tempo, ignorada pelo Povo Brasileiro. Mas é possível, numa década, envolver uma parte expressiva do Povo Português na causa lusófona – esta é a grande vantagem dos povos pequenos sobre os grandes: a sua unidade é maior.
Dos PALOP (e de Timor), nem vale a pena falar no que diz respeito a «sentimento lusófono» na maioria da população: não existe. É certo que «lusofonia» é um termo de recente cunhagem política, ainda equívoco e a forjar o seu próprio trilho – mas os PALOP (Timor ainda mais) têm outro sentimento que substitui aquele: o de se sentirem ligados a Portugal. A separação política foi há menos tempo. Enquanto que no concernente ao Brasil vivemos desde 15 de Novembro de 1889 (data da implantação da República do Café-com-Leite) no romantismo dos «povos irmãos», com pouquíssimas consequências políticas de aproximação, muitas palmadinhas mútuas nas costas, etc, e só muito recentemente, com a descoberta do Portugal-país-da-Europa-Comunitária e o fenómeno migrante brasileiro, medidas políticas, com alguma espessura, foram tomadas.
A realidade é esta: o Povo Brasileiro, o povo humilde (e esse é sempre o Povo) sabe tão pouco da lusofonia quanto de Portugal. Gostam de Portugal, é certo, mas do mesmo modo ideal e sonhador com que qualquer Português humilde gosta de Viriato.


K. N.

8 de Dezembro, em São Paulo...


Hoje, às 15h, na Biblioteca Municipal de Sesimbra...

Lançamento d' O Plutocrata, de Orlando Vitorino.


Para ver: http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2009/11/sabado-as-1500-na-biblioteca-municipal.html

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Sempre morto, vivo!

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Mário Cesariny (Lisboa, 9 de Agosto de 1923 – Lisboa, 26 de Novembro de 2006) a improvisar, na dança da sua vetusta memória, sobre o poema Quase de Mário de Sá-Carneiro, no filme documental Autografia, Miguel Gonçalves Mendes, 2004


O ouro é tarde, o azul marinho é lento, o mar, sem fim: porque hoje não é o dia de morrer a poesia, o poeta tira a peruca diante da morte, vénia, vénia, vénia diante da condição trágica do poeta, nessa última réstea de luz no derradeiro areal da Finisterra. O poeta é agora a morte em vida, o ouro tardio do fim, dentro do entardecer à beira-mar, improvisa o seu poema no poema do finistérrico purpurino quase: o roxo que, devagar, se aproxima de sapatos negros de verniz, a morte, a morte que conhece todas as palavras ditas, sonhadas, por dizer. A morte está ali, quieta, muda, sentada na areia branca, vestida de treva luminosa diante do poeta: o poeta faz um gesto final, elegante, aristocrático, irónico e, sem dizerem mais, dão respeitosamente as mãos – é então que o poeta corre morto para o mar, ao contacto com a água, ocidental, tremenda, metamorfoseia-se no pintor – uivo do profundo! – e grita uma tinta que não há para dentro das vagas.


K. N.


video
Autografia, Miguel Gonçalves Mendes, 2004

Previamente publicado no blogue O Bar do Ossian.

NIGREDO, II


Stoned Immaculate, Ruela, 2009


Deus, esse polvo luzente e ambíguo acima das águas supernas
Que nos lança, Seus tentáculos,
Para o abismo profundo,
Florido de luxuriantes verde-escuras selvas
Que guardam o que deve ser guardado;
Informe, invisível, indizível,
Fundo, em escuras azuis águas infernas,
Que, da luz, pela arte divinatória dos bardos
Passa a errante cortina e no tear
Das brumas, das aves, das areias,
Dos remos, dos mares e dos astros,
Dos fios se expande de inquietantes símbolos a legenda
(As tábuas, as lajes)
Da jóia mínima: a lágrima do mundo.

Na fé, suba um a levar a notícia,
Os pomos saborosos e o tesouro.


Jesus Carlos
Também publicado no blogue O Bar do Ossian.

Achamos bem que verifiquem...


E ainda dizem que as Petições MIL não produzem efeito...

Protocolo distribui milhares de livros nas comunidades lusas

Milhares de livros serão distribuídos nas comunidades portuguesas no âmbito de um acordo assinado hoje entre a Secretaria de Estado das Comunidades e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, informou o gabinete do secretário de Estado.
No total serão distribuídas 400 mil obras de Literatura, História, Poesia, Teatro, Espistolografia, Filosofia, Ensaio e Critica, entre outros, às associações portuguesas no estrangeiro, nomeadamente gabinetes de leitura, leitorados e escolas portuguesas.

«Trata-se de uma cooperação com a principal instituição na edição de obras de inegável valor literário e científico que enriquecerá o espólio quer das estruturas diplomáticas e consulares, quer das associações das comunidades portuguesas», declarou António Braga à Agência Lusa.


Fonte: Diário Digital / Lusa

P.S.: A Petição MIL "NÃO DESTRUAM OS LIVROS!" (http://www.gopetition.com/online/28707.html) foi já entregue na Assembleia da República, dado que superou a fasquia das 4 MIL assinaturas.
A Petição continua, ainda assim, aberta a novas subscrições.

Será verdade?

Ministra portuguesa garante acordo ortográfico em janeiro

Bruxelas, 27 nov (Lusa) - A ministra portuguesa da Cultura, Gabriela Canavilhas, disse nesta sexta-feira em Bruxelas que o acordo ortográfico entrará em vigor em Portugal conforme previsto na planificação, sem atrasos, em janeiro.

"Há uma planificação prevista que vai ser cumprida, tal como ela foi aprovada", disse a ministra durante uma reunião com os seus colegas da União Europeia.

Além disso, Canavilhas lembrou que "já vai começar a haver ajustes e adaptações", dando como exemplo os manuais escolares e a Agência Lusa, que vai começar a publicar suas notícias de acordo com as novas regras.

O acordo já está em vigor no Brasil desde janeiro deste ano e deverá começar a ser aplicado em Portugal em janeiro de 2010.

O acordo ortográfico foi aprovado em dezembro de 1990 por representantes de Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, porque Timor Leste só aderiu em 2004, após a independência da Indonésia.

Para vigorar, o acordo tem de estar ratificado por um mínimo de três dos oito países, o que foi alcançado em 2006 com São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil, seguidos de Portugal.

A Guiné-Bissau ratificou o texto neste mês, faltando apenas Angola e Moçambique. Timor Leste ratificou em setembro.

Blog Revista Lusofonia

Está no ar a edição de Novembro completa do Blog Revista Lusofonia.
www.revistalusofonia.wordpress.com

Artigos:
· Os dois principais Focos do Instituto Histórico de São Paulo
· Diálogo com os leitores
· Leituras de Férias, por João Alves das Neves
· A Arte da Dubiedade como previsão do Futuro, por Dalila Teles Veras
· Novo Acordo Ortográfico, por Pedro Silva
· O Mito da Liberdade de Expressão, por Isabel Gouveia
· Por Portugal – e Mais Nada, por José Campos e Sousa
· Profissão do Futuro no País do Futuro!, por Fabiola Neves Nese
Notas e comentários
. Livro de Cyro de Mattos é publicado na Alemanha
. A cultura na rede mundial
. Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo

Boa leitura a todos,
Fabiola

Dubai-bye

Entre hoje e terça feira próxima, os Mercados - os juízes mais severos do mundo - vão ler a sentença do Dubai. Isto a seguir a o Dubai Fund - o mega-fundo de investimento controlado pelo Estado soberano do Dubai , paraíso dos patos-bravos planetários - ter anunciado não estar em condições de pagar as suas próximas dívidas.

Os pessimistas falam de uma segunda Islândia - um pouco maior, desta vez.

A seguir com atenção pelos que defendem a saída de Portugal do abraço de urso do Euro...

Livraria Centésima Página

Para o Renato

Esta foto, tirei-a a um graffiti que se encontra no meio de fabulosos frescos, na entrada da Livraria Centésima Página, em Braga.

Esta livraria, instalada no belo edifício que é a Casa Rolão, um exemplo da arquitectura do século XVIII, em estilo barroco, é um lugar especial que vale a pena visitar. Uma livraria de cinema, onde o espaço se multiplica em salas e pátios.

A Casa Rolão, segundo dados oficiais, foi construída entre 1759 e 1765, para um industrial bracarense, e é um imóvel classificado de interesse público desde 1977. A sua construção é atribuída a André Soares.

Passam hoje 202 anos...

A 27 de Novembro de 1807, a família real portuguesa, acompanhada da respectiva corte, embarca para o Brasil, por ocasião das invasões francesas. A frota, comandada pelo vice-almirante Manuel da Cunha Souto Maior, far-se-á ao mar a 29 de Novembro, um dia antes da chegada a Lisboa do General francês Junot à frente de um exército com cerca de 26 mil homens.

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

A recordar a morte de Mário Cesariny...

Todos Por Um

A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos concerteza

Santos
Mártires
e Heróis.

Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.

Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de
recorrer à vala comum.


Mário Cesariny



O Papá que veio do Leste, Mário Cesariny, 1980

Por onde depois mil passarão...

Um jogo o mundo é
Jogo de sorte e de azar
Caminho sem horizonte

Há contudo aqueles que vacilam
E que caiem, culpando o destino
Como se destino houvesse

E aqueles que avançam, sempre
Pela sua vontade, abrindo a via
Por onde depois mil passarão



Já em Angola, a voz da Igreja continua uma das poucas vozes realmente livres...

Corrupção e pobreza preocupam seriamente os bispos angolanos

O novo presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, D. Gabriel Mbilingi, fala sobre os assuntos que mais preocupam a Igreja num país em franco desenvolvimento económico, mas marcado ainda por muitas desigualdades.

Angola cresce a olhos vistos, a nível económico. O arcebispo de Lubango reconhece esta evolução e elogia o aumento de serviços, mas lamenta a desigual distribuição da riqueza no seu país.

“O que nos preocupa é esta constatação de pobreza que nós vimos, enquanto vemos que há serviços que são oferecidos cada vez mais à comunidade, mas ao mesmo tempo o acesso a esses serviços, falo por exemplo na água, na luz, do pão, e até numa situação de crise, naturalmente os pobres ficam mais pobres, é essa a nossa preocupação. Muito dinheiro está na mão de pouca gente e muita gente vive dificuldades no seu dia-a-dia”, afirma D. Gabriel.

Para o novo presidente da Conferência Episcopal Angolana, um dos principais problemas continua a ser a corrupção. “Apesar de reconhecer alguns avanços, a corrupção, a vários níveis é uma realidade que não podemos deixar de denunciar como um mal, chamamos-lhe um cancro. Se não for debelado, não se pode falar de desenvolvimento.”

D. Gabriel refere ainda alguns pontos da constituição que gostaria de ver esclarecidos, pedindo que este assunto não seja manchado por questões partidárias. “Na constituição em si há pontos nos quais temos um interesse em particular. Preocupa-nos, por exemplo, a laicidade, gostaríamos de ver maior claridade nesse aspecto. Preocupa-nos questões como o exercício dos três poderes, sobretudo o judicial. A questão da terra, pertence ao Estado ou aos cidadãos? A constituição não deve ser partidarizado, porque é um assunto que diz respeito a todos, independentemente das cores políticas que possamos ter.”

Na ordem do dia continua a descriminação de que se diz alvo a Rádio Ecclesia, emissora da Igreja Angolana que frequentemente denuncia escândalos e abusos de poder por parte das autoridades, mas que tem visto o seu funcionamento limitado

“A desculpa é sempre a mesma, que a lei da imprensa não está regulamentada, mas lamentamos que a Radio Ecclesia seja sempre a ser relegada para último lugar. É uma das questões mais claras de que a liberdade de imprensa não passe de uma expressão, porque de facto isso não acontece. Não é uma questão prática, é uma questão política. Os equipamentos até estão nas dioceses. Este é um disco que vem já riscado de tanto uso. Se não se mudam as coisas é porque não há vontade política”, garante o arcebispo de Lubango.

Por fim, D. Gabriel Mbilingi aborda a crise humanitária que está a surgir na zona fronteiriça com os dois congos, de onde milhares de angolanos estão a ser expulsos. “Solidarizamo-nos com eles. Precisamos de perceber um bocado mais as razões profundas que levaram os governos a permitir aquilo que aconteceu, e que é lamentável, porque de facto criou uma crise humanitária. Nós olhamos sobretudo para este aspecto humanitário. O que fizemos, a nível da Igreja de Angola, foi a partir da comissão Justiça e Paz e da Cáritas, organizar as ajudas que a Igreja procurará, a partir das comunidades, ajudar os irmãos que vieram dos dois congos.”


Fonte: RR

Entretanto, em Moçambique...

Brasil ajudará Moçambique a formar especialistas em etanol

O Brasil deverá formar estudantes moçambicanos no uso de tecnologias de produção de etanol, uma das apostas do governo de Moçambique, que aprovou investimentos estimados em biliões de dólares para o sector.

Uma missão empresarial brasileira está na capital Maputo para analisar as oportunidades de investimento na área dos biocombustíveis, particularmente na produção de álcool a partir da cana-de-açúcar.

Os empresários brasileiros reuniram-se hoje com investidores moçambicanos e da Suazilândia, país vizinho, num evento organizado pelo Centro de Promoção de Investimentos (CPI) de Moçambique.

No final do encontro, uma fonte do CPI disse à Agência Lusa que o chefe da missão empresarial brasileira manifestou interesse em formar estudantes moçambicanos na utilização de tecnologias de produção de etanol, visto que o País é líder mundial na transformação do açúcar em álcool para o uso na área dos biocombustíveis.

O governo brasileiro, explicou o embaixador do país em Maputo, António de Souza e Silva, apoiou a comitiva pois é estratégia do Brasil tornar a produção do etanol em escala mundial, visto que hoje 80% das usinas estão no Brasil e EUA.

"O Brasil produz 270 mil milhões de litros e consome 220, pelo que a oferta brasileira é reduzida, por isso a ideia é criar uma massa crítica sobre o etanol no mundo", disse o embaixador.

Para ele, "a tendência natural" é que os empresários brasileiros invistam na produção de etanol no país africano e que a missão teve como principal objectivo apresentar o trabalho que está sendo realizado no Brasil, desde a produção de cana de açúcar à maquinaria e aos parques de etanol.

Moçambique, acrescentou Silva, já tem quatro grandes fábricas de açúcar e planos para duplicar a produção, pelo que o etanol daria segurança no abastecimento de combustível e poderia exportar parte do produto.

O director do Centro de Promoção de Agricultura de Moçambique, Roberto Albino, assegurou que o executivo de Maputo vai duplicar, num máximo em quatro anos, a produção de açúcar para cerca de meio milhão de toneladas.

Durante a década de 90, Moçambique investiu 16 milhões de dólares na recuperação de campos agrícolas e unidades industriais de Marromeu, Mafambisse, centro, Maragra e Xinavane, sul. Actualmente, Moçambique produz aproximadamente 250 mil toneladas de açucar.

No âmbito da cooperação com Moçambique, o governo brasileiro investiu na construção de uma fábrica de medicamentos antiretrovirais em Maputo, um Centro Florestal na Manhiça, perto de Maputo, e tem empreendimentos de carvão em Moatize, Tete, centro, desenvolvido pela companhia Vale.

Em Nacala, em conjunto com o Japão, estão sendo realizados aportes na agricultura, como a correcção de solos e adaptação de sementes. Fora o programa de bolsas de estudo, que chega a 50 por ano para mestrados e doutorados, lembrou o embaixador.

Tudo isto faz de Moçambique o maior beneficiário do Programa Pró-África, uma iniciativa do governo brasileiro ligada à investigação científica, sendo que 36% do total dos seus projectos são dedicados aos moçambicanos.


Não há forma da situação se acalmar na Guiné...

Procurador investiga documento «secreto» que caiu no domínio público

A Procuradoria-Geral da República da Guiné-Bissau vai investigar a divulgação de um documento "secreto" da Divisão de Informação e Segurança Militar do país, que alerta para riscos de instabilidade devido a divisões internas no partido no poder.

No âmbito das investigações, e segundo dois documentos a que a agência Lusa teve acesso, o Procurador-geral da República guineense, Amine Saad, pediu para ouvir o coronel Samba Djaló, director da Divisão de Informação e Segurança Militar, e o deputado do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Roberto Cacheu.

Num documento enviado ao ministro da Defesa Nacional, o procurador-geral da República pede que o coronel Samba Djaló seja ouvido porque "qualquer ameaça por mais pequena que seja deve ser tomada em devida conta".

"Entendemos crucial e pertinente a audição (...) em ordem a apurar-se a veracidade através de provas, que seguramente, tem na sua posse, da denúncia contida no documento em apreço", refere o documento.

O deputado do PAIGC Roberto Cacheu será ouvido pela Procuradoria-geral da República para "apurar a veracidade ou não da denúncia".

O deputado Roberto Cacheu distribuiu o documento qualificado de "secreto" a organismos internacionais, grupos parlamentares, primeiro-ministro e presidente da Guiné-Bissau, acompanhado de uma carta em que denuncia uma "permanente perseguição".

O documento da Divisão de Informação e Segurança Militar da Guiné-Bissau alerta que o PAIGC pode pôr em causa a vitória alcançada nas eleições legislativas de Novembro de 2008, devido a "contradições internas no seu seio e que podem contribuir para intoxicar a relação entre os dois altos mandatários do país".

"Existem militantes do PAIGC que já estão a perspectivar a realização de um congresso extraordinário a fim de proporcionarem o afastamento de Carlos Gomes Júnior da liderança do partido e consequentemente a sua exoneração do cargo de primeiro-ministro", acrescenta o documento a que a agência Lusa também teve acesso.

O documento refere o nome de alguns políticos guineenses, nomeadamente de Roberto Cacheu, que acabou por divulgar a informação confidencial a organismos internacionais a fazer a denúncia de "permanente perseguição".

A PGR pediu para ouvir o deputado Roberto Cacheu e o coronel Samba Djaló na segunda-feira.


Fonte: Oje

O drama das peregrinações no Nordeste do Brasil: o olhar impressionante de um dos maiores fotógrafos brasileiros vivos, Christian Cravo

Algumas das fotografias da série Irredentos (Salvador, Áries Editora, 2000; a maior parte das fotos foi obtida em 1998, Christian vagueou durante 3 anos pelo sertão, seguindo os peregrinos) – uma vez que é uma selecção, dei uma outra organização narrativa às fotos, mantendo, porém, a abertura e o fecho do autor: o Deus que nos apaga o rosto, e o clarão nocturno do relâmpago sobre as cidades dos homens... Christian Cravo nasceu em 1974, em Salvador, Bahia, filho de Dinamarquesa e Brasileiro, cresceu na Dinamarca, onde aos 13 anos começa a fotografar e onde vive até aos 21 anos, em 1996 decide regressar ao Brasil e com 22 anos torna-se fotógrafo profissional; no meu entender, em termos étnicos profundos, a sua fotografia expressa este mix cultural. Esta afirmação carece de fundamento, mas vou ficar por aqui – vim apenas mostrar-vos umas fotos...

Este post é dedicado ao Casimiro Ceivães, que, se fosse possível e o deixássemos, nos punha a todos a viver na Idade Média, onde, suponho, eu e ele ficaríamos nalgum mosteiro, à luz da vela, a conversar pela noite fora acerca de Deus e do Diabo...













A raiz e os frutos




Vi falar de café com açúcar aqui e venho, claro, meter a colher.

Suponhamos que há um grupo de pessoas que, sobre um determinado assunto, têm uma determinada opinião. Outros discordam, e de entre os que discordam há uns que pensaram muito nesse assunto e outros que falam sem pensar. O costume.

E suponhamos que o primeiro grupo de pessoas diz o seguinte: "nós chegámos à conclusão de que a nossa opinião é a verdadeira, e portanto somos nós os ortodoxos (esta palavra é feita inteirinha a partir do grego: orthos, o verdadeiro, o correcto, e doxa, opinião); vamos, para facilitar a vida a todos, fazer uma lei a definir isso mesmo".

Gostava de saber se alguém que me leia não sente, lá no fundo no fundo, um princípio de simpatia pelos... heterodoxos?! Mas hetero não quer dizer incorrecto, pois não?

As palavras são coisas muito engraçadas.

Agora queria sugerir que olhassem a imagem que está ao cimo deste textinho; não sei se conseguem ler, na segunda linha, a palavra... bautisei (bom, eu explico: é um assento de baptismo de 1663, escrito por um pároco - supostamente com um mínimo de instrução - de uma freguesia do Norte de Portugal).

Muito mal se escrevia no Norte em 1663, não é? Felizmente, em Coimbra e em Lisboa havia pessoas muito cultas. Ortodoxas até mais não poder ser (normalmente, um bocadinho pedantes, adoravam falar latim); e ortografaram as palavras, ou seja, ensinaram-nos a escrever... tal como pronunciavam em Lisboa, e em Coimbra, as pessoas que adoravam falar latim. Ou seja, correctamente... baptismo, pois.

Quem duvida diga a um galego que pobo se escreve com v.

Coitado do pároco nortenho, labrego que era tão longe da capital. Coitados dos bárbaros da Europa: se tivesse havido um acordo ortográfico há mil e quinhentos anos, talvez ainda escrevêssemos todos em latim - ou pelo menos, todos da mesma maneira...

Quero dizer com isto, fique claro, que este acordo é excelente, uma vez que o português já está, por todo o lado, ortografado. Escreveremos tal como dizem que dizemos, ou como devíamos dizer. O pior é se não dissermos da mesma maneira, se formos labregos. Mas não culpem os políticos pela uniformização do mundo: a coisa começa nos professores, que disso o Estado os encarregou.

De raízes não sei. Mas abençoada seja, sempre, a diversidade insolente dos frutos.

Recado aos cépticos do AO, que me sacam o 'fair-play' quando falam na defesa da raiz da língua.

Aqueles que pensam ser donos da língua (preconceito?), precisam não esquecer que os africanos (no caso, árabes) tinham atravessado o mediterrâneo fixando-se na península ibérica, muito antes dos portugueses descobrirem África. E também que, a língua que hoje falamos é uma construção colectiva desde os tempos da colonização africana, romana, e posteriormente à medida que nos espalhámos no mundo e fomos assimilando palavras do japonês, do malaio, do quimbundo, do tupi, do bantu, etc.

Que alguém tente retirar do português as palavras árabes, e depois, por exemplo, se atreva a pedir café com açúcar (não vale usar o termo lisboeta de bica que, confesso, se trata de uma palavra de qualidade estética duvidosa e se refere a um café expresso), verá então a estrondosa vantagem de apresentar à nação uma alternativa viável ao incontornável vocábulo "incontornável"; a saber: "inignorável" do AO.

Mais exactamente, aproveito esta janela de oportunidade para solicitar um esclarecimento: o que tem a ver o AO com a raiz da língua, gaita?


Nota: Isto a propósito de conversas que vamos tendo por aí, e também de conversas que vamos lendo por “acoli”.

Línguas no Twitter




O grupo de pesquisa norte-americano Web Ecology, que mapeou uma amostra de 1 milhão de mensagens no site Twitter, indicou que a língua portuguesa é a segunda mais usada.

O inglês foi a língua utilizada em cerca de 62% das mensagens, enquanto o português foi a língua de cerca de 9,5% delas. A terceira língua identificada foi o japonês, com 6%; a quarta, o espanhol, com quase 3%.

Muito bem! Mas se vamos à pagina de definições do Twitter para escolher a língua que queremos utilizar, vamos ver estas opções:

Spanish-Español
English
French-Français
Japanese

E Português?

Que a malta do Twitter saiba que está na hora de colocar o português também!


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u627761.shtml

A língua portuguesa no Japão



Aqui está um artigo de uma japonesa sobre a língua portuguesa no Japão:

Desafio da língua portuguesa no Japão contemporâneo
Atsushi Ichinose
Universidade Sophia, Tóquio, Japão


O ano 2008 é um ano muito especial para as relações entre o Japão e o Brasil na medida em que se comemora o centenário da imigração japonesa para o Brasil. Este fenómeno migratório, embora com tantos sacrifícios e dificuldades, faz parte de histórias de sucesso na História de um país de imigrantes que é o Brasil.

Quando o Brasil sofria de agonizante situação económica na década de 80 do século passado (a chamada década perdida), o Japão, pelo contrário, usufruía do excelente resultado do desenvolvimento económico iniciado depois da Segunda Guerra Mundial. Esta situação contrastante desencadeou o fluxo migratório dos brasileiros de origem japonesa (os nikkeis) para trabalharem no país do sol nascente e da sua origem. Neste momento, encontram-se mais de 300 mil brasileiros a viver e trabalhar no Japão. Isto significa que há, neste país, mais de 300 mil falantes nativos da língua portuguesa.

Em Portugal, quando se discute a situação do português na Ásia, pensa-se logo em Timor-Leste. Não se deve esquecer, no entanto, de que há mais falantes do português no Japão que em Timor-Leste. É claro que o “regresso” ao Japão dos “nikkeis” não é isento de dificuldades e problemas, entre eles, sobretudo para as crianças brasileiras, a língua é uma das maiores barreiras na sua vida quotidiana. Embora no vocabulário japonês haja palavras de origem portuguesa como “botan” (botão) ou “kappa” (capa), este facto não ajuda muito na comunicação entre japoneses e brasileiros.

Uma das razões do sucesso da imiigração japonesa na sociedade brasileira é a vonade dos pais de oferecer o melhor ensino escolar aos seus filhos. Mas agora as crianças brasileiras de idade escolar no Japão são obrigadas a enfrentar obstáculos maiores, pois elas não têm habilidade suficiente da língua de ensino que é o japonês nem podem desenvolver a capacidade linguística da língua materna que é o português.

O resultado desta situação é o aumento de crianças com semi-literacia. Na realidade, como a sociedade japonesa ainda não está bem preparada para aceitar imigrantes estrangeiros, os seus direitos linguísticos não são suficientemente respeitados. O que é necessário e urgente é que se criem infra-estruturas para as crianças brasileiras aprenderem tanto português como japonês. No início do Século Vinte Um, impõe-se um grande desafio para o Japão se tornar uma sociedade aberta e multicultural. Ao mesmo tempo, o português deverá tentar ser um “membro” do mapa linguístico do Japão.


Fonte: Internet www.app.pt/RESUMOS-B/Ichinose-B.doc
NB: Artigo copiado tal como é publicado. Nada foi alterado.

Da língua portuguesa em Timor...

A língua portuguesa, "por uma questão de identidade, veio para ficar" no Timor Leste, onde cerca de 20% da população falam o idioma, informou nesta quinta-feira à Agência Lusa a nova embaixadora timorense em Portugal, Natália Carrascalão.
Em entrevista concedida na Cidade da Praia, onde entregou, na quarta-feira, a diplomata ressaltou que, apesar dos constrangimentos sofridos pelos timorenses durante a ocupação indonésia (1975/2002), o português "fazia parte" da população.
"A língua portuguesa veio para ficar, porque foi escolhida pelos líderes políticos da época, na sequência daquilo que a população queria. O português é uma língua de timorenses também. Quando escolhemos a nossa língua foi por uma questão de identidade. Fazia parte de nós", afirmou.
Atualmente, prosseguiu, as crianças já aprendem o português nas escolas, e os adultos com mais de 40 anos geralmente falam o idioma. "Muito rudimentarmente, mas falam".
"A forma de pormos a língua portuguesa a andar para a frente passa também pelo apoio, por exemplo, da RTP Internacional, que é muito vista no Timor Leste, que poderia começar a passar programas mais agradáveis para que aquela juventude comece a vê-la e ouvi-la", defendeu.
"Não quero estar a ser muito otimista, mas, se se percorrer Díli, já não deve haver ninguém que não saiba dizer algumas palavras em português. Posso ser muito otimista, mas acredito que pelo menos 20% da população já fale português", referiu.
Sobre a situação atual no Timor, Carrascalão afirmou que o país vive um momento de grande desenvolvimento e, em 2010, começarão a ser vistos os resultados da aposta nas infraestruturas rodoviárias, portuárias e aeroportuárias, que vão, paralelamente, permitir desenvolver o setor do turismo.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

25 de Novembro de 1975

25 de Novembro de 1975

«O 25 de Novembro, implicou algum esforço de contenção, superando-se as ameaças esquerdistas e o aproveitamento da direita e extrema-direita. Na altura, pensei que o 25 de Novembro era apenas uma manifestação de rebeldia por parte dos pára-quedistas. Agora, a posteriori, analisando as acções passadas e, sobretudo, as reuniões levadas a efeito para se fazer face a um golpe, parece-me pois que o 25 de Novembro, se não foi provocado, foi pelo menos muito facilitado por alguns grupos que pretendiam realmente a definição de situações e o afastamento de determinados elementos, não apenas militares, mas também políticos que, na altura, detinham uma certa preponderância.»

Do discurso do Presidente Francisco da Costa Gomes acerca do 25 de Novembro.

Notas ao "Império não-imperial"

1. Curiosíssima a declaração de Durão Barroso que podemos ver no post aqui . Não sou suspeito de ser barrosista, europeísta, ou de ter tido qualquer entusiasmo pela famosa fotografia dos Açores, e por isso estou completamente à vontade para falar.

2. Por mim vale a pena tomá-la a sério, até para ter uma base para confrontar os senhores da capital do império (Bruxelas?) com os resultados da sua política. Tomemos esta ideia a sério, e discutamo-la em abstracto (é o que há anos tem vindo a fazer o autor do post...); vejamos depois duas coisas que são diferentes dela - e diferentes entre si - que são (a) a de saber se a política dominante na União Europeia é ou não concretização e exemplo desta noção, e (b) se a ideia de um império não-imperial na Europa, em que Portugal se inclua e reveja, choca ou não com a comunidade a que o MIL se propõe, e que abrange parcelas de todos os continentes.

3. Vale também a pena pensar se é ou não verdadeiro o argumento que Barroso usou logo no princípio da sua resposta, e que é o da manifesta insuficiência dos Estados nacionais - dada a sua dimensão - para gerir os problemas globais que cada vez mais se nos colocam (clima e segurança foram os referidos, penso que há, obviamente, um outro da mesma dimensão a que o Presidente da Comissão se não quer referir - a devastação causada pelo descontrole mundial do capitalismo financeiro).

4. Esse argumento da insuficiência aplica-se, está bem de ver, a Estados com a dimensão da Bélgica ou da Hungria, e não (tanto) a colossos como a Rússia, o Brasil, o Canadá ou a Índia; poderíamos dizer que a nossa comunidade tem então o seu problema resolvido, pois dela fará parte o Brasil (digo mesmo mais: dela será elemento polarizador o Brasil) ou não será nunca coisa nenhuma. Falta saber se é mesmo assim, pois nem a Galiza nem a Guiné nem Timor, para dar três exemplos apenas, podem trocar de lugar geográfico com o Uruguai... e a segurança, a interdependência económica, o planeamento necessário para enfrentar as alterações climáticas, o comércio que não seja conduzido e gerido por multinacionais, etc etc, terão sempre como factor essencial a proximidade. Timor que o diga.

5. Poderá dizer-se também que esse argumento da dimensão é perigosíssimo, porque os países grandes são inevitavelmente ambiciosos e maus, e esse seria pois o destino da Europa... É terrível se isto for verdade, pois a nossa comunidade abrange pelo menos dois países grandes - o Brasil e Angola...

6. Finalmente, resta saber se, admitindo os 'impérios não-imperiais", é possível a alguém saber-se simultaneamente integrado em dois... sim, esta construção é a nave-mãe dos UFOS. Não vai ser fácil. Mas isso não é o mesmo que dizer que os OVNIS não existem...

Quer saber o que é o MIL?

Ainda (sublinhe-se o ainda) não aparece no Diário da História de Portugal, é certo.

Mas já aparece na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/MIL:_Movimento_Internacional_Lus%C3%B3fono

Já dos "milinhos" não reza(rá) a História...

A União Europeia não caminha para ser um «super-estado», porque é um «império não-imperial»

video
Conferência de Imprensa no Parlamento de Estrasburgo, Alsácia Francesa, 2007, EUX TV


Pergunta do jornalista: O que será a União Europeia no futuro? Será um super-estado?

Entre outras coisas (como considerar que, no quadro político contemporâneo, os estados-nação já não conseguem resolver sozinhos problemas globais nem a segurança), José Manuel Barroso, Presidente da Comissão Europeia, negou a ideia de super-estado e comparou a União Europeia a um império mas «um império não-imperial» e a «um objecto político não identificado» (humor com o conceito anglo-saxónico de UFO: OVNI). A meditar...


Pequena nota de humor político
A Alsácia (bem como a Lorena) sempre foi parte de disputa entre a Alemanha e a França, sendo pomo de discórdia e «mudança de mãos» em três guerras, terminadas em 1871, 1918 e 1945. Nesta região se têm localizado (ou deslocalizado) importantes organismos Comunitários, como simbolismo da paz e união europeias. Ressalve-se que a CEE surgiu no âmbito do desenvolvimento das consertações políticas europeias para evitar uma III Grande Guerra, tendo tido a França um papel crucial, receosa da Alemanha sua vizinha. Por enquanto, a nova Alemanha reunificada tem apoiado a posição francesa e a União Europeia...
A Língua Alsaciana pertence ao tronco das línguas germânicas e não é reconhecida pelo Estado Francês como língua oficial, apesar de ser permitido o seu ensino na instrução primária.
Estendendo-se numa planície com o rio Reno a Leste, numa faixa cujo comprimento é quatro vezes a sua largura, e com as montanhas dos Vosges a Oeste, a Alsácia, com o seu clima subcontinental de invernos frios e verões muito quentes, é um verdadeiro paraíso para qualquer bárbaro das neves; quase não há chuva, sendo a cidade de Colmar a segunda cidade mais seca da França, depois de Perpignan. A Alsácia é a mais pequena região da França, com 8.280 km² (1,5% do total do território francês) e cerca de 20.000 habitantes.

O Integralismo Lusitano

Lisboa, 7 de Abril de 1915

Os intelectuais ligados ao movimento Integralismo Lusitano promoveram uma série de conferências na Liga Naval Portuguesa sobre o tema A Questão Ibérica. O mentor do grupo, António Sardinha, defendeu a identidade portuguesa no conjunto peninsular. Esta posição é uma das traves-mestras do ideário integralista, monárquico, católico, inspirado em Charles Maurras, Bermanos e outros escritores da Action Française.
O integralismo visa integrar valores do passado colectivo nacional na nova ordem. Procura ligar o ancestral e o moderno. Na revista do movimento, Nação Portuguesa, fundada por António Sardinha, Alberto Monsaraz e Hipólito Raposo, têm colaborado José Adriano Pequito Rebelo, Francisco Vieira de Almeida, Luís Cabral Moncada, entre outras. À filosofia positivista, subjacente ao republicanismo, contrapõem os integralistas uma reflexão prospectiva do passado para construir o futuro.
Ao «verbo maldito» de Junqueiro que esperava o renascer da Pátria com o advento da República, opõem a revalorização de arquétipos históricos e a construção de uma monarquia, vivificada pelo espírito dos novos tempos.
O integralismo é uma reacção contra a anarquia e desperta a adesão de largas camadas da juventude.


In Diário da História de Portugal, de José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, p. 504.

«O escândalo» do Orpheu

Lisboa, 25 de Março de 1915

Está à venda o primeiro número da revista Orpheu (Janeiro-Fevereiro-Março) fundada por Luís de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Armando Cortes-Rodrigues, Alfredo Guisado, o brasileiro Ronald de Carvalho.
São jovens intelectuais cujas idades oscilam entre os 27 anos (Fernando Pessoa) e os 19 (António Ferro, o editor).
A revista, que nasceu nas tertúlias destes homens de letras, nos cafés Martinho e Irmãos Unidos, insere-se nas novas correntes estéticas futuristas e apresenta-se com um espírito provocatório e agressivo a que não é estranha a consciência da guerra que assola a Europa.
Santa-Rita Pintor e Mário de Sá-Carneiro têm transmitido de Paris as novidades dos meios de vanguarda literária e artística e são essas novidades, formalizadas agora em Orpheu, que escandalizam a sensibilidade e os critérios da pequena burguesia nacional e dos seus literatos tradicionalistas.

Desde a arrojada capa de J. Pacheko, aos novos signos gráficos (letras, grandes números), à distorção de ritmos, aos vocábulos insólitos, à intenção anti-saudosista, à exaltação febril das realidades que derivam da indústria e da máquina, tudo é «escandaloso».


In Diário da História de Portugal, de José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, p. 504.

Os nossos parabéns ao Miguel Real, membro do Conselho Consultivo do MIL...

Miguel Real vence Prémio Jacinto do Prado Coelho 2008

O livro "Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa", de Miguel Real e editado pela Quidnovi, foi o vencedor do Prémio Jacinto do Prado Coelho 2008, informou esta terça-feira a Associação Portuguesa dos Críticos Literários, que atribui o galardão.
Segundo Liberto Cruz, presidente da Associação Portuguesa dos Críticos Literários e membro do júri, ao lado de Manuel Frias Martins e Carlos Jorge Figueiredo Jorge, o livro de Miguel Real foi distinguido «pelas reflexões brilhantes e pela interpretação que o autor faz da obra produzida por Eduardo Lourenço entre 1949 e 1997».

Eduardo Lourenço figura entre os anteriores galardoados com o Prémio Jacinto do Prado Coelho, que é atribuído há mais de 20 anos e já coube também a Óscar Lopes, Vergílio Ferreira, António José Saraiva, José Gil, Carlos Reis e Maria Alzira Seixo, entre outros.

O galardão, que consagra as modalidades de ensaio, crítica, história da literatura e teoria da problemática literária, tem o valor pecuniário de 5000 euros e é patrocinado pela Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas.

O Prémio Jacinto do Prado Coelho 2008 será entregue a 15 de Dezembro, na Sociedade Portuguesa de Autores.

Lusa

Profissões na CPLP

Quando vim para o Brasil fiquei surpreendido com a quantidade de leis de convergência lusófona já existentes. Pensei para mim, por vezes queremos fazer coisas que já existem...

Com o tempo vi que na prática elas funcionam muito pouco. Ainda há muito para fazer. Falo de coisas a serem possíveis já...

Continuando português, mas obtendo o estatuto de equivalências de direitos civis e políticos, posso concorrer a praticamente todos os concursos e eleições que um brasileiro pode. Para além disso, mesmo sem adquirir este estatuto (que paradoxalmente é mais dificil que a naturalização em muitas circunstâncias) qualquer português pode concorrer a qualquer universidade estatal em igualdade de circunstâncias de qualquer brasileiro.

Inocência minha! Sim, mas eu aqui no Brasil sou equivalente a um brasileiro que tirou o curso no estrangeiro e tem de validar agora aqui no país. E eu que pensava que isso queria dizer que as equivalências eram automáticas...

Há 3 anos que estou tentando tirar equivalência da minha licenciatura em engenharia. Quanto tempo demorará para o doutorado? Ai minha FEUP, mais de 2 anos para tirar um mero certificado descritivo das cadeiras! É que já foi há muito tempo, dizem eles... E podem ter a certeza que telefono muitas vezes...

Para além de nos ineficientes serviços acadêmicos que não é novidade nenhuma, sempre foi assim..., todas estas peripécias me fizeram refletir no imenso trabalho que pode ser feito a nível da CPLP.

Não se poderia fazer um organismo que daria creditação às universidades a nível da CPLP. Uma ordem dos engenheiros da CPLP, uma ordem dos advogados, etc.? Não seria isto uma coisa fácil de fazer? Estarei a ser ingênuo mais uma vez? Não poderia o MIL fazer uma proposta oficial neste sentido, pelo menos no que respeita à primeira sugestão?

Cartografias da Memória: Sábado 28, no Museu do Trabalho Michel Giacometti




Nenhures

Imóveis, as casas de colmo negro esperam
Que o Outono desate os feixes que o Inverno
Há-de levar água abaixo. A geada, a ruína
De torres mortas paredes meias com o sonho
Não esmorecem a nobreza de antanho.
Na alba, os vivos e os mortos edificaram-nas
E uma estaca de gelo aponta o trilho
Ao viandante, mas também ao falcão.


Jesus Carlos

Wasteland, Ruela, 2009

Ovos de ouro

Anuncia o Jornal de Negócios (reportando-se ao gabinete do Ministro das Finanças) que não será no próximo ano (e duvidosamente nos próximos quatro) que passam a ser tributadas as "mais-valias mobiliárias", isto é - simplificando algumas coisas - que passa a ser cobrado imposto sobre aquilo que eu ganho se vender hoje, a cinquenta cêntimos cada, acções de uma empresa que me custaram um cêntimo cada há, por exemplo, dois anos atrás.

Como quase sempre, o nosso MF tem toda a razão em ser prudente: a razão (reafirmada aos jornalistas) é a de não estar feita a avaliação dos efeitos que tal medida teria na ''deslocalização de capitais'' - assim a modos que dizer: "os estrangeiros se calhar tiram de cá o dinheiro, e é um sarilho."

Dr. Santos, por favor fale com o seu colega dos Negócios Estrangeiros e veja se ele avança mais depressa com essa coisa da CPLP. Estaríamos muito mais tranquilos, e poderíamos talvez tributar sem consequências a actividade especulativa, se o dinheiro que sustenta a bolsa fosse... olhe, lusófono.

Ou reze para que as galinhas ganhem juízo, e passem a pôr ovos de ouro.

CAVem ele!

A discussão pública em Portugal sobre o TGV começou, como é entre nós hábito, mal. Começou logo pelo (mau) nome. TGV significa, para quem não saiba, “train de grand vitesse”. Por isso os espanhóis têm o seu AVE. E não é por serem marianos…

Nós, provincianos como somos, achámos que comboio de alta velocidade, para ser realmente de alta velocidade, só poderia ter um nome francês. Quando a sigla óbvia seria CAV. Mas adiante.

Depois, foi a profusão de linhas. A este respeito, uma constatação pessoal. Por razões várias, em particular por causa dos lançamentos da NOVA ÁGUIA, sou um cliente habitual do Alfa, sobretudo do troço Lisboa-Porto (e vice-versa, claro está). Da gare do Oriente até Campanhã, a viagem faz-se em pouco mais de 2h30. Mas isto porque há zonas em que o comboio quase que tem que parar, em virtude do mau estado da linha. E porque não se reparam esses pequenos troços? Precisamente para que a viagem não se faça ainda mais depressa. Pois que assim o CAV faria ainda menos sentido…

Tenho para mim que, quanto muito, se justifica uma ligação Lisboa-Madrid e Porto (ou Braga) – Vigo. Até porque o CAV só se justifica para médias distâncias (ou seja, no nosso caso, para distâncias à escala ibérica). Ninguém, por exemplo, irá de comboio, mesmo a alta velocidade, até Paris ou Bruxelas. Pour ça, il y a l’avion

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Língua: Parlamento guineense ratifica por unanimidade Acordo Ortográfico

Bissau, 24 Nov (Lusa) - Os deputados da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau ratificaram segunda-feira o acordo ortográfico de língua portuguesa por unanimidade, disse hoje à agência Lusa o deputado Augusto Olivais, do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Galinhas!

Para que a Europa pudesse de facto “falar a uma só voz”, teria que antes:
- Portugal abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países lusófonos;
- a Espanha abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países hispânicos;
- a Inglaterra abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países anglófonos;
- a França abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países francófonos;
- etc., etc., etc.

Ou seja, ter-se-ia antes que transformar os povos europeus em galinhas…

Então sim, poderíamos eleger um galo (o tal Presidente da Europa) que, finalmente, nos pusesse a “falar a uma só voz”.

P.S.: Só a partir desta premissa (óbvia) se podem construir efectivos consensos à escala europeia…

Peru?

Acompanhando a evolução do mundo, os jornais são cada vez mais surpreendentes. A edição online do Público de hoje, aqui, traz uma notícia intitulada "Falta vontade política para que a Europa fale a uma só voz, defende Felipe Gonzalez". Ia passar à frente, e por escrúpulo fui ler. Descubro com surpresa que o antigo Primeiro Ministro do reino de Espanha está em Lisboa, num "seminário" com o curioso tema "Portugal e Espanha: o que fazer em conjunto na Europa?"

Nada de novo na análise dos "desafios". Curioso é o nosso antigo Presidente da República Mário Soares, também presente, ser citado - e para terminar o artigo - como tendo afirmado que, com a "ibero-américa", Portugal e Espanha podem "pesar ainda mais na Europa".

É a vingança sobre Colombo e Magalhães: Minas do Peru, aí vou eu!

Ou é outra coisa?

E não é por causa da Manuela...


Se o problema é ferro, falem com este homem: Manuel Godinho, o inocente «rei da sucata»

Nos EUA, aperta-se a malha contra o dumping chinês e... defesa do neoproteccionismo

Já se sabia: um dos segredos para o sucesso comercial da China é o dumping. Muitos países escolheram não encarar esse problema de frente, preferindo ceder aos interesses dogmáticos do Neoliberalismo. Mas demais é demais, e muitos começam a perder a paciência para com as manobras de Pequim. Até nos EUA - os campeões do Neoliberalismo - se começam a suceder as nova tarifas alfandegárias. Agora, são as tarifas contra a importação de tubagens petrolíferas chineses, acusadas de estarem a ser exportadas a preços inferiores aos de produção, apenas com a intenção de destruir a indústria local de fabricação de componentes para poços de petróleo: uma indústria estratégica na atualidade e ainda mais nos tempos futuros.

Segundo fontes do Departamento do Comércio dos EUA, a China estaria a exportar estes tubos a apenas 99,14% do seu preço de custo! A China respondeu alegando "abuso de proteccionismo", ameaçando - bem ao estilo chinês - com retaliações... E dizendo que tomaria "medidas para proteger os interesses da sua indústria", impondo tarifas, já que este golpe de dumping terá falhado.

Recordemo-nos de que além das tubagens petrolíferas, há outras disputas semelhantes entre os EUA e a China, sempre em torno de dumping de preços... E que algo de semelhante também ocorre na Europa. A China tem conseguido fazer assentar a sua prosperidade em vários tipos de dumping, desde o dumping laboral (falta de direitos laborais e humanos), ao dumping ecológico (ausência de leis do ambiente) até ao clássico dumping comercial (vender a preços inferiores ao do custo). Estas manhas desleais estão na base do monstruoso excedente comercial chinês e a vagas crescentes de desemprego e desindustrialização no mundo. Só a reinstauração de um neoproteccionismo que reponhas taxas alfandegárias quando o país exportador não tenha regras ambientais, de emissões de carbono nem de direitos humanos e laborais, então esses desvios têm que ser compensados de forma a não destruir os equilíbrios exigidos pela sã concorrência - o elemento vital para a Economia. A isso chamamos de "neoproteccionismo": não uma reinstauração cega e sem critérios de barreiras alfandegárias, mas uma rede de mecanismos de correcção de disfunções que reponha a verdade nas relações comerciais entre os povos, sem as prejudicar, já que é das trocas justas e saudáveis entre os povos que brota a prosperidade saudável e duradoura.

Ler notícia: http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1408624

(Nasce) o Super-Homem judeu...

Bento de Espinoza
24 de Novembro de 1632, Amsterdão, Países Baixos – 21 de Fevereiro de 1677, Haia, Países Baixos

Nacionalidade:
Judeu/Português/Holandês

Grupos Aliados:
«Contumazes» Racionalistas Continentais
«Destructivos» Deterministas
«Perniciosos» Panteístas

AKA (também conhecido por):
Espinoza o Bulldozer
Espinoza o Rodopiador
Espinoza o Arremessador
Benedictus de Espinoza

Poderes:
Conhecimento do infinito intelecto de Deus
Invisibilidade

Fraquezas:
Método Geométrico
Excomunhão

Link: Toy Spinoza (no site cliquem em «back», vale a pena, e pode ser um instrumento pedagógico útil para quem se interesse pelo ensino da filosofia a crianças... disse filosofia, e não aquela «coisa ministerial» para formatar moralmente petizes ao rebanho «democrático»).

Prémio Revelação em Literatura Infantil e Juvenil Matilde Rosa Araújo

Era uma vez... um mundo

Um grupo de jovens finalistas do Secundário, um orientador, uma escola, muitos amigos e... o mundo. No mundo, do mundo e para o mundo, num misto de culturas, pensamentos, emoções e atitudes nasce uma vontade – mostrar que a tolerância facilita o diálogo.
A OLHA Edições tem a honra de anunciar que o seu primeiro livro "Era uma vez... Um mundo" foi agraciado com o Prémio Revelação em Literatura Infantil e Juvenil Matilde Rosa Araújo, para o qual se tinha candidatado no passado mês de Junho.
Este livro foi desenvolvido no Colégio Marista de Carcavelos, sob a coordenação do Professor António Coelho.
Em nome da OLHA, e como parceira do projecto, envio aos autores e co-autores o meu abraço de parabéns.

Paula Viotti
Directora da OLHA Edições


Nota pessoal: Este prémio, ou melhor, este reconhecimento obrigatório (e tudo o que é bom deve ser obrigatório, que ninguém se engane), para além de valorizar o trabalho de quem muito estimo, deve-nos satisfazer a todos por ser atribuído a um membro activo do MIL. Daquela estirpe marcada há muitos anos num calendário antigo: os que não regateiam esforços quando acreditam no valor das coisas, das pessoas, das ideias… e sempre prontas a repetir a faina no dia seguinte.

Como o futuro está num tempo desconhecido e só o presente se vive, obrigado, Paula! Parabéns, Paula!

Filipinas na CPLP???

Fiquei sabendo que o meu país, Filipinas, junto com outros países e regiões do mundo, está a pretender ser um membro associado da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP). A possível data de discussão sobre a adesão será na Cimeira da CPLP em Luanda, Angola em 2010.

Então, supostamente a razão é os laços históricos com a expedição do Fernão de Magalhães aqui nas Filipinas no ano 1521. Bom, cabe destacar que o Magalhães fez esta expedição em nome da Espanha. Muito bem, ele era português.

Humm, não é que estou contra mas acho engraçado só porque aqui actualmente é muito difícil procurar escolas e material para aprender o português (a minha própria experiência!!!!!!) e a única razão da adesão é porque Magalhães era de Portugal, hehe. Nem há Embaixada de Portugal em Manila. A embaixada portuguesa na Indonésia esta encarregada dos assuntos consulares dos filipinos ou dos portugueses que vivem nas Filipinas. Então? Ainda bem que é só para ser membro associado!

Mas aguardem que meto aqui um link interessante que contem algumas informações que não se aprendem nas escolas filipinas e vai expor que os primeiros europeus que chegaram nas Filipinas foram os portugueses:

http://en.wikipedia.org/wiki/First_Europeans_in_the_Philippines

Se for assim mesmo, será muito giro, não é!

Mas na verdade, torço muito até os ossos para este movimento e quero que meu país seja parte desta comunidade que eu adoro muito. Assim vamos ver se esta adesão vai trazer um pouco de mudança sobre a aprendizagem do português neste país. Será que mais universidades ou escolas vão oferecer aulas? Actualmente, a única instituição/universidade filipina que oferece curso de Português é a Universidade das Filipinas e como não sou estudante de lá não posso aproveitar disso. Mas cursos para os "foresteiros", não há? Sim, há. Mas só francês, espanhol e alemão! Faltam professores. Então, graças à Internet que consigo aprender esta língua por minha própria conta e chegar a este nível mesmo que tenho muito mais a aprender. Gostava de ensinar na Universidade mas como não aprendi português formalmente numa universidade, preciso de um certificado CAPLE ou CELPE-Bras e outra vez não há nenhum centro de exames aqui (apenas os em Portugal e outros fora das Filipinas) por isso terei de ir a Portugal (e gosto!!!) para fazer o exame e obter meu certificado. Quero também ter uma formação para ser professor.

Actualmente no mundo laboral filipino há uma demanda em crescimento para os que falam português por causa das empresas de BPO ou Terceirização dos Negócios. Muitos filipinos já estão a aprender espanhol e a concorrencia está a ficar mais competitiva neste âmbito e acho que aprender outras línguas como português ou línguas asiáticas como o coreano ou tailandés por exemplo é cada vez mais vantajoso em determinados segmentos laborais. Eu sei porque vivo esta experiência, hehe.

Bom, para mim, sendo lusófilo, já tenho sido "membro" da CPLP hã anos, hehe!

http://en.wikipedia.org/wiki/Community_of_Portuguese_Language_Countries

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

E por falar no Kadafi, uma notícia deliciosa (até para perceber melhor a notícia abaixo...)

O chefe de estado da Líbia aterrou ontem em Roma para participar no Fórum de Segurança Alimentar da FAO. No que era suposto ser uma “festa”, Kadafi aproveitou o momento para tentar converter 200 mulheres italianas ao islamismo com uma palestra de duas horas.
"Procura-se 500 raparigas atraentes com idades entre os 18 e os 35 anos, com pelo menos 1,70m de altura, e com boa apresentação". Este foi o anúncio colocado pela agência Hostessweb para conseguir angariar jovens para a chegada de Kadafi.
Foram 200 as raparigas que acabaram por aparecer e a quem lhes foi prometido o pagamento de 60 euros e "lembranças da Líbia". A maioria das jovens estava à espera de uma festa, mas afinal serviram para ficar à espera de Kadafi.
Após a chegada a Roma, Kadafi deu-lhes uma lição sobre a Líbia e sobre o papel da mulher no Islão. Ao fim de duas horas, Kadafi tentou convertê-las e ofereceu uma cópia do Corão a cada uma.
"Foi tudo menos a festa VIP de que estávamos à espera. Nem sequer nos deram um copo de água", afirmou uma das senhoras presentes, enquanto que outras revelaram-se ofendidas com alguns tópicos da lição de Kadafi.
Segundo o embaixador da Líbia, Kadafi pretende repetir a dose e fazer mais "festas" durante os próximos três dias do Fórum.

Não há "ajudas" grátis (II)

Líbia oferece viaturas, fardamento e promete doar geradores

O presidente da Líbia e da União Africana (UA), Muammar Khadafi, ofereceu à Guiné-Bissau quatro viaturas todo-o-terreno, 500 peças de fardamento, 250 pares de botas militares, fotocopiadoras, computadores, e anunciou o envio de dois grupos geradores.

Os materiais, transportados por um avião cargueiro, foram entregues hoje pelo secretário da embaixada Líbia, em Bissau, Hatim Bakar, ao secretário-geral da presidência guineense, Serifo Jakité.

"É mais um gesto de apoio da Líbia ao povo amigo da Guiné-Bissau, no âmbito dos excelentes laços de amizade existentes entre a Líbia e a Guiné-Bissau", declara Hatim Bakar. De acordo com este responsável da embaixada Líbia, "muito brevemente" chegarão à Guiné-Bissau dois grupos geradores "de grande potência com capacidade para iluminar toda a cidade de Bissau". "Não posso adiantar a potência técnica das máquinas, só sei dizer que têm a capacidade para dar electricidade para toda a capital", diz Bakar.

A falta de energia eléctrica é um dos problemas crónicos da Guiné-Bissau há mais de uma década.

O diplomata líbio frisa que todo o apoio que tem sido dado pelo seu país à Guiné-Bissau se destina a ajudar a estabilização e a resolução dos "problemas prementes".

O secretário-geral da presidência guineense, Serifo Jakité, por seu turno, diz que a oferta "testemunha a excelência das relações de amizade e de cooperação entre a Guiné-Bissau e a Líbia".

As ofertas de Muammar Khadafi chegam a Bissau 48 horas após uma visita que o presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, efectuou à Líbia, e que terminou sexta-feira.

A Líbia é um dos principais fornecedores de ajudas às Forças Armadas guineenses, nomeadamente com viaturas, géneros alimentícios e meios logísticos.

No passado mês de Abril entregou às Forças Armadas guineenses 14 viaturas topo de gama, distribuídos aos chefes militares do país.

Não há "ajudas" grátis (I)

Americanos do FBI vão ajudar Guiné-Bissau
por LUSA

Os EUA estão preocupados com o crime organizado e querem dar uma ajuda na investigação das mortes de Nino Vieira e Tagmé Na Waié.
O FBI vai enviar à Guiné-Bissau um investigador judicial para ajudar as autoridades guineenses no inquérito aos assassínios do presidente Nino Vieira e do ex-chefe das Forças Armadas Tagmé Na Waié, anunciou a Procuradoria-Geral da República guineense. A disponibilidade da polícia federal americana foi manifestada na quarta-feira pelo chefe da delegação do FBI para a África Ocidental, Thomas Relford.O responsável do FBI encontrou-se em Bissau com o novo procurador guineense para fazer um ponto da situação em relação ao crime organizado, o narcotráfico e o branqueamento de capitais na África ocidental. Na reunião entre Amine Saad e Thomas Relford estiveram presentes elementos do Comando Americano para África (AFRICOM).Nino Vieira e Tagmé Na Waié foram ambos mortos nos dias 1 e 2 de Março, respectivamente, em circunstâncias ainda por esclarecer.Falando sobre as dificuldades de lutar contra o crime organizado, o Procurador-Geral da Guiné-Bissau disse que as novas autoridades políticas do país, designadamente o Presidente Malam Bacai Sanhá, "estão empenhadas em inverter a situação, restituindo a dignidade ao país".Em relação aos assassínios de Nino Vieira e de Tagmé Na Waié, o novo procurador guineense garantiu aos responsáveis americanos a sua determinação em descobrir a verdade. No plano da ajuda externa à Guiné-Bissau, os representantes da União Africana, União Europeia e ONU no país reuniram-se na quarta-feira com o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, a quem transmitiram a disponibilidade de ajudar, mas pedindo que se acelerem as reformas.À saída de um encontro com o primeiro-ministro guineense, os representantes das Nações Unidas, Joseph Mutaboba, e da União Europeia, Franco Nulli, explicaram que foram transmitir a Carlos Gomes Júnior a preocupação da comunidade internacional em relação aos atrasos do governo na aplicação de medidas para a reforma do sector da Defesa."A comunidade internacional está pronta [para avançar com os apoios] mas aguarda que todo o trabalho que já foi feito possa ser rapidamente discutido em conselho de ministros e aprovado", disse Franco Nulli.

Porque neste país de nome Portugal temos de ser nós a buscar a informação toda, uma vez que raramente nos é fornecida devidamente

Foi publicado em Diário da República o direito de acompanhamento dos utentes dos serviços de urgência no Serviço Nacional de Saúde.

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/07/13400/0446704467.pdf

Uma aberração…

A classe política portuguesa é particularmente inculta. E isso vê-se, também, no respeito (leia-se: subserviência) que tem em relação aos “artistas”. Sobretudo no poder local: e daí a multiplicação de aberrações que têm conspurcado a nossa paisagem…
O último grande exemplo é esta “Igreja”, que está já a ser construída na zona do Restelo, em Lisboa. O projecto passou, sucessivamente, pelo João Soares, pelo Santana Lopes e, agora, pelo António Costa. Pois bem, nenhum deles teve a coragem para dizer ao arquitecto (Troufa Real) o óbvio: “O seu projecto é uma aberração”.
Sabem porquê? Medo! Há sempre um palerma (leia-se: crítico) pronto a legitimar o aberrante (é essa, de resto, a função dos críticos). E a jurar que a alegada “obra de arte” é mesmo uma obra de arte. E os nossos políticos, incultos como são, engolem: “Bom, se o Senhor Doutor o diz, quem sou eu para o contrariar”.
Depois, há a questão da liberdade. Para mais, da liberdade artística. E ai de quem se atreva a colocar-lhe entraves. No mínimo, é acusado de salazarista…

Agostinho da Silva: in "Um Fernando Pessoa"

“O primeiro Portugal foi o Portugal continental, o da defesa contra a Espanha, ou melhor, contra Castela, e, porventura, sobretudo, o Portugal da velha unidade galaico-portuguesa, o Portugal lírico e guerreiro das cantigas de amigo e das velhas trovas do cancioneiro popular; nele estiveram as raízes mais profundas da nacionalidade e nele sempre residiram as inabaláveis bases daquele religioso amor da liberdade que caracteriza Portugal como grei política (…).”.

“Terminada, porém, a fase de expansão, outro Portugal entrou em jogo e muito mais adaptado à sua tarefa do que o Portugal do Norte, demasiado rígido para as aventuras da miscigenação, da tessitura económica e do nomadismo que não conhece limites, e, no entanto, firmaria fronteiras (…).”


“[Finalmente, o terceiro Portugal] É um Portugal que não tem seu centro em parte alguma e cuja periferia será marcada pela expansão de sua língua e da sua cultura de Pax in excelsis que ela levar consigo (…): [é] o Portugal da Hora, o Portugal de Bandarra, de Vieira e da Mensagem (…).”

Milhafre – apontamentos do corvo

1. Visita diária ao Milhafre: coisas novas lá estão, tanta coisa a dizer. Tanta coisa a fazer. Releio o texto de Pessoa, lembro-me dessa edição de 1979 do Sobre Portugal - li-a na altura, tanto tempo parece ter passado. Se calhar tanto tempo passou: "... o português que o não é (...) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa (...)". Era decerto assim em 1920, ainda era um pouco assim quando pela primeira vez li essas linhas. Hoje, o português que o não é refez o país à sua imagem. Por isso já nem sequer governa, e pouca gente dá por isso. O deserto basta-se a si próprio.

2. Só, incessante, um som de flauta chora... se nos não guiar a voz dos poetas, a voz funda e nocturna dos poetas, quem nos dirá de caminhos a andar? E no entanto - ou por isso mesmo - o nosso trabalho passa e depende das coisas pequenas. Assim a viagem grande das naus, que se ergue dos marujos e da firmeza simples das cordas.

3. África (Bahia?) uma imagem e um anúncio breve da Miriam. A imagem, forte, fica por detrás do texto que o Clavis aqui deixou: economia de serviços, agricultura, falsa riqueza, destruição de um país. Tenho que voltar a isto. Questão fundamental, por detrás também de todas as outras: como orientar a viragem? Os nossos primeiros marinheiros aprenderam que regressar não é apenas voltar para trás. Soubemos, ou souberam os europeus por nós, acumular montanhas de oiro que se transformaram em fábricas que se transformam agora em coisa nenhuma. E é verdade que o interior está deserto, que a terra é precisa, que o artesão dá às coisas um sabor que é feito de vida e água. Mas quantos de nós quererão mesmo embarcar? Dizem-me que a D. João II não faltavam capitães - como arranjavam eles os grumetes e os remadores? Talvez em cada um de nós haja um Gama, um Nicolau Coelho: ai de nós se não houver, ai dos marinheiros do mar. Pois já não estamos no princípio do mundo.

4. A mesma questão no manifesto do vale do Tua que o António José Borges nos traz. E preferirei sempre as coisas concretas, eu que não sou um activista, um engagé (como se dirá isto em Novi-americano?). Deveríamos talvez ser a rede de todas as redes, o lugar de todos os lugares. Hoje no Público, o Ribeiro Telles falava nas árvores - uma a uma. Há um texto magnífico do Saint-Exupéry sobre a concentração do carpinteiro na sua tábua - lugar e fundamento do navio.

5. Não conheci o Agostinho da Silva. Mas conheci alguns "proscritos desta merda toda". Como o lobo das estepes do Herman Hesse, são eles que guardam as portas da cidade adormecida. Sim, Klatuu, os efeitos da palavra e da viagem e da aliança são incomensuráveis.

6. A Europa é provisória, o Ocidente é eterno. O lugar de Portugal na Europa - e o lugar da Europa em Portugal - serão ainda um pretexto para MIL conversas. Aqui o nómada serei eu, exílio voluntário e companhia ao rei encoberto. Mas fica-me uma questão mais ou menos colocada num comentário, "o que é ser Europeu?". Pela minha janela olho a noite lisboeta. Europeu é aquele cuja pátria é feita de pedra e de madeira, e da lei que é a pedra e o fundamento e que não é palavra eterna de um deus nem capricho fácil de um homem. Aquele cuja pátria está nas palavras deixa-me triste o Outono, ou era uma vez uma princesinha, ou partiu à aventura, e o mar. Ser europeu é sentir o vazio da Europa-das-coisas.

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal


Dom Sebastião, Cristovão de Morais, 1571, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa. A representação do Rei vestido com armadura e acompanhado por um galgo retomam simbolicamente a imagética imperial do seu bisavô Dom Manuel I e do seu avô Carlos V da Alemanha.


Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a família se não extinguisse.
Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial – de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação – a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.


Fernando Pessoa, Sobre Portugal – Introdução ao Problema Nacional, recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão, introdução organizada por Joel Serrão, Lisboa, Ática, 1979, p. 6.

Carta que nos chegou...

Bom dia.

Gostaria de parabenizar pelo novo, bem organizado blog. A riqueza do conteúdo também é estimável.

Já tivemos um primeiro contato com o MIL através do Blog Nova Águia, onde divulgamos o nosso trabalho também em defesa a Língua Portuguesa e todos os países que falam a nossa Língua. O Blog www.revistalusofonia.wordpress.com conta com colaboradores de diversos paises e diferentes formações. Doutores de renomes, como o Advogado Ives Gandra da Silva Martins, o Jornalista e Prof. Universitário João Alves das Neves, Drª. Regina Anacleto, Drª Maria Beatriz Alcântara entre outros. Nesse sentido colocamos o conteúdo do nosso blog a disposição do MIL e contamos com futuros intercâmbios.

Abraços.

Fabiola Nese

O Imperador

Ao Longe os Barcos de Flores

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
– Perdida voz que de entre as mais se exila,
– Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...


Camilo Pessanha

Camilo Pessanha na Gruta de Camões, Casa de Fotografia Yung Fong, Macau, 1921


É a meio da noite amarelada, húmida e miasmática, a coberto de olhares, que os jovens aprendizes de advocacia chinas se dirigem a casa do branco de barba comprida a pedir-lhe esclarecimento, quiçá convívio; para os orientais a desgraça, ainda por mais a do ópio, é um opróbio social pior que a lepra, mas aquele senhor é uma inteligência admirável, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, poucos no território de Macau sabem tanto das leis do colonizador como ele, e não menos fundo é o seu conhecimento da sociedade macaense. Este acabado professor de filosofia do Liceu de Macau, ex juíz de comarca, que escreve versos incompreensíveis, vive agora os seus dias sem sair do leito, o veneno sempre ao lado, numa bandeja, debaixo da cama, onde a sua governanta e concubina chinesa lhe prepara o ópio diário e nocturno. Quem o procura, chega e assiste ao ritual. Como é estranho este Português vencido pelo inferno das ásias, o seu intelecto é rápido na resposta, mas evolui segundo as regras dos países oníricos, agarra num pau de fósforo que molha no tinteiro e assim escreve o que precisa, ou assina aquilo que as exigências de ainda estar vivo o obrigam. Há muito que já só usa o pau de fósforo, magro, distante, bisonho que se abria num sorriso luminoso cada vez que o interpelavam, era visto pelos seus alunos como uma criatura de outro mundo, um mundo impossível chamado Império Português do Sonho.
Morreu discretamente em Macau, no dia 1 de Março de 1926, em silêncio, devorado pelo ópio. Viveu como uma sombra e morreu como uma sombra. Escreveu os poemas mais originais e belos de toda a literatura de língua portuguesa. Escreveu pouco. Nada fez para que a sua obra fosse publicada, escrevia em folhas soltas, que perdia, que oferecia aos amigos e amigas, não guardava cópias, mas sabia todos os seus poemas de memória. Viveu num tempo ido, coberto hoje de vã glória e ressentimento estúpido, num tempo ido chamado Portugal.

K. N.


«Lembro-me de o ver chegar de Coimbra. Não sei agora se já estava formado ou não. Suponho que nessa altura andava a rondar a casa dos 30. Era bem apessoado. Tinha um ar triste mas era alegre. À noite passava muito tempo junto à lareira. Era onde a família se reunia. Ele deitava-se no chão e recitava versos. Fazia-o tão bem! Por essas alturas escreveu alguns mas logo os rasgava. Parece que os escrevia só para os decorar e depois fazia o papel em pedaços.»

Germano Silva, Jornal de Notícias, 14 de Setembro de 1967 – in Homenagem a Camilo Pessanha, org., prefácio e notas de Daniel Pires, IPOR, Instituto Cultural de Macau, 1990, pág. 88.

Mamma África!

Exposição Internacional
Bahia/Benin
Está Vivo Ainda Lá
Ancestralidade e Contemporaneidade
De 20 de Novembro a 3 de Janeiro
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira
Entrada Gratuita

Sobre a metade de azeite que importamos e da reorientação da economia

http://www.saudelar.com/

Portugal tem desde a Idade Média como exportação tradicional o azeite. Certo? Errado. Quase metade do azeite consumido em Espanha é importado de Espanha. Com efeito, a cada ano quase 50 mil toneladas de azeite espanhol atravessam a fronteira, totalizando mais de 285 milhões de euros à nosso crónico défice comercial. A produção tem subido mas a federação de produtores FENAZEITE diz que ao ritmo atual ainda faltam uns bons quatro anos para atingir a auto-suficiência. É claro que este é um "wishful thinking", supondo que nada se radical se altera no mercado, que os espanhóis não incrementam ainda mais a sua conhecida táctica de "dumping" comercial e que o governo não decide vender a Bruxelas a troco de subsídios como os que premiaram a destruição da nossa frota pesqueira (a favor da espanhola) ou o arranque de vinha (a favor da produção francesa). Portugal tem que regressar aos princípios fisiocráticos que determinavam que era na riqueza produzida nos campos que residia a riqueza e prosperidade das nações, e nas produções em que os nossos solos são especialmente favoráveis, como os frutos secos, as hortaliças, os vegetais, a vinha, o azeite ou a madeira, devem acontecer uma verdadeira aposta estratégica, desviando o país do rumo para uma estéril e improdutiva "economia de Serviços" delineada no apogeu do funesto "Cavaquismo" dos anos 90 e que nos custou a evaporação da maioria da malha industrial e a secundarização do setor agrícola.

Há atualmente uma alta dos preços da maioria dos bens alimentares. Esta tendência, com a continuada explosão demográfica, é para ficar e num país que importa dois terços dos alimentos que consome, pode representar a bancarrota ou a prosperidade, consoante nos tornemos em importadores ou exportadores. Ao contrário do que é propalado, temos bons solos, mas estão hoje selvaticamente ocupados por construções imobiliárias de baixa ou nula qualidade. Redesenhemos a esquadria da nossa geografia humana, redistribuindo a população pelo interior quase ermado e economicamente desertificado, priorizaremos a agricultura sobre o setor terciário, dominado pela Banca e pelos Seguros, que nada produzem além de escândalos financeiros, honorários faraónicos e lucros babilónicos. Tornemo-nos auto-suficientes onde tal for economicamente possível, exportemos aquilo que for exportável (como o azeite, cuja metade do consumo hoje importamos) e importemos de nações amigas - como o Brasil - aquilo que não é rentável produzir internamente.

Em suma, reorientemos o país para a Produção e deixemos o Consumo a quem o pode pagar, aderindo aos princípios da frugalidade e da razoabilidade da "pegada de consumo" que a Banca nos fez crer como essenciais a uma "vida feliz", mas que na verdade apenas serviu para criar défices externos cumulativos e incomportáveis em torno de um crescimento não-sustentado para o setor financeiro, que a prazo, e pela via do crédito malparado o há também fazer sucumbir.


Fonte: http://aeiou.expresso.pt/azeite-metade-do-que-portugal-consome-vem-de-espanha=f546293

Uma boa causa

*Manifesto pela Preservação do Património do Vale do Tua*
URL: www.peticao.com.pt/vale-do-tua

O Nordeste Transmontano tem vindo a perder população a um ritmo assustador. Uma situação que decorre do abandono ao qual a região tem sido votado pelo Poder Central e para a qual também contribuiu a decisão de encerrar, nos últimos 20 anos, cerca de 300 Km de via férrea, com promessas de desenvolvimento através de estradas como o IP4. O resultado ruinoso significou a atrofia das trocas comerciais, agravamento nos custos de transporte, obrigando pessoas e serviços a abandonarem a região.

A construção da Barragem na Foz do Tua irá agravar esta situação de isolamento, cortando a ligação desta região à rede ferroviária nacional e será mais um atentado ás potencialidades da região. A Barragem inundará uma vasta área do Vale do Tua e cerca de 17 km da Linha Férrea do Tua, obra prima do património ferroviário português e peças inseparáveis da memoria colectiva e da identidade do povo transmontano e parte integrante do Património da Humanidade do Alto Douro Vinhateiro classificado pela UNESCO.

*A - Quais as razões para dizer não à construção da barragem de Foz-Tua e sim à requalificação da linha ferroviária do Tua?*

1- A Barragem de Foz-Tua irá aumentar a produção de energia eléctrica do País em 0,5%, um contributo irrelevante ao nível nacional, quando apenas 23% da energia consumida é electricidade.

2- No total, as 12 novas barragens, apenas vão produzir entre 2% a 3% do total de consumos energéticos. A mesma percentagem seria obtida se houvesse um plano de poupança e eficiência energética.

3- O Ministério do Ambiente não fala no CO2 e óxido nitroso que as barragens produzem nas águas paradas com decomposição de matéria orgânica e na produção de metano 20 vezes pior do que o CO2 para o efeito de estufa e que terão consequências directas na qualidade da água.

4- As compensações financeiras que a EDP propõe não se podem substituir às inúmeras actividades ribeirinhas, à identidade e unicidade dos vales do Douro e Tua que se perdem e às extensas áreas demarcadas de Classe A e B de Vinho do Porto, que em zona classificada de Património Mundial desaparecem para sempre.

5- Acena-se às populações e aos autarcas com promessas de criação de emprego e de grande desenvolvimento, designadamente turístico, mas a verdade é que após o período inicial da construção da barragem, em que são criados postos de trabalho, muitas vezes precários e fora da região, segue-se um período estagnação económica e social.

6- Os concelhos transmontanos que já viram território seu inundado, estão entre aqueles que conheceram maior processo de despovoamento e desertificação. Miranda do Douro, concelho com duas barragens, não recebe em contrapartidas o suficiente para pagar a própria iluminação pública do concelho.

7- O turismo e a agricultura são duas actividades não deslocalizáveis e de alto valor acrescentado, que a região não pode perder; caso contrário, toda a aquela zona do país ficará mais pobre.

*B - Propostas para um Futuro Sustentável do Vale e Linha do Tua*

1- Levantamento total da via: reforço da plataforma e das suas condições de drenagem, introdução de mecanismos activos e passivos de detecção/prevenção de deslizamento de terras para a via.

2 – Introduzir comboios turísticos com carruagens mistas (abertas ao ar livre e fechadas com ar condicionado), recorrendo às carruagens históricas “Napolitanas” de Via Estreita e demais material ainda em posse da CP em articulação com os actuais comboios turísticos da Linha do Douro.

3 – Implementação de vagões especialmente adaptados ao transporte de bicicletas e embarcações para a prática de desportos de águas bravas. Ex: praticantes de canoagem fazem a descida rio Tua e depois as canoas seriam transportadas para Mirandela nos vagões do comboio e vice-versa.

4 – Aproveitamento de espaços das estações para áreas comerciais/culturais, espaços esses, onde os produtos regionais fossem vendidos aos passageiros, com ganhos imediatos para freguesias e populações locais.

5 – Concepção de um projecto multi-municipal e transfronteiriço de reabertura do troço Carvalhais – Bragança e prolongamento da Linha do Tua de Bragança a Puebla de Sanábria, candidatável a fundos comunitários, para conexão ferroviária entre a futura rede transeuropeia de Alta Velocidade.

6 - Integrar o turismo ferroviário do Tua na plataforma de sucesso do turismo fluvial do Rio Douro. Ex: Saída dos turistas do Porto no sábado de manhã de barco pelo Rio Douro. Transbordo em Foz Tua para o comboio até Mirandela. Pernoita na região do vale do Tua. Regresso no dia seguinte. Todos ganham, mas mais importante, ganha a região.

7– Candidatar a da Linha do Tua a Património Mundial.

*Conclusão*

Trás-os-Montes está perante três novas realidades estruturantes: a futura rede ferroviária espanhola, o futuro aeroporto de Bragança, e o turismo no Douro. Nos próximos anos, Madrid vai estar a 1 hora e 40 minutos da Puebla de Sanábria, a apenas 30km de Bragança. Está também previsto o reatamento da ligação ferroviária do Porto a Salamanca via Linha do Douro, a qual abrirá uma porta directa do Douro à Espanha, aumentando de forma exponencial o potencial de atracção de visitantes. Desta forma, a Linha do Tua poderia estruturar o território ao unir a Alta Velocidade em Puebla de Sanábria à Linha do Douro, efectuando o transporte de passageiros e mercadorias e promovendo o turismo ferroviário. Se for cortado o acesso à Linha do Douro, devido à barragem, todas estas potencialidades serão perdidas.

É inaceitável condenar a região transmontana a prescindir da sua riqueza em nome de um negócio de bens não transaccionáveis – a energia eléctrica - bom para a empresa e para a faixa litoral mas mau para a região interior transmontana.

O país deve dar aos transmontanos oportunidades de desenvolvimento do seu próprio território e de articulação de interesse mutuo com outras regiões. Não percamos a esperança.

*Destinatário:* Este Manifesto seguirá para o Ministério do Ambiente, Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Ministério da Economia e Primeiro-Ministro de Portugal.

Memória de nada estar separado...

Se bem me lembro, e julgo lembrar-me bem, o Pedro Feijão foi a mais jovem «vítima» do Agostinho da Silva: quando começou a aparecer não teria mais que 15 anos. O Feijãozinho de cabelitos louros ao vento, o «ciganito hippie» que adorava o Agostinho («ele é como nós, um proscrito desta merda toda»), sempre a desenhar os seus bonecos, sempre com uma palavra-flor na ponta do sorriso, sempre fugido de casa, que, hoje com 37 anos, já viajou mais que todos nós juntos. Sempre sem lugar, sempre com a tenda às costas, sempre intranquilo, como Galahad.
As almas que Agostinho da Silva tocou são incontáveis – e os efeitos desse toque, incomensuráveis...
(Não lerás isto, não tens computador, os sites são os amigos que te os fazem – não tens nem queres ter muitas outras coisas do ter; nem ser o grande pintor que és tens querido ser – mas) um grande, grande abraço, Pedro.



Auto-retrato, Pedro Feijão, s/d


Woodstock, Pedro Feijão, Nova Iorque, 1999

domingo, 22 de Novembro de 2009

Europa versus União Europeia

Para o Casimiro (não é que eu tenha enfiado a carapuça…)

A Europa existe enquanto espaço civilizacional e todos nós portugueses somos, para o bem e para o mal, europeus. Tenhamos ou não consciência disso. Eu, pessoalmente, tive a aguda consciência disso quando, há uns anos, estive no Brasil. Aí percebi que a minha condição lusófona é inevitavelmente compatível com a minha condição de europeu…

A União Europeia é outra história. Foi fundada ainda no rescaldo da II Guerra Mundial, com claros vencedores e vencidos – em particular, a Alemanha, condenada à pena perpétua de nunca mais defender os seus interesses…

Durante décadas, assim foi. E por isso foi a União Europeia generosamente financiada pela Alemanha, que suportou até, resignadamente, a suprema humilhação de se manter dividida. Sabe-se hoje, de resto, que, na véspera da queda do Muro de Berlim, a França (Miterrand) e a Grã-Bretanha (Teatcher) tudo fizeram para que o Muro não caísse. E não foi, decerto, por militância comunista, apesar, no caso de Miterrand, do seu gosto pelas frentes populares…

Na História, pelo menos, não há penas perpétuas. E por isso naturalmente a Alemanha começou a pôr de novo os seus interesses nacionais à frente dos alegados interesses europeus. Foi já assim com Schroeder, é ainda mais claramente assim com Merkel…

Fá-lo, para escândalo do sempre hipócrita politicamente correcto, com toda a legitimidade. Os governos são eleitos, antes de mais, para defenderem os interesses da sua nação. E por isso sorrio sempre quando, nalguns noticiários, se diz, com ar de denúncia, que “x esteve sobretudo preocupado a defender os seus interesses nacionais”. E é claro que “x” nunca é português. Antes fosse. Talvez estivéssemos agora um pouco menos mal…

Também a isto se assistiu na recente eleição do Presidente permanente do Conselho Europeu. Com toda a naturalidade. No dia em que quiser, de facto, acabar com os interesses nacionais, a União Europeia acaba de vez. O resto é mera retórica para entreter palermas…

Vê-se isso, em particular, na política externa de cada país. Em muito casos, é efectivamente impossível falar de uma política externa europeia. Há quem o lamente. Eu, ao invés, penso que essa é a grande força da Europa…

Da Europa. Não da União Europeia…

Faz hoje 512 anos...


A 22 de Novembro de 1497, Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança, na procura de um caminho marítimo para a Índia.

Vasco da Gama, António Manuel da Fonseca, 1838

Europa

Portugal faz parte da Europa, embora pudesse, teoricamente, não fazer parte da União Europeia. É lastimável que entre nós cada vez mais se confundam as duas coisas. É também lastimável que entre nós se finja não perceber que, se Portugal não fizesse parte da União Europeia, não faria parte da Zona Euro - o que, no ano passado, teria tido as lindas consequências que teve para a Islândia (a falência, recorde-se aos distraídos), com o provável efeito multiplicador que a tradição de péssima gestão e desorganização crónica dos nossos 'dirigentes' politicos e financeiros haveria de trazer. Talvez alguém se lembre do que estava a ser a patética evolução do escudo (e da inflação) nos anos que precederam 2002.

(e por favor não me venham falar da estabilidade financeira do Salazar. O mundo mudou entre 1971 e 1973, os tempos do 'choque petrolífero', tanto como mudou Portugal em 1974. Alguns sonhadores costumam falar do que seria Angola sob administração portuguesa, ao lado de uma África do Sul branca e invencível. Claro. Outros sonhadores não vêem diferença entre o mundo que assistiu ao Maio de 68 em Paris e o mundo que Reagan encontrou e geriu.)

Fazer parte da Europa significa, hoje, muito mais do que alguma vez historicamente significou - e fazer parte da Ibéria também. Significa, hoje, uma coisa que os políticos portugueses nunca quiseram desde os tristes tempos do liberalismo, e de que os intelectuais portugueses tendem a fugir como o diabo da cruz: responsabilidade. Responsabilidade para decidir quando é tempo de decidir sozinho, para dialogar e partilhar decisões quando é hora de decidir em conjunto. Para voar de falcão e para voar de coruja, como sabiamente recomendava D. João II, talvez o maior político que a família real portuguesa alguma vez gerou (o que não quer dizer que tenha sido o maior dos nossos reis). Responsabilidade que não seja a da conversa da treta de quem não tem lugar no governo ou o autismo de quem tem. Responsabilidade (e eficácia) que está, mal ou bem, no melhor que a tradição europeia inventou. Às vezes chama-se a isso democracia, em prejuízo do significado original desta duvidosa palavra.

Como quase sempre, o problema tem duas faces.

Por um lado, há oitocentos, há quatrocentos ou ainda há cem anos, desde que Castela nos não invadisse e a pudéssemos atravessar por terra ou costear por barco a caminho dos mares do Norte ou do Mediterrâneo, nada mais era preciso e tudo estava bem. Hoje, obviamente, não é assim. A construção de uma central nuclear em Espanha (ou em França), a preciosa água do Tejo e do Douro (que não são rios nacionais), a chegada de gás natural vinda da Argélia ou da Rússia, a posição de princípio e a actuação prática face aos imigrantes e aos refugiados, que cada vez mais são multidão, o permanente agudizar da catástrofe étnica, social, militar e política no agora chamado Médio Oriente, as redes cada vez mais complexas de dependência alimentar, económica, financeira (não confundir com a económica), a insuportável transformação mundial das relações de trabalho do último capitalismo traduzidas por um exército de trabalhadores precários ao serviço de empresas anónimas e nómadas, o colapso da estrutura industrial 'pesada' que fez nascer o século XX, as perturbações climáticas (de origem humana ou não), a mercantilização brutal de todas as esferas da vida, a inacreditável intervenção dos 'poderes públicos' na mais insignificante decisão individual, tudo isso faz com com que o desinteresse ou o cinismo (sincero ou cinico) em relação ao destino e ao lugar dos europeus - e dos portugueses entre eles - não mereça ser visto como muito mais do que traquinice infantil ou mais ou menos compreensível amuo.

Por outro lado, é certo que a Europa - a da união política - nasceu mal, e mal continua. Nasceu entre países devastados pela guerra; militar, económica e politicamente dependentes de uma potência - os Estados Unidos - e aterrorizados, e com razão, com outra - a União Soviética. Nasceu sem explicar ao que vinha, o que queria, o que arrastaria consigo. Nasceu como salvadora e guardiã de um capitalismo em que ainda era possivel acreditar, e com a confiança de quem ainda dispunha de vastas extensões do mundo como colónias abertas ou disfarçadas. Nasceu e gerou a mais inacreditável burocracia que alguma vez se viu a Oeste de Berlim, ao pé de quem Napoleão não passa de um pândego e Bismarck não passa de um folião. Nasceu, cresceu e está aí - para nosso bem e nosso mal, como o mundo todo está desde a fundação do mundo.

Deixarei para outros textos três coisas: a responsabilidade que Portugal quis ter, enquanto pôde ter, nos negócios comuns da Europa; as vias e transvias do famoso destino atlântico de Portugal; o lugar da Europa num mundo cada vez mais feito de BRIC, e de bric-a-brac.

Europa, Bélgica e Portugal...

Só os Estados ricos se podem dar ao luxo alegadamente anarquista (na verdade, burguês) de dispensarem Governos. Ao invés, quanto mais pobre é o Estado, mais necessário é o Governo. Ainda que, obviamente, um mau Governo agrave ainda mais a situação…

Vem isto a propósito da recente eleição de Herman Van Rompuy para Presidente permanente do Conselho Europeu, um cargo criado no Tratado de Lisboa para termos finalmente um “Presidente da Europa”, alguém que pudesse falar, de igual para igual, com os Presidentes do E.U.A., China, Rússia, etc.

Entra pelos olhos dentro que a eleição deste belga teve precisamente como objectivo boicotar a potencial importância do cargo. Se o eleito tivesse sido o Tony Blair – goste-se ou não dele (eu não gosto) –, teríamos, de facto, um Presidente da Europa. Assim, temos apenas alguém a quem o Obama telefonará depois de falar, sucessivamente, com Merkel, Sarcozy, Brown, etc. Até o nosso Durão virá à frente na lista telefónica. E não é por começar por D…

O mais bizarro, contudo – passando por cima da cumulativa eleição da “Chefe da Política Externa da União Europeia”, a Sra. Catherine Ashton, eleita, tão-só, por ser, simultaneamente, mulher, socialista e britânica – é o facto do Sr. Rompuy ter aceite o cargo. Para quem não saiba, o Sr. Rompuy foi o primeiro-ministro que conseguiu finalmente formar um Governo na Bélgica, após sucessivos meses de bloqueio. A sua saída levará a que a Bélgica fique de novo, por muitos meses, sem Governo, tal a disputa entre valões e flamengos. Um preço demasiado alto para a nomeação de um mero funcionário…

A menos que, como insinua hoje o Miguel Esteves Cardoso no Público, a razão seja a seguinte: o Sr. Rompuy é contra os Estados nacionais europeus em geral e o Estado nacional belga em particular. A sua reconhecida competência enquanto primeiro-ministro belga estava pois a ser contraproducente. Saindo, mais depressa a Bélgica, essa ficção tipicamente europeia, se desagregará…

Há quem diga que essa era também a razão do “nosso” Durão Barroso, mais isso, obviamente, é uma piada de mau gosto. Mesmo com sucessivos Governos maus, Portugal não corre esse risco. Somos pobres, é certo, mas inquebrantáveis…

Perspectivas da Filosofia em Portugal: acho muito bem, para o bem de todos...

Acho bem que finalmente os responsáveis políticos, os estudantes, os interessados no pensamento crítico e outros percebam a grande importância da filosofia na formação pessoal e que conheçam a nata da filosofia portuguesa de qualidade assinalável.
Neste sentido, um bem-haja à filosofia e aos que a mantêm como fonte de entendimento da vida e do mistério também. Nesta linha, revistas como a Nova Águia são mais um precioso fulgor para o pássaro do saber que nos define a ausência dos limites do voo.

«Filosofia: SPF espera que a disciplina volte a ser valorizada
Lusa / EDUCARE 2009-11-18

O presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia, Ricardo Santos, lamenta os "golpes sofridos" por esta disciplina nos últimos anos e manifesta esperança de que a nova equipa do Ministério da Educação volte a valorizá-la.

"Internacionalmente, a Filosofia está em grande expansão. Em Portugal não é tão visível", afirmou Ricardo Santos, para quem a disciplina no Ensino Secundário sofreu "golpes sérios de desvalorização, com a eliminação do exame geral", tendo "quase desaparecido do 12.º ano", o que acaba por ter reflexos no Ensino Superior. Porém, a universidade continua a ser "o lugar privilegiado da Filosofia", admitiu.

"A vertente que mais se desenvolveu nos últimos anos foi a investigação, graças ao apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Há aqui um salto, tanto em quantidade como em qualidade", reconheceu.

A Filosofia para crianças, acrescentou, "está em crescendo", com muita procura no ensino privado como disciplina de enriquecimento extra curricular.

"Também tem havido considerável procura de cursos livres para adultos", mas ainda assim o responsável lamenta que os portugueses desconheçam os filósofos nacionais.
Apesar de as revistas e livros de Filosofia se irem multiplicando, "falta traduzir muita coisa e era preciso mais gente a escrever divulgação", defendeu.

Na véspera do Dia Mundial de Filosofia, que se assinala quinta-feira, Ricardo Santos defendeu que esta tem "um contributo importante" para dar nas diversas áreas da sociedade.
Gostava que houvesse mais parcerias e maior intervenção dos filósofos no espaço público: "São coisas que têm acontecido, mas devem ser reforçadas".

"Em Portugal, a imagem corrente do que é um filósofo está distorcida. Os filósofos profissionais portugueses não são conhecidos da população", lamentou.

Apesar de desejar ver a Filosofia acarinhada institucionalmente, Ricardo Santos afirma-se apologista dos pequenos passos. "O que há a fazer para melhorar as condições terá de ser feito todos os dias no espaço de trabalho de cada um."

A Filosofia, recordou, é "um contributo essencial para ajudar as pessoas a pensar melhor", logo para uma sociedade melhor, embora os resultados não tenham visibilidade imediata.

"É um ganho operacional na nossa própria capacidade intelectual", resumiu, lamentando que se tenha "desinvestido" na disciplina.

"O que precisávamos agora é que o Ministério da Educação revertesse aquilo que foi o movimento de desvalorização da disciplina e que vai no sentido oposto ao que se passa noutros países", lamentou, manifestando esperança na equipa liderada por Isabel Alçada, porque "muito depende disso".

EDUCARE.PT»

Um homem com convicções fortes, um exemplo para toda a juventude portuguesa e lusófona em geral...

O apoio do ex-internacional Luís Figo ao PS nas últimas eleições legislativas terá custado 75 mil euros a uma empresa pública.

Fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=2B11E069-B131-4F4A-A875-8FF0AD162285&channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181

Próximo Domingo, em Brasília...


Bardo lusófono

Conhecendo a obra do quase desconhecido - certamente que não encontram os seus discos nas lojas convencionais - José Campos e Sousa, que me parece fazer jus ao dito "os homens são como o vinho do Porto, quanto mais velhos, melhor", uma vez que nos últimos anos tem produzido muitos mais discos que nas décadas anteriores, o mais recente apresentado por mim em Madrid a uma hostil plateia de iberistas espanhóis que, mais que a recordação da derrota em Aljubarrota com a minha apresentação do cd São Nuno de Santa Maria, Por Portugal - e mais nada!, ainda menos receptivos ficaram com a minha alusão à legitimidade da Galiza losófona e, até, portuguesa... chocou-me como boa parte daquela gente, sendo Portugal uma nação soberana com mais de oito séculos, ainda defenda a inclusão de Portugal no reino espanhol!! E ainda nos chamam a nós, lusófonos, de passadistas, safa...
Ora bem, no rescaldo da extrema produtividade com que José Campos e Sousa nos tem brindado nos anos mais recentes, surge finalmente a sua página na internet (mais que obrigatória nos dias de hoje). Tendo presenciado um número razoável das suas actuações ao vivo e tendo oportunidade de travar contacto com este, sei que se trata de um companheiro lusófono e que, como tal, gostaria de dar a conhecer ao restante MIL, podem ouvir ainda no Youtube Cidade Mar de quando concorreu ao Festival RTP da Canção de 1984 e Identidade, cuja letra é do punho de António Manuel Couto Viana. Quem o quiser ouvir ao vivo pode fazê-lo no próximo 4 de Dezembro, às 21h20, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal com a colaboração do contrabaixista Gonçalo Couceiro Feio.

http://www.josecamposesousa.com.pt/

Eles o afirmam com aspecto grave

Eles o afirmam com aspecto grave,
– eles o afirmam com profunda voz.
Um coro imenso reboou pela nave:
– «O Rei é livre e livres somos nós!»

– «O Rei é livre!» E o grito de Almacave
não foi somente o grito dos Avós.
Por mais que o tempo em nossas veias cave,
nunca desata esses antigos nós!

«O Rei é livre!» E com seu elmo erguido,
é Portugal tornado corpo e alma
na sucessão do tempo indefinido!

O sangue o diz! E o sangue não se engana!
Que ver o Rei na sua força calma,
é ver a Pátria com figura humana!


António Sardinha


D. Affons' Henriques, Silva L., c. 1855

Este é mais comesão... tem mais olhos que barriga, mas vai enchendo a pança...

sábado, 21 de Novembro de 2009

A Questão da Galiza: História da Galiza (5ª parte)

Os romanos conheciam os povos célticos ou celtizados do noroeste peninsula como “gallaeci”, nome que viriam a usar para designar uma área de limites imprecisos e móveis conhecida como “Gallaecia”. A divisão da Iberia em Ulterior e Citerior haveria de colocar a Gallaecia no interior da Citerior, mais tarde intitulada Tarraconense, com a capital em Tarraco. Mais tarde, já no reinado do imperador Tibério, a província haveria finalmente de assumir a sua identidade nacional e recuperar a sua primitiva designação e receber o nome de “Província Gallaecia”.

Quando os romanos chegaram ao noroeste em 219 a.C., encontraram o Calaicos, um termo que derivava diretamente de “celticoi” (celtas), explicando assim não somente a ascendência celta da atual nação galega, como a origem celta da particula “gal” que ainda hoje está presente no nome de Portu-gal. A sul dos Calaicos, os romanos encontraram os Lusitanos, povo de matriz étnica ibérica ou indígena, mas de língua celtizada. A designação seria confirmada sob Diocleciano e, mais tarde, haveria de ver nascer o imperador Teodósio.

A queda do Império Romano do Ocidente e a chegada dos suevos ao noroeste peninsular a Gallaecia firmou-se enquanto entidade política autónoma. As zonas suévicas eram num perído inicial muito extensas chegando até à Bética e ao Mediterrâneo. Mas a ascensão peninsular do império visigótico haveria de roubar aos suevos a maior parte destes domínios, reduzindo a Gallaecia sueva a um território encravado, mas próspero, entre o Douro e o Mar Cantábrico. Após a expulsão mais para sul dos invasores muçulmanos teve como consequência indireta a definição da fronteira leste da Galiza, pouco clara até então, porque os castelhans passariam a identificar-se de forma distinta dos galegos, quer como Estado, quer na proto-língua que então fundavam a partir da matriz fundadora do galego. Contudo, era ainda uma separação com mais bases políticas do que culturais ou linguísticas, já que na época os muçulmanos recorriam ao termo “galego” para descreverem tdas as populações cristão do norte peninsular que lhes íam fugindo ao controlo...

Foi nesta época da Reconquista cristão que se formou o Reino de Leão, e no noroeste peninsular, o da Galiza, estendendo-se ao Návia, a uma boa parte do Berço, à Seabra ocidental e ao território atualmente português de Trás-os-Montes e mais além, para sul, tocando o rio Mondego. Contudo, esa unidade das duas bandas do rio Minho não seria para durar: Cedo se verificaria a divisão pela fronteira do rio Minho, com o nascimento de Portugal, separando-se da mão Galiza. Data do ano de 938 o primeiro documento onde a expressão “Portugal” é utilizada para designar a entidade política independente a sul: “regnante