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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Também no jornal Público: Somos mesmo o povo mais racista da Europa?



A partir de um “estudo experimental feito com 40 estudantes universitários portugueses”, pretendeu-se provar cientificamente que Portugal é o país mais racista da Europa (cf. PÚBLICO, 02.09.2017). Tal acusação não chega a ser grave porque é simplesmente absurda. Qualquer pessoa que conheça minimamente a Europa sabe que assim é.

No mesmo estudo, a par do ranking do “racismo biológico”, onde aparecemos em primeiro lugar, publica-se um outro ranking sobre o que se designa de “racismo cultural”, ou seja, como nos é dito, sobre a percentagem da “população que acredita que há culturas melhores”. Neste outro ranking não estamos “tão bem” classificados – aparecemos “apenas” em quinto, atrás da Noruega, Dinamarca, República Checa e Grã-Bretanha – mas, ainda assim, o absurdo mantém-se, aqui, desde logo, ao nível das premissas do estudo.

Apenas um exemplo: se nós dissermos que historicamente há culturas que foram menos potenciadoras de atitudes racistas (como a cultura lusófona) e as valorizarmos por isso, desde logo em relação àquelas que, pelo contrário, propiciaram mais atitudes racistas (como a cultura bóer, na África do Sul), estaremos, ao fazê-lo, a ser racistas, ou seja, a dizer que, neste âmbito, há culturas melhores do que outras.

Tal posição é, de resto, não apenas absurda do ponto de vista lógico, como no plano legal. Apenas mais um outro exemplo: como se sabe, há culturas que não apenas toleram como incentivam a prática da excisão genital feminina, prática ilegal em Portugal e em muitos outros países. Pois bem: à luz deste estudo e para não corrermos o risco de sermos considerados racistas, teríamos que defender que as culturas que não apenas toleram como incentivam a prática da excisão genital feminina não são piores ou melhores do que as outras. Difícil, com efeito, imaginar um absurdo maior.

Uma palavra final quanto à pretensa cientificidade do estudo: o conceito de ciência é, a par do de democracia, o conceito mais prostituído da nossa contemporaneidade. Tal como se aplicou o termo de democrático aos regimes mais anti-democráticos, também o termo científico caucionou historicamente as maiores aberrações. Para não sair desta temática do racismo: ainda não há muito tempo, proliferaram estudos pretensamente científicos a caucionar a alegada inferioridade de algumas raças. O que não é difícil: com amostras de quarenta pessoas (estudantes universitários ou não), pode-se “provar” tudo o que queiramos.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org

Prefácio de Adriano Moreira à "Via Lusófona II"



Encontram-se facilmente argumentos contraditórios que se assemelham, de um lado contra ou a favor da unidade europeia, por outro a favor e contra o movimento lusófono. De facto, o problema da unidade europeia, que talvez deva preceder o exame da questão da lusofonia, pela razão de que tem séculos a vocação de organizar a primeira, sendo que a vocação se mantém para além do fracasso da organização ao longo dos tempos, e o mesmo acontece agora com a vocação de afirmar a segunda, parcela que é do europeísmo, deparando-se também com os acidentes da organização. Quanto ao europeísmo, e para evitar enumerar a longa teoria de projectistas da paz europeístas, lembremos todavia que vai da proposta de um tribunal arbitral (Pierre Dubois, século XVI) entre soberanias, a uma espécie de Senado (Podiёbrad, 1464) a tender para o federalismo (William Penn, 1718), para realizar uma partilha interna de impérios findos com a guerra de 1914-1918 a favor dos Estados-Nações convergentes globalmente na Sociedade das Nações, e acabando, neste século XXI sem bússola, e pelo que toca à Europa, num regionalismo, que é a União Europeia, sem conceito estratégico para enfrentar o globalismo, cuja estrutura interna é mal conhecida, quanto às redes múltiplas, interdependências, e até centros de decisão. Porque as gerações vivas procuram naturalmente responder a esta circunstância nova, as correntes de resposta são múltiplas, ou acentuando a perda-recuperação do nacionalismo ou a compensação da soberania individual com a regionalização da nova invenção, ou com tendências para aceitar a terra casa comum dos homens cuja governança falta. Por tudo, as subsistentes memórias plurais do passado entram frequentemente em conflito com os próprios normativismos contratuais ou organizações como a ONU, e, sem surpresas com os regionalismos menores, como é a União Europeia. Acontece que se podemos não esquecer a visão de Camões de uma unidade (cristandade) em que Portugal seria a cabeça da Europa toda, e por isso merece ser citado entre os crentes da unidade europeia, é também o defensor da identidade singular da Pátria em que um fraco Rei faz fraca a forte gente, na época em que, depois da guerra de 1939-1945, a Europa deixou de poder considerar-se “a luz do mundo”, perdeu o Império Euromundista de que Portugal teve parte até 1974, não acertou na governança da plataforma da União, dividiu-a entre ricos e pobres, fez crescer o desamor europeu, viu reaparecer as ambições das pequenas pátrias, e renascer a inquietação dos Estados-Nações, a cuidar de novo das suas raízes, do seu novo isolado futuro, do bem estar dos seus cidadãos, da sua dignidade na comunidade global. É neste clima que o tema do milagre português, que tem a memória camoniana da unidade europeia congregada com a memória da unidade não perdida, assumiu a lusofonia com a importância que sustenta o autor deste livro oportuno, e que não ignora o vigor com que analistas atentos, multiplicam os avisos e críticas contra a forma como a unidade europeia vai perdendo vigor, com falta de conceito estratégico, com tendência para reviver o directório de má história, tudo agravando a circunstância da lusofonia e do luso-tropicalismo, que devia ser a bandeira do enfraquecido Estado português, que é a do nosso autor, que não pode ser diminuída, porque é um alicerce nosso. O facto de Portugal sempre ter necessitado de um apoio externo, e, findo o Império Euromundista, ter racionalmente seguido a União da frente marítima atlântica na decisão de abandonar as responsabilidades coloniais, isso não impede querer fortalecer outras parcelas de liberdade nacional, nem ignorar ter obrigações para com outras organizações, como a ONU e o BIT, o que parece ter sido esquecido no regime da troika e sequelas vigentes. Ora, de todos os países que partilharam o Império Euromundista findo com a guerra de 1939-1945, e a filosofia da ONU, foi Portugal o único que, depois de uma guerra longa, ao lado das guerras pesadas que todos os outros sustentaram (França, Holanda, Inglaterra, Bélgica), conseguiu inspirar a organização da CPLP e do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, lançando as ideias a que o Brasil deu força e organização. Ignorar que a língua portuguesa é uma janela de liberdade, é por exemplo não meditar na importância universitária que lhe dá a Universidade Católica de Tóquio, ou o interesse que em 2005 levou o governo de Pequim a delegar no governo de Macau o estudo da língua, “para aproveitar a herança portuguesa”: deixámos em Macau uma escola portuguesa, julgo que nesta data a China tem catorze, e aqui começa a ser institucionalizado o ensino do Mandarim. O erro, creio, é não admitir que a “língua portuguesa não é nossa, também é nossa”. Isto porque em cada latitude onde se fala absorve valores diferentes que nos outros não acolhe, a começar com o português do Brasil com os seus valores dos nativos, africanos, alemães, portugueses, italianos, tendo uma música específica. É este erro que tem expressão no querer submeter a língua a tratados, ignorando que é um organismo vivo, cuja vida não é neutra em relação à circunstância. Por outro lado, depois do fim do império Euromundista, a CPLP é uma expressão de “maneira portuguesa de estar no mundo”, o que implica, para além dos erros cometidos, como a inquisição, o transporte de escravos, a expulsão dos judeus, o estatuto jurídico diferenciado das populações, ter conseguido, pela intervenção universitária e missionária da já intitulada Escola Ibérica da Paz, onde o padre António Vieira tem parte actual, dar uma contribuição notável para o património imaterial da Humanidade, usando a comunidade de afectos que permitiu a organização da CPLP e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Por vezes é citada a Comunidade Britânica, anterior à segunda guerra mundial, mas vistas as diferenças em relação aos países que não são de origem anglo-saxónica, a semelhança não existe. O cimento dessa nossa afinidade parece ser, como foi na formação demorada das Nações, a comunidade de afectos entre as etnias encontradas e os colonizadores finalmente encaminhados não para a tolerância, mas para o respeito das diferenças. A unidade europeia não é incompatível com isto, falta-lhe o culto acentuado da comunidade de afectos, acima das memórias imperiais, que sobreviveram a duas guerras mundiais. Por isso, é um serviço, não apenas aos interesses de Portugal, mas aos do património imaterial comum da humanidade, a defesa dos valores lusófonos, a que se dedicou o MIL.

O Livro do MIL, já na sua terceira edição...

Edição revista e aumentada - para encomendar:
info@movimentolusofono.org

O MIL, a(s) Esquerda(s) e a(s) Direitas(s)...



José Pedro Zuquete, in Ideias e Percursos das Direitas Portuguesas, coord. de Riccardo Marchi, Lisboa, Texto Editora, 2014, p. 420.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

15-18 de Novembro: Programa do 2º Festival TABULA RASA



O Programa foi publicamente apresentado no dia 24 de Fevereiro de 2017, data em que lançámos igualmente o volume que resultou da primeira edição deste Festival.



Conforme o publicitado no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Fátima, entidade promotora do evento, no dia 24 de Fevereiro, e, mais recentemente, no dia 9 de Março, no Palácio da Independência, sede do MIL: Movimento Internacional Lusófono, entidade organizadora, está já acessível o Programa do II Festival TABULA RASA, que irá decorrer entre os dias 15 e 18 de Novembro. Assim, no primeiro dia, teremos, da parte da tarde, o Anúncio dos Prémios “Obras TABULA RASA 2016-2017”, a serem entregues no última dia, bem como as Conferências de Abertura, a serem proferidas por Adriano Moreira e Guilherme d’Oliveira Martins. Depois do jantar, teremos a apresentação da Revista NOVA ÁGUIA Nº 20 e de outras obras.

No dia seguinte, inicia-se uma série de quatro painéis, que se estendem pelo terceiro dia, sobre “A Literatura e o Sagrado” (tema geral deste II Festival) nos diversos países e regiões do espaço de língua portuguesa: em Portugal, por Annabela Rita; em Angola, por Carlos Mariano Manuel; no Brasil, por Mariene Hildebrando; em Cabo Verde, por Elter Manuel Carlos; na Galiza, por Maria Dovigo; em Goa, por Henrique Machado Jorge; na Guiné-Bissau, por Braima Cassamá; em Malaca, por Luísa Timóteo; em Macau, por Jorge Rangel; em Moçambique, por Delmar Maia Gonçalves; em São Tomé e Príncipe, por Orlando Piedade; e, finalmente, em Timor-Leste, por Luís Cardoso.

Para além desta dimensão lusófona, este Festival terá ainda uma dimensão ecuménica, com um painel, a decorrer na tarde do dia 16, sobre “O sagrado nas várias tradições religiosas”: na tradição católica, por Samuel Dimas e Joaquim Domingues; na tradição islâmica, por Fabrizio Boscaglia; na tradição judaica, por Pedro Martins; na tradição druídica, por Joaquim Pinto; na tradição oriental, por Rui Lopo. No dia seguinte, teremos um outro painel sobre “O sagrado no pensamento, na poesia e nas artes”; no pensamento, por Manuel Cândido Pimentel; na poesia, por Luísa Malato e Celeste Natário; na música, por Edward Ayres Abreu; nas artes plásticas, por José Carlos Pereira. Nas noites de 16 e 17, teremos ainda dois painéis-tertúlia onde alguns escritores falarão sobre a sua experiência de escrita: Afonso Cruz, António Carlos Cortez, Fernando Pinto do Amaral, Gonçalo M. Tavares, João de Melo e Maria João Cantinho.

Na manhã de dia 18, finalmente, entregar-se-ão os Prémios “Obras TABULA RASA 2016-2017”, nas diversas categorias: literatura infanto-juvenil (justificação: Pedro Teixeira Neves); poesia (justificação: António José Borges); ficção (justificação: António Ganhão); filosofia (justificação: António Braz Teixeira). Depois, conforme o já anunciado, Miguel Real irá justificar a entrega do Grande Prémio “TABULA RASA Vida e Obra” a Pinharanda Gomes, que fará depois também uma intervenção. Por fim, ainda antes do almoço, far-se-á o encerramento formal do II Festival, sendo certo que, pela tarde fora, bem como nos três dias anteriores, teremos alguns momentos culturais surpresa. Não é, de facto, por acaso que os Festivais TABULA RASA assumiram o lema: “Muito mais do que um Festival Literário…”.   

 
Co-organização MIL/ NOVA ÁGUIA - para mais informações:

Fotos e Vídeos da Entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a Ruy Mingas e Lançamento da NOVA ÁGUIA 19...

Ver fotos:

O MIL na RTP África...



Para ver:

"Agostinho da Silva - Ele Próprio" - Filmado por António Escudeiro - Edições Zéfiro - Nova edição na íntegra num só vídeo



domingo, 24 de setembro de 2017

Entrevista sobre a NOVA ÁGUIA e o MIL (I-IV)

1: Na tua opinião, a Nova Águia, passados 9 anos desde a sua criação (2008), conseguiu de facto ser uma digna herdeira do espírito da revista A Águia cujos princípios editoriais no início do século XX eram o debate de ideias e a reflexão sobre o pensamento português?
A Revista Nova Águia procura honrar o espírito da Revista A Águia (1910-1932), órgão do movimento da "Renascença Portuguesa", que reuniu a elite cultural da sua época (falo de nomes como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva). À semelhança da revista A Águia, que procurou dar uma orientação maior à República (lembramos que ela foi lançada a 1 de Dezembro de 1910), a Nova Águia, procura, com o mesmo espírito, repensar a nossa situação no começo do século XXI. Ela foi lançada em 2008 para, sobretudo, promover o conhecimento da nossa tradição filosófica e cultural numa perspectiva futurante - na premissa de que nenhum povo que despreze a sua tradição poderá ter real futuro. Não havia nenhuma revista que, a nosso ver, cumprisse essa missão. Continua a não haver, sendo que a Nova Águia tem conseguido ter um horizonte ainda mais amplo do que teve a revista A Águia, ao estabelecer, em todos números, pontes com todos os restantes países e regiões do espaço de língua portuguesa.
2: Tens sido o porta-voz deste projecto, uma vez que és uma presença activa nas apresentações que fazes da revista pelo país. Como tem sido a receptividade do público?
Não temos tido razões de queixa. A Nova Águia é verdadeiramente um "case study" - e como tal tem sido vista (inclusive em Universidades): uma revista sem relevantes apoios, completamente independente, que se debruça sobre temas "difíceis", sem qualquer concessão à "facilidade" (como acontece com a maior das revistas), que, de número para número, cresce em número de leitores. Para mais, chamo a atenção de que a Nova Águia, para além do nome de uma revista semestral, é também o título de uma Colecção de Livros, que já vai em mais de cinco dezenas de volumes, para além de outros títulos que o MIL tem editado. Temos, porém, a consciência que esta é uma corrida (ou um “voo”) de fundo. Costumamos até dizer, nas múltiplas sessões que promovemos por todo o país, que este é um caminho para maratonistas, não para velocistas…
3: Temos leitores em Portugal para acompanhar, intervir e discutir os temas específicos que a revista Nova Águia propõe nas suas edições?
Até ao momento, sim, sendo que os sinais que vamos tendo vão no bom sentido. Há um grupo de leitores cada vez maior e mais interessado nas temáticas da cultura lusófona. E, quanto a colaborações, elas têm sido sempre mais do que suficientes para compor cada novo número. De tal modo que, em geral, nem sequer fazemos convites. Os textos vão sempre aparecendo, naturalmente, inclusive das figuras maiores do nosso universo cultural – falo, entre outros, de Adriano Moreira, António Braz Teixeira, Eduardo Lourenço, Manuel Ferreira Patrício e Pinharanda Gomes, não esquecendo aqueles que já faleceram mas que ainda acompanharam os primeiros passos da Nova Águia, como António Telmo, António José de Brito e Dalila Pereira da Costa.
 
4: De que modo a Nova Águia chega ao espaço lusófono?
Essa tem sido a nossa maior dificuldade. Como a Nova Águia não quer estar dependente de apoios externos (para não ficar condicionada por eles), não tem tido ainda a pujança financeira para chegar, de forma mais constante, a todo o espaço lusófono. Mas, ainda assim, temo-lo conseguido, desde logo através de Congressos Internacionais para onde temos sido convidados e onde aproveitamos sempre a oportunidade para publicitarmos este projecto – em Março deste ano, estivemos em Macau; recentemente, estivemos ainda no Brasil e em Cabo Verde. E, à Galiza, vamos sempre todos os semestres para apresentar cada novo número da Nova Águia
5: Qual é a relação entre o MIL – Movimento Internacional Lusófono e a revista Nova Águia?
A Revista Nova Águia é o órgão do MIL, tal como A Águia foi o órgão do Movimento da Renascença Portuguesa. Mas não propriamente um órgão de propaganda, até porque o MIL não é um partido político, ou algo que se pareça. É, simplesmente, uma revista que reflecte os nossos valores e o nosso objectivo: promover uma cada maior convergência entre os países e regiões do espaço de língua portuguesa.
6: Na revista também dão voz aos poetas (secção “Poemáguio”). A poesia como reflexão e consciência de um Portugal Novo é um desafio para esta geração de poetas?
Sim, a Nova Águia é essencialmente uma revista de ensaio, de pensamento livre, mas tem também sido, em todos os números, uma revista de poesia, até em reconhecimento da importância da poesia não apenas na cultura portuguesa, mas em toda a cultura lusófona, em geral.
7: A par do MIL – Movimento Internacional Lusófono e da Nova Águia – Revista de Cultura para o Século XXI, está a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em conjunto, encenam acções culturais que visam uma certa realização espiritual e filosófica do mundo lusófono, num campo congregador de ideias e atitudes enquanto valores próprios de sociedades mais conscientes, livres e justas, nas suas dimensões cultural, social, cívica e política e numa perspectiva pedagógica. Que conceitos filosóficos de Agostinho da Silva estão na base deste grande objectivo?
Quando lançámos o MIL, em 2008, ainda na esteira das Comemorações do Centenário do Nascimento de Agostinho da Silva, que decorreram em 2006 e por boa parte do ano de 2007, houve um amigo brasileiro que disse que o MIL era a “criação da CPLP por baixo” – ou seja, ao nível da sociedade civil. Cada vez mais, parece-nos ser esse o caminho: quando a sociedade civil tiver peso suficiente para influenciar os diversos Partidos e Governos no bom sentido, ou seja, no sentido da Convergência Lusófona, tudo o mais virá por arrasto. A própria CPLP terá outra dinâmica, conforme o MIL tem igualmente reclamado. Entretanto, reconhecemos que a CPLP está muito aquém do sonho de Agostinho da Silva, que, ainda nos anos 50, prefigurava uma “Confederação dos povos de língua portuguesa”, tendo mesmo chegado a falar de um mesmo “Povo não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália” (“Proposição”, 1974).

8. Que sentido e destino para a Comunidade Lusófona na contemporaneidade, tendo em conta a crise política e económica que se vive em Portugal e que parece esgotar o nosso país num espaço de mera sobrevivência no dia-a-dia?
É preciso ter uma perspectiva de médio-longo prazo. Por isso, temos procurado defender e difundir o conceito da cidadania lusófona, nos Congressos da Cidadania Lusófona (já se realizaram quatro, até ao momento), no âmbito dos quais temos sedimentado uma Plataforma de Associações da Sociedade Civil. Quanto mais a sociedade civil se afirmar à escala lusófona, mas próximo estará esse Horizonte. Mas não temos pressa. Acreditamos que temos a dinâmica da própria história do nosso lado…
9. Há ainda lugar para uma utopia criadora no espaço lusófono, apesar da pobreza e das fracas perspectivas de futuro para os jovens?
Temos consciência de que por vezes o quotidiano, por ser tão adverso, não permite a consideração dessas visões mais de médio-longo prazo. Mas os sinais que vamos recebendo, em particular por parte dos jovens, são positivos. Até porque, em geral, estes já não carregam em si alguns ressentimentos históricos que, no passado, dificultaram esse caminho de convergência entre os países e regiões do espaço de língua portuguesa.
10. Numa perspectiva geográfica, o mapa do mundo lusófono apresenta regiões muito distantes umas das outras. Também a nível dos valores culturais, sociais, cívicos e políticos consolidados nas diferentes comunidades se verifica o mesmo distanciamento?
Essa dispersão geográfica é, em si mesma, uma dificuldade e uma mais-valia, até em termos comparativos (com o espaço de língua castelhana, por exemplo, com muito menor projecção global). Com as novas tecnologias de comunicação, essa dificuldade é cada vez menor, porém. Falamos pela nossa experiência no MIL. Temos, por exemplo, um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, de todos os países e regiões de língua portuguesa. Recorrendo a essas novas tecnologias de comunicação, tem sido possível recolher, em tempo útil, os contributos de todas essas pessoas do nosso Conselho Consultivo.
11. Portugal é um pequeno país que integra uma comunidade europeia desde 1986, com ideais, dependências e políticas europeias. Tendo em atenção tudo o que essa adesão acarreta, e do ponto de vista cultural, o Portugal contemporâneo já é um país europeu ou ainda é um país lusófono?
Esse é, a nosso ver, um falso dilema. Na visão do MIL, a plataforma lusófona não tem que se afirmar contra ninguém, nem por exclusão. Pelo contrário, se Portugal não tivesse desprezado tanto a plataforma lusófona estaria hoje numa posição bem mais fortalecida na plataforma europeia. E o inverso também sucede: uma das mais-valias de Portugal na plataforma lusófona é a sua integração na plataforma europeia. Elas não são pois excludentes entre si – ao invés, reforçam-se mutuamente. E o mesmo diremos do Brasil – na sua integração na plataforma sul-americana (Mercosul) –, de Timor-Leste – na sua integração na plataforma extremo-asiática (ASEAN) – e dos vários países africanos, que estão também, muito naturalmente, integrados em diversas plataformas político-económicas desse continente.

 

12. Como investigador na área da “Filosofia em Portugal” tens dezenas de estudos publicados. Na tua opinião, e a partir de uma visão crítica muito pessoal, qual foi a obra mais exigente em termos de pesquisa e validação científica?
Decerto, a obra mais exigente em termos de pesquisa e validação científica foi a minha dissertação de Doutoramento em Filosofia, Fundamentos e Firmamentos do pensamento português contemporâneo: uma perspectiva a partir da visão de José Marinho, defendida em 2004 na Universidade de Lisboa. Isto sem desprimor para qualquer das outras obras que entretanto lançámos: Visões de Agostinho da Silva (2006), Repertório da Bibliografia Filosófica Portuguesa (2007), Perspectivas sobre Agostinho da Silva (2008), Via aberta: de Marinho a Pessoa, da Finisterra ao Oriente (2009), A Via Lusófona: um novo horizonte para Portugal (2010), Convergência Lusófona (2012/ 2014/ 2016), A Via Lusófona II (2015) e A Via Lusófona III (2017).
13. Na obra Tabula Rasa (2017) reflectiste sobre o 1º Festival Literário de Fátima – A Literatura e a Filosofia. Se os festivais literários tendem a impressionar pela “espuma” evanescente do desfile de personalidades mais ou menos importantes ou mediáticas, este 1º FLF foi, tendencialmente, um Festival de Ideias, ao privilegiar a “espessura” e a “profundidade” na reflexão dos participantes. Quais os aspectos positivos que realças desse evento literário e filosófico?
De facto, mais do que um Festival Literário, esta iniciativa co-organizada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela Revista NOVA ÁGUIA foi sobretudo um Festival de Ideias – por isso, não por acaso, o tema foi a “Relação entre a Literatura e a Filosofia”. Para tanto, convidámos um amplo leque de personalidades que fizeram essa ponte – não apenas entre Literatura e Filosofia, como entre as diversas culturas de língua portuguesa. Daí a estrutura do Festival: que alternou nove painéis “Entre Literatura e Filosofia” com quatro mesas-redondas que se debruçaram sobre o panorama cultural de cada um dos países e regiões do amplo e plural espaço lusófono, série iniciada logo no primeiro dia, em que destacamos a participação de Carlos Ximenes Belo e a extensa assistência que se foi alargando ainda mais ao longo do Festival, nomeadamente com a presença de muitos jovens. No segundo dia, tivemos mais alguns convidados internacionais – nomeadamente, Maria Amélia Barros Dalomba, da Liga Africana (Angola), Elter Manuel Carlos, um dos mais promissores investigadores de Cabo Verde, e Constança Marcondes César, uma das mais consagradas filósofas brasileiras. Estes dois autores, de resto, apresentaram no terceiro dia as suas mais recentes obras: “Filosofia, Arte e Literatura” e “Olhares Luso-Brasileiros” (edições MIL). No quarto dia, destacamos a apresentação de mais um número da Revista “Nova Águia”. No último dia, finalmente, realizou-se a entrega dos prémios “Obras Tabula Rasa” – nas seguintes quatro categorias: Literatura infanto-juvenil (Maria da Conceição Vicente e Catarina Pinto), Poesia (Nuno Júdice), Ficção (Gonçalo M. Tavares) e Filosofia (Joaquim Cerqueira Gonçalves) –, tendo-se encerrando o Festival com a entrega do Grande Prémio “Tabula Rasa - Vida e Obra” a Eduardo Lourenço. Uma vez mais, perante uma muito extensa assistência.
 
 

Entrevista de Adília César e Fernando Esteves Pinto a Renato Epifânio

Agostinho da Silva, primeiro inspirador da CPLP...

Cármen Maciel, "A construção da Comunidade Lusófona a partir do antigo centro", Tese de Doutoramento em Sociologia, Fac. Ciências Sociais e Humanas, Univ. Nova de Lisboa, 2010 (Tese vencedora da 4ª edição do "Prémio Fernão Mendes Pinto"), Lisboa, Instituto Camões, 2015, p. 50.

Próximo Livro MIL: "Amadeo de Souza-Cardoso – A Força da Pintura"

Outras obras promovidas pelo MIL:

Torne-se Sóci@ do MIL e receba "A Via Lusófona (I e II)" como oferta...



Para aceder às fichas de Sóci@ do MIL:

sábado, 23 de setembro de 2017

MIL-Notícias, Moçambique...

Dhlakama reaparece e anuncia acordo com Frelimo para eleição de governadores provinciais em Moçambique
O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, fez a sua primeira aparição pública desde há ano e meio e anunciou já ter acordo com a Frelimo, partido no poder em Moçambique, para a eleição dos governadores provinciais.