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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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terça-feira, 5 de julho de 2016

Obrigado: Mais uma vez, ao Mestre…

… Meu e de tantos outros, António de Macedo, que hoje completa 85 anos de idade. Nesta ocasião aproveito para relembrar, repetir, reforçar o que já dissera (escrevera) em 2011, aquando do seu 80º aniversário. E muito fico contente por, apesar de alguns problemas de saúde, superáveis mas quase inevitáveis em alguém de tão longa e provecta idade, as ideias, os projectos e as obras feitas não lhe faltarem. Neste ano de 2016 já publicou «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», livro de não-ficção… sobre ficções, uma colectânea de artigos e de ensaios editados anteriormente; e lançará, no final do Verão, o seu novo livro de ficção, um romance, em cuja publicação eu me orgulho de ter dado uma diminuta mas decisiva contribuição – o que terá constituído uma modesta e insuficiente retribuição do quanto lhe devo por me ter permitido iniciar verdadeiramente a minha carreira literária; mas não só… apresentará um filme novo, mais de 25 anos depois! Assim, por tudo isto e não só, muitos parabéns a António de Macedo, que é, na Ficção Científica & Fantasia em Portugal, o melhor de nós todos, o mais talentoso, o mais versátil, o mais experiente, o mais sábio. E, pelo constante entusiasmo e empenhamento, não só artístico mas também cívico, o mais jovem. Um abraço!

domingo, 2 de novembro de 2014

Manuel Rio de Carvalho (1935-2014)


Faleceu em 21 de Setembro passado o Coronel Rio de Carvalho, membro muito ativo da PASC.
Com profunda tristeza, é nosso desejo dar conhecimento a todos os Associados da PASC e lembrá-lo neste pequeno apontamento.
Homem de relacionamento afável e atento aos outros, o Manuel Rio Carvalho cultivou e honrou as suas amizades, sempre muito mais determinadas pelo afecto do que pela comunhão de interesses, causas e atividades.
Nasceu em 28de Junho de 1935, em Lagos. Foi casado com Maria Teresa de Jesus da Silva do Rio Carvalho, tendo dois filhos e cinco netos.
A família foi o centro da vida do Manuel Rio Carvalho, o amor e respeito que dedicou aos seus Pais encontrou-o sempre nos seus dois filhos, nas suas três netas e nos seus dois netos. Esta é a projeção no futuro o seu casamento feliz de 55 anos com a Maria Teresa.
O seu avô paterno prestou serviço como oficial no Colégio Militar na década de sessenta do século XIX e começou aí uma ligação familiar e profissional que se mantém nos dias de hoje, com os seus dois netos alunos do Colégio entre 1999 e 2013. Esta foi sempre uma ligação determinada pelo afecto, mas também uma convicção profunda nas virtudes da instituição. Ao morrer à cabeceira tinha o barrete de “Menino da Luz”.
Após o Curso liceal realizado no Colégio Militar entrou para a Escola do Exército em 1952, onde frequentou o Curso de Infantaria.
Já como Oficial Subalterno prestou serviço no Regimento de Infantaria 2 em Abrantes que, mais tarde, como Coronel, viria a Comandar.
Desempenhou funções de Instrutor, Comandante de Companhia e Chefe dos Serviços Culturais da Academia Militar, foi 2.º Comandante da Escola de Formação de Sargentos e Comandante do Corpo de Alunos, Subdirector e Director Interino do Colégio Militar.
Foi Assessor do Ministro no Ministério da Administração Interna, Assessor de Estudos no Instituto da Defesa Nacional e Director do"Jornal do Exército" durante vários anos.
Cumpriu 4 comissões de serviço no antigo Ultramar em funções operacionais (três em Angola e uma em Moçambique).
Frequentou o Curso Complementar do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, o Curso de Defesa Nacional do IDN (1989) e o Curso Superior de Comando e Direcção no Instituto de Altos Estudos Militares.
Tem artigos publicados na Imprensa Militar Portuguesa e Brasileira e proferiu conferências em Instituições Nacionais  e Estrangeiras.
Foi Sócio Efectivo da"RevistaMilitar" de cuja Direcção foi Vogal durante alguns anos.
Foi igualmente Vogal da Direcção da"Associação dos Militares na Reserva e na Reforma"em vários mandatos.
Foi Vogal da Direcção da Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional em duas Direcções (1990/1991  e 1992/1993).
Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral  da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (2011/2014), tendo feito parte de algumas Direcções.
Integrou a Comissão Permanente da PASC como representante da AAACM desde 2010.
Trabalhou também no âmbito da "Comissão de Estudos das Campanhas de África" do EME na colaboração do livro “Moçambique – Operações 1964-1975”, incluído na colecção “Resenha Histórica das Campanhas de África”  do Exército.
Manuel Rio de Carvalho foi um Homem completo, quer como Cidadão, quer como Militar dedicando-se totalmente às funções que desempenhou, o que sempre fez com elevado bom senso, humanidade e rigor, sendo de salientar o seu trabalho no Colégio Militar, no Jornal do Exército, no IDN, na AACDN e na PASC
Muito culto e interessado por temas de História, Cidadania ativa e Sócio-Políticos, a PASC sente-se muito orgulhosa de ter contado consigo nos seus membros mais ativos e presta-lhe neste momento de saudade, com o maior respeito, a sua grande homenagem.
Que descanse em paz!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Centenário de Luiz Gonzaga



    O Nordeste Saudoso Comemora o Centenário de Luiz Gonzaga

Cristina Couto

Quando o sol calcinou a terra e asa branca bateu asas e voou, Luiz Gonzaga, filho de Januário e Santana, enfrentou a légua tirana em cima de um pau de arara, levando dentro do seu matulão um triângulo, um gonguê, um zabumba e, em sua memória, a rica cultura nordestina.
Sentiu-se um peixe e fez uma grande viagem imaginária pelo Riacho do Navio, correu pro Pajeú e acabou sendo despejado no São Francisco que desembocou no meio do mar. E num desejo de regresso aos rios nordestinos fez o caminho inverso, nadou contra as águas e nesse grande desafio saiu, outra vez, direitinho no Riacho do Navio para desfrutar dos costumes simples e prazerosos do sertão.
 Para rever o seu brejinho, fazer umas caçadas, ver as pegas de boi e andar na vaquejada, mais uma vez dormiu ao som do chocalho e acordou com a passarada e fez questão de ficar longe da notícia, da civilização.
O Luiz apaixonado pela faceira Karolina com “K” que dançou numa Sala de Reboco, viu quando apagaram o candeeiro e derramaram o gás, e mostrou ao Brasil como se dança o Baião, o Xaxado e o Forró, mexendo o corpo e alma, fazendo velho ficar moço. Não era de briga e nem de confusão, mesmo assim, acabou um samba, no Forró de Mané Vito.
Luiz Gonzaga cantou os mitos e as superstições nordestinas, nossas experiências com o tempo e suas modificações climáticas. Ao ouvir o canto da Ema chamou sua morena para acabar com seu medo, pois a Ema traz no meio do seu canto um bocado de azar, principalmente se ela canta no tronco da Jurema, ao ouvir o Vim-vim cantar sabia que alguém estava pra chegar, como chegou o amor no coração das meninas num xote feito para elas.
Em meados de 1950, foi chofer de táxi e descreve um Rio de Janeiro urbanizado, modernizado e acolhedor, utilizando o mapa cartográfico da sua menta, faz o trajeto de Mangaratiba ao Leblon, achou pouco e anos depois, em sonho, atravessou o mundo e foi parar em Moscou para dançar um Pagode Russo, pois no Rio tudo estava mudado na noite de São João.
O que seria do Nordeste se não tivesse Luiz, que não respeitou Januário, que dividiu a vida e o palco com seu filho Gonzaguinha, que cantou o Juazeiro, que se tornou o Rei do Baião e ficou na memória do seu povo.
Em 2012, ano do centenário de Gonzagão, seu forró não é mais o mesmo. O ritmo que se tornou por ele conhecido, em nada se parece com sua forma original. Nem o forró, nem o baião e nem as noites de São João no seu saudoso Sertão. Tudo está modificado, porque tudo muda sobre a terra.

Obrigada, Luiz! Eterno Rei do Baião e Cantador do Sertão.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Obrigado: A António de Macedo…

… Que celebra hoje, 5 de Julho de 2011, o seu 80º aniversário. Eu sou apenas uma entre muitas pessoas que têm muito a agradecer-lhe: no meu caso, nem mais nem menos do que o início – após muitos anos de tentativas – da minha carreira literária, pois foi ele quem propôs a publicação de «Visões». E o prefácio que ele escreveu para o meu primeiro livro ainda hoje pode servir de comprovativo para todos os que, eventualmente, ainda hoje, questionam o meu talento… incluindo eu próprio, em momentos de maior desalento.
Arquitecto de formação, mas mais conhecido enquanto homem do cinema e da televisão, António de Macedo dedicou ao grande e ao pequeno ecrãs três décadas de actividade intensa, durante a qual se afirmou também como um dos maiores «activistas» portugueses da ficção científica e do fantástico, numa filmografia em que se destacam títulos como «Os Abismos da Meia-Noite», «Os Emissários de Khalom» e «A Maldição de Marialva». Impossibilitado de continuar a sua carreira audiovisual, dedicou-se decididamente ao ensino… e à escrita, tanto em ficção como em não-ficção, tendo congregado à sua volta uma nova legião de admiradores, amigos e discípulos. Desde a fundação da Simetria, de que foi e é um dos grandes vultos, tornou-se presença assídua e interveniente em practicamente todos os grandes encontros nacionais de FC & F. Entretanto, tornou-se um eminente especialista em Esoterismo e em estudo de religiões, num percurso em que o ponto culminante foi o seu doutoramento, concluído em 2010, e de que resultou o seu mais recente livro, «Cristianismo Iniciático».
Curiosamente, no ano em que nasceu – 1931 – foram estreados vários filmes que viriam a tornar-se marcantes. Antes de mais, a grande «trilogia clássica» do terror: «Drácula», de Tod Browning, com Bela Lugosi; «Frankenstein», de James Whale, com Boris Karloff; «Dr. Jekyll and Mr. Hyde», de Rouben Mamoulian, com Fredric March. E ainda: «City Lights», de (e com) Charles Chaplin; «The Public Enemy», de William A. Wellman, com James Cagney; «Little Caesar», de Mervyn LeRoy, com Edward G. Robinson; «Monkey Business», de Norman Z. McLeod, com os irmãos Marx; «Platinum Blonde», de Frank Capra, com Jean Harlow; «M», de Fritz Lang; «À Nous la Liberté», de René Clair; «Tabu», de F. W. Murnau… Pode-se dizer que veio ao Mundo sob bons auspícios… cinematográficos, pelo menos! Parabéns, Mestre!          

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Foi há 25 anos…

… Isto é, a 5 de Maio de 1986, que aconteceu o acidente ferroviário na Póvoa de Santa Iria, um dos mais graves da história dos caminhos de ferro em Portugal. Dele resultaram 17 mortos e 83 feridos, na maioria jovens, estudantes, entre os quais amigos e conhecidos meus. Os que os conheciam mas que tiveram a sorte de não seguir naquele comboio também ficaram marcados para sempre.
Há cinco anos, aquando do vigésimo aniversário, recuperei o artigo «Não (n)os esqueceremos», que escrevi e publiquei no jornal Notícias de Alverca poucos dias depois da tragédia. Este ano, ao se atingir a marca de um quarto de século, decidi que as vítimas mereciam um memorial mais visível. Pelo que contactei Conceição Lino, minha antiga colega de escola, e que, tendo vivido muitos anos em Alverca do Ribatejo, conhecia vários dos acidentados e também acompanhou de perto o sucedido. Graças a ela foi produzida e divulgada hoje uma reportagem na SIC. E encontrei também evocações aqui e aqui.
De entre os que desapareceram naquele dia, um houve cuja perda me custou mais: Francisco Monteiro. Tínhamos a mesma idade, éramos amigos, fomos colegas de turma, partilhávamos a paixão pelo rock & roll, em especial o mais «duro» e «pesado». Recordo-o ao som do tema-título do seu disco favorito: «Back In Black», dos AC/DC… uma canção, ela própria, em honra de alguém que morreu.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PARABÉNS EUSÉBIO!

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

Aqui estou Eusébio, meu ídolo imortal, a dar-te os parabéns por esta dupla efeméride – 50 anos de Benfica e 69 de idade. Tinha 10 anos quando chegaste ao meu Benfica. Fiquei impressionado por no teu primeiro jogo, contra o saudoso Atlético, teres logo marcado três golos. Comecei a admirar-te e, ao contrário dos miúdos meus amigos, que escolhiam um nome dum jogador estrangeiro – do Milan, do Inter, do Real, Madrid – para jogarem com o nome dele, eu passei a escolher o teu. Ao princípio gozavam-me, mas isso foi por pouco tempo, pois tu, logo impuseste o teu esquisito e pouco habitual nome (nunca ouvira falar em Eusébio na vida) no futebol nacional e internacional.
A partir dos meus 13 anos comecei a ir com um tio, ao velho Estádio da Luz, todos os domingos, para te ver jogar e marcar golos incríveis, qual deles o melhor e o mais fantástico. Por essa altura, já o Benfica se sagrara bicampeão da Europa em futebol, e eu assistira a tudo, no televisor lá de casa, a preto e branco. O meu benfiquismo começara aos oito anos, por influência da minha empregada, que era sócia do Glorioso.
A partir daqui, estive em todos os desafios que realizaste no nosso estádio ao domingo à tarde, nos que passavam na televisão à noite e que contavam para as competições europeias e para uma competição de selecções militares quando estiveste na tropa, e todos os que jogaste no Estádio Nacional, no Jamor, com a Selecção Nacional. É desta época, uma das minhas maiores decepções de adolescente e que se conta em duas linhas. Sempre que os treinos da Selecção Nacional calhavam em tempos de férias escolares, lá ia eu com os meus amigos para o Estádio Nacional, ver-te a ti e aos outros jogadores que nos empolgavam e nos tornavam os sonhos mais coloridos. No caminho entre os balneários e o relvado principal, cruzei-me contigo. Vinhas a falar com o Artur Jorge, creio que ainda jogador da Académica de Coimbra e que chegou a ser meu colega na Faculdade de Letras de Lisboa. Eu não acreditava no que acontecia! Um miúdo como eu, ao lado do seu ídolo do futebol! Mas tu passaste Eusébio e, como não me conhecias de lado nenhum, nem para mim olhaste. Não imaginas o desgosto que foi para mim, adolescente a rebentar de sonhos! Mas nem por isso deixei de continuar a seguir a tua carreira, uma vez que, não eras só tu, mas também o Benfica, que me encantava!
Assisti a todos os teus desafios até te reformares. Digo-te, sinceramente, que na minha opinião de “treinador de bancada” foste o melhor jogador do mundo do teu tempo. Além disso, eu acho que um jogador de futebol é um artista, e como a arte é subjectiva, dependendo da opinião de cada sujeito. Assim, se não posso dizer que, Picasso é melhor pintor que Dali, nem que Saramago é melhor escritor que Lobo Antunes, também não posso afirmar que Pelé, Maradona ou outro, é melhor que Eusébio.
Por isso termino dizendo que, Eusébio foi o melhor jogador do seu tempo e que eu tive a sorte de ver jogar, e dando-lhe os meus sinceros parabéns pelas duas efemérides que agora se comemoram – os seus 50 anos de jogador do Benfica e os 69 anos de idade. Obrigado Eusébio, por tudo o que me deste a viver!!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O último ultimato de um «gentleman»

2010 já havia acabado mal, com a morte de Carlos Pinto Coelho. E 2011 começa também de uma forma funesta com o falecimento, logo a 1 de Janeiro, de Paulo Lowndes Marques.
Veterano da Guerra no Ultramar (foi fuzileiro em Angola), advogado, destacado militante fundador do CDS-PP, antigo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, só o conheci pessoalmente em Dezembro de 2009, quando acedeu, amavelmente, a participar, na sede da Câmara de Comércio Luso-Britânica, na apresentação em Lisboa de «Poemas» de Alfred Tennyson, que eu traduzi. Posteriormente, convidou-me para escrever e publicar um artigo sobre o grande poeta inglês na revista da British Historical Society of Portugal, de que era presidente. Gentleman – gentil homem - de elevada personalidade, com carácter, competência e currículo irrepreensíveis, fica como uma das heranças da sua vida o seu livro «O Marquês de Soveral – Seu Tempo e Seu Modo», sobre o grande diplomata português do século XIX.
O primeiro dia do ano novo trouxe-lhe o último ultimato. Recorrendo a Tennyson, diria que Paulo Lowndes Marques «cruzou a barra», talvez para Avalon, sem dúvida para um lugar melhor na confluência dos imaginários dos dois países que tantou amou.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Aconteceu... cedo demais

Foi hoje a sepultar Carlos Pinto Coelho, que faleceu na passada quarta-feira, 15 de Dezembro, aos 66 anos de idade. Depois de João Aguiar, é o segundo grande jornalista que conheci pessoalmente a desaparecer este ano.
Só por duas vezes me encontrei com ele: a primeira, algures no início dos anos 90, na RTP (ainda na Avenida 5 de Outubro), com o meu amigo Luís Ferreira Lopes, para conversarmos e obtermos informações sobre os planos da estação de televisão pública para o espaço da língua portuguesa, de que resultariam textos mais tarde incluídos no nosso livro «Os Novos Descobrimentos»; a segunda, precisamente, aquando do lançamento daquela obra, a 17 de Julho de 2006, em que ele foi um dos apresentadores – uma honra que nos concedeu e de que muito nos orgulhamos.
Agora, e como sempre acontece em ocasiões como esta, são muitos os que afirmam que ele era – é – um (bom) exemplo, uma referência, os que enaltecem a sua generosidade e a sua competência. Enfim, um homem cheio de qualidades pessoais e profissionais – o que é rigorosamente verdade e não um trivial, costumeiro, elogio póstumo. E, para além disso, era um autêntico, entusiasta, e com provas dadas, lusófono – que, por isso mesmo, e obviamente, era contra essa abominação conhecida como «acordo ortográfico». Também nisso vamos sentir a falta dele…

terça-feira, 9 de novembro de 2010

UM BILHETE DE AGOSTINHO DA SILVA



Este é um dos "Bilhetes" que George Agostinho da Silva fez publicar no jornal "África" entre Julho e Setembro de 1990. Escolhi-o por falar do tempo em que o filósofo viveu em Barca d`Alva.
A Barca é a última estação do caminho de ferro da Linha do Douro. Estudei em Coimbra, na década de 60, e passava a Páscoa e as férias grandes em casa da minha avó, em Almendra, a estação penúltima.
Viajava sempre de comboio. Barca d`Alva ficava para além e ganhava o encanto do desconhecido. Lembro-me de pensar, e de dizer, que tinha o nome mais bonito das terras de Portugal. Visitei-a, pela primeira vez, muitos anos depois.



Tive a grande sorte de nascer no Porto e posso então dizer que sou, por naturalidade e por natureza, perfeitamente republicano quando se trata de delegar em outros, mais competentes do que eu por isto ou por aquilo, os poderes que eu próprio tenho. Mas na vida tenho encontrado muita gente superior a mim e a ela podia confiar o encargo de me dirigir no proceder, poupando-me muitas das tolices que tenho cometido; bastaria citar professores como Teixeira Rêgo, Leonardo ou Pires Lima ou mestres como Sérgio e, no Brasil, Lauro Travassos, mas logo de princípio tive como perfeita guia minha avó materna, viúva de pescador de Olhão; e aí, como se não tratou de delegar poderes mas de os reconhecer como bem mais acima do que eu e de os seguir, fui, e ainda lhes sou, monárquico; no que sou o que foram os portugueses dos melhores tempos, monárquicos quanto ao superior, republicanos quanto ao igual, tomando ainda a precaução de apreciar o candidato a rei antes de o reconhecer como tal e de o pôr de parte sem cerimónias quando ele se revelava incompetente para a missão. Seja tudo como for, não fui crescendo no Porto, mas me levaram os destinos, ou a liberdade de criar, que é o fundamental do mundo, para a Barca de Alva, dura aldeia naqueles princípios de século e nela aprendi a conhecer o Povo de Portugal, e alguma coisa do de Espanha, e me lembro muito bem do que ia acima de tudo que hoje se apelida de cultura a daqueles analfabetos, cultura humana que é a que importa, firme nos ideais e objectiva na vida, bem para lá daquele saber que com cultura se confunde e que pode estar mais completo nos livros e nas fitas gravadas - e que é em grande parte a cultura de tantos europeus, ou melhor, «ceéeus», tão privado de humanidade que já nem sabem ter filhos. Pois do que também me lembro muito bem, daqueles três primeiros anos da Barca, é da morte de minha primeira irmã, logo a seguir a mim, aquela Estrela Estefânia que nunca andou, que nunca vi alegre, afinal nunca me apareceu senão que em braços embalada para morrer. Aldeia de matar, a Barca. Pois hoje a mesma terra, ligada a Trás-os-Montes por ponte acho que do Edgard, mas nem o comboio, que levava viajantes para Salamanca ou Lourdes, tem desde há pouco um Douro navegável do Porto até à fronteira, o que dá a Castela, ou a Leão-Castela, como quiserem, um porto de mar uns 200 quilómetros mais perto do que seria, por exemplo, o Santander no Cantábrico. E vede só: o que me acontece é que, estranhamente mas profundamente, ligo a chegada do transporte fluvial ao cais da Barca àquele não poder de vida que foi a Estrelinha como se, morta para nós, tivesse vivido mais que inteira para outra vida, a de conseguir que mais crianças do interior não fossem as vítimas que ela foi; passou a Barca de aldeia que mata a terra que dá vida e anima, como deviam ser, e o são, todas as aldeias de Portugal; ou todas as aldeias do mundo, se plenamente nos cumprirmos nós nas nossas.

Comentários, não estou à altura de os fazer. Tiro o chapéu a mestre Agostinho e agradeço ao meu amigo Leston Bandeira, que dirigiu galhardamente o jornal "África" durante cerca de 10 anos, a preservação dos textos que tencionamos publicar brevemente em forma de livro.

Fotografias:
Agostinho da Silva: internet.
Rio Douro, junto a Barca d`Alva: autor.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Agostinho da Silva (1906-1994), pensador da cultura, da liberdade e da lusofonia

George Agostinho Baptista da Silva, nasceu no Porto no início do século XX no regime da Monarquia Constitucional, tendo-se destacado como professor, filósofo e poeta. Contudo, a sua humildade e o seu sentido cívico aproximaram-no dos cidadãos, que muitas vezes tendem a olhar de soslaio para os filósofos, na medida em que procurou fazer da filosofia o móbil de legitimação da intervenção na sociedade e, por isso, mostrou a importância da “praxis” na vida dos filósofos. Deste modo, evidenciou-se como um Humanista no seu original pensamento da Liberdade e da Lusofonia que edificou com os seus escritos e com a sua vida.

Formou-se em 1928 em Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com 20 valores. Desde então passou a colaborar na revista “Seara Nova”[1], durante 10 anos, onde teve oportunidade de conhecer grande parte do escol intelectual português. Com apenas 23 anos sustentou a sua Dissertação de Doutoramento, enveredando por uma perspectiva de Filosofia da História com o seu trabalho académico “O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas”. De 1931 a 1933, já no contexto do autoritarismo português, foi estudar para Paris como Bolseiro na Sorbonne e no Collège de France.

No regresso a Portugal em 1935, já em pleno Estado Novo, começa a leccionar no ensino público secundário, mas tendo-se recusado a assinar um documento, que obrigava todos os funcionários públicos a declararem que não participavam em organizações secretas, é exonerado do cargo. Passa então para o ensino privado, onde foi professor de Mário Soares e de Lagoa Henriques. Nesta fase da sua vida dedicou-se com empenho às questões pedagógicas, levando-o à criação da Escola Nova de São Domingos de Benfica e do Núcleo Pedagógico Antero de Quental.

No início dos anos 40 quando se torna mais incómodo, pelos seus escritos, para o regime Salazarista, posicionando-se como um denodado oposicionista, a PVDE ( antiga designação da PIDE ) prende-o em 1943 e a Igreja Católica critica-o pelas suas ideias religiosas pouco ortodoxas. Estes factos adversos, indicativos de plena assumpção da sua liberdade, irão levá-lo ao exílio na América do Sul, tendo estado no Brasil, no Uruguai e na Argentina.

De 1947 a 1969 viveu no Brasil onde estudou e ensinou em diversas Universidades. Foi, com efeito, um intelectual empreendedor ao participar na criação da Universidade de Santa Catarina e na Universidade de Brasília e ao criar Centros de Estudos[2] que o fizeram aprofundar a compreensão da importância da Lusofonia. A proximidade intelectual que manteve com Jaime Cortesão, na investigação que desenvolveram sobre a figura de Alexandre de Gusmão e na Exposição do Quarto Centenário da cidade de São Paulo, terá sido decisiva para aprofundar a sua convicção lusófona, pois este eminente Historiador dos Descobrimentos Portugueses sempre sustentou a tese do Humanismo Universalista dos Portugueses.

Agostinho da Silva regressou a Portugal durante o período do Marcelismo, em 1969, e dedicou-se nessa altura, fundamentalmente, à escrita. Só após a Revolução do 25 de Abril de 1974 passou a leccionar regularmente em Universidades Portuguesas, designadamente na Universidade Técnica de Lisboa onde dirigiu o Centro de Estudos Latino-Americanos e foi designado consultor do Instituto da Cultura e Língua Portuguesa. Veio a transformar-se num dos mentores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pelas suas concepções e vivências lusófonas de fraternidade e união cultural dos países de língua portuguesa[3], sonhando mesmo com uma futura União Lusófona. Faleceu em Lisboa em 1994 sem conhecer esta nova instituição supranacional.

No princípio dos anos 90 a RTP1, imbuída de uma meritória missão de Serviço Público, emitiu uma série de notáveis entrevistas com o Professor Agostinho da Silva que o popularizou na sociedade portuguesa. Irei mostrar, de seguida, dois destes documentos televisivos intitulados “Conversas Vadias”. Além desta homenagem em vida, a este promotor da Cultura Lusófona, já postumamente constituiu-se a Associação Agostinho da Silva, em 1995, realizou-se a Comemoração do Centenário do seu nascimento, em 2006 e publicou-se o terceiro número da revista ‘Nova Águia’ intitulado “O legado de Agostinho da Silva – quinze anos após a sua morte”[4] em 2009.

O original pensamento filosófico, expresso muitas vezes numa linguagem poética de maior acessibilidade, de Agostinho da Silva, que nos foi legado pelos seus escritos e depoimentos orais, só aparentemente é libertário pelo tom provocador, crítico, que imprimiu em algumas das suas mediáticas entrevistas, mas, na verdade, este pensador foi um construtor de uma “praxis” comprometida com uma elevada consciência cívica e social actuante, como a sua vida nos demonstra sobejamente.

Nuno Sotto Mayor Ferrão

Publicado originalmente, com documentos acrescidos, no blogue Crónicas do Professor Ferrão


[1] Fernando Farelo Lopes, “Seara Nova”, in Dicionário Encclopédico da História de Portugal, vol. II, Alfragide, Selecções do Reader’s Digest, p. 216.

[2] Agostinho da Silva criou o Centro de Estudos Afro-Orientais na Universidade de Santa Catarina e o Centro Brasileiro de Estudos Portugueses na Universidade de Brasília.

[3] Renato Epifânio, “Agostinho da Silva: um legado”, in A Via Lusófona – Um novo horizonte para Portugal, Sintra, Edições Zéfiro, 2010, pp. 86-89.

[4] Nova Águia, nº 3 – 1º Semestre de 2009, Sintra, Zéfiro Editores, 203 p.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eduardo

.
Falar de alguém insuportavelmente ausente pode ser uma tortura. Não o foi - antes pelo contrário - a conversa que ontem o António Mega Ferreira organizou no Centro Cultural de Belém, sobre a figura e a obra de Eduardo Prado Coelho. Que bem que nos fez a todos recordar o Eduardo, ouvir contar as suas histórias, revisitar a lucidez impressionante das suas palavras!

Alexandra Prado Coelho, Fernando Pinto do Amaral, Margarida Lage e Nuno Júdice evocaram escritos e deram notas pessoais sobre Eduardo Prado Coelho. Para as dezenas de presentes, amigos ou admiradores do Eduardo, foi muito bom rever alguns dos seus mais belos textos, cuja densidade o tempo e a distância parecem sublinhar ainda mais.

A Eduardo Prado Coelho, como aqui já disse noutras ocasiões, Portugal deve um sopro de modernidade e um choque cultural que talvez não tenhamos, até hoje, medido em pleno.


Francisco Seixas da Costa in Blog “Duas ou três coisas – Notas pouco diárias do Embaixador Português em França”

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

E o MIL subscreve este voto de pesar...

A Associação Mares Navegados manifesta seu pesar pelo falecimento do Prof. Vivaldo da Costa Lima, importante colaborador do Prof Agostinho da Silva na construção do CEAO. Centro de Estudos Afro-Orientais, e um dos pioneiros da divulgação em África da língua portuguesa e da cultura brasileira, sob a orientação agostiniana.

A Associação Mares Navegados presta homenagem a Vivaldo da Costa Lima, uma grande figura do movimento do resgate da profunda influencia africana na vida e obra das gentes da Bahia, tendo doado ao CEAO suas publicações e sua biblioteca, na oportunidade em que se comemorou em Salvador o centenário de Agostinho da Silva, sem dúvida o grande inspirador de todo o seu magnífico trajeto.

Amândio Silva
Presidente

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Declaração MIL de Homenagem a António Telmo

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Membro do MIL desde a primeira hora, António Telmo foi um dos autores maiores da Filosofia Lusófona. Discípulo de Álvaro Ribeiro, José Marinho e Agostinho da Silva, defendeu sempre o princípio de que “sem autonomia cultural não pode haver autonomia política”. Foi, por isso, de forma coerente e consequente, ainda que de modo muito singular, um patriota. Tal como nós, ele sabia que a autonomia política de todos os países de língua portuguesa só se manterá enquanto se mantiver essa autonomia cultural lusófona. Manter-nos-emos fiéis a esse princípio, assim honrando a memória de António Telmo.

MIL: Movimento Internacional Lusófono
http://www.movimentolusofono.org/

Hoje: Homenagem a António Telmo e à Filosofia Portuguesa na Biblioteca Nacional (Lisboa, Campo Grande)

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Nesta sessão, a partir das 18:00, será apresentada a obra “O Portugal de António Telmo”, organizada por Rodrigo Sobral Cunha, Renato Epifânio e Pedro Sinde, “um livro de homenagem, que o autor teve ainda a oportunidade de contemplar”, segundo uma nota do grupo Babel.
Participam na sessão Pedro Sinde, Renato Epifânio, Rodrigo Cunha e ainda o escritor Miguel Real e o filósofo Pinharanda Gomes.
“O Portugal de António Telmo” inclui textos inéditos do filósofo, dois dos quais fac-similados, fotografias, e testemunhos de outros autores como Orlando Vitorino, num total de 356 páginas.
António Telmo Carvalho Vitorino, nascido a 02 de Maio de 1927, em Almeida (Guarda) integrou aos 23 anos o grupo Filosofia Portuguesa depois de ter tido contacto com José Marinho (1904-1975) e Álvaro Ribeiro (1905-1981).
A convite de Agostinho da Silva (1906-1994) e de Eudoro de Sousa (1911-1987), foi professor de Literatura Portuguesa durante três anos, na Universidade de Brasília. Lecionou ainda em Granada e, de regresso a Portugal, foi director da Biblioteca de Sesimbra, onde residira, e posteriormente radicou-se em Estremoz, onde foi professor de Português.
António Telmo foi autor de vários títulos, entre os quais “Arte Poética” (1963), “Gramática secreta da língua portuguesa” (1981), “Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões” (1982), “O Bateleur” (1992), “O Mistério de Portugal na História e n’ Os Lusíadas”, (2004), “Viagem a Granada” (2005) e “Contos Secretos” (2007).
No próximo número da revista Nova Águia, de que era colaborador, será publicado o artigo “O estilo da Renascença Portuguesa”, que escreveu em 1955.
“Um dos mais originais filósofos do nosso tempo e um dos maiores escritores portugueses, conjugou tradições como a filosofia aristotélica e a filosofia hebraica, a língua portuguesa e o pensamento poético, a noção de firmamento e o culto dos heróis”, segundo nota da Babel.
“A sua obra propõe uma nova visão da História de Portugal, ligada à Ordem do Templo e à Ordem de Cristo, aliando a interpretação do Mosteiro dos Jerónimos a uma nova leitura do pensamento de Luís de Camões (em diálogo único com Fiama Hasse Pais Brandão)”, lê-se na mesma nota.
(ES)