MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia
Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/
"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)
A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)
Agostinho da Silvasegunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia na Fundação "O Século"
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Projeto "Fado Mimado" e o Fado como Património Imaterial da Humanidade
O fado foi classificado pela Unesco como Património Imaterial da Humanidade num trabalho de fôlego, de qualidade e de rigor liderado pelo musicólogo Rui Vieira Nery. Depois de uma evolução histórica notável do fado que culminou na consagração internacional de Amália Rodrigues na segunda metade do século XX, o certo é que este género musical tem novos interpretes que projetam o fado a nível internacional. A ligação lusófona de Portugal aos quatro cantos do mundo aparece simbolizada por esta ambivalente canção de melancolia que encerra um fundo de esperança.
O Projeto “Fado Mimado” dirigido ao público infantil e juvenil pretende de uma forma lúdica despertar as novas gerações para este género musical. Este Projeto reúne um CD intitulado “Fado Sonhado” cantado por Maria Azóia e dois livros de Gilda Nunes Barata intitulados “Um Xaile com Notas a Chorar”[1] e “Saudade, Meu Amor?”[2] com ilustrações respetivamente de Danuta Wojciechowska e de Ana Bossa. Os dois livros são bilingues (português e inglês), desde os seus respetivos títulos, denunciando a dimensão internacional que o fado tem assumido. Este Projeto foi lançado no Museu do Fado.
Somos introduzidos no livro “Um xaile com Notas a Chorar” com um belo “epitáfio” de Sophia de Mello Breyner Andresen e uma breve definição do Fado de Rui Vieira Nery. Diz-nos o musicólogo que este género musical transporta uma pulsação rítmica ambivalente que vai da lamentação ao entusiasmo mais enérgico. Esta narrativa, cheia de imaginação, de tom poético parece inspirar-se numa entrevista que Amália Rodrigues concedeu ao jornalista Armando Baptista Bastos em 1999. O “personagem”, desta alegoria, é um xaile, inseparável companheiro da imortal fadista portuguesa, que vai meditando ao longo da história sobre o valor do fado. Tal como Gilda Nunes Barata, especialista na corrente saudosista de Teixeira de Pascoaes, o xaile interroga-se sobre a saudade como um sentimento muito português. Nas suas meditações, o xaile vai-nos lembrando que para os portugueses como um povo de marinheiros, que criaram um dos impérios europeus no mundo, e como um povo de emigrantes este sentimento da saudade está sempre muito presente.
Neste livro de homenagem ao fado há uma simbiose perfeita entre o texto e as feéricas ilustrações de Danuta Wojciechowska. No decorrer das suas aprendizagens, o nosso protagonista, o xaile, dialoga com as forças da Natureza e com os músicos, seus fiéis companheiros, que nas suas almas procuram dar voz ao encontro com outras paragens e com outros povos. Deste modo, este pequeno conto está entretecido de uma linguagem fortemente poética que perscruta os sentidos metafísicos do fado como uma existência cultural singular que bem merece esta classificação da Unesco de Património Imaterial da Humanidade. Nesta fábula, o xaile canta Lisboa como um local de partidas e de chegadas que faz transbordar nos seus habitantes um sonho comovido que desperta sentimentos contrários.
Este xaile, na sua meditação, fala-nos do fado como uma canção, que enaltece as canseiras e as emoções contraditórias que os portugueses vão passando, que lhe permite um grande amadurecimento na convivência com a mítica fadista de alma universal. É, assim, que ele acaba por adormecer sonhando com o mar que sempre permitiu a Lisboa abrir-se a aventuras inesgotáveis de contactos com outros povos. Gilda Nunes Barata, a autora da fábula, tem uma cuidada formação eclética que perpassa na sua escrita que se reparte entre a literatura infantojuvenil e a literatura poética. Danuta Wojciechowska tem já um invejável currículo internacional como criadora de ilustrações com Prémios já recebidos. É, sem dúvida, um livro de que recomendo uma leitura atenta.
No outro livro de Gilda Nunes Barata intitulado “Saudade, meu Amor?” dirigido, sobretudo, ao público mais infantil as ilustrações, bem conseguidas, pertencem a Ana Bossa. O enredo desta pequena história é bem expressivo das emoções que pairam no fado (a saudade e a procura da felicidade). Assim, nesta história de uma pequena gaivota que perde a fralda aparece um sentimento de saudade e de busca que é ultrapassado com a alegria de a encontrar a servir de cobertor a um corvo que sorri no seio da sua tristeza. Fica, pois, como uma sugestão para uma eventual prenda de Natal este conjunto de dois livros e um CD que dão pelo nome de “Fado Mimado.
Nuno Sotto Mayor Ferrão
Publicado com documentos complementares em Crónicas do Professor Ferrão
[1] Gilda Nunes Barata, “Um Xaile com Notas a Chorar”, Lisboa, Edição Quebra-Nozes, 2011.
[2] Idem, “Saudade, meu Amor ?”, Lisboa, Edição Quebra-Nozes, 2011.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Depoimentos vídeo sobre a Lusofonia
Depoimento do Prof. Gentil Martins sobre a importância da Lusofonia
O Professor é Sócio Honorário do MIL.
Depoimento recolhido no âmbito da ronda de depoimentos sobre a Lusofonia e a Importância da mesma para Portugal.
Depoimento sobre a Importância da Lusofonia do Deputado Hélder Amaral
Deputado pela Assembleia da República e suplente da Comissão CPLP da AR.
Depoimento recolhido na Assembleia da República no âmbito da ronda de depoimentos sobre a Lusofonia e a Importância da mesma para Portugal.
Depoimento do Prof. Manuel Ferreira Patrício sobre o MIL e a Importância da Lusofonia
Prestado a 14 de julho no Palácio da Independência (Lisboa)
O professor Manuel Ferreira Patrício é Sócio Honorário do MIL e Professor Convidado na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.
Depoimento do Prof. Pinharanda Gomes sobre o MIL e a Importância da Lusofonia
Prestado a 14 de julho no Palácio da Independência (Lisboa).
Filósofo, é igualmente Sócio Honorário do MIL
Depoimento do Professor Braz Teixeira sobre o MIL e a Lusofonia
Prestado a 14 de julho no Palácio da Independência (Lisboa).
O Professor Braz Teixeira (Lisboa, 21 de Julho de 1936) é um escritor, ensaísta, historiador, filósofo, professor universitário e, mais recentemente, Sócio Honorário do MIL
Depoimento do Professor Garcia Pereira sobre o MIL e a importância da Lusofonia para Portugal
Depoimento prestado na qualidade de dirigente do PCTP/MRPP
Depoimento de Renato Epifânio sobre o MIL e a Lusofonia
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
Depoimento de Rui Martins sobre o MIL e a importância da Lusofonia
Vice-presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
Depoimento do Professor Adriano Moreira sobre a Lusofonia e a sua importância para Portugal
Sócio Honorário do MIL e Presidente da Academia Portuguesa de Ciências
André Thomashausen: as raízes de um “Portugal viável” estão “em África e no universo português, que não tem fronteiras” por oposição à opção europeia

- André Thomashausen (http://www.ecademy.com)
A Lusofonia é uma das saídas para a grave crise económica e financeira a que Portugal está hoje submetido. A expressão é do insuspeito professor alemão André Thomashausen, da University of South Africa e foram proferidas recentemente numa conferência em Joanesburgo.
André Thomasshausen classificou a crise portuguesa como sendo "uma catástrofe económica, social e cultural" identificando a origem profunda deste cruzamento de crises naquele que já consideramos (noutras publicações no Quintus) como sendo o Nó Górdio do nosso desenvolvimento: o processo de integração europeia. Thomasshausen também acrescentou um ponto crucial e compatível em pleno com as nossas crenças e com os princípios do MIL: Movimento Internacional Lusófono. Segundo o professor alemão, as raízes de um “Portugal viável” estão “em África e no universo português, que não tem fronteiras” por oposição à opção europeia que tem sido a estratégia quase mono-temática da nossa diplomacia política e económica desde 1986.
Thomashausen acrescenta que "para o crescimento da economia de Portugal – que é uma economia muito pequena para poder concorrer, a pé de igualdade, com as grandes indústrias europeias – penso que vale a pena repensar o alinhamento de Portugal com os países de expressão portuguesa”.
A língua portuguesa tem junto dos quase 50 milhões de africanos que a dominam um importante peso económico: "A língua portuguesa é realmente a língua que se pratica. Muito pouca gente pratica o inglês nos países de expressão portuguesa. Existe toda a indústria de processamento de dados; hoje em dia não há atividade que não passe pelo uso dum computador. E, nos países de expressão portuguesa, são computadores que funcionam com base na língua portuguesa. Toda a adaptação do software passa pelo Português, e é aí que Portugal já tem uma indústria muito desenvolvida, mundialmente reconhecida, e poderá penetrar mais nos países de expressão portuguesa – possivelmente em parceria com grandes empresas brasileiras, que têm mais força para uma tal expansão”. Recordando assim a importância que a florescente e dinâmica indústria portuguesa de software pode vir a ter no aprofundamento dos laços de Portugal com a África lusófona e na recuperação económica do nosso país.
Fonte:
DW
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Luciano Amaral: "Hoje, em termos comparativos, somos 6% mais pobres do que éramos no ano 2000"

- Luciano Amaral (http://www.diarioinsular.com)
"Hoje, em termos comparativos, somos 6% mais pobres do que éramos no ano 2000. (...) a ideia de um grande ciclo uniforme de crescimento entre meados dos anos 80 e o final do século XX é uma ilusão estatística decorrente da contiguidade temporal entre dois ciclo diferentes, o primeiro entre 1986 e 1992 e o segundo entre 1995 e 2000."
(...)
"O primeiro foi marcado pela inversão das condições da crise internacional dos anos 70 (embaratecimento do preço do petróleo e queda do dólar), pela abertura da economia europeia às exportações portuguesas e pelo enorme afluxo de capitais e outros meios de pagamento do exterior. Como, ao mesmo tempo, os governos da época seguirem uma política orçamental expansionista (embora, não o parecendo, graças à poupança no serviço da dívida) a economia foi impulsionada por excepcionais circunstâncias externas e internas. Este crescimento mostrou os seus limites quando se deram sinais de sobreaquecimento, sob a forma de inflação."
Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral
Esta sagaz interpretação do quadro económico depois de 1974 reflete bem a gravidade estrutural da condição da economia portuguesa. Entre o final da II Grande Guerra e 1970 convergimos para os níveis de riqueza europeus mais de 30%. Desde 1973, apenas 10%, descontando já os 6% perdidos desde 2000. A "integração europeia" é assim - do ponto de vista económico - um rotundo fracasso, moderado apenas (nos escassos 6 anos de convergência) pelo embaratecimento do credito e por circuntâncias conjunturais irrepetíveis: crédito barato, baixo preço do petróleo, fundos estruturais. Não poderemos, portanto, reeditar o esses anos de crescimento depois de 1974. Importa assim sair da situação presente por uma de duas vias:
a. Ou acabamos enquanto país independente
b. Ou realizamos um ruptura estrutural que nos retire desta espiral descendente autodestrutiva.
Importa quebrar radical e corajosamente, um dos vários alicerces fundamentais do nosso país, sem o que se segue uma recessão profunda e duradoura que levará a um nível insuportável de conflitualidade social e a uma consequente intervenção europeia, tornando-nos num Protectorado ou uma bovinizada "região" europeia. Essa é a primeira a opcao: a da morte de Portugal.
Como nao creio que Portugal vá morrer e como, decorrentemente, tudo farei para que tal nao suceda, importa assim buscar saídas alternativas a essa fatalidade: Temos que encontrar uma Estrutura matricial do Estado português contemporâneo que possa ser quebrada, ropendo com esta queda aparentemente mortal em que estamos imersos, como comunidade e espírito coletivo.
Existem três estruturas matriciais no Portugal atual: o sistema democrático, o Estado-Providência e a Integração Europeia.
A democracia é o único campo onde o nosso percurso enquanto comunidade desde 1973 é exemplar e caso de sucesso mundial. Temos hoje uma democracia robusta, consolidada e funcional; com ineficiências (como o Centralismo, a Partidocracia e os níveis de Abstenção), mas com um nível de qualidade que devia deixar muitos países ditos "civilizados" invejosos. Esta Estrutura não deve portanto, ser afetada.
O pilar do Estado-Providência ou Estado Social é outra das grandes conquistas de Abril e representou uma importante aproximação aos padroes de vida europeus. Reduzi-lo de forma dramática, não seria aceite pela população. Mas o Estado Social tem crescido sempre acima do anémico crescimento do PIB, mesmo em anos de Recessão. A Função Pública (e apesar dos Congelamentos e Reduções recentes) tem duplicado de tamanho a cada década, desde a década de 70. No Estado Social há que encontrar equilíbrios e sustentacoes, já que o crescimento da despesa pública não é suportável neste contexto recessivo atual. A Despesa tem que ser contida por forma a preservar o essencial da estrutura. Mas a sua própria existencia não pode ser ameaçada, sob pena de colocar em causa o próprio regime democrático.
Destas três estruturas matriciais que definem o Portugal de hoje, resta assim apenas uma uma: o projeto nacional da Integração Europeia. Em termos meramente económicos, a Europa nao nos trouxe prosperidade ou riqueza: desde 1986, os anos de crescimento deveram-se sempre a motivos conjunturais e a abertura de barreiras alfandegárias conjugada com a UEM desde 1990 e do Euro, desde 2000, arrasaram com a nossa competitividade e fizeram disparar a Dívida Externa. A europa - não sendo Culpada pelos nossos erros - esteve certamente no epicentro do furacão que nos arrastou até ao abismo da extinção. Fala-se agora que a Europa nos pode ainda "salvar" tornando-nos numa "região" doa países mais ricos ou transformando-se numa entidade federal, transnacional, começando por exemplo, por acabar com os ministérios das finanças nacionais e substituindo-os por um imperial "ministério das finanças" europeu... com os decorrentes fins dos orçamentos de Estado nacionais, cobrança de impostos. Sejamos claros, sem independência na pasta das Finanças, não há independência. Se a solução do pilar doente "europa" passa pela perda da independencia nacional, entao eu passo, como passará a maioria esmagadora dos portugueses e dos europeus, aliás... Se tal movimento for posto a referendo pela eurocracia, o que é duvidoso.
Se nao podemos e não devemos sacrificar nem o pilar da Democracia, nem o do Estado Social e embora ambos carecem de correções urgentes resta assim apenas uma Estrutura que pode e deve ser mudada para salvar a nossa pátria: a Europa e nela o projeto de integração europeia. É aqui que deve ser realizada uma corajosa, dolorosa e radical ruptura. Enquanto ainda temos energia e força para o fazer. Enquanto ainda há um Portugal passível de ser salvo.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Comentário ao artigo "Lusofonia: Cultura ou Ideologia?" de Lourenço Rosário (Moçambique)

- Itamar Franco (http://www.receitabrasil.com)
"Quando em 1988, Itamar Franco se reuniu com os seus homólogos em São Luís do Maranhão, o encontro não se designou Lusófono, mas sim dos Países de Língua Portuguesa. Assim, também as bases para a constituição de uma comunidade constituída por esses Países também não adoptou o nome de Comunidade Lusófona, mas sim Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP. Este é o primeiro ponto que coloco à reflexão e discussão. Por que razão é que do ponto de vista oficial, na diplomacia e na cooperação multilateral, jamais o termo lusófono foi adoptado? E por que razão é que a nível do discurso político, sobretudo na relação entre o olhar de vários segmentos da sociedade portuguesa, este termo tem vindo a ser consagrado como sendo o de maior utilidade"
> O termo "lusofonia" introduziu-se no discurso político, económico e comum da sociedade portuguesa do século XXI. É praticamente impossível abrir ou jornal ou assistir a um programa noticioso na televisão sem que a palavra "lusofonia" seja lida ou escutada. O termo entrou claramente na moda. Politicamente neutro, economicamente imparcial, socialmente e culturalmente muito relevante, a palavra "lusofonia" designa hoje um conjunto de países geograficamente descontínuos unidos entre si mais por proximidades linguísticas, históricas e culturais do que económicas, sociais ou políticas. Neste contexto, "lusofonia" é algo de profundamente diverso de "anglofonia" ou "francofonia", termos neocoloniais onde o fator económico, militar e político são dominantes.
"Marcelo Rebelo de Sousa esteve recentemente em Moçambique, no âmbito de cooperação académica entre as universidades portuguesas e moçambicanas. Ele escandalizou meio mundo ao, pela primeira vez, assumir a postura muitas vezes pronunciada em surdina de que havia que resgatar o lado bom do colonialismo, fazendo justiça àqueles que, embora servidores do sistema, conseguiram dar-lhe um rosto humano."
> Tido geralmente como um fenómeno completamente negativo, com efeito, o colonialismo (e em particular, o colonialismo português) foi algo de muito mais profundo e complexo do que as leituras feitas na época de descolonização pareciam fazer transparecer. Especialmente no caso português e apesar de toda a carga negativa e dada a especificidade da presença portuguesa em África não se traduziu numa exploração massiva de recursos, nem no saque sistemático que carateriza a maioria dos outros colonialismos europeus. Isto deveu-se ao cruzamento de vários fatores:
a. Demografia: Portugal nunca teve a escala populacional, nem o crescimento demográfico que lhe permitisse enviar excedentes humanos para as colónias, como fizeram os holandeses com a África do Sul, os franceses com o Quebec, os ingleses com os EUA, Austrália e Nova Zelândia. Com excepção única do Brasil, Portugal não "colonizou" (no sentido restrito, enviando "colonos" em massa) nenhuma das suas colónias.
B. A escassez de recursos financeiros e logo, militares do país nunca lhe permitiu manter nos territórios sobre os quais tinha direitos administrativos uma exploração sistemática de recursos. O contributo económico das colónias (com excepção de Angola na década de 70) foi sempre diminuto para o todo da economia nacional.
C. Como Portugal sai apressadamente das suas colónias africanas e depois de uma longa e dura tripla guerra colonial não teve nem tempo, nem disposição anímica para deixar atrás de si a rede de dependências neocoloniais que ainda hoje potencias como a França ou o Reino Unido deixaram em África.
Estas condições tornam o colonialismo português e, sobretudo, o o seu legado em algo de substancialmente diferente do que foi o colonialismo europeu em África.
"O destino dos portugueses é plasmar o seu ser nos quatro cantos do mundo. A história, em parte, confirma isso, na medida em que, a partir do século XV, Portugal tornou-se numa grande potência mundial, presente em todos os continentes, fazendo-se respeitar e fazendo com que a sua língua se tornasse na língua franca nos meandros da economia, do comércio e da diplomacia. Mesmo com o enfraquecimento do estado português e consequente desaparecimento desse poderio real, os portugueses interiorizaram esse desígnio de grandeza histórica que lhe não permite ser contido naquele pequeno rectângulo que constitui o seu território."
> E é por isso que a adesão à União Europeia (então, CEE) não se traduziu no "salto em frente" que se esperava. Houve, desde 1986, uma melhoria significativa de muitos indicadores de desenvolvimento, mas nada que fosse correspondente à escala dos fundos estruturais derramados sobre Portugal nem que permitisse reduzir o hiato económico entre os países do norte e Portugal: com excepcao de alguns anos na década de 90, desde a integração, Portugal cresceu sempre a um ritmo médio anual de 2.5%, inferior ao da maioria dos seus parceiros do norte, que, de resto partiam já de um patamar muito mais elevado. De facto, e curiosamente, as décadas de maior crescimento em Portugal correspondem às que medeiam entre 1930 e 1970, onde a economia terá crescido mais de 30%, apesar dos custos humanos e económicos de manter o segundo maior exército ao sul da Saará em três frentes de guerra muito ativas.
"O primeiro grande golpe sobre o mito do império é dado no início da década de 60, com a saída pouco gloriosa de Portugal dos territórios e colónias da Índia. A rendição militar bateu fundo no orgulho histórico dos heróis do mar, nobre povo e nação valente. Mais do que o Ultimato Inglês dos anos 90 do século XIX, a perda de Goa, Damão e Diu constituía a primeira machadada na herança sonhada, criada e deixada por Dom João II. Quero lembrar aqui, que pouco tempo antes e não por mera coincidência, Gilberto Freyre fora hóspede convidado de Salazar, naqueles territórios, onde foi buscar mais subsídios para consubstanciar as suas teorias lusotropicalistas, ido de Cabo verde."
> A teimosia de Salazar em deixar os territórios da União Indiana de uma forma negociada e que assegurasse a preservação da herança portuguesa no território pela via de um referendo que permitisse que a população local escolhesse entre autonomia, independência, integração na União Indiana ou continuação do domínio português condenou a Índia Portuguesa ao fim.
É certo que o regime do Estado Novo não estava realmente perante uma plena escolha: a preservação do império era parte da matriz identitária do regime e o exemplo da cedência - ainda que negociada - de uma das suas parcelas seria uma motivação para que outras colónias seguissem o mesmo caminho. Organizar e seguir um referendo livre e independente em Goa seria também muito problemático para um regime que ao fim ao cabo, não era democrático, nem na metropole e muito menos nas suas colónias... Os resultados até poderiam favorecer uma autonomia alargada ou a continuação no estatuto atual, dada a intensidade da presença portuguesa no território (especialmente religiosa e administrativa), mas um tal exemplo poderia ser depois ser seguido em Moçambique ou em Angola, onde o desfecho não seria certamente tão favorável aos interesses de Lisboa...
"Uma das grandes discussões que ainda divide os integrantes das estruturas do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, com sede em Cabo Verde, reside precisamente no facto de os representantes portugueses com a neutralidade cúmplice dos brasileiros considerarem que aquela instituição deve velar essencialmente os interesses e defesa da língua portuguesa, denominador comum dos países nele representados. Os africanos procuram lembrar aos seus parceiros que o panorama linguístico dos três países africanos continentais e Timor Leste é de diversidade linguística." (...) "O impasse tem praticamente paralisado o IILP que não consegue encontrar saídas e os poucos projectos alternativos não avançam por falta de vigor."
> A Lusofonia e a CPLP têm que trilhar o seu caminho na senda da originalidade e inovação. O IILP não deve, não pode ser uma pura emanação dos interesses da industria cultural portuguesa ou brasileira. Por isso, não pode ser um instrumento de um "imperialismo cultural lusófono" em que o português seja um agente de opressão ou imposição linguística e cultural. A língua de Camões não é uma língua morta, como o latim, e incorpora no seu seio muitos elementos alheios. Em África e no Brasil, em particular, as variantes locais do português incorporam vários vocábulos de línguas locais e isso enriquece a língua - no seu todo - tornando-a dinâmica, adaptável e viva. O IILP tem que incluir no seu programa operativo e de investigação não somente a promoção e o desenvolvimento da língua portuguesa, mas também o das línguas nacionais de todos os Estados da CPLP, incluindo o mirandês, em Portugal e a variante galega do português. Assim, enriquecerá a língua cuja defesa é a sua missão principal, não as tolerando (termo sempre pejorativo) mas promovendo-as e estimulando a sua coexistência ao lado do português.
sábado, 4 de junho de 2011
Proposta para domínio DNS raíz .lus, para conteúdos lusófonos, à semelhança do .cat, catalão

- http://www.icann.org
Todos estamos habituados a utilizar os sufixos ".com" e ".org" nos endereços dos sites que visitamos nos nossos web browsers (como o Internet Explorer ou o Mozilla Firefox). Ora, a partir de 2010, a entidade que regula o sistema de nomes de domínios na Internet, a "Internet Corporation for Assigned Names and Numbers" (ICANN) anunciou que iria disponibilizar novos endereços raiz, ou seja novos sufixos primários. Estes novos domínios primários irão cobrir todas as línguas e temáticas.
Com a tecnologia atual, a ICANN permite apenas a criação de domínios com carateres do alfabeto romano padrão, isto é, sem carateres especiais como ç ou á ou í. Ora segundo o diretor de comunicação do ICANN, Brad White a organização vai abrir essa possibilidade a partir da segunda metade de 2010.
A lista de nomes de domínio de topo (DNS) é já relativamente extensa, contendo mais de duas centenas de nomes, para alem dois muito conhecidos .com, .org ou .edu, (respetivamente, "empresas COMerciais", "ORGanizações" não-lucrativas, "EDUcação)". A maioria, contudo, designa países como .pt para Portugal, .br para Brasil ou .ao para Angola). Ora é esta lista restrita que se vai abrir em 2010. A partir de então, particulares, empresas e associações e instituições poderão candidatar-se a novos domínios de raiz, quer com objetivos meramente comerciais, por exemplo, empresas como a Nokia, poderão requerer um domínio-raíz ".nokia" e particulares algo como ".nome" de forma a registarem domínios como "billgates", sem o www (que já aliás já não é necessário) e até sem o ".com" (deselegante se se trata de um site pessoal).
A partir de 2010, será possível propor um nome de domínio raiz novo à ICANN e por pagamento ainda a definir, usá-lo.
Mas mesmo antes de 2010, uma associação catalã, de nome "Associació puntCAT" conduziu e mantêm hoje com sucesso o domínio .cat para uso pela comunidade linguística catalã.
O .cat é hoje um sucesso, contendo já mais de 33 mil domínios registados, desde o seu lançamento, apenas em janeiro de 2009, num processo que começou em setembro de 2005. Cada um destes domínios é verificado antes da aprovação e após de forma a garantir a conformidade com os princípios da defesa e divulgação da língua catalã e que agrega todos aqueles que usavam a língua catalã nas suas comunicações na Internet. Assim, o domínio não é territorial (como .es de Espanha. Ou .fr de França), mas cultural e linguístico, e coexiste com estas entidades nacionais, não sendo raras as organizações que mantêm presenças duplas na Rede mundial.
Qualquer entidade, indivíduo, associação ou empresa pode candidata-se a um domínio .cat, desde que possua no momento da apresentação, conteúdo online em língua catalã.
O domínio .cat utiliza o novo método da "ICANN New sTLD RFP Application" da entidade internacional.
Proposta:
Tendo em conta o exemplo do domínio-raíz .cat, porque não aproveitar este exemplo, aberto precisamente no meio que mais pode unir os geograficamente dispersos povos da lusofonia, a Internet, e propor um nome de domínio raiz lusófono? Porque não abordar a CPLP, que tem precisamente do domínio das tecnologias de informação uma das suas áreas de ação privilegiadas e propor (sob o nome e iniciativa da CPLP) a criação do nome ".luso"?
Com este novo nome de domínio raiz, entidades públicas (como a CPLP) ou privadas que operam comercialmente em vários países lusófonos, como a Portugal Telecom, a Embraer ou o... MIL: Movimento Internacional Lusófono, poderiam adotar domínios como www.telecom.luso, www.embraer.luso Ou www.movimentolusofono.luso e assim potenciar a utilização da língua de Camões e Jorge Amado na Internet, resistindo à influência aglutinante do inglês, potenciando a utilização do português e da cultura dos países lusófonos.
Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375089
http://www.icann.org/en/topics/new-gtld-program.htm
sábado, 16 de abril de 2011
Revista Persona Mulher
Josely Pereira (Membro do MIL), Embaixador de Timor Leste Domingos de Sousa e esposa, Victor Alegria (Editor da Thesaurus)
Dr. Carlos Moura (Fundação Palmares) e Lúcia Helena Sá (Conselho Consultivo do MIL)
Lúcia Helena Sá, Maria Lúcia d'Ávila Pizzolanti (Diretora-Presidente da Revista Persona Mulher) e Sônia Korte (Divulgadora Cultural de São Tomé e Príncipe)
Josely Pereira, Embaixador Daniel Pereira, Embaixatriz Sara Pereira, Lúcia Helena Sá
Lúcia Helena Sá e Josely Pereira
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
José Van Dunen: "A lusofonia tem sido construída, alimentada e fortalecida maioritariamente pela acção da sociedade civil e não pelos políticos"

- José Van Dunen (www.afdevinfo.com)
"José Van Dunen, que começou por defender a ideia de que a lusofonia tem sido construída, alimentada e fortalecida maioritariamente pela acção da sociedade civil e não pelos políticos. Empresários, famílias, artistas e outros intervenientes nas várias sociedades têm determinado o desenvolvimento das relações e do conhecimento entre os países."
- Perante a quase inoperância da CPLP (paralisada pela escassez dos recursos financeiros e humanos e pela falta de ambição estratégica dos seus líderes) a sociedade civil tem que avançar e cumprir o papel que os políticos (por falta de visão ou por enfeudamento crónico a outras estratégias) não conseguem ou não querem seguir. A CPLP é nas palavras do primeiro homenageado pelo MIL com o Prémio Personalidade Lusófona de 2009, o embaixador Lauro Moreira, "aquilo que os seus cidadãos quiserem que ela seja". Nem mais, nem menos. Cabe a nós, cidadãos conscientes e civicamente ativos, dos países da Lusofonia, agir e compelir os nossos governos e a própria CPLP a avançar e a aproximar-se cada vez daquele sonho de Agostinho da Silva de uma "comunidade lusófona" ímpar e única na História do Homem sobre a Terra.
"Aliás, Van Dunem fez ainda questão de falar da actual situação dos vistos, que vai dificultando a circulação no espaço da lusofonia. Um problema que o professor da Universidade Agostinho Neto resumiu numa pergunta que fez soltar gargalhadas na audiência: "mas eu preciso de pedir licença para ir a casa dos meus pais?"
- Recordamos a este propósito de uma das mais antigas propostas do MIL: Movimento Internacional Lusófono, o "Passaporte Lusófono Agostinho da Silva", que além da "cidadania lusófona", antecipava também o dia em que não seriam mais necessários vistos entre os países da CPLP. O bloqueio é hoje anacrónico e resultante de um medo atávico perante "vagas migratórias descontroladas" de África ou Brasil. Mas hoje, com o desenvolvimento destes dois países, o risco do surgimento dessas vagas é meramente vestigial, enquanto que o bloqueio burocrático esse, é muito palpável e profundamente injusto e dificultador do estreitamento das relações entre os países lusófonos. A injustiça, de resto, não é apenas portuguesa, já que Moçambique apresenta neste campo a pior situação, com um escandaloso aumento do preço dos vistos de residência em flagrante contraste, de resto, com os compromissos internacionalmente assumidos com os seus parceiros da CPLP.
"Portugal terá feito a melhor opção ao virar-se para a Europa, na década de 80, em vez de se virar para os países da lusofonia? perguntaram da plateia a Marcelo Rebelo de Sousa. Que respondeu que, nessa altura, seria difícil considerar tal hipótese, já que as relações entre Portugal e os países com independências muito jovens tinham ainda feridas recentes."
- Marcelo não deixa de ter a sua quota parte de razão... na década de 80 era ainda cedo para aprofundar a ligação entre os países lusófonos e os traumas da guerra colonial (assim como os temores fundados pelo neocolonialismo) ainda estavam muito vivos. Mas isso não explicou o desnorte estratégico das décadas seguintes, nem uma política externa seguida pelo "Rotatitivismo Democrático" do Bipartido que sistematicamente esqueceu a Lusofonia e favoreceu apenas a "Europa", aquela madrasta que exigiu a desindustrialização e a tercialização do país em troca dos milhões de euros dos "fundos europeus". Portugal vendeu-se em troco de patacas e pardaus e esqueceu-se de uma vocação universalista e lusófona que poderia ter alavancado um verdadeiro desenvolvimento social, económico e diplomático mais consentâneo com o nosso verdadeiro estatuto internacional. Portugal é muito mais do que um "país médio" da União Europeia. É um dos países da Lusofonia, um dos seus mais influentes agentes internacionais e representa mais de 200 milhões de lusofalantes, sendo assim muito maior que a sua escassa fronteira europeia. Mas essa visão estratégica nunca foi a dos nossos governantes de vistas curtas...
"Sol", 18 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Debate "A Importância da Lusofonia"
O debate começou por ser uma apresentação daquilo que é o MIL, da sua escala lusófona, com representantes, membros e sócios honorários provenientes de todas as paragens da lusofonia, da Galiza a Timor, passando por Cabo Verde e pelo Brasil.
Numa segunda parte, foi dada uma passagem global sobre os princípios e objetivos do MIL com especial foco no papel crucial que o pensamento de Agostinho da Silva teve como inspiração para o MIL. Especial foco foi dado sobre a defesa de uma Regionalização Municipalista, a opção por União Lusófona em caso de colapso da União Europeia no desfecho da atual crise económica e de valores que atravessa, de Economias e Moedas Locais, no direto decurso do Municipalismo defendido pelo MIL sob a inspiração da "federação de municípios livres e independentes" de Agostinho da Silva.
Na terceira parte do debate, foi abordada a ação cívica do MIL, desde a petição "Não Destruam os Livros", apresentada e já debatida na Assembleia da República (tendo estado presente um deputado do PS que era sabedor desta presença), assim como as campanhas do MIL a favor da ONG Ajuda Amiga de envio de livros para a Guiné-Bissau, e em cuja distribuição iremos participar pessoalmente em março e a campanha para Baucau, em Timor.
Apresentámos as mais importantes propostas do MIL, como a Força Lusófona de Manutenção de Paz, o Banco Lusófono de Desenvolvimento e o Passaporte e a Cidadania Lusófona. A intervenção foi concluída com referencias ao Prémio Personalidade Lusófona do Ano de 2009, onde foi agraciado o embaixador Lauro Moreira e um convite à audiência para estar presente no próximo dia 21 de fevereiro na cerimónia de entrega do mesmo prémio a D. Ximenes Belo na Academia de Ciências de Lisboa.
O debate aberto que encerrou este interessante e muito animado encontro versou sobre temas muito polémicos, como o Acordo Ortográfico, o estado do Instituto da Língua Portuguesa, o papel do Brasil no futuro da língua portuguesa, a presença da Galiza na Lusofonia, Portugal e a sua vocação como "território-ponte", a presença de Portugal na União Europeia e a crise do Euro. Entre vários, destacamos Filipe Barroso (coordenador da JS Local), Eduardo Quintanova (coordenador do PS do Cacém) e Ana Loureiro (ex-deputada).
No global tratou-se de um debate muito aberto, dinâmico e participativo que abordou aquilo que é o MIL, para onde o Movimento objetiva o destino de Portugal e da Lusofonia e onde a necessidade de um reenfoque lusófono da política externa portuguesa e da própria integração das comunidades migrantes lusófonas foram temas especialmente importantes.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
José Hermano Saraiva, historiador e divulgador da cultura portuguesa e da lusofonia

José Hermano Saraiva nasceu em Leiria, no ano de 1919, onde viveu os primeiros anos e frequentou o Liceu Nacional. Foi irmão de um ilustre investigador da Cultura Portuguesa, António José Saraiva. A sua formação universitária assentou em duas licenciaturas, que concluiu com êxito, em Ciências Histórico-Filosóficas e em Ciências Jurídicas, no decorrer da 2ª Guerra Mundial. Deste modo, começou a vida profissional como professor liceal e, ao mesmo tempo, como advogado em Lisboa. Neste período, publicou o primeiro livro, de âmbito literário, intitulado “Vento vindo dos montes: contos” (Porto, Editora Latina, 1944).
Pela sua veemente convicção nacionalista, durante o Estado Novo, foi deputado à Assembleia Nacional, procurador da Câmara Corporativa e ministro da Educação entre 1968 e 1970, tendo enfrentado a oposição estudantil à Ditadura em 1969. Teve passagens fugazes por diversas instituições do Ensino Superior, nos anos 60, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, de Lisboa e, já no regime democrático, no Instituto Superior de Ciências Policiais e de Segurança Interna e na Universidade Autónoma de Lisboa.
Nos anos 50 revelava já uma preocupação com a divulgação de uma Cultura Histórica e Nacional através da participação na dinamização de um evento comemorativo na sua terra natal e do envolvimento num programa de formação de adultos. Assim, em 1954 impulsionou a comemoração do VII Centenário das Cortes de Leiria (1254-1954), no espírito das comemorações nacionalistas do anterior regime, e em 1958 dirigiu uma Campanha Nacional de Educação de Adultos[1] com o objectivo de combater as elevadas taxas de iliteracia que grassavam no país. Possivelmente, terá sido pelo êxito destas iniciativas que António de Oliveira Salazar o convidou a abraçar a Pasta da Educação Nacional.
O prestígio intelectual auferido tem sido reconhecido pelo mundo Luso-Brasileiro por ter desempenhado o cargo de Embaixador de Portugal no Brasil entre 1971 a 1974, tendo sido agraciado com condecorações honoríficas e recebido vários Doutoramentos “honoris causa” de Universidades Brasileiras[2]. Com efeito, embora não tenha nunca obtido nenhum grau académico superior à licenciatura adquiriu, pela sua carreira de dedicação à divulgação histórica, inúmeros lugares em instituições culturalmente reputadas (membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa de História, da Academia de Marinha e do Instituto Histórico-Geográfico de São Paulo) e distinções honoríficas nacionais e estrangeiras do mundo lusófono.
Com a instauração do regime democrático deixou de se envolver directamente na política e concedeu prioridade ao estudo e à divulgação da Cultura e da História Portuguesa. Neste período, ficou conhecido como um carismático divulgador da História do país, como escritor e comunicador televisivo, porque as suas sínteses pedagógicas serviram milhares de estudantes e a sua arte retórica, possivelmente inspirada no político António Cândido Ribeiro da Costa[3], expressa nos seus gestos de efusiva teatralidade Barroca, na clareza didáctica da suas explicações e na magia do seu poder imaginativo, têm cativado a população portuguesa e transformado os seus programas em êxitos continuados de audiências. São características emblemáticas da sua linguagem: quer a expressividade Barroca das suas mãos, que ficou gravada na retina de milhões de portugueses, quer a sua carismática frase, que em muitos programas repetiu à exaustão, “foi aqui, exactamente aqui…” que fascinou muitos telespectadores.
A obra intelectual de José Hermano Saraiva consta de dezenas de livros publicados, de múltiplos artigos ou discursos editados, que se repartem por trabalhos de investigação histórica, de prelecção pedagógica, de conteúdo jurídico e, fundamentalmente, pelos livros de divulgação da memória colectiva como coordenador de obras colectivas que reuniu uma plêiade de historiadores e de investigadores, pelos livros de síntese histórica e pelos programas televisivos de grande habilidade na oratória que prenderam a atenção mediática de muitos telespectadores. Dos seus livros mais relevantes destacamos: História Concisa de Portugal[4], que foi já traduzida em várias línguas, História de Portugal em vários volumes que dirigiu alguns prestigiados historiadores e investigadores[5] (José Mattoso, Humberto Baquero Moreno, Joaquim Veríssimo Serrão, António Reis, Armando de Castro, Óscar Lopes, etc) e a Breve História de Portugal[6].
Em suma, José Hermano Saraiva alcandorou-se em autêntico diplomata da Cultura Portuguesa no mundo pela projecção internacional que tem alcançado junto da opinião pública nacional, das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e de muitos lusófilos estrangeiros.
Nuno Sotto Mayor Ferrão
Publicado originalmente e com documentos complementares em Crónicas do Professor Ferrão
[1] António Pedro Vicente, “José Hermano Saraiva”, in Dicionário de História do Estado Novo, dir. Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito, vol. 2, Lisboa, Editora Bertrand, 1996, pp. 887-888.
[2] Ibidem, p. 888.
[3] Na verdade, José Hermano Saraiva antes de iniciar as suas séries documentais de grande sucesso televisivo proferiu uma palestra sobre o brilhante orador António Cândido (1852-1922) na Academia das Ciências de Lisboa, que esta instituição editou em 1988.
[4] José Hermano Saraiva, História Concisa de Portugal, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1978.
[5] História de Portugal, 3 vols., Direcção de José Hermano Saraiva, Lisboa, Publicações Alfa, 1986.
[6] José Hermano Saraiva, Breve História de Portugal: ilustrada, Amadora, Editora Bertrand, 1981.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Apresentação da revista "Limes" em Portugal
Será no próximo dia 9 de Dezembro, às 10h00, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian. A revista de geopolítica italiana dedica este número à Lusofonia, "Portugal é Grande, de Vasco da Gama à Lusosfera". (para apresentação vídeo, carregar aqui)Índice:
José FREIRE NOGUEIRA - Il 'Grande Spazio' nell'immaginario geopolitico portoghese
Per Lisbona l'estensione territoriale ha sempre rappresentato un fattore di potenza. Le direttrici oceaniche, il Brasile, i possedimenti africani: che cosa resta di una geostrategia ambiziosa quanto realistica. Il timore di finire sotto la Spagna.
António SILVA RIBEIRO - A che ci serve il mare
Le grandi potenze hanno scatenato una corsa agli oceani simile a quella che due secoli fa culminò nella spartizione dell'Africa. Come proteggere gli interessi del Portogallo, paese atlantico, in una competizione che rischia di travolgerci.
Armando MARQUES GUEDES - La lusofonia nella partita del Sud-Atlantico
Sullo strategico bacino dell'Atlantico meridionale si affacciano cinque paesi lusofoni, Brasile e Angola in testa. I quali rischiano di restare tagliati fuori dalle manovre delle potenze esterne. Le poste in gioco energetiche.
António Paulo DUARTE - Portugal maior
La percezione dello spazio nella geopolitica portoghese, dalle origini ad oggi. L'oceano come territorio imperiale. Il sistema di interazioni fra Lisbona e l'Oltremare. Il vettore della lusofonia. Un soggetto mondiale più che europeo.
José Alberto LOUREIRO DOS SANTOS - Il modo portoghese di fare la guerra
Nella tradizione militare lusitana spicca la propensione alla guerriglia. Le lezioni delle campagne di controsovversione condotte tra il 1961 e il 1974 in Angola, Guinea e Mozambico restano attuali. E oggi sono molto utili nelle operazioni Nato.
Roberto VECCHI - Il molo estremo
Tra desiderio e rimorso, il destino europeo del Portogallo. L'ambivalenza identitaria di un paese che continua a coltivare - e talvolta ad abbellire - la propria memoria imperiale. La zattera di Saramago e lo sguardo dell'Europa secondo Lourenço.
Hélder MACEDO - Nazione versus impero
Le vere capitali dello spazio portoghese erano in Brasile e in India, come dimostra la 'disobbedienza civile' dei viceré. Un esercizio imperiale che impoveriva la metropoli e arricchiva le oligarchie. La fortuna di Lisbona è di essersi emancipata dalle colonie.
António RUSSO DIAS - La riscossa della lusofonia
Conversazione con António RUSSO DIAS, rappresentante permanente del Portogallo presso la Comunità dei paesi di lingua portoghese (Cplp) a cura di José FREIRE NOGUEIRA.
António HORTA FERNANDES - Il Portogallo nella storia del sapere geopolitico
È solo negli ultimi due secoli che si configura in Occidente l'effettiva sovranità degli Stati, premessa delle teorie e delle prassi geopolitiche. In terra lusitana si producono prima che altrove le condizioni che favoriscono tale sviluppo. Come nasce la nostra frontiera.
Luis TOMÉ - Born to Nato
Le strategie di sicurezza e difesa del Portogallo ruotano intorno all'Alleanza Atlantica. Lisbona partecipa attivamente agli obiettivi e alle trasformazioni del blocco occidentale. Con occhio attento alle regioni storicamente affini e agli umori dell'Ue.
Paula MONGE - La difesa europea per un paese atlantico
Lisbona è impegnata nello sviluppo delle politiche di sicurezza comunitarie, per non restare confinata nella periferia del continente. Ma sempre a partire dal vincolo Nato. Il rischio di una competizione fra l'Alleanza Atlantica e Unione Europea.
PARTE II OMBRE E LUCI DEL RETTANGOLO
João RODRIGUES - Un paese diseguale destinato a impoverirsi?
Il Portogallo non cresce più da anni. La crisi globale ha messo in evidenza la disfunzionalità dell'euro, che favorisce il nucleo centrale del continente a scapito delle periferie. Le ricette europee di austerità non aiutano. Le alternative possibili.
José Félix RIBEIRO - Una piccola economia dalle grandi ambizioni
1986: con l'ingresso nella Cee inizia la modernizzazione che, in un quarto di secolo, ha cambiato il volto del Portogallo. Oggi il paese è più ricco, ma non meno periferico. La crisi offre una nuova opportunità di riscatto. Che Lisbona è decisa a sfruttare.
Roberto BELLINZONA - Lisbona e Madrid separate in casa
Negli ultimi trent'anni, Spagna e Portogallo hanno preso strade opposte: la prima ha consumato il suo miracolo, il secondo è rimasto, nel complesso, un paese arretrato. Ora la crisi rimescola le carte e impone loro di collaborare. Ammesso che ne siano capaci.
Carlos ZORRINHO - L'innovazione come antidoto alla crisi
Informatica, ricerca, formazione, energie rinnovabili: Lisbona punta tutto sul futuro per scongiurare il declino economico e la marginalità geopolitica. I progressi ci sono, ma la crescita langue. Numeri e obiettivi della strategia di rilancio.
João FREIRE - La breve parabola dell'Estado social
Con la fine dell'èra salazarista, la spesa pubblica portoghese muta radicalmente. Gli alti esborsi per sicurezza e difesa lasciano il posto a una crescita esponenziale dello Stato sociale. Che ora, però, appare sempre meno sostenibile.
Luca DEL BALZO DI PRESENZANO - Perché non possiamo non vedere il Portogallo
Dall'antica Roma ai connubi dinastici, dalla Nato all'Unione Europea, la parabola delle relazioni italo-portoghesi. Il retaggio imperiale fa di Lisbona una porta verso i paesi lusofoni emergenti, a cominciare dal Brasile. Le affinità culturali.
PARTE III TRA IBERIA E LUSOSFERA
Enrique VILA-MATAS - La città che naviga
Roberta SCIAMPLICOTTI - Olivenza o Olivença? Il destino in una lettera
Nel 1801 la Spagna conquistò la città portoghese e la zona circostante. Il Portogallo ne ottenne la restituzione al Congresso di Vienna, ma i 453 km² contesi restano a tutt'oggi spagnoli. Una disputa geopolitica che riecheggia antiche rivalità iberiche.
Miguel DE UNAMUNO - Un popolo suicida (presentazione di Danilo MANERA)
Maria DO CÉU PINTO - Lisbona riscopre il Mediterraneo
Il Portogallo guarda al Nordafrica, attratto dal boom economico del Maghreb e dalla crescente dimensione comunitaria del mare nostrum. Commercio e diplomazia bilaterale prosperano, ma manca ancora una strategia. Il fattore energetico.
Catia DOS SANTOS - Capo Verde, una perla atlantica che fa gola a molti
I rapporti di Lisbona con l'ex colonia sono ottimi. Ma l'integrazione nell'Ue o addirittura il ritorno all'ex madrepatria sono assai improbabili. Il ruolo della lusofonia, gli interessi strategici europei e quelli americani: Praia come sede di Africom?
Marco MARINUZZI - Macao, la Cina latina
L'ex colonia portoghese è un ibrido culturale e amministrativo che conserva le sue peculiarità, ma guarda al continente. Le vicende storiche. I rapporti con Lisbona. Il ruolo di ponte tra Cina, Ue e Mercosur. Non c'è alternativa all'integrazione regionale.
Nuno CANAS MENDES - Timor, meu amor!
Eredità storiche, legami emotivi, ambizioni internazionali, Realpolitik. L'ostinata attenzione del Portogallo all'ex colonia è frutto di un mix di ragione e sentimento. Dove il secondo ha la meglio.
Luís ELIAS - L'incerto futuro di Timor Est
Povertà, disoccupazione, corruzione e malgoverno sono solo alcuni dei mali che affliggono la giovane democrazia timorense. Il ruolo dell'Onu. Il risiko degli aiuti internazionali. C'è spazio per il Portogallo?
Omar GHIANI - Portoghesi (poco) uniti d'America
Provenienti soprattutto dalle Azzorre, i componenti della lobby lusitana negli Stati Uniti non hanno saputo consolidare la propria influenza nella vita politica americana. Divise e lontane, le folte comunità sono destinate a un'inesorabile integrazione.
domingo, 21 de novembro de 2010
Lusofonia

Francisco Seixas da Costa in Blog “Duas ou três coisas – Notas pouco diárias do Embaixador Português em França”
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Sistema de Saúde e Crime: Os dois grandes problemas do Brasil
"O Sistema Único de Saúde é uma reforma incompleta e o próximo governo precisa de dobrar os 3,6 por cento do investimento do PIB. (...) Profundo problema no controlo do crime, sobretudo o organizado, tráfico de drogas e controlo de fronteiras".
Diário de Notícias
29 de setembro de 2010
A campanha presidencial brasileira teve - em Portugal - um grande mérito: multiplicou o número de artigos de divulgação sobre a realidade brasileira. O português médio conhece hoje muito melhor a realidade do país-irmão (e até sabe quem é Tiririca...) do que há apenas uns meses...
Esta curta citação encontra-se num dos múltiplos artigos sobre o Brasil que surgiram esta semana e permite listar dois dos maiores problemas urgentes do Brasil atual: um sistema de Saúde público ineficiente e incompleto e uma Criminalidade muito acima da média dos países desenvolvidos. Estes não são certamente os únicos problemas da sociedade brasileira, mas são - de longe - os mais urgentes. Sem um sistema de Saúde pública disponível a todos os cidadãos não será nunca possível distribuir de forma justa e equitativa a riqueza que o Brasil está agora a ser capaz de gerar. Sem um bom Sistema de Saúde a sua população não pode libertar-se do temor pela doença e da morte prematura com a consequente perda de elementos úteis e produtores de riqueza que isso implica. Sem um bom sistema de saúde infantil, o Brasil não pode construir uma população jovem saudável e criativa nem sequer alinhar-se junto dos países mais desenvolvimentos e dos seus baixos índices de mortalidade infantil.
Mas o problema número Um do Brasil é a criminalidade e, sobretudo, a criminalidade organizada. Alimentada pelo tráfico de droga e por uma extensíssima fronteira terrestre e marítima, o Crime - pela via da corrupção - tornou-se endémico nos meios urbanos e representa hoje o maior travão ao desenvolvimento da sociedade brasileira. O Crime desvia uma parcela considerável da riqueza produzida e deixa refém a classe média, usando os políticos corruptos e uma polícia incapaz de o vencer. Sem uma vitória decisiva contra o Crime, o Brasil nas conseguirá atrair para as suas grandes cidades o Turismo e o Investimento estrangeiro. Sem essa vitória, dificilmente limpará a imagem internacional de subdesenvolvimento e pobreza que ainda o (injustamente) contamina. Mas poderá essa batalha ser vencida sem enfrentar frontalmente o problema que alimenta o Crime que é o da legalização das Drogas? Poderá esta batalha ser vencida sem recuperar para a economia formal os milhões de brasileiros que encontram no submundo do crime a única forma de subsistência? Acreditamos que sim... a via da legalização foi ensaiada - com sucesso - na Holanda e na Suíça e os vários programas sociais da Administração Lula conseguiram tirar 30 milhões de brasileiros. A riqueza começa fluir para toda a sociedade brasileira e o país tornou-se oficial num "país de classe média", algo que era impensável há apenas dez anos atrás. O país tem recursos naturais que ainda nem começaram a ser explorados (o famoso "pré-sal" e muitos solos agrícolas que ainda não estão a ser utilizados. Num país onde a escassez de petróleo é tão certa como a escassez futura de alimentos, esta fórmula representa a garantia de prosperidade para os tempos vindouros. Assim saibam os brasileiros vencer o desafio da Saúde Pública e do Crime Organizado. E saberão, estamos certos.
domingo, 17 de outubro de 2010
Sobre a elevada interdependência das colónias portuguesas
Miguel Jasmins Rodrigues
A História da presença portuguesa no Além-mar é paradoxal: é uma História que revela uma extraordinária força anímica e uma gigantesca capacidade de concretização, cabalmente demonstradas pela fundação do primeiro “império” global da História, com raízes ainda bem firmes quase meio milénio depois, mas é – paradoxalmente – uma história de fraqueza e de engenho, flexibilidade e improvisação em a ultrapassar.
Como bem escrevia Fernando Pessoa: “Portugal era um anão, com braços de gigante,, procurando abraçar o mundo”. Nem mesmo no zénite do processo da Expansão, Portugal teve, com efeito, os meios demográficos e financeiros para sustentar tal empresa. Desde cedo, devido a essas fragilidades, houve necessidade de conceder às parcelas mais remotas do império um grau de autonomia muito elevado, fundando o Vice-Reinado e concedendo grande liberdade aos capitães das praças mais longínquas, como Malaca ou Timor. A distância explica essa grande autonomia da presença no oriente, sendo do próprio oriente que partiam as expedições de socorro quando uma determinada praça ou fortaleza se encontravam em apuros: Lisboa estava a dois anos de distância e frequentemente não tinha uma ideia realista da situação local… foi assim que Malaca e Ceilão foram socorridas várias vezes diretamente por Goa e que, mais tarde, Luanda seria libertada dos holandeses por uma esquadra armada, guarnecida e diretamente comandada por colonos brasileiros…
A razão maior do sucesso e perenidade extraordinária da presença portuguesa no Oriente, de facto bem maior do que a de outras potencias bem mais nutridas, como a França e a Holanda, é a descentralização da administração local. Não somente no aspecto da administração política e militar, vertentes já apontadas no parágrafo anterior, mas até na constituição dos escalões intermédios e altos da administração, amplamente municiados por indígenas (caboverdianos em África e goeses no Oriente) e no exército. No campo militar, a formação de famílias mistas, incentivada por Albuquerque revelou-se fundamental para formar um estrato demográfico conhecido no Oriente como os “casados” que serviriam de comandantes militares e administrativos em todo o Oriente, chefiando forças de origem indígena que constituíam geralmente o grosso dos contingentes militares, sempre raros de tropas metropolitanas (afetadas pelas altas taxas de doença e deserção). Sem esta transferência da Defesa e da Administração para os povos locais, nunca teria sido possível manter uma presença em Goa até 1961 ou em Timor e África até 1975, tamanha era a desproporção de forças para com potentados e impérios locais e para com outras potencias europeias.
sábado, 25 de setembro de 2010
"Portugal entrou para a Europa porque, entretanto, havia perdido o seu Império"
Foi pois, sobretudo, um "negócio". E os negócios não merecem a deferência de um referendo.
O povo, aliás, na sua intuitiva sabedoria, sabe que é disso, sobretudo, que se trata: nós estamos na Europa para "sacar" algum dinheiro, o mais que pudermos. Para mais, como bem lembrava Agostinho da Silva, esses "fundos" eram-nos devidos. Se a Europa se tornou historicamente a região mais desenvolvida do mundo foi, desde logo, porque Portugal lhe abriu as portas do mundo. Nada mais justo, pois, do que agora sermos, enfim, pagos por esse nosso feito"
A Via Lusófona, Renato Epifânio
A questão é contudo a de saber qual seria o resultado de um Referendo em que existisse uma verdadeira imparcialidade das perguntas (rara nos Referendos...) e onde para além de um puro sufrágio à "opção europeia" surgissem também outras opções... agora que a torneira dos Fundos começa secar, o restrito e estéril economicismo fará valer as suas consequências... nomeadamente o seu maior falhanço que é o da incapacidade para criar uma "pátria europeia" ou uma consciência comum alavancada numa alma europeia ou mesmo na existência de uma verdadeira comunhão entre os cidadãos da Europa.
Sem Alma, não pode haver Europa que sobreviva a uma verdadeira crise económica. Os Estados-Nação conseguem sobreviver às Crises porque os seus Povos estão dispostos a suportar sacrifícios em nome de causas imediatistas e mecânicas. O sacrifício coletivo e/ou individual é apenas suportável quando cumprido em nome de uma causa maior. Que não são nem os secos balancetes da Contabilidade dos Estados nem a transferência de parcelas crescentes de Soberania e Liberdade para entidades Supra-estatais não democráticas e física e emocionalmente distantes das realidades locais.
Alguns dirão que a Europa está a morrer. Nós diríamos mais: nunca chegou a nascer, porque a atual União Europeia nunca passou o estádio da "comunhão de interesses de curto prazo", sem visão de longo prazo nem alavancagem anímica num conceito comum de "Pátria" ou "Alma Europeia". Perante tal situação, a aparição de uma Alternativa Lusófona é inevitável. E tanto mais depressa quanto mais flagrante for o fracasso da construção da tal "casa comum europeia" sonhada pelos seus fundadores, na década de 50...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Renato Epifânio: "A política, cada vez mais, parece reduzir-se a uma mera gestão económica"
A Via Lusófona, Renato Epifânio
Sendo essa autocastração a maior maleita dos regimes atuais. Se um Governo democraticamente eleito concentra toda a sua atividade na área contabilística e económica então recusa toda a outra intervenção política. Se um governo se torna em executante passivo e acéfalo de políticas definidas num qualquer "centro de comando" remoto e não democrático, enjeita a sua representatividade democrática e renega a Democracia.
Governar não é Gerir. Governar é saber ver mais alto e longe, traçar rumos e saber levar barcos - com determinação e sem receio por fúteis impopularidades - até um objetivo que tem que existir e ser traçado. Atualmente, nenhum governo ou partido consegue ver mais longe que o imediato. Todos vivem obcecados com o curto prazo das próximas eleições e isso resulta da tomada da Democracia pela Partidocracia, com o seu doentio e egótico rotativismo. Importa quebrar este monopólio, devolvendo ao indivíduo o sentimento de pertença a uma comunidade e a algo maior, onde se pode projetar e enquadrar, completando essa clássica incompletitude que está na base de tantas das esquizófrenias das sociedades modernas.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Posição do português entre as línguas mais faladas ameaçada
A falta de investimento na promoção do português, particularmente na formação de professores e em manuais escolares, está a prejudicar a posição da língua entre as mais faladas do mundo, segundo Joseph Levi, da universidade norte-americana de George Washington.
“A língua portuguesa, que é a quinta mais falada no mundo e a terceira indo-europeia mais falada, deveria ter um estatuto mais importante”, disse à Lusa o professor norte-americano, à margem da Conferência sobre o Ensino do Português e Culturas Lusófonas, que decorreu sexta feira em Fall River, nordeste dos Estados Unidos.
Levi está actualmente envolvido num levantamento sobre a prioridade dada pelos governos à difusão das principais línguas, no atual contexto político.
“Outras línguas de regiões do mundo onde há mais interesse político e económico podem ser mais vistas como prioridade, apesar de não ter número muito elevado de falantes”, caso do mundo árabe, afirma.
“Sinto-me português, e Portugal infelizmente nunca investiu, talvez por ser um povo humilde, o que é positivo. Mas nunca impulsionou a própria cultura e os acontecimentos importantíssimos que fez – o primeiro país a globalizar o mundo”, afirma.
“Deveria fazer mais propaganda e dizer o que são – são um povo maravilhoso, apesar de ser pequenino, mas com uma cultura riquíssima”, adiantou à Lusa.
Na conferência da Fall River foram vários os professores de português no estrangeiro que lamentaram a falta de investimento das autoridades na promoção da língua.
Enquanto uns apontaram o dedo ao Governo de Lisboa, outros defenderam que é a comunidade local que tem de fazer mais para que a língua de imponha, nomeadamente junto das autoridades escolares norte-americanas.
Quase todos concordaram que a atual estrutura de ensino da língua portuguesa é insuficiente, numa altura em que há sinais de um crescimento do interesse na aprendizagem da língua, muito graças aos laços culturais e económicos com o Brasil e com a África lusófona.
Para Joseph Levi, “o mundo está interessado em aprender o português”.
“Deveríamos investir mais na formação de professores, em manuais escolares, porque a China e Governo Federal dos Estados Unidos estão interessados em formar professores e pessoas, sobretudo na vertente europeia, falada em Portugal, África, Macau e Timor-Leste”, sublinha.
“Faltam os meios e interesse em investir. Infelizmente há uma política não muito focalizada de prioridades”, critica Levi.
A conferência de Fall River integrou-se nas celebrações dos 100 anos do ensino do português na América do Norte.
A organização coube à Universidade dos Açores e Instituto Mundial da Língua Portuguesa, da Universidade de Lesley.
O evento marcou o centenário do início do ensino oficial do português nos Estados Unidos, em 1910 na Escola do Espírito Santo, Massachussetts.
Fonte: Destak/Lusa



