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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Qual é atualmente o papel mais adequado para a Moeda? Qual poderá ser nesta Nova Economia o papel de uma Moeda Local?

BerkShares (http://www.newmediaexplorer.org)
BerkShares (www.newmediaexplorer.org)

Considerando as caraterísticas de uma Nova Economia, surge a questão do dinheiro: qual será o papel mais apropriado para a moeda? Que entidade ou entidades devem emiti-la? Quanta deve ser colocada em circulação e em que bases? Como determinar o seu valor uma vez que esteja em circulação? Como pode a sua estruturação favorecer o financiamento de empresas de base regional na produção de bens numa forma sustentável para os mercados locais?
À medida que a crise financeira global continua, os economistas começam a estudar como é que as políticas monetárias pode ter desempenhado um papel nesta crise. Alguns começam também a ficar preocupados com o predomínio de uma só moeda como um meio global de troca. Regressa-se à ideia de Friedrich Hayek de "moedas concorrentes". Hayek defendia que a população podia escolher entre várias moedas emitidas privadamente. A moeda com o mais forte poder de compra, seria naturalmente a favorita, disciplinando assim as restantes. Os historiadores económicos recordam-se das moedas emitidas diretamente pelos Bancos e que contribuiram para o crescimento e desenvolvimento dos EUA nos seus primeiros anos. Neste contexto, uma das Moedas Locais mais bem sucedidas dos EUA, a BerkShares, utilizada na região de Berkshire no Massachusetts tem merecido recentemente especial atenção, desde logo porque é de emissão privada e depois porque é aceite em qualquer um dos 13 balcões locais dos 5 Bancos que participam no projeto. Na cotação atual, 99 dólares podem ser trocados por 100 BerkShares em qualquer um destes balcões por forma a adquirir bens ou serviços em qualquer um dos mais de 400 estabelecimentos aderentes. Desde a sua fundação, mais de 2.8 milhões de BerkShares foram emitidas e em cada dia, estima-se que existam pelo menos 135 mil em circulação.

A BerkShares é uma iniciativa dedicada a estimular o consumo local dos bens e serviços produzidos localmente. Esta Moeda Local não é - por enquanto - independente do dólar e é suportada pelos dólares depositados nos Bancos onde entra em circulação. Em consequência, flutua com o dólar. Contudo, isso pode vir a mudar daqui a pouco tempo já que o quadro de diretores da BerkShares planeia lançar um empréstimo por forma a ligar a Moeda Local à produção local. Este será o primeiro de vários, com a intenção de financeira a produção local de bens que são - até agora - importados do estrangeiro ou de outras regiões. Os empréstimos terão requisitos sociais e ambientais e exigirao também um sólido plano de negócios. Prioritariamente, dar-se-á suporte a necessidades básicas como alimentos, vestuário, habitação e energia renovável.

Atualmente, a BerkShares está indexada diretamente ao dólar. Mas isso pode mudar. Está a ser estudada a composição de um conjunto de bens, de produção local, desde queijo a feijões, passando por produtos industriais localmente fabricados para formarem uma cotação independente para a Berkshares. Desta forma, mesmo se a cotação internacional do dólar cair, a moeda local seguirá independente, na sua própria cotação.

A moeda local BerkShares segue sendo assim uma das experimentações mais importantes no campo das Moedas Locais e consolidará desta forma a sua independência, resiliência e capacidade para conseguir contribuir para o desenvolvimento sustentado e humano da região onde está implantada, continuando a ser um exemplo para o resto do globo.

Fonte:
http://www.neweconomicsinstitute.org

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Bacai Sanhá pediu 600 militares para pôr ordem na Guiné-Bissau

18-Aug-2010 - 21:53

Para pedir justiça, familiares de Nino Vieira vão encontrar-se com o Presidente da República.

O Presidente da Nigéria adiantou hoje que um grupo de países da África Ocidental vai organizar uma reunião de emergência(?) em meados de Setembro para discutir um possível envio de tropas para a Guiné-Bissau, noticiou a agência AP. Enquanto isso, os familiares e amigos do ex-presidente João Bernardo “Nino” Vieira reúnem-se amanhã com o Presidente Bacai Sanhá (foto) a quem vão pedir que se faça justiça. O chefe de Estado nigeriano, Goodluck Jonathan, que também preside à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), disse que o Presidente guineense pediu 600 soldados para ajudar a lidar com a instabilidade na Guiné-Bissau.

Fonte:
Notícias Lusófonas (ler mais).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Humberto Delgado apoia Fernando Nobre

.
Palmira Castro von Aschenbach, a célebre médium e espírita da cidade do Porto, revelou esta manhã à comunicação social meia dúzia de páginas psicografadas, que alega serem da autoria do defunto General Humberto Delgado. O manuscrito, de cuja escrita especialistas confirmaram já ser muito semelhante à do «General sem medo», é de teor político. O «espírito» faz uma análise detalhada da situação do país, com críticas severas à Esquerda, à Direita e às Forças Armadas e, por fim, deixa cumprimentos elogiosos ao Dr. Fernando Nobre, de quem se despede com as palavras «Acredite em Portugal!».

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Novo Ano, o mesmo Voo...

Novo ano, o mesmo voo. Um símbolo é mais que símbolo, porque quando os homens aceitam ser a escrita do mundo é uma força maior que os eleva: a Águia é uma ave nobre, rainha dos ares, mensageira dos deuses, guardiã da virtude e da coragem. Querer ser Águia é aceitar o desafio de uma ética com o vigor das utopias que são os faróis da civilização, habitar um país dos ares e dos ventos, que não conhece fronteiras: pulmão e alento espiritual das terras e dos mares, país difícil, para o qual é preciso asas, tenacidade, visão sem fim.
Haja tormenta, névoa, fúria tremenda dos elementos, a Águia plana sobre o desconcerto do mundo, não porque o menospreze, mas porque desafia às alturas, à esperança, ao futuro, ao mais longe, ao ainda por descobrir e edificar para além de todos os horizontes terrenos...
O que perseguimos no Movimento Internacional Lusófono é mais do que nós, e é por isso que seremos cada vez mais, e o que hoje edificamos, será a obra que outros continuarão, de rosto erguido e braços incansáveis.

Quase a celebrar três meses de existência, com perto de 400 posts publicados e uma média cada vez mais superior, em muito, à centena de visitas por dia, este blogue é já um reconhecido espaço de afirmação da lusofonia e da vontade, comum e cúmplice, de todos os lusófonos consolidarem os seus laços, culturais, políticos e afectivos, legando aos vindouros os fundamentos de uma nação nova, que um dia será, de portas abertas, limpas e sólidas, sem distinção de raça ou credo, onde imperem a justiça, o progresso e a paz.

Viva o Movimento Internacional lusófono.
Abraço MIL.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

[...] os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano [...] no temperamento intelectual deste povo


Santo Agostinho, Sandro Botticelli, 1480


A esfera armilar é um complexo sistema de transferência de graus. Após a invenção do sextante, que calculava a declinação dos astros em relação ao horizonte marítimo, e da linotipo que imprimia tábuas de logaritmos para uso em navegação, o instrumento caiu em desuso e passou a ser usado somente como produto de decoração ou status.

Fonte:
Esfera Armilar.


Os sensacionistas portugueses são originais e interessantes porque, sendo estritamente portugueses, são cosmopolitas e universais. O temperamento português é universal; esta, a sua magnífica superioridade. O acto verdadeiramente grande na história portuguesa – esse longo, cauteloso, científico período dos Descobrimentos – é o grande acto cosmopolita da História. Nele se grava o povo inteiro. Uma literatura original, tipicamente portuguesa, não o pode ser porque os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano, com a barulheira e o quotidiano omitidos, no temperamento intelectual deste povo. Ninguém como ele se apropria tão prontamente das novidades. Nenhum povo despersonaliza tão magnificamente. Essa fraqueza é a sua grande força. Esse não regionalismo temperamental é o seu inusitado poder. É essa indefinidade de alma que o define.
Porque o facto significativo acerca dos portugueses é que eles são o povo mais civilizado da Europa. Eles nascem civilizados porque nascem aceitadores de tudo. Neles nada há do que os antigos psiquiatras costumavam chamar misoneísmo, o que significa apenas ódio às coisas novas; gostam francamente de mudar e do que é novo. Não possuem elementos estáveis, como os franceses, que só fazem revoluções para exportação. Os portugueses estão sempre a fazer revoluções. Quando um português se vai deitar faz uma revolução porque o português que acorda na manhã seguinte é diferente. É precisamente um dia mais velho, um dia mais velho sem dúvida alguma. Outros povos acordam todas as manhãs no dia de ontem; o amanhã está sempre a vários anos de distância. Mas não esta tão estranha gente. Move-se tão rapidamente que deixa tudo por fazer, incluindo ir depressa. Não há nada menos ocioso do que um português. A única parte ociosa do país é a que trabalha. Daí a sua falta de evidente progresso.


Álvaro de Campos, O Sensacionismo (excerto), 1916, in Fernando Pessoa, Textos de Intervenção Social e Cultural, A Ficção dos Heterónimos, introdução, organização e notas de António Quadros, ed. Europa-América, Lisboa, 1986, p. 84 (original em inglês, tradução de J. Monteiro-Grillo).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fénix...

Passou menos de um mês e neste espaço foram publicados 168 posts e vamos a caminho das 3.000 visitas. É caso para dizer que temos blogue...
Dezembro é o mês da meditação, da solidariedade, do recolhimento e da renovação. Não o desperdicemos.

Abraço MIL

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dezembro


Restauração da Independência, 1 de Dezembro de 1640, Painel de azulejos no átrio superior
do Palácio Galveias (Lisboa), Leopoldo Battistini,azulejos da Fábrica Constância


Possa seer esta, meu Duque, a derradeyra
carta a chegar-Vos assy, nocturna e breve:
que nom mais use da penna a mão que a 'screve
ate daar ao Reyno hum Rey, e a Patria inteira.

Possa seer esta, Senhor, a madrugada
que tantas noytes guardaamos a aguardar;
as pennas que a Portugal Deos faz pennar
releve-as Deos amanhan, e a minha espada.

E possa o nome de Rey ser-Vos merecido;
Rey com honra sereis so de um rreyno novo
onde a justiça e o alto fruto appetecido

da sciencia nom caiba aos deoses, mas a hum povo,
por guardardes Portugal n'este Mysterio:
nom seja nosso o proveito, mas o Imperio.


Casimiro Ceivães

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal


Dom Sebastião, Cristovão de Morais, 1571, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa. A representação do Rei vestido com armadura e acompanhado por um galgo retomam simbolicamente a imagética imperial do seu bisavô Dom Manuel I e do seu avô Carlos V da Alemanha.


Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a família se não extinguisse.
Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial – de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação – a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.


Fernando Pessoa, Sobre Portugal – Introdução ao Problema Nacional, recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão, introdução organizada por Joel Serrão, Lisboa, Ática, 1979, p. 6.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sendo esta revista dada como «de cultura cosmopolita»

[inédito, sem data, mas indubitavelmente referindo-se ao período em que o poeta fez parte da Renascença Portuguesa]


Fernando Pessoa aos 40 anos de idade, 1928, foto do B. I.


Sendo esta revista dada como «de cultura cosmopolita» e, ao mesmo tempo, apresentada e dirigida por quem, do pouco que tem publicado, tem o nome ligado a uma teoria que, se alguma coisa parece e é, é nacionalista, carece o facto de explicação e elucidação.
Essa elucidação é fácil e simples.
Consigne-se desde já e d'antemão a adesão completa e a manutenção integral que o autor d'este prefácio dá às suas teorias expostas n'A ÁGUIA. Continua ele a sustentar que o período de máxima vitalidade nacional é aquele em que uma nação mais se entrega a si própria e à sua alma. Nacionalismo fundamental, portanto.

Mas há três géneros de nacionalismo.
O que pois convém precisar, e naqueles artigos se não precisou, é qual d'esses três nacionalismos é que é o superior, aquele que distingue esses períodos culminantes da vida das nacionalidades.

Dos três nacionalismos, o primeiro e o inferior é aquele que se prende às tradições nacionais e é incapaz de se adaptar às condições civilizacionais gerais. É, na literatura, o nacionalismo de Bocage e dos arcades em geral, até Castilho. Caracteriza-o nas suas relações com a civ[ilização] geral o estar sempre em atraso e preso a tradições.
O segundo nacionalismo é aquele que se prende, não às tradições, mas à alma directa da nação, aprofundando-a mais ou menos. É o de um Bernardim Ribeiro, no seu grau inferior, e de um Teixeira de Pascoaes no seu alto grau.
O terceiro nacionalismo é o que n'um nacionalismo real integra todos os elementos cosmopolitas. É, no seu grau inferior, o de Camões; no seu alto grau ainda o não tivemos entre nós, mas há-o em Shakespeare, em Goethe, em (...) — em todos os representantes supremos das culminâncias literárias das nações que aí chegaram.
Cada um d'estes nacionalismos tem 3 graus — segundo (...)

Nacionalismo tradicionalista — eis o inferior.
Nacionalismo integral — eis o médio.
Nacionalismo cosmopolita — eis o supremo.


Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes, Lisboa, Livros Horizonte, 1993, p. 179.

sábado, 14 de novembro de 2009

Agradecemos o destaque e o texto

MILHAFRE

Há mais uma ave na blogosfera lusitana: o MILhafre, blogue do Movimento Internacional Lusófono. Nobre ave, águia rústica, que eleva para o jogo eterno dos ventos o seu amor ao chão; fiel, constante, valente, destemida. A essa imperatriz dos campos, dos vales e das fragas, une-se o nosso falcão de Ossian e Viriato acima das cumeadas que desafiam a altura das estrelas!

Em frente, Amigos, pela lusofonia e por um ideal de civilização comum, em que nenhum homem tenha que implorar para ter pão.

Abraço lusitano!
A Redacção

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Nosso Caminho

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Proverbios y Cantares XXIX, in Campos de Castilla, 1912


Escreveu um dia o grande Antonio Machado que o caminho se faz a caminhar, reafirmando assim a antiquíssima tradição ibérica de um fazer humano, concreto, mensurável, prático: o rasgo no solo, o trilho, o arado que prepara a terra, o lavrar histórico da civilização. Se os homens o fazem, se são capazes, como o não faríamos nós? Poderão dizer que não há caminho no ar, e esquecerão a força que as asas fazem contra a ventania, e como é preciso coração para que os olhos possam enfrentar o vazio por baixo sem ceder ao chamamento da queda, e esquecerão como a alma é devassada pelos quatro ventos.
Uma manhã, erguemo-nos, por sobre as casas dos homens, de dia olhamos o Sol e de noite olhamos os astros, essa é a nossa recompensa, e a nossa glória é esse pó de luz final. Nada mais queremos, de nada mais precisamos: do vento, do ar sem fim, do longe e da luz irradiante se alimenta a nossa inquebrantável determinação.

Viva o Movimento Internacional Lusófono e o legado da Renascença Portuguesa.