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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Do suicídio da nossa cultura e ciência


Não tão evidente quanto a ocupação política e económica de Portugal nas últimas décadas, a ocupação da nossa cultura e ciência não tem sido, ainda assim, menos vigorosa. Se em troca dos famosos fundos europeus aceitámos destroçar grande parte da nossa agricultura, das nossas pescas e da nossa indústria, apenas para dar três exemplos, o panorama da nossa cultura e ciência não é menos desolador.
Tem-se falado ultimamente mais sobre isso, a respeito das avaliações internacionais dos nossos centros de investigação, mas quase sempre sob um olhar enviesado – na maior parte dos casos, contesta-se o corte no financiamento mas não os critérios que determinam esse mesmo financiamento.
E que critérios são esses? No essencial, as avaliações internacionais dos nossos centros de investigação valorizam o nosso “grau de internacionalização”. Até aqui tudo bem – dirão os mais ingénuos. O problema é que essa valorização é igualmente enviesada. A cooperação com centros de investigação do Brasil, ou mesmo da restante América Latina, por exemplo, não é minimamente valorizada. Na verdade, o único factor que realmente se valoriza é a produção científica em língua inglesa.
Não é pois por acaso que, em Portugal, há já Universidades que leccionam cursos em inglês, bem como revistas que só publicam textos redigidos nessa língua. Em nome de um financiamento cada vez mais exíguo, também aqui abdicámos de afirmar a nossa soberania, a nossa autonomia. Como se esta não se afirmasse também, senão sobretudo, na área da cultura e da ciência. Pois como pode continuar a afirmar-se como soberano um povo que abdica de pensar e de escrever na sua própria língua?
No caso da Filosofia, que conheço melhor, o caso assume contornos ainda mais graves, pois que quase toda a produção filosófica anglófona tende a inscrever-se no que em geral se designa por “filosofia analítica” – uma tradição bem diferente da chamada “filosofia europeia continental”, onde a tradição filosófica portuguesa se insere. Quem já fez a experiência de escrever filosoficamente em inglês, sabe bem do que falo – nalguns casos, nem sequer há vocábulos para expressar certas diferenças conceptuais. Porque, de facto, uma língua não é apenas um instrumento de comunicação. Ela afecta a própria forma como o pensamento se estrutura internamente.
Também nesta frente, Portugal está hoje num beco sem saída. Quando a nossa política deveria passar por estabelecer parcerias preferenciais com instituições universitárias do espaço lusófono – para assim afirmar cada vez mais a língua portuguesa à escala global – aceitamos ser avaliados por critérios que nos afastam desse caminho. Que, da esquerda à direita, não haja nenhum partido com representação parlamentar que denuncie este suicídio cultural e científico, isso já nem sequer nos surpreende. Na verdade, e isso é o que mais custa, este suicídio cultural e científico foi propiciado por muitos de nós. Por isso se trata de um suicídio.

11 comentários:

Nova Águia disse...

Caro
Renato Epifânio

Felicito-o, mais uma vez, pela lucidez e coragem da denúncia.
Talvez não tenha efeitos práticos imediatos, mas algum há-de ter.
Nem que seja só o de apontar uma direcção.
Aceite, pois, as saudações amigas do
Joaquim Domingues.

força nacional disse...

sr Epifânio,como sempre pondo as vírgulas no lugar certinho.

alexandre banhos

José Jorge Peralta disse...

Caro Renato Epifânio
Estou plenamente de acordo com sua reflexão crítica. A soberania dos povos latinos, não só dos povos lusófonos, está sendo violentamente ameaçada, há alguns anos, agravando-se cada dia , por nossa omissão. Somos vítimas dos chamados países centrais, de ideologias selvagens, que praticam um autêntico genocídio contra a nossa ciência, contra nossa cultura e contra a nossa soberania política, social e econômica.
Nosso Parlamento mantém a ideologia dos quatro macaquinhos:
não vê, não ouve, não sabe, e nada faz.
Penso que seria oportuno um amplo Simpósio sobre "A Cultura, a ciência e a soberania ameaçadas, no mundo da Lusofonia".
O que se passa no Brasil, neste país continente, não é muito diferente de Portugal. A identidade nacional vai sendo esquartejada e soterrada pelo trator da prepotência insensata.
Então o problema que você denuncia, muito bem, é mais amplo, infelizmente. Somos uma cultura ameaçada há muitos anos, como diria Gilberto Freire. Isto precisa ter um paradeiro. A humanidade está ameaçada.
Ameaçar culturas como ameaçar a ecologia,é suicídio pre-anunciado. Omitir-se é compactuar.

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente o texto, ao mesmo tempo que me interrogo – a de mim, sem qualquer espécie de julgamento de ninguém em particular – sobre certos consentimentos ou aquilo que o Pe António Vieira apelidava de «pecados de omissão» diria dos chamados mais próximos da filosofia e bem assim da cultura portuguesas e que têm ocupado cargos de relevo. Consentimentos esses quantas vezes viajando nos corredores da indiferença ou mesmo de rivalidades espúrias que certamente a Pátria olha com algum desdém. Interrogo-me ao mesmo tempo que recordo as palavras lúcidas de António Telmo inscritas em Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões: «Onde estão aqueles que poderiam ter seguido o ensino iniciático de Sampaio Bruno ou o magistério iluminado de Leonardo Coimbra? Quem pôs de lado, do outro lado da filosofia, os poetas que lhe são afins, Guerra Junqueiro, Gomes Leal, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa? Porque não seguiram o fundo apelo do movimento de filosofia portuguesa de Álvaro Ribeiro e os avisos do grande pensador gnóstico José Marinho? Como deixaram que «outros» tentem deter tão significativos «movimentos» da ilha, pelo ardil de «normalizar» o excepcional ou de «silenciar» a palavra demasiado evidente ou de «caluniar» quando uma coisa e outra já não são possíveis? Queremos assim dizer que os maniqueus andam dispersos»

Um abraço amigo
Eduardo Aroso

Sanchos do Desenho A disse...

Fico sempre com esperança quando leio o meu amigo Renato, talvez também pelo nome, que Renato é o mesmo que renascido.É que o povo já vai sendo quase só plebe: há dias, em pleno bruxedo anestésico americano do Halloween, vi as ruas da minha vilória alentejana pejada de miúdos da creche vestidos a rigor e as professoras sorridentes e felizes a encenarem tanta parvoíce. Já nem os poderes precisam de se mexerem, os papalvos fazem tudo sozinhos. Que abóboras!

Renato,continua a escrever para a anestesia não se derramar por nós todos.
Carlos A.

virgilio disse...

Concordo inteiramente. Um exemplo do que diz é o que se refere ao vocábulo, importado do inglês, que se refere aos meios de comunicação social. Já vimos, escrito e pronunciado, em portugês do Brasil, a palavra «mídia», para referir o vocábulo, proveniente do latim, «medium», «media», em que o plural (media) deve pronunciar-se como se fosse «média» e escrever-se «media», repeitando a sua origem latina, que é também como se deve dizer e escrever em português.
VIRGÍLIO CARVALHO.

Nova Águia disse...

Caro Renato Epifânio
Parabéns. Irei enviar-lhe algo mais animador: o discurso do Representante dos Cirurgiões Pediatras Brasileiros, nas comemorações dos 50 anos da respectiva Sociedade.
Um abraço
António Gentil Martins

castro de fanzeres disse...

Caro Renato Epifânico
Mais uma vez em contra-corrente, Epifânico, com a realidade. Só vejo panegíricos nestes comentários, não considera que há algo de errado? É este tipo de cultura(?) que não faz avançar a PORTUGALIDADE no mundo, porém nós somos um povo com um ESTAR que ultrapassamos este imbróglio. Eu sou muito bom e PORTUGAL acompanha-me neste sentido. Vejamos quantas pessoas nos vêm visitar por ano? Vejamos as consequências mundiais do meu e teu 25ABR74 em demasiados aspectos culturais que nem referencio, dá para entender. Cultura é PORTUGAL EM ACÇÃO e não administração e História, queres enveredar por este caminho? Caminha. Caminha dizendo bem do bem, e tu e os teus correligionários nem o vêem porque são mais cegos os que não querem ver. Se não tens mais importância é porque não a mereces, pois o povo é sábio nas suas atitudes mesmo manifestando-se através dos seu €stado e seus eleitos. Por isto , e não só, é que não participo mais neste choradinho do coitadinho que quer subsídios. CONTINUAREMOS

Nova Águia disse...

"Choradinho do coitadinho que quer subsídios"?!
Mas que comentário mais equivocado...

Renato Epifânio

castro de fanzeres disse...

Caro Renato Epifânio
É um enorme erro esta postura negativa que expressas sobre a minha, a tua e a nosso cultura e o nosso mundo. Relê o que aprendeste e ensina bem os teus correlegionários, pois ainda podes ir para o bom caminhar.

Nova Águia disse...

Caro...estou a falar exactamente com quem?

O equívoco continua a ser seu. Aqui não há mestres nem discípulos. Há (muita) gente que se revê numa série de valores comuns. E que concorda ou discorda em plena liberdade...

Renato Epifânio