MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia
Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/
"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)
A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)
Agostinho da Silvaquinta-feira, 7 de agosto de 2014
Ruy Coelho (1889-1986), um compositor português injustamente esquecido?
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Os "três momentos altos" da tradição filosófico-cultural portuguesa
domingo, 25 de abril de 2010
Caloroso acolhimento do 179º lançamento da Nova Águia no Agrupamento de Escolas Damião de Góis
Às 10 horas de sexta-feira, 23 de Abril, foi efectuado o 179º lançamento da revista “Nova Águia” no Agrupamento de Escolas Damião de Góis (de que o blogue da revista dá-nos conta: http://www.novaaguia.blogspot.com/) com a ilustre presença do Doutor Renato Epifânio, membro da Direcção da revista (exercida em conjunto com o Professor Paulo Borges e a Professora Celeste Natário), reconhecido especialista e investigador nas correntes filosóficas portuguesas contemporâneas e porta-voz do Movimento Internacional Lusófono. A sua apresentação incidiu na explicitação dos diversos temas (dos números 1, 2, 3, 4 e 5) já publicados e na sua reflexão pedagógica, bem alicerçada, sobre o papel do mundo e da cultura lusófona segundo o pensador Agostinho da Silva. Esta sua pertinente intervenção despertou, certamente, alguns dos presentes para a leitura do seu livro “A via lusófona – um novo horizonte para Portugal” (Lisboa, Edições Zéfiro, 2010).A temática do nº 5 da revista “Nova Águia”, ‘Os 100 anos d’ ‘A Águia’ e a situação cultural de hoje’ (1º semestre de 2010), resulta duma abordagem multidisciplinar d’ “A Águia”, no momento em que se comemora o centenário do seu aparecimento (1910-2010). Esta revista reuniu importantes escritores, pensadores e poetas portugueses do início do século XX e tornou-se em 1912 órgão do movimento cívico e cultural da “Renascença Portuguesa”. Foi apresentada uma cópia da capa do número 1, de 1 de Dezembro de 1910, e evocada a premente necessidade de revalorizar o património cultural português no contexto do esboroamento das identidades culturais do nosso mundo Global.
Foram sucintamente enunciadas algumas das múltiplas questões que os colaboradores deste número levantaram e desenvolveram, em particular tendo sido destacadas as seguintes: a origem da revista “A Águia”, a situação cultural portuguesa no contexto mundial, a defesa da educação integral n’ “A Águia”, a relação entre Direitos Humanos e Cultura, as percepções lusófonas de Teixeira de Pascoais, Agostinho da Silva e António Vieira, as diferentes temporalidades e a crise moral de hoje, a poesia como fonte de inspiração do Homem, etc.
Procurou-se também, com base na pluralidade de conteúdos deste número, apresentar alguns paralelismos entre a situação cultural de hoje e a referente ao contexto pós-revolucionário em que a revista “A Águia” nasceu. Enfatizou-se, sobretudo, que a população actual embora alfabetizada sofre de uma profunda iliteracia impeditiva de uma intervenção cívica esclarecida devido ao excesso noticioso da sociedade da informação e à transversal incapacidade de interpretar sinais, enquanto na 1ª República a preocupação incidia em alfabetizar a população para a poder fazer aceder a novos patamares culturais. O professor Nuno Ferrão lembrou, ainda, nesta sessão de lançamento da “Nova Águia” que só com cultura se garantem verdadeiramente as liberdades, as capacidades criativas e a qualidade de vida dos cidadãos.
Nuno Sotto Mayor Ferrão
quinta-feira, 22 de abril de 2010
A têmpera espiritual da Renascença Portuguesa...

Nota: Nesse ano de 1927, Raul Proença seria condenado ao exílio pela ditadura militar que se havia imposto a 28 de Maio de 1926, dando fim à I República.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Semita e Ário
[…] Depois deste ligeiro trabalho que apresentei a público, sob o título «O Espírito Lusitano ou o Saudosismo» – trabalho que ando a desenvolver – concluí que a Saudade, como síntese do espiritualismo cristão e do naturalismo pagão, por isso que ela contém em si o Desejo e a Dor, a Esperança e a Lembrança – esperança incidindo sobre o passado, lembrança incidindo sobre o futuro – é o próprio espírito lusitano na sua expressão mais íntima, profunda e original.
E concluí também que o nosso Povo, nascido do casamento do sangue semita com o ária, criando a Saudade viva, tornou-se espiritualmente autónomo, e concebeu a ideia-sentimento, fonte da nova e verdadeira Renascença, pois a renascença italiana, de que Goethe, Wagner e Nietzsche são descendentes, é obra individual de alguns artistas de génio; e não realizou a fusão perfeita e viva do Paganismo com o Cristianismo, dado o carácter exclusivamente pagão dos italianos.
Em Portugal essa fusão, isto é, a ideia-mãe da Nova Renascença, fez-se na alma da Raça, é a própria alma do Povo, e, por isso, eternamente viva e criadora.
É certo que só a moderna geração poética revelou plenamente esta verdade, porque o espírito lusitano tem sido guerreado desde séculos por todos os meios – religiosos, literários, artísticos e políticos, e porque chegou, enfim, o momento da sua completa revelação, como sinal da nova obra que Portugal terá de realizar… […]
Teixeira de Pascoaes, in Ainda o Saudosismo e a «Renascença», A Águia, 2ª série, nº12, Porto, 1912.
Esta é parte da herança de Teixeira de Pascoaes, cuja complexidade e fundura não é redutível a apropriações unívocas. Viveu, escreveu e morreu antes de qualquer lusofonia, no desígnio bárdico de cantar uma pátria maior do que os folclores a que os patrioteirismos sempre a apequenam. O Portugal de Pascoaes permanece demasiado vasto para o nanismo intelectual de tantos que o querem transformar em mais um palerma beato: uma grandeza civilizacional em que se uniram as duas margens do Mediterrâneo, a helénica e a semita. A intuição poética visionária de quem sabia ser Portugal o último ouro da grandeza pretérita que ergueu a Civilização Europeia. A obra de Pascoaes é um mapa doado a todos os futuros, o legado dos que se sabem póstumos em vida.
K. N.
Também publicado no blogue O Bar do Ossian.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Sendo esta revista dada como «de cultura cosmopolita»
Fernando Pessoa aos 40 anos de idade, 1928, foto do B. I.
Sendo esta revista dada como «de cultura cosmopolita» e, ao mesmo tempo, apresentada e dirigida por quem, do pouco que tem publicado, tem o nome ligado a uma teoria que, se alguma coisa parece e é, é nacionalista, carece o facto de explicação e elucidação.
Essa elucidação é fácil e simples.
Consigne-se desde já e d'antemão a adesão completa e a manutenção integral que o autor d'este prefácio dá às suas teorias expostas n'A ÁGUIA. Continua ele a sustentar que o período de máxima vitalidade nacional é aquele em que uma nação mais se entrega a si própria e à sua alma. Nacionalismo fundamental, portanto.
Mas há três géneros de nacionalismo.
O que pois convém precisar, e naqueles artigos se não precisou, é qual d'esses três nacionalismos é que é o superior, aquele que distingue esses períodos culminantes da vida das nacionalidades.
Dos três nacionalismos, o primeiro e o inferior é aquele que se prende às tradições nacionais e é incapaz de se adaptar às condições civilizacionais gerais. É, na literatura, o nacionalismo de Bocage e dos arcades em geral, até Castilho. Caracteriza-o nas suas relações com a civ[ilização] geral o estar sempre em atraso e preso a tradições.
O segundo nacionalismo é aquele que se prende, não às tradições, mas à alma directa da nação, aprofundando-a mais ou menos. É o de um Bernardim Ribeiro, no seu grau inferior, e de um Teixeira de Pascoaes no seu alto grau.
O terceiro nacionalismo é o que n'um nacionalismo real integra todos os elementos cosmopolitas. É, no seu grau inferior, o de Camões; no seu alto grau ainda o não tivemos entre nós, mas há-o em Shakespeare, em Goethe, em (...) — em todos os representantes supremos das culminâncias literárias das nações que aí chegaram.
Cada um d'estes nacionalismos tem 3 graus — segundo (...)
Nacionalismo tradicionalista — eis o inferior.
Nacionalismo integral — eis o médio.
Nacionalismo cosmopolita — eis o supremo.
Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes, Lisboa, Livros Horizonte, 1993, p. 179.

