
Músicos Kimbundo, Padre Giovanni Cavazzi, séc. XVII
Zwelenu O Dimi Dyetu
Zwelenu ni tangenu, zwelenueeh
Kimbundu kia akulu-a-ndamba
An’a Ngola ku Luanda kuna
Kondekenu dimi dia ‘xi y’etu!
Dimi dyetu, kifa kyetu
Anga kifa kyetu, mwenyu w’etu
Ki fwa o dimi, mwenyu u fwa we!
Bwamoxi twondo banga ibaku ya mbote
Kwaku ni kwaku u sukula mukwa
Mayadi, ma sukula mu polo!
Ukwenze wa-la mu dimi dia many’etu
Mutu kene dimi, kene ukwenze
Anga mutu kene ukwenze, kene mutu
Kiyama kia muxitu ngo!
Dimi dyetu, kifa kyetu
Anga kifa kyetu, mwenyu w’etu
Ki fwa o dimi, mwenyu u fwa we!
Zwelenu ni tangenu, zwelenueeh
Kimbundu kia akulu-a-ndamba
An’a Ngola ku Luanda kuna
Kondekenu dimi dia ‘xi y’etu!
Falai A Nossa Língua
Falai e lede, falai!
O Kimbundu dos ancestrais
Filhos de Angola ali em Luanda
Honrai a língua da nossa terra
Nossa língua, nossa cultura
E nossa cultura, (é) a nossa alma
Morre a língua, a alma morre também!
Juntos faremos criações boas
Uma mão lava a outra
As duas lavam a face
O vigor está na língua da nossa mãe
Pessoa sem língua, não tem vigor
E pessoa sem vigor, não é pessoa
Somente bicho do mato!
Nossa língua, nossa cultura
E nossa cultura, é nossa alma
Morre a língua, a alma morre também
Falai e lede, falaiiii!
O Kimbundu dos ancestrais
Filhos de Angola ali em Luanda
Honrai a língua da nossa terra.
Kiba-Mwenyu, do livro de poemas Maxinganeku
MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia
Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/
"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)
A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)
Agostinho da Silvaquinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Zwelenu O Dimi Dyetu
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Sem dentes...
A. Paroby, História Merdosa de Quase Tudo, Publ. E-A, Lisboa, 2006, p. 140.
domingo, 6 de dezembro de 2009
[...] os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano [...] no temperamento intelectual deste povo
Santo Agostinho, Sandro Botticelli, 1480
A esfera armilar é um complexo sistema de transferência de graus. Após a invenção do sextante, que calculava a declinação dos astros em relação ao horizonte marítimo, e da linotipo que imprimia tábuas de logaritmos para uso em navegação, o instrumento caiu em desuso e passou a ser usado somente como produto de decoração ou status.
Fonte: Esfera Armilar.
Os sensacionistas portugueses são originais e interessantes porque, sendo estritamente portugueses, são cosmopolitas e universais. O temperamento português é universal; esta, a sua magnífica superioridade. O acto verdadeiramente grande na história portuguesa – esse longo, cauteloso, científico período dos Descobrimentos – é o grande acto cosmopolita da História. Nele se grava o povo inteiro. Uma literatura original, tipicamente portuguesa, não o pode ser porque os portugueses típicos nunca são portugueses. Há algo de americano, com a barulheira e o quotidiano omitidos, no temperamento intelectual deste povo. Ninguém como ele se apropria tão prontamente das novidades. Nenhum povo despersonaliza tão magnificamente. Essa fraqueza é a sua grande força. Esse não regionalismo temperamental é o seu inusitado poder. É essa indefinidade de alma que o define.
Porque o facto significativo acerca dos portugueses é que eles são o povo mais civilizado da Europa. Eles nascem civilizados porque nascem aceitadores de tudo. Neles nada há do que os antigos psiquiatras costumavam chamar misoneísmo, o que significa apenas ódio às coisas novas; gostam francamente de mudar e do que é novo. Não possuem elementos estáveis, como os franceses, que só fazem revoluções para exportação. Os portugueses estão sempre a fazer revoluções. Quando um português se vai deitar faz uma revolução porque o português que acorda na manhã seguinte é diferente. É precisamente um dia mais velho, um dia mais velho sem dúvida alguma. Outros povos acordam todas as manhãs no dia de ontem; o amanhã está sempre a vários anos de distância. Mas não esta tão estranha gente. Move-se tão rapidamente que deixa tudo por fazer, incluindo ir depressa. Não há nada menos ocioso do que um português. A única parte ociosa do país é a que trabalha. Daí a sua falta de evidente progresso.
Álvaro de Campos, O Sensacionismo (excerto), 1916, in Fernando Pessoa, Textos de Intervenção Social e Cultural, A Ficção dos Heterónimos, introdução, organização e notas de António Quadros, ed. Europa-América, Lisboa, 1986, p. 84 (original em inglês, tradução de J. Monteiro-Grillo).