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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Adeus Goa

Ah sim, são tão ridículos aí, vocês e o vosso futebol, a vossa política de anedota que mete pena a toda a gente, o vosso falhanço quotidiano, a vossa incapacidade de ser alguma coisa que não simpáticos, o desprezo condescendente com que olham para vós, tão pequeninos e tão tristes nesse ridículo rectângulo de economia falida, sociedade amarga, cultura de empréstimo, entregue a esse ridículo destino de pertencer a essa União de falhados.

Eu, enquanto aqui estive, senti-me distante desse pântano em que Portugal só existe para campeonatos de futebol. Eu, aqui, fui português. Não fui, como vós aí, a lembrança apagada de um passado que não merecem, de uma história que não reconhecem, de um presente que aceitam como carneiros.

Eu, aqui, estive com gente que me recorda que podíamos ser outra coisa, que eu (e vocês aí) podíamos ser outra coisa, que Portugal podia ser alguma coisa em vez do último da União, essa porcaria em que vocês vivem e me envergonha. Sei que é assim porque de cada vez que um jovem português vem a Goa e aqui presta atenção diz-me que nós, os mais velhos, lhe roubámos a história e lhe legámos um país ridículo e não o país para que os de cá olham, o país que foi.

Aqui em Goa há quem pense que não somos um país ridículo, há quem pense em nós e pense em séculos. Pergunto: há mais alguém que pense em nós assim? No mundo inteiro? A quem deve Portugal a sua existência no mapa simbólico do mundo? Porque é que, no mundo inteiro, nos conhecem? Não é por causa do futebol. Não é sequer por causa do Brasil. É por causa da Índia. Devemos à Índia a nossa existência simbólica. A nossa principal obrigação colectiva não é para com essa União. Não é para com nada nem ninguém antes de ser para com os portugueses e amigos de Portugal que deixámos na Índia. Devemos-lhes tudo. Em particular, devemos-lhes a única, última, maior razão que temos para nos respeitarmos a nós próprios: graças a eles, houve um tempo em que existimos.

Adeus Goa (e Damão, e Diu, e Cochim, e Baçaim...). Muito obrigado. Não te merecemos. Peço desculpa em nome de todos os meus compatriotas e dos meus governantes que te abandonam ou te esquecem por causa do mais desprezível dos valores, o realismo. Para te merecer, deveríamos fazer muito mais pelo ensino do português na tua terra, muito mais pela tua literatura, a tua arte, a tua música, a tua gente, devíamos tratar-te como a jóia da nossa coroa. Peço-te desculpa pela nossa fraqueza.

E saúdo-te em nome de todos os nossos que te amam. Não somos muitos, cidadãos de todos os dias, algumas fundações, alguns esforçados funcionários do Instituto Camões, alguns diplomatas amorosos de ti. Mas é em nome de nós que te escrevo, estes que não te esquecem, te querem mais do que tu te queres a ti própria, te respeitam mais do que tu te respeitas a ti própria, os que não desistem de ti. Não para reclamar a tua posse mas para, em ti, recuperarmos a grandeza que nos escapou um dia, sabe-se lá porquê.

Paulo Varela Gomes
(publicado no dia 26 de Agosto de 2009 no Público)

domingo, 26 de setembro de 2010

PORTUGAL

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Portugal tem quatro vertentes: ibérica, europeia, mediterrânica e atlântica. Quem não compreender isto, escusa de nos vir falar de Pátria.
O equilíbrio das quatro é o grande desafio de filosofia política que se coloca ao Portugal contemporâneo. Hipostasiar uma só é trair a Alma Portuguesa.

Hipostasiar a vertente europeia coloca-nos numa fileira política que vai do neo-liberalismo ao racismo brancóide mais alarve e anacrónico.

Hipostasiar a vertente ibérica fecha-nos num destino pequeno, a que escapámos há 500 anos encontrando no mar e no longe uma pátria maior, em que se realizou o sentido civilizacional de Portugal, enquanto pátria de pátrias.

Hipostasiar a vertente mediterrânica encerra-nos no império velho (Grécia, Roma, Islão), de que Portugal foi o quarto e finalizador movimento, superando as Colunas de Hércules e demandando as Ilhas Afortunadas pelo Mar Oceano, transmutando o Império do Mundo em Império do Espírito.

Hipostasiar a vertente atlântica abandona-nos à fraqueza pretérita de ter havido um Império, a viver numa saudade inútil que nunca realizará o Portugal por vir.


Previamente publicado no blogue
Crónicas da Peste.
Imagem: (Da série) O pequeno Mundo, Jorge Molder, 2001.

sábado, 21 de agosto de 2010

O forunês...

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A atenção que gostaríamos de chamar para uma situação que nos diz respeito a todos

Há, sem dúvida, um dialecto forunês. Utilizam até um dicionário diferente. Cavaco Silva, por exemplo, sabe falar forunês perfeito. Em vez de dizer que os pobres estão cada vez pobres, diz que "as pessoas de mais baixo rendimento passam por situações de privação".

Por Miguel Esteves Cardoso

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Tristes Campos

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A mediania intelectual manifesta-se pela pressa em ser a favor ou contra, num maniqueísmo simplório, que não alcança maior fundura de pensamento. É assim o jornalismo em Portugal, o cronismo, a reflexão e o debate políticos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ter criminosos idiotas por amigos nunca compensa...

Irão
Lula da Silva agiu "sob emoção e ignorância"
por
Lusa


O Presidente brasileiro, Lula da Silva, agiu "sob emoção e ignorância" quando ofereceu asilo à mulher iraniana condenada à lapidação, disse hoje fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

"Lula da Silva tem um temperamento muito humano e emotivo (...) e, sem dúvida, que não foi bem informado sobre este caso", disse o porta-voz do Ministério Ramin Mehmanparast.

"O que podemos fazer é informá-lo dos detalhes do caso desta pessoa que cometeu um crime, para que ele o possa perceber", acrescentou.

O Presidente do Brasil propôs no sábado que o seu país acolha Sakineh Ashtiani-Mohammadi, 43 anos, mãe de dois filhos e condenada em 2006 à morte por lapidação por ter tido "relações ilícitas" com dois homens depois da morte do marido.

"Apelo ao meu amigo (o Presidente iraniano Mahmoud) Ahmadinejad, ao Guia Supremo do Irão (Khamenei) e ao Governo do Irão que permitam ao Brasil dar asilo político a essa mulher", disse Lula da Silva durante um comício de campanha para o candidato do seu partido nas eleições presidenciais, em Curitiba.

Lula da Silva sublinhou que tem "respeito pelas leis dos outros países".

"Mas se a minha amizade e o meu respeito pelo Presidente e o povo iraniano valem alguma coisa e se esta mulher causa constrangimento, nós recebemo-la no Brasil", afirmou.

A condenação à lapidação de Sakineh Ashtiani-Mohammadi foi temporariamente suspensa pelo chefe do poder judicial iraniano, Sadeq Larijani.

Na segunda feira, Washington pressionou o Irão a aceitar a oferta brasileira.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Uma bofetada sem mão no anti-castelhanismo primário?...

Viúva de Saramago pede nacionalidade portuguesa e muda-se para Lisboa

A jornalista espanhola Pilar del Rio, mulher do escritor José Saramago, pediu a nacionalidade portuguesa e espera mudar-se para Portugal depois do verão, disse hoje à agência Lusa.

“Quero pertencer ao país do meu marido”, disse a viúva de Saramago, reforçando o que já tinha dito no domingo ao jornal brasileiro O Globo sobre o pedido de nacionalidade portuguesa.
Pilar del Rio explicou à Lusa que requereu a nacionalidade há cerca de duas semanas e que tenciona mudar-se para Lisboa em setembro, uma decisão que tinha sido bastas vezes conversada com José Saramago.
O Nobel da Literatura, que viveu desde os anos 1990 em Lanzarote, Espanha, morreu a 18 de junho, aos 87 anos.
Quanto à casa que deixará em Lanzarote, assim como os objetos pessoais de José Saramago, Pilar del Rio referiu que nada está ainda decidido quanto ao seu destino.
“Vamos ver o que fazer, não está claro”, disse, não descartando a hipótese da futura casa da Fundação Saramago, em Lisboa, acolher parte do espólio.
É à fundação que Pilar del Rio se quer dedicar no futuro, esperando que esteja “aberta à comunidade”, como José Saramago assim o desejou, em 2011.
“A Casa dos Bicos [onde ficará instalada a Fundação] é um edifício que estará aberto todos os dias, vai ter exposições permanentemente, conferências, debates. É para uso de toda a comunidade, isso é importante dizer”, referiu.
Sobre a colocação das cinzas de José Saramago perto da fundação, Pilar del Rio explicou que aguarda ainda autorização, seguindo os trâmites legais de acordo com a Câmara Municipal de Lisboa.
As cinzas do escritor serão enterradas junto a uma oliveira que vai ser transplantada da terra natal de José Saramago, na Azinhaga do Ribatejo, para a frente da sede da instituição.

Fonte:
BomDiaNews

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Lei

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Como podem processos prescrever porque ultrapassam prazos, sendo o arrastar dos mesmos a intenção da defesa dos arguidos, com a óbvia finalidade de impedir a Justiça?

Num Estado Democrático o seu maior inimigo é o seu próprio fundamento: a sociedade civil, que se organiza em pequenos estados, Partidos, lobbies, para impedir que o Estado seja de todos – ou seja, do Povo –, querendo fazer do Estado o instrumento de alguns.

Um Estado Democrático forte é urgente – este colocar-se-á acima de todos os interesses particulares, sejam ideológicos, económicos, religiosos, ou outros; lutará por uma civilização do mal menor, em nome do bem comum, e nunca governará a partir de uma moral. Todas as ideologias são morais. Todos os Partidos uma guerra civil por meios não bélicos. Todos os lobbies e grupos económicos a persecução de objectivos egoístas, que desprezam o bem comum.

Um Estado Democrático forte é a maior utopia da Direita revolucionária. Que um dia será.


Henri du Vergier, Comte de La Rochejaquelein, Pierre-Narcisse Guérin, 1817


Também publicado no blogue Crónicas da Peste.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A potência e a aldeia




As reacções à morte de Saramago, por omissão ou presença, revelaram que se tratava de um homem polémico que não vivia fora deste Mundo. Mas as diferenças entre Espanha e Portugal mostram mais do que isso.

Vamos esquecer a ausência de Cavaco Silva no funeral de Saramago e a sua muito particular forma de ver o cargo que ocupa. Aceitemos uma coisa: que Saramago, como qualquer intelectual que tenha algum interesse, não era consensual.

Não era consensual o seu posicionamento político. Mas era um heterodoxo. Sendo comunista convicto, tanto podia fazer críticas contundentes ao regime cubano como o defender com unhas e dentes. Ia a Israel e não hesitava em dizer o que pensava. Mas não deixava de ir. Discutia a democracia. Era um intelectual empenhado, mas não era um mero instrumento de uma agenda política.

Não era consensual a sua obra. Como escreveu Manuel Gusmão, recontou "a história já contada pelos vencedores" . Foi isso que fez em "Levantado do Chão" e no "Memorial do Convento", transformando os camponeses alentejanos e os servos que construíram o Convento de Mafra (e não os grandes homens) em sujeitos da História, assumindo assim como sua a "tradição dos oprimidos" (Walter Benjamin, citado mais uma vez por Manuel Gusmão). É essa história recontada que está em "O ano da morte de Ricardo Reis" ou na "História do Cerco de Lisboa".

Também refez a história bíblica, que tantos dissabores lhe causou. Como leitor, teria ficado por "O Evangelho segundo Jesus Cristo". Muitos dos seus livros eram "alegorias do presente" - "Ensaio sobre a cegueira", "Ensaio sobre a lucidez" ou "Jangada de Pedra" - ou apenas alegorias das ansiedades humanas de todos os tempos - "O Homem Duplicado" e "As Intermitências da Morte".

Mas à volta de cada um dos livros nasceu quase sempre uma polémica. Por vezes estéril e pobre - foi, na minha opinião, o caso de "Caim" e do "Ensaio sobre a Lucidez" -, outras marcantes e profundas. Não faltou quem visse em cada uma delas apenas a forma, acusando o autor de golpes publicitários, e ignorasse o conteúdo. Seja como for, Saramago e a sua obra nunca estiveram fora do Mundo. E isso causou incómodo. Uma qualidade, portanto.

Não era consensual na sua personalidade. Os seus "Cadernos de Lanzarote" revelam o melhor o pior. Por vezes um homem grande e generoso. Outras, tão mesquinho e mundano como qualquer homem. Ainda assim, nunca chegou, nessa aparente trivialidade, aos calcanhares da "Conta-Corrente" de Vergílio Ferreira, hoje aceite - e bem - como um nome indiscutível da literatura portuguesa.

Não sendo um homem consensual, não o foi também na sua morte. Mas vale a pena perceber as diferenças entre a forma como Portugal e Espanha lidaram com isso.

Em Espanha, o presidente do governo não se ficou pelas obrigações protocolares. Escreveu um belíssimo texto no El Pais sobre o autor. Só que não foi o único. O católico conservador de direita, Mariano Rajoy, também deixou a sua mensagem elogiosa que foi para lá da mera formalidade. O rei manifestou a sua tristeza. Em Lanzarote o povo anónimo dedicou-se a leituras espontâneas da sua obra. Em Lisboa, vários ministros espanhóis, incluindo a número dois do governo, marcaram presença.

Em Portugal, o campo ideológico oposto a Saramago não se fez representar no funeral. Não esteve lá nem Pedro Passos Coelho, nem Paulo Portas. Cavaco Silva fez o que fez e o que fez seria uma impossibilidade em Espanha. Foram ditas frases de circunstância, mas nos fora de debate, na blogosfera e nas caixas de comentários dos jornais desaguaram insultos, ressentimento e mesquinhas acusações de gente que dizendo-se patriota dedica a sua energia a cuspir na sua própria cultura.

Em Espanha, o homem polémico foi incorporado como fazendo parte da cultura espanhola. Como um seu. "Os espanhóis choram hoje Saramago como um dos nossos, porque sempre o sentimos a nosso lado", escreveu Zapatero a Pilar del Rio.

Em Portugal, Saramago foi linha de fronteira e renegado por parte do País. Com o pequeno pormenor do homem em causa ser português, escrever em português e ter regressado na sua morte a terra portuguesa.

A forma como Espanha lida com o que tem, mesmo que o tenha por adopção, e Portugal lida com a sua cultura ajuda a explicar porque uma é uma potência cultural e o outro apenas um país cheio de talentos que acabam, mais tarde ou mais cedo, por partir ou viver próximo da indigência.

Os nossos escritores são tratados como adereço para citações em discursos e os nossos criadores como "subsidiodependentes". Somos um país pequeno, onde toda a gente se conhece. Isso ajuda a explicar a nossa mesquinhez, em que o ressentimento conta mais do que o orgulho. É normal. O que é estranho é que façamos questão de não deixar de ser uma aldeia.


Daniel Oliveira
Fonte: Expresso

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Aos 87 anos, em Lanzarote. Morreu José Saramago: “Desaparece um enorme escritor universal”

Por Luís Miguel Queirós, Mário Lopes
O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998 José Saramago morreu hoje aos 87 anos em Lanzarote.

O autor português encontrava-se doente em estado "estacionário", mas a situação agravou-se, explicou ao PÚBLICO o seu editor, Zeferino Coelho. O corpo do escritor será cremado e as cinzas ficarão em Portugal, como indicou ao PÚBLICO o administrador da Fundação José Saramago.

A Fundação José Saramago confirmou em comunicado que o escritor morreu às 12h30 na sua residência de Lanzarote "em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila".

“Desaparece um enorme escritor universal”

A notícia da morte de José Saramago apanhou Eduardo Lorenço e Carlos Reis em Cáceres, Espanha, onde se tinham deslocado para uma reunião do júri que atribuiu o prémio de criação da Junta de Estremadura a Eugenio Trías. “A notícia da morte chega nos momentos e nos lugares mais estranhos, mesmo que ela seja uma morte não propriamente anunciada, mas já esperada”, diz o ensaísta Carlos Reis, que conta que estava “à porta de um hotel, em Cáceres”, comentando com Lourenço “o frágil estado de saúde de José Saramago”, quando “de repente, uma chamada telefónica (malditos telemóveis!)” lhe trouxe a notícia da morte do Nobel da Literatura.

“Com José Saramago”, diz Carlos Reis, desaparece não apenas um grande escritor português, mas sobretudo um enorme escritor universal”. No entanto, acrescenta, “fica connosco um universo: esse que Saramago criou, feito de uma visão subversiva da História e dos seus protagonistas, dos mitos estabelecidos e das imagens estereotipadas”.

Ainda que a sua obra “tenha a dimensão plurifacetada e sempre em renovação que é própria dos grandes escritores”, Carlos Reis arrisca “evocar, neste momento de comovida homenagem, alguns dos seus componentes mais fortes e expressivos”. Lembra que “o romancista que em 1980 publicava ‘Levantado do Chão’ – uma espécie de romance de iniciação que confirmava a aprendizagem representada em Manual de Pintura e Caligrafia – pagava uma espécie de tributo literário ao extinto neo-realismo, com o qual mantinha fortes laços de solidariedade ideológica e política”. Mas acrescenta que “logo depois, e na sequência do admirável ‘Memorial do Convento’, Saramago escreve e publica, entre outros ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (1984), ‘A Jangada de Pedra’ (1986) e ‘História do Cerco de Lisboa’ (1989)”. Isto, diz Carlos Reis, “significa que ‘Memorial do Convento’ não era um caso isolado, no que à inscrição da História na ficção diz respeito, e significa também que a tematização da História desencadeava inevitavelmente um jogo de variações e de modulações temáticas”.

Entre “os grandes temas que a ficção saramaguiana nos legou”, Reis assinala “a reflexão sobre Portugal e o seu destino (mau destino, para Saramago) de integração europeia, a problematização de mitos portugueses (o de Fernando Pessoa, por exemplo) em articulação com um tempo histórico tão bem identificado como o dos inícios do salazarismo, a revisão crítica e provocatória do Cristianismo, ou a reflexão em clave ficcional sobre as origens históricas e políticas de Portugal, de novo em incipiente “diálogo” com a Europa”.

Após os anos 80, “a mais fecunda década da escrita literária de Saramago, abre-se”, diz Reis, “um tempo de tematização de sentidos, de valores e de temas com um alcance universal”. E “é então, sobretudo, que o registo da alegoria entra decididamente na escrita literária de Saramago; e é por isso que romances como ‘Ensaio sobre a Cegueira’ ou ‘Todos os Nomes’ são e serão lidos como grandes romances da literatura universal”, afirma o ensaísta e professor universitário.

“Diz-se que José Saramago era um escritor polémico. É verdade. São polémicos os escritores que, com desassombro e com arrojada visão do futuro, interpelam os homens e os poderes do seu tempo”, diz ainda Reis, para concluir: “E é justamente quando o fazem, em conjugação com o impulso inovador que às suas obras incutem, que dizemos deles que são grandes escritores”. E Carlos Reis, que acabou há dias de escrever um prefácio para uma edição especial de “O Memorial do Convento”, ilustrada por João Abel Manta – o livro deverá ser lançado em Setembro pela editora Modo de Ler, não hesita em afirmar que “Saramago foi e será um grande escritor”.

O último crente

Para Eduardo Lourenço, Saramago foi, na sua história pessoal e de escritor, “o que de mais próximo tivemos da Gata Borralheira, uma gata borralheira rústica, que nasceu num berço pobre e chegou àquele trono de Estocolmo”. O prémio Nobel, diz, “foi importante para ele, mais foi-o também para o país, por ter sido o primeiro Nobel da Literatura português e porque as probabilidades de que venhamos a ter outro não são muitas”. No futuro, prevê, “a geração dele, que é também a minha, será a geração do Nobel”.
Recordando que o escritor não tinha muito apreço “pelo patético” e que “não gostaria de grandes efusões a título póstumo”, Lourenço considera que o que o romancista trouxe para a literatura foi uma “visão do mundo segundo José Saramago, uma espécie de evangelho segundo Saramago”.

Algo que o ensaísta define como “um diálogo profundo, ambíguo, extraordinário, entre a visão evangélica propriamente dita, na qual foi criado, e uma transformação dessa mensagem, da qual Saramago acreditava ter conservado a essência”. Embora a sua obra “parecesse uma coisa blasfema, ele foi de certo modo o último crente numa civilização que já não crê em nada”. É esse, diz, “o paradoxo da sua vida”.

Saramago, afirma, “imaginou uma arquitectura romanesca que é uma espécie de inversão de signo da tradição mais canónica das nossas letras, construiu um mundo ao revés, que era, para ele, o mundo às direitas, reviu a história de Portugal e da Península – a história dos árabes que poderíamos ter sido –, e reviu a história da modernidade numa espécie de apocalipse”.

Para Lourenço, a obra de Saramago “é incompreensível” se não se tiver em conta “a exposição” do autor”, enquanto “jovem autodidacta”, à Bíblia, que o escritor depois “transformou numa epopeia fantástica”.

Sublinhando que Sramago “não foi um neo-realista canónico”, Lourenço nota que a sua obra “acabou por dar ao neo-realismo uma espécie de glória fantástica”. O ensaísta lembra ainda que o escritor “partilhou a utopia” dos neo-realistas e que viveu o suficiente para “ver o seu fim, em termos históricos”. Mas assinala que este “não se resignou” e que o novo mundo, “embora triunfante, não o convenceu”. Daí que, argumenta, “lhe tenha oposto, numa espécie de vingança, um mundo às avessas”.
A título pessoal, Lourenço diz que, “um pouco paradoxalmente”, gosta em particular de “Todos os Nomes”, um “livro triste”, que considera “um dos grandes romances de amor da literatura portuguesa”.

Uma vida literária

Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, na Golegã, a 16 de Novembro de 1922, e apesar da mudança com a família para Lisboa, com apenas dois anos, o local de nascimento seria uma marca constante ao longo da sua vida, como referiria na Academia Sueca em 1998, aos 76 anos, quando da sua distinção com o Nobel da Literatura. A austeridade material da sua infância, contraposta a uma riqueza humana que o marcaria indelevelmente, seria um dos pontos fulcrais do discurso, onde destacou longamente a avó Josefa e o avô Jerónimo, "capaz de pôr o universo em movimento com apenas duas palavras." Na biografia "José Saramago", editada em Janeiro deste ano, o autor João Marques Lopes escreve que "sobre todos [os familiares mais próximos], Saramago deixaria algo escrito."

Estudante no Liceu Gil Vicente, que é obrigado a abandonar por dificuldades económicas, matriculando-se na Escola Industrial Afonso Domingues, termina em 1939 os estudos de Serralharia Mecânica. Como primeiro emprego, trabalha nas oficinas do Hospital Civil de Lisboa. A paixão pela literatura é alimentada de forma autodidacta, nas noites passadas na Biblioteca do Palácio das Galveias. Nos anos seguintes, transitará para os serviços administrativos do Hospital Civil, antes de se ligar profissionalmente à Caixa de Abono de Família do Pessoal da Indústria da Cerâmica.

Em 1944, casa com a gravadora e pintora Ilda Reis. A filha única do casal, Violante Saramago Matos, nasceria em 1947, o mesmo em que publica a sua primeira obra, “Terras do Pecado”. O título original, “Viúva”, foi alterado por imposição do editor da Minerva. Saramago desvaloriza o livro, que nunca incluiu na sua bibliografia. Uma das razões apontadas pelo seu autor para a exclusão foi, precisamente, a alteração forçada do título. “Clarabóia”, que seria o sucessor de “Terras do Pecado”, foi recusado pelo seu editor e permanece inédito até hoje.

A partir de 1955, Saramago começa a desenvolver trabalho de tradutor, dedicando-se a nomes como Hegel ou Tolstoi. O regresso à edição dar-se-ia mais de uma década depois. Em 1966, altura em que ocupava o cargo de editor literário na Editorial Estúdio Cor, lança o livro de poesia “Poemas Possíveis”. Então um autor discreto no panorama literário nacional, continuaria a exprimir-se em poema nas obras seguintes, “Provavelmente Alegria” (1970) e “O Ano de 1993” (1975).

Crítico literário na “Seara Nova” a partir de 1968, torna-se no ano seguinte membro do Partido Comunista Português, do qual será, até à morte, um dos mais distintos militantes. A partir do final de década de 1960 desenvolve trabalho intenso na imprensa, principalmente enquanto cronista, no "Diário de Notícias" ou "Diário de Lisboa", n’"A Capital", no "Jornal do Fundão" ou na revista "Arquitectura".

Em 1975, em pleno PREC, torna-se director-adjunto do "Diário de Notícias". Esta função representaria o auge do seu percurso jornalístico e, paradoxalmente, seria fundamental para o seu regresso à literatura e ao romance, o género em que se notabilizaria definitivamente. A sua direcção-adjunta seria marcada pelo polémico saneamento de jornalistas que se opunham à linha ideológica do jornal. Demitido no 25 de Novembro, acusado de aproveitar a sua posição para impor no diário os desejos políticos do PCP, toma uma decisão que transformaria a sua vida. Não mais se empregaria. A partir de então, seria um escritor a tempo inteiro.

“Manual de Pintura e Caligrafia”, três décadas depois de “Terras do Pecado”, foi a primeira obra de José Saramago após se dedicar em exclusivo à escrita. Com os livros seguintes, “Levantado do Chão” (1980), “Memorial do Convento” (1982) e "O Ano da Morte de Ricardo Reis", torna-se escritor respeitado pela crítica e conhecido pelo público. É neles que define o seu estilo enquanto romancista, marcado pelas longas frases, pela ausência de travessões indicativos de discurso e pela utilização inventiva da pontuação. Nos seus livros, personagens fictícias surgem em convívio com personalidades históricas, como no supracitado “Memorial do Convento” ou em “História do Cerco de Lisboa” (1989), e são criados cenários irreais para questionar e problematizar a actualidade, como em “A Jangada de Pedra” – em que a Península Ibérica se separa do continente europeu, errando pelo Atlântico.

Quando, em 1991, lançou para as livrarias o seu Cristo humanizado de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, Saramago esperaria certamente a contestação dos sectores católicos da sociedade portuguesa. Não esperaria o aconteceu para além disso. O veto oficial do romance ao Prémio Literário Europeu, pela voz do então Sub-secretário de Estado da Cultura Sousa Lara, do governo liderado por Cavaco Silva, precipitou a sua saída de Portugal. Em 1993, auto-exilou-se na ilha de Lanzarote, nas Canárias, com Pilar del Rio, a jornalista espanhola com quem casara em 1988.

As primeiras obras em Lanzarote seriam “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), ficção apocalíptica que o realizador Fernando Meirelles adaptaria ao cinema treze anos depois, e “Todos os Nomes” (1997). Um ano depois, seria alvo da maior distinção da sua carreira. A 9 de Outubro de 1998, José Saramago foi anunciado vencedor do Prémio Nobel da Literatura, o primeiro atribuído a um escritor português. Seria o impulso decisivo para a sua ascensão a figura literária global e o premiar de uma obra que se dedicou a explorar e questionar a natureza humana de diversos ângulos e em diversos cenários. Em 2002, em entrevista ao diário britânico Guardian, confessava, "provavelmente sou um ensaísta que, como não sabe escrever ensaios, escreve romances." Não só, para além dos romances e da poesia, deixa obra enquanto dramaturgo, assinando as peças teatrais "Que Farei Com Este Livro" ou "In Nomine Dei".

Saramago, que o influente crítico literário norte-americano Harold Bloom considerava o mais talentoso romancista vivo, manteria nos anos seguintes uma cadência editorial regular. “A Caverna” (2000), “O Homem Duplicado” (2002), “As Intermitências da Morte” (2005) e “A Viagem do Elefante” (2008) foram lançados enquanto o escritor se assumia também enquanto voz interventiva, muitas vezes polémica, no espaço mediático mundial. Converteu-se inclusivamente à blogosfera em 2008, aos 86 anos (blog.josesaramago.org), de onde lançou por exemplo repetidos ataques a Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano que classificou de "vírus". Nada de novo num homem que apreciava a discussão, que erguia alto a voz na defesa das suas ideias. Anos antes do episódio Berlusconi, denunciara aquela que considerava ser a política criminosa do Estado Israelita relativamente à Palestina, acusando Israel de “não ter aprendido nada com o Holocausto”, classificara a globalização como “o novo totalitarismo” e surpreendera os camaradas de partido ao não alinhar no apoio aos dirigentes cubanos que condenaram à morte três responsáveis pelo desvio de um "ferry". Em Portugal, o iberista convicto polemizou ao declarar que Portugal e Espanha estariam destinados a fundir-se num único país.

“Caim” (2009), o seu último romance, acompanhado das declarações feitas aquando do seu lançamento, em que classificou a Bíblia como “um manual de maus costumes”, foi a derradeira polémica (e provocação) de Saramago.

Notícia actualizada às 18h34
Fonte:
Público

terça-feira, 15 de junho de 2010

Presidenciais. "Candidatura de Santana Lopes é natural"

por Ana Sá Lopes, Publicado em 14 de Junho de 2010

"A minha posição é definitiva." Bagão Félix continua a ser desafiado, mas não muda de ideias.

Os católicos descontentes com Cavaco Silva continuam a insistir com o ex-ministro das Finanças do governo PSD/CDS para que se candidate à Presidência. Bagão Félix afirma que não pode "deixar de ficar grato", mas avisa que a insistência não dará quaisquer frutos. "Isso não muda a minha posição. É uma questão que não ponho sequer a mim próprio. Nem sou candidato nem candidato a candidato. Esta questão não se põe. Ponto final, parágrafo", disse ontem ao i António Bagão Félix.

Mas, ao contrário de outros senadores da direita, Bagão Félix encara agora "com naturalidade" a existência de uma segunda candidatura na primeira volta das presidenciais. A de Santana Lopes ou outra. Sobre a eventual candidatura de Santana Lopes, considera-a "uma hipótese teórica", mas vai avisando que "se isso acontecer tem de ser encarado com naturalidade e não como uma heresia".

Para o principal conselheiro de Paulo Portas em matéria de economia e finanças, "o conceito de unicidade política não deve existir numa primeira volta das presidenciais". Sem defender a necessidade de uma segunda candidatura, Bagão acha que se isso acontecer "daí não virá nenhum mal". Esta semana, em conversa telefónica, Santana Lopes e Bagão Félix voltaram a falar das presidenciais e o ex--primeiro-ministro insistiu novamente com Bagão para que avançasse para Belém. Nada feito.

Interrogado pelo i sobre se admitia apoiar uma eventual candidatura presidencial de Santana Lopes, Bagão Félix adia a decisão: "Se ele se candidatar, logo veremos." Mas vai avisando que a existir, "em tese", uma segunda candidatura à direita "tem de ser vista de uma perspectiva inteligente" e "não pode ser apenas uma reacção a um diploma que foi promulgado".

Há claramente uma mudança no discurso de Bagão Félix em menos de um mês. Hoje, o ex-ministro acredita que uma segunda candidatura só prejudicaria a direita "se não houvesse segunda volta". "Mas não acontece isso." Mas no fim de Maio, quando foram tornadas públicas as pressões dos sectores católicos para que se candidatasse a Belém, o ex-ministro de Durão e Santana considerava que "uma candidatura na mesma área" podia "originar uma segunda volta e numa segunda volta tudo é possível". Em declarações à agência Lusa, no dia 29 de Maio, Bagão Félix afirmava: "Além de provavelmente não ter condições para ganhar [...] poderia ter sempre o ónus de poder fazer perigar a vitória do actual Presidente da República e isso parece-me negativo."

Na sondagem recente do Expresso/SIC/Rádio Renascença, Santana Lopes era a personalidade da direita mais bem colocada para avançar com uma candidatura presidencial alternativa à de Cavaco Silva. Apesar da grande maioria dos portugueses acreditar que o actual Presidente da República se vai recandidatar e ser reeleito (67,3%), o nome mais bem colocado para assumir uma candidatura alternativa à direita é o de Santana Lopes (25,6%), seguido pelo ex-líder do CDS, Adriano Moreira (23,5%). Na sondagem, Paulo Portas, com 10,8%, ficava em terceiro lugar e Bagão Félix, com 9,8%, em quarto.

Para o CDS, o assunto da candidatura alternativa está encerrado com a negativa de Bagão Félix. O apoio de Paulo Portas à recandidatura de Cavaco Silva é tão indiscutível como o da direcção do PSD.

O entusiasmo de Santana Lopes pelas presidenciais tem sido evidente nas suas últimas intervenções públicas. Quando Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que se houvesse segunda volta Cavaco Silva sairia derrotado, Santana considerou que essa afirmação seria "muito desagradável" para o actual Presidente. "Com efeito, dizer que Cavaco Silva, se for sozinho com Manuel Alegre, perde, é muito forte. É a maior crítica que se pode fazer a um candidato: só ganha se não for mais ninguém da sua área política. É que há segunda volta nas eleições presidenciais exactamente para poderem ir à primeira volta os que sentirem que o devem fazer", escreveu Santana Lopes no seu blogue no início de Junho. E continuou: "Em França, Dominique Villepin, ex-primeiro-ministro de Jacques Chirac, deverá ser candidato na área de Sarkozy. Como sempre aconteceu, 'à direita' e 'à esquerda'."

No seu último artigo no "Sol", na sexta-feira, Santana reafirmou que "as primeiras voltas de eleições servem para que se possam apresentar e ser debatidas as diferentes posições que existam numa sociedade pluralista. O tempo dos condicionamentos do MFA já passou. Ou não?". Até Julho, como defende o próprio, o assunto deve ficar resolvido.

Fonte: i

domingo, 6 de junho de 2010

A recordar como a Lusofonia é uma Causa Real...

SAR O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA CANDIDATURA DA FUNDAÇÃO D. MANUEL II A OBSERVADOR CONSULTIVO DA CPLP

O Secretário Executivo, Domingos Simões Pereira, recebeu em audiência Dom Duarte Pio de Bragança que veio apresentar a candidatura da Fundação D. Manuel II ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP. O pedido será submetido ao CCP para apreciação dos Estados-membros.
Este encontro decorreu na sede deste Secretariado Executivo, a 14 de Janeiro de 2009.

Casa Real Portuguesa quer se tornar colaboradora da CPLP. Lisboa, 14 Jan (Lusa)

A Fundação D. Manuel II, da Casa Real Portuguesa, formalizou hoje em Lisboa a candidatura a observador consultivo da CPLP para articular a cooperação com o secretariado da comunidade lusófona e oferecer a sua experiência.
A entrega da candidatura juntou o Chefe da Casa Real, Dom Duarte Pio de Bragança, e o Secretário-Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereira."Uma coisa é [a Fundação D. Manuel II] ser uma instituição portuguesa, outra coisa é dizer que estamos a trabalhar em cooperação com a direcção da CPLP, com outras instituições. Cria-se uma sinergia mais positiva", afirmou Dom Duarte de Bragança à saída do encontro, em que participou também o director-geral da organização, Hélder Vaz.
Além de aumentar a "representatividade junto dos outros países lusófonos", Dom Duarte de Bragança salientou ainda como objectivos práticos da articulação "não duplicar esforços" em relação a outras instituições que "estão a fazer o mesmo".
A Fundação tem vindo a dar prioridade à promoção da língua portuguesa em países como a Guiné-Bissau ou Timor-Leste e está a preparar o alargamento destas acções à Guiné Equatorial, Senegal e Ilhas Maurícias.
"A nossa ideia é colocarmo-nos à disposição dos governos desses países para apoiá-los no ensino do português, na formação de professores", áreas onde "por vezes, encontram dificuldades", explicou.PropostasPara o Chefe da Casa Real, a Fundação pode ser útil sobretudo em fazer "pontes" para individualidades ou instituições com que mantém contacto.

"Há uma facilidade que tenho, como conheço pessoalmente muitos governantes e gente que tem trabalhado neste sector em muitos países, talvez seja mais fácil para mim fazer isso do que a outras pessoas", afirmou.
A prioridade, defendeu, deve ser resolver os problemas de "falta de livros de escolaridade básica" e "falta de professores preparados".
"Claro que os governos estão mais interessados na parte universitária porque tem mais prestígio, é um assunto que interessa mais directamente, mas a mim parece-me mais importante o ensino básico, primário. Se não, pode acontecer daqui a uns anos termos uma elite a falar muito bem português e muito interessada na cultura lusófona, e um povo que fala outra coisa qualquer", referiu.
Este segundo cenário, sublinhou, pode vir a viver-se em Timor-Leste, entre outros dos "oito".
A Fundação tem uma tipografia no mais jovem país lusófono (Baucau), das poucas unidades industriais existentes, mas que se encontra "subaproveitada porque a cooperação portuguesa não tem aproveitado", disse. "Até poderíamos fornecer material escolar para outros países. Esta gráfica já está a exportar para a Austrália", sublinhou.
Na reunião, foi abordada a possibilidade de a Fundação vir a colaborar em Timor-Leste no processo de publicação de uma banda desenhada sobre Direitos Humanos.
Constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, a CPLP conta actualmente com mais de quatro dezenas de observadores consultivos, incluindo 14 Fundações.

Fonte: Inforpress/Lusa

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Se eu fosse o Fernando Pessoa...

Se eu fosse o Fernando Pessoa erguia-me do túmulo e dedicava-me a fazer sofrer os mortais – com valentes pontapés no cu à meia-noite.