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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mourinho do nosso orgulho

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En toda la conversación no le había visto tanta ilusión en los ojos como cuando ha hablado de Portugal.

Soy un portugués muy atípico, porque el portugués en general echa de menos a Portugal y yo no. No tengo saudade, quizá porque tengo una familia espectacular, porque estoy enamorado de lo que hago... No tengo saudade, pero tengo mucha pasión. Soy un portugués que no quiere volver, no quiero trabajar en ningún club portugués, no quiero vivir en Portugal, pero soy un portugués al que le gustaría hacer algo importante con mis capacidades.

O resto da entrevista pode ser lida aqui.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Fernando Nobre: "O diagnóstico do país não é mortal"

Congregar já pelo menos 7% das intenções de voto é, para o candidato à Presidência da República Fernando Nobre, "altamente favorável" para quem não tem apoio partidário.

Na semana passada, revelou o seu mandatário nacional. Apartidário como ele, garante o presidente da Assistência Médica Internacional. É Jorge Ermida, “associa o conhecimento das finanças e da economia e a preocupação pelo desenvolvimento social” e “fará entender a um certo sector da sociedade portuguesa” que a candidatura de Nobre “tem como preocupação primeira a justiça social, mas também está atenta aos fenómenos económicos”.

As sondagens não lhe têm sorrido…
As sondagens a que tive acesso variam entre 7% e 14%. É altamente favorável, para alguém como eu que, até há cinco meses, nunca se tinha batido por nenhum projecto político. Além de que o outro candidato não só beneficia do apoio de dois partidos, como está em campanha efectiva há cinco anos. Quanto ao presidente da República (PR), está em campanha pelo menos há 15! E os outros candidatos podem utilizar as qualidades de PR e de deputado, mas eu não posso usar a minha de fundador da Assistência Médica Internacional, porque iriam surgir ataques indevidos. Parto em desvantagem. A única verdadeira sondagem será a do dia eleitoral. Ou os portugueses optam por mais do mesmo e depois não se queixam, ou optam por uma mudança radical, assente em valores, solidariedade, justiça, dignidade, lusofonia.

Há mais um candidato, o socialista Defensor Moura. Não teme a perda de votos na multiplicação de candidaturas?
Não. Todos os que venham só podem enriquecer o debate. E o meu percurso é diferente e único, porque surjo da cidadania, não a convoco só circunstancialmente. Há mais de 30 anos que a pratico. Tenho obra feita no mundo e em Portugal. Por ano percorro mais de 50 mil quilómetros no país e isso distingue-me dos outros, que vêm do sistema, dos partidos.

Sente-se reconhecido no terreno?
Bastante até, para alguém que nunca andou na rua assim e ainda não entrou em campanha. Estive sobretudo a tratar da estrutura do meu voluntariado em todo o país. A parte das assinaturas está resolvida, tenho mais de onze mil. Mas coloquei a fasquia das 15 mil até ao final de Agosto. E há o financiamento. Terei com certeza um orçamento muito inferior aos demais candidatos, que receberão apoio dos partidos. Numa altura de aperto, só me fica bem uma campanha moderada.

Já reuniu quanto?
Usei já algum do meu bolso e as pessoas estão a contribuir. Mas o segredo é a alma do negócio…

O que pensa do projecto de revisão constitucional do PSD?
É extremamente prematuro um candidato presidencial pronunciar-se sobre proposituras de um partido, com as críticas que se conhecem vindas de outros partidos. Enquanto o assunto não for discutido na Assembleia da República (é assunto da sua exclusiva responsabilidade), é desatempado tecer comentários. A não ser que queira aparecer na televisão… Agora, candidato-me à chefia do Estado no respeito total pelos preceitos da Constituição que há. Não estarei disposto a ver diminuir os poderes presidenciais.

O que pensa do recurso do Estado à golden share na PT para evitar a venda da Vivo?
Parece-me que, para sectores estratégicos do Estado, teria sido de bom tom preservar 51% das participações, para garantia da soberania nacional. Assim não sendo, fez bem em usar a golden share.

Mas o tribunal da UE contestou o uso da golden share…
Vários países têm golden shares e já as usaram. Quando está em causa a soberania nacional, o Estado tem toda a legitimidade para se defender. Não quero ver o meu país como uma espécie de pau mandado seja por quem for.

Está a falar da Europa?
Sim. Não quero que Portugal venha a ser um protectorado da União Europeia e de quem mande nele. Temos recursos, pessoas com a máxima valia e uma história que permite afirmar que Portugal saberá encontrar soluções...

... para a situação insustentável de que fala o PR?
Isso não faz qualquer sentido. Uma situação insustentável quer dizer uma situação sem futuro. Ora o país tem futuro, trunfos valiosíssimos. E sei do que falo, conheço particularmente bem a lusofonia. Portugal tem a zona marítima mais extensa da Europa, com riquezas desconhecidas. O subsolo marítimo pode ser uma solução. A agricultura precisa de um estímulo, a educação de rigor e um nível de exigência muito maior. É preciso cultivar a cultura do mérito e do trabalho, para que amanhã o país continue a olhar o futuro com confiança.

O país não corre o risco de ser um seguidor da Grécia?
Não acredito. O nosso sistema bancário, exceptuando os casos do BPN e do BPP, é gerido por pessoas com responsabilidade. Sim, temos dificuldades, défice, desemprego, mas o diagnóstico não é mortal. O nosso país padeceu até hoje de um excesso de retórica. Precisa de trabalho. E solidariedade activa. E não digo isto de teoria. Digo de prática.

Acredita que pode ganhar a eleição?
Eu estou na corrida para ganhar. E já fiz história: serei o primeiro candidato verdadeiramente saído do pilar da cidadania que chegará às eleições para lutar e vencer. E o primeiro que nasceu no ultramar. Acredito que somos todos portugueses de primeira.


Ivete Carneiro / Jornal de Notícias

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Entrevista da escritora Miriam Sales ao Jornal "Mais Bahia"

A proposta do MAIS LETRAS é mergulhar com você no mundo da literatura. Todas as semanas a Civilização Brasileira indica o que há de melhor nesse universo.

23/07/10


A escritora Miriam Sales conta sobre o livro "A Bahia de Outrora"

O Mais Letras dessa semana indica o livro A Bahia de Outrora. Para falar sobre a obra, conversamos com a autora Miriam Sales (foto). A escritora é uma ativista em defesa da literatura baiana e autora dos Contos e Causos e Maktub, além de centenas de crônicas publicadas na internet e em três blogs que ela mantém com atualizações diárias. Na nossa entrevista ela conta que a obra foi benéfica por lhe trazer grandes lembranças e muito mais. Confira!

Por Fabiana Oliva


MB - Do que se trata o livro A Bahia de Outrora?

MS - É um livro memorialista, porém, cabe no gosto do público de qualquer extrato social ou intelectual. Em crônicas curtas e bem humoradas, retrata uma Bahia do passado, revivendo seus costumes, tradições e crenças.

MB - Qual é o objetivo da obra?

MS - Mostrar às novas gerações como era essa Bahia patriarcal e provinciana, onde todos se conheciam, uma Bahia cordial, apesar das diferenças sociais que sempre estiveram presentes nessa nossa sociedade estratificada. Falo das famílias ricas e das lavadeiras do Abaeté; da cultura e tradição negra, influindo seriamente no nosso cotidiano e ajudando a formar gerações, como a Mãe Preta, homenageada no capítulo final.

MB - Como surgiu a idéia de escrevê-lo?

MS - Foi uma idéia antiga. Apaixonada pela Bahia queria deixar registrado seu passado nas páginas de um livro para que nunca fosse esquecido.

MB - Como foi o processo de construção da obra?

MS - Esse processo custou-me cinco anos de trabalho: pesquisas,conversas com mulheres mais velhas,sinhás e pretas velhas,com o povo do santo,leituras de livros antigos,e até velhos diários bem escondidos debaixo dos lençóis de cetim.Confissões de matronas respeitáveis para quem a Bahia de hoje seria pior que Sodoma e Gomorra juntas.

MB - Que lembranças esse livro trouxe da sua vida?

MS - Ah, muitas!Minha infância e adolescência, as festas de largo, o Sábado do Bonfim, as viagens de avião, usando luvas e chapéus, as visitas, a culinária, os namoros no portão, os chás nas Duas Américas, as viúvas e a negra do mingau. Os saudosistas vão adorar e os mais jovens vão morrer de rir.

MB - Como a Sra. analisa essa nova geração de jovens viciados no mundo virtual?

MS - A Internet é como a eletricidade; tanto ilumina como mata. O mundo ficou bem menor e as pessoas se encontram mais e se conhecem melhor virtualmente. Mas de uma forma muito interessante, pois, através da palavra digitada a gente acaba conhecendo melhor a essência da pessoa que vai além da sua aparência. Existem riscos, por isso, precisamos ter cuidado.

MB - A Sra. acha que o livro impresso vai acabar daqui uns tempos devido a chegada do livro digital?

MS - Espero que não! Para minha geração o cheiro, a cor, o volume do livro que a gente segura com carinho é imbatível. Entretanto, que venham os digitais, mais práticos e armazenando milhares de informações. Mas, note a TV não aposentou o cinema e o jornal digital ainda não substituiu o impresso.

MB - É fato sabido que várias gerações têm demonstrado desinteresse pela leitura. Na sua opinião qual é a melhor maneira de estimular o hábito de ler?

MS - A leitura jamais deverá ser forçada. Literatura não é disciplina, é indisciplina, devemos estimular o aluno a descobrir caminhos, abrir as portas da fantasia e imaginação. Toda obra literária contém os elementos primários da estória humana: amor, ódio, gozo, sofrimento, ciúme, paixão. Mas, o ciúme de Bentinho não é o mesmo do Otelo. Inútil obrigar as novas gerações a ler os clássicos. Eles chegarão lá através dos gibis, porque não? É uma longa caminhada.


Obra: A Bahia de Outrora
Autora: Miriam de Sales Oliveira
Editora: Via Litterarum
Preço sugerido: R$20,00


N.A.
A "Bahia de outrora" pode ser pedido diretamente à autora através do e-mail
miriamdesales@gmail.com e será enviado via sedex sem outro custo para o leitor além do valor acima mencionado.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

'Os alunos foram passando sem saber nada'

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Maria do Carmo Vieira quer dar uma reguada ao sistema de ensino português: através da Fundação Francisco Manuel dos Santos (presidida pelo sociólogo António Barreto), lançou esta semana o ensaio 'O ensino do Português'.

Sem pudor, a professora de Língua Portuguesa - já com 34 anos de experiência - dirige duras críticas ao baixo nível de exigência do actual sistema de ensino, aos professores, aos sucessivos Governos, às escolas. No dia em que arranca a primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário, o SAPO foi ouvi-la.

Defende que as más práticas no sistema educativo já se arrastam desde 2003. Aponta o dedo a algum Governo em particular?

Fui professora a partir de 74/75 e o que se reparava é que, na década de 80, estas teorias já estavam em voga. Se os alunos atingissem os objectivos mínimos, podiam passar – e os objectivos mínimos eram nada. Os alunos foram passando sem saber nada. Este miserabilismo começou nessa altura e agora acentuou-se. Acentuou-se em 2003/2004 com a implementação desta nova reforma. Desde aí, tem sido uma ‘guerra’...

De que resultam estas más opções em matéria de política educativa?

É evidente que neste momento se trabalha para as estatísticas. Houve o desejo de impor uma série de teorias de pedagogia que são perfeitamente caducas. É contra essas teorias que são defensoras da apologia do presente, dos programas televisivos, da subestimação da literatura que eu me pronuncio, porque não condizem com os interesses dos alunos. E as grandes vítimas de tudo isto são os alunos, enquanto o Ministério está a desrespeitar a sua função de Ministério.

Por isso, defende no seu livro que algumas práticas educativas tradicionais deveriam ser retomadas?

Por exemplo, quando se diz que não se deve memorizar, está a pôr-se em causa uma capacidade incrível das crianças que é a memória e a tabuada é para memorizar. Por isso mesmo, é que eu tenho alunos de 12.º ano que às vezes nem sabem quanto é 9x3. Há alunos que não me sabem conjugar os verbos: só me dizem presente, passado e futuro. E isso é porque não se estuda a gramática desde o início.

Diz que a falta de paz no sistema educativo contribuiu para a degradação da sua qualidade. Ainda assim, pede aos professores que desobedeçam às actuais directivas. Em que ficamos?

Esta ‘guerra’ foi suscitada pela imposição de tanta novidade. Era o novo só pelo novo e os professores nunca foram convidados a intervir. Só uma facção – aquela que era a favor destas novas teorias. O que eu peço no meu livro é que é preciso desobedecer a isto: não posso obedecer a quem me vem dizer que eu tenho de ser compreensiva com os erros ortográficos. A paz é um bem essencial para se ensinar, mas se obedecermos a tudo isto, estamos a abandalhar a nossa profissão e isto não é correcto, nem connosco, nem com os próprios alunos. Há momentos em que é forçoso desobedecer, nem que nos ameacem. A mim ameaçaram-me várias vezes…

Quem a ameaçou? Pais?

Não. (silêncio)

O sistema?

O sistema, precisamente.

Mais recentemente, criticou também o programa Novas Oportunidades, pelo facilitismo com que atribuiu competências…

Trata-se de uma fraude e de uma falta de respeito para com as pessoas que acreditaram no programa, Conheço inúmeros alunos que pensavam que voltavam à escola para aprender e aperceberam-se de que não iam aprender nada. Não se faz o 7.º, 8.º e 9.º em três meses, não se faz o 10.º, 11.º e 12.º ano em seis meses. Isto não tem qualquer equivalência, porque se esses alunos fossem questionados, não sobre as matérias até do 10.º,11.º e 12.º, mas sobre qualquer coisa minimamente inteligente, estavam a zero. Eles são a personificação da ignorância, mas uma ignorância que é fomentada pelo próprio sistema e, por isso mesmo, eu digo: é preciso desobedecer a isto.

Fonte: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1071907.html

sábado, 17 de abril de 2010

Gates of Metropolis...


The Fountainhead/Vontade Indómita (adaptação do livro homónimo de Ayn Rand, que escreveu o argumento), King Vidor, 1949 (excerto dobrado em Língua Portuguesa)


Ayn Rand entrevistada por Mike Wallace (CBS), primeira entrevista de Ayn na TV, 1959

quinta-feira, 25 de março de 2010

Breve entrevista de Renato Epifânio (MIL) ao Dr. Fernando Nobre




Lusofonia:
A importância do espaço da Lusofonia para a nossa afirmação no mundo e nos mercados internacionais. Portugal com a dimensão do mundo.
O Passaporte Lusófono (de Agostinho da Silva):
Portugal é o mundo lusófono, mais todas as comunidades e todas as comunidadades lusodescendentes no mundo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Entrevista a Fernando Nobre

Repete as palavras 'cidadãos' e 'cidadania' em quase todas as respostas: foi pelos portugueses que o médico Fernando Nobre decidiu avançar com a candidatura a Belém, rejeitando "enfeudar-se" a partidos políticos. Abdica da imagem de "herói" que poderia ter daqui a dez anos, se não se envolvesse agora na corrida à Presidência da República. Mas recusa ficar na "retaguarda" da "crítica fácil". "Não quero acomodar-me. Se vencer venci, se perder perdi." defende. Quanto à divisão da esquerda, é claro: tem um projecto de união que não conhece cores políticas. Além disso, diz ser "o único candidato" já assumido.

A sua candidatura é o assumir de que o país chegou a uma situação tal que o futuro já não pode ser confiado apenas aos políticos ?

O Estado é constituído por três pilares: o pilar da vivência política, dos partidos, governo e Presidência da República, o pilar relacionado com a economia e o pilar da sociedade civil. Chegou o momento de a sociedade civil se exprimir. O país está em crise e nenhum desses pilares pode eximir-se dos seus deveres. Perante o conhecimento geopolítico, o conhecimento social que tenho do país e a multiculturalidade, multirracialidade e a mundivivência que tenho enraizadas em mim, entendi que podia dar um contributo importante. É importante ter na Presidência da República - respeitando a Constituição -, um cidadão apartidário. O que não quer dizer que seja apolítico, porque o trabalho humanitário e social que tenho feito é político. Entendi que o pilar da cidadania deveria manifestar-se e já que mais ninguém se erguia, ergui-me eu.

É uma candidatura para ir até ao fim?

Eu quis fazer uma declaração de candidatura, quando muitos me aconselharam a "manifestar disponibilidade". Mas não sou pessoa de tactear: ou avanço ou não avanço. Só quem não me conhece pensa que posso desistir. Muito menos num projecto em que está em causa a dignidade do país e a minha dignidade e coerência. Este processo é para ir até ao fim e para ganhar. Posso perder, mas vou para ganhar.

Com que objectivos centrais?

Participar na credibilização da política, dar um contributo nas questões da coesão justiça social do país, que são urgentes, contribuir para a credibilização da justiça e reforçar a soberania. O PR tem o direito e o dever de intervir, respeitando a Constituição e deixando o governo governar. Mas também não pode assistir passivamente a certos transbordos que podem ocorrer.

Como é que se propõe "repor a fé na democracia", como disse?

Aqueles que dizem que nunca me ouviram uma ideia política podem ler os livros que escrevi. Até dizem que lêem muito, portanto podem ler esses livros onde exponho as minhas ideias e as minhas visões para o mundo e para o país. A democracia representativa é o menos mau de todos os sistemas, mas isso quer também dizer que a democracia é perfectível com uma componente de democracia participativa, de auscultação da população em debates importantes. Não quer dizer que tenhamos de chamar os cidadãos todos os meses, mas nos assuntos relevantes do Estado, não há que ter medo. Caso contrário, continuamos a olhar para eles como uma massa amorfa, uma carneirada que só dá o seu parecer de quatro em quatro anos.

Defende mais referendos, portanto.

Sempre que necessário. No Tratado de Lisboa, o povo deveria ter sido chamado a pronunciar-se, porque a Europa está a ser construída de cima para baixo e sem auscultar os cidadãos. E depois acham estranho que os cidadãos decidam não votar e que tenhamos abstenções na ordem dos 50%. Isso é grave para a democracia. É preciso que as pessoas voltem a acreditar e que sintam que o poder quer ouvi-los.

É por isso que diz que há um sufoco partidário da vida pública?

Sim. Não digo isso no sentido de contestar o poder, mas sim no sentido de fazer com que as esferas do Estado, da economia e da sociedade civil consigam entrecruzar-se, para conseguir um país sustentável, com futuro. Basta ler os jornais para ver que já muitas vozes questionam a viabilidade do país. Chegou a hora de os cidadãos dizerem que querem ser escutados e eu quero ser o porta-voz desses que não tiveram voz durante décadas.

Precisamos de uma nova revolução?

As revoluções muitas vezes são autofágicas. Eu sou por um processo de mudança, de transformação, mas não de revolução. Agora, para que as ditas revoluções violentas não aconteçam, é preciso pugnar por um processo inclusivo mais forte. O país está num processo que pode tornar-se complicado, com os níveis de pobreza, desemprego, défice externo e endividamento das famílias que atingimos. Os desafios que se avizinham vão possivelmente agravar esses perigos, portanto chegou o momento de Portugal conseguir uma união de projectos e causas nacionais. É um processo de salvaguarda de um país com 900 anos de História, para que não se continuem a ouvir as vozes que dizem que Portugal não tem futuro e que o melhor que lhe pode acontecer é ser integrado na Espanha. Não! Nisso sou muito patriota.

Fala em projectos de união para o futuro do país, mas a discussão que hoje se faz assenta sobretudo em números: défice, endividamento...

É importante que isso seja resolvido. Temos um défice e um endividamento preocupantes.

E o que defende para combater isso?

Há domínios que conheço bem e outros que conheço menos bem. É para isso que existem os assessores e um Conselho de Estado que, para mim, deve ser consultado mais amiúde pelo Presidente da República. Mas se o tecido empresarial do país é constituído a 95% por PME que empregam 76% da mão de obra do país, é preciso dar uma atenção particular a esse sector, em vez de pensarmos de novo em projectos de grande envergadura. Não quer dizer que não se faça um, mas não podemos avançar para três ao mesmo tempo. Quando for Presidente da República terei um diálogo singular com o primeiro-ministro, seja ele qual for, e darei a minha opinião. Não podemos repetir os erros do passado. Temos de exigir responsabilidade aos políticos. Não podemos construir 10 estádios de futebol inúteis, endividar brutalmente o país e agora estar a falar na implosão de alguns deles. Onde estão os responsáveis? Isto é um atentado à dignidade do país.

Como definirá a prioridade dos projectos?

No meu livro proponho uma fórmula de conselhos de peritos nomeados pelo PR, pela Assembleia da República, pelo sector em causa e pela sociedade civil e meio académico. Uma vez definidos os eixos estratégicos temos de mostrar perseverança para alcançar os objectivos. O papel do Presidente da República passa muito por motivar, incentivar e alentar, visitando o país de lés a lés, reunindo nas universidades, escolas, empresas, autarquias, no mundo associativo, para passar ânimo a um país que está particularmente deprimido. Não acredito no fatalismo lusitano: tudo depende da organização, do trabalho, exigência, esforço e premiar o mérito. E também é preciso profissionalismo e respeito pelas regras.

E quanto tempo será necessário para mudar mentalidades?

Era bom que houvesse um curso de civismo desde a pré-primária até ao pós-doutoramento, para as pessoas entenderem que têm direitos para si e deveres para com os outros e para com o país. Portugal somos todos nós. Eu quero dizer aos cidadãos que têm de assumir o seu papel no Estado, porque a política não esgota nos partidos. Isto pode levar uma ou duas gerações, mas deveria acontecer numa geração, no máximo. Porque a aceleração na mudança do mundo é radical. Não temos mais tempo a perder, senão Portugal afasta-se cada vez mais das médias europeias.

Concorda com a ideia de que os melhores portugueses não estão hoje na política?

Isso é também culpa desses portugueses. Seria muito fácil deixar-me estar na retaguarda. Como diz a minha mulher - que foi radicalmente contra esta minha decisão -, eu podia fazer mais dez anos de trabalho e acabaria, em Portugal, e com toda a humildade, com uma imagem de herói. Mas... é muito fácil criticar? Então vamos dar o nosso contributo, para ver se conseguimos. O que prometo aos portugueses é que se tiver uma decisão muito difícil a tomar, darei a cara por ela, justificando a solução escolhida. E se me enganar, pedirei que me castiguem nas próximas eleições. É essa linguagem frontal que quero trazer.

Falta frontalidade na política actual?

Há muito tacticismo, muitos bloqueios devido a redes de interesses e nem sempre se fala claro. Eu gosto de falar português entendível, não gosto de discursos herméticos. O Presidente da República pode, e deve, exercer a sua magistratura de influência em diálogos singulares. Sou pelas conversas frontais em reuniões olhos nos olhos com qualquer primeiro-ministro, procurador-geral da República, Presidente do Supremo ou líderes partidários. Ao votarem em mim, os portugueses podem saber que terei essa postura até ao fim.

Já tem muitos apoios?

A rede está entusiasta. Que eu saiba, até hoje sou o único candidato. Depois há uma pessoa que eu respeito, embora não conheça, que se mostrou disponível para ser candidato. Mas eu sou candidato. Por isso tenho contactado muita gente. Na altura certa as pessoas saberão quem faz parte da minha comissão e quem são os meus mandatários. Quero incluir toda a gente num projecto nacional. Não estou aqui para dividir entre esquerda, centro e direita. Isso não me interessa. Eu vou por valores. Há muita gente que ainda não entendeu que já ninguém acredita nessas coisas da direita e da esquerda: acreditam em valores, em pessoas com carácter e com coluna vertebral.

Foi por isso que já apoiou pessoas de variados quadrantes políticos?

Acredito em projectos e em pessoas. Apoiei Durão Barroso a primeiro-ministro e, desse apoio, sinceramente, arrependi-me. Pela situação na guerra do Iraque e pela saída para Bruxelas. Senti-me traído. Quantos aos outros apoios, não me arrependo minimamente. Soares nas presidenciais, Miguel Portas para o parlamento europeu e António Capucho na câmara de Cascais, a cidade onde vivo. Eu não vejo cores políticas. Quem ache que eu ando a saltitar da esquerda para a direita, não entende nada do que defendo.

Alegre avançou como candidato da sociedade civil. Porque é que não o apoiou?

Fui convidado por três vias para apoiar e integrar a sua comissão de honra. Nomeadamente pelo grupo de Viseu, onde nasceu a candidatura de Alegre. E hoje esse grupo decidiu estar comigo. Nós temos de ser frontais, porque isto de se dizer uma coisa e depois fazer outra é complicado. Não podemos ter um senhor que foi durante 34 anos deputado do PS, foi vice-presidente da AR indicado pelo PS, que pertence a um partido e que, continuando a ser deputado do partido, diga que quer dinamizar um movimento de cidadania. Para ser coerente, só há uma coisa a fazer: entregar o cartão do partido e fazer uma coisa às claras.

Não aceita as críticas ao facto de a sua candidatura dividir a esquerda?

Não, porque não estou aqui para dividir a esquerda, o centro ou a direita. Não vou voltar a responder a essas perguntas sobre as interferências de A, B ou C, ou dos apoios de Soares. Quero é discutir projectos e ideias para o país. Estou aqui para assumir as minhas responsabilidades pelo país que amo. Não estou aqui para pedir apoios de partidos. Peço o apoio dos cidadãos, pertençam eles a que partidos pertencerem. Não enjeitarei nenhum apoio, desde que ele não violente a minha consciência, mas não me enfeudarei a nenhum partido.

Não espera apoios partidários?

Não estou à espera nem os vou pedir. Eu estou a falar à cidadania dos portugueses. Se o partido A ou B quiser apoiar-me, pois que apoie. Mas não me peçam contrapartidas. Se é para ir para Belém e já estar amarrado, eu não vou. Eu sou suprapartidário. Não quer dizer apolítico, porque tenho as minhas ideias.

Como avalia o mandato de Cavaco Silva?

O professor Cavaco Silva teve uma ideia muito boa: os roteiros para a inclusão. Estive com ele no último roteiro para a inclusão no Norte, ao lado dele, nesta causa nacional de luta contra a pobreza, que é uma vergonha para este país. Tenho de Cavaco Silva a imagem de um homem digno, responsável e crente nas pessoas. Acho é que, perante a situação de Portugal, vai ser preciso uma grande força anímica - que eu tenho.

E o actual presidente não a terá tanto?

Ele responderá por ele. Eu falo por mim.

Como assistiu às querelas entre São Bento e Belém?

Com muita perplexidade. Das duas, uma: ou o senhor presidente da República já não tem confiança no primeiro-ministro e entende que anda a ser escutado, se tiver provas de que o primeiro-ministro anda a escutar as suas conversas privadas, só tem de fazer uma coisa: é levar a questão até às últimas consequências. Se não tiver provas, o melhor é ficar calado. Acho que o país está perplexo, está confuso. Por isso, serei muito claro com os putativos candidatos a primeiro-ministro, no sentido da credibilização. A credibilização da classe política é essencial. Gostaria que nas sondagens feitas no nosso país a classe mais respeitada fosse a classe política. Mas não é. Eu sou médico e diz-se que é a profissão mais linda de todas. Mas costumo dizer que há uma superior: a de estadista e de gestor do bem comum.

É possível transportar esse plano das ideias para os actos?

Esse vai ser o meu combate. Não quero fechar os olhos sem dizer "eu tentei". Conseguir ou não, é outro assunto. Mas vou tentar. Não quero demitir-me, ou acomodar-me. Se vencer, venci. Se perder, perdi. É esse o jogo democrático. Eu neste processo ponho-me à chuva. Vão chover picaretas e já começou. Mas espero que o debate seja noutro patamar, porque não vou responder a essas coisas. O Dr. Manuel Alegre pode dizer que não me conhece, mas à volta dele há quem me conheça. Eu quero é que se discutam projectos para Portugal. Se não vencer, que vença alguém com um projecto que possa mobilizar Portugal. Demonstrem-me isso. Quanto ao resto, todos os disparates são permitidos e até já ouvi umas bocas sobre não ser português, por ter nascido em Angola. Eu nasci português e sempre tive bilhete de nacionalidade português desde o meu nascimento. Vamos lá parar com as baboseiras e pôr a discussão no patamar das ideias. Eu ando desde que nasci em países onde há muitos mosquitos. Picadelas de mosquitos não me importunam. Eu só reagirei se for mordido por um crocodilo.

Não quer concretizar a metáfora?

Hão-de vir outras. Há muitos anos que ando em zonas complicadas do planeta, estou habituado. Não vão por aí porque não me vão perturbar. Agora, não atentem à minha dignidade. Não permito que ninguém venha atentar o meu nome e dignidade, porque aí terei resposta à altura.