*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*

MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Isabel Mendes Ferreira - As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar




É minha firme opinião, que a Isabel Mendes Ferreira, membro do MIL e colaboradora da Nova Águia desde o primeiro número, para além de uma excelente artista plástica - representada em várias colecções particulares, na Europa e nas américas, é a nossa melhor Poeta contemporânea. Já o disse, redisse, escrevi e rescrevi, que “ler Isabel Mendes Ferreira é como assistir ao descerrar de auroras, cantando e reinventado palavras de diferentes paladares por detrás dos fiapos da memória e da respiração das manhãs”, e continuarei a dizer e a escrever o mesmo, enquanto não aparecer no actual panorama literário português, alguém que altere esta convicção, formada desde o dia em que a descobri e de que não esqueço a forte impressão que senti ao lê-la: uma pedrada na “modorra” instalada.

Ninguém actualmente escreve como a Isabel Mendes Ferreira: nem com a profundidade nem com o estilo, nem com a qualidade que lhe advém do domínio absoluto da escrita e de um jogo de palavras soberbo.
Como se pode ler no posfácio, “O sentido ambíguo da sua escrita, converte-se no que o excede e onde ser o mesmo é ser outro de si (é outrar-se, como diz Fernando Pessoa), o que apela à desconstrução do discurso tradicional”.

Para mim, é pois, extremamente gratificante falar do novo livro de uma escritora e poeta despojada de falsas crenças da unidade da consciência identitativa, de uma escritora que transporta os verbos que ainda não estão corroídos, pervertidos, subvertidos, gastos, e que com ela voltam fantásticos, imortais, castos e vestidos de denso sentir.

Este, o seu décimo terceiro, é um livro que me fascina, aprecio-lhe o cheiro das areias do deserto e a cor do cair da noite quantas vezes ruborizada de pudor e aureolada de luminosidade divina, um livro para ler e reler, uma instância de retemperação. Um livro com chancela da Arcádia, onde voltaremos amiúde e que está a partir de hoje à venda em todas as livrarias Babel." As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar", integra uma novíssima colecção de poesia, iniciada por David Mourão Ferreira e onde é o terceiro título.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Finalmente!

A visão de um cidadão activo e inconformado com certos aspectos e da sociedade.

Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

"Caros amigos,

Decidi escrever estas linhas, no sentido de vos comunicar pessoalmente uma decisão de fundo que tomei enquanto cidadão independente e em nome dum imperativo moral e de consciência para Portugal, uma vez que tenho, por quem acompanha este blog, a maior consideração e respeito.

Resolvi assumir um compromisso com o meu país, Portugal. Serei candidato independente, apartidário e em nome da cidadania, a Presidente da República, nas próximas eleições de 2011.

Esta é uma decisão estritamente pessoal, enquanto cidadão que sou. Muito tenho escrito e dito sobre o dever de todos nós exercermos a nossa cidadania de uma forma activa e corajosa. Sinto que o País atravessa um período em que constantemente se põem em causa os valores e as pessoas, as promessas e os projectos. E sei a gravidade que essa atitude generalizada tem no futuro de todos nós. Acredito em Portugal! Acredito nos portugueses e nas suas capacidades. Somos, no mínimo, tão bons como qualquer outro povo do Mundo. E é isso que pretendo provar, candidatando-me a um lugar no qual penso poder fazer a diferença e dar o exemplo.

Informo por outro lado que a AMI, enquanto instituição absoluta e rigorosamente apolítica, não se imiscuirá neste assunto, estando completamente à margem deste processo.

Sou e serei sempre um ser livre. Rejo-me e reger-me-ei sempre por valores em que acredito e não por qualquer outro tipo de ambição. E neste momento acredito poder vir a ser mais útil num outro contexto.

Espero que compreendam as minhas palavras quando, sexta-feira ao fim da tarde, no Padrão dos Descobrimentos, a minha decisão de candidatura for, por mim, tornada pública. E quero que saibam que a minha motivação é exclusivamente uma: acreditar que posso fazer a diferença, não me acomodando nunca.

Com a maior consideração."

(Texto retirado do blogue do Dr. Fernando Nobre)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Fim da polémica nos ATM's

Finalmente saiu o decreto-lei que diz ser expressamente proibida a cobrança de encargos pela prestação de serviços de pagamento e pela realização de operações em caixas multibanco.

Diário da República, 1.ª série — N.º 2 — 5 de Janeiro de 2010

Decreto-Lei n.º 3/2010 de 5 de Janeiro



Artigo 1.º
Objecto

O presente decreto-lei tem como objecto:

a) Proibir a cobrança de encargos pelas instituições de crédito nas operações, designadamente de levantamento, de depósito ou de pagamento de serviços, em caixas automáticas;
b) Proibir a cobrança de encargos pelos beneficiários de serviços de pagamento nas operações de pagamento através dos terminais de pagamento automáticos.

Artigo 2.º
Cobrança de encargos nas operações em caixas automáticas

Às instituições de crédito é vedado cobrar quaisquer encargos directos pela realização de operações bancárias em caixas automáticas, designadamente de levantamento, de depósito ou de pagamento de serviços.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Fernando António Nogueira Pessoa

«…mais vale ser criança que querer compreender o mundo.»

Faz hoje precisamente 74 anos, que Fernando Pessoa o autor insigne do Orfeu e espírito critico admirável, faleceu deixando uma extensa obra, praticamente toda inédita, que viria a fazer dele um dos maiores símbolos da cultura lusa.

Nasceu em Lisboa a 13 de junho de 1888, cidade aonde viria a falecer a 30 de Novembro de 1935. Morreu de cirrose hepática aos 47 anos e os seus restos mortais repousam perto dos poetas Luiz Vaz de Camões e Alexandre Herculano sob um monólito de mármore no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, o mais emblemático monumento português.

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro

domingo, 29 de novembro de 2009

Seara Nova

Lisboa, 15 de Outubro de 1921

«revista de doutrina e crítica»

Saiu o 1º número da Seara Nova, revista literária. Entre os seus fundadores contam-se Raul Proença, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Raul Brandão, Câmara Reis e Augusto Casimiro.
O grupo da Seara propõe-se exercer um magistério pedagógico que reforme o pensar e se reflicta na acção política. Considera, como prioridade, formar uma elite intelectual militante, empenhada na transformação social. O seu ideário, racionalista, diverge do do Integralismo Lusitano: é a razão que deve guiar o homem e não os valores da tradição e da raça.
António Sérgio de Sousa, intelectual de relevo, foi convidado a integrar o grupo.

Cinco mandamentos da Seara Nova

- Renovar a mentalidade da elite portuguesa, tornando-a capaz de um verdadeiro movimento de salvação.
- Criar uma opinião pública nacional que exija e apoie as reformas necessárias.
- Defender os interesses supremos da Nação, opondo-se ao espírito de rapina das oligarquias dominantes e ao egoísmo dos grupos, classes e partidos.
- Protestar contra todos os movimentos revolucionários, defender e definir a grande causa da verdadeira revolução.
- Contribuir para formar, acima das pátrias, uma consciência internacional bastante forte, para não permitir novas lutas fratricidas.


In Diário da História de Portugal, de José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, p.514.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Livraria Centésima Página

Para o Renato

Esta foto, tirei-a a um graffiti que se encontra no meio de fabulosos frescos, na entrada da Livraria Centésima Página, em Braga.

Esta livraria, instalada no belo edifício que é a Casa Rolão, um exemplo da arquitectura do século XVIII, em estilo barroco, é um lugar especial que vale a pena visitar. Uma livraria de cinema, onde o espaço se multiplica em salas e pátios.

A Casa Rolão, segundo dados oficiais, foi construída entre 1759 e 1765, para um industrial bracarense, e é um imóvel classificado de interesse público desde 1977. A sua construção é atribuída a André Soares.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Recado aos cépticos do AO, que me sacam o 'fair-play' quando falam na defesa da raiz da língua.

Aqueles que pensam ser donos da língua (preconceito?), precisam não esquecer que os africanos (no caso, árabes) tinham atravessado o mediterrâneo fixando-se na península ibérica, muito antes dos portugueses descobrirem África. E também que, a língua que hoje falamos é uma construção colectiva desde os tempos da colonização africana, romana, e posteriormente à medida que nos espalhámos no mundo e fomos assimilando palavras do japonês, do malaio, do quimbundo, do tupi, do bantu, etc.

Que alguém tente retirar do português as palavras árabes, e depois, por exemplo, se atreva a pedir café com açúcar (não vale usar o termo lisboeta de bica que, confesso, se trata de uma palavra de qualidade estética duvidosa e se refere a um café expresso), verá então a estrondosa vantagem de apresentar à nação uma alternativa viável ao incontornável vocábulo "incontornável"; a saber: "inignorável" do AO.

Mais exactamente, aproveito esta janela de oportunidade para solicitar um esclarecimento: o que tem a ver o AO com a raiz da língua, gaita?


Nota: Isto a propósito de conversas que vamos tendo por aí, e também de conversas que vamos lendo por “acoli”.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Integralismo Lusitano

Lisboa, 7 de Abril de 1915

Os intelectuais ligados ao movimento Integralismo Lusitano promoveram uma série de conferências na Liga Naval Portuguesa sobre o tema A Questão Ibérica. O mentor do grupo, António Sardinha, defendeu a identidade portuguesa no conjunto peninsular. Esta posição é uma das traves-mestras do ideário integralista, monárquico, católico, inspirado em Charles Maurras, Bermanos e outros escritores da Action Française.
O integralismo visa integrar valores do passado colectivo nacional na nova ordem. Procura ligar o ancestral e o moderno. Na revista do movimento, Nação Portuguesa, fundada por António Sardinha, Alberto Monsaraz e Hipólito Raposo, têm colaborado José Adriano Pequito Rebelo, Francisco Vieira de Almeida, Luís Cabral Moncada, entre outras. À filosofia positivista, subjacente ao republicanismo, contrapõem os integralistas uma reflexão prospectiva do passado para construir o futuro.
Ao «verbo maldito» de Junqueiro que esperava o renascer da Pátria com o advento da República, opõem a revalorização de arquétipos históricos e a construção de uma monarquia, vivificada pelo espírito dos novos tempos.
O integralismo é uma reacção contra a anarquia e desperta a adesão de largas camadas da juventude.


In Diário da História de Portugal, de José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, p. 504.

«O escândalo» do Orpheu

Lisboa, 25 de Março de 1915

Está à venda o primeiro número da revista Orpheu (Janeiro-Fevereiro-Março) fundada por Luís de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Armando Cortes-Rodrigues, Alfredo Guisado, o brasileiro Ronald de Carvalho.
São jovens intelectuais cujas idades oscilam entre os 27 anos (Fernando Pessoa) e os 19 (António Ferro, o editor).
A revista, que nasceu nas tertúlias destes homens de letras, nos cafés Martinho e Irmãos Unidos, insere-se nas novas correntes estéticas futuristas e apresenta-se com um espírito provocatório e agressivo a que não é estranha a consciência da guerra que assola a Europa.
Santa-Rita Pintor e Mário de Sá-Carneiro têm transmitido de Paris as novidades dos meios de vanguarda literária e artística e são essas novidades, formalizadas agora em Orpheu, que escandalizam a sensibilidade e os critérios da pequena burguesia nacional e dos seus literatos tradicionalistas.

Desde a arrojada capa de J. Pacheko, aos novos signos gráficos (letras, grandes números), à distorção de ritmos, aos vocábulos insólitos, à intenção anti-saudosista, à exaltação febril das realidades que derivam da indústria e da máquina, tudo é «escandaloso».


In Diário da História de Portugal, de José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra, p. 504.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Prémio Revelação em Literatura Infantil e Juvenil Matilde Rosa Araújo

Era uma vez... um mundo

Um grupo de jovens finalistas do Secundário, um orientador, uma escola, muitos amigos e... o mundo. No mundo, do mundo e para o mundo, num misto de culturas, pensamentos, emoções e atitudes nasce uma vontade – mostrar que a tolerância facilita o diálogo.
A OLHA Edições tem a honra de anunciar que o seu primeiro livro "Era uma vez... Um mundo" foi agraciado com o Prémio Revelação em Literatura Infantil e Juvenil Matilde Rosa Araújo, para o qual se tinha candidatado no passado mês de Junho.
Este livro foi desenvolvido no Colégio Marista de Carcavelos, sob a coordenação do Professor António Coelho.
Em nome da OLHA, e como parceira do projecto, envio aos autores e co-autores o meu abraço de parabéns.

Paula Viotti
Directora da OLHA Edições


Nota pessoal: Este prémio, ou melhor, este reconhecimento obrigatório (e tudo o que é bom deve ser obrigatório, que ninguém se engane), para além de valorizar o trabalho de quem muito estimo, deve-nos satisfazer a todos por ser atribuído a um membro activo do MIL. Daquela estirpe marcada há muitos anos num calendário antigo: os que não regateiam esforços quando acreditam no valor das coisas, das pessoas, das ideias… e sempre prontas a repetir a faina no dia seguinte.

Como o futuro está num tempo desconhecido e só o presente se vive, obrigado, Paula! Parabéns, Paula!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um Homem Referência

Agostinho da Silva era um homem inesperado e a sua lógica era outra, como diz António Alçada Baptista quando relembra os amigos e começa assim a falar dele:

Não posso deixar de lembrar Agostinho da Silva, porque ele foi um homem-referência na minha geração. A minha amizade vinha da admiração que me merecia um homem diferente, um homem como ainda não há.

Ele fez e ensinou tudo exactamente ao contrário daquilo que queria que a gente fizesse: num mundo que nos incitava a acumular riqueza, ele viveu no maior despojamento; num mundo que nos entusiasmava com o trabalho e as realizações, ele aconselhava a ociosidade; num tempo de internacionalização das nações, ele defendia e acarinhava os valores da Pátria e tudo aquilo que podia significar uma identidade nacional. E fazia isso sem espírito de cruzada: tudo parecia emanar naturalmente da constituição do ser humano para assim se reintegrar na ordem inscrita no universo primordial.

[…] Agostinho da Silva ajudou a fundar Universidades, fez respeitar Portugal e falou sobre o sonho do mundo da Língua Portuguesa e do que ele podia significar numa época onde afloram tantos indícios de deixarmos uma civilização do poder para uma civilização de diálogo e de cultura. Por todos os lados onde passou deixou uma espécie de rasto de luz e de lenda, como quem, ao mesmo tempo, acredita e desconfia sobre se aquilo que dizia estava certo.

[…] Estas pessoas são raras mas são necessárias porque nós precisamos de ir vendo como serão os homens do futuro. Essas pessoas ensinam-nos que é possível existir de outra maneira e ter com o mundo e com os outros uma relação diferente. Termos sido contemporâneos de Agostinho da Silva é um motivo de esperança: ficamos com a prova de que estes homens são possíveis, que são feitos da mesma matéria que nós e que, possivelmente, só nos falta acrescentar um pequeno suplemento de alma para lhe imitarmos a vida.


Pesca à linha, Algumas memórias, da Editorial Presença, p. 205-206.

“Se o meu leitor quer saber isso, merda para o leitor.”

Perder, de vez, as estribeiras
por Ferreira Fernandes

"Um dia, há muitos anos, entrei num quarto alugado de uma casa do Dafundo. O dono do quarto era solitário e triste, mas eu olhava-o com o fascínio que os homens feitos, como eu já era, só emprestam aos seus heróis da adolescência: Vicente Lucas. O homem que Pelé considerou o melhor defesa que o marcou. No Mundial de 66, ele jogou contra a Hungria, Bulgária, Brasil e Coreia, que ganhámos, e não jogou contra a Inglaterra, que perdemos. Em Lourenço Marques, de onde tinha vindo este negro gentil e de bigode fino, chamavam-lhe "Mandjombo", que queria dizer sortudo. Não era bem assim. Semanas depois do regresso da glória de Inglaterra, Vicente Lucas teve um acidente e ficou cego do olho direito. No quarto do Dafundo, enquanto ele tirava de uma cómoda a camisola que Pelé lhe dedicara e folheava as fotos com o seu irmão Matateu, eu beliscava-me para me lembrar que estava ali com Vicente. O Vicente. Provavelmente nunca serei jornalista, a lâmina fria, o olhar seco, o servidor do público. Seguramente não sou capaz, numa entrevista com Jardel - como li ontem -, com Jardel que estrebucha para sobreviver, com Jardel que falara há pouco de Enke, de lhe perguntar: "Suicídio? Passou-lhe alguma vez pela cabeça..." Se o meu leitor quer saber isso, merda para o leitor."


Tem razão o Ferreira Fernandes. É confrangedor hoje em dia ler a nossa imprensa. Com raras excepções, é uma máquina mediática de cínicos, vaidosos e ressabiados, irmanados no atávico propósito de se oporem a tudo. Como peixe na água, banqueteiam-se com a desapropriação social, moral e ideológica. O seu contributo ou compromisso para com a comunidade e a verdade, é pícaro e digno do anedotário nacional. Fazem do arrivismo uma metodologia e é esta predisposição que ordena as relações da pirâmide social em completo acordo com a arcana lógica do corporativismo.

A minha herança é outra. E, embora não esteja vencido, vejo que estou a ser derrotado pelos que só trabalham pelas benesses que lhes são outorgadas, directa e indirectamente.
Por isso me satisfaz, tanto, encontrar jornalistas como o Ferreira Fernandes. Faz-me confiar que estamos sempre a tempo de começar a exigir uma oposição digna a este estado de coisas para não nos perdermos nele.
Talvez também por isso e porque precisamos de traves-mestras, o MIL é uma necessidade e uma exigência.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A origem de @ (arroba)

(Texto que me chegou)

Na idade média os livros eram escritos pelos copistas à mão. Precursores da taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios, por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido. O motivo era de ordem económica: tinta e papel eram valiosíssimos. Foi assim que surgiu o til (~), para substituir uma letra (um "m" ou um "n") que nasalizava a vogal anterior. Um til é um enezinho sobre a letra, como pode ver. O nome espanhol Francisco, que também era grafado "Phrancisco", ficou com a abreviatura"Phco." e "Pco". Daí foi fácil o nome Francisco ganhar em espanhol o apelido Paco. Os santos, ao serem citados pelos copistas, eram identificados por um feito significativo em suas vidas. Assim, o nome de São José aparecia seguido de "Jesus Christi Pater Putativus", ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde os copistas passaram a adotar a abreviatura "JHS PP" e depois "PP". A pronúncia dessas letras em seqüência explica porque José em espanhol tem o apelido de Pepe. Já para substituir a palavra latina et (e), os copistas criaram um símbolo que é o resultado do entrelaçamento dessas duas letras: &. Esse sinal é popularmente conhecido como "e comercial" e em inglês, tem o nome de ampersand, que vem do and (e em inglês) + per se (do latim por si) + and. Com o mesmo recurso do entrelaçamento de suas letras, os copistas criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de "casa de". Veio a imprensa, foram-se os copistas, mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço - por exemplo:o registro contábil "10@£3" significava "10 unidades ao preço de 3 libras cada uma". Nessa época o símbolo @ já ficou conhecido como, em inglês, "at" (a ou em ).No século XIX, nos portos da Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar práticas comerciais e contábeis dos ingleses. Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo seria uma unidade de peso - por engano.

Para o entendimento contribuíram duas coincidências:

1- a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo "a" inicial lembra a forma do símbolo;
2- os carregamentos desembarcados vinham freqüentemente em fardos de uma arroba.

Dessa forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de "10@£3"assim: "dez arrobas custando 3 libras cada uma". Então o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para significar arroba. Arroba veio do árabe ar-ruba, que significa "a quarta parte": arroba (15 kg em números redondos) correspondia a ¼ de outra medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,75 kg).
As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a ser comercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados). O teclado tinha o símbolo "@", que sobreviveu nos teclados dos computadores. Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico (e-mail), Roy Tomlinson aproveitou o sentido "@" (at -em Inglês), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Assim Fulano@ProvedorX ficou significando: "Fulano no provedor (ou na casa) X".
Em diversos idiomas, o símbolo "@" ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma.
Em italiano chiocciola (caracol), em sueco snabel (tromba de elefante), em holandês, apestaart (rabo de macaco).
Em outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus.

Os Livros e as Bibliotecas




A Biblioteca Municipal do Cadaval e a Livraria Livrododia promovem o programa "Cadaval é Biblioteca", uma série de eventos que se realizam nas novas instalações da Biblioteca no Cadaval.

No sábado, 14 de Novembro, pelas 16H00, terá lugar a mesa-redonda: “Os Livros e as Bibliotecas”.

Com a presença dos escritores/poetas Miguel Real, Maria do Rosário Pedreira e Rui Almeida.
Moderação de Luís Filipe Cristóvão.