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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
Mostrar mensagens com a etiqueta * Octávio dos Santos. Mostrar todas as mensagens
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terça-feira, 16 de abril de 2019

Sobre «descolonização», no Público

A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Descolonização ortográfica, já!». Um excerto: «Agora há que saber se em Portugal se vai acabar com a experiência catastrófica, não utópica mas sim distópica, de uma “novilíngua” que viola a etimologia europeia predominante em todas as nações civilizadas do Mundo e que resultou da “adoção” ilegal e reforçada, deste lado do Atlântico e isolando-nos daquelas, de uma subversão terceiro-mundista executada por uma ditadura brasileira da década de 40 do século passado decidida a diminuir os laços com o Velho Continente, e em especial com a nação ex-colonizadora de que muitos brasileiros se envergonha(va)m».

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Uma década com «Espíritos»


Hoje cumprem-se dez anos desde a primeira apresentação, feita na FNAC Chiado, em Lisboa, do meu livro – e primeiro romance - «Espíritos das Luzes». Uma fotografia que a minha esposa me tirou, nesse já algo distante dia 8 de Abril de 2009, junto ao cartaz relativo ao evento colocado naquele espaço, ainda é a imagem que me identifica no Google (Blogger e Gmail) – só isto é indicativo do quanto esta obra foi, é, e será sempre importante para mim.
Naquela ocasião acompanharam-me, na mesa, Pedro Reisinho – então editor da Gailivro/1001 Mundos, a quem devo primeira e principalmente a publicação de «Espíritos das Luzes» - e Miguel Real, cuja intervenção seria pouco depois (a 22 de Abril) transcrita e desenvolvida no Jornal de Letras, Artes e Ideias. Tal foi a primeira análise, ou crítica, publicada sobre o meu livro; a mais recente, e bem menos extensa, embora também positiva, foi inserida na página do Wook referente àquele a 17 de Agosto de 2018, escrita pelo leitor Ricardo Gomes: «Romance criativo e inovador acerca de várias personagens importantes da história portuguesa. Uma mistura de ficção científica com romance histórico sendo um texto bastante criativo.» Pelo meio houve, obviamente, mais, nem sempre favoráveis; neste âmbito, é inevitável mencionar as feitas por Jorge Candeias e por Artur Coelho, ambas a suscitarem-me uma e outra respostas que diria serem conclusivas e até definitivas; e ainda a feita (no GoodReads, tal como as daqueles dois extremo-esquerdistas e acordistas) por uma leitora que não compreendeu o contexto e os pressupostos da obra. Pelo contrário, quem os percebeu perfeitamente foi Malcolm Jack, então presidente da Beckford Society, que me concedeu o privilégio de uma recensão no boletim daquela instituição inglesa.
O que distingue igualmente «Espíritos das Luzes» na minha bibliografia, e até, quase de certeza, em comparação com as de muitos outros escritores, é que constituiu, bem como o processo criativo que esteve na sua origem, uma base para outras actividades, projectos e iniciativas. Um pouco de história: comecei a prepará-lo e a escrevê-lo em 2003, a seguir à edição de «Visões», e terminei-o, tal como pretendia, em 2005, a tempo dos 250 anos do terramoto de 1755, mas então nenhuma das editoras a quem o propus o aceitou; entretanto, nos quatro anos que ainda demoraria a sua publicação, consegui concluir e fazer editar «Os Novos Descobrimentos» (com Luís Ferreira Lopes, em 2006) e «A República Nunca Existiu!» (com 13 outros autores, em 2008); antes, em 2004, iniciei os contactos para a formação de uma equipa que procederia à recriação virtual da Ópera do Tejo (edifício destruído, como muitos outros, aquando do cataclismo), cujo primeiro «protótipo» foi mostrado a 3 de Novembro de 2005 num colóquio realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; o projecto seria posteriormente reformulado e ampliado para abranger a Lisboa Pré-Terramoto de 1755, e, já neste formato, foi tema de comunicações levadas a vários encontros de âmbito académico, principalmente no nosso país - são de destacar um em Braga e outro na capital - mas também no estrangeiro.  O meu trabalho em «Espíritos das Luzes» possibilitou-me igualmente o início de uma relação próxima e profícua com a Biblioteca Nacional de Portugal que se mantém ainda hoje: em 2004 tornei-me um dos mecenas da BNP ao financiar a restauração de um exemplar de «O Uruguai», de José Basílio da Gama, obra de 1769 que seria mencionada, tal como o seu autor, em «Espíritos…»; em 2006 decorreram na Biblioteca os dois primeiros eventos por mim propostos e co-organizados nela, ambos alusivos a celebrações de 250 anos – um sobre a Arcádia Lusitana e outro sobre cinco obras fulcrais datadas de 1756; vieram a seguir outros colóquios e congressos, dos quais apenas um de temática, pode dizer-se, claramente setecentista – o dedicado a Luís António Verney, em 2013 nos 300 anos do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar», do qual resultaria também um livro, efeméride da qual me apercebi, obviamente, na preparação do meu romance. Nunca é de mais referir, aliás, que Verney é uma das personagens fundamentais de «Espíritos…»
… E outras duas personagens fundamentais do meu livro possibilitaram que o levasse e o divulgasse para fora de Lisboa, em encontros que, decorridos já vários anos, ainda recordo com afeição e gratidão para com aqueles que os tornaram possíveis: António Ribeiro Sanches, em 2009, na Câmara Municipal de Penamacor, aquando da comemoração dos 800 anos do foral daquela vila; e, como não podia deixar de ser, Manuel Maria du Bocage, em 2010, no Club Setubalense, na véspera do dia (feriado) daquela cidade, o do aniversário do nascimento do grande poeta. Enfim, uma década depois, é indubitável que «Espíritos das Luzes» me proporcionou bastantes momentos e motivos de alegria e de orgulho. E, quem sabe, talvez me venha a proporcionar mais alguns no futuro.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Agora também os ímpares

Há quase dois anos, a 8 de Maio de 2017, escrevi e publiquei aqui no MILhafre um texto em que informava e comentava sobre um pormenor interessante… num mau sentido, porque na verdade insólito, de um galardão literário – o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa. Mais concretamente, o facto de, apesar de ser atribuído de dois em dois anos, aquele prémio apenas aceitar a concurso livros editados no ano anterior a cada edição, o que afastava da avaliação todas as obras lançadas em anos ímpares – como, por exemplo, «Q - Poemas de uma Quimera», que assim se viu impossibilitado de concorrer. Então relatei que havia contactado, questionando e protestando, os organizadores e os patrocinadores da iniciativa sobre aquela evidente mas inexplicável discriminação. 
Entretanto, e aparentemente, a Câmara Municipal de Faro terá atendido às minhas queixas (e às de outros?) e feito o que me disseram que iam fazer: «rever as normas». Efectivamente, a mais recente edição do prémio, cujo prazo de entrega termina a 30 de Abril próximo, abrange todas as obras que foram publicadas em primeira edição nos dois anos anteriores, ou seja, 2017 e 2018. Finalmente, os volumes de versos editados em anos ímpares deixaram de ser considerados inferiores ou até inexistentes por aquela autarquia algarvia. Porém, infelizmente, e pelo menos nesta ocasião, eu não retiro qualquer benefício da decisão pois não tenho um novo, ou recente, livro de poesia editado com que possa concorrer. No entanto, e sendo hoje o dia mundial daquela, justifica-se ainda mais a celebração do mesmo graças à correcção de um erro que a deslustrava.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Celebrar Eça em 2019

A 17 de Novembro de 2019 assinalar-se-ão os 150 anos da inauguração do Canal do Suez, a ligação que uniu o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho e abriu uma nova e transformadora rota da navegação e do comércio internacionais. Tal acontecimento constituiu em 1869 um momento marcante, e definidor, de todo o século XIX aos níveis político, económico, tecnológico e cultural; a ele assistiram, testemunhas privilegiadas, muitas pessoas, vários «notáveis» da época, incluindo José Maria Eça de Queiroz, que o tomou como pretexto e ponto de partida para uma viagem de diversas semanas por terras do Médio Oriente, e da qual resultariam dois livros, «O Egipto» e «A Relíquia», além de, antes, alguns artigos que escreveu para o Diário de Notícias na qualidade de enviado especial…
… E é por reconhecer a importância desta efeméride que, entre 15 e 18 de Novembro deste ano, em Lisboa, o Movimento internacional Lusófono organizará um congresso que reunirá um conjunto de especialistas nacionais e estrangeiros que apresentarão comunicações e participarão em debates tendo como tema central a particular «peregrinação» de Eça de Queiroz e as consequências e os significados, para ele, para os seus conterrâneos e para o Portugal de então, daquela. É uma iniciativa que resulta(rá), mais uma vez, de uma proposta minha, à semelhança das já feitas com Luís António Verney (2013, 300 anos do nascimento), Afonso de Albuquerque (2015, 500 anos da morte), Francisco Manuel de Melo (2016, 350 anos da morte) e Francisco de Holanda (2017, 500 anos do nascimento). Resultará de uma colaboração privilegiada com a Fundação Eça de Queiroz, a qual foi previamente contactada e convidada por nós; já associadas estão também entidades como a Biblioteca Nacional de Portugal e a Sociedade de Geografia de Lisboa, locais onde decorrerá o congresso, e outras que incluem o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal.
Na comissão organizadora estão, além de mim, Annabela Rita, Pedro Correia, Renato Epifânio e Rui Lopo. Entretanto, já se procedeu à «abertura oficial», já ocorreu a «entrada em funcionamento» de um novo blog, dedicado especificamente ao evento, a Eça de Queiroz e ao seu tempo, à efeméride que pretendemos celebrar – nele já coloquei o meu primeiro contributo. E nos próximos meses será nele que deverão ser procuradas novidades e informações, que tentaremos publicar e divulgar com regularidade.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Sobre civilização, no Público

A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Sim, é uma questão de civilização». Um excerto: «Ninguém será mais culpado pela manutenção e até agravamento desta peculiar forma de obscurantismo no nosso país do que Jorge Sampaio, que em 2002, enquanto Presidente da Repúbica, pugnou publicamente pela “re-legalização”, que se concretizou, da variante mais ofensiva, mais degradante, da “festa brava” que é a morte do touro na arena, em Barrancos e não só. Tema verdadeiramente fracturante no nosso país, a tauromaquia assume especial importância no Ribatejo; e, nesta região, há um concelho em especial que se tem auto-prejudicado por privilegiar reiteradamente essa actividade: o de Vila Franca de Xira.»

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Contra o AO90 (Parte 16)

«Nunca como hoje Portugal correu o risco de perder a sua identidade», «Grupo (mais um) que avalia o impacto do AO90 é para valer ou é outra farsa?», «O meu manifesto contra o falso acordo ortográfico/1990», «Estamos todos muito cansados da idiotice que grassa em Portugal na questão da língua», «Sabem o que ando a fazer no que respeita ao AO90?», «Novíssima carta aberta ao senhor Presidente da República Portuguesa», «Não existe lei alguma que obrigue um professor a ensinar Português segundo a cartilha brasileira nas escolas portuguesas», «AO90 – Desvinculação proposta pelo PCP rejeitada pelo PS, PSD, CDS e BE», «Recessão da língua portuguesa só em Portugal», «Sugestão politicamente correcta para se acabar de vez com a mixórdia ortográfica em Portugal», «A cegueira dos acordistas», «Uma das maiores ignorâncias dos acordistas é pretenderem comparar o AO90 com as anteriores reformas ortográficas», «O que fazer quando um orientador de curso força um aluno a escrever segundo o AO90?», «Anedota do dia – Santos Silva diz que a uniformização da ortografia preserva a coerência da língua», «Cimeira da CPLP em Cabo Verde foi uma monumental fantochada protagonizada por fantoches ao serviço de interesses ocultos», «Mais um parecer jurídico que aponta a inconstitucionalidade do AO90», «Estas são as vozes audíveis que gritam contra a extinção da língua portuguesa», «Já não há pachorra para as ignorâncias dos acordistas», «Carta à UNESCO pela salvaguarda da Língua Portuguesa como Património Cultural Imaterial» (com Francisco João da Silva), «Carta aberta aos professores de língua portuguesa e aos seus sindicatos» e «Porquê sete países lusófonos têm de se submeter à grafia brasileira?», Isabel A. Ferreira; «Vê-se», «O fato roto da EMEL», «Sabem, sabem, e é o que se vê», «Faziam falta os Dez Mil» e «A brincar, a brincar», Helder Guégués; «4379 cidadãos para a Língua Portuguesa», «O vocabulário da diferença», «Um último Zenão», «O Estado da Nação Ortográfica», «Assine a Iniciativa Legislativa de idadãos», «Notas de apreço (12345)» e «Polícia manda fechar “banca” da ILC-AO na Feira do Livro do Porto», Rui Valente; «Sai uma espetada para o senhor espetador», «Acabará em excessão a correção da conceção?», «Estes silêncios que tanto nos “afetam”», «Ortografices ao correr da pena», «Surdos dos olhos, cegos dos ouvidos», «Olhe que não, senhor ministro…», «Foi-se o “all aboard”, ficou a “deceção”», «As bibliotecas já estão a arder?», «Ficou a Academia, foi-se o bom senso», «Afinal Ricardo Araújo Pereira tinha razão», «A bondade linguística e o cadáver adiado», «Ascensão e queda dos pontinhos voadores», «Os meados do mês não são os miados do gato» e «Ideias com fífias e músicas sem elas», Nuno Pacheco; «Pequenas escolhas do dia-a-dia», Hermínia Castro; «Sobre o Acordo Ortográfico de 1990», «Um acto de resistência» e «Dignidade», Maria do Carmo Vieira; «Idadismo», Joaquim Alexandre Rodrigues; «Admirável Língua Nova (56789)», Manuel Matos Monteiro; «Para o bailinho, sff», «Por esse fato», «O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por um jogador do Benfica», «Mentiras ortográficas», «Greve dos ferroviários para 90% dos comboios?», «Ronaldo, o “elbow” e o Egipto», «Os agentes da ortografia», «Dúvidas legítimas da Fenprof», «Espalhafatos e coisinhas assim», «Não há ortografia», «Contra o Orçamento do Estado para 2019» e «Sem acção, isto é, atuado», Francisco Miguel Valada; «Países “atrasados” onde farmácia escreve-se “ainda” com PH», «Recesso, já!», «Uma oportunidade perdida», «”Um elefante sentado no meio da sala”», «Romper a cortina de silêncio», «FAQ AO90 (123456)», «As variações da mentira (1234)», «Ah, então está bem», «Manual de Patranhas», «Fronteiras 31», «Afinal nAO!» e «11 – Não discutirás com idiotas», João Pedro Graça; «Resistência activa ao aborto ortográfico (128129130131132133)», «A tontice do (des)acordo», «Calinada “cultural”» e «Pensamento da semana», Pedro Correia; «O fato do senhor deputado» e «Acordo Ortográfico – O verbo obrigado a imitar uma preposição», António Fernando Nabais; «Coisas que dão (ou deviam dar) que pensar…» e «Consolida, filho, consolida», Ana Cristina Leonardo; «O Acordo Mortográfico na AR», António Bagão Félix; «Assine a etição», José Diogo Quintela; «Acordo ortográfico regressa ao Parlamento» e «Pactos de regime», António Duarte; «Hoje comemora-se o Dia da Língua Materna», Luís Afonso; «Assim se vê a força do PC», José Pimentel Teixeira; «Lost in translation» e «Uma decisão para lamentar», Luís Menezes Leitão; «A “novilíngua” portuguesa?», Mário Cunha Reis; «Acordo ortográfico sim, mas o antigo!», Joaquim Jorge; «Este país partido ao meio pela própria língua», Alexandra Lucas Coelho; «Podemos e devemos reagir!», Luís de Matos; «O ministro da Cultura e o AO/90», Carlos Fernandes; «Os agentes políticos e o (des)acordo ortográfico», Manuel Simões; «Língua Portuguesa, diversidade sim, uniformidade não!», Rafael Dias; «Este atrofio ortográfico de 1990», Luís Filipe Pimentel Costa; «Cem palavras» e «Notas finais sobre a Feira do Livro do Porto 2018», Olga Rodrigues; «A língua e a comunidade» e «O “acordo” que ninguém quer», Viriato Teles; «Em defesa da ortografia (234)», João Esperança Barroca; «Coisas do aborto ortográfico», João Roque Dias; «A falta de tacto dos contatos», João Vacas; «Fui sempre contra o acordo ortográfico», António Conceição; «Acordo Arquitetográfico», Pedro Piedade Marques; «Da língua geral ao ridículo total», Miguel Sousa Tavares.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Sobre o (bom) nome, no Público

A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Restaurar o (bom) nome», escrito especialmente para mais uma celebração, amanhã, do 1º de Dezembro, dia feriado em que se assinala a Restauração da Independência.  
Um excerto: «O golpe de Estado de 5 de Outubro de 1910, precedido, dois anos antes, por um duplo homicídio, cujas vítimas foram “apenas” o chefe de Estado e o seu sucessor, pôs fim a uma democracia – ao nível das que então existiam em outros países – e instaurou uma ditadura. Hoje, a “democracia” que supostamente vigora - cuja constituição que a sustenta nunca foi referendada e, logo, legitimada, ao contrário do que aconteceu em Espanha – permitiu a acumulação de casos de (alegados) “crimes de colarinho branco”  (o de José Sócrates é sem dúvida o pior, mas bastantes existem) e a falência do Estado (induzida por... José Sócrates, e por outros que entretanto voltaram a ser ministros), e nem oferece garantias de protecção aos cidadãos».
Este artigo marca também o meu regresso às páginas (por enquanto, só electrónicas) do Público, quase dois anos depois, e igualmente após um muito surpreendente e desagradável episódio de censura, que motivou, aliás, uma tripla queixa da minha parte. Porém, e entretanto, uma nova Direcção daquele jornal foi nomeada, pelo que o diferendo estará, espero, superado.

domingo, 25 de novembro de 2018

Os primeiros em Holanda


Recebeu uma especial atenção – e mereceu um considerável apoio académico e institucional (note-se, neste aspecto, a existência de três comissões, de honra, científica e executiva) – a realização do congresso internacional «Francisco de Holanda (1517/18-1584) – Arte e Teoria no Renascimento Europeu», realizado em Lisboa no final desta semana que passou, a 22 e 23 de Novembro n(a sala polivalente do Centro de Arte Moderna d)a Fundação Calouste Gulbenkian, e a 24 n(o anfiteatro d)a Biblioteca Nacional de Portugal…
… Embora tenham sido os membros e os convidados do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e do Movimento Internacional Lusófono, após proposta minha, os que primeiro celebraram, no ano passado, a vida e a obra daquele grande artista português do século XVI, e, em especial e mais concretamente, o 500º aniversário do seu nascimento, através do colóquio «Francisco de Holanda (1517-2017) – Pintura e Pensamento», decorrido a 4 de Dezembro também na BNP. O «atraso» da outra iniciativa deve-se, aparentemente, à convicção da sua principal responsável de que o autor de «Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa» nasceu em 1518 e não no ano anterior – uma convicção que, pelo menos até ao momento, não encontra qualquer confirmação nas fontes documentais disponíveis.        
É de salientar que a(maioria da)s comunicações apresentadas no nosso colóquio já estão publicadas - no Nº 22 da revista Nova Águia, correspondente ao segundo semestre de 2018.

sábado, 29 de setembro de 2018

Albuquerque no muro


Hoje, em Alhandra, Afonso de Albuquerque foi duplamente evocado e homenageado na sua terra natal, numa iniciativa da Junta de Freguesia daquela vila ribatejana: primeiro, através de inauguração de uma pintura mural; depois, através da realização de uma conferência.
A obra, denominada «Portugal no Mundo de Afonso de Albuquerque», está situada na Rua Augusto Marcelino Chamusco (perto do rio Tejo) e é o resultado do trabalho criativo do artista Vile (Rodrigo Nunes). Porém, comporta também uma placa com um texto que, a pedido de Mário Cantiga, Presidente da JFA, eu redigi, e que inclui um excerto de uma carta do grande conquistador ao Rei D. Manuel I: «Afonso de Albuquerque/Alhandra, 1453 - Goa, 1515/Soldado, marinheiro, diplomata, Vice-Rei da Índia/”Terrível”, “Marte Português”, “Leão dos Mares”, “César do Oriente”/”... Apontar os perigos contínuos da guerra e percalços dela (...), andar nesse mar pegado em uma tábua; e se atrás quisesse tornar, revolvendo os anos passados, que passam de trinta e oito que comecei de tomar armas, sempre me acharia em todos os trabalhos e serviços do Reino...”»  
A conferência, intitulada «Conversas com a História», que teve lugar na sede da CURPIFA-Comissão Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos da Freguesia de Alhandra (Rua Miguel Bombarda, 32), teve como oradores convidados Luísa Timóteo, da Associação Coração em Malaca, e Luís Farinha Franco, da  Biblioteca Nacional de Portugal; ambos já haviam participado no colóquio «Afonso de Albuquerque, 500 anos depois – Memória e Materialidade», iniciativa por mim concebida e co-organizada, realizada em Dezembro de 2015 na BNP, no Palácio da Independência e no Arquivo Nacional Torre do Tombo.
Este evento local, que decorreu sob o lema «Partilhar memórias», teve contudo um enquadramento nacional e mesmo internacional, dado pelas Jornadas Europeias do Património, que decorreram em Portugal e no Velho Continente neste fim-de-semana de 28, 29 e 30 de Setembro, e isto quando 2018 foi designado «Ano Europeu do Património Cultural». 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Sobre a República (ir)real, em Lisboa


No próximo dia 5 de Outubro, a partir das 16 horas, estarei presente, a convite da associação Épica (a mesma que organiza anualmente o Fórum Fantástico), no colóquio «República Irreal & Fantástica», que terá lugar no Pólo de Telheiras da Junta de Freguesia do Lumiar, situado na Rua Prof. Francisco Gentil, 33, em Lisboa.
Rogério Ribeiro dará início ao evento com «Uma introdução à história alternativa lusófona». Seguir-se-á o painel «A dinastia da imaginação», em que, além de mim, que falarei principalmente, obviamente, da antologia colectiva de contos «A República Nunca Existiu!», que concebi, organizei, em que participei e que foi editada em 2008, aquando do centenário do Regicídio, intervirão também José Navarro de Andrade, autor de «Derradeiro Suspiro Real», e Ana Silveira, uma das dinamizadoras do projecto «Wine Punk». Depois, será a vez do painel «Entre utopias e distopias, estamos tramados?», com as colaborações de António Ladeira (este por vídeo-conferência), Joana Bértholo, Jorge Martins Rosa e Luís Filipe Silva. A iniciativa terminará com «Que a música comece!», em que João Morales apresentará uma «selecção de temas adequados à discussão em torno de repúblicas e monarquias».
Os organizadores apresentam o «RI&F» como um «pré-evento» do Fórum Fantástico «dedicado a história alternativa, aconselhável a republicanos e monárquicos, utopistas e distopistas». E a outros, evidentemente.
(Adenda - Nas páginas de Facebook do Fórum Fantástico e de João Morales foram colocados registos - com fotografias - da realização deste encontro.)

domingo, 15 de julho de 2018

Afinal, não são

No meu texto aqui publicado no passado dia 14 de Junho, e em que referi e comentei o artigo então saído no Público sobre a atribuição do Prémio José Mariano Gago, promovido pela Sociedade Portuguesa de Autores, a uma obra da qual um dos seus co-autores era também membro do júri daquele, fiz notar que naquele momento não havia indícios de que «este caso de “compadrio cultural”, de atropelo à ética, de “promiscuidade professoral”» iria «ter consequências, mais concretamente, e obviamente, (algumas) demissões».
Na verdade, e não surpreendentemente, essas demissões (até agora) não aconteceram. José Jorge Letria, a quem apelei que cancelasse a entrega do Prémio José Mariano Gago, continua como presidente da Direcção da SPA; Rui Vieira Nery, que, na prática, atribuiu a si próprio aquele prémio, continua como presidente da mesa da Assembleia Geral da SPA, e não consta que entretanto tenha sofrido quaisquer sanções por parte de outras instituições a que está ligado, como a Universidade Nova de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian; o mesmo acontece com Carlos Fiolhais e José Eduardo Franco, supostos «vencedores» do prémio enquanto coordenadores principais da colecção «Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa», o primeiro relativamente à Universidade de Coimbra, à Fundação Francisco Manuel dos Santos e à Gradiva, e o segundo relativamente à Universidade de Lisboa e à Universidade Aberta.
Talvez mais significativo, e tanto quanto pude apurar, nenhum dos protagonistas deste lamentável caso se pronunciou publicamente sobre o mesmo e/ou o artigo no Público a ele referente, com excepção de Rui Vieira Nery e apenas em declarações prestadas ao jornalista Rodrigo Nogueira. Da parte do responsável máximo da SPA, nenhuma reacção, nenhum comentário ao Prémio José Mariano Gago após a sua «atribuição». O silêncio sobre este assunto tem sido também constante por parte de Carlos Fiolhais e de José Eduardo Franco, como se pode constatar nas páginas de Facebook de um e de outro. Porém, o mutismo, quanto a este assunto, do professor, investigador e divulgador de Física torna-se ainda mais intenso e mais incómodo quando se considera a sua constante intervenção mediática, em especial no Público, do qual é cronista regular (!), e no De Rerum Natura, do qual é co-fundador e um dos mais prolíficos colaboradores. Naquele blog, precisamente, tentei pela segunda vez entrar em contacto com ele sobre o «caso SPA»: no primeiro post que Fiolhais publicou após a saída do artigo de Nogueira, inseri, no espaço para comentários, às 11.55 horas de 15 de Junho último, e, evidentemente, devidamente identificado, a seguinte pergunta: «Por quanto tempo mais vai manter o seu silêncio sobre a forma irregular (para não usar uma expressão mais forte) com que, juntamente com José Eduardo Franco, “venceu” o Prémio José Mariano Gago?» Previsivelmente, este meu comentário não foi aprovado; no entanto, e curiosamente, CF não tem aparentemente qualquer problema em autorizar comentários anónimos, até mesmo os que são algo ofensivos para ele próprio, como por exemplo este, em contradição flagrante com os requisitos explicitados no blog.
A primeira vez que tentei entrar em contacto com Carlos Fiolhais sobre o «caso SPA» foi, claro, através da mensagem de correio electrónico que lhe enviei a 23 de Maio último, ou seja, no dia seguinte ao da entrega do prémio, e mencionada no artigo do Público. Divulgo agora, pela primeira vez, excertos da mesma: «(…) Infelizmente, esta minha mensagem não tem como objectivo felicitar-vos. Pelo contrário, serve para (vos) sugerir que, assim que for possível, anunciem a recusa do prémio e devolvam os componentes do mesmo, isto é, o troféu e o valor pecuniário de 2500 euros. Porquê? Porque o prémio vos foi atribuído indevidamente, e até irregularmente: um dos membros do júri - Rui Vieira Nery - é também um dos autores-colaboradores da colecção, sendo o coordenador do volume 20, designado “Primeiros Tratados de Música”. Obviamente, é - ou deve(ria) ser - um critério, e exigência, fundamental de qualquer prémio ou concurso que nunca um membro do júri seja igualmente participante do mesmo, directa ou indirectamente. (…) Porquê esperar pelo desenrolar - e, eventualmente, avolumar - de um processo que muito provavelmente se tornará embaraçoso? Confio que o senhor e o Prof. José Eduardo Franco, que creio serem homens de honra, tomarão a atitude correcta, e rapidamente.» Afinal, a atitude correcta não foi tomada, nem rápida nem demoradamente; afinal, não são homens de honra. E o que falta em honra sobra em hipocrisia: talvez para atenuar a cumplicidade, e até a culpabilidade, na elaboração de um «monumento» - em 30 volumes! – a essa ofensiva (porque, efectivamente, ofende) neo-fascista, neo-colonialista, ridícula, inútil, ilegal e prejudicial contra a cultura que é o «acordo ortográfico de 1990», Carlos Fiolhais lá vai divulgando de vez em quando, no De Rerum Natura, indivíduos e iniciativas contra aquele.
Que não se pense, contudo, que este «caso SPA», esta autêntica fraude intelectual perpetrada contra a ciência, contra outros eventuais e reais concorrentes (para além de mim e do meu livro «Nautas»), e, mais grave ainda, contra o nome e a memória de José Mariano Gago, é um «incidente» isolado. Não será mais do que um «elo da cadeia», do que uma demonstração, entre muitas, de um «padrão». Com efeito, pouco depois da publicação do artigo no Público, fiquei a saber que, em Janeiro último, Rui Vieira Nery recebeu o Prémio Universidade de Coimbra 2018, atribuído por um júri do qual fazia parte… Carlos Fiolhais. Que interessante! Que mais poderá haver por aí à espera de ser (re)descoberto?  

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Fraude na SPA

No jornal Público foi ontem publicado electronicamente, e hoje na edição em papel, o artigo (e notícia) «Rui Vieira Nery premiou como júri obra de que é um dos coordenadores», escrito por Rodrigo Nogueira.
Este é um facto do qual eu fui o primeiro a tomar conhecimento… fora da Sociedade Portuguesa de Autores, cujos principais (ir)responsáveis vieram a revelar-se cúmplices numa situação de autêntica fraude intelectual, e privando-me, e ao meu livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» (e, eventualmente, a outros autores e a outras obras), de um prémio, com o nome de José Mariano Gago, já falecido e saudoso professor, investigador e ministro, nesta capacidade tendo dado início, em meados da década de 90, a um processo, a um projecto, de modernização tecnológica do país, do Estado e da sociedade civil, corporizado no «Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal», editado em 1997, e que, precisamente, constituiu o pretexto e o ponto de partida para a minha carreira enquanto jornalista especializado em tecnologias da informação e da comunicação. Reuni os que considero serem os melhores textos dessa carreira num volume publicado no ano passado, quando se assinalou o 20º aniversário do «Livro Verde…».
Custaria a acreditar que um livro feito por causa de José Mariano Gago, e em homenagem (explícita) a José Mariano Gago, não vencesse a primeira edição de um prémio com o nome de José Mariano Gago, com o objectivo declarado de «ser atribuído ao autor português do melhor livro de divulgação científica publicado no ano anterior». Porém, infelizmente e até escandalosamente, foi isso mesmo o que aconteceu. Para o artigo do Público dei o meu depoimento e, deste, excertos são citados, resumindo correctamente o que sucedeu desde 22 de Maio último: a minha surpresa após saber qual tinha sido a obra «vencedora», considerando as suas características, incluindo em especial o estar «escrita» em sujeição ao AO90; a minha ainda maior surpresa ao descobrir, quase por acaso, que um dos membros do júri era também um dos co-autores da obra – veja-se, e confirme-se, quem coordena(rá) o volume Nº 20 daquela; o meu contacto junto da SPA, com conhecimento do Presidente da Direcção daquela, José Jorge Letria, apelando a que a entrega do prémio fosse cancelada, o que não aconteceu; a minha mensagem a Carlos Fiolhais (que, enquanto director da colecção «Ciência Aberta» da Gradiva, recusou publicar o meu livro «Nautas» naquela editora, isto depois de se ter queixado, no seu livro «A Ciência em Portugal», de que faltavam obras escritas por jornalistas de ciência) sugerindo-lhe, e a José Eduardo Franco, que renunciassem ao prémio, e da qual, significativamente, não recebi resposta.
No momento em que escrevo e publico este relato não há indícios de que este caso de «compadrio cultural», de atropelo à ética, de «promiscuidade professoral», vá ter consequências, mais concretamente, e obviamente, (algumas) demissões. Afinal, é tão só mais um exemplo de como neste país certas pessoas sentem ter a autoridade e a impunidade para fazerem o que, como e quando querem, não obedecendo a regras ou adoptando regras diferentes para elas próprias. No entanto, e apesar de particularmente grave, este «incidente» com a SPA não constitui o único exemplo recente, e em que eu estou de algum modo envolvido, de prémios literários organizados e/ou atribuídos de forma duvidosa. Antes, mas já igualmente neste ano de 2018, (um júri nomeado pel)a Associação Portuguesa de Escritores concedeu o seu Prémio de Crónica e Dispersos Literários, não a «Nautas» mas sim a «A Alma Vagueante» de Mário Cláudio… que, por «coincidência» e curiosamente, é igualmente presidente da mesa da assembleia geral da APE! Todavia, aqui houve um regulamento, divulgado publicamente, que indicava claramente como (única?) incompatibilidade a de membros do júri não poderem ser autores concorrentes ao prémio. Contudo, será isso suficiente para afastar as suspeitas?

quarta-feira, 14 de março de 2018

«Dissecando» uma pintura, no MNAA


Foi inaugurada a 18 de Janeiro último e prolonga-se até 27 de Maio próximo. É a exposição «Anatomia de uma Pintura», comissariada por Alexandra Markl e por Celina Bastos, n(o piso 1, sala 50, d)o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e é assim apresentada no sítio na Internet da instituição: «Os dramáticos acontecimentos a que o pintor João Glama (c.1708-1792) assistiu levaram-no a pintar a tela conhecida como “O Terramoto de 1755”. Encenada como uma grande panorâmica das várias catástrofes que destruíram Lisboa nesse dia de Todos os Santos (tremor de terra, incêndio e maremoto), a pintura realça algumas das trágicas consequências vividas pela população. A recente intervenção de restauro a que foi submetida conduziu a um renovado olhar sobre esta pintura, na qual Glama trabalhou durante mais de 35 anos e que deixou inacabada. Os documentos entretanto reunidos permitem compreender melhor o artista e a sua vasta obra.» Manuel Augusto Araújo destaca também, em texto no blog Praça do Bocage, a importância da iniciativa… e da obra à qual aquela é dedicada: «João Glama começou a pintar o quadro imediatamente, quase sem desenhos preparatórios, recuperando alguns dos personagens de estudos muito anteriores, alguns feitos quando estava em Roma. O propósito do pintor era “escrever” uma narrativa feita de fragmentárias narrativas em que também participa. Dar uma ideia “cinematográfica” do acontecimento num cenário de destruição e desolamento que o tratamento das ruínas acentua. Em tantos anos de trabalho Glama vai mudando perspectivas e personagens, como as análises de raio-X revelaram. Provavelmente o impacto do terramoto, em Portugal e no mundo, conduzem-no a alterações que, não sendo substantivas, não deixam de ser relevantes.» (Também no Ópera do Tejo.)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

10 anos «sem» República


Pode custar a acreditar, mas é verdade: «A República Nunca Existiu!» foi editada há uma década. A antologia colectiva de contos de história alternativa, que eu concebi, organizei e em que participei, surgiu em Janeiro de 2008 também como uma forma de assinalar o centenário do Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908. Um facto… real, verdadeiro, mas infeliz, trágico, para o país, serviu de pretexto, de mote, para a escrita de narrativas curtas que imaginaram um Portugal diferente em que a Monarquia não só não foi derrubada como até se viu reforçada. 
Em termos de impacto mediático, «A República Nunca Existiu!» constituiu indubitavelmente, até agora, o meu projecto literário de maior sucesso. Sobre ele foram feitas referências, notícias, menções, alusões, na Bang!, Blitz, Diário de Notícias, Jornal de Letras, Artes e Ideias, Jornal do Modelo (!), (a entretanto extinta revista) Os Meus Livros, Público, RTP (tanto rádio, pelo programa «À Volta dos Livros», em que fui entrevistado, como televisão, pelo (entretanto extinto) programa Câmara Clara), Sol, Tempo Livre e Visão. Fora da comunicação social tradicional, o livro foi também objecto de uma considerável cobertura blogosferérica, tendo sido citado no Almanaque Republicano, Bad Books Don’t Exist, Companhia dos Animais, Correio do Fantástico, Estante de Livros, Fórum Defesa, Innerspace, Muito Para Ler, Segredo dos Livros, Somos Portugueses, Tecnofantasia… e, obviamente, no Simetria. Posteriormente, viria a ter página própria no GoodReads. Mais importante e significativo, a antologia foi incluída no Uchronia, sítio agregador de obras de história alternativa em todo o Mundo, um feito que se ficou a dever a Gerson Lodi-Ribeiro, um dos 14 autores que participaram no livro e, na verdade, um dos seus inspiradores…
… E o conceituado escritor brasileiro de Ficção Científica e Fantasia voltou recentemente a abordar a experiência de que, há dez anos, fez parte. Tal aconteceu no seu novo blog, Cenários Históricos Alternativos: «Nunca cogitara escrever uma narrativa de Império Alternativo, até receber o convite para participar da antologia “A República Nunca Existiu!” (2008).  Desafio aceito, cumpria arbitrar um ponto de divergência capaz de estabelecer um cenário histórico minimamente plausível.  Daí, a divergência do conto “Primos de Além-Mar” é a sobrevivência de Pedro Afonso, filho de Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina, que pereceu em 1850 aos dezoito meses de idade em nossa linha histórica. Mal saído da adolescência, esse príncipe imperial se torna o grande herói da última fase da Guerra do Paraguai, ao capturar Solano Lopez e trazê-lo vivo para cumprir pena no Rio de Janeiro. Em 1908, a presença de Dom Pedro Henrique, filho de Dom Pedro III do Brasil, em Lisboa frustra o atentado regicida contra a vida de Dom Carlos, garantindo assim a permanência da Casa Bragança em tronos nas duas margens do Atlântico. A (acção) desse conto se desenrola na década de 1930, época em que o rei de Portugal fugiu para o exílio no Império do Brasil, quando seu país foi invadido pelas forças de Franco, apoiadas pela Alemanha Nazista. A maior parte da narrativa se dá ao longo de uma caçada de onça na região serrana nas cercanias da cidade de Petrópolis. Um análogo português dos cenários de Impérios do Brasil Alternativos é a sobrevivência da monarquia em Portugal até os dias de hoje. Organizada por Octávio dos Santos, a recém-citada antologia temática “A República Nunca Existiu!” (2008) reuniu algumas narrativas interessantes de Reinos de Portugal Alternativos. O ponto de divergência é praticamente o mesmo nos nove trabalhos considerados como Reinos de Portugal Alternativos: o regicídio de 1908 malogra e a monarquia sobrevive no país.»
Era meu objectivo publicar um segundo volume d’«A República Nunca Existiu!» em 2010, aquando do centenário da implantação da República em Portugal. Porém, a Saída de Emergência, através do seu fundador e editor principal, não cumpriu a palavra dada, não honrou a promessa feita, não respeitou um contrato assinado. A «Parte 2» viria a sair, enquanto um dos seus capítulos, em outra antologia colectiva de contos de FC & F por mim concebida e organizada, «Mensageiros das Estrelas», lançada em 2012 pela Fronteira do Caos aquando da (e na) segunda edição do colóquio com o mesmo nome, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Entre os autores que participaram na «sequela» destacou-se António de Macedo, a quem, aliás, o livro de 2008 havia sido dedicado.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Mais protagonismo, menos protocolo

No passado dia 15 de Março recebi (mais) uma mensagem de correio electrónico da Real Associação de Lisboa, de que sou membro. O tema era uma petição, apoiada pela Causa Real e pela sua associação distrital mais representativa, com o título (e objectivo) «inclusão do Duque de Bragança na lei do protocolo do Estado». Após leitura da, e reflexão sobre a, referida petição, decidi que não a assinaria.
O motivo da minha decisão, da minha posição nesta questão, não está, evidentemente, em eu considerar que D. Duarte Pio não é merecedor de respeito, individual e institucional, que não é digno de reconhecimento oficial em cerimónias públicas. Muito pelo contrário: é exactamente por eu não duvidar de que o herdeiro do trono de Portugal merece um estatuto acima de qualquer suspeita que eu acredito que ele não deve ter qualquer tipo de presença ou de pertença a este Estado, a este regime, a esta terceira república, que, no seguimento das duas que a precederam, embora de diferentes – mas sempre deprimentes, mental e materialmente – formas, tanto tem prejudicado este país em geral e as suas pessoas em particular. Uma terceira república marcada por: permanente incapacidade de defender devidamente a integridade física tanto do território como dos cidadãos, não disponibilizando a bombeiros, polícias e a outras entidades de protecção e de segurança os meios adequados, apesar de uma carga fiscal excessiva e que não diminui; sucessivos, crescentes (em gravidade, dimensão, complexidade) escândalos de corrupção, ou, pelo menos, casos de incompetência e de irresponsabilidade governativas; constante desrespeito pela opinião dos eleitores, ao serem tomadas decisões importantes, fundamentais, e mesmo estruturantes, no presente e para o futuro, sem aqueles serem consultados em referendos -  sobre matérias europeias (adesão à CEE, tratado de Maastricht que definiu a transição de «comunidade» para «união», moeda única) ou outras mais ou menos «fracturantes» («acordos ortográficos», «casamento» e adopção entre/por pessoas/«casais» do mesmo sexo, incentivos – incluindo financeiros - ao aborto em larga escala, e, em breve, talvez a eutanásia).
Entre os proponentes e os primeiros subscritores da petição estão várias individualidades por quem tenho respeito e até admiração, e não duvido das suas boas intenções ao avançarem com esta iniciativa. No entanto, receio que assim estejam a «assinar» - inconscientemente, involuntariamente – a «rendição» definitiva do movimento monárquico nacional perante a repugnante, ridícula, ruinosa e arruinada, república: que assim estejam a confirmar o (seu) conformismo com a situação, com o «sistema»; a concordar com «se não consegues vencê-los, junta-te a eles»; a (quererem) entrar numa «festa» para o qual não se foi convidado… e ainda bem, porque aquela é frequentada por gente de carácter duvidoso, dada a comportamentos perigosos, se não mesmo criminosos. Seria preferível que, da parte da Causa Real, das reais associações, e do próprio Duque de Bragança, houvesse uma (re)afirmação da vontade, indestrutível, insubmissa, inegociável, imune a quaisquer cortesias, de restaurar o Reino de Portugal, e de tudo fazer nesse sentido, começando com um distanciamento em relação à república e aos seus desacreditados, decadentes, degradados, redutos e rituais, e continuando com a definição e a realização de uma estratégia – mesmo que de longo prazo, mas efectiva – de (re)conquista do poder. É bom que se façam visitas, missas, jantares, homenagens, conferências, mas é preciso mais do que isso. Espera-se de todos os monárquicos, e em especial dos seus representantes, mais protagonismo – em palavras e em actos – na concretização da causa que (n)os une, e menos (preocupação com o, um) protocolo. Espera-se resistência, persistência, desobediência, e não desistência. (Artigo publicado no passado dia 12 de Setembro na página 23 da edição Nº 2124 do jornal O Diabo.    

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O «memorial» começou há 300 anos


Cumprem-se hoje três séculos: a 17 de Novembro de 1717 foi colocada a primeira pedra do que seria, e é, o actual Palácio Nacional (e Basílica, e Convento, e Tapada) de Mafra, sonho e promessa do Rei D. João V (pelo nascimento do seu primeiro filho) que se tornaria realidade ao longo das décadas seguintes, graças a muito dinheiro (muito ouro vindo do Brasil) que pagou muitos, e dos melhores, materiais disponíveis na época, em especial importados, e muitos, e dos melhores, artesãos, artífices, artistas, enfim, profissionais, portugueses e estrangeiros.
Empreendimento, edifício, espectacular, descomunal (William Beckford, ao visitá-lo, comparou-o a uma moradia de gigantes), apoteose solidificada do poder de Portugal e da sua Casa Real, constituiu também, de certa forma, historicamente, culturalmente, estilisticamente, como que um elo de ligação entre as arquitecturas pré e pós Terramoto de 1755 – de facto, muitas pessoas, das quais se destaca, entre outras, Manuel da Maia, que nele trabalharam viriam a participar na reconstrução da capital depois da terrível catástrofe. A sua importância, como é realçado no seu espaço digital oficial, está em ser «o monumento português que melhor reflecte o que podemos chamar de Obra de Arte Total: arquitectura, escultura, pintura, música, livros, têxteis… enfim, um património tipologicamente diversificado, coerentemente pensado e criteriosamente encomendado (…) e que aqui configura uma realidade única. Com efeito, numa área com cerca de 40 mil metros quadrados, temos implantado um notável projecto de arquitectura que foi executado sem hiatos nem soluções de remedeio. De facto, aqui tudo é marcado por uma marca de qualidade que só a generosidade joanina podia e sabia exigir: excelência de materiais, soluções arrojadas e requinte de execução.»
As celebrações começaram, porém, em 2016, há exactamente um ano. Nos últimos doze meses sucederam-se os colóquios e as conferências, concertos musicais e representações teatrais, edição e apresentação de livros, visitas, fogos de artifício, trabalhos de restauro; os CTT lançaram uma emissão filatélica comemorativa composta por dois selos. Agora, no óbvio ponto culminante dos festejos, há, hoje, um especial concerto evocativo, a conferência «Do Tratado à Obra – Génese da Arte e Arquitectura no Palácio de Mafra», e, com o mesmo título, amanhã abre ao público uma exposição que se prolongará até 31 de Maio de 2018. Muitos motivos para uma ida a um «memorial» de pedra, que, 300 anos depois, suscita a mesma, fascinada admiração de sempre, e constitui uma permanente fonte de inspiração e de imaginação de que José Saramago e outros beberam e beberão. (Também no Ópera do Tejo.)

sábado, 4 de novembro de 2017

Contra o AO90 (Parte 15)

«Acordo, desacordo», Maria do Rosário Pedreira; «As invasões ao contrário – ou o Francês atirado ao lixo», «O Português na hora di bai?», «Acordemos, para desacordar de vez», «Pirâmides, futebóis e ortografia», «A nova ortografia vai nua? Vistam-na, depressa!», «Cerá ke istu tambãe ce iskreve acim?», «O acordismo militante ou o doce dom de iludir», «O disparate é livre, mas para quê abusar?», «Algumas luzes no túnel da ortografia», «Dois tempos desortografados», «Eles abusaram e agora a língua é que paga», «Pequenas lembranças proto-ortográficas», «Sabiam que Cleópatra era de Idanha-a-Velha?» e «Dança com letras nas modas de cá e lá», Nuno Pacheco; «Desacordo ortográfico» e «Brincadeira, disse ela», António Duarte; «Vê lá no que te metes, ó Academia», «Um Acordo como deve ser» e «Como o “Acordo Ortográfico” regressou dos mortos», Fernando Venâncio; «Resistência activa ao aborto ortográfico (120121122123124125126127)», «Reflexão do dia (12)», «Frei Barroso», «O “acordo” é bom, mau é o povo» e «Elogio a tradutores que resistem», Pedro Correia; «Quando um burro zurra, os outros baixam as orelhas» e «Foi por vontade de Deus?», Ana Cristina Leonardo; «Um problema de óptica», «Fatos narrados», «Presos linguísticos», «É simples», «E eles querem?», «A cada Natal» e «Desisto», Helder Guégués; «Admirável Língua Nova (1234)», Manuel Matos Monteiro; «Lampadinhas», «Os números não mentem (12345)», «”Voltar a aprender Português”», «”A unificação é uma miragem”», «Assim com’assim», «O que diz Pacheco», «”O AO90 facilita a aprendizagem”, dizem eles (12)», «Amnésia colectiva, ignorância geral, estupidez militante», «No fim de contas», «Grupo de trabalho parlamentar para a avaliação do “impato”», «Anatomia da fraude», «”O idioma faz a nossa identidade”», «As eleições autocráticas», «O camartelo (123)» e «Morra o Dantas, morra, pim! (12)», João Pedro Graça; «Desconexão ortográfica», «Ortografia – Apocalipse agora», «Ortografia dentro das expectativas», «E se os linguistas dão o alarme? Dêem ouvidos», «Ortografia à bruta» e «O “fato” académico», António Fernando Nabais; «Estou triste», Dário Silva; «Português, língua estrangeira?», Mário João Fernandes; «Así que pasen cinco años», «A CPLP e os pontos de contato», «Além dos fatos – Coacções, coações e equações», «Efectivamente, assento», «A recessão calorosa», «A Seção Consular de Portugal na Bélgica não existe», «Efectivamente, a ideia de batizar parece-me ridícula», «Estranheza e estupefacção», «Extracto-extrato-estrato», «Estupefacto sem pê», «Unidos de fato», «Sobre a “opinião dos linguistas”, a arrogância, a ignorância e a continência», «Susceptibilidades e rigor científico», «Há uma grafia rasca em Portugal», «Contra o Orçamento do Estado para 2018» e «As lições de Português do Professor Expresso», Francisco Miguel Valada; «Criado grupo de trabalho no parlamento para avaliar o impacto da aplicação do AO90», «O AO90 no Correntes d’Escritas e uma pergunta ao Presidente da República», «Excelente reflexão sobre o fraudulento AO90», «A incoerência de um governo que não sabe o que faz e uma FENPROF subserviente», «Oposição ao acordo ortográfico de 1990», «Portugal é caso único no Mundo quanto à venda da sua língua oficial», «Que vergonha, senhor primeiro-ministro!» e «Palavras sem sentido que o AO90 anda por aí a “grelar”…», Isabel A. Ferreira; «Até prova em contrário», «A nossa memória colectiva», «O Acordo Ortográfico está em vigor», «A ILC-AO no Parlamento – notícia», «A ILC-AO no Parlamento – intervenção inicial», «A ILC-AO noParlamento – gravação» e «O futuro da língua portuguesa», Rui Valente; «Ao menos fica a brilhar», Vítor Cunha; «Sinais de fumo», João Pereira Coutinho; «Criatura para durar», Leonardo Ralha; «Crónica de um desacordo anunciado», Pedro Vieira; «Acordo ortográfico moribundo», Manuel Silveira da Cunha; «O desacordo ortográfico», Fernando Sobral; «Acordo ortográfico – Uma morte assistida», Artur Coimbra; «O “corretor” aperfeiçoado», Nuno Cardoso Dias; «(H)ora H para o AO», António Bagão Félix; «A polémica ortográfica», Maria do Carmo Vieira; «Palavras inventadas pelo Acordo Ortográfico de 1990», Ivo Miguel Barroso; «Acordo? Discordo», José Mendonça da Cruz; «Falta apenas bom senso», João Roque Dias; «Um ataque pessoal a Camões», Indira dos Santos; «Breve reflexão sobre a minha esquisitíssima profissão», Pedro Barroso; «O acordo ortográfico», Manuel Vaz Pires; «Contra o Acordo Ortográfico de 1990 (e qualquer outro desta natureza)», Luiz Fagundes Duarte; «A ortografia lusófona», José Pacheco; «Procuram-se – profissões sem AO90», Hermínia Castro; «O “acordo” ortográfico de 1990 em 2017», José Pedro Gomes; «O Acordo Ortográfico», José Pimentel Teixeira.