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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Centenário de Luiz Gonzaga



    O Nordeste Saudoso Comemora o Centenário de Luiz Gonzaga

Cristina Couto

Quando o sol calcinou a terra e asa branca bateu asas e voou, Luiz Gonzaga, filho de Januário e Santana, enfrentou a légua tirana em cima de um pau de arara, levando dentro do seu matulão um triângulo, um gonguê, um zabumba e, em sua memória, a rica cultura nordestina.
Sentiu-se um peixe e fez uma grande viagem imaginária pelo Riacho do Navio, correu pro Pajeú e acabou sendo despejado no São Francisco que desembocou no meio do mar. E num desejo de regresso aos rios nordestinos fez o caminho inverso, nadou contra as águas e nesse grande desafio saiu, outra vez, direitinho no Riacho do Navio para desfrutar dos costumes simples e prazerosos do sertão.
 Para rever o seu brejinho, fazer umas caçadas, ver as pegas de boi e andar na vaquejada, mais uma vez dormiu ao som do chocalho e acordou com a passarada e fez questão de ficar longe da notícia, da civilização.
O Luiz apaixonado pela faceira Karolina com “K” que dançou numa Sala de Reboco, viu quando apagaram o candeeiro e derramaram o gás, e mostrou ao Brasil como se dança o Baião, o Xaxado e o Forró, mexendo o corpo e alma, fazendo velho ficar moço. Não era de briga e nem de confusão, mesmo assim, acabou um samba, no Forró de Mané Vito.
Luiz Gonzaga cantou os mitos e as superstições nordestinas, nossas experiências com o tempo e suas modificações climáticas. Ao ouvir o canto da Ema chamou sua morena para acabar com seu medo, pois a Ema traz no meio do seu canto um bocado de azar, principalmente se ela canta no tronco da Jurema, ao ouvir o Vim-vim cantar sabia que alguém estava pra chegar, como chegou o amor no coração das meninas num xote feito para elas.
Em meados de 1950, foi chofer de táxi e descreve um Rio de Janeiro urbanizado, modernizado e acolhedor, utilizando o mapa cartográfico da sua menta, faz o trajeto de Mangaratiba ao Leblon, achou pouco e anos depois, em sonho, atravessou o mundo e foi parar em Moscou para dançar um Pagode Russo, pois no Rio tudo estava mudado na noite de São João.
O que seria do Nordeste se não tivesse Luiz, que não respeitou Januário, que dividiu a vida e o palco com seu filho Gonzaguinha, que cantou o Juazeiro, que se tornou o Rei do Baião e ficou na memória do seu povo.
Em 2012, ano do centenário de Gonzagão, seu forró não é mais o mesmo. O ritmo que se tornou por ele conhecido, em nada se parece com sua forma original. Nem o forró, nem o baião e nem as noites de São João no seu saudoso Sertão. Tudo está modificado, porque tudo muda sobre a terra.

Obrigada, Luiz! Eterno Rei do Baião e Cantador do Sertão.