MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
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Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)
A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)
Agostinho da Silvasábado, 27 de junho de 2020
Evolução da aviação em visita virtual
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
O «memorial» começou há 300 anos
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Sobre o Farrobo, no Público
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Uma nova Ópera do Tejo?
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Sobre terra queimada, no Público
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Ópera do Tejo no Expresso
Entretanto, outro projecto, como que paralelo a este, e desenvolvido por outro grupo de amigos – os Músicos do Tejo – tem agora concretização: a sua gravação da ópera «La Spinalba», de Francisco António de Almeida, editada pela – estrangeira, importante e prestigiada – Naxos. E o meu livro «Espíritos das Luzes», de que resultou a ideia da iniciativa de que o Expresso dá conta, e que foi escrito ao som da música de, entre outros, Francisco António de Almeida, é já… uma memória da ficção científica.
domingo, 18 de abril de 2010
Personagem principal de Emigrantes de Ferreira de Castro em marca de vinho

A UNESCO consagrou o dia 18 de Abril ao "Dia Internacional dos Monumentos e Sítios", elegendo, para 2010, o património associado à actividade agrícola. Neste sentido, o IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico - procurando sensibilizar para este universo patrimonial, lançou o tema "Património Rural / Paisagens Culturais".
Pelas 14h30 do próximo Domingo (dia 18), na Casa-Museu Ferreira de Castro, em Ossela, Oliveira de Azeméis, o Centro de Estudos Ferreira de Castro apresenta o vinho "Manuel da Bouça"; esta marca foi inspirada na personagem principal do romance "Emigrantes" (1928), natural e residente em Ossela, região demarcada dos vinhos verdes. No final da degustação haverá, para os amantes da literatura, do ar livre, dos passeios pedestres ou das caminhadas, uma visita guiada pelo Roteiro Literário "Caminhos de Ferreira de Castro".
Manuel da Bouça é a personagem principal do romance «Emigrantes», de Ferreira de Castro. Esta personagem popular é o espelho do emigrante, de toda uma vaga de emigração portuguesa, para o Brasil, no início do século XX. Daquele emigrante que, cansado de labutar para conseguir sobreviver, acalenta o sonho do paraíso distante: trabalho com fartura, dinheiro a correr a rodos. E empenha as suas magras courelas; abdica de todo o esforço de uma vida, da mulher e da filha, e, nessa espécie de sonho cego, que atingiu tanta gente, partiu em busca do ouro que só está nos sonhos.
A realidade foi o choque: trabalho semi-escravo, lonjura do país natal, isolamento. O Brasil tinha o nome do lugar antes sonhado, mas pertencia aos bafejados pela sorte, que, madrasta, o excluíra.
O regresso, ainda mais pobre do que quando partira, é amargo; nada mais está como antes fora. Viúvo, com a consciência atormentada porque regressara às custas do que roubara a um morto, Manuel da Bouça mente a toda a gente. Por dias, ele é o emigrante bem sucedido, até para a filha. Depois, é tempo de fechar o pano, desaparecer, deixar de mentir e partir para Lisboa levando consigo a vergonha por ter falhado tudo, e, do sonho, não restar sequer dinheiro para comprar a sepultura da mulher.
Organização: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e Centro de Estudos Ferreira de Castro.
terça-feira, 23 de março de 2010
Abutres no tecto de um Estado que não vigia o ninho...
Espólio do poeta
Leilão de bens de Cesariny em Lisboa
Parte dos bens que pertenceram ao artista português Mário Cesariny – um dos expoentes do surrealismo em Portugal –, incluindo manuscritos, originais, livros anotados, fotos legendadas e cartas trocadas com grandes vultos da intelectualidade da época, vão a leilão hoje, amanhã e quinta-feira no Hotel Fénix, em Lisboa, a partir das 21h30.
Do espólio que revela o que o poeta e pintor falecido em 2006 pensava sobre ética, política e arte, constam cartas do escritor mexicano Octavio Paz, do poeta e historiador Franklin Rosemont e do pintor britânico Philip West.
Nos leilões serão ainda disponibilizadas uma colecção de cartazes políticos dos anos 60 e 70, 14 serigrafias de Lurdes de Castro e uma colecção com fotos raras sobre os primórdios da aviação em Portugal, com Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Todos os bens estarão em exposição das 15h00 às 19h00, durante os três dias.
A.M.R.
Fonte: Correio da Manhã
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Camilo e o Panteão: fala o advogado do diabo
No entanto, caro António Trabulo, não me leve a mal mas não o queria no Panteão; queria-o sossegado no cemitério de pedra aonde o acaso o deixou descansar, perto das terras que os seus olhos gastos viram pela última vez. E não, não é bairrismo, embora pense muitas vezes - acontece-me passar na Rua da Rosa, em Lisboa, junto à casa decrépita que o viu nascer - como Camilo é igual ao granito escuro desse Norte que também é meu.
Não é bairrismo; é que não gosto lá muito, ou mesmo nada, da ideia de um Panteão.
Há três maneiras de servir a Pátria: uma é identificando-se com ela, que é o que justifica ou injustifica os reis; outra é oferecendo-se a ela, que é o que fazem os guerreiros; outra ainda é simplesmente vivendo, que é o que está ao alcance de todos nós.
Onde esteja o corpo morto de um rei não precisa de o ir buscar a Pátria, porque aí a Pátria está inteira e quieta; ressalvo aqueles que repousaram em terra estrangeira (mas não dizia Vieira "para nascer, Portugal; para morrer, o mundo todo..."?), e essa foi até a sina do nosso primeiro chefe o Conde Henrique talvez da Borgonha que morreu em Astorga de Leão e só depois se veio a Braga, aonde está; mas se um rei morreu em Portugal é Portugal que vai ter com ele e não o contrário: Afonso Henriques em Coimbra, Dinis em Odivelas, outros em Alcobaça ou na Batalha.
Onde esteja um guerreiro é coisa bem diferente, e por isso quando um soldado morre na guerra (ou fica cativo numa guerra) é importante ir buscá-lo porque sem ele nos incompletamos.
Mas aonde esteja o corpo de um homem - ah, e para viver não basta nascer, como para andar morto não é preciso ter morrido - deixemo-lo repousar, e vele só a Pátria que ninguém o perturbe. As voltas que a morte nos dá são quase sempre voltas bem feitas.
A ideia de um "Panteão" foi inventada na Revolução Francesa, e não por acaso dessacralizando uma igreja: estava-se em tempo de inventar uma religião sem deus, ou uma religião de estranhos deuses, como a fugidia Razão; e estava-se em tempo de confundir a Pátria, que é espiritual, com um Estado, que é a forma material - e por isso inferior - da sua manifestação. "Que o templo da Religião se torne o templo da Pátria, e que o túmulo dos grandes homens se torne o altar da Liberdade", isto dizia a Lei de 1791 que inventou esta coisa estranha. Também não por acaso, o depois Imperador dos Franceses quis remisturar as coisas, ordenando a reabertura do culto cristão em paralelo ao culto dos grandes homens.
Passou o tempo dos antigos reis, passou o tempo da deusa Razão; e temos agora uma espécie de Pátria que se compraz em evocações e homenagens; que finge cuidar dos seus mortos para disfarçar o descuido dos vivos; que já não é capaz de apontar exemplos, e por isso aponta os inimitáveis "génios": Pessoa está nos Jerónimos, mas no seu túmulo não quiseram gravar as palavras da Mensagem.
Nada, no que sabemos da vida e do coração de Camilo, nos permite supor que alguma vez tenha querido "servir a Pátria" (como adoramos essa enganadora etiqueta...), a não ser uma vaga, juvenil e irrelevante passagem pela guerrilha miguelista; nada, no que sabemos da sua alma e da sua morte, nos permite supor que tenha sido mais do que um homem que viveu e amou e magoou-se e quis coisas que não teve e que escrevia como nem o príncipe dos infernos aprendeu a escrever. O que ele escreveu, já no-lo deu a todos, e ninguém o lê; o que ficou com ele está entre ferros e anjos góticos do cemitério da Lapa; e de tudo isso, que é Pátria mas não é da Pátria, não tem o direito de se apropriar ninguém.
Não; não é Camilo que deve vir para o Panteão; é Portugal que deve ir à Lapa. Triste é a Pátria que quer ter um sítio: é porque já não sabe ser o imenso lugar para que foi feita; triste é a Pátria que se apropria dos mortos: não saberá ser apropriada aos vivos.

