*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*

MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
Mostrar mensagens com a etiqueta J. Jorge Peralta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta J. Jorge Peralta. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Carmen Miranda, Patrimônio da Lusofonia

J. Jorge Peralta

Carmen Miranda, a Pequena Notável, que Portugal está revendo em grande exposição, em Lisboa, está sendo vítima de trapalhadas americanas.
Dela falamos em crônica, anterior:
Carmen Miranda no Panteão da Lusofonia (clique)http://www.portaldalusofonia.com.br/carmemmirandapanteao.html

Como quase tudo que é brasileiro e português, os herdeiros dos direitos da imagem da célebre cantora e artista, e os seus amigos, não souberam divulgar o nome como merece, mantendo-a viva na alma do povo.
Herdeiros?! Artista deveria ser declarado Patrimônio Imaterial Nacional. A Nação deveria zelar por seu nome, sua imagem e sua divulgação.
Rui Castro escreveu a s melhor biografia, de Carmen Miranda, que, podia ser mais cuidada.
Assim mesmo valeu.
Agora um americano quer fazer um filme da artista. Boa ideia?! Talvez, desde que respeite a identidade da personagem.
Parece não ser o caso. A figura brasileira de Carmen Miranda, desde o título, está passando, por dançarina Cubana ou Mexicana, que fala espanhol, como diz Rui Castro.
Ao menos o roteiro do filme é uma afronta à Lusofonia. O nome previsto do filme é “Maracas” que tem pouco a ver com a artista.
Carmen Miranda, como bailarina Cubana ou Mexicana?! Nunca. Nada contra os Cubanos ou contra os Mexicanos. Apenas a cada um o que é seu. Carmen Miranda é nossa. É patrimônio da Lusofonia. É uma artista de primeira grandeza. Quem a conhece, sabe.
Infelizmente, os americanos não conhecem o Brasil e os Brasileiros.
De América Latina só conhecem seus vizinhos mexicanos e cubanos.
A Lusofonia não chegou aos EUA. Lastimavelmente.
Carmen Miranda precisa ser lembrada, com sua identidade autêntica, falando português...
O cineasta pode fazer a artista a seu modo, desde que respeite o modo de ser dela mesma.
Que os herdeiros e guardiões do nome de Carmen Miranda e da sua imagem saibam exigir, do cineasta americano, respeito à história da artista e respeito à Lusofonia. Isto é essencial. Que saibam fazer reviver Carmen Miranda e já terão um grande mérito.
Se o americano quer fazer o que os empresários do ramo, no Brasil e em Portugal, não conseguem fazer: Um Grande Filme de Arte sobre Carmen Miranda, que seja bem-vindo o americano.
Mas que seja bem assessorado par anão falsear a identidade de nossa artista.
Carmen Miranda, há muitos anos, deveria estar nas telas, com todo o seu peso, valor e sedução.
É uma artista descomunal, para quem souber ver fundo, semioticamente o que ela representa em nosso espírito, em nossa alma e em nossa cultura.
Carmen Miranda é uma marca indelébel da brasilidade, naquilo que o brasileiro tem de melhor e de eterno, sem as banalidades que lhe atribuem.
Há outro projeto, no Brasil, para levar a história de Carmen Miranda às telas. Mas não prossegue. Compromissos devem ter prazos de validade...
Que façam quantos filmes quiserem, desde que sejam leais à artista, aos seus valores e à lusofonia, e tenham qualidade digna de se ver. Essa deveria ser a norma.

sábado, 3 de julho de 2010

Futebol e a coesão nacional

J. Jorge Peralta

1. O Jogo Acabou! Viva o Brasil
A Copa acabou, para o Brasil, hoje. Jogamos o jogo. Viva o Brasil!
A vida é assim; Um dia se perde outro dia se ganha. Ganhou o Espírito de luta!
Outros também precisam ter a sua vez. O sol nasceu para todos. Que vençam os melhores. A Copa é um grande paradigma da vida real; uma bela metáfora.
A Copa do Mundo pode ser palco para novas reflexões.
No Brasil, algo acontece de extraordinário. Nos dias de Jogo do Brasil, na copa, o País, literalmente, pára.
Em São Paulo, o maior complexo urbano do Ocidente: (a Região Metropolitana da Grande São Paulo, uma área conurbanizada contínua, de 20.000.000 de habitantes), essa realidade unânime é mais notória.
Nos dias de jogo tudo pára. As ruas, avenidas e praças ficam quase desertas, com muito menos carros e gente do que nos domingos e feriados. Pára o comércio, param as indústrias, pára tudo.
São Paulo não pára de trabalhar. Só em tempo de Copa, cada quatro anos. Éh, meus amigos, para os pragmáticos eu aviso: Nem só de pão vive o homem!

É impressionante. Toda a gente está atenta ao desenrolar do jogo. Todos se alegram ou entristecem juntos. As grandes jogadas levam todos ao delírio. É uma catarse coletiva... Emocionante... É coisa bela, coisa de se ver.

A Bandeira do Brasil tremula, altiva, por toda a parte. Nos grandes prédios, como em casebres de favelas, tremula alegre e soberana a Bandeira Nacional. Há bandeiras imensas penduradas em prédios. O Brasil é um só corpo e um só espírito. Os corações batem em uníssono. A Copa do Mundo, a cada quatro anos, é o denominador comum de onde emana uma força estranha.
É alegria geral. Se ganhamos comemoramos, se perdemos... Também. Alguns ficam com cara de velório... Ninguém gosta de perder. Ninguém fica indiferente.

2. A Copa faz Bem à Gente
Minha gente, a Copa faz bem à saúde da nação. Faz bem a toda a gente.
Só faz mal quando políticos oportunistas se aproveitam para colar, em si próprios, os méritos da nação, para se perpetuar no poder. Mas até isso todos relevam.
A Copa é tempo de perdão e de fraternidade, sem discriminação.

Em tempo de Copa, como nos outros tempos, no Brasil só há brasileiros: com uma única etnia (?!) e uma única cor de pele: somos todos morenos, todos miscigenados, culturalmente. No genérico moreno estamos os brancos, os negros, os morenos, os amarelos e os vermelhos: as cinco raças do mundo. Cinco sim senhor!
O milagre do Brasil, este País Tropical, é que, na alegria e na tristeza, todos se irmanam, todos são solidários, sem distinção de raça, sexo ou condição social. Somos todos iguais neste país plural e multirracial. Neste país tropical.
No entanto, aqui temos gente de todas as raças que cultivam seus valores próprios, sem prejuízo da unanimidade nacional. É a realização do princípio: Unidade na Diversidade.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

África: um Continente Consolida seu Futuro

1. O mundo, do Ocidente ao Oriente, está, nestes dias, de olho na África negra e morena. A Copa do Mundo, faz da África o centro do mundo. Palmas para a África!

A África do Sul conseguiu um grande trunfo para a humanidade, ao colocar os holofotes do mundo, no Continente Negro.
Foi lá que Bartolomeu Dias abriu o Portal da história, para dar partida à unificação do mundo, do Oriente ao Ocidente, quando passou o Cabo das Tormentas, (1488), depois chamado Cabo da Boa Esperança. O fato paradigmático foi perpetuado em granito, para a eternidade, nos Lusíadas de Camões e em estátua, na Cidade do Cabo, perto de Johannesburgo.
Penso que esta geração não pode passar, sem que a África seja reconhecida como um Continente magnífico, por sua cultura, por sua gente e pela produtividade e beleza do seu território e de seu povo.
Então o Continente Africano será reconhecido e honrado, ao lado da Europa, das Américas, da Ásia e da Oceania, em pé de igualdade.
A África é um Continente belo e promissor. Um Continente encantador, que eu ainda não tive o prazer de conhecer (Vontade não faltou).

2. O mundo Ocidental precisa reconhecer que o Continente Africano merece todo o respeito, não por favor mas por direito. Que os países da África não podem ser tratados como simples fornecedores de minerais preciosos, de terras férteis, de mão-de-obra e de espaço de manobra para as grandes potências. Deve ser considerado como grande parceiro.
Atrocidades gratuitas como as que capitaneou o Rei Leopoldo, da Bélgica, são holocaustos repugnantes. Como são repugnantes os holocaustos comandados, por chefes africanos, dizimando tribos mais frágeis em forças, de que os Anais da História registraram com horror. O passado passou. Vamos construir o futuro,já, sem ressentimentos, decididamente.

3. No Brasil, os portugueses, com os africanos, criaram um país multirracial e miscigenado. Aqui, negros e brancos, convivem em paz, tal qual os brancos entre si, onde não faltam rusgas eventuais, naturais entre os humanos: entre brancos e brancos, negros e negros, entre brancos e negros e entre negros e brancos... caminha a humanidade...
Mas existe aqui um espaço muito mais amplo e alvissareiro de solidariedade, fraternidade e generosidade, de parte a parte, sem radicalizações autoritárias.
Aqui, brancos e negros se cruzaram, dando origem uma quinta cor na espécie humana: a cor morena, como dizia Darcy Ribeiro.
Hoje temos, no mundo, cinco “raças”: brancos, negros, morenos, amarelos e vermelhos.
O moreno tem uma cor definida de que deve poder se orgulhar, e assim deve ser classificado. Ele não é branco, nem é negro. É moreno com muita honra.

Moreno com muita honra.
O mundo moreno é marca da Lusofonia.

No tempo da colonização, os morenos, descendentes de brancos com negros, eram considerados brancos.
A pessoa que tinha qualquer porcentagem de sangue branco era, diante da lei, considerada branca. Esta era a norma, geralmente respeitada.
Por esse modo de ver, considerando o negro a par do branco, tivemos um dos maiores gênios de pensamento de todos os tempos, no século XVII, o Pe. Antônio Vieira, neto de negra. Vieira foi e sempre será um gênio moreno que espantou o mundo do século XVII com seus talentos e com sua sabedoria, de Salvador à Lisboa, Roma, Paris, Londres, Amsterdã, etc, etc.
No século XVII, o mesmo P. Vieira declarava, em Cabo Verde, que os padres negros eram melhores e mais dedicados do que muitos dos padres portugueses do Reino.

4. O Brasil desenvolveu um país multirracial, numa convivência muito positiva de que só pode se orgulhar, assim decantado por Gilberto Freyre, grande admirador da África, dos africanos e dos moremos, fruto da auspiciosa miscigenação.

Os laços Brasil-África sempre foram muito intensos e positivos.
Eram tais os laços que uniam Brasil, Portugal e a África que, ainda no século XVI, estando Angola invadida pela Holanda, como esteve todo o Nordeste Brasileiro, deu-se um fato emblemático. Depois que expulsaram os holandeses do Brasil, portugueses, negros, índios, após reequiparem a frota, saindo do Recife, atravessaram o Atlântico, e foram a Angola expulsar os holandeses, invasores, para que Angola ficasse livre. Cumpriram a missão com sucesso e muita audácia.
Foram os Africanos, juntamente com os portugueses, quem mais fez pelo desenvolvimento do Brasil, nos três primeiros séculos. Desenvolveram o Brasil a ponto de ter condições de se tornar cabeça de um grande Império, com a vinda de D. João VI, que aqui instalou o poder central do Império Português, em 1808, há duzentos (200) anos.

A África tem uma presença inapagável e bela na história do Brasil e de Portugal.

5. A obra de civilização, com os laços multirraciais e miscigenados, marcou a ação portuguesa, nos cinco continentes.
Na África e na América do Sul está a grande força da Lusofonia.
Dos oito países, de raiz e fala lusófona, cinco estão na África: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe.
A Lusofonia a todos reúne a cada momento, através da língua comum.
A África faz parte de nós e nós fazemos parte da África. Somos continentes e países irmãos. A Lusofonia nos une e nos irmana.

No Brasil convivem e trabalham, em paz, pessoas de todos os povos da terra.
Irmãos de sangue, de cultura e de trabalho.

6. Na Copa do Mundo, na África do Sul, estarão torcendo por Portugal e pelo Brasil as cinco (5) nações Lusófonas e muitas outras nações onde vivem milhões de portugueses e lusodescendentes, por toda a África. Torceremos uns pelos outros.
As bandeiras do Brasil e de Portugal estarão hasteadas em muitos lares, por todo o globo. Em muitos lares e em milhões de corações estarão desfraldadas as bandeiras da Lusofonia.

A África orgulha-se da Lusofonia e a Lusofonia orgulha-se da África.

7. A África tem tudo para ser um Continente de primeira linha, na história do mundo. Mas precisa saber implantar um processo de desenvolvimento que pense na prosperidade econômica, sem se descuidar da qualidade de vida das pessoas, da educação do povo e da preservação do meio ambiente sadio.
Lá onde erraram os países, que fizeram o desenvolvimento atual, a qualquer preço, por adotarem o capitalismo selvagem, a África pode usar a lição para não repetir os erros evitáveis. Assim, poderá aproveitar o que de melhor lhe oferece o modelo de desenvolvimento atual, tanto no Ocidente como no Oriente. Poderá então evitar tudo o que compromete o futuro de seu povo e da humanidade.
Sabemos que não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos, mas também sabemos que, se quebrarmos todos os ovos, não termos mais galinhas para continuar a botá-los. Não podemos matar a “galinha dos ovos de ouro”.
Apesar de todos os desvios conhecidos, apesar da escravidão, o Brasil e Portugal são exemplos de respeito à África e aos africanos. São parceiros leais, com alguns malandros como contrapeso...
Os desvios foram questões de percurso que já foram superados. Olhamos para frente...

8. O nosso povo brasileiro, branco ou moreno ou negro, amarelo ou vermelho precisa redescobrir a África, que convive em nosso meio. Aliás, já estão descobrindo. Somos povos entrelaçados, pelo sangue, pela cultura e pelo destino.
Brancos, negros, amarelos ou vermelhos somos uma cultura miscigenada.
Somos todos, culturalmente morenos, como brancos e negros.
Brancos, negros, morenos, amarelos ou vermelhos, vivemos todos com respeito e liberdade, neste país. Esta é a norma do país. Desvios de discriminações também existem. São as falhas da condição humana.

9. O que nos falta aos lusófonos, é uma cultura mais consistente, universalista e local, para sermos um povo mais consciente, competente e atuante. Para nos sabermos impor, no contexto das nações.
Sem uma educação melhor, sempre seremos vítimas de um pensamento frágil, volúvel e trivial. Não sabemos o que somos ou quem somos e quanto podemos.
Somos uma potência que se desconhece. Por isso nem sempre somos livres e soberanos. Não alcançamos todos os resultados que poderíamos desfrutar, no contexto das nações.
Somos vítimas dos fabricantes de armas que compramos para matarmos mutuamente...
A cultura de nosso lado africano, no Brasil, articulado com o nosso lado europeu, indígena e asiático, respeitando as dimensões de cada uma das nossas heranças étnicas e culturais, faz parte do processo de conquista de um mundo melhor para o nosso povo. Elevar à cultura e o bem-estar do nosso povo é elevar a humanidade.

O grande elo que une fortemente os povos lusófonos é a Língua Portuguesa.
Na Língua Portuguesa, a gente se entende. Nela nos encontramos e interagimos.
Os laços que unem Africanos, Brasileiros, Portugueses, Asiáticos e Oceânicos de Língua Portuguesa são sólidos; são culturais, familiares e muito mais fortes do que os laços econômicos e políticos, que são apenas estratégicos e sempre se fazem presentes.

A Copa do Mundo de 2010 deu a voz e a vez à África, em boa hora.

10. Certamente Angola e Moçambique, com o grande progresso sócio-cultural e econômico que já desponta, estarão se preparando para sediar uma das próximas Copas, quando for de novo a vez da África.
Daqui de meu escritório, em São Paulo-Brasil, a maior cidade do Ocidente, a maior cidade Lusófona do mundo, saúdo efusivamente todos, os Africanos de todos os quadrantes, com destaque mais carinhoso para os povos africanos lusófonos, com os quais compartilho o mesmo sangue linguístico e a mesma fé num futuro mais promissor.

Na Lusofonia somos irmãos, sem distinção de cultura ou de cor.
A Lusofonia nos faz universais nos cinco continentes.

José Jorge Peralta

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Texto que nos chegou...

VINHOS DA BAIRRADA
Uma Sedução

J. Jorge Peralta

1. A região da Bairrada é uma das 10 (dez) grandes regiões vinícolas de Portugal. São elas: Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Extremadura, Alentejo, Ribatejo, Setúbal, Algarve, Açores e Madeira. Nessas regiões coexistem diversas categorias, totalizando 47 regiões vinicultoras especiais.
O vinho da Bairrada é mais um ícone da Lusofonia.
A Bairrada, situada na Beira Litoral, é composta por terras planas e férteis e clima ameno, influenciado por sua proximidade com o Oceano Atlântico.
A Bairrada compreende a região entre, o Rio Vouga e o Rio Mondego; situa-se entre as fraldas das Serra do Caramulo e do Buçaco, até as areias e dunas da faixa marítima.
A Bairrada abrange: os Concelhos de Anadia, Mealhada, Oliveira do Bairro, Mira, Cantanhede, Aveiro, Coimbra e Vagos.

2. A região da Bairrada é região de bons vinhos de longa tradição.
Na região da Bairrada temos a mais celebrada Universidade de Portugal, a Universidade de Coimbra, e a Universidade que se destaca como o mais produtivo pólo de formação tecnológica do país, a Universidade de Aveiro.
A Região tem ainda belas praias, como Costa nova, Mira, Figueira da foz. Tem as Termas da Cúria e do Luso e inúmeras outras atrações que atraem os estudiosos, os turistas e os veranistas.

3. A Bairrada tem uma gastronomia riquíssima, na qual se destaca o famoso leitão assado da Bairrada, de fama internacional.
O vinho da Bairrada é uma das marcas que engrandecem o País.


VINHOS DA BAIRRADA
Uma Visita Alegre

Na Bairrada são produzidos vinhos de mesa brancos, tintos, frisantes, espumantes.
Diz-se que o vinho alegra o coração das pessoas. Mas sei agora que visitar à Vinha também alegra.
Quando, em 2009, passamos por Oliveira do Bairro, o grande amigo e professor F. Ladeira, agendou uma visita às vinhas da família Sidónio de Sousa, de ancas, Oliveira do Bairro. Visitamos a vinha.
Acompanhou-nos o dono em pessoa. Estivemos nas caves, degustando algumas das delícias.

Visita inesquecível para quantos me acompanharam, uma aula de vinicultura. Veja algumas fotos de lembrança.

Para ver mais imagens (clique): http://www.facebook.com/album.php?aid=12360&id=100000333516139&saved

sábado, 3 de abril de 2010

Texto que nos chegou...

BACALHAU COM HISTÓRIA

Patrimônio Nacional e Mundial
Páscoa sem Bacalhau
É como almoço sem sal

J. Jorge Peralta


I - BACALHAU
Deliciosa Marca da Lusofonia

1. O Bacalhau na História

Devemos aos portugueses a entronização do bacalhau como um dos pratos mais saborosos da gastronomia ocidental.
O bacalhau é considerado, pelos lusos, o “príncipe das mares” e o “fiel amigo”.
Os portugueses desempenharam, por força do destino e por missão histórica, alguns papéis únicos e de personagem principal, no teatro do mundo, na história universal.
A eles se deve a Grande Epopéia dos Descobrimentos Marítimos, que fizeram a unificação do globo terrestre. Descobriram dois terços (2/3) do território global.
E aqui acrescentamos o Bacalhau, à grande contribuição dos portugueses à humanidade.
Os portugueses deram ao bacalhau o destaque que desfruta na gastronomia dos povos. Onde foram, levaram consigo o bacalhau, como um manjar sadio e de primeira qualidade.
Além disto, o bacalhau, seco e salgado, conserva-se por muito tempo, sem se deteriorar.
O bacalhau foi então apelidado de “fiel amigo”, pois garantia alimentação sadia, nas demoradas viagens marítimas, que duravam meses. O nome carinhoso de “Fiel Amigo” vem do fato de estar sempre presente, por toda a parte, e nunca faltar, por não se deteriorar.

2. A Pesca do Bacalhau-Escola Náutica

Há algo que nos intriga positivamente: O Bacalhau vem das águas geladas polares, longe de Portugal. Ir pescá-lo é outra grande aventura, muito penosa. Isto vai ter um “sub”-produto admirável: virou escola de marinheiros.
D. Pedro I de Portugal, (1303) deu início a pesca de Bacalhau, em terras longínquas.
O Rei D. Dinis (1279-1325) também apoiou a pesca do Bacalhau, em terras longínquas e frias. A mão de obra da pesca, em águas longínquas e frias, exigiu preparação adequada: a pesca de bacalhau foi uma eficiente escola de náutica para a formação de marinheiros.
Estes, mais tarde, no reinado de D. Afonso V, (1438-1481), iriam dar o impulso decisivo à era dos descobrimentos, sob comando do Infante D. Henrique.

3. Era dos Descobrimentos e o Bacalhau, o “príncipe das mares”, foram dois parceiros inseparáveis. Sem o bacalhau, isto é, sem os equipamentos engendrados para a pesca do bacalhau, em mares longínquos, região dos Povos do Norte, a Epopéia dos Descobrimentos dificilmente teria tido o alcance que teve, por falta de gente preparada.
A frota dos Corte-Real, que descobriu a Terra Nova, (Canadá), antes de 1424. Estava procurando bacalhau e o encontrou aí, em quantidade. Terra Nova foi chamada Terra Nova do Bacalhau. Até ao século XX os portugueses iam pescar bacalhau na Terra Nova.

4. Padroado dos Descobrimentos

Foi uma ação de tal monta que o Papa Eugênio IV atribuiu o Padroado dos Descobrimentos a Portugal, em exclusivo. O Papa Nicolau V, por bula de 08.01.1454, concede aos monarcas portugueses as conquistas da África e das Ilhas dos Mares.
A Espanha entra então na disputa por espaço e consegue nova divisão do mundo das descobertas, com o Tratado de Tordesilhas, com o apoio do Papa espanhol, Alexandre VI.
Enfim, na rota do Bacalhau e em outras rotas, os portugueses deram ao mundo Novos Mundos.

II – BACALHAU, PRESENTE DOS DEUSES

5. Por todas as terras onde se instalaram, levaram junto o “fiel amigo”, o nobre bacalhau.

Foi assim, que o bacalhau passou a fazer parte da culinária de todos os povos da civilização lusófona.
Hoje, que o bacalhau se tornou alimento caro, ele é usado como prato nobre e especial e nas grandes festas e reuniões familiares, em dias festivos, principalmente em datas familiares como o Natal, Páscoa, Dia dos Pais e Dia das Mães, Dias de Aniversário, etc.
Em muitas famílias, as sextas-feiras do ano são dia de pratos de peixe, onde o Bacalhau tem lugar especial.

6. Os portugueses tornaram-se os maiores consumidores de Bacalhau do mundo. Ir a Portugal e não comer bacalhau é como ir a Lisboa e não ver a Torre de Belém.

Entre as grandes e variadas tradições da culinária portuguesa, o Bacalhau ocupa lugar privilegiado.
O Bacalhau é um presente dos deuses: Uma iguaria muito especial.
Efetivamente, o bacalhau é uma comida muita rica em substâncias alimentícias e não é gordurosa.

7. O hábito de comer bacalhau, no Brasil, é muito antigo, desde o início da colonização. A partir da vinda da Corte Portuguesa, para o país, difundiu-se mais ainda o uso deste peixe especial.

O bacalhau está plenamente integrado à culinária brasileira. Em quase todo o país, os melhores restaurantes, sempre oferecem pratos de bacalhau.
Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, etc., têm diversas casas especializadas em Bacalhau.
No Rio de Janeiro, no final do século XIX, Machado de Assis, reunia-se todas as sextas-feiras, com os amigos para comer o autêntico “Bacalhau do Porto” e discutir o momento nacional.
Os Bolinhos de Bacalhau são um petisco especial, de preferência nacional, em bares e restaurantes.
Aqui, como em Portugal, o Bacalhau é preferência Nacional.
O Bacalhau foi uma das obras primas do “gênio português”. Enriqueceu a gastronomia portuguesa e mundial.

8. Na grande proeza do bacalhau, Aveiro foi o motor e o centro irradiador desta atividade. Daí se espalhou pelo mundo.
A tempo de D. Afonso V, Aveiro centralizava a pesca do Bacalhau, nos Mares do Norte (Noruega) e depois na Terra Nova e na Groenlândia.
Aveiro produzia sal de qualidade, em suas salinas e ainda oferecia o bom vinho da Bairrada.

III- TRANSTORNOS À PESCA DO BACALHAU

9. Felipe II de Espanha trouxe a primeira dificuldade, quase intransponível à continuidade da pesca do bacalhau.

Uma atividade em tão alto processo de desenvolvimento, sofreu um grande impacto negativo na frustrada guerra que Felipe II da Espanha contra a Inglaterra. Como Reino de Portugal estava unido à Espanha, Felipe II convocou toda a marítima portuguesa para compor a Armada Invencível. Navios de Guerra, naus de pesca e navios mercantes, todos se dirigiram ao Canal da Mancha para atacar Londres e conquistar o país.

10. Por um acidente da natureza fora do combinado, uma grande tempestade no Canal da Mancha, já em frente a Londres, afundou quase toda a imensa esquadra de guerra (29.06.1588). Foi ao fundo a Invencível Armada. Os navios, o grande poderio naval português aí afundaram com seus homens. Afundaram junto com a esquadra da Espanha, num dos maiores desastres da história. A tempestade foi um acaso desastroso.

O nosso Grande Vieira, olhando ao longe, diria:
“Quem me disse a mim, ou a vós se debaixo deste acaso se ocultava algum Grande Conselho da Divina Providência?”
No desastre, desapareceram os homens e os navios.
Sem barcos e sem homens experientes a pesca do bacalhau foi suspensa até cerca de 1835. Definhou a frota pesqueira. A apatia da pesca não se reanimou nem pelas facilidades dadas pelos ingleses na Terra Nova.

11. Recuperação da Pesca

Em 1930, o lugre “Santa Mafalda” da Empresa de Pesca de Aveiro EPA, zarpa rumo a Groenlândia.
A pesca bacalhoeira retoma seu vigor na Terra Nova.
Hoje, o desmantelamento da frota bacalhoeira é um fato.
A história é um desastre para a nossa pesca.

12. A pesca do bacalhau foi descontinuada (?!), com a “Revolução dos Cravos”, e os acordos da União Européia, como ocorreu com muitos outros centros de alta produtividade que eram o orgulho do país. Esta descontinuidade diz-se ter sido obra deplorável de entreguistas apátridas. Sem dúvida, o empresariado português passou maus momentos naquele momento...

A pesca de Bacalhau termina, melancolicamente, nas negociatas das “novas” políticas...
Hoje, quase todo o Bacalhau consumido em Portugal, ou pelo país distribuído, é importado. Mas continua como um prato símbolo da Lusofonia, independente de quem o pesca.