*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*

MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Moçambique - Portugal disponibiliza conhecimentos e meios para o combate à pesca ilegal

 O secretário de Estado das Pescas e do Mar português disse, na cidade de Maputo, que a pesca ilegal é um desafio global, estando Lisboa disponível para apoiar Moçambique com equipamentos e estudos para travar estes crimes nos seus mares


Não vale a pena Moçambique estar a comprar equipamentos que Portugal já tem, não vale a pena estar a estudar problemas que nós já estudámos. Nós estamos prontos, sim, para disponibilizar esses equipamentos, os resultados da nossa investigação científica, porque nós queremos mesmo que Moçambique olhe para o mar como um vetor estratégico, porque pode ser o mar o ponto de viragem para uma nova economia em Moçambique”, disse Salvador Malheiro.

O responsável falava em declarações à Lusa à margem da 3.ª Conferência da Economia Azul, que terminou sexta-feira, a propósito da pesca ilegal que afeta Moçambique, sobretudo ao longo do oceano Índico, defendendo ações coordenadas entre países para tentar travar este crime que Portugal também enfrenta.

“Nós, apesar de termos uma aposta muito maior na fiscalização e na colocação das forças de segurança no mar, também não temos o problema resolvido e este é um problema que temos que encarar de uma forma global e que temos que discutir as melhores formas de o atacar. Já percebemos que não é apenas com leis, é preciso muita fiscalização, mas sobretudo uma ação de sensibilização juntos dos pescadores, nacionais e internacionais”, alertando para as implicações do esgotamento dos recursos marinhos, declarou.

Relativamente a novos acordos para apoiar Moçambique no setor de mar e pescas, disse que está em preparação uma conferência “ao mais alto nível”, prevista para este ano, em Lisboa, indicando que nesse encontro os dois países vão estreitar relações nesta área.

“Em primeiro lugar, vamos colocar as nossas instituições de ciência e investigação científica a falar conjuntamente, quer as de Portugal, quer as de cá. Vamos colocar a respetiva autoridade marítima a conversar mutuamente, no sentido de nós termos partilha de informação, tecnologias e equipamentos. Por outro lado, vamos tentar ajudar Moçambique junto da Comissão Europeia, para que possamos ter um novo acordo (…) que defenda os interesses de Moçambique”, acrescentou.

Segundo o governante, na referida conferência serão mostradas as potencialidades de Moçambique aos empresários portugueses que querem investir neste setor.

Ao discursar no encerramento da conferência, Malheiro disse que Lisboa quer compatibilizar com Moçambique os regulamentos do setor de pescas e mar, colaborando na formação e ordenamento do espaço marítimo.

“Esta parceria bilateral tem algumas áreas que, na minha opinião, devem ser consideradas estratégicas, desde logo na compatibilização de regulamentos do setor das pescas, garantindo a sustentabilidade das capturas, abertura de novos mercados e o combate à pesca ilegal”, disse.

Portugal quer também parcerias com Moçambique no ordenamento do espaço marítimo, partilhando boas práticas de planeamento e de licenciamento sustentável, harmonizando e compatibilizando os diversos recursos do mar. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Moçambique - Livro sobre cultura e desenvolvimento sustentável apresentado ao público

 A obra com o título: “A Cultura e o Desenvolvimento Sustentável das Cidades e Municípios”, do moçambicano Belarmino Lovane, foi lançada em Moçambique


Segundo uma nota, consultada pelo JA Online, o prefácio da obra foi escrito pelo Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo.

Belarmino Lovane é doutorando na Universidade dos Açores, em Portugal, com investigação centrada em cultura, comunicação e desenvolvimento local.

Também é mestre em Ciências Sociais, com menção em Desenvolvimento Social pela Universidade de Los Lagos, no Chile.

O livro propõe uma reflexão sobre o papel estratégico da cultura na promoção do desenvolvimento sustentável, na valorização das identidades locais e na transformação das cidades e municípios, reforçando a importância das políticas culturais no desenvolvimento social e territorial. In “Jornal de Angola” - Angola

terça-feira, 5 de maio de 2026

Moçambique - Paulina Chiziane distinguida como “Melhor Escritora de África” no African Award 2026

 A escritora moçambicana Paulina Chiziane foi distinguida como “Melhor Escritora de África de 2026” no African Award – Creators and Directors Excellence 2026, prémio que reconhece figuras de destaque na promoção da cultura africana através da literatura, arte e criatividade.


A distinção reforça o impacto do percurso literário de Paulina Chiziane, considerada uma das vozes mais influentes da literatura africana contemporânea e referência na valorização das identidades, memórias e narrativas do continente.

A cerimónia de premiação decorreu na noite de 28 de abril, no EPIC SANA, reunindo personalidades ligadas ao cinema, moda, música e outras áreas criativas, numa celebração dedicada a talentos que têm contribuído para a afirmação cultural de África.

O reconhecimento surge como mais um marco na trajectória da autora, cujo trabalho continua a projectar a literatura moçambicana além-fronteiras e a consolidar o seu nome entre os maiores expoentes culturais do continente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique

sexta-feira, 20 de março de 2026

Moçambique – Filósofo Severino Ngoenha defende uso do Fundo Soberano para financiar a Educação

 Severino Ngoenha volta a insistir que o país precisa usar parte do Fundo Soberano para financiar a Educação, pois, sob seu ponto de vista, só assim é que o país pode reduzir a dependência externa. O académico critica a qualidade de ensino e entende que uma educação que não resolve os problemas do país é prova de que não é de qualidade.


Severino Ngoenha volta a lançar um olhar crítico ao sector da Educação em Moçambique e alerta para o risco que pode advir da falta de um investimento sério no sector.

Na sua óptica, a falta de uma resposta acertada para esses problemas é um dos barómetros que ajudam a medir a qualidade do ensino.

Segundo Ngoenha, a Educação não se deve fazer polémicas, mas trazer soluções.

Se no passado, o analfabetismo facilitou a escravatura em África, o filósofo vê um futuro sombrio, caso o Governo não assuma priorizar a Educação como factor de transformação sócio-científico. In “O País” - Moçambique

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Moçambique - Insegurança e choques climáticos agravam situação alimentar no país

 Cerca 3,5 milhões de pessoas enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda, deste número 277 mil necessitam de intervenção urgente para minimizar a situação

As regiões moçambicanas do norte e centro são as mais afetadas pela insegurança alimentar e por choques climáticos. São as províncias de Cabo Delgado e Nampula, no Norte, Zambézia, Tete e Sofala no Centro.

O deslocamento relacionado com o conflito, os impactos de ciclones e choques climáticos recorrentes têm degradado significativamente os meios de subsistência e a capacidade de resposta das populações.

Intervenção urgente

O líder da equipa de Análise de Vulnerabilidade e Mapeamento do WFP Moçambique, Domingos Reane, diz que os grupos mais afetados incluem agregados familiares rurais e populações em distritos afetados pelos ciclones.

“Deste número de 3,5 milhões temos cerca de 277 mil pessoas que estão na fase 4. A Fase 4 quer dizer que são pessoas que têm grande défice alimentar e por vezes com desnutrição aguda já elevada. São pessoas que necessitam de intervenção urgente para minimizar estes problemas de segurança alimentar”

Dos 108 distritos avaliados, o resultado é de 3,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda. É a combinação das duas avaliações que foram feitas em 2025. A avaliação pós-choque efetuada em abril de 2025 e avaliação pois colheita em setembro de 2025.

O especialista do WFP detalha a análise afirmando que todos os grupos enfrentam problemas de segurança alimentar. Ele cita os fatores que determinaram o elevado índice de insegurança alimentar no país.

Causas do elevado índice de Insegurança alimentar

“A irregularidade das chuvas e o período prolongado de seca, os efeitos cumulativos dos sucessivos ciclones, a insegurança persistente e o deslocamento que têm ocorrido na zona norte devido aos conflitos, continuam a perturbar os meios de subsistência e continuam a restringir acesso ao alimento, ao mercado e aos serviços básicos e por ultimo, os preços elevados dos alimentos e a redução do poder de compra continuam a limitar o acesso a alimentação de muitos familiares pobres.”

Embora algumas áreas produtivas tenham registado melhorias após a colheita de 2024/2025, especialistas afirmam que há uma necessidade de assistência humanitária sustentada para salvar vidas, bem como de proteção dos meios de subsistência.

Projeção

A projeção sobre a insegurança alimentar aguda no período de abril a setembro de 2026, indica que o número de necessitados de assistência urgente poderá reduzir de 1,2 milhão para cerca de 529 mil pessoas.

A insegurança alimentar aguda continua a ser um desafio para o governo e parceiros influenciados pela alta vulnerabilidade choques climáticos.

A questão é agravada pela localização ao longo da costa do Oceano Índico e pela instabilidade persistente no norte de Moçambique. Ouri Pota – Moçambique ONU News

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Moçambique - Gás natural lidera exportações e gera receitas recorde

 O gás natural tornou-se o principal produto de exportação de Moçambique no primeiro trimestre de 2025, superando o carvão mineral. As exportações de gás totalizaram 567,7 milhões de dólares, um crescimento homólogo de 28%, impulsionado pelo aumento do volume exportado na área 4 da bacia do Rovuma e pela valorização de 12,8% no preço médio internacional.


Em sentido oposto, segundo a agência Lusa, o carvão registou uma queda de 35%, totalizando 300,8 milhões de dólares, devido a paralisações em minas, interrupções na linha férrea causadas por intempéries e instabilidade social relacionada com o período eleitoral. Além disso, o preço médio do carvão caiu 6%.

O alumínio também ultrapassou o carvão, com exportações no valor de 380,7 milhões de dólares, representando um crescimento de 88,3% face ao ano anterior, alavancado pelo aumento de 45% no volume exportado e de 14% nos preços.

O Estado arrecadou até Junho 210 milhões de dólares em receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural, mais do que em todo o ano de 2024. Os valores, canalizados para o Fundo Soberano de Moçambique, incluem montantes referentes a exercícios passados e ao primeiro semestre de 2025. In “O País” – Moçambique com “Lusa”

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Moçambique - Mais 5 mil tipos de sementes de plantas silvestres salvas da extinção no país

 Pouco mais de 5 mil sementes entre agrícolas e silvestres estão conservadas no banco de sementes do país. Assim, o Instituto de Investigação Agrária pretende garantir a continuidade de plantas ameaçadas mesmo depois de extintas na natureza.

Plantas silvestres são constantemente ameaçadas por actividades como abate frequente de árvores para uso de biocombustíveis para cozinhar alimentos e não só, bem como pelas alterações climáticas, o que põe em risco a flora moçambicana.

Pensando nisso, o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique colecta sementes de plantas em risco de desaparecer na natureza e as conserva em laboratórios como este que existem nas três regiões do país. A missão é garantir o futuro ambiental e alimentar.

Actualmente, existem mais de cinco mil sementes agrícolas e silvestres conservadas no banco de sementes do país. Assim, o Instituto de Investigação Agrária pretende garantir a continuidade de plantas ameaçadas mesmo depois de extintas na natureza, explicou a Directora do IIAM, Zélia Menete.

Tratam-se de plantas com teor medicinal, algumas até comestíveis e outras florestas que são salvas da extinção para o futuro. As sementes poderão ser usadas para reflorestação de áreas onde dada espécie tenha desaparecido.

No fim, o projecto prevê colectar e conservar pouco mais de mil tipos de sementes em todo o país, que vão servir para reflorestar garantindo a continuidade de plantas silvestres e algumas agrícolas que servem de alimento para as comunidades. Regina Ernesto – Moçambique in “O País”

quinta-feira, 19 de junho de 2025

China vai aumentar apoio a Moçambique na saúde e infraestruturas

 A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique disse que o Governo chinês vai aumentar o apoio ao país, sobretudo em projectos nas áreas da saúde e das infraestruturas


Maria Lucas, que falava à margem de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Wen He, disse que a reunião superou as suas expectativas, sobretudo com o anúncio de um reforço do apoio chinês a Moçambique em diversas áreas-chave.

“[Wen He] referiu-se ao aumento do apoio que eles vão fazer a Moçambique em várias áreas, mas, sobretudo, para galvanizar a implementação do projeto sobre a construção do centro cirúrgico do Hospital Central de Maputo [a maior unidade do país]”, declarou a ministra, que se encontra de visita à China.

De acordo com Maria Lucas, o ministro chinês destacou ainda a construção de um centro de formação em saúde em Sofala, província do centro do país. “Também referiu-se aos dois projetos que já submetemos ao Governo da China, um deles em relação à N1 [Estrada Nacional 1], só aos troços da província de Maputo a Gaza, e também referiu-se ao projecto de interconectividade na área digital (…) que também já tínhamos submetido. Disse que também vão trabalhar nesses projectos e brevemente darão as respostas”, declarou.

A ministra realçou que a parceria histórica entre Moçambique e a China vai além das últimas cinco décadas, estendendo-se também ao período da luta de libertação nacional moçambicana. “Foi um encontro muito bom. É sempre bom termos um aliado como a China”, concluiu.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique apelou, na quarta-feira, à flexibilização dos mecanismos de preparação e apresentação de projetos de negócios e ao desembolso de fundos chineses em África.

Maria Lucas, que falava durante a conferência ministerial de coordenação para a implementação dos resultados do IV Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), na cidade chinesa de Changsha, saudou e elogiou a iniciativa “promissora”, mas avançou alguns desafios a serem ultrapassados para a sua implementação efetiva nos países africanos. “Para que [a iniciativa] seja viável e bem-sucedida nos nossos países, e em Moçambique, em particular, há desafios que devem ser devidamente abordados, incluindo a flexibilidade dos mecanismos de preparação e apresentação de projetos, bem como de desembolso de fundos”, disse.

Segundo a ministra, a parceria com a China produziu para África e Moçambique, particularmente, “resultados significativos”, incluindo a afirmação do Fórum África-China e o avanço da iniciativa de cooperação “Cinturão e Rota”, bem como o Fórum de Macau.

Maria Lucas garantiu que Moçambique está preparado para receber os investimentos chineses e levar as trocas comerciais entre os dois países para níveis mais elevados.

A China é o maior parceiro comercial do continente africano, com o comércio bilateral a atingir 167,8 mil milhões de dólares na primeira metade do ano, de acordo com a imprensa oficial chinesa. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

domingo, 23 de março de 2025

Moçambique - Joel Macedo lança Conhecimento Religioso na cidade da Beira

 “Conhecimento Religioso: Entre a fé e a razão” é o título da obra de estreia de Joel Macedo, a ser lançada no dia 27 deste mês, no Centro Cultural Português da Beira, a partir das 18 horas.

Segundo uma nota de imprensa, a obra aborda a intrincada relação entre o invisível e o visível, o confronto eterno entre a fé e a razão, num percurso que atravessa os primórdios da humanidade, muito antes do surgimento da Filosofia e da Literatura.

“O autor explora temas que desafiam a percepção comum da divindade, propondo até a possibilidade de que o universo seja fruto de um jogo divino, repleto de enigmas e questionamentos sobre o propósito da existência”, pode-se ler na nota de imprensa.

Joel Macedo é formado em Ciências da Educação com habilitação em Educação de Adultos, pela Universidade Licungo. Desde cedo, demonstrou um profundo interesse por questões existenciais, que foi intensificado pelo seu encontro com a Bíblia e a Filosofia, que o inspiraram a buscar respostas e a compreender o sentido da vida.

Com a chancela da Mapeta Editora, a apresentação estará a cargo do académico Edu Manuel, Doutor em Ciências da Educação com especialização em Organização do Ensino, Aprendizagem e Formação de Professores pela Universidade de Coimbra, em Portugal. In “O País” - Moçambique

sexta-feira, 7 de março de 2025

Moçambique - Defendido diálogo com Venâncio Mondlane para “desligar” protestos

 Analistas moçambicanos defenderam à Lusa o diálogo com Venâncio Mondlane como uma solução a curto prazo para o fim das manifestações em Moçambique, considerando-o o “actor” que consegue “ligar e desligar” os protestos.



“Havendo tanta popularidade do Venâncio, sendo ele o actor que consegue ligar e desligar estes protestos, sendo o único actor que a população segue, eu acho que ele tem de ser incluído em qualquer mesa de negociação. Isso é óbvio já há muito tempo”, disse João Feijó, analista e pesquisador moçambicano.

Feijó defende, a curto prazo, o diálogo e discursos “menos incendiários” para pôr fim à crise pós-eleitoral em Moçambique, referindo que o Presidente da República, Daniel Chapo, tem responsabilidades acrescidas, além da responsabilidade de chamar Mondlane à mesa de negociação. “O importante é baixar a temperatura e para baixar a temperatura é preciso diálogo, é preciso discursos menos incendiários e o Presidente da República tem responsabilidades, sendo ele a governar, é dele que se espera a iniciativa para resolver isto”, referiu.

Para João Feijó, o ex-candidato presidencial é visto como um “messias” e o povo segue-o “de uma forma cega”, considerando, por isso, que ao excluí-lo do diálogo “estão a exaltá-lo perante o povo” e estão a dar-lhe “mais prisma e mais força”. “É preciso incluí-lo nessa mesa de negociações, não há como não incluir. Tem de ser acarinhado se é que queremos serenar os ânimos deste país”, afirmou o analista.

“Nós achamos, honestamente, que não são aquelas figuras que estão ali com o Presidente Chapo, na mesa do diálogo, que vão resolver os problemas do país. As pessoas olham para Venâncio Mondlane como o representante delas, o povo está a olhar para Venâncio Mondlane como o seu legítimo representante, portanto, excluir também Venâncio Mondlane do diálogo não me parece que nós possamos conseguir a paz em Moçambique”, disse André Mulungo, jornalista e editor no Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) de Moçambique.

Mulungo defende um diálogo “genuíno, sem armadilhas e o mais inclusivo possível” para o fim da crise pós-eleitoral, com a participação também da academia, organizações da sociedade civil e líderes religiosos, além dos partidos políticos que já têm estado na mesa de conversações.

“O Presidente Chapo diz que quer a independência económica de Moçambique, quer desenvolver o país, [mas] não se desenvolve nenhuma sociedade num cenário de instabilidade, de guerra, como está a acontecer em Moçambique neste momento”, referiu o analista, considerando “pouco inteligente” adiar o diálogo.

Os analistas convergem no alerta para incertezas, insegurança, caos e destruição da economia moçambicana caso prevaleçam os protestos no país, pedindo, além do diálogo, reformas para aliviar o custo de vida em Moçambique.

“Adiar o diálogo genuíno e inclusivo significa continuarmos a caminhar na incerteza, com um risco real de nós voltarmos para uma guerra civil”, concluiu Mulungo.

Moçambique vive desde Outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais de 9 de Outubro, que deram vitória a Daniel Chapo. Actualmente, os protestos, agora em pequena escala, têm estado a ocorrer em diferentes pontos do país e, além da contestação aos resultados, os populares queixam-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.

Desde Outubro, pelo menos 353 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 3500 feridos durante os protestos, de acordo com a plataforma eleitoral Decide, organização não-governamental que acompanha os processos eleitorais. O Governo moçambicano confirmou pelo menos 80 óbitos, além da destruição de 1677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias, durante as manifestações. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Moçambique - Sociedade civil quer que Presidente declare publicamente os seus bens

 A sociedade civil moçambicana quer que o chefe de Estado, Daniel Chapo, declare publicamente os seus bens patrimoniais. O Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) é uma das organizações que faz essa exigência, não só a Daniel Chapo, como também a toda a sua equipa.



Segundo André Mulungo, do CDD, “a experiência em Moçambique mostra que as pessoas que assumem um determinado cargo público entram numa situação e saem noutra”. “Obviamente que no património dessa pessoa há uma evolução”, diz.

O responsável do CDD dá exemplos: “A família presidencial do Presidente Nyusi multiplicou o número de empresas enquanto ele esteve na direcção do país. Então, a importância [da declaração de bens é vital] para saber com que meios é que se multiplicou a riqueza da família presidencial”.

Mulungo entende que as declarações de bens podem acabar com o enriquecimento ilícito dos dirigentes a vários níveis no país. Também os ministros, diz, “entram com um determinado número de bens e saem com esse património dez vezes mais daquele que tinham quando subiram ao poder”.

Daniel Chapo, antigo governador de Inhambane, “não tem um passado sujo sob o ponto de vista da corrupção”. Aos olhos de André Mulungo, este é um factor que o Presidente deve saber aproveitar.

“É importante que o Presidente Chapo (…) quebre esse passado sinistro [da governação anterior]. E a única forma de quebrar é apresentar publicamente todo o seu património, dos seus ministros e secretários de Estado. E que haja um acompanhamento do seu mandato para, no fim, ele nos dizer o que tem”, disse.

Também em declarações à DW, Jamilo Antumane Atibo, analista e jurista, lembra que a declaração de bens é de lei e o chefe de Estado tem de a ceder para servir de exemplo. “Trata-se de uma lei e dessa lei ninguém está isento. A lei é abrangente a todos os servidores públicos, inclusive o próprio Presidente da República. Ele diz que está, e ou quer combater a corrupção, mas ainda não entregou a declarações de bens. Um líder exemplar devia servir de exemplo para a nação”, nota.

Desde o discurso de tomada de posse até aos demais que já proferiu em várias ocasiões, Chapo prometeu combater fortemente a corrupção. Mas Mulungo considera que esta é uma missão quase impossível.

“Tenho dúvidas de que o Presidente Chapo vai, de facto, combater a corrupção. A primeira razão para esse meu cepticismo é que ele é secretário-geral da FRELIMO e o processo interno da sua eleição foi corrupto. As eleições passadas foram corruptas, e a questão que se coloca é: como é que um indivíduo que chega ao poder por meio de corrupção, a pode combater? Tenho dúvidas em relação a isso”, disse Mulungo.

Jamilo Atibo é da mesma opinião: “A corrupção em si já foi sistematizada, torna difícil porque isso implica um trabalho duro, então quem está em condições de fazer isso? Simplesmente isso só poderia ser possível com separação de poderes”, avançou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Deutsche Welle”

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Moçambique - Portagens polémicas voltam a incendiar ruas na cidade de Maputo

 A província de Maputo voltou a ser palco de protestos violentos na manhã de quinta-feira. O recomeço da cobrança de taxas na polémica portagem da concessionária sul-africana Trans African Concessions (TRAC), entre as cidades de Maputo e Matola, levou os cidadãos às ruas, resultando no bloqueio das principais vias de acesso à capital.

Manifestantes utilizaram barricadas, pneus incendiados e veículos atravessados nas estradas para interromper o tráfego, numa demonstração de descontentamento com a medida.

Em entrevista à DW, o analista político Xavier Nhanala afirma que a resposta popular veio confirmar as suspeitas de que a paz ainda não é uma realidade em Moçambique e que os protestos reflectem o descontentamento crescente do povo com medidas que considera injustas e com uma governação marcada pela falta de diálogo e transparência.

Deutsche Wwll (DW): Como descreveria o ambiente nas primeiras horas desta manhã nas imediações da portagem de Maputo? Quais foram os sinais iniciais de que os protestos seriam inevitáveis? 

Xavier Nhanala (XN): Passei pela portagem da TRAC, eram pontualmente 5 horas e 57 minutos, em direcção a Boane. Enquanto passava por ali, obviamente bem antes mesmo de chegar ali, estava na zona da Maquinag. O que procurei fazer foi prestar muita atenção, perceber se era possível passar, se havia escaramuças ou não, porque esta é uma coisa que já prevíamos que pudesse acontecer.

A situação estava aparentemente calma, mas na portagem mesmo havia um contingente policial. A polícia da UIR estava lá a preparar-se, obviamente, para começarem com as cobranças na portagem. Mas, eu passei, antes mesmo de começarem a cobrar. Pelas 12 horas, vi que já estavam a cobrar. Acho que levaram uns 30 minutos a cobrar. Aquela população ao redor da portagem, Casa Branca-Trevo e Maquinag começou a arremessar pedras e a queimar pneus. Pelo menos é assim que este povo tem se manifestado quando o seu apelo não é ouvido.

DW: Esta é a confirmação do que se suspeitava: que a paz que se vive no momento é uma paz frágil? 

XN: Pois, é uma paz frágil e aparente, porque a verdade é que não estamos em paz. Não estamos em paz. O que acontece é que as pessoas estão a circular de forma normal, mas no seio de cada moçambicano há uma dor muito enorme. Primeiro, por estar diante de um Governo que já nasce morto. A própria investidura do actual Presidente da República foi um autêntico fiasco, enquanto tomava posse, havia pessoas a morrer, pessoas a serem esbofeteadas pela Polícia da República.

E a situação que vivemos neste momento é essa: é uma paz aparente. Eu quero acreditar que a TRAC também estava mesmo a experimentar, para ver o que podia acontecer, porque não demorou e logo cancelou as portagens. É uma situação que já prevíamos e sempre dissemos que Moçambique nunca mais seria o mesmo diante desta situação pós-eleitoral que nós estamos aqui a viver.

DW: Está claro para todos que o povo moçambicano “abriu o olho”, como se diz na linguagem popular. Este caso de hoje confirma que o moçambicano nunca mais se vai conformar com aquilo que considera injusto na governação? 

XN: Nunca mais, nunca mais. O povo moçambicano nunca mais vai se vergar diante desta situação. E pior: antes mesmo desta situação toda, o autoproclamado presidente do povo, Venâncio Mondlane, já havia feito uma reportagem, bem mesmo ali na ponte, depois da portagem da TRAC, a dizer que a TRAC queria que se pagasse aquela portagem por 30 anos, mas, em menos de cinco anos, a amortização já estava totalmente paga.

Então, essas cobranças que estão a acontecer neste momento são ilícitas e nós não sabemos se realmente vão para a TRAC ou para o bolso de alguém, não entendemos. E também como é que a TRAC aparece a dizer que vai continuar a fazer as cobranças, se em nenhum momento disse que estava parada sem fazer as cobranças? Esta é a questão que mais girava em torno das redes sociais.

Voltou-se a ouvir o hino nas ruas de Maputo

O hino de Moçambique voltou a ser entoado por centenas de populares em diferentes ruas do centro de Maputo, em resposta ao apelo do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, terminando ao fim de 15 minutos, sem incidentes. Entre a avenida Guerra Popular e a baixa da cidade, vários grupos juntaram-se, à hora prevista – 13:00 locais e, de mãos dadas, com bandeiras, vuvuzelas e apitos, cantaram o hino, pacificamente, perante um trânsito bloqueado, durante 15 minutos, uma forma de contestação que marcou os protestos pós-eleitorais sobretudo em Dezembro. “Venâncio Mondlane indicou-nos para cantar o hino nacional todas as sextas-feiras”, explicou, enquanto Filipe Alberto, que repetidamente cantou o hino durante os 15 minutos, acrescentava: “É sobre o país, está muito mal (…) roubaram os votos”. E enquanto os restantes alternavam o hino com buzinadelas e tudo o mais que fizesse barulho, Filipe Alberto acrescentava: “Se não entregarem, isto aqui nunca vai parar”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com Nádia Issufo “Agência Deutshe Welle”

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Moçambique - ao que nos levou o fracasso do Estado Social...

 

Moçambique está a viver um período que pode influenciar a transformação social e política. Ao que tudo indica haverá um país antes e um depois de 23 de Dezembro de 2024. Na verdade, a viragem terá se verificado com a morte do rapper Azagaia, a 9 de Março de 2023 que mobilizou vários extratos sociais e principalmente a juventude urbana, esta que agora lidera a contestação do processo eleitoral e, por conseguinte, por um Estado Social.

Basta recordarmos o cenário vivido no velório do músico, a 15 de Março, com a cidade de Maputo praticamente paralisada com as pessoas a fazerem o cortejo fúnebre, desde a Praça da Independência até ao Cemitério de Michafutene. E ao longo do trajecto que embora forçado pelas autoridades que impediram que o corpo seguisse pela Julius Nyerere, supostamente por ser uma zona sensível, por a Presidência da República estar naquela avenida, as pessoas iam ficando paralisadas, prostrando-se ao corpo de Azagaia que, entretanto, desfilava a Avenida de Moçambique, a maior do país, com direito a escolta policial como se de um alto dirigente se tratasse ou… um criminoso

Basta recordarmos depois das manifestações que ocorreram sobre a égide da música "povo no poder" e a mensagem da liberdade de expressão, no dia 18 de Março, que culminou com o uso de força excessiva da polícia sobre os manifestantes, com cães, gás lacrimogêneo, porrada e balas, uma das quais que tirou os olhos direitos a Inocêncio Manhique e Marcos Amélia.

Assim nascia o que passou a ser chamada Geração 18 de Março (2023), em meu entender, não só pelo sucedido nessa data, mas em paralelo com a Geração 8 de Março (1976), quando um grupo de jovens foi enviado para o estrangeiro numa missão estudantil que formaria os primeiros quadros para actuar em várias frentes do Estado Moçambicano que então se fundava após a independência.

Só depois emerge Venâncio Mondlane e todo este movimento que assistimos hoje. Antes houve a novela das eleições autárquicas de Outubro de 2023, onde depois de registo de fraude documentada, Mondlane iniciou uma onda de protestos que também paralisaram a cidade capital, com a repreensão de costume.

Que VM7, como se apelida, é um homem carismático, que não vem da tradicional política já se sabia. Mas é preciso reconhecer que a onda de insatisfação sobre os dois maiores partidos que sempre disputaram o poder entre si, era grande e gerou uma espécie de pacto da população, em que votaria em qualquer um que não fosse desses dois partidos. VM7 leu o cenário e emergiu em meio ao caos político. E o grito unificador passou a ser precisamente o que foi cantado por Azagaia, este que se inspirou em Samora Machel: Povo no Poder. A esse slogan, aplicou-se-lhe o sentido de pertença e amor à pátria: Este país é nosso. Coincidência, talvez, com um adágio popular Maconde xilambo axi xettu.

Feito o rescaldo, podemos escutar as vozes na rua e concluir que há muito que estas manifestações deixaram de ser unicamente sobre os resultados das eleições presidenciais, legislativas e para governadores provinciais. As muitas vozes que andam nas ruas reclamam um pouco de tudo, de Rovuma ao Maputo, o que podemos resumir em dois aspectos: a qualidade dos políticos e a efectivação de um Estado Social. É no último aspecto que se pensa ainda mais o fardo.

Há muito que se sente que o Estado se distanciou das suas responsabilidades com a população, sobretudo a mais pobre e vulnerável. E engana-se quem pensa que os governantes não se aperceberam disso. Basta contarmos o número de vezes que se viu o Presidente da República a abrir torneiras com direito a fitas decorativas, champanhe e uma cobertura mediática em cadeia nacional. Um país em que abrir fontes de abastecimento de água faz manchete diz muito da sua realidade. Há problemas sérios no acesso a serviços básicos, as pessoas têm de meter os pés nos rios, ceifar excrementos de animais e tirar água para beber; as pessoas têm de percorrer quilómetros para ter acesso a serviços de saúde, sendo que estes, na sua maioria, funcionam no horário normal de expediente nas repartições de Estado, das 7h30 às 15h30, e quase sempre faltam medicamentos; a electricidade para todos é uma miragem; a educação tem se resumido ao debate sobre salas de aulas (que são árvores), o livro escolar que nunca chega – e se chega tem erros graves – e a falta de pagamento aos professores. Podemos parar por aqui porque a lista é extensa.

Ora, se a rede hospitalar pública não chega para todos, sobretudo os mais necessitados, e tem a limitação horária dos gabinetes dos ministérios, o que acontece com quem ousa ficar doente fora das horas? Fora dos centros urbanos grande parte da responsabilidade fica para os saberes tradicionais, dos curandeiros e das pessoas vividas, que foram aprendendo a curar enfermidades através de ervas, com seus avós, suas mães e anciãos. Na cidade, a tarefa fica com as farmácias onde só dizemos o que sentimos e empurram-nos para uma medicação conveniente. E quando essas alternativas falham, agrava-se o estado de saúde, e vamos na boleia de uma camioneta para os hospitais centrais ou gerais, percorrendo quilómetros em estradas de terra batida ou com buracos assassinos, morrer é o caminho menos tortuoso.

A Educação vai caindo em desgraça. O ensino público, principalmente o nível básico (1a a 6a classe) foi se afundando ano após ano. Nos últimos anos apenas escalamos o cúmulo da desolação. Se por um lado parece ter-se vencido o desafio de quase em cada bairro ou aldeia ter uma escola primária, não se pode dizer o mesmo sobre a aprendizagem, o livro escolar e a infraestrutura. Antes utilizei uma afirmação de Ungulani Ba Ka Khosa, que para além de um grande escritor foi professor em tempos do socialismo, que se refere ao estado da educação pelo que se vê e escuta no discurso do governo – construção de salas de aulas. Mas vamos ao verdadeiro problema: a escola pública deixou de ensinar com qualidade em grande parte do país; os professores já andavam desmotivados pelas condições de trabalho, mas o circo melhorou com a falta de materiais de apoio para o aluno; o livro escolar que quase sempre não chega para todos e, de repente, nos últimos dois anos chegou no meio do ano (em 2024 foi distribuído no último trimestre do ano lectivo). O livro sempre tem erros graves. Entretanto a educação avança, com construções de salas de aulas que nas chuvas seguintes vão logo abaixo, com os alunos no seu normalíssimo relento. As consequências imediatas e que directamente são associadas ao mau processo de formação são as admissões nas universidades ou ainda, cada vez mais recorrente, admite-se mesmo assim os estudantes com dificuldades e depois o problema vai se ver lá para a frente. Foi notícia em 2021 a reprovação em massa de candidatos a magistrados, no Centro de Formação Jurídica e Judiciária.

Os males que resultam da má Educação e nada focada no Desenvolvimento Humano, aliado a uma governação reactiva, andam à vista de todos. Quando chega a época chuvosa e eclode a cólera em muitas comunidades acredita-se que os produtos usados para purificar a água é que causam a doença. Pois é, a população sempre partilhou a água com os animais ou retiram a água dos poços, do nada elas vêem pessoas a vir das cidades, deixadas nas sedes dos distritos de viaturas de alta cilindrada, com detergentes para meter na sua água. E depois a cólera simplesmente não acaba e as pessoas continuam a adoecer.

Ir ao lar continua a ser a maior oportunidade de singrar na vida para as famílias, com as raparigas a terem de entrar no jogo do prestígio de toda a rede familiar, engravidando e casando cedo.

Os rapazes continuam a ver oportunidades nas ruas, às vezes em actividades criminosas. Mesmo formados e capacitados, as oportunidades de emprego são escassas ou precárias, até para os que veem as multinacionais a instalarem-se nos seus distritos. Muitos foram os que migraram para Maputo na ilusão de que as coisas sejam melhores aí, mas depararam-se com uma precariedade que está em níveis tão escandalosos como os ricos e endinheirados em 24 horas, que se exibem nas redes sociais e nas avenidas. Pensemos nas pessoas que armaram barricadas e cobraram uma taxa para passagem, e lembremos dos homens que se sobrepõem às autoridades municipais na cidade e cobram também pelo estacionamento e guarnição das viaturas? Sabemos todos o que acontece com quem ousa desafiá-los, mas preferimos fingir que damos-lhes os 10 meticais como uma contribuição para as suas vidas miseráveis ou por uma troca de serviços sem termos e condições nem direito a recusa.

E não é que tinha dado nas modas ver jovens e adultos a exigir a sua «parte» do país ou a pedir as «chaves» para abandonar o país à procura de oportunidades no estrangeiro, num tom claro de não vislumbre de um horizonte e perspectiva de vida nas condições sociais actuais, mas também da frustração com as lideranças políticas, muitas vezes falaciosas, pouco dadas a cumprir com as promessas.

Em suma, assistiu-se a um Estado Social falhado, onde as diferenças foram crescendo a olhos vistos, sem um atendimento adequado a quem vivem com maiores carências, sem proteger os cidadãos, muito menos promover a igualdade de oportunidades para todos.

No meio disso, as igrejas foram se multiplicando, sendo as instituições mais presentes no país, em terra, na televisão e nas redes sociais. Elas passaram a expor-se como o alento e a esperança das pessoas. Expulsam demônios, purificam as almas e mostram a luz no fundo do túnel. Curam as doenças espirituais e a dor física, com as suas poções mágicas e orações que não cessam de dia e de noite. Nas cidades o cenário é pior, há leilões de arrendamentos de cúbicos entre a igreja e a barraca, como na luta titânica entre o diabo – álcool, drogas – e os anjos – a palavra dos pastores e profetas. Os cultos são de hora em hora, mais as horas extras que os pastores(as) fazem acompanhando a vida privada dos fiéis, que contam-lhes tudo e mais alguma coisa do que lhes acontece. O emprego, os negócios, a saúde, a segurança (pois que com Deus não há mal que vença), as relações amorosas, a procriação, e em tudo, passou-se a confiar à “mão de Deus”. E, claro, tudo isso contando que se entregue a décima parte de rendimentos que as pessoas mal conseguem ter.

A igreja ocupa espaços do território moçambicano que nem o Estado alcança, fazendo elas, o que muitas vezes devia ser o outro a fazer. O verdadeiro poder, hoje, está no “evangelho” e “profecias” que, por exemplo, no que a escola ensina e no tratamento hospital. Hoje, as histórias de sucesso são contadas em programas de televisão, pois as igrejas são os melhores clientes das emissoras, com testemunhos de pessoas que abandonaram tratamentos que “não resultavam” pelo poder do “espírito santo” ou então prosperaram nos negócios, tiveram empregos, resolveram situações complicadíssimas, injustiças ou feitiçaria, problemas em conceber e as tradições dos cônjuges.

Pois, mais uma vez, não tenhamos ilusões, também isso os políticos e governantes sabem, basta ver que todos vão às igrejas para pedir voto e receber o poder do "espírito santo" para alcançar o poder sobre o povo e governar. Não é à toa que a imagem da veneranda juíza presidente do Conselho Constitucional “viralizou” nas redes sociais quando colocada no contexto das vésperas da proclamação dos resultados das últimas eleições, como se de uma decisão entre o bem e o mal, se tratasse. Escusado será fazer menção que os últimos presidentes da Comissão Nacional de Eleições eram líderes religiosos. Mais ainda, organizações religiosas fazem observação eleitoral. E porque sempre vale a pena, podemos recorrer ao próprio governo que está a cessar as funções que têm um Ministério da Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais, será para garantir a laicidade do Estado?

E no meio disso tudo percebemos que, de facto, quem tem fé não está errado, parece que vai precisar-se de um autêntico milagre para que saiamos da encruzilhada em que estamos ou da coragem dos homens de bem para que não seja a sorte a ditar a nossa sina. Certo é que o próximo ciclo de governação carrega o grande peso de descer às profundezas dos problemas e fazer uma abordagem que não seja sob pressão de cortar fitas, fazer fotos e “postar” nas redes sociais para o povo ver que fez. Sobre o que fazer, as ideias vêm de todos os lados e este é o momento de se ver com os olhos de ver.

Para não fugir a regra da piada facebookiana que nos retira o direito à reflexão, P.S: isto não é sobre igrejas. Eduardo Quive – Moçambique in “O Pais”

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Moçambique - Milhares de pessoas fogem para o Malawi

 Segundo fontes governamentais, cerca de 13.000 pessoas atravessaram a fronteira para o Malawi desde o dia em que o Conselho Constitucional anunciou os resultados finais das eleições de 9 de Outubro que dão vitória ao partido Frelimo e ao seu candidato presidencial Daniel Chapo. O anúncio desencadeou uma semana de protestos particularmente violenta, marcada por incidentes de vandalismo, barricadas e pilhagens.

Segundo as autoridades, a maior parte das pessoas cruzaram o sul do Malawi, muitas delas atravessando rios para escapar à agitação.

Dominic Mwandira, comissário para o distrito fronteiriço de Nsanje, no sul do Malawi, disse que cerca de 2500 famílias tinham chegado até à data, alertando para o facto de o número poder vir a aumentar.

“Cerca de 11.000 pessoas atravessaram o rio Shire para entrar no Malawi, enquanto outras 2000 atravessaram o rio Ruo”, especificou.

Vários ministérios do Governo foram postos em alerta e os requerentes de asilo estão a ser alojados em vários locais temporários, acrescentou.

Sob condição de anonimato, um funcionário da agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR) já fala em situação de emergência. “Dada a complexidade da situação, ainda não verificámos o número exacto de chegadas. Os esforços de registo começaram no domingo e teremos uma ideia mais clara quando este processo estiver concluído”, disse.

“Poderemos então avaliar a forma de os encaminhar para um alojamento mais permanente”, acrescentou a fonte da ACNUR.

Entretanto, o pequeno Reino de Essuatíni, a sul de Moçambique, registou um afluxo de mais de 350 moçambicanos esta semana, disse o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Pholile Shakantu. O número total de chegadas de moçambicanos desde o início dos protestos contra os resultados eleitorais aumenta assim para 500, acrescentou.

“Os nossos braços estão abertos enquanto país… Queremos tranquilizar e reafirmar o nosso compromisso como país para ajudar os nossos vizinhos de Moçambique”, disse o ministro.

Destruídas dezenas de viaturas da saúde e artigos médicos

“Nós temos até agora mais de 77 viaturas entre vandalizadas e destruídas e destas pelo menos 55 estavam na central de abastecimento e inclui viaturas novas que ainda deviam ser distribuídas pelo país”, disse o ministro da Saúde, Armindo Tiago, em declarações à comunicação social.

O responsável, que falava durante uma visita a unidades hospitalares da cidade de Maputo, revelou que um dos armazéns do centro de abastecimento de medicamentos incendiado em Maputo por manifestantes após a proclamação dos resultados pelo Conselho Constitucional continha medicamentos avaliados em 5 milhões de dólares.

“Roupa hospitalar estava lá, compramos roupa hospitalar para 70 mil funcionários do Serviço Nacional de Saúde, que inclui sapatos medicinais, batas, calças, luvas, tudo estava lá e só isso está avaliado em 10 milhões de dólares, incluindo o chamado material necessário para fazer gessos em bruto”, disse Armindo Tiago, referindo-se a outros materiais hospitalares perdidos na sequência do incêndio.

O governante disse que Moçambique precisará de pelo menos dois anos para recuperar dos impactos dos actos de vandalismo e destruições no sector da saúde, destacando que levará pelo menos um ano para conseguir requisitar e receber os materiais médicos incendiados no centro de abastecimento de medicamentos.

“Mas o maior problema é que aquele é um armazém – nós também temos produtos que hão de chegar -, como ele está destruído, neste momento teremos de encontrar alternativas para colocar os equipamentos, produtos médicos que chegam ao país”, apontou Armindo Tiago. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Deutsche Welle” e “Lusa”

sábado, 7 de dezembro de 2024

Moçambique – Filósofo Severino Ngoenha considera que o país pode deixar de ser uma nação

 O filósofo Severino Ngoenha defende que os resultados que serão proclamados pelo Conselho Constitucional vão fragmentar o país. Ngoenha diz que qualquer resultado vai servir “como um fósforo”, que pode piorar a situação do país. 

Em entrevista ao Jornal O País, Severino Ngoenha disse que Moçambique está em perigo iminente de fragmentação. 

“A polarização está no mais alto nível. Moçambique voltou a ser um país onde a questão tribal e regional está no centro de preocupações de todos. Moçambique voltou a ser um país racista. São todos ingredientes para pôr em perigo a nossa existência como país e como nação”, disse o filósofo.

Para Ngoenha, os resultados que serão proclamados, no dia 23, pelo Conselho Constitucional, podem piorar a situação do país. “Estes resultados finais que serão proclamados, ganhe um candidato ou ganhe o outro, vão ser um fósforo, que vai acender o petróleo (…). De facto, o país será fragmentado”.  

Ngoenha não parou por aí, explicou que o presidente que será proclamado, independentemente de quem for, não terá legitimidade suficiente para governar o país e “levar os moçambicanos para o desenvolvimento”. 

O académico diz que é preciso que o país saia da situação de dependência em relação a outros países. E a única maneira de o fazer é com um Governo legítimo, capaz de unir o povo. 

“Somos um país pobre. Não, miserável. Não conseguimos dar de comer às nossas populações. Nós não temos escolas em condições. Nós não temos medicamentos nos hospitais. Somos um país assistido que vive da boa vontade de outros. Apesar de nos chamarmos independentes, somos um país que depende de outros. Temos de sair desta situação. E para sair desta situação temos de ter um Governo legítimo, capaz de congregar a todos, de unir todos”, explicou.

Severino Ngoenha apelou a todos os moçambicanos para que tenham uma atitude responsável e um acordo antes da proclamação dos resultados. 

“Um acordo de bravos, quer dizer, não em que há derrotados e vencedores, mas que haja só um vencedor, o povo moçambicano e a unidade do nosso país. Para isso, é preciso que cada um meta um pouco de água no seu próprio vinho.  É importante que cada um tempere as suas ambições. É preciso que cada um esteja pronto a ceder, para encontrarmos uma plataforma comum, na qual nos podemos congregar como moçambicanos, para sairmos da situação que nos encontramos”.

O filósofo apela também a menos rigidez, mais abertura, mais predisposição e mais plataformas de diálogo a quem é de direito. 

Severino Ngoenha condenou algumas atitudes que têm caracterizado as manifestações, dizendo que os bandidos estão a aproveitar-se da situação para fazer desmandos. 

“Queimar carros, queimar infra-estruturas que precisamos, queimar tribunais, tirar linhas férreas, destruir infra-estruturas necessárias é fazer o país voltar para trás, é fazer com que mesmo aquele que venha a governar amanhã, independentemente de quem ele seja, não tenha condições para oferecer aquilo que o país precisa, sobretudo para os mais pobres”.

Ngoenha disse não haver nenhuma razão para querer que o presidente Nyusi fique no poder por mais dois anos. “Não há nenhuma razão para mandar parar a revolução, as modificações, as reformas do nosso país têm que continuar (…) Temos falado muito, eu, pessoalmente, sobre muitos desmandos para uma sociedade democrática, aberta e inclusiva, que Moçambique tem demonstrado. Não queremos favorecer nada nem ninguém”, concluiu. Eugénia Arnaldo – Moçambique in “O País”