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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Também no jornal Público: "Por um Museu da Lusofonia"



Como era fácil de adivinhar, a proposta da Câmara Municipal de Lisboa de criar um “Museu das Descobertas” (ou “da Descoberta”) fez ressurgir uma série de lugares-comuns relativos à história da colonização portuguesa, que parecem resistir a toda a crítica, por mais que se comprove a sua falta de fundamento. De forma mais ou menos expressa, parte-se sempre desta premissa: antes dos portugueses chegarem a África ou à América, esses territórios eram uma espécie de paraíso terrestre, que, obviamente, os portugueses tornaram num inferno. Nesta visão tão grosseira quanto falsa, de um lado temos pois os portugueses (por extensão, todos os europeus) como “ontologicamente agressores” e, do outro, os africanos e os americanos como “ontologicamente vítimas”. Sendo que quem questiona esta visão só pode ter, claro está, um olhar eurocêntrico.
“Impedidos” que estamos de citar um historiador europeu, citemos então um historiador brasileiro, assumidamente “de esquerda” e particularmente insuspeito de qualquer espécie de “eurocentrismo”, que reencontrámos em Maio deste ano num Congresso decorrido no Brasil, na cidade de Mariana: Paulo Margutti, autor da monumental obra “História da Filosofia no Brasil” (São Paulo, Ed. Loyola, 2013). O que nos diz ele de África antes da chegada dos portugueses e do alegado início do inferno da escravatura? Literalmente, isto: “De um modo geral, os costumes dos negros facilitavam grandemente a escravidão, uma vez que essa constituía a penalidade imposta entre eles para diversos delitos. Além disso, os pais podiam vender os filhos, o rei podia escravizar os seus súditos e grande parte dos membros de uma tribo derrotada em guerra estavam submetidos ao cativeiro” (p. 191).
E quanto ao alegado paraíso que era a América do Sul antes da chegada de Pedro Álvares Cabral? Ouçamos uma vez mais o insigne académico brasileiro: “Cada tribo tupi vivia em guerra permanente com os vizinhos, qualquer que fosse a sua matriz cultural. Quando essa matriz era diferente, as lutas eram motivadas por disputas territoriais. Quando a matriz era a mesma, as lutas eram motivadas por uma visão de mundo culturalmente condicionada, que envolvia expedições guerreiras com o objetivo de capturar prisioneiros para a realização de rituais antropofágicos (…). A fama de um homem dependia de quantos inimigos já tinha capturado ou executado, acumulando assim novos nomes. Isso está ligado à ideia de que só os corajosos tinham acesso ao paraíso, ficando as almas dos covardes condenadas a vagar pela terra, acompanhadas pelos demônios. Uma vida de valor caracterizava-se fundamentalmente pela vingança obtida graças à execução dos inimigos, fosse em combate, fosse em rituais antropofágicos” (pp. 180-181).
*
Bem sabemos que estas evidências históricas em nada põem em causa as certezas de quem insiste que, “de facto”, antes dos portugueses chegarem a África ou à América, esses territórios eram uma espécie de paraíso terrestre, que, obviamente, os portugueses tornaram num inferno. Como “certezas metafísicas”, elas são absolutamente intangíveis a todo e qualquer argumento.
Esperamos, porém, que o futuro “Museu das Descobertas” (ou “da Descoberta”) não seja estruturado a partir dessa visão completamente enviesada do colonialismo e da escravatura. Caso se queira salientar esta questão, então que se conte a história toda: quanto à escravatura, os povos europeus não foram apenas agressores, foram também vítimas (pois que a história da Europa foi, também ela, violenta); e os restantes povos do mundo não foram apenas vítimas, foram também agressores. Infelizmente, a escravatura foi uma constante na história da humanidade até há poucos séculos, em todos os continentes, sem excepção.
Mais do que o nome do futuro Museu, o que nos preocupa são pois os conteúdos que serão apresentados e a forma como tais conteúdos serão apresentados. Se prevalecer essa visão completamente enviesada do colonialismo e da escravatura, então o melhor, no limite, é que não se faça o Museu. Assim, pelo menos, essa visão completamente enviesada do colonialismo e da escravatura não terá a caução do Estado Português, ainda que por via da Câmara Municipal de Lisboa.
Esperamos, ainda assim, que o bom senso prevaleça e que o Museu se faça. Com o nome de “Museu das Descobertas”, “da Descoberta”, ou, como preferiríamos, “da Lusofonia”. No século XXI, este é, a nosso ver, o nome que mais sentido faz, porque é isso o que, no século XXI, resultou de toda essa história: a Lusofonia. Por mais controversa e traumática que continue a ser essa história, sobre o que dela resultou não nos parece haver espaço para contestação. Mesmo aqueles que consideram que, no essencial, a história da expansão marítima portuguesa foi uma história de pilhagem e devastação, não podem deixar de reconhecer a difusão da nossa língua à escala global.
Difusão que permanece e que se acentuará, neste século XXI. Como tem sido antecipado, o número de falantes da língua portuguesa irá continuar a crescer de forma significativa (excepto, ironia das ironias, em Portugal). O nome de “Museu da Lusofonia” teria pois essa vantagem: mais do que nos reenviar para o passado, projecta-nos no nosso futuro comum. Sem escamotearmos esse passado e todos os crimes, à luz dos valores de hoje, que então se cometeram, olhemos pois sobretudo para o futuro. O “Museu da Lusofonia” deveria ter esse enfoque, assim promovendo, hoje (felizmente) numa base de liberdade e de fraternidade, a relação entre todos os povos de língua portuguesa.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org

Fotos da Sessão MIL-NOVA ÁGUIA na Sociedade de Geografia (28.03.2018)


Fotos de Luís de Barreiros Tavares

O Livro do MIL, já na sua terceira edição...

Edição revista e aumentada - para encomendar:
info@movimentolusofono.org

O MIL, a(s) Esquerda(s) e a(s) Direitas(s)...



José Pedro Zuquete, in Ideias e Percursos das Direitas Portuguesas, coord. de Riccardo Marchi, Lisboa, Texto Editora, 2014, p. 420.

"Agostinho da Silva - Ele Próprio" - Filmado por António Escudeiro - Edições Zéfiro - Nova edição na íntegra num só vídeo



domingo, 24 de junho de 2018

Repensando o ateísmo


Há um vício tipicamente filosófico que consiste em procurar um sentido para tudo, mesmo quando não há sentido algum. É o que acontece, por exemplo, com alguns críticos de arte contemporânea. Perante o “vazio”, nalguns casos assumido pelos próprios criadores, conseguem sempre encontrar grandes sentidos ocultos, num delírio sobre-interpretativo sem fim. Se esse é um vício que importa combater, pior ainda é, porém, o vício anti-filosófico de não procurar compreender, condenando à partida... Vem a esta breve provocação/ reflexão preambular a propósito do pensamento do galego Andrés Torres Queiruga, que, precisamente, na sua obra procura compreender, não condenando à partida o que, enquanto teólogo, teria, dir-se-ia, todo o direito a condenar: o ateísmo. Atentemos, por exemplo, na sua obra “Creio Em Deus Pai” (Paulus Editora, 2014), desde logo nesta passagem: “O Ateísmo está unido, sem dúvida, a uma grande crise da cultura ocidental. Crise de que a religião não está ausente. Há até quem pretenda ver no abandono de Deus a causa quase única e total da crise do Ocidente. Visão claramente exagerada, porque para o surgimento do mundo moderno confluem, com toda a evidência, muitos e muito profundos factores. Isto não significa que se deva chegar à posição contrária: a de vulgarizar o facto religioso, como se Deus fosse um factor maior ou menos adjectivo que, simplesmente, se evaporou com o progresso da história ou o avanço da cultura. É óbvio que entre o todo e o nada está a evidência de que se trata de um factor muito sério a ser levado em conta, porque, para o bem e para o mal, o religioso influi de modo mais profundo na configuração da pessoa e da sociedade humana.” (p. 13).
Muito para além de pensar o ateísmo enquanto expressão da modernidade, Torres Queiruga pensa-o enquanto expressão maior do próprio cristianismo: “Não é casual que o ateísmo irreligioso seja um fenómeno tipicamente ocidental, no âmbito preciso do cristianismo. Foi este que o tornou possível. E o fez não por seus defeitos, mas por suas virtudes: exactamente por suas ideias de criação e encarnação. A criação, ao marcar a diferença radical entre Deus e o mundo, possibilitou uma progressiva e consequente dessacralização (…). A encarnação, por sua vez, nos ensinou que tudo tem valor positivo: a realidade mundana e o trabalho humano nela valem também em si mesmos e possuem densidade específica. Definitivamente, o cristianismo criou condições de possibilidade de uma concepção verdadeiramente mundana do mundo. O homem chega a descobrir-se tão autónomo e tão dono de si mesmo e de seu destino que até pode – confundindo os planos – acabar negando Deus” (pp. 19-20). De tal modo assim é que, em última instância, Torres Queiruga, reafirmando a sua condição cristã, consegue mesmo antecipar um “terreno estritamente comum em que podemos encontrar-nos com a busca mais profunda dos não-crentes” – atentemos, uma vez mais, nas suas palavras: “As reflexões anteriores não serviram unicamente para compreender melhor o ateísmo; também saiu ganhando a nossa compreensão do cristianismo (…). Se nós, cristãos, conseguirmos demonstrar, com nossa teoria e prática, que Deus é a máxima negação de toda a negação do homem, então se abrirá um terreno estritamente comum em que podemos encontrar-nos com a busca mais profunda dos não-crentes. Porque coincidimos no fundamental: a defesa do homem e de suas possibilidades (…). A modernidade é relativamente nova, e o grande mal-entendido histórico pelo qual, para muitos, Deus apareceu como inimigo do homem não vai ser eterno. Pessoalmente, não renuncio a esperar que (…) a sensibilidade moderna acabará fazendo a experiência – ou aproximando-se mais dela – de que Deus não nega o homem, mas o afirma” (pp. 38-39).
Numa carta remetida a Álvaro Ribeiro, datada de 5 de Maio de 1937, escreveu José Marinho o seguinte: “Cumpre não ignorar o sentido e o valor do ateísmo. A grandeza da civilização moderna está em permitir o desenvolvimento do ateísmo.”. Vinda de alguém como José Marinho, que reiteradamente afirmou “Deus” como “alfa e ómega de todo o ser, alfa e ómega de todo saber”, inclusivamente do saber filosófico, e que chegou mesmo, de resto, a afirmar o “problema de Deus” como o “problema central da filosofia portuguesa contemporânea”, esta afirmação parecerá, como deve ter parecido a Álvaro Ribeiro, assaz estranha. No entanto, esse ateísmo que José Marinho valoriza não é o ateísmo vulgar, o ateísmo a-filosófico ou “sem filosofia”. De modo algum. O próprio Marinho reconheceu, aliás, de forma expressa, que “sem filosofia o ateísmo facilmente degenera nas almas de pouco anseio e ideal”.
O ateísmo que José Marinho valoriza é, antes, um ateísmo filosófico, maximamente filosófico, a ponto de se confundir com o próprio “movimento da filosofia”. Nas palavras de Marinho, com efeito, “o movimento da filosofia é desabsolutizar o que não é autenticamente absoluto”, na “negação de Deus e de todo o divino enquanto é para nós”, e assim reconhecer “o autêntico”, e assim antecipar “o único verdadeiro”. É, aliás, por isso, que o “movimento da filosofia” se confunde com o que José Marinho qualifica de “ateísmo iniciático”: pois que nega, tudo nega – toda a delimitação objectual, toda a configuração ideativa, que sobre “Deus” possamos realizar ao intentarmos apreendê-lo – para mais profundamente poder afirmar: “Deus”, em si próprio, na sua absoluteidade. Eis, precisamente, o processo que Marinho descreveu em diversas passagens da sua obra.

Eis, em suma, porque valorizou José Marinho tanto o ateísmo, tendo chegado inclusivamente a considerar que “o autêntico ateísmo [precisamente este: o ‘ateísmo iniciático’] equivale à teologia mística dos últimos cumes” – daí ainda o ter-nos dito que “há ateus que não podem saber como estão perto de Deus, assim como há muitos teólogos que não podem saber quanto dele se vão distanciando”, ou que “o sério ateu é para o metafísico afirmativo o primeiro entre os seus irmãos”, daí ainda, enfim, a sua referência, fugaz mas nem por isso sem significado, à “religião do além”, à “filosofia da última cumeada”. A este respeito, atentemos ainda nestas suas palavras, particularmente sugestivas: “Situar o absoluto fora de tudo quanto existe, situá-lo, mais do que isso, fora de tudo quanto é. Pois o absoluto como insubstancial, e como substante no profundo seio e para além de tudo quanto dizemos ser, é o que nos escapa quando dizemos que é e mais profundamente confirmamos quando lhe recusamos ser.”.
Daí ainda, de resto, a valorização que José Marinho faz do ateísmo enquanto fenómeno histórico – a par do antropocentrismo e do niilismo, quais vértices de um mesmo triângulo –, o mais marcante da nossa proclamada “Modernidade”. Na medida em que – palavras suas – “a crença em Deus degenerou, arrastando consigo o próprio Deus”, o ateísmo contemporâneo acaba por ser – por poder ser – a via através da qual a humanidade purificará a sua relação com “Deus”, expurgando-a da perversa lógica antropomórfica, antropocêntrica. Eis, aliás, a “hipótese” que José Marinho equaciona, de forma expressa, em diversas passagens da sua obra – a título de exemplo, atentemos nestas: “Tudo se passa como se Deus preferisse ser negado a ser minorado em qualquer forma de antropomorfismo.”; “Deus, desde sempre, não confia na fé e no saber dos homens. Ser negado estava também nos seus desígnios.”; “Deus está mais interessado em revelar-se e ser aceite na sua Revelação do que em ser objecto de crença.” .
A ser assim, todo o trânsito da História não é senão o mesmo trânsito através do qual o homem vem a apreender “Deus” da forma mais depurada, mais próxima, “responsavelmente mais próxima”. Eis, igualmente, a “hipótese” que Marinho equacionou – ainda nas suas palavras: “...porque se tornou Deus o mais remoto para mim? A resposta é: para que eu me torne dele responsavelmente mais próximo.”. Daí, em suma, a razão da advertência de José Marinho ao seu “irmão” Álvaro Ribeiro – recordemos as suas palavras: “Cumpre não ignorar o sentido e o valor do ateísmo. A grandeza da civilização moderna está em permitir o desenvolvimento do ateísmo.”. Ainda que por ínvios caminhos, ou seja, ainda que através do ateísmo, do niilismo e do antropocentrismo, “toda a evolução do pensamento filosófico moderno – nas palavras do próprio Marinho – nos encaminha justamente para precisar de nova maneira a essencialidade do conhecimento filosófico, estabelecendo de nova maneira a relação entre filosofia e ciência, filosofia e vida, conhecer e ser”.  E eis aqui, neste repensar do ateísmo, o grande ponto de convergência que encontramos entre o teólogo galego Andrés Torres Queiruga e o filósofo português José Marinho.

Prefácio de António Braz Teixeira à "Via Lusófona III"


Na continuidade das duas anteriores colectâneas desta série, editadas em 2010 e 2015, apresenta-nos, agora, Renato Epifânio o terceiro volume de A Via Lusófona: um novo horizonte para Portugal, em que prossegue a sua persistente campanha para uma compreensão futurante do mundo de língua portuguesa e do papel que poderá desempenhar ao nível global, proposta cuja pertinência e actualidade os acontecimentos a que estamos a assistir vêm tornar mais evidentes.

Tal como os dois volumes que o precederam, este terceiro tomo de A Via Lusófona, no seu conteúdo heterogéneo – votos, breves apontamentos, reflexões, pequenos ensaios, comentários de actualidade, intervenções cívicas e culturais – e sob uma aparente ou real diversidade, vem a constituir como que uma singular forma de diário, mais cívico do que estritamente pessoal ou centrado na subjectividade do autor, ao qual se encontra subjacente uma atitude intelectual de serena e inteligente compreensão que, no entanto, não o impede de assumir, tantas vezes isoladamente ou em contra-corrente, com argumentada firmeza, as suas posições ou de expor e defender as suas teses.

Inspirado na visão de Agostinho da Silva sobre o futuro do mundo lusófono e atento à alta lição especulativa de José Marinho e ao sentido sófico da interrogação, que deve preceder e acompanhar toda a acção, Renato Epifânio, há mais de um decénio, vem dedicando, com persistente diligência e entusiasmo, a sua rara capacidade organizativa e o seu sentido de missão cívica e patriótica, ao fortalecimento dos laços espirituais, culturais, históricos e afectivos entre as diversas parcelas dispersas do mundo lusófono, da Galiza ao Brasil, do Cabo Verde a Macau, de Goa a Malaca, propugnando e agindo na via da constituição de uma futura efectiva comunidade dos povos e regiões de língua portuguesa, enriquecida, criadoramente, pela convergente e complementar diversidade das várias culturas que a integram e nela se exprimem e pensam, bem como do estabelecimento de uma cidadania lusófona que daquela seja, a um tempo, o prenúncio e o suporte.

Sabendo aliar a dimensão visionária e futurante a um lúcido sentido do real e do possível, uma invulgar capacidade de congregar inteligências e vontades e uma não menor capacidade de dar expressão literária clara e rigorosa aos seus projectos e ideias, a calma e afabilidade à convicção e firmeza, Renato Epifânio tem conseguido dividir-se, com discreta eficácia, por múltiplas iniciativas, da presidência do MIL: Movimento Internacional Lusófono à direcção e divulgação da revista NOVA ÁGUIA, da activa participação na direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira – e também enquanto membro integrado do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto – à organização de colóquios, encontros e conferências e à realização e promoção de edições.

Se as condições altamente negativas que, devido a políticos tacanhos e medíocres, nos últimos anos, foram criadas à investigação no domínio das Humanidades, e, de modo particular, no da Filosofia, têm impedido Renato Epifânio de prosseguir predominantemente por essa via, de que, no presente volume, o breve ensaio Entre ser e sentido é ilustrativo exemplo, devemos congratularmo-nos por ter sabido fazer de uma situação adversa uma possibilidade de exercitar outras das suas capacidades na tarefa, em que está profundamente comprometido, de promoção e defesa da “via lusófona” que, como ele, pensamos constituir “um novo horizonte para Portugal”, que urge demandar como primeira prioridade nacional.

Torne-se Sóci@ do MIL e receba "A Via Lusófona (I e II)" como oferta...



Para aceder às fichas de Sóci@ do MIL:

Agostinho da Silva, primeiro inspirador da CPLP...

Cármen Maciel, "A construção da Comunidade Lusófona a partir do antigo centro", Tese de Doutoramento em Sociologia, Fac. Ciências Sociais e Humanas, Univ. Nova de Lisboa, 2010 (Tese vencedora da 4ª edição do "Prémio Fernão Mendes Pinto"), Lisboa, Instituto Camões, 2015, p. 50.

Por um Monumento ao Padre António Vieira em Cabo Verde


No dia 6 de Fevereiro de 2018, dia do aniversário do Padre António Vieira (em que faria 410 anos), lançámos uma campanha internacional de angariação de apoios para a construção de um Monumento a esta personalidade maior da cultura lusófona, a ser instalada na Cidade Velha (na Ribeira Grande de Santiago), que perpetuará a sua passagem por Cabo Verde e, em particular, a sua intervenção na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, na então chamada Ribeira Grande de Santa Maria, a 22 de Dezembro de 1652, onde foi muito bem recebido – o próprio Padre António Vieira se refere à simpatia com que foi acolhido por toda a cidade” – e onde teve a oportunidade de proclamar que, na sua visão do mundo e da humanidade, não há diferença de nobreza, nem diferença de cor”.

Esta iniciativa, acolhida com entusiasmo pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, tem o Alto Patrocínio da Embaixada de Cabo Verde em Portugal e envolve uma série de entidades que promovem a ligação fraterna entre os países lusófonos – nomeadamente: o MIL: Movimento Internacional Lusófono, a UCCLA: União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e a Sphaera Mundi. Depois de ter sido recentemente inaugurada uma estátua do Padre António Vieira em Lisboa, é com o maior regozijo que estas entidades se empenham na perpetuação da memória viva desta personalidade maior da cultura lusófona em Cabo Verde. Um país, qualquer país, terá tanto mais futuro quanto mais perpetuar a memória viva dos seus maiores. O Padre António Vieira nunca foi apenas um cidadão português. Foi sempre um cidadão do mundo, um cidadão lusófono – por isso, também, um cidadão de Cabo Verde. Saudamos, por isso, todos os cidadãos cabo-verdianos por esta iniciativa.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
Para mais informações: info@movimentolusofono.org

sábado, 23 de junho de 2018

Brasil – Segundo o IBGE, 13,8 mil indústrias foram fechadas no Brasil em três anos



A crise econômica levou ao fechamento de 13,8 mil indústrias no Brasil em três anos. No mesmo período, os investimentos no setor industrial sofreram uma queda de 23,85%. É o que aponta a Pesquisa Industrial Anual Empresas (PIA-Empresas) divulgada nesta quinta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são de 2016.

De acordo com o levantamento, havia 321,2 mil indústrias ativas em 2016 no país, 4,1% a menos que em 2013, antes da crise, quando o número de empresas do setor industrial era de 335 mil. O fechamento das empresas foi mais acentuado entre 2014 e 2015, quando 10,5 mil indústrias fecharam as portas. O IBGE destacou que as indústrias de transformação representam quase a totalidade das empresas do setor - as extrativas correspondem a cerca de 2% do total de indústrias.

Segundo o IBGE, os resultados negativos do setor industrial a partir de 2014 têm relação com o cenário macroeconômico do país no período.



Menos investimento e emprego

Ainda segundo a pesquisa, entre 2013 e 2016 os investimentos no setor industrial sofreram uma queda de 23,8%. Em valores reais (deflacionados a preços de 2016), em 2013 os investimentos somaram R$ 244 bilhões, e em 2016 totalizaram R$ 185,9 bilhões.

Outra consequência do fechamento das empresas foi a redução de 1,3 milhão no número de postos de trabalho do setor industrial brasileiro. Em 2013, eram 9 milhões de empregados na indústria e em 2016 o total de empregados era de 7,7 milhões - uma queda de 14,25%.

“Comparando com 2015, as atividades que mais chamam atenção nessa questão da ocupação são: fabricação de produtos de minerais não metálicos (cimento, vidro, concreto, entre outros), fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis e a fabricação de móveis”, disse o gerente da pesquisa, Jurandir Oliveira.



As indústrias brasileiras venderam menos nesse período. A receita líquida de vendas sofreu queda de 6,5% em 3 anos, passando de R$ 3 trilhões em 2013 para R$ 2,8 trilhões em 2016, segundo o IBGE.

Vendas da indústria

Segundo o IBGE, em 2016, as atividades com as maiores participações nas vendas industriais foram: produtos alimentícios (19,9%), produtos químicos (11,1%), coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (10,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (8,5%) e metalurgia (6,2%).

O instituto destacou que, na comparação com 2015, produtos alimentícios foi o setor que mais ganhou participação nas vendas (17,4% para 19,9%). Já coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis foi a que mais perdeu (11,1% para 10,2%).

No mesmo período, desodorante foi o produto que mais subiu no ranking da indústria - passou da 146ª para a 90ª colocação. Já massa de concreto para construção foi o que mais perdeu, saindo da 36ª para 68ª posição.

Indústria Naval

A derrocada do setor petroleiro no Brasil durante a crise econômica fez com que a indústria naval tivesse a maior retração dentro do setor industrial.

Em dois anos, entre 2014 e 2016, quase metade das vagas na construção de embarcações foram fechadas no país. Neste período, o pessoal ocupado na área de caiu de 61.543 para 31.505, uma queda de 49%.

No Rio de Janeiro, a redução da mão de obra foi ainda maior no ramo naval: 74,2% dos postos de trabalho foram fechados entre 2014 e 2016, conforme destacou o IBGE. O número de pessoas ocupadas no setor caiu de 31.271 para 8.092.

O valor real bruto da produção industrial no setor naval caiu 71%, entre 2014 e 2016, passando de R$ 6,8 bilhões para R$ 1,97 bilhões.

“A gente sabe que a indústria naval teve o crescimento impulsionado, principalmente, pelas embarcações e flutuantes para a indústria do petróleo. Quando vamos observar o nível de investimento do petróleo e do refino, vemos uma queda bastante considerável de 2015 a 2016 e isso provavelmente se reflete nos novos contratos do setor naval. Podemos relacionar isso à queda da mão de obra e no próprio valor bruto da produção industrial”, explicou o gerente da pesquisa, Jurandir Oliveira. Daniel Silveira – Brasil in “G1 – Globo”