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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Também no jornal Público: Saudação ao novo Ministro da Educação do Brasil


Já tem sido mil e uma vezes denunciado (nomeadamente, por José Pacheco Pereira), mas nem por isso é excessivo insistir: os nossos “media”, em geral, tendem a noticiar sobretudo o que parece confirmar as “narrativas” que eles próprios criam. Exemplo paradigmático disso tem sido, na Europa, o fenómeno do “Brexit” – narrativa: os britânicos enganaram-se (ou foram enganados, conforme as versões); logo, noticia-se sobretudo o que pareça confirmar esse “engano”.
Sobre esse e outros fenómenos falámos longamente com o novo Ministro da Educação do Brasil, Ricardo Vélez-Rodriguez, que participou em dois eventos em Lisboa, recentemente promovidos pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, que ambos integramos: XII Colóquio Tobias Barreto, sobre “Historiografia e Hermenêutica da filosofia luso-brasileira”, e um Congresso sobre “O krausismo ibérico e latino-americano”.
Sem ilusões nem lamentações, Ricardo Vélez-Rodriguez constatou igualmente como o mesmo se tem passado com o Brasil. “Vocês não percebem o que se tem passado no Brasil” - reiterou. Chegou até a dar o seu exemplo pessoal, no que respeita ao fenómeno da (in)segurança: ele próprio esteve na iminência de ser raptado, conjuntamente com a sua filha menor, o que o levou a abandonar o Rio de Janeiro. No plano académico, deu também conta de como projectos filosóficos seus eram sistematicamente boicotados por preconceitos ideológicos.
Não admira por isso que os “media” no Brasil estejam a apresentar Ricardo Vélez-Rodriguez como “um desconhecido”. Em Portugal, pelo menos, não o deveria ser. Ricardo Vélez-Rodriguez é um dos maiores estudiosos da filosofia luso-brasileira, com vasta obra publicada. Sendo que, obviamente, por cá também (quase) ninguém o conhece… Não conseguimos antecipar como será o próximo Governo do Brasil chefiado por Jair Bolsonaro. No plano das relações com Portugal e os restantes países lusófonos, Jair Bolsonaro tem sido completamente omisso. De algo, porém, estamos certos, conhecendo, como conhecemos, Ricardo Vélez-Rodriguez: pelo menos na pasta (fundamental) da Educação, teremos alguém que muito preza as relações culturais luso-brasileiras.
Saudamo-lo, pois, fazendo-lhe desde já o seguinte repto: nos programas de História no Brasil, nos vários graus de ensino, Portugal continua a ser, por grosseiro enviesamento ideológico, mais do que diabolizado, a ponto de se sugerir, nalguns casos de forma muito pouco tácita, que tudo o que existe de mau no Brasil decorre ainda da “herança colonial portuguesa”. Fazemos pois votos para que o seu modelo de um ensino não ideologicamente enviesado leve também à desconstrução desse embuste. Como Ricardo Vélez-Rodriguez bem sabe, o Brasil só terá real futuro quando superar por inteiro esse complexo edipiano em relação a Portugal. O próprio futuro da Lusofonia disso depende. Estamos igualmente certos de que, na sua pasta, Ricardo Vélez-Rodriguez tudo fará para a promoção da convergência, a todos os níveis, entre os países de língua portuguesa.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

O Livro do MIL, já na sua terceira edição...

Edição revista e aumentada - para encomendar:
info@movimentolusofono.org

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

14 de Dezembro, mais um Debate PASC...


A FILOSOFIA COMO EXPRESSÃO DA VIDA ESPIRITUAL DUMA CULTURA


Francisco da Gama Caeiro, falecido em 1994, teve um papel marcante em vários planos. Gostaríamos aqui de salientar o seu papel na promoção de múltiplos estudos universitários sobre a tradição filosófica portuguesa – assim ajudando a pôr fim a um absurdo diferendo entre a Filosofia Portuguesa e a Universidade –, e, sobretudo, sem esquecer o seu papel na criação do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira – a instituição que, há mais de vinte anos, mais tem promovido o diálogo filosófico e cultural entre Portugal, o Brasil e o restante espaço lusófono –, o seu papel na defesa conceptual da ligação entre Filosofia, Língua, História, Geografia e Cultura. De resto, Francisco da Gama Caeiro é o autor da melhor definição de Filosofia que lemos até hoje: “a filosofia surge-nos, em concreto, como expressão da vida espiritual duma Cultura”[1].
Para tal, iremos aqui, de forma breve, reconstituir uma controvérsia, sobre a noção de “filosofia portuguesa”, entre Francisco da Gama Caeiro e Manuel Antunes[2]. Este, num ensaio intitulado “Haverá filosofias nacionais?”, desenvolveu aquela que foi até hoje, a nosso ver, a mais consistente argumentação contra o conceito de “filosofia nacional” e, nessa medida, contra a noção de “filosofia portuguesa”. Como tese, defendeu este nosso pensador que a filosofia, enquanto “ciência”, ainda que “sui generis, sem dúvida”, “do universal enquanto universal”, não pode ser “nacionalizada”, sob pena de se negar a si própria – daí a sua lapidar conclusão: “se é nacional não é filosofia e se é filosofia não é nacional”[3].
Para sustentar esta tese, procurou desconstruir os principais argumentos que sustentam a tese contrária – designadamente, o argumento da “situação espácio-temporal”, segundo o qual toda a obra humana reflecte sempre, ainda que da forma mais refractária, a “situação concreta” em que o homem vive, e o argumento da “língua”, que sustenta que, sendo todo o idioma “uma filosofia inteira em potência e em germe”, o homem acaba sempre por expressar uma “filosofia” quando se expressa num determinado idioma. Assim, a respeito do primeiro, escreveu que “o homem que é filósofo, precisamente enquanto filósofo, procurará pôr entre parêntesis as condições concretas espaciais para se erguer ao universal”[4]. Já a respeito do segundo, deu o exemplo “dos que, sendo de determinado país ou determinado mundo, não utilizaram a língua desse país ou desse mundo”[5].
No volume de “Homenagem a Manuel Antunes”, escreveu Francisco da Gama Caeiro um ensaio que não só responde devidamente a estas objecções – que, de resto, relativiza, a ponto de afirmar a “convicção de que, em rigor, os supostos teóricos que legitimariam as filosofias nacionais, são admitidos pelo A., muito embora a possibilidade da mesma seja refutada no aludido artigo”[6] – como desenvolve uma das mais consistentes argumentações a favor do conceito de “filosofia nacional” e, nessa medida, a favor da noção de “filosofia portuguesa”. Nesse seu ensaio, intitulado “A Noção de Filosofia na Obra de Manuel Antunes: em torno do problema das Filosofias Nacionais”[7], equaciona Gama Caeiro este problema à luz de uma “dupla perspectiva, remetendo uma para a velha aporia do Uno e do Múltiplo, tão velha como o próprio filosofar – e outra, não menos fundamental, para a relação entre filosofia e cultura”.
Assim, a respeito da primeira, defendeu que a relação não se resolve “no plano de recíproca exclusão, ou sequer do primado, de um termo relativamente a outro”[8]. A respeito da segunda, defendeu igualmente uma posição harmonizante, segundo a qual de modo algum a Filosofia, para se afirmar, necessita de negar a cultura no âmbito da qual brota. Pelo contrário, segundo a já aqui referida definição de Filosofia de Francisco da Gama Caeiro, “a filosofia surge-nos, em concreto, como expressão da vida espiritual duma Cultura”. E por isso ela será tanto mais “Filosofia” quanto mais assumir essa sua “anterioridade constitutiva”[9]. Daí, de resto, o desafio que, num seu outro texto, Francisco da Gama Caeiro lançou a todos nós, portugueses, o “desafio da autonomia mental” – nas suas palavras: “Povo culturalmente adulto, [o povo português] só conseguirá verdadeiramente emancipar-se quando se libertar de duas inflexões esterilizadoras do seu pensamento, opostas por um estranho jogo dialéctico: a da servidão alienígena e a da apologética nacionalista.”[10].
Eis o “jogo dialéctico” que José Marinho igualmente denunciou, ao ter-se expressamente demarcado tanto dos cultores do “apressado conceito de cidadão do mundo e de universalidade do pensamento” – contra os quais pertinentemente adverte que “a cidadania mais ampla não se alcança sem trânsito pelas formas mais modestas”[11] –, como, no extremo oposto, dos “cultores da filosofia paroquial que se julga intérprete do universo”, que “batem palmas desde que se fale de filosofia portuguesa”[12]. Eis, com efeito, igualmente a nosso ver, o “jogo” que tem oposto aqueles que defendem a “filosofia portuguesa” apenas pelo facto de ser – de se proclamar – “portuguesa” e aqueles que, precisamente pela mesma razão, a negam. Por ser este, em grande medida, um “jogo viciado”, recusamo-nos a entrar nele. Se nele entrássemos, iríamos fatalmente alimentar o “círculo vicioso” que se tem gerado em torno da própria existência da “filosofia portuguesa”.
Efectivamente, tanto a posição daqueles que a negam pode ser justificada pela posição daqueles que a afirmam, como o inverso, conforme, aliás, reconheceu o “insuspeito” Eduardo Lourenço, ao ter considerado “o famigerado movimento da célebre ‘filosofia portuguesa’ (…) uma reacção, em boa parte justificada, contra o pendor mimetista e o consequente descaso que ele implica de inatenção a nós próprios”[13]. Na mesma direcção escreveu, aliás, Marinho, a respeito do “nacionalismo” e do “patriotismo”: “…o chamado patriotismo ou o nacionalismo, como hoje se diz com diverso conteúdo de significação, não são uma coisa injustificada e sem profundas razões de ser./ Surgiram e exasperam-se nos tempos recentes, por íntima e dialéctica necessidade, em oposição à tendência para considerar o homem em abstracto e ordenar toda a vida do homem em relação a essa abstracção.”[14]. Foi, de resto, à luz desta perspectiva que Gama Caeiro situou “o processo que legitima as filosofias nacionais”: “Se admitirmos que o homem é, de algum modo, a sua circunstância – a circunstância orgânica (a par de outras, a família, a sociedade, etc.) é a Pátria ou a Nação.”[15].

Em grande medida, essa é igualmente a nossa perspectiva. Julgamos, com efeito, que o homem não é, ou não é apenas, essa “pura abstracção”, mas um ser concreto, universalmente concreto, um ser que, de resto, será tanto mais universal quanto mais assumir essa sua concretude, a concretude da sua própria circunstância. Dessa circunstância faz organicamente parte, como referiu Gama Caeiro, a “pátria”, isso que, segundo José Marinho, configura a nossa “fisionomia espiritual”[16]. Nessa medida, importa pois assumi-la, tanto mais porque, como escreveu ainda Marinho, foi “para realizar o universal concreto e real [que] surgiram as pátrias”[17]. Esta é, contudo, apenas uma possibilidade, não, de modo algum, uma inevitabilidade, nem sequer, muito menos, uma obrigação. Não se trata aqui, com efeito, de instituir um “serviço filosófico obrigatório” de forma a garantir a existência de uma “filosofia portuguesa”, ou melhor, diríamos hoje, de uma “filosofia lusófona”, extensiva a todos aqueles que pensam, falam e escrevem na nossa língua comum. Esta existirá apenas enquanto existir pelo menos uma pessoa que, de forma inteiramente livre, se assuma na dupla condição de “filósofo” e de “lusófono”. Eis o que continuará, decerto, a acontecer, assim sigamos o insigne exemplo destes nossos Mestres.




[1] Cf. “A Noção de Filosofia na Obra de Manuel Antunes”, in AA.VV., Ao Encontro da Palavra: homenagem a Manuel Antunes, Lisboa, FLUL, 1986, p. 21.
[2] Não esquecendo outros autores: em particular, José Marinho, dada a sua posição sobre esta temática, que problematizámos na nossa dissertação de doutoramento Fundamentos e Firmamentos do pensamento português contemporâneo – uma perspectiva a partir da visão de José Marinho (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2004). Cf., igualmente, o nosso estudo: Via aberta: de Marinho a Pessoa, da Finisterra ao Oriente (Zéfiro, 2009).
[3] Cf. Do Espírito do Tempo, Lisboa, Ática, 1960, p. 134.
[4] Cf. ibid., p. 137.
[5] Ibid., pp. 138-139.
[6] Cf. AA.VV., Ao Encontro da Palavra…, ed. cit., p. 39. Tal “convicção” alicerça-se numa leitura evolutiva da obra de Manuel Antunes, leitura essa que, aliás, o próprio Manuel Antunes em grande medida autorizou, designadamente por via destas suas palavras: “Ulterior reflexão conduziu o A. a admitir o Volkgeist.” [Do Espírito do Tempo, ed. cit., pp. 131-132].
[7] Obviamente, poderíamos eleger outros textos que abordam a mesma temática – em particular, um texto intitulado “O pensamento português nos próximos 25 anos” (in Dispersos, prefácio de Pedro Calafate, organização de Maria de Lourdes Sirgado Ganho, Lisboa, IN-CM, 1999, pp. 229-249), de que gostamos bastante. No entanto, o nosso intento foi reconstituir aqui o seu diálogo com Manuel Antunes. Daí a nossa escolha.
[8] Cf. AA.VV., Ao Encontro da Palavra…, ed. cit., p. 19.
[9] Cf. ibid., p. 22.
[10] “O Pensamento Português”, in AA.VV., Que Cultura em Portugal nos próximos 25 anos?, Lisboa, Verbo, 1984, p. 21.
[11] Cf. O Pensamento Filosófico de Leonardo Coimbra e outros textos, “Obras de José Marinho”, vol. IV, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2001, p. 495. Por isso escreveu ainda: “Ser cidadão do mundo, essa confiante aspiração dos estóicos, está a caminho de ser uma terrível banalidade.” [Filosofia portuguesa e universalidade da filosofia e outros textos, “Obras de José Marinho”, vol. VIII, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2007, p. 48].
[12] Cf. ibid., p. 509.
[13] Cf. O Labirinto da Saudade: psicanálise mítica do pensamento português, Lisboa, D. Quixote, 1982 (2ª), p. 73.
[14] O Pensamento Filosófico de Leonardo Coimbra e outros textos, “Obras de José Marinho”, vol. IV, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2001, p. 516.
[15] AA.VV., Ao Encontro da Palavra…, ed. cit., p. 40.
[16] Cf., a título de exemplo, Estudos sobre o pensamento português contemporâneo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981, p. 19: “Os povos, como nascentes e manifestações terrestres do espírito, têm iniludível fisionomia espiritual, embora esta se configure de modo menos apreensível que o expressivo rosto dos homens singulares.”.
[17] Cf. O Pensamento Filosófico de Leonardo Coimbra e outros textos, ed. cit., p. 502.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

24 de Novembro, no Centro Cultural de Montargil: Homenagem a Manuel Ferreira Patrício.

 Na Mesa: Rui Carapinha, Manuel de Assunção, Manuel Ferreira Patrício e Renato Epifânio.
Assistência.

Prefácio de António Braz Teixeira à "Via Lusófona III"


Na continuidade das duas anteriores colectâneas desta série, editadas em 2010 e 2015, apresenta-nos, agora, Renato Epifânio o terceiro volume de A Via Lusófona: um novo horizonte para Portugal, em que prossegue a sua persistente campanha para uma compreensão futurante do mundo de língua portuguesa e do papel que poderá desempenhar ao nível global, proposta cuja pertinência e actualidade os acontecimentos a que estamos a assistir vêm tornar mais evidentes.

Tal como os dois volumes que o precederam, este terceiro tomo de A Via Lusófona, no seu conteúdo heterogéneo – votos, breves apontamentos, reflexões, pequenos ensaios, comentários de actualidade, intervenções cívicas e culturais – e sob uma aparente ou real diversidade, vem a constituir como que uma singular forma de diário, mais cívico do que estritamente pessoal ou centrado na subjectividade do autor, ao qual se encontra subjacente uma atitude intelectual de serena e inteligente compreensão que, no entanto, não o impede de assumir, tantas vezes isoladamente ou em contra-corrente, com argumentada firmeza, as suas posições ou de expor e defender as suas teses.

Inspirado na visão de Agostinho da Silva sobre o futuro do mundo lusófono e atento à alta lição especulativa de José Marinho e ao sentido sófico da interrogação, que deve preceder e acompanhar toda a acção, Renato Epifânio, há mais de um decénio, vem dedicando, com persistente diligência e entusiasmo, a sua rara capacidade organizativa e o seu sentido de missão cívica e patriótica, ao fortalecimento dos laços espirituais, culturais, históricos e afectivos entre as diversas parcelas dispersas do mundo lusófono, da Galiza ao Brasil, do Cabo Verde a Macau, de Goa a Malaca, propugnando e agindo na via da constituição de uma futura efectiva comunidade dos povos e regiões de língua portuguesa, enriquecida, criadoramente, pela convergente e complementar diversidade das várias culturas que a integram e nela se exprimem e pensam, bem como do estabelecimento de uma cidadania lusófona que daquela seja, a um tempo, o prenúncio e o suporte.

Sabendo aliar a dimensão visionária e futurante a um lúcido sentido do real e do possível, uma invulgar capacidade de congregar inteligências e vontades e uma não menor capacidade de dar expressão literária clara e rigorosa aos seus projectos e ideias, a calma e afabilidade à convicção e firmeza, Renato Epifânio tem conseguido dividir-se, com discreta eficácia, por múltiplas iniciativas, da presidência do MIL: Movimento Internacional Lusófono à direcção e divulgação da revista NOVA ÁGUIA, da activa participação na direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira – e também enquanto membro integrado do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto – à organização de colóquios, encontros e conferências e à realização e promoção de edições.

Se as condições altamente negativas que, devido a políticos tacanhos e medíocres, nos últimos anos, foram criadas à investigação no domínio das Humanidades, e, de modo particular, no da Filosofia, têm impedido Renato Epifânio de prosseguir predominantemente por essa via, de que, no presente volume, o breve ensaio Entre ser e sentido é ilustrativo exemplo, devemos congratularmo-nos por ter sabido fazer de uma situação adversa uma possibilidade de exercitar outras das suas capacidades na tarefa, em que está profundamente comprometido, de promoção e defesa da “via lusófona” que, como ele, pensamos constituir “um novo horizonte para Portugal”, que urge demandar como primeira prioridade nacional.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Torne-se Sóci@ do MIL e receba "A Via Lusófona (I e II)" como oferta...



Para aceder às fichas de Sóci@ do MIL:

Agostinho da Silva, primeiro inspirador da CPLP...

Cármen Maciel, "A construção da Comunidade Lusófona a partir do antigo centro", Tese de Doutoramento em Sociologia, Fac. Ciências Sociais e Humanas, Univ. Nova de Lisboa, 2010 (Tese vencedora da 4ª edição do "Prémio Fernão Mendes Pinto"), Lisboa, Instituto Camões, 2015, p. 50.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Nações Unidas - Português passou a ser ensinado na Escola Internacional

A língua portuguesa é, assim, a 10ª língua a ser ensinada na Escola Internacional das Nações Unidas, em Nova Iorque, fruto de um memorando de entendimento assinado na sede da ONU



A língua portuguesa começou a ser ensinada na semana passada na Escola Internacional das Nações Unidas (UNIS, na sigla em inglês), em Nova Iorque (EUA), sendo ministrada em regime extra curricular a 20 alunos naquela instituição de ensino da ONU. Este projeto piloto estende-se durante um ano letivo completo, com o objetivo de que passe depois a integrar o currículo da escola.

As aulas são dadas por dois docentes, uma professora brasileira e um professor português, com métodos de ensino diversificados e abrangendo as diversas variantes da língua e a cooperação estabelecida no protocolo será acompanhada pelo Coordenador do Ensino de Português nos EUA, João Caixinha.

O memorando de entendimento foi assinado no dia 5 de dezembro, já depois do início das aulas, pelos representantes permanentes de Portugal e do Brasil junto das Nações Unidas, embaixadores Francisco Duarte Lopes e Mauro Vieira, respetivamente, e pelo diretor executivo da UNIS, Dan Brenner.

Resultado do empenho do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), I.P., do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, esta parceria entre os dois países, realizada pela primeira vez no ensino do português, “tem em vista a integração futura no currículo da Escola (Internacional das Nações Unidas), juntamente com outras nove línguas, incluindo as seis línguas oficiais das Nações Unidas”, refere uma nota divulgada pelo Camões, I.P.

Ensino com diversidade

A cerimónia de assinatura do memorando realizou-se no gabinete do Secretário-Geral das Nações Unidas, que testemunhou o momento.

António Guterres desejou felicidades e que “o acordo fosse aplicado, que o ensino do português na Escola (Internacional das Nações Unidas) tivesse sequência e que fosse mais um passo no sentido de aumentar a utilização do português no sistema das Nações Unidas”, revelou aos jornalistas, no final da cerimónia, o Representante Permanente de Portugal junto da ONU.

Francisco Duarte Lopes referiu o facto das aulas de português serem ministradas como uma atividade extra curricular, mas sublinhou a vontade de Portugal e do Brasil de que “com a sustentabilidade que a cooperação entre os dois países dá a este projeto”, possa futuramente “haver uma hipótese do português ser também oferecido curricularmente na escola”.

Segundo o embaixador português há, no âmbito das Nações Unidas, muitos falantes de português e as atividades das Nações Unidas “também se vão desenrolando há muitos anos em países de língua portuguesa”. “Com este projeto queremos também dar a esta geração mais jovem a possibilidade de conhecer melhor uma língua, mas dar-lhes também a conhecer as culturas dos países de língua portuguesa”, sublinhou o diplomata.

Para o embaixador brasileiro Mauro Vieira, o facto das aulas serem dinamizadas por uma docente brasileira e um docente português valoriza a “diversidade da língua e da forma de se expressarem em cada um dos dois países, mas também da cultura, do turismo, enfim, de tudo o que envolve a expressão em língua portuguesa”.

“Acho que vai ser uma excelente plataforma de introdução do idioma português”, defendeu o Representante Permanente do Brasil junto da ONU, assumindo ainda não ter dúvidas de que a língua portuguesa “gera também negócios importantes”.

Os custos da manutenção do curso e dos professores são suportados pelas missões permanentes de Portugal e do Brasil junto da ONU.

Alunos dos oito aos 18 anos



O atual adjunto de Coordenação do Ensino Português nos EUA é o professor português responsável pelas aulas na Escola das Nações Unidas.

José Carlos Adão explicou que o português está a ser lecionado na UNIS nos níveis primário, básico e secundário, com aulas três vezes por semana a alunos com idades entre os oito e os 18 anos.

“Trata-se de um projeto que começou na semana passada com aulas a vários níveis de proficiência, com alunos que já falam português em casa, que têm pais que falam português. A maioria dos alunos, até ao momento, é de origem brasileira, mas temos outros alunos de outras nacionalidades”, revelou José Carlos Adão. “A língua portuguesa tem um valor económico que tem dado cartas”, destacou ainda.

Uma notícia publicada pela agência Lusa adianta que a ideia deste projeto piloto foi apresenta aquando da ida do presidente do Camões, I.P., Luís Faro Ramos, a Nova Iorque, a 5 de maio, para o evento Dia da Língua Portuguesa nas Nações Unidas.

De recordar que este ano, as comemorações do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa repartiram-se por 180 ações, em 57 países, mas o grande destaque foi para as celebrações que decorreram durante todo o dia, e pela primeira vez, nos jardins das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Na altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros, afirmava que a celebração nos jardins das Nações Unidas, dava “uma nova expressão simbólica e institucional a estas iniciativas”. Augusto Santos Silva destacava ainda que as atividades culturais iriam decorrer junto de uma organização na qual “todos os países da CPLP investem muito” e junto de um sistema “no qual nós pensamos que a língua portuguesa a médio prazo se tornará, com toda a justificação e mérito, também uma língua oficial”.

A confirmação oficial da introdução do português na Escola Internacional das Nações Unidas foi dada a 10 de outubro, em Lisboa, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros português e brasileiro, mas tinha já sido avançada a 21 de setembro pelo presidente do Camões, I.P., Luís Faro Ramos, durante a apresentação em Lisboa da Rede de Ensino Português no Estrangeiro (EPE) para 2018/2019, numa sessão presidida pelo ministro Augusto Santos Silva.

Entre as novidades da rede projetada para 2018-2019 estava a informação de que já em 2018 iriam iniciar-se o ensino da língua portuguesa extracurricular na UNIS, com um docente português e outro brasileiro. Esta parceria surge no âmbito de dinâmicas de cooperação entre Portugal e o Brasil, entre as quais está ainda a possibilidade dos dois países realizarem um projeto conjunto de ensino no Casaquistão.

Uma escola com 1600 alunos

A Escola Internacional das Nações Unidas foi criada em 1947 em Nova Iorque por um grupo de pais funcionários da ONU para implementar um sistema de ensino internacional preservando as diferentes culturas dos filhos de funcionários dos diversos países, a trabalhar nas Nações Unidas.

Atualmente, a UNIS tem 1600 alunos de mais de 50 nacionalidades nos dois edifícios da escola, um situado em Jamaica, bairro de Queens, e outro em Manhattan. Cobre todos os níveis de ensino, exceto o universitário. De acordo com a escola, os seus “padrões acadêmicos reconhecidos internacionalmente capacitam os alunos a estudar nas melhores faculdades e universidades dos Estados Unidos e do mundo.”

A principal língua de ensino é o inglês e todos os alunos estudam francês ou espanhol. Podem também aprender árabe, chinês, alemão, italiano, japonês e russo. A partir de agora, também o português.

A Rede de Ensino Português no Estrangeiro (EPE) é coordenada pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e chega nesta ano letivo a 80 países, mais cinco do que em 2017-2018: Azerbaijão, Casaquistão, Camarões, Gana e Panamá.

Nos Estados Unidos da América, o universo de estudantes cobertos pelo EPE cresceu dos 13 556 em 2007 para os 28 469 em 2017. Este ano, a língua portuguesa foi introduzida no programa americano de educação, tendo sido considerada “idioma relevante para a segurança nacional e a prosperidade da economia do país”. Ana Grácio – Portugal in “Mundo Português”