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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva

terça-feira, 18 de junho de 2019

Entre a Filosofia Portuguesa e a Filosofia Alemã*



Se houve um pensador que, no século XX, procurou, mais do que qualquer outro, afirmar a diferença qualitativa da filosofia portuguesa, esse pensador foi Álvaro Ribeiro.
Para isso, fez contrastar o mais possível a nossa filosofia com todas as outras filosofias, sobretudo com a filosofia alemã, denunciando a sua tão grande quanto nefasta influência – tão grande que, nas suas palavras, “a filosofia alemã, depois de Hegel, domina a cultura mundial”, tão nefasta porquanto, ainda nas suas palavras, “em nome da verdade antropológica, a filosofia alemã decaiu depois na negação da verdade cosmológica e da verdade teológica, no desespero do tecnicismo, do sociologismo e do ateísmo”.
Para reforçar ainda mais esse contraste, recorreu Álvaro Ribeiro à simetria simbólica que faz corresponder o povo português ao elemento “água” e o povo germânico ao elemento “terra” – simetria a que, refira-se, também José Marinho recorreu, designadamente ao caracterizar, de modo expresso, o alemão, ou “alamano”, como “homem da terra”, e os portugueses como “homens dos portos”.
Para além de Álvaro Ribeiro e de José Marinho, outros pensadores também nos caracterizaram desta forma.
Entre os diversos exemplos que poderíamos dar, atente-se nesta passagem de uma obra de José Enes (Linguagem e Ser): “País litoral, a nossa função histórica foi a de ser porto. Porto de saída, mas também de chegada. Extremamente marginais, não poderíamos deixar de ser um espaço de passagem, que é o sentido de porto e porta, para sair e para entrar. Por isso mesmo, não alcançámos a concentração criadora de uma cultura, original no conteúdo e nas formas. A nossa cultura resultou da deposição dos elementos importados e exportados. Nela se estratificam, interpenetram e integram, mediante a língua, as influências vindas, principalmente, do lado donde se partia para fora da Europa. A grande filosofia, a grande ciência e a grande técnica não encontraram em nós o seu berço. Mas, em contrapartida e por este mesmo facto, não tiveram origem em nós os grandes males do mundo nem o extremo perigo que hoje o ameaça e nos atinge também a nós.”.
Sobretudo na sua obra A Arte de Filosofar, enfatiza, Álvaro Ribeiro, essa diferença qualitativa da filosofia portuguesa – daí, a título de exemplo, estas suas palavras: “Meditando sobre a ambição dos povos germânicos e eslavos, que pretendem estabelecer e dominar o caminho continental que liga o extremo Ocidente com o Oriente extremo, saibamos ver a superioridade do caminho marítimo que devemos às tradições conservadas pelos navegadores portugueses.”; “A persistência do barco na literatura portuguesa é sinal de uma originalidade que em tudo se opõe, como a inversão das naves, à figura da catedral, característica de outras culturas mais presas à terra, ou à pedra.”; “Se o simbolismo da terra é inferior ao simbolismo da água, se o simbolismo pagão da agricultura é inferior ao simbolismo cristão da pescaria, se o simbolismo do túmulo é inferior ao simbolismo da nave, a navegação portuguesa, utilizando os elementos superiores da física, correspondia à tradição de mais fluído e subtil simbolismo. A Terra é uma nave, e as viagens em demanda do Oriente pelo Ocidente visaram a promessa cristã de reintegração do Homem e da Natureza no plano primitivo ou original.”.
Na esteira de Álvaro Ribeiro, outros pensadores radicalizaram ainda mais esse contraste entre o pensamento português e o alemão. Eis o caso, paradigmático, de Orlando Vitorino.
Num seu texto intitulado “Portugal e o Futuro”, começa por afirmar que “os dois grandes pensadores da nossa época” são Leonardo Coimbra e Heidegger – um “homem do centro da Europa, talvez centro da terra”, o outro “homem da periferia da Eurásia, homem da finisterra”. Como nos diz ainda, ambos denunciam “o império da técnica no vazio da existência”. Enquanto que, no entanto, Heidegger denuncia de forma alegadamente passiva esse estado de “desolação do mundo”, refugiando-se numa trágica esperança de que algum “Deus” nos venha salvar, Leonardo, ao invés, denuncia-o activamente, demonstrando “a necessária vitória do homem de sempre sobre o mundo desolado do império do igualitarismo e da tecnologia”. Nessa medida, conclui: “…o mundo é, hoje, dramaticamente, e será no futuro, talvez sem tragédia, o que forem a Alemanha e Portugal. Todo o futuro se decidirá no conflito entre o pensamento português e o pensamento alemão, entre Leonardo e Heidegger.”.

* Para o Colóquio “Orlando Vitorino: Obra e Pensamento” (17-18 de Outubro de 2019, Palácio da Independência): caso pretenda participar neste Colóquio, pode enviar-nos até final de Maio uma proposta de Comunicação, com título e resumo.

O MIL, a(s) Esquerda(s) e a(s) Direitas(s)...



José Pedro Zuquete, in Ideias e Percursos das Direitas Portuguesas, coord. de Riccardo Marchi, Lisboa, Texto Editora, 2014, p. 420.

Torne-se Sóci@ do MIL e receba "A Via Lusófona (I e II)" como oferta...



Para aceder às fichas de Sóci@ do MIL:

"Agostinho da Silva - Ele Próprio" - Filmado por António Escudeiro - Edições Zéfiro - Nova edição na íntegra num só vídeo



Agostinho da Silva, primeiro inspirador da CPLP...

Cármen Maciel, "A construção da Comunidade Lusófona a partir do antigo centro", Tese de Doutoramento em Sociologia, Fac. Ciências Sociais e Humanas, Univ. Nova de Lisboa, 2010 (Tese vencedora da 4ª edição do "Prémio Fernão Mendes Pinto"), Lisboa, Instituto Camões, 2015, p. 50.

domingo, 16 de junho de 2019

Manuel Pinto da Costa (Ex-Presidente da República de São Tomé e Príncipe): Prémio MIL Personalidade Lusófona 2018...

Das várias propostas que nos chegaram do Conselho Consultivo do MIL, o nome de Manuel Pinto da Costa, Ex-Presidente da República de São Tomé e Príncipe, foi o mais consensual para receber o "Prémio MIL Personalidade Lusófona 2018". A sessão de Entrega do Prémio será anunciada em breve... 

11 de Julho: "A Nova Geopolítica na Era da a inteligência Artificial"


Próximo Livro MIL: "O krausismo ibérico e latino-americano"

Outras Obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

Também no jornal Público: "O Brasil em brasa".



Aparentemente, nada mudou, no Brasil. Nos aeroportos, nas ruas, tudo parece estar como sempre. Não há qualquer “Estado Policial”, como alguns (ao longe) fantasmaticamente sugerem, nem sequer se vêem mais polícias nas ruas.
Nas conversas que vão para além do estado do tempo, percebe-se, porém, um clima peculiar, de extrema polarização – no Brasil em brasa de hoje, parece só haver, à partida, dois campos: o dos anti-comunistas e o dos anti-fascistas. Os primeiros acusam os segundos de quererem transformar o Brasil na Vanezuela de Maduro. Os segundos acusam os primeiros de quererem transformar o Brasil no Chile de Pinochet.
Entre estes dois pólos, parece haver apenas um deserto, um grande sertão, que foi, de resto, alimentado pelos dois extremos: Jair Bolsonaro foi eleito como a única verdadeira alternativa ao PT (Partidos dos Trabalhadores). O PT insistiu num candidato próprio (Fernando Haddad) para, claramente, afirmar a sua hegemonia sobre toda a oposição.
Este é um jogo já mil e umas vezes visto: durante o Estado Novo, Salazar era “a única alternativa ao comunismo” e o comunismo “a única alternativa ao Estado Novo”. Não que haja aqui algum paralelo. Vão cremos de todo que na América Latina regressem as Ditaduras Militares, mesmo que Bolsonaro venha a sair e a ser substituído pelo seu Vice-Presidente, Hamilton Mourão, conforme o que muitos prefiguram: uns por desiderato, outros por resignação.
Não sabemos o que irá acontecer. Sabemos apenas que este clima de extrema polarização não indicia nada de bom. Não há país que não tenha várias tendências políticas, sendo que qualquer país avançará tanto mais quanto mais houver um diálogo entre essas várias tendências, por mais contrastantes que sejam. Infelizmente, no Brasil em brasa de hoje, não parece haver esse espaço de diálogo: parece ser tudo a preto e branco, qual samba maniqueísta, em que só há bons (apenas num lado) e maus (apenas no outro).
No regresso a Portugal, no aeroporto do Rio de Janeiro, vindos de Juiz de Fora, a cidade onde Bolsonaro foi esfaqueado na campanha eleitoral (o que terá sido decisivo para a sua eleição), lemos um livro sobre Martin Heidegger, que viveu também, na sua Alemanha natal, um dilema (ainda mais) absoluto: o comunismo ou o nazismo. Como se sabe, Heidegger escolheu o nazismo e ainda hoje, já muitos anos após a sua morte, a sua obra (provavelmente a obra filosófica mais importante do século XX na Europa) ficou refém dessa escolha, por mais que a obra sobreviva ao autor… Ouvimos a chamada para o nosso voo. Fechamos o livro, olhamos para a janela e cantarolamos apenas: “O Rio de Janeiro continua lindo…”.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

Prefácio de António Braz Teixeira à "Via Lusófona III"


Na continuidade das duas anteriores colectâneas desta série, editadas em 2010 e 2015, apresenta-nos, agora, Renato Epifânio o terceiro volume de A Via Lusófona: um novo horizonte para Portugal, em que prossegue a sua persistente campanha para uma compreensão futurante do mundo de língua portuguesa e do papel que poderá desempenhar ao nível global, proposta cuja pertinência e actualidade os acontecimentos a que estamos a assistir vêm tornar mais evidentes.


Tal como os dois volumes que o precederam, este terceiro tomo de A Via Lusófona, no seu conteúdo heterogéneo – votos, breves apontamentos, reflexões, pequenos ensaios, comentários de actualidade, intervenções cívicas e culturais – e sob uma aparente ou real diversidade, vem a constituir como que uma singular forma de diário, mais cívico do que estritamente pessoal ou centrado na subjectividade do autor, ao qual se encontra subjacente uma atitude intelectual de serena e inteligente compreensão que, no entanto, não o impede de assumir, tantas vezes isoladamente ou em contra-corrente, com argumentada firmeza, as suas posições ou de expor e defender as suas teses.


Inspirado na visão de Agostinho da Silva sobre o futuro do mundo lusófono e atento à alta lição especulativa de José Marinho e ao sentido sófico da interrogação, que deve preceder e acompanhar toda a acção, Renato Epifânio, há mais de um decénio, vem dedicando, com persistente diligência e entusiasmo, a sua rara capacidade organizativa e o seu sentido de missão cívica e patriótica, ao fortalecimento dos laços espirituais, culturais, históricos e afectivos entre as diversas parcelas dispersas do mundo lusófono, da Galiza ao Brasil, do Cabo Verde a Macau, de Goa a Malaca, propugnando e agindo na via da constituição de uma futura efectiva comunidade dos povos e regiões de língua portuguesa, enriquecida, criadoramente, pela convergente e complementar diversidade das várias culturas que a integram e nela se exprimem e pensam, bem como do estabelecimento de uma cidadania lusófona que daquela seja, a um tempo, o prenúncio e o suporte.


Sabendo aliar a dimensão visionária e futurante a um lúcido sentido do real e do possível, uma invulgar capacidade de congregar inteligências e vontades e uma não menor capacidade de dar expressão literária clara e rigorosa aos seus projectos e ideias, a calma e afabilidade à convicção e firmeza, Renato Epifânio tem conseguido dividir-se, com discreta eficácia, por múltiplas iniciativas, da presidência do MIL: Movimento Internacional Lusófono à direcção e divulgação da revista NOVA ÁGUIA, da activa participação na direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira – e também enquanto membro integrado do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto – à organização de colóquios, encontros e conferências e à realização e promoção de edições.


Se as condições altamente negativas que, devido a políticos tacanhos e medíocres, nos últimos anos, foram criadas à investigação no domínio das Humanidades, e, de modo particular, no da Filosofia, têm impedido Renato Epifânio de prosseguir predominantemente por essa via, de que, no presente volume, o breve ensaio Entre ser e sentido é ilustrativo exemplo, devemos congratularmo-nos por ter sabido fazer de uma situação adversa uma possibilidade de exercitar outras das suas capacidades na tarefa, em que está profundamente comprometido, de promoção e defesa da “via lusófona” que, como ele, pensamos constituir “um novo horizonte para Portugal”, que urge demandar como primeira prioridade nacional.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

CE-CPLP - Empresários da CPLP exortam líderes de Estados-membros a facilitar mobilidade

Rio de Janeiro - A Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) exortou os chefes de Estado e de governo dos Estados-membros da organização a adotar medidas para facilitar a mobilidade dos cidadãos entre os territórios.

A posição está expressa numa resolução aprovada na terça-feira, no Rio de Janeiro, durante a reunião ordinária da CE-CPLP, e hoje consultada pela Lusa, em que a direção da organização expõe três medidas "concretas e imediatas" que pretende que os líderes dos países que integram a organização adotem e que "visam a garantia de mobilidade plena no espaço da CPLP".

Nestas medidas incluem-se a agilização e facilitação da concessão de vistos de entrada nos países da CPLP para "todos cidadãos da comunidade", a eliminação da obrigatoriedade de vistos de entrada e permanência para "membros das entidades e instituições empresariais, assim como para o empresariado de cada país membro", e a garantia da "livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais no espaço da organização".

A CE-CPLP especifica que, no caso de "empresários e homens de negócios", as medidas permitirão "desenvolver o intercâmbio de negócios".

A organização evoca resultados de reuniões anteriores da CPLP que ainda não avançaram neste sentido.

Na terça-feira, o Presidente e o primeiro-ministro portugueses declararam que Portugal está ao lado de Cabo Verde na defesa da supressão de vistos no quadro da União Europeia (UE) e da livre circulação de cidadãos na CPLP.

Fazem parte da CPLP Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde (que tem atualmente a presidência rotativa da organização), Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”