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MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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domingo, 23 de agosto de 2026

Associação Internacional dos Lusodescendentes - lança mapeamento para conhecer escritores lusófonos na diáspora

 A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) lançou um mapeamento destinado a identificar autores e escritores lusófonos que vivem fora dos seus países de origem


A iniciativa pretende perceber quem são e quantos são os escritores lusófonos que vivem na diáspora, servindo de base a um projeto que a associação prevê concretizar no âmbito do seu plano de atividades para este ano.

O objetivo é realizar em Portugal uma Feira do Livro e do Autor da Comunidade de Língua Portuguesa, em parceria com um município português. Segundo a AILD, já estão a decorrer contactos com um município para a concretização da iniciativa.

O certame pretende promover e divulgar a língua portuguesa e a cultura lusófona, através do apoio, reconhecimento e estímulo aos autores das comunidades lusófonas que continuam a escrever em português e a contribuir para a divulgação da língua.

A feira pretende ainda dar visibilidade ao património literário produzido pelas comunidades lusófonas e aos seus autores, criando um espaço dedicado à valorização da criação literária em língua portuguesa fora dos países de origem.

Para concretizar o mapeamento, a AILD convida os escritores lusófonos residentes no estrangeiro a preencherem o formulário de inscrição disponibilizado pela associação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sábado, 15 de agosto de 2026

Restauro dos edifícios do Centro Histórico de Macau...

 O Instituto Cultural (IC) vai lançar directrizes para o restauro dos edifícios do Centro Histórico de Macau ainda este ano, avançou Leong Wai Man, em resposta a uma interpelação escrita em que o deputado Chan Hao Weng criticava a falta de critérios uniformizados. A presidente do IC revelou também que o organismo vai reforçar a sensibilização da população com cursos de formação profissional sobre a salvaguarda do património cultural, estando o próximo agendado já para o mês de Setembro


O Instituto Cultural (IC) vai lançar directrizes para o restauro dos edifícios do Centro Histórico de Macau ainda este ano. O objectivo é o de orientar a reabilitação de imóveis patrimoniais e incentivar a sua recuperação e salvaguarda pela sociedade, de acordo com informações avançadas por Leong Wai Man.

Em resposta a uma interpelação escrita, a presidente do IC notou ainda que a página electrónica dedicada ao Património Cultural de Macau dispõe, actualmente, de um sistema de consulta que permite aos requerentes acompanhar o processo de apreciação e aprovação por parte do organismo, de forma a garantir a sua total transparência.

A informação surge como resposta às preocupações levantadas pelo deputado Chan Hao Weng relativamente à conservação e fiscalização das obras de restauro do património arquitectónico protegido em Macau. Em concreto, o deputado lamentou a inexistência de “normas técnicas uniformizadas para o restauro” dos edifícios protegidos, assim como a falta de “regulamentação expressa para a recuperação das fachadas”. O resultado é uma “grande aleatoriedade nos critérios adoptados”, uma vez que nem os proprietários nem as entidades responsáveis pelo restauro possuem normas concretas para a execução das obras.

Chan Hao Weng denunciou também a “falta de uniformidade nos critérios relativos à identificação dos materiais, à tonalidade das fachadas exteriores, às técnicas de execução das obras e à fiscalização in loco”. Para além da “falta de coerência estética” e da “descaracterização da fisionomia original”, alterada por estas intervenções, verifica-se também um aumento significativo dos custos económicos e do tempo de expedição dos pedidos, segundo acusa o deputado. Após o restauro, diz, é também frequente o surgimento de problemas como o envelhecimento das paredes ou o reaparecimento de anomalias estruturais, dificultando uma “conservação eficaz a longo prazo”.

Na sua resposta, Leong Wai Man começa por assinalar que as obras de restauro em edifícios históricos “devem ser precedidas da elaboração de projectos de construção através de consultores com qualificações profissionais adequadas, tendo como referência os sistemas e princípios internacionalmente reconhecidos no âmbito da salvaguarda do património cultural” e baseando-se em princípios de “autenticidade”, “intervenção mínima” e respeito pelas características originais. As únicas alterações feitas devem limitar-se às partes danificadas, “a fim de evitar substituição ou renovação excessiva e assegurar a protecção eficaz do seu valor cultural”.

Além disso, como os edifícios de Macau reflectem o “carácter único” do território, conjugando elementos chineses e ocidentais provenientes de diferentes períodos históricos, o IC procede a uma “análise rigorosa” de cada caso, avaliando os diferentes materiais, técnicas e tonalidades de cores a usar em cada edifício.

“Durante as diversas fases de elaboração de projectos de obras nos edifícios patrimoniais, o IC mantém uma estreita comunicação e colaboração com os proprietários ou administradores dos edifícios, assim como discute soluções e emite pareceres técnicos direccionados para os projectos de restauro, de modo a permitir que as obras decorram sem imprevistos”, reforça Leong Wai Man.

No documento de resposta, nota-se ainda que o IC tem procurado sensibilizar a população geral através da organização de workshops, cursos certificados e formações profissionais na área do restauro, em colaboração com instituições de ensino superior, com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e com a Associação dos Engenheiros de Macau (AEM).

Entre as múltiplas iniciativas promovidas, o destaque vai para a 5.ª edição da “Formação Profissional em Restauro dos Edifícios Patrimoniais”, que será realizada no próximo mês de Setembro. Embora não divulgue a data concreta, o IC aponta também para o final deste ano a realização de um “curso de formação internacional sobre a salvaguarda do património cultural em conjunto com um organismo especializado ligado à UNESCO, com o propósito de reforçar de forma contínua a formação de quadros qualificados na área do restauro e de salvaguarda dos recursos do património cultural preciosos do território em articulação com a sociedade”. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Lusofonia - Programa "Laç(z)os Artísticos" disponibiliza três bolsas para jovens lusófonos

 A 2.ª edição do programa de mobilidade artística "Laç(z)os Artísticos" vai disponibilizar três bolsas para jovens dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste, com idades entre os 18 e os 30 anos. A submissão de candidaturas decorre de 01 de Agosto a 15 de Setembro de 2026


A iniciativa resulta de um protocolo de cooperação internacional assinado em 2026 entre a Direcção-Geral das Artes (DGARTES), o Camões I.P., a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e o El Corte Inglés.

O programa pretende apoiar a internacionalização de projectos artísticos nos espaços da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Ibero-América, incluindo América Latina, Espanha e Andorra.

Segundo a informação disponibilizada na página de Facebook do Instituto Camões, "podem candidatar-se pessoas singulares maiores de 18 anos, residentes ou com nacionalidade de um país membro da OEI e/ou da CPLP".

Os candidatos devem igualmente "exercer actividade profissional nas áreas das artes visuais, artes performativas, artes de rua ou cruzamento disciplinar e estar associados a entidades artísticas de cariz profissional" e não serão aceites candidaturas para "projectos no mesmo país de residência do candidato".

O programa tem também um valor total anual de €45.000,00 com a atribuição de 20 bolsas no valor de €2250 cada, das quais três são exclusivas para jovens lusófonos.

A apreciação das candidaturas decorre de 16 de Setembro a 13 de Novembro de 2026 e os resultados serão divulgados entre 16 e 20 de Novembro de 2026. Os projectos seleccionados deverão ser desenvolvidos em 2027.

As candidaturas elegíveis serão avaliadas por uma comissão com representantes da DGARTES, Camões I.P. e OEI, e pontuadas de 1 a 5 com base na relevância da proposta, competências do candidato, aplicabilidade do projeto à mobilidade e carácter inovador. A pontuação mínima para aprovação é 3.

As candidaturas terão ainda de ser submetidas eletronicamente através de um formulário que ficará disponível em tempo oportuno nos sítios da DGARTES, Camões I.P. e OEI.

Para mais informações, os candidatos deverão aceder à ligação: Laç(z)os ArtísticosOmar Prata – Angola in “Novo Jornal”

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Macau - Curso de Verão “abriu portas ao mundo” na aprendizagem da cultura lusófona

 O Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau encerrou o 40.º Curso de Verão de Língua Portuguesa. Para os coordenadores, a iniciativa voltou a ser um sucesso, tendo contado com a participação de cerca de quatro centenas de inscrições. A professora Tânia Ferreira, envolvida pela primeira vez na organização, disse ao Jornal Tribuna de Macau ter ficado surpreendida por “ainda haver esta chama” de interesse pela aprendizagem da cultura e da língua portuguesa


A tendência cada vez maior pelo interesse na aprendizagem da cultura e da língua portuguesa ficou comprovada pela “dedicação inspiradora”, dos alunos participantes na 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UM).

A expressão é de Tânia Ferreira, coordenadora da iniciativa juntamente com Lu Chunhui, que ao Jornal Tribuna de Macau fez o balanço da formação que decorreu durante três semanas e que contou com cerca de 400 inscrições.

“O balanço é bastante positivo”, salienta a professora do Departamento de Português da Faculdade de Letras da UM, para quem a oferta formativa foi “muito rica”, uma vez que “eles tiveram oportunidade de aprender um pouco sobre danças folclóricas e participar noutros workshops dedicados à língua portuguesa, à cultura dos países lusófonos, à literatura, à história e à tradução”.

Além disso, referiu que, “uma vez que também temos colegas que são especialistas na área do ensino da língua portuguesa e na certificação da aprendizagem do português”, foi oferecido um workshop dedicado ao funcionamento dos exames de proficiência da língua lusa, onde não faltou o patuá e a sua importância em Macau.

Para o sucesso de mais um Curso de Verão da UM, a coordenadora destaca a boa parceria feita com Lu Chunhui. “Ele fala chinês e coordenou bem uma equipa que integrou também alunos que nos ajudaram em toda a área da organização”, indica, sublinhando que o “interesse foi tanto que as inscrições esgotaram horas depois de terem sido lançadas”.

Tânia Ferreira está no Departamento desde Janeiro deste ano, tendo sido contratada para leccionar na área da linguística e coordenação de iniciativas como este Curso de Verão de Língua Portuguesa. Foi, por isso, a sua primeira experiência à frente da iniciativa.

Tendo trabalhado na China, em Pequim, há 12 anos, a docente constatou “com muita alegria” esta “entrega dos alunos”, porque também não conhecia este grande interesse pela língua portuguesa, pelo seu potencial, sobretudo económico, para trabalhar nos países de língua portuguesa (PLP), em especial em África e no Brasil.

Os participantes na formação eram todos de etnia chinesa, incluindo alguns que vivem fora do Continente e Macau, e não só provenientes de universidades, mas igualmente de outras áreas. Demonstraram “uma grande vontade de apreender”, o que achei incrível, e com uma dedicação inspiradora”, enfatizou, concluindo ter ficado surpreendida pelo interesse que existe em aprender a língua portuguesa.

“Não tinha essa noção e, de facto, pude depois confirmar que nos últimos anos tem sido essa a tendência”. Por isso, diz, “estou muito satisfeita por ainda haver esta chama”.

Na cerimónia de encerramento, os dois coordenadores do Curso de Verão da UM destacaram a variedade de actividades incluídas na formação, com temas que abrangeram, para além da dança, a interpretação de grandes autores como Camões e Fernando Pessoa, a evolução cultural e literária do Brasil, a prática de tradução poética, visitas guiadas à história e cultura de Macau, orientações de preparação para os exames CAPLE e a partilha de experiências por uma intérprete profissional, entre outros.

A concepção do curso, apoiado pela Fundação Macau, teve em conta a diversidade temática e geográfica, “articulando-se em diferentes níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter resultados frutuosos”, segundo se pode ler num comunicado da UM.

Na sessão final, que incluiu a entrega de diplomas aos participantes, representantes dos alunos de diferentes níveis partilharam as suas vivências académicas e pessoais na universidade.

Lin Xi, da Universidade de Comunicação da China, salientou que o curso lhe permitiu consolidar os conhecimentos de gramática portuguesa e alargar o seu contexto cultural, esperando “aplicar o que aprendeu para promover o intercâmbio sino-estrangeiro e contar melhor a história da China”.

Feng Maomao, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, referiu que o curso lhe proporcionou a vivência da cultura e literatura dos PLP, como a cultura popular do Brasil e o folclore de Portugal, o que representou para si a abertura de “uma nova porta para o mundo”.

Por seu turno, Li Qianyu, aluna do nível avançado, aprofundou a sua compreensão sobre a história e literatura de Macau, afirmando que UM é “uma plataforma de excelência para o intercâmbio intercultural”.

Já Huang Wai Kuan, prestes a ingressar na Faculdade de Direito da UM, explicou que o Direito de Macau exige o domínio tanto do chinês como do português, conseguindo assimilar gradualmente os conhecimentos básicos de português em três semanas.

Durante a cerimónia, os formandos apresentaram diversas actuações, evidenciando não só o que assimilaram durante o curso, mas também a sua paixão pela cultura dos PLP. Como já é tradição no Curso de Verão, alunos de diferentes níveis subiram ao palco para actuar em conjunto na dança folclórica portuguesa, sob a orientação da docente Mirandolina, “num ambiente bastante animado”, realça o comunicado da UM.

Além disso, a sessão final contou ainda com a declamação do poema “Orelhas” e a interpretação das canções “Não Precisa”, de Paula Fernandes, e “Flor de Lis”, famosa canção brasileira escrita e gravada pelo cantor e compositor Djavan. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 28 de julho de 2026

CPLP - “Com honra e responsabilidade”: Portugal assume presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da Organização

 O presidente da Assembleia da República portuguesa disse esta sexta-feira, em Luanda, que Portugal abraçou com grande honra e sentido de responsabilidade a presidência da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)


Portugal vai assumir, em 2027, a presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da CPLP (APCPLP), atualmente presidida pelo parlamento de Moçambique.

Aguiar Branco, em declarações à imprensa no final da XV Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacou que Portugal vai assumir, pela primeira vez, a presidência para o biénio 2027/2029.

O presidente do parlamento português desejou ainda que a presidência de Portugal «possa fortalecer a CPLP», no espírito de que estão imbuídos todos os Estados-membros.

Sobre o encontro que terminou esta sexta-feira, Aguiar Branco fez um balanço positivo, que serviu para tratar muitos temas da atualidade, como a digitalização, a resiliência das instituições democráticas, o prestígio dos parlamentos, o estimular da participação das mulheres na atividade política.

«Foi muito rica e muito variada as matérias que tratámos», considerou Aguiar Branco. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 21 de julho de 2026

Cabo Verde - Arqueólogos redescobrem um dos primeiros hospitais do Atlântico

 Cidade Velha – Arqueólogos estão a escavar uma encosta da Cidade Velha, primeira capital de Cabo Verde, e a devolver à luz do dia as ruínas de um dos hospitais pioneiros no Atlântico, com cerca de 500 anos.


"Será mesmo um dos primeiros", admite André Teixeira, arqueólogo da Universidade Nova de Lisboa, que colabora com o Instituto do Património Cultural (IPC) cabo-verdiano.

O espaço “aparece em documentação desde finais do século XV, portanto, entre 30 a 40 anos após a descoberta de Cabo Verde”, em 1460.

“Desde o início da expansão além-mar que se percebe que é preciso haver espaços de assistência. Esta é uma dessas primeiras experiências. Cabo Verde é, a muitos títulos, um espaço de experimentação” nas rotas portuguesas da época, refere.

Os trabalhos já duram há ano e meio e a redescoberta levou as autoridades a redesenhar o projeto de requalificação daquela zona da cidade classificada como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês).

Num projecto com apoio do Banco Mundial, as ruínas do complexo da Misericórdia vão acolher o primeiro núcleo museológico da Cidade Velha, a 10 quilómetros da cidade da Praia, com muitas histórias para contar.

Por exemplo, André Teixeira mostra à Lusa os restos de um cachimbo que se supõe tenha sido usado no antigo hospital, encontrado no subsolo, ao lado de pedaços de porcelanas.

“O fumo para aliviar as dores não é inédito nestes contextos hospitalares”, descreve.

Um dos membros da equipa, num trabalho minucioso, continua a picar o chão e bate em alguma coisa: devagar e com ajuda de uma escova, surge do meio da terra mais um pedaço de cerâmica – certamente de produção local, aponta André.

Tem sinais de ter ido ao lume e há ossos de galinha desenterrados mesmo ao lado, naquilo que pode ter sido uma cozinha ou refeitório no rés-do-chão do antigo hospital.

A equipa vai “removendo a montanha e as estruturas vão emergindo”, acrescenta.

O edifício, incrustado numa encosta rochosa que os séculos se encarregaram de cobrir com terra, teria um primeiro andar com enfermarias (nota-se o nível do chão) e terá sido abandonado no século XIX, reflexo da mudança da capital para a cidade da Praia.

Com o tempo, acabou por ficar soterrado, tal como a base da antiga Igreja da Misericórdia, cuja nave central está à vista, mas das paredes restam apenas vestígios, alguns com pedaços de azulejos pintados junto ao chão, com as variações de cor a testemunhar a passagem do tempo.

A torre sineira – que era o único pedaço do complexo que estava à superfície –, continua de pé e completa o quadro, juntamente com as capelas laterais e o que se julga ter sido a residência do bispo, com um pavimento e escadaria preservados, acima do complexo.

“Este espaço funcionou como Sé de Cabo Verde durante mais de um século, enquanto não era concluída a construção da catedral, lá no alto”, detalha André Teixeira.

Há “uma grande presença religiosa, central, como era tradição, a igreja, em comunicação com o hospital”, evocando “a dupla função das misericórdias, a assistência social e na saúde”.

Em fevereiro de 2025, numa fase inicial das prospeções, André Teixeira dizia à Lusa, no mesmo local, que ainda só se vislumbrava “a ponta do iceberg”.

Havia “o topo de dois murinhos” e “não se via mais nada”, recorda, mas o resultado surpreendeu a equipa da Nova e do IPC.

“Só víamos pequenas estruturas do complexo da Misericórdia, mas agora, depois de várias campanhas de escavação, estamos a descobrir uma estrutura monumental, com maior dimensão do que pensávamos”, refere à Lusa Jaylson Monteiro, arqueólogo do IPC.

A prazo, “tudo vai estar completamente diferente: há um projeto de arquitetura finalizado, vai haver um espaço musealizado e uma estrutura de proteção, para evitar degradação por chuvas ou intempéries. Isto vai ter outra imagem”, diz.

O objectivo é enriquecer o roteiro de visita da Cidade Velha, com a preservação do património aliada ao usufruto dos residentes e ao turismo – motor da economia cabo-verdiana e em crescimento nos últimos anos, fruto do aumento de ligações aéreas com a Europa. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Cabo Verde - Primeiro-ministro quer aprofundar cooperação com CPLP e com Portugal

 Lisboa – O primeiro-ministro Francisco Carvalho afirmou, em Lisboa, que o seu Governo pretende aprofundar a cooperação existente com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e reforçar a parceria “histórica e de excelência” com Portugal.


Francisco Carvalho falava aos jornalistas após visitar a sede da CPLP onde, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional, Manuel da Rosa, foi recebido em sessão solene pela secretária-executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, e pelos representantes permanentes dos Estados-membros.

O chefe do Governo cabo-verdiano explicou que a visita teve como objectivo demonstrar a importância que Cabo Verde atribui à CPLP e reafirmar o compromisso do novo executivo com o fortalecimento da organização e das relações entre os seus membros.

“Vamos aprofundar a relação que existe entre Cabo Verde e CPLP, garantindo a estabilidade no relacionamento entre a organização e os Estados-membros desta comunidade extraordinária”, afirmou.

Francisco Carvalho reiterou que o executivo cabo-verdiano está engajado em promover o desenvolvimento e o aprofundamento das relações entre os países da CPLP e entre Cabo Verde e a organização.

O primeiro-ministro justificou ainda a escolha de Portugal para a sua primeira deslocação oficial ao estrangeiro com a relevância histórica e estratégica das relações bilaterais.

“Portugal é um parceiro tradicional e de longa data de Cabo Verde. Temos excelentes relações, com uma cooperação que atinge diversas áreas. O caminho é o do aprofundamento e do reforço”, disse, acrescentando que a visita simboliza a importância que Portugal continua a assumir para Cabo Verde “em termos históricos, no presente e em relação ao futuro.”

Questionado sobre a situação da Guiné-Bissau, suspensa dos órgãos da CPLP, e sobre julgamento do líder do PAIGC e antigo secretário-executivo da organização, Domingos Simões Pereira, Francisco Carvalho escusou-se a comentar o processo judicial.

O governante cabo-verdiano limitou-se a afirmar que os Estados-membros da CPLP estão a trabalhar em conjunto, através do diálogo e da concertação, para encontrar soluções que contribuam para a estabilidade e respondam aos interesses do povo guineense.

A CPLP, organização fundada em 17 de Julho de 1996, é actualmente integrada por nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Inforpress” – Cabo Verde

segunda-feira, 6 de julho de 2026

CPLP - "Países têm de estar comprometidos com direitos humanos para firmeza da organização"

 O provedor dos Direitos Humanos e da Justiça de Timor-Leste defendeu que os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa devem estar mais comprometidos com os direitos humanos para a organização ter mais firmeza perante o mundo

Em declarações à Lusa, por ocasião do 30.º aniversário da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Virgílio Guterres disse que os Estados-membros da CPLP têm de estar comprometidos com os princípios da organização, que passam também pela democracia, boa governação e direitos humanos.

“E não é só um compromisso coletivo, porque todos os Estados-membros da CPLP são Estados que saíram de uma luta contra o colonialismo e têm um compromisso para provar ao seu povo que a independência é boa em comparação ao colonialismo”, salientou Virgílio Guterres.

E, continuou o provedor, um dos esforços da “missão sagrada” desses países é “marcar a sua firmeza perante as violações de direitos humanos”.

“São esses os princípios que nortearam a luta de todos os membros da CPLP. Então, agora, como já alguns comemoraram 50 anos da independência, temos de fazer esta pergunta: estamos a cumprir as nossas promessas ao nosso povo ou não? Só assim é que a CPLP pode garantir a sua firmeza perante o mundo como uma plataforma que contribui para a paz mundial”, salientou.

Caso contrário, a CPLP será “meramente uma plataforma de troca de ideias, de troca de sentimentos, de saudosismos”, acrescentou.

Virgílio Guterres disse também esperar que os governantes tenham sensibilidade para sentir as mudanças globais, lembrando que muitos paradigmas estão obsoletos.

Apesar disso, afirmou estar otimista, porque, apesar das situações menos positivas que afetam países da CPLP, há “esforço” e a “luta continua” para a defesa dos direitos humanos e dos princípios da democracia.

A CPLP foi criada, em Lisboa, em 17 de julho de 1996 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé Príncipe.

Timor-Leste aderiu à organização em 2002, após a restauração da independência, em 20 de maio do mesmo ano, e a Guiné Equatorial aderiu em 2014 na cimeira da Díli. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Guiné-Bissau - CEDEAO anuncia referendo à nova Constituição do país

 A nova Constituição da Guiné-Bissau, recentemente aprovada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), irá ser submetida a referendo popular, disse em Bissau, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Serra Leoa, Timothy Kabba, citando as autoridades guineenses

A nova Constituição da Guiné-Bissau, recentemente aprovada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), irá ser submetida a referendo popular, disse em Bissau, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Serra Leoa, Timothy Kabba, citando as autoridades guineenses.

O responsável serra-leonês liderou uma missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que incluiu também o ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal e o ministro da Defesa do mesmo país.

A delegação foi recebida pelas autoridades de transição da Guiné-Bissau, nomeadamente pelo Presidente, general Horta Inta-a, de quem receberam a informação de que as eleições legislativas e presidenciais estão marcadas para 06 de dezembro próximo e que a Constituição foi revista, disse Timothy Kabba.

Em declarações aos jornalistas, à saída da audiência com o presidente da transição guineense, divulgadas pela imprensa local, Timothy Kabba disse que foram informados por Horta Inta-a que a versão da Constituição aprovada pelo CNT, órgão que substituiu o parlamento desde o golpe de Estado de 26 de novembro, vai ser submetida a referendo, embora não tenha indicado em que data.

A nova Constituição guineense, revista em janeiro passado, na prática, reforça os poderes do Presidente da República, que passa a deter a maioria dos poderes do Estado, nomeadamente na nomeação e orientação da ação do primeiro-ministro.

O porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Fernando Vaz, explicou, em declarações aos jornalistas, que a nova Constituição manteve o sistema semi-presidencialista, mas reforçou os poderes do Presidente da República, a quem o Governo “terá de responder” bem como à Assembleia Nacional (parlamento).

Além do anúncio da realização do referendo sobre a nova Constituição, a missão da CEDEAO foi informada igualmente por Horta Inta-a de que a Lei Eleitoral do país foi revista.

O chefe da diplomacia da Serra Leoa afirmou que a delegação ficou satisfeita com as informações recebidas.

A missão política da CEDEAO esteve em Bissau dois dias após a partida de uma outra delegação de chefes do Estado-Maior das Forças Armadas de cinco países da mesma organização, que mantiveram encontros de trabalho com as autoridades de transição.

A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, da União Africana e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na sequência do golpe de Estado ocorrido em novembro de 2025, em vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, então realizadas.

Os militares, sob o comando do general Horta Inta-a, anunciaram terem tomado o poder para “evitar um banho de sangue no país” em decorrência de disputas pelos resultados eleitorais. Na altura suspenderam o processo eleitoral e destituíram o então Presidente, Umaro Sissoco Embalo.

Horta Inta-a assumiu a presidência do país, Ilídio Vieira Té foi nomeado primeiro-ministro e um Conselho Nacional de Transição foi criado para fazer as funções do parlamento. In “Executive Digest” - Portugal

segunda-feira, 22 de junho de 2026

São Tomé e Príncipe – Empresários dos Camarões projectam ligação marítima para integrar o país no comércio com África

 De costas voltadas para o emergente mercado da África Central, com mais de 400 milhões de consumidores, o arquipélago são-tomense recebeu na última semana um novo impulso dado por empresários dos Camarões.


«Falamos da ligação marítima. Há um armador que poderá colocar um barco à disposição para lançar oficialmente a ligação marítima entre São Tomé e Príncipe e os Camarões. Acreditamos que esta ligação vai ajudar as trocas comerciais entre os dois países», declaração de Etienne Desiré, chefe da delegação empresarial camaronesa.

Até à década de 90 do século XX o porto da cidade de Douala no vizinho Camarões era muito frequentado pelos comerciantes de São Tomé e Príncipe. As trocas comerciais entre os países vizinhos eram asseguradas pelos navios Pagué e Elizabete, ambos propriedade do Estado são-tomense.

A II República que nasceu em 1991 fez desaparecer os dois navios, e cortou as trocas comerciais com os países vizinhos. A actividade comercial do passado, com o continente africano contribuiu bastante para a balança de pagamentos de São Tomé e Príncipe.

«Em parceria com o nosso cônsul honorário nos Camarões e mais a Agência de Promoção de Comércio e Investimentos (APCI) realizou-se um fórum de investimentos nos Camarões, que recomendou a visita de prospecção do mercado nacional, pelos dos empresários camaroneses», afirmou Gika Simão, o director de Planeamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A delegação empresarial camaronesa foi informada sobre os benefícios fiscais que o país oferece aos investidores africanos, e foram identificadas algumas áreas de investimento. «A parceria está em curso, esta é uma fase, e alegra-nos constatar que os resultados começam a aparecer», acrescentou o director do planeamento do ministério dos negócios estrangeiros.

À luz do Fórum de Investimentos que o governo realizou na capital da União Europeia, Bruxelas, os empresários camaroneses pretendem seguir algumas pistas abertas por São Tomé e Príncipe em Bruxelas.

«Eles também podem optar por financiar um dos projectos. Passos estão a ser dados para que a breve trecho possamos ter aqui em São Tomé e Príncipe investidores camaroneses», assegurou Gika Simão.

Por sua vez, o chefe da delegação empresarial dos Camarões garantiu que a abertura da ligação marítima entre os dois países vai estimular o investimento privado do seu país em várias áreas de actividade económica do arquipélago do golfo da Guiné. 

Note-se que o capital camaronês está presente no mercado financeiro de São Tomé e Príncipe através do Banco privado Afriland First Bank, e da seguradora SAAR. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Moçambique - Portugal disponibiliza conhecimentos e meios para o combate à pesca ilegal

 O secretário de Estado das Pescas e do Mar português disse, na cidade de Maputo, que a pesca ilegal é um desafio global, estando Lisboa disponível para apoiar Moçambique com equipamentos e estudos para travar estes crimes nos seus mares


Não vale a pena Moçambique estar a comprar equipamentos que Portugal já tem, não vale a pena estar a estudar problemas que nós já estudámos. Nós estamos prontos, sim, para disponibilizar esses equipamentos, os resultados da nossa investigação científica, porque nós queremos mesmo que Moçambique olhe para o mar como um vetor estratégico, porque pode ser o mar o ponto de viragem para uma nova economia em Moçambique”, disse Salvador Malheiro.

O responsável falava em declarações à Lusa à margem da 3.ª Conferência da Economia Azul, que terminou sexta-feira, a propósito da pesca ilegal que afeta Moçambique, sobretudo ao longo do oceano Índico, defendendo ações coordenadas entre países para tentar travar este crime que Portugal também enfrenta.

“Nós, apesar de termos uma aposta muito maior na fiscalização e na colocação das forças de segurança no mar, também não temos o problema resolvido e este é um problema que temos que encarar de uma forma global e que temos que discutir as melhores formas de o atacar. Já percebemos que não é apenas com leis, é preciso muita fiscalização, mas sobretudo uma ação de sensibilização juntos dos pescadores, nacionais e internacionais”, alertando para as implicações do esgotamento dos recursos marinhos, declarou.

Relativamente a novos acordos para apoiar Moçambique no setor de mar e pescas, disse que está em preparação uma conferência “ao mais alto nível”, prevista para este ano, em Lisboa, indicando que nesse encontro os dois países vão estreitar relações nesta área.

“Em primeiro lugar, vamos colocar as nossas instituições de ciência e investigação científica a falar conjuntamente, quer as de Portugal, quer as de cá. Vamos colocar a respetiva autoridade marítima a conversar mutuamente, no sentido de nós termos partilha de informação, tecnologias e equipamentos. Por outro lado, vamos tentar ajudar Moçambique junto da Comissão Europeia, para que possamos ter um novo acordo (…) que defenda os interesses de Moçambique”, acrescentou.

Segundo o governante, na referida conferência serão mostradas as potencialidades de Moçambique aos empresários portugueses que querem investir neste setor.

Ao discursar no encerramento da conferência, Malheiro disse que Lisboa quer compatibilizar com Moçambique os regulamentos do setor de pescas e mar, colaborando na formação e ordenamento do espaço marítimo.

“Esta parceria bilateral tem algumas áreas que, na minha opinião, devem ser consideradas estratégicas, desde logo na compatibilização de regulamentos do setor das pescas, garantindo a sustentabilidade das capturas, abertura de novos mercados e o combate à pesca ilegal”, disse.

Portugal quer também parcerias com Moçambique no ordenamento do espaço marítimo, partilhando boas práticas de planeamento e de licenciamento sustentável, harmonizando e compatibilizando os diversos recursos do mar. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Associação Internacional dos Lusodescendentes avança com proposta de Dia do Lusodescendente

 Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) anunciou o lançamento de uma iniciativa para instituir oficialmente o Dia do Lusodescendente. O objetivo é reconhecer a identidade própria das gerações nascidas da diáspora portuguesa em todo o mundo


Gilda Pereira, presidente da Direção da AILD, destacou a importância da iniciativa, afirmando que “os lusodescendentes são a projeção global e o futuro de Portugal no mundo”. A responsável esclareceu ainda que a designação não deve ser “dia nacional”, uma vez que seria uma contradição para uma comunidade cuja vivência é, por definição, global. “Vamos pedir estas audiências parlamentares convictos de que os deputados, em especial os eleitos pela Emigração, reconhecerão a urgência de valorizar esta imensa rede que une Portugal ao mundo”, concluiu.

A AILD declarou que vai formalizar pedidos de audiência junto da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos diversos Grupos Parlamentares da Assembleia da República.

A associação sublinha que, embora o dia 10 de Junho seja já assinalado como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os lusodescendentes constituem uma realidade identitária distinta. “Os lusodescendentes representam uma realidade identitária distinta, marcada por vivências transnacionais, multiculturalidade e uma relação com Portugal que se renova geração após geração”, lê-se na publicação.

Segundo a AILD, a instituição deste dia assenta em três eixos fundamentais: a afirmação global da identidade transnacional de milhões de cidadãos; a continuidade da herança, através do incentivo ao ensino do português como língua de herança; e o reconhecimento dos lusodescendentes como um ativo estratégico em posições de liderança internacional nas áreas económicas, científicas e culturais.

A AILD lançou ainda um apelo à sociedade civil e ao movimento associativo, convidando todas as organizações da diáspora, instituições culturais e cidadãos interessados a juntarem-se à causa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 2 de junho de 2026

Luxemburgo - “Euforia”: A celebração da lusofonia no Verão do país

 No cenário histórico da Abbaye de Neumünster, o centro cultural Neimënster acolhe mais uma edição de um evento que celebra a diversidade cultural através da música. Intitulado Euforia, este dia específico da programação destaca-se como uma homenagem às sonoridades da lusofonia, reunindo influências de Portugal, Cabo Verde e Brasil num ambiente festivo e aberto a todos


Agendado para o dia 11 de julho de 2024, entre as 17h30 e a meia-noite, Euforia propõe uma viagem musical que atravessa geografias e tradições, refletindo a riqueza cultural dos países de língua portuguesa. Integrado na programação de verão de Neimënster, o evento decorre ao ar livre, tirando partido do ambiente único da abadia.

Ao longo da tarde e da noite, o público é convidado a mergulhar em diferentes estilos musicais que, apesar das suas especificidades, partilham raízes comuns. O programa inclui a presença do Priscila da Costa Trio, que traz ao palco a expressividade do fado, género profundamente ligado à identidade portuguesa. Segue-se Carisa Dias & Band, com uma abordagem que cruza a morna cabo-verdiana com influências contemporâneas, evocando temas como a diáspora e a pertença. A energia do samba brasileiro chega com Samba de Lux, convidando à dança e à celebração coletiva, enquanto o encerramento fica a cargo da Banda Compacto, que transforma o espaço num verdadeiro baile ao ar livre.

Mais do que uma sucessão de concertos, Euforia afirma-se como um espaço de encontro entre comunidades. A programação inclui também momentos de convívio, animação e propostas pensadas para diferentes públicos, reforçando o carácter inclusivo do evento. A combinação entre música, gastronomia e ambiente ao ar livre contribui para criar uma experiência imersiva, onde o público não é apenas espectador, mas parte integrante da festa.

Num país marcado pela diversidade cultural como o Luxemburgo, iniciativas como esta assumem um papel relevante na valorização das comunidades lusófonas e das suas expressões artísticas. Euforia surge assim como um ponto de convergência entre tradição e contemporaneidade, promovendo o diálogo cultural através da música.

Ao reunir diferentes vozes e ritmos num mesmo palco, o evento sublinha a força da lusofonia enquanto espaço de partilha. Mais do que um momento de entretenimento, trata-se de uma celebração da identidade cultural comum, vivida de forma coletiva num dos espaços mais emblemáticos da cidade. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 26 de maio de 2026

São Tomé e Príncipe - Património único em processo de recuperação

 Localizado no ilhéu das Rolas, o Marco do Equador constitui um património histórico, cultural e turístico singular, assinalando o ponto exato de passagem da linha do equador em território santomense.


“O Marco oferece aos nossos visitantes uma experiência verdadeiramente única: a possibilidade simbólica de estarem simultaneamente nos dois hemisférios do planeta”, destacou Nilda da Mata, Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável.

Atualmente, tanto o monumento como a área envolvente encontram-se em estado de degradação avançado, comprometendo a sua integridade estrutural e o seu potencial como elemento de atração turística e cultural.

Com financiamento do Banco Mundial, através do projeto WACA+, o Marco do Equador será alvo de recuperação. O projeto preliminar foi apresentado pelo consórcio Mundi Consulting.

“É uma grande responsabilidade, porque se trata da recuperação de um dos maiores monumentos históricos do país”, afirmou Beatriz Ramos, em representação do consórcio.

Para a titular da pasta do Turismo, a reabilitação do Marco do Equador representa uma oportunidade estratégica para “preservar um testemunho histórico único da nossa nação, reforçar a identidade nacional, dinamizar o turismo sustentável, promover a inclusão comunitária e contribuir diretamente para a melhoria das condições de vida das famílias da comunidade local.”

Se o calendário previsto for cumprido, as obras deverão arrancar ainda este ano. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Canadá - Ensino do português preocupa comunidade luso-canadiana na Província do Ontário

 O novo embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo Lucena, considerou na quinta-feira, que o ensino da língua portuguesa é uma das principais preocupações da comunidade luso-canadiana no Ontário, durante a sua primeira visita oficial a Toronto


“Um dos problemas, como sabem, que temos aqui em Toronto, e que me foi já várias vezes referido nestes primeiros contactos com a comunidade, é o ensino da língua portuguesa”, afirmou o diplomata aos jornalistas no consulado de Portugal em Toronto, num encontro aberto à comunidade portuguesa, clubes, associações e órgãos de comunicação social da diáspora.

Bernardo Lucena, que apresentou credenciais à Governadora-geral do Canadá há cerca de um mês, descreveu esta deslocação como a sua “primeira visita à Comunidade Portuguesa de Toronto”, sublinhando que a principal razão da deslocação é precisamente o contacto direto com os portugueses residentes no Ontário e o conhecimento mais aprofundado das suas preocupações.

“A mensagem é muito simples: quer o consulado-geral, quer a embaixada, tenham as portas abertas para a comunidade portuguesa, como sempre tiveram e continuarão a ter, e tentarei fazer o meu melhor para servir a comunidade portuguesa no Canadá”, declarou.

Segundo Bernardo Lucena, a questão do ensino do português foi abordada em reuniões mantidas esta quinta-feira com responsáveis do governo da província do Ontário, incluindo encontros com membros do executivo provincial ligados às áreas da economia e do ensino superior.

“As relações entre Portugal e o Canadá atravessam neste momento uma fase muito positiva, quer no plano económico, quer no plano político, e isso cria oportunidades importantes para Portugal e também para as comunidades portuguesas aqui estabelecidas”, afirmou o diplomata, acrescentando que Portugal poderá beneficiar do atual contexto de aproximação entre o Canadá e a União Europeia, incluindo nas áreas comercial e da defesa.

Nascido em Lisboa em 1960, Bernardo Lucena ingressou na carreira diplomática em 1987 e exerceu anteriormente funções como embaixador de Portugal em Cabo Verde e na Irlanda, representante permanente junto da OCDE e conselheiro diplomático do primeiro-ministro português.

A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, afirmou que o ensino da língua portuguesa continua a ser uma das principais preocupações da rede consular e associativa no Ontário, sobretudo devido às dificuldades enfrentadas pelo Programa de Línguas Internacionais do Distrito Escolar Católico de Toronto (TCDSB, sigla em inglês).

“Essa é uma mensagem que nós temos vindo a passar, o desvalor e a desvantagem que é eliminar um Programa de Línguas Internacionais num mundo onde a mobilidade é um valor nuclear, tanto para o percurso académico como para as oportunidades profissionais dos jovens”, afirmou a diplomata.

Ana Luísa Riquito recordou que o ensino do português no Ontário abrange escolas comunitárias, ensino básico e secundário e ainda o ensino universitário, nomeadamente através de programas existentes nas universidades de York e de Toronto.

A responsável explicou que a cooperação entre Portugal e as instituições de ensino canadianas é desenvolvida através do instituto Camões, com apoio financeiro, formação e treino de professores e iniciativas de promoção da língua e cultura portuguesas.

“O português não é apenas uma língua de identidade e de herança, é uma língua de oportunidade, uma língua internacional falada em vários continentes e cada vez mais valorizada no contexto global”, afirmou a cônsul-geral, referindo que essa posição foi transmitida pelo embaixador aos representantes do governo do Ontário.

Também o presidente do Conselho Regional da América do Norte do Conselho das Comunidades Portuguesas, Paulo Pereira, classificou como “gravíssimo” o risco de redução do ensino integrado de português nas escolas católicas de Toronto.

“O corte iminente do ensino integrado nas escolas católicas significa a perda do ensino português para cerca de 2200 alunos, o que seria um golpe muito duro para a nossa comunidade e para o futuro da língua portuguesa no Canadá”, alertou.

Segundo Paulo Pereira, a eventual eliminação das aulas integradas durante a semana poderá provocar uma quebra significativa no número de estudantes, uma vez que muitos alunos não terão disponibilidade para frequentar aulas apenas ao fim de semana.

“Vamos perder muitos alunos com isso, e o ensino integrado ajudava que os alunos matriculados na escola fizessem parte automaticamente do programa, sem terem de abdicar do tempo familiar ou das atividades de fim de semana”, explicou.

O conselheiro das comunidades portuguesas acrescentou ainda que o envelhecimento da população luso-canadiana está igualmente a afetar as associações comunitárias, tradicionalmente responsáveis pela promoção do ensino e da cultura portuguesas no Canadá.

Bernardo Lucena descreveu a comunidade portuguesa no Canadá como “dinâmica”, “bem integrada” e reveladora de “um portuguesismo assinalável”, considerando tratar-se de “uma comunidade de sucesso que continua muito ligada às suas raízes e à cultura portuguesa”.

O diplomata reconheceu, contudo, que muitos dos problemas apresentados pelos representantes comunitários são semelhantes aos encontrados noutras geografias da diáspora portuguesa, incluindo questões ligadas à participação eleitoral, serviços consulares e renovação geracional das organizações comunitárias.

A visita oficial do embaixador português a Toronto decorre entre 14 e 17 de maio e inclui encontros com autoridades provinciais, instituições sociais e associações portuguesas.

O programa prevê visitas à Luso Canadian Charitable Society, ao sindicato da construção LIUNA Local 183, à Casa dos Açores do Ontário, à Casa do Alentejo, ao Magellan Community Foundation e a Little Portugal, além da participação num encontro de professores de português no estrangeiro e na gala da Federação dos Empresários e Profissionais Luso-Canadianos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo