Não podemos deixar de lamentar publicamente que o Presidente da
República Portuguesa tenha ratificado o Acordo relativo ao Tribunal Unificado Europeu
de Patentes – ratificação entretanto publicada na edição de 6 de Agosto do
corrente ano do “Diário da República”.
Recorde-se que, segundo esse Acordo, o Tribunal Unificado Europeu de
Patentes apenas aceitará propostas de patentes apresentadas em língua inglesa,
francesa ou alemã. De igual modo, qualquer conflito jurídico só poderá ser
dirimido numa dessas três línguas.
Essa ratificação parece-nos ser por inteiro inconstitucional – não
só, desde logo, por promover a desigualdade no acesso à Justiça, como, não menos
importante, por atentar contra uma das tarefas fundamentais do Estado
português: a defesa da nossa Língua. Um ano após se terem assinalado os oito
séculos da Língua Portuguesa, esta é, pois, mais uma má notícia, a juntar a
tantas outras.
Para minorar todos os prejuízos, inclusive económicos, reclamamos
que se possa sediar um Centro de Mediação e Arbitragem do Tribunal Unificado Europeu
de Patentes no espaço nacional, conforme já foi exigido por outros países
(como, por exemplo, pela Eslovénia). Assim, pelo menos, todo o processo
burocrático seria menos oneroso.
Recordamos, a este respeito, uma decisão análoga da FIFA, sobre a
qual igualmente nos pronunciámos, em Abril deste ano de 2015:
«De forma incompreensível, a FIFA
(Fédération Internationale de Football Association) retirou os conteúdos em
língua portuguesa da sua página oficial, ficando apenas disponíveis os serviços
em inglês, castelhano, francês, alemão e árabe.
Numa mensagem intitulada “Do Brasil à
Rússia”, o organismo máximo que rege o futebol mundial despede-se dos momentos
vividos no Brasil em 2014, deixando a promessa de futuros conteúdos em russo,
devido ao próximo campeonato do Mundo.
Nada tendo contra a Rússia, cuja
importância da Língua e Cultura deve ser respeitada e reconhecida, reclamamos a
imediata reposição dos conteúdos em língua portuguesa, dada a importância da
Lusofonia à escala global – decerto, bem maior do que a língua francesa ou
alemã, e muito mais dispersa geograficamente do que a língua castelhana ou
árabe.»
É caso para dizer que, tanto à escada global como à escala
europeia, a Língua Portuguesa continua a não ser devidamente defendida, sendo,
por isso, amiúde ultrapassada por outras línguas que não são sequer comparáveis
à língua portuguesa na sua importância à escala global. Pela nossa parte, não
nos cansaremos de o denunciar. E, sobretudo, de trabalharmos, em parceria com
as mais diversas entidades, como tem acontecido, para que a situação se altere.
MIL: Movimento Internacional Lusófono
MIL_Portugal