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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva

domingo, 11 de abril de 2010

O «nosso» homem em Paris

Francisco Seixas da Costa é actualmente o embaixador de Portugal em França. E tem um blog, denominado «Duas ou três coisas», onde vai escrevendo as suas «notas pouco diárias». Uma delas, colocada a 27 de Março último e intitulada «Reizinho(s)», fala dos «sonhos dos bobos da inexistente corte que por aí hasteiam, sob a coragem da noite, a sua patética nostalgia.» Refere-se, obviamente, às recentes iniciativas, por parte de alguns monárquicos, de hastear bandeiras azuis e brancas, e muito em especial às que foram erguidas no Parque Eduardo VII e na Câmara Municipal de Lisboa.
Como seria de esperar, esta «posta» deu origem a muitas respostas, favoráveis e desfavoráveis, tanto de monárquicos como de supostos republicanos. Eu só intervim quando, em dois dos seus próprios comentários, o sr. embaixador reivindicou o seu «inalienável direito à higiene» para não publicar comentários que «utilizam uma linguagem que pouco fica a dever à educação», e isto porque o seu blog é um «espaço livre de discussão, educada e civilizada».
No meu primeiro comentário escrevi o seguinte: «É irónico que o senhor embaixador apele à “discussão educada e civilizada” quando é o próprio o primeiro a comportar-se de forma contrária, com as suas alusões a “bobos” que “hasteiam” a sua “patética nostalgia”. Pois, eu “patético nostálgico” me confesso: nostálgico de um regime, de uma sociedade, e de um tempo, que tanto progresso material e cultural trouxeram a Portugal, em que a pena de morte foi abolida, se deu a expansão do caminho-de-ferro, as expedições no interior de África, a liberdade de expressão e de imprensa era um facto, a geração de 70 floresceu, e em que dois dos seus mais ilustres representantes, Oliveira Martins e Eça de Queiroz, foram respectivamente ministro e diplomata... enfim, vigorava uma verdadeira democracia segundo os padrões da época, e que um bando de criminosos, terroristas, bombistas, assassinos, censores, fanáticos, derrubou em 1910 para instaurar uma ditadura que só viria a ser deposta em 1974. E sugiro que se olhe, não ao espelho, mas ao ecrã do seu computador, quando decidir chamar a outros de patéticos. Porque a sua "conversão" à "novilíngua" totalitarizante resultante do "acordo ortográfico", e a utilização de aberrações ortográficas como "atual", "respetivos", "coletivo", "efetivo", "fator", "noturnos", é, no mínimo... hilariante. Não lhe dá muita... credibilidade. E, sabe, nós monárquicos efectivamente privilegiamos o debate de ideias; “golpes de mão” (armada, de pistola e carabina, a 1 de Fevereiro de 1908, e não só) é que são típicos dos republicanos; e o hastear calado da mais bela bandeira portuguesa vale mais, muito mais – “fala” muito mais – do que as histerias palavrosas que costumam acompanhar o desfraldar do “ignóbil trapo” (para Fernando Pessoa) vermelho e verde

«O seu nome como muito bem me apraz»
Devo sem dúvida ter cumprido as regras de «higiene» e respeitado os critérios de «educação e civilidade» porque não só o meu comentário foi publicado como o sr. embaixador escreveu a seguir que teve «o maior gosto» em o fazer.
Porém, referiu-se a mim como «Otávio dos Santos». Pelo que por minha vez respondi que o meu primeiro nome se escreve com um «C». Mais à frente fiz mais um comentário a... um comentário dele, em que alegava que no seu texto original se limitava a condenar e a ridicularizar «os tristes métodos utilizados por alguns para desrespeitarem os símbolos republicanos.» Escrevi: «”Tristes métodos”? Porquê? Foram danificados bens públicos? Foram agredidas pessoas? E o senhor embaixador tem toda a razão em falar de “símbolos republicanos”... porque a bandeira vermelha e verde não é - nunca foi - verdadeiramente a de Portugal. É a bandeira da Carbonária, a bandeira dos que assassinaram D. Carlos e D. Luís Filipe, que mataram e feriram muitas mais pessoas, que destruíram bens públicos; esses, sim, é que utilizavam “(muito) tristes métodos”. E uma bandeira de assassinos não merece ser respeitada. Quanto ao outro “símbolo republicano”, a marcha-que-se-tornou-hino “A Portuguesa”, foi roubada pelos republicanos a Alfredo Keil... que era monárquico.»
Respondeu-me o sr. embaixador afirmando o seu «prazer» em publicar o meu comentário. E voltou a tratar-me de «Otávio dos Santos», acrescentando desta vez: «E, usando toda a liberdade que a República me concede, permito-me escrever o seu nome como muito bem me apraz.»
Sim, é mesmo isto que lá está.
A minha reacção? «Ou o senhor embaixador está a tentar fazer humor – sem sucesso – ou está a ofender-me deliberadamente, pessoalmente. O que, creio, até agora não o fiz em relação a si. Não há “acordo ortográfico”, ou “liberdade” seja ela qual for, republicana ou outra, que lhe dê o direito de alterar o meu nome ou o de qualquer outra pessoa. Eu nunca prescindirei do meu “C” - de “Carácter”. Como é que se sentiria se passasse a ser designado, por exemplo, como “Franciscu Seichas da Kosta”? Indignado, não é verdade? Se quer que os outros – incluindo os monárquicos – o respeitem, apesar de ser republicano, então mostre também algum respeito para com eles.» O Sr. Costa procurou então contemporizar: tratando-me por «Sr. Santos» e «prezado correspondente», aludiu a «dois registos» que «conflituam», na existência entre nós dois de «uma manifesta incompatibilidade na forma de olhar o mundo, na ironia com que se apreciam as coisas, no humor com que a vida se leva. É um jogo desigual, com regras que não são comuns, um mundo sem rei nem roque. Capitulo. Este post traz-nos, contudo, uma lição: são os temas menos sérios que congregam mais comentários.»

«”Fait-divers”, produto de uma atitude de desespero»
Por outras palavras, a identidade nacional e os seus símbolos, a liberdade de expressão e o respeito para com o próximo (incluindo, literalmente, o direito ao seu bom nome) são «temas menos sérios» para um representante máximo de Portugal no estrangeiro.
Decidi então introduzir outro «tema menos sério»: «Em Valença foram hasteadas dezenas de bandeiras de Espanha - incluindo na fortaleza (!) - em protesto contra o encerramento do serviço de urgência do centro de saúde daquela cidade. Seria interessante saber, sobre este assunto, a opinião do senhor embaixador, bem como de todos aqueles que se sentiram indignados com o hastear da bandeira azul e branca - que, nunca é de mais recordar, é portuguesa. E, já agora, será curioso observar quanto tempo vai passar até que os panos amarelos e vermelhos sejam retirados pelas autoridades policiais, terminando assim mais um “ultraje à república”. Ou não: afinal, esta talvez seja mais uma forma de corresponder ao apelo “Espanha, Espanha, Espanha” do actual primeiro-ministro.» E o sr. embaixador deu a sua opinião: «As bandeiras espanholas em Valença são um "fait-divers", produto de uma atitude de desespero, num a(c)to feito à luz do dia.» No entanto, e como «ramo de oliveira», concedeu-me que «foi uma pena a bandeira realista não ter sido ado(p)tada em 1910, expurgada naturalmente da derrubada coroa. Esteticamente, a imagem do país teria ficado mais bem servida. Agora, porém, já é tarde e a bandeira verde-rubra é a nossa bandeira nacional. A outra, fica para os livros de História, onde está muito bem arquivada.»
Permiti-me então fazer um resumo do «brilhante» raciocínio do «ilustre» diplomata: «Em Lisboa (e não só) o hastear da bandeira azul e branca (portuguesa, da Monarquia) representa um “triste método” de uns “bobos” expressarem a sua “patética nostalgia” e “desrespeitarem os símbolos republicanos”. Em Valença, o hastear da bandeira amarela e vermelha (espanhola, da Monarquia) é “um ‘fait-divers’ produto de uma atitude de desespero”. Além disso, o que aconteceu naquela localidade minhota é mais aceitável, ou compreensível, porque é “um aCto feito à luz do dia” e não à noite. Mas ainda bem que concorda que “a imagem do país teria ficado mais bem servida” com a bandeira azul e branca. Porém, ao contrário do que afirma, não é – nunca será – tarde para a recuperar. Eu diria que o Sr. Costa não aprendeu as lições da História recente. Há pouco mais de 20 anos também se pensava que o Muro de Berlim não cairia, que a União Soviética duraria para sempre... e veja-se o que aconteceu: a Rússia voltou a adoPtar a bandeira tricolor do tempo dos Czares. E qual é a bandeira que está hoje “muito bem arquivada” nos livros de História? Exactamente: a vermelha com a foice e o martelo. Moral da História: ninguém deve dizer que ela está encerrada...»
Todavia, este comentário não foi publicado: o sr. embaixador decidiu entretanto avisar que «este assunto encerrou». Comportamento próprio de quem já não tem argumentos e que sabe que perdeu a discussão.

3 comentários:

Francisco Seixas da Costa disse...

Uma boa polémica, com registos diferentes, acaba por ter sempre imensa graça. Como bem o prova o caso vertente, em que o postante se esforça, abundando-se em auto-(ex)citações, por dar às coisas um tom grave ("grave, excessivement grave", como diria o Steinbroken do Eça), num esforço para retirar o registo de humor e ironia com que sempre tratei (e tratarei) deste "assumpto" (seria assim, senão tivesse havido um anterior Acordo Ortográfico. Já agora: feito pela República, em 1911). Enfim, uma posição "sem rei nem roque", que não serve as ideias monárquicas e que dá dos seus seguidores uma imagem pouco simpática. Mas cada um sabe dos seus...

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

É com grande agrado, e alguma surpresa, que constato que o sr. embaixador é um visitante (Estreante? Ocasional? Regular?) do MILhafre. Aqui se sentirá sem dúvida «em casa» porque encontrará muitos que, como o senhor, decidiram aderir ao «(des)acordo ortográfico».

Não seja (mais uma vez) injusto: em termos de «(ex)citações» também o cito, a si, amiúde. Não sou assim tão egocêntrico... E confirma-se que temos mesmo noções diferentes do que exige um «tom grave» ou um «registo de humor e ironia». Aí, não duvide que eu sei mesmo dos meus...

... E apenas veio confirmar o que eu digo ao recordar a «reforma ortográfica» (então não houve acordo) de 1911. Tal como a bandeira e o hino (e os nomes de muitas ruas), a língua era algo que os «revolucionários» fanáticos de há 100 anos não hesitaram em alterar, como (mais) uma forma de ruptura, de substituir o «velho» pelo «novo». E qual seria o problema em (continuar a) escrever «assumpto»? Por mim, nenhum! Tal como não viria mal ao Mundo continuar a escrever «pharmacia». Os anglófonos continuam a utilizar o «ph» em vez do «f», e, que eu saiba, isso não lhes tolheu o progresso...

Paulo Pereira disse...

Octávio

Pelo que escreves, vejo que nunca deves ter vivido em Inglaterra. Sim a escrita deles é um pesadelo. Felizmente que eles não têm tanta necessidade de aprender uma língua estrangeira como nós, e podem concentrar mais tempo a aprendê-la.

Eu vi, e o atesto, vários Ingleses com dicionário de pronúncia de bolso: não ingleses ignorantes, mas ingleses dos mais cultos fazendo doutoramento. Simplesmente, olhando para uma nova palavra escrita, eles ficam muitas vezes sem saber minimamente como se pronuncia.

Apesar de conservarem o "ph" etc, cada academia vem com o seu carprichozinho. Dupla grafia na Língua Inglesa é coisa que não falta. Penso que bem mais abundante que na atual situção do acordo ortográfico.

Foi isso que aconteceu no Sec. XIX. Havia uma aparente grafia etimológica, só que na prática as razões eram muitas vezes arbitrárias ao sabor de caprichos de alguns estudiosos, como é o caso famoso de "lagryma". Os mesmos caprichos que fazem com qua a língua inglesa embora conserve o traço etimológico tenha tantas duplas grafias.