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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Da pátria, a língua

Neste mês de Setembro de 2011, mais concretamente a 1 e a 12, devido a documentos legislativos com essas datas, assinala(ra)m-se os 100 anos de mais uma catástrofe decorrente da insurreição republicana de 5 de Outubro de 1910: a reforma ortográfica de 1911, que constituiu uma autêntica «Caixa de Pandora», o «pecado original» para todos os problemas e discussões neste âmbito que desde então se sucederam e que ainda hoje, e cada vez mais – por causa do abominável «aborto (acordo) ortográfico» de 1990 – nos atormentam.
Não serão muitos os que sabem que foi em contestação a este (agora centenário) crime contra a cultura que Fernando Pessoa escreveu que «minha pátria é a língua portuguesa». Aliás, o autor de «Mensagem» viria a criticar, com – justificada – violência verbal, todos os republicanos e todos os outros atentados, de vários tipos, que aqueles practicaram, como verdadeiros terroristas que eram, e que deixaram o país pior do que estava com a Monarquia. Mas as hordas de Afonso Costa não se «limitaram» a prender, a bater, a matar, a destruir, a censurar: genuínos extremistas e fanáticos, alteraram, mais do que muitos nomes de avenidas, largos, praças e ruas, os símbolos culturais da nação: novo hino, nova bandeira – que o poeta da Orpheu (des)classificou como «ignóbil trapo» - e… nova ortografia.
Neste último século muito se tem discutido e escrito sobre a educação em Portugal, os seus sucessos e fracassos, os seus progressos e regressões. Frequentemente ainda, fala-se do «condicionamento escolar» do Estado Novo e do elevado analfabetismo que permitiu ou até que incentivou. Porém, é raro apontar-se a culpa aos primeiros republicanos, que, preconizando uma revolução (mais uma…) no ensino no sentido da sua massificação, acabaram por fracassar, também, neste domínio. Disso uma causa é hoje indiscutível: a hostilização, através de perseguições individuais e de expropriações patrimoniais, da Igreja Católica, que dispunha de uma presença e de uma influência determinantes em toda a infra-estrutura lectiva. Mas há outra causa primordial para o nosso atraso educativo e cultural: precisamente, a reforma ortográfica de 1911, que, pelo seu radicalismo, pelas súbitas e generalizadas alterações que introduziu, pela confusão que inevitavelmente espalhou, pela inutilização (tornando-os «antiquados», «obsoletos», «ultrapassados») de tantos livros, jornais, revistas e outros materiais impressos então existentes, condicionou decisivamente… e negativamente esta área – fulcral, fundamental – nas décadas seguintes. Quem é que é capaz de provar que as sucessivas acções de «simplificação» da ortografia realizadas durante o último século, e o cada vez menor grau de exigência resultante daquelas, não foram factores de constrangimento do nosso desenvolvimento intelectual, tanto individual como colectivo?
Poder-se-ia pensar que, num momento em que o país está tão fragilizado, quer económica quer socialmente, seria evidente para o Estado que um potenciador de ainda maior insegurança como é o AO fosse cancelado ou, pelo menos, suspenso. Mas não: hoje, a mesma ameaça volta a pairar sobre nós. Já fomos penalizados e prejudicados no passado recente por vários «experimentalismos» e «vanguardismos» na aprendizagem. Nada, no entanto, que se compare com o que agora querem obrigar-nos a aceitar: os alunos do presente – bem como os seus pais e encarregados de educação – estão em risco de sofrer os efeitos devastadores da maior acção de sabotagem comunicacional da História de Portugal. A eles se pede, também, contestação, desobediência, resistência. Eu, que tenho três filhas menores de idade, irei fazer isso… por elas, por mim, por todos. E muitos, muitos mais portugueses – muita(o)s mais… Pessoas! – irão fazer o mesmo e impor a sua vontade democrática na defesa da pátria, a língua. Porque, ao contrário de 1911 e de 1945 (ano do primeiro «acordo ortográfico»… que o Brasil viria a renegar), já não estamos em ditadura. Ou será que estamos? João Malaca Casteleiro, que é tão parecido com António Oliveira Salazar, provavelmente pensa que sim. Tal como os outros partidários deste autêntico fascismo linguístico.

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