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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 16 de maio de 2017

Também no jornal "Público": Macau será sempre Macau…


Para os Amigos Jorge Rangel e Garcia Leandro

Macau é um exemplo paradigmático de como a cultura prevalece sempre sobre a geografia, por mais que aquela dependa também desta. Geograficamente território chinês, Macau é de facto “outra coisa”, por muito que, nas ruas, quase nunca se ouça falar a nossa língua.

A China, porém, tem reforçado a sua aposta no ensino da língua portuguesa. Não obstante as razões – no essencial, para promover as relações comerciais com os países lusófonos –, essa é uma garantia de que há uma memória histórica naquelas paragens que permanecerá, apesar de toda a descaracterização urbanística resultante da profusão de casinos, cada vez mais colossais.

Também por essa via, Macau será sempre “outra coisa”, um enclave, no espaço chinês. A China, de resto, tem demonstrado ter uma sabedoria tipicamente conservadora, no melhor sentido do termo, que se pode verbalizar no seguinte princípio: “se funciona bem, não queiras mudar”.

A esse respeito, mais uma estória para a história (ainda por fazer) da nossa descolonização “exemplar”: logo a seguir ao 25 de Abril, houve quem em Portugal procurasse contactar as autoridades chinesas com o intuito de entregar de imediato o território; a China, porém, que nunca se sentiu colonizada por Portugal, recusou tal propósito; a transição política far-se-ia, mas sem precipitações nem passos em falso, como veio depois a acontecer, por mérito do exemplar trabalho dos vários Governadores portugueses, honra lhes seja feita.

O que em Macau não passou de um episódio cómico, ali bem perto, em Timor-Leste, acabou, como todos sabemos, em tragédia. A esse respeito: no Congresso* em que, no final de Março, participámos, e que congregou, de forma (quase) inédita, as principais entidades universitárias sediadas em Macau (Universidade de Macau, Universidade de São José e Instituto Politécnico de Macau, a que se juntou ainda o Instituto Internacional de Macau), houve uma comunicação que nos fez reflectir de novo na questão da geografia.

No essencial, a comunicação em causa deu conta dos resultados de um inquérito realizado aos estudantes de língua portuguesa em Macau, a respeito do seu (re)conhecimento dos países de língua portuguesa. Pois bem: qual era o país, nesse inquérito, que era menos (re)conhecido como um país de língua portuguesa? Timor-Leste, precisamente. Razões para tal, há decerto muitas. Desde logo, o menor impacto noticioso que o processo timorense teve em Macau. Mas, ainda assim, não deixa de ser surpreendente. O espaço lusófono, com efeito, na sua dispersão geográfica, parece por vezes um labirinto sem fim ou saída. Sendo que, nele, Macau será sempre um lugar especial. Macau será sempre Macau.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org

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