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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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domingo, 14 de abril de 2019

Macau - Uma viagem pelo Renascimento no Museu de Arte

Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Raphael, Rosso Fiorentino, Ticiano ou Mantegna estão entre os 42 artistas renascentistas representados no Museu de Arte de Macau. A mostra dos desenhos que exploram o processo criativo dos artistas estará patente até 30 de Junho. O MAM vê agora concretizado o desejo de longa data de trabalhar com o “British Museum”, numa ocasião em que celebra 20 anos. A exposição apresenta um cariz inclusivo com várias experiências tácteis para pessoas com dificuldades visuais



São os desenhos de Michelangelo, Raphael e de um dos seguidores de Leonardo Da Vinci – Maestro Della Pala Sforzesca – que abrem a exposição “Desenhos da Renascença Italiana do British Museum”, que se encontra patente no Museu de Arte de Macau (MAM) até 30 de Junho. “São [pintores] os mais poderosos, aqueles que definiram a Renascença italiana”, destacou ontem a curadora da exposição, Sarah Vowles, à Tribuna de Macau.

Do ponto de partida, chega-se depois a cinco mundos distintos – “A Figura Humana”, “O Movimento”, “A Luz”, “Os Trajes e Panejamentos”, “O Mundo Natural” -, que, no seu conjunto, dão origem às “Narrativas”. As seis secções integram 52 desenhos originais de 42 pintores.

A primeira dedica-se ao corpo humano e às diferentes formas de o explorar e representar, sendo “a mais básica, mas a mais importante”, realçou a curadora. Por exemplo, em “O Movimento”, Sarah Vowles realçou o desenho “Hércules e o Centauro”, a que Raphael deu forma pouco depois de chegar a Roma. “Impressionado pelas figuras físicas de Michelangelo”, o pintor acabou por combinar as suas próprias características “com o poder” das técnicas que via nas figuras do outro pintor. Quanto à luz, era utilizada não só como forma de dar volume às figuras, como também se reflecte na espiritualidade das imagens.

No fundo, a viagem pelos seis “mundos” da mostra “permite-nos perceber o brilhante processo de ver jovens artistas, no período do Renascimento, a enfrentarem desafios de crescente complexidade”, disse a curadora. O objectivo é que “as pessoas percebam a importância e primazia dos desenhos destes jovens artistas”.

O desejo dos jovens pintores de quererem representar o mundo tal e qual como os rodeava – a natureza, o corpo humano, o palpável – e, por outro lado, o interesse de séculos pela Antiguidade foram o mote para que surgisse o Renascimento. “Estes dois elementos juntaram-se para criar um terreno invulgar e muito poderoso. Foi assim que nasceu o Renascimento”, acrescentou Sarah Vowles.

A colaboração com o “British Museum” era “um desejo de há muito”, confessou a curadora do MAM, Margarida Saraiva. “Por um lado porque é uma referência a nível mundial, por ter sido o primeiro museu público no mundo, e por outro porque tem a maior colecção de objectos de todo o mundo”, disse. Um desejo que é agora concretizado por ocasião do aniversário dos 20 anos do MAM e em que se cumprem também os 500 anos da morte de Leonardo Da Vinci.

Uma exposição inclusiva

De forma a envolver as pessoas que visitam a exposição “na descoberta dos desenhos”, foram criados objectos que possam permitir ter uma experiência táctil a pessoas com deficiências visuais ou a quem queira ter uma experiência diferente. Do conjunto de obras expostas, 16 foram escolhidas para serem representadas de forma física.

“Queremos que as pessoas possam tocar, que possam experimentar os diferentes sentidos, porque os desenhos são apenas visuais”, explicou o professor Gerald Estadieu, da Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José, que orientou o projecto.

“Para cada um desses desenhos, o que tentámos foi traduzi-lo num objecto físico. Com alguns criámos modelos 3D, com outros utilizámos apenas algumas linhas-chave [dos desenhos], mas claro que nunca podemos reproduzir exactamente o que o artista fez”, acrescentou. Apesar disso, a ideia é criar um museu mais inclusivo em que “pessoas com dificuldades visuais possam reagir quando tocam nestes objectos”.

Para Sarah Vowles, que já experimentou alguns dos puzzles criados, a iniciativa não podia ser melhor: “Ver as diferentes formas como o universo pode responder aos desenhos adiciona uma nova dimensão à exposição, portanto acho que é um projecto importante”.

As expectativas para os dois meses de exibição dos desenhos originais são positivas, mas acima de tudo, Margarida Saraiva pretende que a mostra seja uma inspiração não apenas na forma de olhar para a arte. “Espero que possa inspirar [na medida em que] às vezes não vemos as dificuldades que nos rodeiam. A exposição deve ser um momento de inspiração, por isso tentamos que seja para todas as pessoas, com diferentes interesses e desejos”, concluiu a curadora. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sábado, 6 de abril de 2019

Conselho Regional da Ásia e da Oceânia das comunidades portuguesas reúne-se em Pequim

O ensino da língua portuguesa ou o pagamento de pensões aos portugueses na Austrália, China, Hong Kong e Macau são temas da reunião do Conselho Regional da Ásia e da Oceânia, que arranca segunda-feira em Pequim



Segundo um comunicado da presidente daquele conselho regional, Rita Santos, a colaboração dos conselheiros com as embaixadas e consulados de Portugal para resolução dos problemas das comunidades, as questões relacionadas com as pensões de aposentação e de sobrevivência dos portugueses residentes nos países de acolhimento, o ensino e a divulgação da língua portuguesa, sobretudo aos jovens, vão ser alguns dos temas em foco na reunião, que vai decorrer na capital chinesa de 8 a 10 de Abril.

Na reunião, presidida por Rita Santos, vai ser ainda discutida a proposta do estatuto dos conselheiros, a eleição anual dos cargos do Conselho Regional da Ásia e da Oceânia, bem como o programa do encontro do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, marcado para 28 e 29 de Maio próximo, em Lisboa.

Os conselheiros da Austrália, Sílvia Renda e Melissa da Silva, e do círculo da China, Macau e Hong Kong, José Pereira Coutinho e Armando de Jesus, vão estar também reunidos com o embaixador português em Pequim, José Augusto Duarte, indicou a mesma nota.

O Conselho das Comunidades Portuguesas tem actualmente 65 membros. O Brasil é o país que elegeu mais conselheiros, 13 no total, seguindo-se França, com dez conselheiros, Estados Unidos (sete), Venezuela (seis) e Alemanha, África do Sul e Suíça, com quatro cada.

Aquele conselho reúne-se anualmente em Lisboa e é o órgão consultivo do Governo para as políticas relativas às comunidades portuguesas, competindo-lhe, em geral, emitir pareceres, produzir informações e formular propostas e recomendações sobre as matérias que respeitem aos portugueses residentes no estrangeiro e ao desenvolvimento da presença portuguesa no mundo. In“Hoje Macau” - Macau

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Macau - Uma viagem ao passado, presente e futuro dos portugueses na Região

A obra “Portugueses em Macau” atravessa vários séculos desde a chegada dos portugueses ao território até aos dias de hoje. Mais do que isso debruça-se sobre os factores que levam os portugueses a ficar e a perspectivar um futuro no Oriente ou a partir para outras paragens. O livro, da autoria de Vítor Teixeira e Susana Costa e Silva, será lançado no próximo domingo, pelas 17:30, no Clube Militar



O que faz com que os portugueses continuem a querer conhecer Macau? Instalarem-se cá, arranjar um emprego, eventualmente criar uma família? O que os faz também vir e voltar – para Portugal ou para o mundo? “Portugueses em Macau”, um livro da autoria de Vítor Teixeira e Susana Costa e Silva, responde, de certa forma, a estas questões, através de um trabalho feito com base na História, mas também nos testemunhos de 20 entrevistados que vivem actualmente em Macau ou que já de cá saíram.

A obra, que foi editada pelo Jornal Tribuna de Macau e resulta de um estudo financiado pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau, será lançada no domingo no Clube Militar, pelas 17:30. Este trabalho surgiu de “um impulso antigo” de Vítor Teixeira, que se começou a materializar em termos de investigação e preparação “de algo mais substancial” em 2013, quando assentou na RAEM. O livro é “apenas um contributo, um pródromo para algo maior”. Contudo, sempre foi uma ideia desde que aportou “pela primeira vez, há quase 20 anos,” em Macau.

Numa perspectiva muito pessoal e daquilo que apurou nas entrevistas que conduziu, Susana Costa e Silva disse à Tribuna de Macau acreditar que, no futuro, os portugueses que “sairão serão mais certamente deste último grupo, essencialmente os “millenials”, no sentido em que vieram para Macau como podiam ter ido para Singapura, como podem ir para a Malásia ou outro sítio”, uma vez que não perspectivam – à semelhança da geração X – um emprego para a vida e uma carreira normalmente desenrolada sempre no mesmo lugar.

Chegou ao território “uma leva de jovens entre 2013 e 2015, altura da crise” porque havia mais oportunidades de trabalho cá do que aquelas que se afiguravam em Portugal. Macau apresenta-se como local interessante a nível profissional, contudo um interesse difícil de sustentar a longo prazo, afirmou a autora. “Uma pessoa que está há quatro ou cinco anos na mesma posição quer crescer, quer continuar a carreira… Se quiser fazer carreira internacional não vai poder ficar em Macau toda a vida. Quanto maior a ambição, maior a necessidade de catapultar a experiência adquirida aqui para outros contextos”, explicou. Há muitas oportunidades, contudo, “se não houver raízes familiares cá, não sei se é possível manter essa ligação por muito tempo”.

São, aliás, as ligações um elo muito importante para esta geração, na perspectiva da autora. “Fiquei com a ideia de que as gerações mais novas precisam muito da ligação afectiva à restante diáspora portuguesa, porque é muito difícil sobreviver a Macau se não houver esse laço afectivo. E existe efectivamente”, sublinhou Susana Costa e Silva, acrescentando que, quanto melhor o acolhimento, maior a inserção na comunidade e, assim, maior a probabilidade de permanecerem no território.

Há também quem venha e que de certa forma inicialmente autojustifique a decisão que tomou de se mudar e que “nunca vai admitir perante os amigos que o lugar para onde se expatriou tem mais desvantagens do que aquelas que inicialmente conseguiu antecipar” – é precisamente nesta matéria que Susana Costa e Silva tem uma posição algo crítica. “Isto é típico do português, além de que vemos aquele que teve a coragem de sair da sua zona de conforto para experimentar viver numa zona que não lhe era familiar a nível pessoal e profissional como arrojado, empreendedor, disposto a correr o risco para descobrir coisas novas”, explicou.

Para a autora é preciso ter capacidade de resiliência, algo que têm “os que cá permanecem”, mas é também essa resiliência que os limita a regressar a casa novamente. “A mudarem-se [os portugueses] vão para Singapura, para Londres, porque se voltarem para Portugal vão perguntar se as coisas correram mal e as pessoas não se querem expor a esse sentimento”, rematou, clarificando que não só acontece em Macau, como noutros contextos, como Angola ou Brasil.

Isto não impede, porém, que haja quem se apaixone “com o tempo”. “Há quem seja capaz de fazer o balanço e dar por terminada a missão que tinha a cumprir em termos pessoais ou profissionais e partir para outra. Ou então decidir que é o lugar onde quer ficar porque já se sente em casa”, afirmou Susana Costa e Silva. “O sentir-se em casa para o português é fundamental. Se se sentir em casa em Macau vai ficar cá e um dia, mesmo que tenha de regressar, vai deixar ficar aqui uma marca, ou ficar marcado”, acrescentou.

Os “believers

A maior clivagem que encontrou foi entre o grupo de portugueses que sempre cá viveu, os também denominados de “believers”, e aqueles que agora procuram o território ou “makers”. Foi exactamente ao conversar com pessoas que pertencem a essa geração mais velha que percebeu que “muitas já não sabem viver em Portugal”, daí se terem estabelecido e continuarem a morar por cá: “Macau, que é muito mais sobrepovoada [comparando com Lisboa, por exemplo] confere maior estabilidade porque dá mais certeza, parece que as pessoas sabem com o que podem contar. Algumas ficam porque gostam efectivamente e outras ficam porque já não sabem viver noutro lugar”.

Susana Costa e Silva relembrou até o exemplo de um entrevistado que disse “Portugal pode ser a minha pátria, mas Macau é a minha mátria”. Claro que continuam a ter uma grande ligação ao país de origem, “mas não é a mesma coisa desta geração mais nova que mais depressa decidiu vir como decide mudar para outro lugar ou regressar”. A ligação que estas pessoas têm à diáspora portuguesa acaba por lhes dar um sentimento de conforto para que continuem aqui a viver.

O factor segurança foi um dos que todos os entrevistados realçaram, nomeadamente em termos da sua própria segurança e dos bens pessoais: “Foram unânimes em admitir que vivem um clima de maior segurança cá do que se vivessem noutro local. Mesmo na Europa essa segurança em relação aos bens pessoais não é tão óbvia como aqui”.

O que os leva a partir

A insatisfação, de forma geral, relativamente ao território é o que faz com que muitos portugueses regressem a casa ou se desloquem para outros países. Cansaço e dificuldades em gerir a vida diária, aliados a problemas como poluição, trânsito e confusão de pessoas foram alguns dos factores apontados pelos entrevistados que saíram de Macau. “Por exemplo, o facto de ser fácil arranjarem uma empregada que ajuda na vida familiar também foi realçado, mas não parece ser suficientemente compensador para ultrapassar [os outros problemas]”, explicou Susana Costa e Silva, realçando que nada tem que ver com a motivação pessoal ou profissional.

Alguns dos entrevistados falaram da dificuldade com que viam os filhos pequenos crescerem num território “menos aberto a experiências novas” e que Macau não é necessariamente o lugar ideal para que os filhos passem as fases de infância e adolescência. O facto de andarem numa escola internacional, onde estão expostos a uma multiculturalidade que não existiria noutro contexto, é visto como positivo só até certo ponto. “A partir de determinado ponto era preferível terem uma vida ao ar livre, mais saudável do que aquela que Macau lhes proporciona”, frisou.

Além disso, a barreira linguística e cultural “muito forte” faz com que as pessoas não consigam criar laços de amizade que vão para além das relações profissionais com quem “já tem uma vivência muito própria de Macau, que sempre viveram cá”. Susana Costa e Silva considera que um dos grandes problemas se prende com o estabelecimento de laços com a comunidade local e dá um exemplo.

“As diásporas que vivem por exemplo no Brasil não se queixam disso porque é muito fácil criar laços, não é apenas pelo facto de falarem a mesma língua, mas por ser mais fácil criar afinidade. Aqui mesmo que ambos falem inglês, não é a língua nativa de nenhum dos dois e convenhamos um chinês a trabalhar em Macau não tem tanta proximidade com um português como teria um brasileiro ou até um angolano”, concluiu.

Um trabalho que durou anos através do qual a autora, que nunca viveu em Macau, conseguiu “aprender imenso” sobre as características destes diferentes grupos que compõem a comunidade portuguesa no território. E que está sempre em movimento.

A obra, escrita em português e inglês, explica a história dos Portugueses em Macau, desde a sua chegada no século XVI, até aos dias de hoje, bem como os factores que os levaram a permanecer no território, mesmo depois da transferência de administração, em 1999, e a perspectivar a sua permanência nesta região administrativa especial chinesa no futuro. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quinta-feira, 28 de março de 2019

Macau - Han Lili traduziu contos de Eça de Queiroz para Chinês

A directora da Escola Superior de Línguas e Tradução do Instituto Politécnico de Macau considera que a tradução é uma ponte de ligação entre as diversas culturas, daí ter traduzido uma série de contos e ensaios de Eça de Queirós para chinês. “Contos Seleccionados de Eça de Queirós” é, para Han Lili, uma oportunidade para dar a conhecer a literatura portuguesa “ao mundo chinês”



“Contos Seleccionados de Eça de Queirós” é uma obra com edição em chinês traduzida pela directora da Escola Superior de Línguas e Tradução do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Han Lili, que integra a “Colecção de Literatura Chinesa e Portuguesa”, uma iniciativa do Instituto Cultural (IC). “É uma oportunidade de introduzir a literatura portuguesa ao mundo chinês e a Macau e apresentar os contos de Eça de Queirós”, disse Han Lili à Tribuna de Macau.

A obra está dividida em duas partes, uma dedicada a diversos contos do escritor português e outra que se debruça sobre uma série de artigos publicados no jornal brasileiro Gazeta de Notícias, intitulada “Chineses e Japoneses”.

Entre os contos do autor português que Han Lili considerou mais “interessantes” estão “Um Poeta Lírico”, “No Moinho”, “A Aia”, “O Suave Milagre”, “Singularidades de uma Rapariga Loura” e “O Tesouro”.

Se inicialmente a ideia era fazer exercícios para as suas aulas de tradução e para um projecto dos finalistas da licenciatura de tradução chinês-português, rapidamente mudou de plano. “Depois de traduzir um conjunto de contos de Eça de Queirós achei interessante publicá-los e o IC contactou-me”, explicou a docente.

Quanto a “Chineses e Japoneses”, cujo estilo de escrita “é muito diferente dos contos porque se trata de um artigo argumentativo, de uma crítica e da sua observação às relações chinesa e japonesa”, foi uma tradução feita a pedido do IC há cerca de três ou quatro anos.

Depois de já ter lido romances como “Os Maias” ou “O Crime do Padre Amaro”, que foram traduzidos para chinês na década de 90, Han Lili quis apostar em algo diferente: “Quis procurar outras obras que ainda não tivessem sido traduzidas. A razão para o ter escolhido [Eça de Queirós] foi o facto de ter sido um dos grandes escritores que inspirou o realismo e este livro [de onde foram retirados os contos] é bastante crítico. É bastante interessante e um grande escritor”.

Além de considerar que esta é uma iniciativa importante porque há, por um lado, “possibilidade de introduzir a literatura portuguesa ao mundo chinês e, por outro a literatura chinesa ao mundo lusófono”, este processo permitiu-lhe uma aprendizagem porque “uma tradução é uma leitura profunda para conhecer melhor o escritor”.

Han Lili não descarta a hipótese de no futuro traduzir mais escritores portugueses, porque crê que é “através da tradução que a cultura da china [e vice-versa] consegue sair das portas e entrar no mundo lusófono”. “De momento ando a ler José Luís Peixoto e gostaria de um dia traduzir a sua obra porque gosto muito do estilo dele”, acrescentou.

O livro encontra-se à venda em vários locais e tem um custo de 100 patacas. A obra foi apresentada pela autora, no domingo, na Feira do Livro da Primavera.Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

domingo, 17 de março de 2019

O “rastro literário” deixado pelo “guardião da memória de Macau”

As obras de Henrique de Senna Fernandes dão ênfase à voz do personagem macaense, demarcam a sua identidade e espelham os “contrastes sócio-histórico-culturais que determinaram os rumos do povo de Macau”. Bruno Tateishi é o autor de uma tese em que dá como provado o contributo do espólio literário de Senna Fernandes que ainda hoje ajuda a delinear os “principais contornos da identidade étnica macaense”



Analisar a forma como o romance de Henrique de Senna Fernandes “orquestra a diversidade social de linguagens representadas artisticamente, recuperando memórias para forjar uma identidade macaense”, foi o objectivo a que se propôs Bruno Tateishi, autor de uma tese de doutoramento em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

“Assim, só poderemos fazer uma leitura precisa dos romances se os deslocarmos no tempo, visto que no seu tempo de publicação o projecto étnico macaense já havia se enfraquecido e a comunidade macaense já encontrara outros meios de sustentar a sua identidade”, sublinha Bruno Tateishi, no documento consultado pela Tribuna de Macau.

Henrique de Senna Fernandes é descrito pelo doutorando como um “guardião da memória de Macau”. Nascido em 1923, no seio de uma das “mais ilustres e tradicionais famílias macaenses”, o filho de Edmundo José e Maria Luíza ingressou no curso de Direito da Universidade de Coimbra onde terminou os estudos em 1952. Regressou a Macau para exercer advocacia e teve escritório próprio. Destacou-se também à docência, sendo professor e director da Escola Comercial Pedro Nolasco. Viria a falecer aos 86 anos, em Outubro de 2010, em Macau.

Senna Fernandes testemunhou “momentos de vital importância para a história de Macau”, como o impacto da Guerra do Pacífico na sociedade local e o período de transição, que culminaria na transferência de administração para a China. “Desse modo, acompanhou as mutações pelas quais passou o projecto étnico macaense, que aos poucos começava a se distanciar do ‘capital da portugalidade’”, observa o autor.

Assim, “tendo observado as metamorfoses identitárias sofridas pela sua comunidade, Senna Fernandes empenhou-se numa produção literária que retratasse o macaense”. Aliás, acrescenta, foi produtor de obra que “promovia o macaense de personagem secundário ao protagonista da acção discursiva”. “Neste sentido, o autor macaense, actuando como uma espécie de guardião da memória de Macau oferece um rastro literário cheio de cumplicidades e demarcações para a preservação e identificação da cultura macaense”, refere, citando Mónica Simas.

Do vasto espólio literário que deixou constam os romances “Amor e dedinhos de pé” (1986), “A trança feiticeira” (1993), “Os Dores” (2012) – este deixado incompleto -, e as colectâneas “Nam Van” (1978) e “Mong-Há” (1998) através dos quais “procura realizar uma intervenção que traga visibilidade ao macaense, nos seus processos de interculturalidade, tomando-o nuclearmente presente nos processos de significação que a literatura encerra”, acrescenta.

Colocando o foco nas duas primeiras obras, rapidamente se percebe que foram publicadas num espaço de tempo em que a administração de Macau estava prestes a ser assumida pela China. Os dois livros retratam períodos anteriores à época em que foram escritos pelo que “só poderemos fazer uma leitura precisa dos romances se os deslocarmos no tempo, visto que no seu tempo de publicação o projecto étnico macaense já se tinha enfraquecido e a comunidade macaense já tinha encontrado outros meios de sustentar a sua identidade”, observa o autor da tese.

Ademais, a “localização do macaense como protagonista da acção narrativa foi um dos factores decisivos” para ter seleccionado a “prosa literária de Henrique de Senna Fernandes para o estudo desta tese, podendo delinear, por meio dos discursos que emanam das obras, os principais contornos da identidade étnica macaense”.

Além disso, “podemos vislumbrar, através da sua escrita, todas as particularidades da sociedade que circunda os personagens”, muito embora esta exploração exaustiva da imagem do macaense não seja evidente no primeiro conto de Senna Fernandes, “A-chan, a tancareira” – vencedor do prémio Fialho de Almeida, dos Jogos Florais da Queima das Fitas de 1950, da UC.

“O conto retrata […] os encontros e desencontros que se desenrolavam numa Macau imersa num complexo fluxo de culturas que surgia por meio dos movimentos de diáspora ocasionados em decorrência da eclosão da Guerra do Pacífico”, analisa Bruno Tateishi.

A história de “Amor e dedinhos de pé

Falar da escrita de Henrique de Senna Fernandes, é também recordar a história de Chico Frontaria e Vitorina Vidal, em “Amor e dedinhos de pé” – que foi também adaptado para filme.

Como explica o doutorando, apesar de ter sido escrita na década de 80, a obra está “ambientada na primeira metade do século XX, em 1905” e representa um “período da história de Macau em que a administração portuguesa ainda mantinha controlo sobre o território e a geração declinante empenhava-se na manutenção de uma capital de ‘portugalidade’, que lhe garantia um forte laço com o governo luso e, consequentemente, maiores oportunidades de ascensão social”.

A obra narra a história das duas personagens principais cujas trajectórias coincidem, a todo o momento, com a vida social existente em Macau. “O romance está estruturado em quatro partes, contando com dois pequenos textos escritos pelo autor, situados respectivamente antes e depois da narrativa”, refere.

Mas, realça Bruno Tateishi, o primeiro ponto a ser considerado nesta análise é o prefácio de Senna Fernandes: “Para ser mais conforme com o ambiente, eu devia, em certos diálogos, redigi-los em patuá, isto é, no dialecto local, hoje em vias de total desaparecimento. Não o fiz, porque escrevendo sobretudo para o leitor lusófono em geral, não familiarizado com o dialecto, a sua leitura tornar-se-ia difícil e exaustiva para a compreensão, além de dispersar e fatigar o interesse sobre a trama”.

Em todo o caso, “é bem certo que o patuá – uma maravilha linguística – é mais doce e sugestivo ouvido do que lido, dada a impossibilidade de traduzir, em linguagem escrita, todas as nuances e inflexões de sotaque, em pronúncia e entonação, de tão surpreendentes efeitos. […] No entanto, aqui e ali, cedi à atracção, repetindo frases em patuá e noutras introduzi construção gramatical do português falado pelo macaense”, acrescentou o escritor.

Para Bruno Tateishi, ao ter sido seguido esta opção linguística, Senna Fernandes “deixa implícita a existência de outras línguas, como o chinês, e outras variedades linguísticas, como o português de Macau, e outros dialectos, como o patuá. O patuá, dessa forma, pode ser visto de forma mínima, em algumas situações informais”, aponta. “A nosso ver, este procedimento de apagamento acaba remetendo, ainda que essa não seja a intenção do autor, ao pensamento característico do macaense da época. Nesta perspectiva, o domínio da Língua Portuguesa era factor imprescindível para sustentar o projecto étnico macaense”, vinca. Aliás, sendo um lugar que “se encontrava sob administração portuguesa, possuir o domínio da Língua Portuguesa atribuía status social e profissional”, acrescenta o autor.

No documento, é ainda analisado o romance “A trança feiticeira” que “aborda justamente a complicada relação de chineses e macaenses em Macau durante o período da administração portuguesa, por meio da união do personagem macaense, Adozindo, e a personagem chinesa, A-Leng”.

De um modo geral, vinca, “Henrique de Senna Fernandes orienta o seu romance, bem como as vozes sociais orquestradas por ele, para forjar uma identidade macaense que ainda possuía como sustentáculo um projecto étnico calcado no ‘capital da portugalidade’”.

“As memórias de Senna Fernandes acabam por se coadunar com o retrato histórico da sociedade de Macau na composição dos romances, recuperando as suas vivências como macaense que presenciou eventos importantes que se reflectiram na história do território […], bem como no percurso da identidade étnica macaense”, acrescenta.

Assim, “poderemos tomar os romances de Henrique de Senna Fernandes como um importante registo de traços culturais que permitiram estabelecer um diálogo entre Macau e outras localidades da chamada ‘rede lusófona’”.

“Por meio da leitura e análise dos romances pudemos reafirmar a hipótese sustentada ao longo da nossa tese, asseverando que Henrique de Senna Fernandes faz jus ao seu título de ‘guardião da memória de Macau’, retratando, através da sua escrita, os contrastes sócio-histórico-culturais que determinaram os rumos do povo de Macau e, particularmente, dando ‘voz’ ao personagem macaense e demarcando a sua identidade”, remata. Catarina Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

segunda-feira, 11 de março de 2019

Macau - Língua e herança portuguesas podem manter “papel importante” após 2049

Determinadas medidas do Governo da RAEM alimentam alguma “esperança” de que o português se tornará numa língua a ter em “maior consideração” no território, entende Giorgia Corro. A autora de uma tese sobre as perspectivas para a língua de Camões no próximo milénio alerta, porém, para o facto do português ainda não funcionar como língua de comunicação apesar dos esforços na promoção do ensino. Neste prima, acredita que os jovens poderão ser a “origem de uma mudança que pode acontecer”



Apurar como é que a língua portuguesa será considerada pelos jovens – se apenas como língua estrangeira ou afectiva – depois de 2049, ano que marcará o fim da vigência do Segundo Sistema – foi o objectivo a que se propôs Giorgia Corro, autora da tese “Perspectivas para o Português em Macau no novo milénio”.

Através deste trabalho, a que a Tribuna de Macau teve acesso, a mestranda da Universidade de Veneza, traçou o perfil e as expectativas dos estudantes chineses do ensino superior da Universidade de Macau (UM) que foram inquiridos em relação à presença da língua de Camões na linha curricular.

Apresentado como uma “primeira contribuição nesta área científica pouco explorada nas pesquisas linguísticas”, o documento destaca que, embora com “grande dificuldade, a língua portuguesa continua a ser ensinada em Macau”. “Tanto a língua como a cultura portuguesa são uma herança que uma parcela da população ali vive, preserva e transmite de geração em geração. Ainda hoje naquele território, as pessoas podem ver ruas e igrejas de nome e construção portuguesas, ou também falar português nas lojas e na cidade”, refere a autora.

Resta saber se acontecerá a Macau o mesmo que nas Filipinas – “onde o Português […] foi suplantado pelo Inglês e pela língua filipina; ou como os territórios da Índia, Goa, Damão e Diu, onde o Português foi suplantado pela língua hindu”. Seja como for, Giorgia Corro ressalva a “situação particular” que se vive na RAEM onde o português chegou a ser língua franca.

No entanto, “após a colonização (não uma verdadeira colonização, mas um território no qual prevaleciam os conjuntos nascidos pelos acordos económicos)” as condições entre Macau e Portugal “foram quase sempre de convivência pacífica entre a língua e a cultura portuguesas e as chinesas”.

Descrevendo a questão identitária de Macau como “muito complexa” e uma situação linguística “especial”, Giorgia Corro acrescenta que “a essência da identidade cultural macaense é, neste sentido, o facto de poder ter um património cultural partilhado com o povo português”, vinca.

A ameaça à identidade lusa

Actualmente, “o português macaense não é totalmente tido em consideração de acordo com a sua importância histórica, tal como acontece com o Patuá, e as respetivas culturas, portuguesas e macaenses, apesar de as duas comunidades terem coexistido, no passado, de maneira pacífica”, refere Giorgia Corro.

Pesa também o “problema dos investimentos públicos nas manifestações culturais de língua portuguesa”, já que “o Governo investe uma pequena parte do dinheiro para subsidiar demonstrações culturais destinadas a promover a cultura macaense relacionada à portuguesa”, sustenta. “Na verdade, o que falta nas políticas de Governo ligadas aos fundos culturais é o facto de não considerar a importância histórica que a comunidade portuguesa-macaense teve no que diz respeito aos macaenses, considerando-a, portanto, sob o ponto de vista histórico e não como segunda comunidade que tem de ser suportada economicamente”, fundamenta.

Neste contexto, “a Associação dos Macaenses e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses são obrigadas a grandes esforços para serem consideradas”. Por arrasto, isso “influencia a quantidade de manifestações culturais que certas associações podem oferecer, e a percepção da cultura dominante em Macau. Isto é obviamente devido ao facto de que […] o desenvolvimento da comunidade actualmente dominante é promovido também porque a comunidade chinesa é importante sob o ponto de vista do trabalho e desenvolvimento tecnológico”.

Já a literatura, defende, é uma “representação optimista da cultura macaense” pois “representa a realidade de Macau e o facto que os seus cidadãos querem crescer e aprender de acordo com o pluralismo linguístico e cultural”.

Qual será, portanto, o futuro da comunidade portuguesa que vive em Macau? Para a académica, é importante reconhecer que “muitos mais portugueses escolhem Macau como território onde viver e onde se transferir, especialmente pelas vantagens económicas e pelas taxas reduzidas dos impostos públicos” – correspondendo a 1,7% da população. “São dados muito importantes que apresentam o facto da língua portuguesa e da herança portuguesa poderem manter um papel importante também nos anos sucessivos a 2049”, acentua.

Analisando do ponto de vista do ensino, impera o facto de que as “oportunidades para aprender português cresceram mais do que aconteceu nos últimos anos, apesar do crescimento não ser grande”. “Além disso, a oportunidade de falar português também preocupa economicamente a China, porque investir no ensino da língua portuguesa poderá significar investir em trocas culturais e económicas com países com um grão de crescimento económico importante, como o Brasil, acrescendo a riqueza da China”, demonstra.

No entanto, “a realidade de Macau não é tão boa quanto parece”, lamenta. “O português é aprendido nas escolas privadas e nas escolas públicas luso-chinesas, mas esta língua, na maior parte da população, na realidade, não funciona como língua de comunicação” apesar de ser necessário os jovens aprenderem a língua se quiserem “encontrar emprego em áreas administrativas, no ambiente das relações públicas, nas relações internacionais e no turismo”.

Relevância reconhecida

Com base no inquérito promovido a 32 intervenientes, entre os 20 e 30 anos, verificou-se que a maioria estuda português há três/ quatro anos, sendo falado por 23. As principais razões para estudar a língua envolvem motivos profissionais seguindo-se o gosto e interesse pela linguística e a curiosidade e interesse pelos estudos da mesma.

Por outro lado, do perfil linguístico da família depreende-se que todos os participantes são de origem chinesa ora tendo o cantonês (18) ora o chinês (10) ou o mandarim (3) indicado como língua de comunicação nas relações familiares. Assim, “o português foi relacionado com a aprendizagem de uma língua fácil, o que era de supor uma vez que os informantes são chineses. Mas estes estudam português porque gostam da sua musicalidade e do facto de esta língua ser falada no mundo”, realça.

“Eles gostam de estudar esta língua porque vêem, graças a este conhecimento, a possibilidade de ensinar, estudar e trabalhar nos países lusófonos. É de salientar que os informantes têm a noção da importância da língua portuguesa no mundo e também, do papel da lusofonia”, observa.

Além disso, “parecem ter bem presente o conceito de lusofonia e unidade do mundo português, quiçá também pelo facto de viverem num território onde o papel da língua portuguesa é oficializado e pela própria educação que eles têm. O facto de não falarem mais a língua portuguesa nas suas próprias famílias, mas de a observarem quando andam por Macau, significa que Portugal ainda está presente na geografia do lugar onde eles vivem, e a sua presença é sinónimo de conexão visual entre Macau e os Países lusófonos”, remata.

Os jovens são, por isso, “a origem de uma mudança que pode acontecer”. “Macau, fazendo parte desta comunidade, poderia realmente, para os jovens, ser um promotor de unidade e troca, mas também de garantias para o que os jovens pretendem obter da língua portuguesa”. E, acrescenta, “a universalidade da língua portuguesa e a sua importância histórica, da presença de elementos portugueses no seu próprio ambiente, poderão torná-la uma língua importante para ser estudada”.

De um modo geral, a académica acredita que “há esperança de que a língua portuguesa possa tornar-se realmente numa língua a ter em maior consideração no território de Macau” tendo em conta “as decisões tomadas pelo governo chinês”. Catarina Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

terça-feira, 5 de março de 2019

Macau - Crescimento de 31,3% nas importações de países lusófonos



Macau importou em Janeiro mercadorias dos países lusófonos no valor de 95 milhões de patacas, um crescimento de 31,3% em comparação a igual período de 2017. As exportações de Macau para os países de língua portuguesa cresceram no primeiro mês do ano, mas o défice da balança comercial com os países lusófonos continua a aumentar. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau exportou para os países lusófonos mercadorias no valor de 122 mil de patacas, um aumento de 670%, face a igual período do ano passado, mas muito inferior aos 95 milhões de patacas em produtos importados.

No total, as exportações do território subiram 24,6% até final de Janeiro, para 1,53 mil milhões de patacas, mas o défice da balança comercial continua a aumentar fruto do crescimento das importações em 7,2%, para 8,97 mil milhões de patacas. As exportações para a China continental atingiram, no período em análise, 167 milhões de patacas, uma quebra de 21,9% face a idêntico período do ano passado.

O valor das exportações para as nove províncias do Delta do Rio das Pérolas caiu 23,8%. As vendas para os Estados Unidos e União Europeia subiram 74,9% e 27,9%, respectivamente. Também as exportações para a vizinha Hong Kong aumentaram 38,6% para 1,12 mil milhões de patacas. O valor total do comércio externo de mercadorias em Macau correspondeu a 9,59 mil milhões de patacas, mais 9,4% face ao período idêntico de 2017.

Em 2018, Portugal exportou para Macau mercadorias no valor de 329 milhões de patacas, um crescimento de 23,2% em comparação com 2017, de acordo com dados oficiais. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), os produtos mais exportados de Portugal para Macau no ano passado foram bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres (78,5 milhões de patacas) e vestuário e acessórios (66,5 milhões de patacas). In “Ponto Final” - Macau

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Lusofonia - Escolas portuguesas e macaenses geminam-se para reforçar troca de experiências



Dez escolas de Portugal e Macau, onde se ensina português e mandarim, vão passar a realizar projectos conjuntos, intercâmbios e partilha de experiências entre alunos e docentes ao abrigo de protocolos de geminação assinados na passada sexta-feira, em Lisboa.

A assinatura dos acordos, em que participaram representantes de todas as escolas, foi presidida pelo secretário dos Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e pela secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão.

A iniciativa envolve cinco duplas de escolas – uma de Portugal e outra de Macau -, incluindo, da parte portuguesa, escolas de Almada, Marinha Grande, Loulé, Coimbra e Braga.

O protocolo pretende que as escolas possam estabelecer entre si “actividades de cooperação” baseadas na partilha entre alunos, docentes e órgãos de gestão “através de contactos regulares” que permitam “aumentar a compreensão e a amizade mútuas”.

O documento estipula como prioritários os domínios das Artes, Humanidades, Ciência, Tecnologia e Desporto, nos projectos e actividades de cooperação, bem como a utilização do português, mandarim e inglês.

“A assinatura dos protocolos, que hoje testemunhamos, pode servir como uma importante plataforma para a promoção de mais intercâmbio educativo entre as escolas”, disse Alexis Tam na sua intervenção na cerimónia.

Vistas largas

O governante apontou igualmente “as oportunidades únicas de intercâmbio” que a geminação oferece aos estudantes, sublinhando o contributo para o “alargar da visão dos alunos durante as visitas e actividades de cooperação, enriquecendo as suas experiências de estudo”.

“O facto desta geminação ocorrer entre escolas de Portugal, onde é ensinado o mandarim, com escolas de Macau, onde é ensinado o português, torna ainda mais aliciante todo este projecto”, acrescentou.

Por seu lado, a governante portuguesa reafirmou o apoio do Ministério da Educação “às actividades que promovam o desejável intercâmbio” entre escolas, docentes e alunos “ancorados em protocolos já celebrados ou a celebrar”.

Para Alexandra Leitão, estes acordos revelam-se da “maior relevância e significado” porque se traduzem em “intercâmbios cultural e de língua”.

A responsável sugeriu, por outro lado, o aproveitamento das novas tecnologias para fomentar ainda mais esta partilha e permitir “que os 11 mil quilómetros [de distância entre Portugal e Macau] sejam encurtados para um mero ‘click'”.

Os protocolos de geminação foram assinados entre as escolas no âmbito do Acordo de Cooperação na área da Educação e Cultura rubricado entre Portugal e Macau e elevam para sete o número total de acordos desta natureza. In “Hoje Macau” - Macau