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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

sábado, 26 de dezembro de 2015

Crioulo português de Malaca luta por sobreviver à extinção

O crioulo português de Malaca, na Malásia, luta por sobreviver e os seus falantes tentam preservar, através de aulas e contactos culturais, um idioma que só é falado em pleno por cerca de cem pessoas.
O chefe da comunidade, Raymond Lopez, reconhece que a língua é falada "talvez por cerca de dez por cento" das pessoas, sobretudo pescadores, numa comunidade com perto de mil elementos.
Apesar de os lusodescendentes em Malaca tentarem manter as suas tradições e de até considerarem o idioma "interessante", o líder do grupo reconhece que o crioulo está em perigo de extinção.
Na visão de Raymond Lopez, se as crianças não forem "educadas usando este tipo de língua", quando têm sete ou oito anos ficam facilmente aborrecidas ao tentarem aprendê-la.
A língua da comunidade, que mistura português antigo com palavras malaias, era conhecida como 'papiá kristang' (falar cristão, no idioma da comunidade), mas agora os seus defensores querem distanciar-se da palavra "kristang" por ser limitadora.
Sara Frederica Santa Maria, coordenadora adjunta do centro de estudos Livio, situado no Portuguese Settlement (povoado português, em inglês), acredita que a língua começou a cair em desuso no "princípio dos anos 1990".
O pai de Sara tinha tudo preparado para começar a ensinar o idioma em Janeiro de 2009, mas morreu um mês depois e, por isso, em 2012, ela pegou no material que herdou do progenitor e passou a transmiti-lo "todos os sábados" à tarde na sua casa.
Sara deseja "prosseguir" o trabalho do pai e ensinar até que a voz lhe doa, porque, "caso contrário, a língua morrerá", diz, lembrando que o crioulo em causa não é leccionado nas escolas.
Numa zona onde o inglês é a língua predominante, resultados dos tempos da colonização britânica que durou até aos anos 1940, e num país onde o idioma oficial é o malaio, os casamentos dos descendentes de portugueses com pessoas de outras culturas também não ajudam a manter um crioulo que não é encarado como importante.
Além de ensinar cerca de 20 crianças e algumas mães que se juntam às classes, Sara tem apostado num ensino criativo, por exemplo, convidando habitantes para fazerem chá e introduzindo palavras do crioulo português na receita.
Rosa Vieira, bolseira do Instituto Camões, terminou agora um trabalho de onze meses, em parceria com a organização Korsang di Melaka (Coração de Malaca, no crioulo português de Malaca).
O projecto, iniciado em 2009 por outros bolseiros, passou por "colaborar com a comunidade na preservação da sua identidade, da sua cultura e também da religião" católica, conta.
Além de acompanhar a comunidade nas suas festividades, como a festa de São Pedro, Rosa tentou ensinar às crianças a cultura e a língua da comunidade através de visitas de estudo, actividades e brincadeiras.
"Não foi somente [transmitir] o português de Portugal. É verdade que temos o nosso programa, mas ao mesmo tempo também temos de nos adaptar", sublinha, em entrevista à agência Lusa antes de partir de regresso para a Madeira.
Segundo Rosa Vieira, "aquilo que dizem é que se chegarmos com o português moderno e o implementarmos, o «papiá» morrerá".
"Nota-se que esta nova geração já está mais internacional. Acho que daqui a uns anos pode perder-se esta pérola", lamenta, vincando que os lusodescendentes têm muito orgulho na sua portugalidade específica e não admitem alterar a sua forma de falar, cantar ou dançar.
Rosa tentou também trabalhar com um grupo de adultos falando de cultura e música, mas os alunos mostraram-se "pouco persistentes", talvez por as aulas serem ao final do dia.
O presidente da delegação malaia da Korsang di Melaka, Richard Hendricks, defende que Portugal deve parar de enviar professores de português moderno, mas apostar antes em especialistas em português do século XVI ou, em alternativa, acolher um elemento da comunidade de Malaca e ensinar-lhe essa língua em Portugal.
"Eles querem ajudar e têm um bom coração, mas têm de ter alguma visão", até porque "se nós perdermos a nossa singularidade, nós perderemos a nossa identidade, a nossa cultura e imensas coisas", alerta.
Richard Hendricks, que vai assumir o cargo de líder da comunidade em Janeiro, acredita que "a língua apenas morrerá se não houver Portuguese Settlement".
Na sua perspectiva, o ideal é " ensinar as crianças antes de elas irem para a escola" e continuar a praticar o idioma com elas nos anos subsequentes.
Neste sentido, o representante da Korsang di Melaka está à espera de um patrocinador para aumentar o número de computadores e instalar um programa informático para crianças que ensine palavras de forma divertida.
Richard Hendricks tenciona também envolver os adultos em projetos de culinária, sketches, entre outros, para ir passando palavras da língua da comunidade.
Os portugueses administraram Malaca durante 130 anos, até 1641, quando foram expulsos pelos holandeses, mas, desde então, os lusodescendentes têm conseguido manter as suas tradições culturais e linguísticas e a religião católica.

Lusa

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