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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ainda sobre Olivença...

CARLOS EDUARDO DA CRUZ LUNA
 
   A História, bem o sabemos, é também construída com mitos.
   A História portuguesa não podia ser exceção.São tantos os mitos que dela fazem parte, que é difícil escolher um significativo.
   Não se pense que não se passa o mesmo com outras nações. A História de Espanha está cheia de Histórias do mesmo género.
   Chamou-me a atenção, há dias, um mito repartido na Península Ibérica, a propósito da leitura de uma páginas do "Diário de las Cortes españolas", de um dia de 1836.
   Tratava-se de um protesto da Câmara de Olivença sobre o estado crítico daquela localidade, 35 anos após a sua anexação por Madrid. A edilidade pretendia que as Cortes a ajudassem a ver-se livre de cargas fiscais insuportáveis. 
   Algumas declarações proferidas merecem alguma atenção. Assim, parece que o acordado na capitulação da Praça perante o exército espanhol em 20 de Maio de 1801 não estava a ser cumprido:«[traduzido] No ano passado de 1835, apesar das garantias estabelecidas nas capitulações de 1801 de que falei, no sentido de as famílias de Olivença serem protegidas como as outras espanholas, cometeu-se o atentado escandaloso de destruir as propriedades próximas da população, propriedades magníficas e de muito valor, arruinando os seus donos. Isto fez-se julgando-se o governador autorizado pelas regras emotidas pelo governo na época calamitosa do despotismo; de maneira que propriedades que tinham sido respeitadas no tempo dos franceses quando cercaram aquela praça, e quando a ocuparam, não o foram quando já não havia nenhum género de perigo(1)»

  Repare-se que há referência a destruições. Deste modo, não passa de um mito a ideia de que a Espanha respeitou Olivença após a ocupação.
  Outras partes significativas: «[traduzido]Senhores, não seria uma mesquinharia que tendo o "ayuntamiento" desta praça[de Olivença] recorrido às cortes, se permitisse que, com o pretexto de reedificar uma igreja, se continuasse a pagar este tributo[imposto] a acrescentar a tantos outros como os que recaem  sobre aqueles infelizes habitantes, que depois dos tempos em que viviam numa situação opulenta ,viram-se precipitados a cair na mais espantosa miséria? Se as cortes conhecessem a situação particular daquela povoação, se tivessem uma ideia do que ela era quando se entregou a Espanha em resultado da capitulação, se pudessem comparar o seu estado de decadência com o estado florescente em que se encontrava antes, não duvidariam por um momento em tirar as devidas consequências de que uma grande parte da sua ruína provém de estes encargos e contribuições especiais (2)Este excerto mostra que algo ia mal na antiga praça portuguesa.
   Mas há mais testemunhos, relatos, se se prefere: « Deputado "Gomez Becerra":  [traduzido] Senhores, por acaso, no dia em que foram a Olivença os "Senhores" Reis D. Carlos IV e a sua esposa, fui eu também àquela praça. Vi-a, e senti.me invadir pelo prazer. Acreditei que tínhamos feito uma aquisição de muita importância. Era sem discussão a localidade mais formosa que existia em toda a província da Extremadura [espanhola]. Toda ela apregoava a abundância, a riqueza, e a prosperidade. Voltei passados seis anos, em 1807, e já não conheci Olivença. Naquele curto período de tempo tinha perdido nas nossas mãos toda a formosura que tinha. E porquê? Porque, quando o governo espanhol se devia ter esmerado a proteger aquela localidade, y procurado encontrar todos os meios imagináveis para conquistar o "animo" [as vontades] dos portugueses, que era o que era preciso fazer, parece que cuidou de que fosse apenas vista como uma localidade de conquista [conquistada]. Enviou funcionários ineptos que não pensaram senão em fazer negócio, como efetivamente fizeram, da mesma ,maneira que poderiam ter feito nas ìndias [Américas] sem ter de transpor água.
   Esta tem sido a causa de os habitantes de Olivença estarem sempre esperando, como não sei se estão agora, a sua restituição ao governo de Portugal, a vinda o rei D. Sabastião. Além do mais, tive autoridade política em duas épocas diferentes naquela província, e tenho conhecimentos privilegiados sobre o que se passou em Olivença.
   Vi que os seus habitantes nos dão o trato de "castelhanos", que é o nome que dão aos espanhóis como sinal de ódio e rivalidade; e além de tudo isto que corresponde a coisas que nós sabemos, apresentam o argumento de que, tendo cometido a injustiça a Olivença de lhe conservar todas as cargas fiscais impostas pelo governo português, fizeram-nos sofrer todos os abusos de que padecem as povoações espanholas ; um destes é obrigá-los ao pagamento de contribuições que não pagam os outros povoados da monarquia (3)»
   Mais de uma vez se reconhece que Olivença fora mais próspera em tempos portugueses: « el ayuntamiento de Olivenza.   Este se halla sin escuela de primeras letras, porque sus fondos de propios no son suficientes para sustenerla despues de sacada la tercera parte líquida de ellos.«[traduzido] Em Olivença, destruíram-se vários edifícios e outras obras públicas que não se puderam reconstruir, necessitando presentemente de edifício para "Câmara municipal" por falta de fundos»(...)«Deputado Infante:sei como vossas senhorias [deputados] o estado de ruína a que chegou, e a prosperidade em que se encontrava no "outro" [português] tempo, ainda que não se deva esquecer que no tempo do domínio português a sua prosperidade consistia em ser o foco do contrabando que era introduzido na Extremadura, e, havendo desaparecido este, desapareceu com ele uma das razões para a sua prosperidade; todavia, também contribuiu para ele [estado de ruina]o que tem sofrido de muitos vexames; mas nada disto é a" questão"(4)

  O argumento de que Olivença foi conquistada para combater o contrabando,argumento do Generalíssimo Manuel Godoy, reaparece aqui, embora se reconheça «todavia, também contribuiu para ele[estado de ruina] o que tem sofrido de muitos vexames ».
   O argumento de necessidade de conquista para combater o contrabando é algo, obviamente, que só pode ser tomado como anedótico A Europa teria estado em guerras constantes durante séculos se este argumento fosse considerado válido.
   Apesar de todas estas intervenções, as Cortes espanholas optaram por nada fazer, apelando a que as autoridades locais de Badajoz o fizessem.
   Perante estes dados sobre o estado da vila, compreende-se melhor o comentário de um livro espanhol:"História de Extremadura, de Marcelino Cardalliaguet Quirant, Biblioteca Popular Extremeña, 1993, Universitas Editorial,  libro de Bolsillo,  página 205: «[traduzido]Em 1801, o território extremenho ver-se-ia repentinamente aumentado com a importante cidade de Olivença - então tão grande e povoada como Badajoz (SIC) - conquistada a Portugal na chamada Guerra das Laranjas pelo próprio Godoy (...)(5)» .
   Portugal é um recordista em aceitar mitos de tipo negativo. Vezes e vezes sem conta se ouve dizer que "Olivença se safou desta desgraça (Portugal), e vive muito melhor», e, pior ainda, «Olivença tem sido muito bem cuidada por Espanha, que a conservaram sempre carinhosamente». O que, afinal, não passa da repetição do que muitos responsáveis espanhóis, principalmente em Olivença, repetiram até à exaustão, durante mais de cem anos, sem deixarem que alguém os contrariasse...
   Tanta ingenuidade comove... e deixa-nos indignados depois de lermos estes testemunhos de 1836. E o mais curioso é que, após um pouco mais de duzentos anos, e desde 2008, exista uma organização oliventina a Associação Cultural (e SÓ CULTURAL)«Além Guadiana», de que quase ninguém fala, que luta pela recuperação da cultura portuguesa em Olivença (já levou a que cerca de 70 ruas recuperassem os seus antigos nomes portugueses) , que insiste em que a ouçam, no plano da Lusofonia.
   Pode-se dizer o que se disser, mas a capacidade de resistência da Cultura portuguesa não deixa de nos surpreender. Apesar de muitos intelectuais dizerem que tal coisa não existe...
   Estremoz, 05 de Janeiro de 2014
Carlos Eduardo da Cruz Luna
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(1)En el año pasado de 1835 á pesar de las garantías que establecen las capitulaciones de 1801 de que he hablado, para que las famílias de Olivenza fuesen protejidos como los demás españoles, se ha cometido el atentado escandaloso de destruir las propiedades inmedatas ála población, propiedades magníficas de mucho valor, arruinando á sus dueños. Esto se ha hecho creyendose el gobernador autorizado por el reglamento formado por el gobierno en la época calamitosa del despotismo; de manera, que propiedades que habian sido respetadas en tiempo de los franceses cuando sitiaron aquella plaza, y cuando la ocuparan, no lo han sido cuando no ha habido níngun género de peligro.
 
(2) Señores,  ¿no seria una mengua que habendo recurrido el ayuntamiento de esta plaza á las cortes, se permitiera que a pretesto de reedificar una iglesia, se continuase pagando este tributo después de tantos otros como gravitan sobre aquellos infelices habitantes, que desde el estado opulento en que se vieron han venido á caer en la más espantosa miséria? Si las cortes conociesen la situacion particular de aquella poblacion; si tuvieran idea de lo que fué cuando se entregó á España por efecto de capitulación; si pudiesen comparar su decadente estado con el floreciente en que se encontraba entonces; no dudarian un momento en sacar la consecuencia de que una gran parte de su ruína proviene de estes gravámenes y contribuciones especiales
 
(3) Señores, puntualmente el día que fueran a Olivenza los Srs. Reyes D. Carlos IV y su esposa, fui yo también á aquela plaza. La vi y me llené de placer. Creí que habíamos hecho una adquisición de mucha inportancia. Era sin disputa el pueblo más hermoso que había en toda la provincia de Extremadura. Todo en ella anunciaba la abundancia, la riqueza y la prosperidad. Volvi a los seis años, en el de 1807, y ya no conocí a Olivenza. Ya en aquel corto período de tiempo había perdido en nuestras manos toda la hermosura que tenía. Y por qué? Porque quando el Gobierno espanõl debía haberse esmerado en proteger aquella población,y procurado todos los medios imaginables para conquistar el ánimo de los portugueses, que era lo que necesitaba, parece que trató solo de que fuese considerado como un pueblo de conquista. Envió empleados ineptos que no pensaron más que en hacer negocio, como efectivamente lo hicieron, lo mismo que podrían haberle hecho en las Indias sin pasar  agua.
Esta fue la causa de que los habitantes de Olivenza estuvieran siempre esperando como no sé si lo están ahora, su restituición al Gobierno de Portugal, la venida del Rey D. Sebastian.  Además, he mandado en lo político en dos diferentes épocas a aquella provincia, y tengo conocimientos especiales de lo que há pasado en Olivenza.
   He visto que sus habitantes nos tratan como "castellanos" que es el nombre que dan a los espanõles como una marca de odio y rivalidad; y además de que esto consiste en cosas que todos conocemos, se fundan también en que habiendo hecho la injusticia, á Olivenza de conservarle todas las cargas que tenían impuestas por el Gobierno portugués, se le han hecho sufrir todos los abusos que sufren los pueblos españoles; uno de estos es obligarlos al pago de contribuciones que no pagan los demás pueblos de la monarquía
(4)En Olivenza se han destruido varios edificios y otras obras públicas que no se han podido reedificar; careciendo al presente de casa de municipalidad por falta de fondos.»(...)«Deputado Infante:sé como sus señorias el estado de ruina á que ha venido, y la prosperidad en que estaba en otro tiempo, aunque no debe olvidarse que en tiempo de la dominacion portuguesa su prosperidad consistia en que era el foco del contrabando que se introducia en  Estremadura, y habiendo ese desaparecido, ha desaparecido con él una de las causas de su prosperidad; sin embargo que tambien ha contribuido á ello el que ha sufrido muchos vejámenes; pero todo esto no es de la cuestion.»
(5)En 1801, el território extremeño se veria repentinamente aumentado con la importante ciudad de Olivenza - entonces tan grande y poblada como Badajoz (SIC) -, conquistada a Portugal en la llamada Guerra de las Naranjas por el próprio Godoy(...)

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