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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sobre o ensino dito “superior”

Quando se fizer a autópsia desta III República cada vez mais moribunda concluir-se-á que um dos maiores erros – passe o eufemismo – cometidos foi no nosso sistema de ensino. A esse respeito, por muito que isso fira o nosso orgulho nacional, a Chanceler Merkel tem toda a razão, apesar de, no plano diplomático, não dever ter dito o que disse.
Enquanto alguém que tem tido a experiência do que é o ensino universitário – quer enquanto aluno, quer enquanto professor –, posso testemunhar que se tem verificado uma cada vez maior degradação da qualidade de ensino.
É verdade que o ambiente cultural também não ajuda, muito pelo contrário. Um dos fenómenos mais significativos é a perca de hábitos de leitura. Os alunos hoje, cada vez mais, lêem apenas fragmentos – nem já em papel, mas na internet. A sua capacidade de atenção é também cada vez menor. Nesta cultura de “videoclip” que se criou, sobretudo no Ocidente, a capacidade de atenção resiste muito pouco.
Com a massificação do ensino superior, deu-se o inevitável: o nível cultural médio dos alunos é cada vez menor; muitos deles têm extrema dificuldade em pensar e expressar-se, de forma oral e/ou escrita, de modo minimamente articulado. Como a mediocridade se tornou a regra, a exigência na avalização tende também, naturalmente, a baixar. Qual é o professor que pode correr o risco de chumbar uma turma inteira?
Com a subida das propinas e a sua crescente importância nos orçamentos universitários, quase que basta que o aluno pague as suas propinas para conseguir o almejado diploma. O ensino superior tornou-se num negócio. E ai de que quem ponha em causa as sacrossantas “regras de mercado”. Cada vez mais, quem está no ensino superior tem que as aceitar. Por mais que denuncie o quão errado está o sistema. É mais um sintoma da nossa esquizofrenia colectiva: todos sabemos que o nosso sistema político não aguenta, todos nós sabemos que a União Europeia não tem futuro, e (quase) todos nós agimos como se isso não fosse verdade…
Ao termos, em nome de uma ilusória “igualdade”, quase que acabado com o ensino técnico (ou médio) e apostado tudo no ensino superior – como se ter um diploma universitário fosse um direito fundamental dos cidadãos – criámos um sistema disforme. Tal como qualquer sociedade se sustenta fundamentalmente na sua classe média, também isso deveria acontecer com o nosso ensino. O ensino superior deveria ser o que se denota pelo seu nome: um ensino verdadeiramente de elite, extremamente exigente e qualificado.
Quando se quer fazer tábua rasa da realidade, logo ela, porém, nos arromba a porta. Com a massificação do ensino superior, os diplomas universitários foram perdendo quase todo o seu valor, sobretudo após a reestruturação dos cursos para três anos. Hoje, o crivo já não está entre o ensino secundário e o ensino superior, mas entre o (ainda) dito ensino “superior” e as pós-graduações (mestrado e, sobretudo, doutoramento). Ter hoje uma licenciatura não significa (quase) nada. Sendo que isso acabou por desqualificar ainda mais o ensino técnico (ou médio). Só um ensino verdadeiramente superior pode (re)qualificar todos os patamares do nosso sistema de ensino. Quando se destrói a cúpula, todo o edifício se afunda.

5 comentários:

Lourenço de Almada disse...

Muito bem!
Concordo em absoluto!

Anónimo disse...

O post tem vários aspectos verosímeis mas é óbvio que NÃO tem que haver apenas uma ELITE.
O que tem que haver é a premiação dos melhores venham eles dos Bairros Sociais ou sejam descendentes da velha Aristocracia.
Isto é o sinal dos tempos!
Estamos na república amig@s!!!

Nova Águia disse...

E onde é que se diz no texto que essa elite não pode provir também dos "bairros sociais"?! Se há aqui algum preconceito, é decerto seu...

João Paulo Barros disse...

Olá, Renato e demais comentadores! Como vão? Espero que estejam bem!

“Enquanto alguém que tem tido a experiência do que é o ensino universitário – quer enquanto aluno, quer enquanto professor –, posso testemunhar que se tem verificado uma cada vez maior degradação da qualidade de ensino.”

- Tanto aí como aqui no Brasil.

“É verdade que o ambiente cultural também não ajuda, muito pelo contrário. Um dos fenómenos mais significativos é a perca de hábitos de leitura. Os alunos hoje, cada vez mais, lêem apenas fragmentos – nem já em papel, mas na internet.”

- Por aqui também.

“o nível cultural médio dos alunos é cada vez menor; muitos deles têm extrema dificuldade em pensar e expressar-se, de forma oral e/ou escrita, de modo minimamente articulado. Como a mediocridade se tornou a regra, a exigência na avalização tende também, naturalmente, a baixar. Qual é o professor que pode correr o risco de chumbar uma turma inteira? ... O ensino superior tornou-se num negócio. E ai de que quem ponha em causa as sacrossantas “regras de mercado”.”

- Quanta semelhança com o Brasil!!!

Eu sou a favor da democratização máxima do conhecimento em todos os países do mundo. Porque o conhecimento da verdade é o que liberta o ser humano da escravidão mental. Só que a democratização do conhecimento não pode comprometer a qualidade do ensino escolar e nem do universitário. Para que seja possível garantir o futuro das nações, é indispensável garantir um ensino que seja acessível à todos, mas que seja de ótima qualidade. Caso o contrário, existe o risco do regresso civilizacional.

João Paulo (Brasil).

Anónimo disse...

Caros amigos
Pois é assim mesmo. Custa, mas é a verdade.
ao longo do tempo foi muito diferente? Claro que não. O que agora faz a diferença é a INDIFERENÇA dos alunos perante o conhecimento - qualquer que ele seja - e a conivência das instituições com esse comportamento, pois os meninos e as meninas inscrevem-se na escola aos 3 anos e saem da universidade pelos 23, e a imensa maioria nunca em 20 anos de formação leu um livro completo da área da especialidade pois os cursos passaram a fazer-se por fotocópias parcelares para garantir o pleno aproveitamento.
O ensino e a aprendizagem é gradual no nível da complexidade. é uma actividade como qualquer outra. Uns são mais dotados para aprender, outros menos. Mas isso deixou de ser um critério.
No desporto ao mais alto nível, na pintura, escultura, música e por aí fora, "muitos são chamados, mas poucos os escolhidos" e todo o mundo aceita essa diferenciação. Só a qualidade será reconhecida...
No mundo da aprendizagem ao mais alto nível, ninguém aceita a diferenciação pelo mérito. tanto mais isto é verdade, quanto a escola, em todos os níveis, se tornou um comércio, na qual há muitos interesses económicos - de professores, editores, funcionários, alunos, autarcas e por aí fora... e então, para que o negócio prospere, colocam-se os meninos na escola aos 3 anos e "empurram-se" compulsivamente, tantas vezes contra a própria vontade, até ao fim da universidade, sem reconhecimento de mérito ou diferenciação.
Depois claro, confundimos o mérito com elites e continuamos no discurso neo marxista de que só os ricos poderão frequentar os estudos superiores. Infelizmente assim é, porque o negócio impôs-se ao mérito e muitos dos que têm mérito, de facto não têm dinheiro para a universidade. Mas está tudo bem, diz-se para aí...
NO MÉRITO NÃO HÁ NEM PODE HAVER DIFERENCIAÇÃO. Todos os alunos devem ser obrigados a uma escolaridade mínima inferior ao 12º ano e todos aqueles que TIVEREM MÉRITO, VENHAM DE ONDE VIEREM (do bairro social, do albergue, ou de qualquer outro local menos "afamado")terão que ter garantidas as condições para virem a fazer parte das elites.
Talvez assim se possa começar a falar com alunos que se preparam para ser professores de filosofia por exemplo que ao serem questionados ao fim da licenciatura sobre as obras filosóficas que leram não respondam - nenhuma... tal qual e sobre o desejo de lerem algo no futuro imediato refiram estar com vontade de ler "A culpa é das estrelas" ou outra coisa no género que tenha sido adaptado ao cinema de diversão. Ou mais grave ainda que refiram ser Sto Agostinho um importante filósofo do século XX e que Sócrates escreveu a marcante obra "Diálogo socrático".
Dirão os meus amigos: ele está a exagerar, isso são casos isolados. Eu respondo - não são não! é o retrato da maior parte dos meninos e das meninas que neste momento já têm um diploma do ensino superior e se preparam, imagine-se, para serem os educadores das gerações futuras...
cumps
A Manso