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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sobre o novo Império Islâmico


De facto, a História não acabou e parece que estamos mesmo numa outra fase de recomposição do mundo. Vem isto a propósito do auto-proclamado “Estado Islâmico”, que semana após semana, vai controlando mais território – a começar na Síria e no Iraque –, antecipando já a constituição de um novo Califado.
Esse horizonte pode-nos soar demasiado delirante – nalguns mapas, este integraria inclusive a Península Ibérica! –, mas, no interior do mundo islâmico, parece-nos ser um projecto “com pernas para andar”.
E não só na Síria e no Iraque – há outros Estados Islâmicos em acelerado processo de decomposição (caso mais evidente: o da Líbia). Como a “natureza (também a política) tem horror ao vazio”, toda essa decomposição estadual poderá ser terreno fértil para a constituição dessa nova realidade trans-nacional, que se propõe reconstituir o mítico Califado, que, esse sim, chegou a integrar a Península Ibérica, com o nome de “Al-Andaluz”.
Para mais, tornar-se cada vez mais evidente que a entidade “Estado-Nação”, que a Europa exportou como modelo político por excelência, não será o mais adequado no mundo islâmico – onde, precisamente, ao contrário do que acontece na Europa, as diferenças linguísticas, culturais e religiosas não são suficientes para justificar esse tipo de fronteiras. Manifestamente, o que une esses países é muito mais do que aquilo que os separa.
Não deixa de ser curioso que isto aconteça precisamente um século depois do início da I Grande Guerra Mundial, que na Europa teve como principal consequência o abandono do modelo do “Império”, em prol do modelo do “Estado-Nação”. Este modelo, que nos rescaldo da II Grande Guerra, a Europa depois exportou para os territórios recém-descolonizados, parece estar, no mundo islâmico, cada vez mais esgotado – com algumas excepções que confirmam a regra (sendo a mais evidente a do Irão, por conhecidas razões étnicas: os iranianos são persas e nisso se distinguem de todos os seus vizinhos).
O mesmo poderia acontecer, em tese, em África, onde muitas das fronteiras nacionais são igualmente artificiais. Mas aí, não obstante toda a retórica pan-africanista, não há nada que se compare ao que no mundo islâmico tem corroído essas mesmas fronteiras: a religião, precisamente. Para mais, uma religião que não reconhece nem sequer compreende o fenómeno da laicidade (ou seja: da separação entre a Igreja e o Estado), tão característico da Europa e do Ocidente em geral.
Há ainda, apesar de tudo, dois travões relevantes à constituição desse novo Califado: um interno, outro externo. O travão interno decorre da rivalidade histórica entre sunitas e xiitas, que por vezes parece sobrepor-se a tudo o resto. O travão externo derivará de uma atitude demasiado hostil em relação ao Ocidente (leia-se: EUA), que poderá ver-se obrigado a intervir. Apesar de, pelo menos em parte, ser uma nova realidade histórica, esse novo Império Islâmico pode pois sucumbir ao que levou à ruína de (quase) todos os Impérios: uma desmedida fome expansionista. Regressando às lições das duas Grandes Guerras, não se pode combater tudo e todos ao mesmo tempo…

2 comentários:

João Paulo Barros disse...

Enquanto existir civilização sobre a Terra, a História não acabará. O que poderá acabar é a atual fase da História para dar início a uma nova fase.
O mundo está mudando. Eu não chego a ficar apavorado, mas confesso que nunca tive tanto medo de ver a Terceira Guerra Mundial começar como agora. Nem na minha infância, nos anos finais da Guerra Fria eu tinha temor como tenho agora.
Para podermos compreender o apego radical que algumas pessoas têm pelo Islão, temos que entender o que se passa com a parte do mundo entre o Paquistão e o Marrocos. O mundo islâmico não passou pelo período renascentista e depois pelo período iluminista como a civilização ocidental europeia passou. Por que não vemos surgir grupos radicais terroristas adoradores dos antigos deuses nórdicos na Escandinávia ou mesmo radicais luteranos? Por que não vemos surgir grupos terroristas xintoístas no Japão, querendo purificar o país de religiões e influências culturais estrangeiras? Mas na parte islâmica do mundo, nós vemos nos noticiários quotidianos. É porque o Islão é uma má religião? O Islão tem poucas diferenças do Judaísmo e do Cristianismo. Quem conhece o básico da religião islâmica, sabe que é uma religião com boas qualidades, não só com defeitos. O que se passa na cabeça de muitas pessoas para que decidam integrar grupos como o Estado Islâmico, o Boko Haram, a Irmandade Muçulmana ou o Hezbollah? No meu modo de ver, o mesmo que se passou nas cabeças daquela geração de Alemães pós-Primeira Guerra Mundial que elegeram o Hitler e os demais nazis nos anos 30 do século XX. Revolta, frustração com o sistema vigente. Os povos muçulmanos vivem em países que, apesar dos fartos recursos naturais, há muita pobreza social, muito sofrimento, exclusão, e a religião é única coisa que faz com que muitos indivíduos se sintam com dignidade. Eles se apegam tanto que querem cumprir as profecias de Maomé (Mohammed), e eliminar os infiéis. Os Estados Unidos e a Inglaterra fizeram mais mal ao povo do Iraque do que o próprio Saddam Hussein que era o ditador de lá.
O que aqueles povos precisam é de uma boa educação escolar e universitária, e de prosperidade, desenvolvimento. São as melhores armas contra o fundamentalismo religioso, contra o terrorismo fanático. Se o ser humano vive numa situação em que ele não tem quase nada a perder, ele vai se apegar a algo que forma desequilibrada e passional. No caso deles, é a religião islâmica. Ao invés de armas e veículos militares, aqueles povos precisam é de uma boa educação e de ciência.

João Paulo Barros disse...

‘Não deixa de ser curioso que isto aconteça precisamente um século depois do início da I Grande Guerra Mundial, que na Europa teve como principal consequência o abandono do modelo do “Império”, em prol do modelo do “Estado-Nação”. ‘
- Mas as nações europeias tinham impérios exclusivamente políticos e com finalidades econômicas, nos dias da Primeira Guerra Mundial. Os muçulmanos extremistas têm uma visão distinta, a visão de proselitismo, de converter o mundo inteiro à religião deles, e por consequência, à mentalidade deles. Na Cristandade, já houve um sentimento assim. No período em que a África e boa parte da Ásia pertenceram à Europa, os territórios dominados não foram divididos por critérios de nações e etnias locais. Mesmo no mundo pós-colonial, a Índia e o Paquistão são Estados multinacionais, onde há mais de um idioma, mas o Paquistão e o Bangladesh só se separaram da Índia por causa da divergência religiosa entre o Islão e o Hinduísmo. E o Médio Oriente (exceto Irão), nos anos da Primeira Guerra Mundial, pertencia à Turquia otomana, e o atual configuração política da parte árabe local foi feita pelos Britânicos e Franceses após a Primeira Guerra Mundial. E Israel que foi refundado em 1948. Os líderes árabes não são tão religiosos assim, e preferem deixar o Médio Oriente e Norte da África divididos em vários países como se fossem feudos deles. Mas os muçulmanos mais fervorosos querem a união de tudo, o Califado.