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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

segunda-feira, 24 de março de 2014

Extractos de Literatura Portuguesa - 3 - Padre António Vieira - "Sermão de Santo António aos Peixes"


“Antes porém que vos vades, assi como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica (1), peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fôra pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: homines pravis, praeversisque cupiditatibus facti sunt veluti pisces invicem se devorantes (2). Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros. Tão alheia cousa é, não só da razão, mas da mesma natureza, que sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer. Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu que prègo aos peixes, para que vejais quam feio e abominável é, quero o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não! não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o Sertão? Para cá, para cá: para a Cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias (3) se comem uns aos outros; muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas? Vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação e sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer, e como se hão-de comer.” 

(1) me desedifica: me desgosta 
(2) homines pravis, praeversisque cupiditatibus facti sunt veluti pisces invicem se devorantes: Os homens viciosos, e pervertidos pela cupidez, fizeram como os peixes devorando-se uns aos outros. 
(3) Tapuias: indígenas selvagens do Brasil 

Do livro de Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes, Porto, Editorial Domingos Barreira, pp. 48-49. Com prefácio e notas de Joaquim Ferreira.

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