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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Não e nAO!

(Uma adenda no final deste texto.)
Em Portugal insiste-se na imposição – inútil, ilegítima, ilegal – do «aborto pornortográfico». No Brasil… não é uma prioridade assim tão grande, a pressa não é muita. Aliás, lá a vontade preponderante pode até já nem ser a de implementar este «acordo» mas sim outro, provavelmente ainda mais radical: em Outubro de 2013 a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Desporto) do Senado em Brasília aprovou a criação de um «grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa». É de duvidar que por «aperfeiçoar» se entenda devolver as consoantes ditas «mudas», os hífens e as maiúsculas que levianamente foram roubadas à ortografia dos dois lados do Atlântico.
Entretanto, sucedem-se os sinais de que a tão apregoada «uniformização» mais não é do que uma miragem propiciada, talvez, pelo calor dos trópicos. Em Setembro de 2013 foi noticiado que a Embaixada do Brasil em Maputo lançara um concurso para director do Centro Cultural Brasil-Moçambique, que tinha como um dos requisitos “desejável conhecimento da escrita portuguesa na vertente brasileira”. Não estava previsto que o AO90 acabasse com a «vertente brasileira», e todas as outras vertentes, da escrita portuguesa? Ou terá isso a ver com o adiamento da entrada em vigor do dito cujo do outro lado do Atlântico? Se sim, talvez isso explique o facto de na edição e distribuição de livros portugueses no «país irmão» ainda ser necessário, em vários casos, proceder-se a alterações. Como o da Porto Editora, que, soube-se em Janeiro deste ano, adaptou os seus dicionários de língua portuguesa para o mercado brasileiro, como o «Grande Dicionário», que foi redigido «em português do Brasil à luz do acordo ortográfico». O que será essa «luz» do AO? Mais alguma inovação introduzida pelas cabeças «brilhantes» que conceberam o (des)acordo? E há ainda o caso – que me é mais próximo, pois trata-se de um amigo – do livro de Paulo Monteiro «O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias», que em terras de Vera Cruz recebeu o título «O Amor Infinito que Tenho por Você e Outras Histórias».     
Em Portugal a unanimidade governamental quanto à «uniformidade» ortográfica é apenas aparente. Porque há, pelo menos, a excepção de Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, que, em Setembro último, disse em Nova Iorque aquilo que não diz em Lisboa: o AO90 «não é certamente a única maneira de desenvolver a língua. (…) Nós temos tido alguma dificuldade em conseguir realizar o projecto que se tinha de o Acordo Ortográfico ser tão vital para o desenvolvimento da língua. Eu acho que é bom haver algumas regras básicas mínimas, mas para isso temos que deixar a língua fluir. E, portanto, nesta matéria teremos de, após alguns anos, observar e ver se não temos que fazer algumas pequenas alterações.» A «alguma dificuldade» é um eufemismo, tal como as «pequenas alterações»… aliás, a única «alteração» que há a fazer ao AO90 é destruí-lo.
Também nas três principais estações de televisão nacionais são raras as «dissidências» à «nova (des)ordem ortográfica». Na SIC são de destacar duas vozes corajosas e desassombradas: Hernâni Carvalho, para quem «esta nossa menoridade, esta nossa pequenez» explica a existência deste «acordo» que é mais «ortopédico pelos pontapés que dá na gramática», e que as pessoas «que escreveram isto estavam a dormir, não estavam acordados»; e Miguel Sousa Tavares, para quem «por inércia, por preguiça ou por cobardia, vamos assistir a uma revolução para pior na Língua Portuguesa», para mais ilegal, porque «os próprios signatários que aprovaram a entrada em vigor do tratado violaram as normas, tornando-o obrigatório sem que haja o número de assinaturas exigido pelo próprio tratado.» Além de jornalistas, os dois são também escritores… que, nessa qualidade, estão em clara discordância com, nomeadamente, Valter Hugo Mãe. Que, em Dezembro de 2013, escreveu na sua página de Facebook: «Também acho estranho que muita gente diga mal do acordo ortográfico quando não lhes vejo pudor em dizer selfie e site, like, smartphone, download, ou deslocalização e coalisão mais outras americanices que nos afastam mais da alma portuguesa do que qualquer c que desapareça.» Das duas, uma: ou VHM não consegue compreender, ou não quer compreender, que os opositores do AO90 têm toda a legitimidade para usar anglicismos… porque não querem cortar letras «supérfluas» nem deixar de usar palavras «arcaicas»… como, por exemplo, e precisamente, phone (de smartphone).
Nos outros países não existem estas parvoíces. É certo que já foram feitas algumas tentativas de alterar a ortografia do Alemão e do Inglês, mas que, porém, não tiveram a dimensão… e a concretização da que presentemente afecta o Português. Lá fora valoriza-se o ser convicto quanto à identidade, dignidade e idoneidade linguísticas, e evitam-se intervenções artificiais. Cá dentro, a julgar pelo que se lê no jornal Expresso, há quem prefira ser, simplesmente, «convito».
(Adenda – Nunca esperei que das discussões e votações marcadas para 28 de Fevereiro na assembleia da república resultasse, se não a revogação, ao menos a suspensão do «aborto pornortográfico». E confirmou-se: apenas foi aprovada uma recomendação ao governo para criar um grupo de trabalho para acompanhar a aplicação do dito cujo. Ridículo! Pior foi ouvir as alarvidades de alguns dos alegados «representantes do povo», como as de que o AO90 está a ser implementado «com naturalidade» e «sem sobressaltos», e que é «do interesse de Portugal» liderá-lo. Em que país - ou em que planeta - vive esta gente? Como se tal fosse necessário, foi mais uma demonstração de que sensatez e vergonha não existem em São Bento - tanto na «ala» legislativa como na «ala» executiva. Certas pessoas não têm legitimidade nem capacidade para tomar decisões neste âmbito… e em outros. Pelo que não merecem ocupar as posições que ocupam e deveriam ser removidas delas. A bem ou a mal.)

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