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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

domingo, 19 de agosto de 2012

De Agostinho: poder temporal e espiritual


“O problema da Igreja”[1]

Com toda a humildade que é possível à natureza pôr em pensamentos e palavras, direi que, em política geral, sou inteiramente contra o Dante, qualquer que tenha sido o valor das razões puramente de carácter contemporâneo que o possam ter levado a tomar a posição que tomou, e sem esquecer toda a coragem e toda a firmeza de convicções que lhe foram necessárias para sustentar como sustentou as suas ideias. Parece-me, porém, que, neste ponto, como talvez noutros, Dante se deixou levar pelos seus impulsos de combate, as suas reacções de partidário venceram o seu pensamento e a sua afectividade de religioso; o que tudo não deixa se ter sua ligação com os artifícios de serviço secreto que, segundo própria exposição na Vita Nuova, usou nos seus amores com Beatriz.
Mas, na realidade, não creio que seja de aceitar a ideia de que o poder temporal deva estar separado do poder espiritual; o que me parece excelente para o mundo seria que ele fosse governado por um grande Papa que fosse simultaneamente político atento às realidades terrenas, um santo que tivesse a contínua convivência do céu e um artista que pusesse no coração dos homens aquele novo apelo de amor da beleza que é possivelmente a marca mais alta do Espírito. O chefe do mundo, e cada vez menos teremos de falar de chefes da nações, totalmente ultrapassadas nos seus limites pelo progresso técnico e pela afirmação cada vez maior do sentimento de fraternidade humana, o chefe do mundo deveria ser um homem cujo pensamento não ficasse no mundo, cujo móbil fosse a reintegração no Paraíso perdido e a quem nunca os avanços materiais e de organização social fizessem esquecer que tudo isso é apenas a base indispensável para que haja no Universo quem possa sofrer voluntariamente, em paga dos erros, ao contrário do que sucede hoje em que os erros são sempre pagos por sofredores involuntários.
Esta ideia pode, no entanto, parecer bem estranha e quase diria repulsiva tanto a irreligiosos como a homens religiosos. Quanto aos primeiros, conviria antes de qualquer análise do problema em si próprio que atentassem pelo menos num país em que as coisas se passam mais ou menos deste modo, isto é, em que o chefe espiritual é também o chefe do governo temporal, quaisquer que possam ser as prerrogativas do primeiro-ministro como cabeça da aparelhagem administrativa e como representante da mais numerosa corrente de opinião pública. Refiro-me naturalmente à Inglaterra: é uma nação em que o governo é um sacramento; a coroação dos reis não é uma cerimónia de carácter civil: é uma investidura de carácter ordenatório. E é curioso que isso suceda num país que todos os liberais admiram pela sua liberdade, pelo valor do seu civismo e pelo sentimento de unidade e de colaboração com que os vários grupos defendem os seus pontos de vista. Aqui a religião, no que tem de mais alto, e mesmo sem que nela se fale, impregna a vida pública; neste sentido, poderíamos dizer que a Inglaterra é um país essencialmente católico, embora não romano.

(excerto)


[1] In O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 03/11/1957.

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