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MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Macau - Ser ou não ser bilingue, eis a questão da RAEM

 Na última edição do Plataforma Talks, um bilingue natural, e outro por interesse profissional, partilharam a mesma tese: sendo “oficial”, a língua portuguesa é também “estratégica” e “identitária”. Calvin Chui subscreve essa de Miguel de Senna Fernandes; com ressalvas: é preciso “promover – não impor” a língua portuguesa em Macau; mas “os portugueses também deviam aprender chinês”

“Quando falamos de bilinguismo, falamos do português, no contexto de uma cidade em que a língua dominante é o chinês”. A partir daí, resume Miguel de Senna Fernandes, há várias consequências para o estatuto legal, político e social da língua. Por um lado, “se não tem uso, deixa de ser oficial”; por outro, tem valor “estratégico”, para que “a China desenvolva as relações com os Países de Língua Portuguesa”, e “identitário”, no sentido histórico e cultural.

Calvin Chui aprendeu português “por necessidade”; estudou Direito em Portugal, o que lhe permite ter um conhecimento “mais profundo dos códigos”. Adquiriu a língua pela sua “visão económica”; razão pela qual elogia as bolsas atribuídas a estudantes que queiram ir para Portugal. “Não sei se tem a mesma eficácia que antes, mas é muito importante”.

Senna Fernandes aponta Chui como “bom exemplo; vive a língua porque precisa”. Mas também como “prova da política de bolsas que o Governo tem implementado”. Contudo, “o bilinguismo é muito mais do que isso”. A plataforma, argumenta, “indica-nos que a RAEM não quer uma visão simplista; quer cidadãos que vivam a língua, que tenham consciência do português como língua própria de Macau”. Para Senna Fernandes “a única visão prática e viável é assumir que o português não vem de Portugal, Brasil ou África; sempre se falou em Macau, há que assumir esse passado linguístico”.

O bilinguismo está lavrado na Lei Básica; logo, “devemos respeitar essa regra e promover o português como língua oficial”, comenta Calvin Chui. Nesse sentido, “o uso diário nos tribunais, na Função Pública, na escola… deve ser encorajado”. Contudo, “não pode ser imposto”, ressalva, lembrando o outro lado do espelho: “Os portugueses também deviam aprender o chinês; o respeito tem de ser mútuo”.

“Absolutamente necessário”

O inglês será “mais cool”, mais atrativo para gerações rendidas ao mundo digital; mas, em Macau, o português “é estratégico”, insiste Senna Fernandes, abordando dimensões diferentes. “Quando falamos da plataforma, é um instrumento político-económico, de Estado a Estado. Faz-se sentir na sociedade civil? Não! No nosso dia a dia não a sentimos, mas no plano oficial é absolutamente necessário; senão estamos mal! Não vamos comunicar em inglês com os Países de Língua Portuguesa”. Senna Fernandes concorda com Calvin Chui na tese de que “não pode ser imposto”; mas defende que “o português tem de ser assumido como língua da RAEM. O que mexe com cultura leva tempo; mas já estamos aqui há tantos séculos; já esperamos tanto… e a RAEM tem tudo a ganhar”, conclui.

Aprender português “não é fácil”; ambos concordam. Mas há “cada vez mais cidadãos de etnia chinesa que falam português”. Calvin Chui lembra que a DSEJ garante subsídios a escolas que incluam a disciplina de português, o que “é positivo, porque aumenta a atratividade do ensino e da aprendizagem”; processo que vê em três fases: “Primeiro conhecer a língua; depois utilizá-la; mais tarde ver que o seu valor não é só económico, mas cultural e humano. Aí aprofundam a aprendizagem e querem partilhar isso com outras pessoas”.

Senna Fernandes quer ver mais compromisso oficial: “Uma coisa é ter dinheiro, outra é mostrar vontade política; e essa não se vê. Não sei se por estigmas do passado – não queria ir por aí – mas existiu sempre um obstáculo; quando se fala de português qualquer coisa parece que não flui”. Considera por isso que “a RAEM pode fazer muito mais”; e se “houver complexos há que despir isso completamente”; criando “modelos sociais” para uso da língua. “Não vou utilizar a palavra herói, mas as referências são muito importantes. Há que criar algo mais profundo; ter olhos de ver e não ficar pelos programas de estudo; é muito mais do que mandar toda a gente estudar para Portugal”.

“Promover – não impor”

Calvin Chui já admitiu, por hipótese, que o bilinguismo fosse imposto; mas, “pensando melhor”, prefere uma abordagem “suave, indireta, mais bem aceite pela população”. Senna Fernandes concorda, inclinando-se para incentivos relevantes: “Quem der provas de falar chinês e português e queira estabelecer-se em Macau pode ver-lhe atribuído mais um ponto” na análise do direito de residência; quiçá no acesso à Função Pública. “Desde que não se prejudique quem não fala português; a discussão é como incentivar a falar mais português – quem não fala tem de ser respeitado”. A História, essa, “tem de fazer parte da identidade disto”, frisa Senna Fernandes. “Já é cliché falar de edifícios antigos, do pastel de nata, e de outras coisas portuguesas. E a língua, não pode ser identitária? É perfeitamente possível a RAEM assumi-la como sua”, conclui.

Calvin Chui gostou de ver o futuro Chefe do Executivo responder a jornalistas portugueses, “primeiro em português; e depois, por respeito à maioria da população, em chinês”. Um “bom sinal”; como Sam Hou Fai aprendeu português em Coimbra, “pode ter tendência para promover mais o bilinguismo”. Sobre a aprendizagem do chinês por parte da comunidade portuguesa residente, Senna Fernandes sugere que as dificuldades colocadas por uma língua ideográfica sejam contornadas com a oralidade: “Nós, macaenses, aprendemos a falar cantonês sem saber escrever; só depois adquirimos a escrita. Mas o facto de falarmos tornou a coisa muito mais simples”. Paulo Rego – Macau in “Plataforma” 

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