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MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

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Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Venezuela - Presidente do Centro Português de Caracas quer preservar legado luso-venezuelano

 O reeleito presidente do Centro Português de Caracas (CPC) pediu aos luso-venezuelanos para apostarem no fortalecimento, na ampliação e projeção do clube, sem esquecer o respeito pelos costumes e pelas tradições lusitanas


Paulo de Sousa falava, no domingo à noite, durante a cerimónia de tomada de posse dos membros eleitos que vão gerir os destinos do clube nos próximos 12 meses.

Esta reeleição “representa uma grande responsabilidade, a de continuar o legado de manter o prestígio, a qualidade humana, a excelência e a oportunidade de fazer a minha parte para promover novas iniciativas, de inovar e renovar, sem esquecer e respeitando costumes e tradições”, disse.

O responsável sublinhou que esse compromisso tem por base fortalecimento, ampliação e projeção.

“O fortalecimento refere-se à consolidação do que já temos, a uma melhoria da nossa gestão, à manutenção das nossas infraestruturas, do nosso serviço e dos nossos recursos, a ampliação se refere a aumentar o que oferecemos, a criar mais espaços, mais programas, mais eventos e mais benefícios. E a ampliação também se refere a difundir o que fazemos e a estar sempre presente e ao lado de todos os nossos associados”, disse.

Por todas estas razões, disse, é preciso “cooperação e apoio”: “não se trata de um projeto pessoal, mas de um projeto coletivo. Não é apenas uma tarefa para o presidente ou para o conselho de administração, mas para todos nós”.

“É por isso que vos convido a se envolverem, a contribuírem, a juntarem-se a nós, a participarem, porque com as vossas opiniões, experiência, talento e entusiasmo será mais fácil e mais rápido alcançar o sucesso que todos desejamos para este grande grupo”, frisou.

Na presença de mais de duas dezenas de associados do CPC, antigos presidentes, representantes das autoridades diplomáticas e consulares, Paulo de Sousa lembrou que é filho de madeirenses, membro do clube há mais de 20 anos e na direção há nove anos.

“Desde que entrei nesta casa senti-me acolhido, integrado e valorizado. Aqui encontrei um espaço único de convivência, aprendizagem, diversão e solidariedade”, frisou.

Fundado há 65 anos, o Centro Português de Caracas, é tido localmente como uma referência luso-venezuelana.

Paulo de Sousa foi eleito pela primeira vez como presidente do Centro Português de Caracas em finais do ano passado para o período 2022-2023. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Venezuela - Luso-venezuelanos: somos abençoados por ter duas pátrias

 O presidente do Centro Português de Caracas (CPC) instou a comunidade lusa a preservar, garantir e estimular localmente os matizes da cultura portuguesa, sublinhando que todos têm uma maneira particular de a viver e transmitir às novas gerações


“Com uma ou combinando todos os matizes (nuances) da nossa cultura, é importante que as pessoas deem continuidade às nossas tradições com a sua maneira particular e é isso que devemos preservar, garantir e estimular e há que difundir também a nossa cultura a quem não a conhece”, disse.

Sérgio Nunes falava à agência Lusa à margem das celebrações da Festa de São Martinho, que na noite de sábado reuniu, segundo os organizadores, mais de 2000 pessoas no Centro Português de Caracas.

“Somos abençoados por ter duas pátrias (…) Embora conheçamos e amemos as tradições deste belo país (Venezuela) onde vivemos e que amamos profundamente, os nossos antepassados, país e avós, vieram de uma terra maravilhosa chamada Portugal”, explicou o presidente do CPC.

Sérgio Nunes insistiu: “Estamos habituados à sua (portuguesa) comida, paisagens, folclore e música, por isso é muito importante ter estas duas culturas que fazem parte do nosso ser e da nossa vida quotidiana e levá-la às novas gerações”.

Nesse sentido, explicou que no Centro Português tentam encorajar as crianças a participar, por exemplo, no grupo folclórico, dando-lhes a opção de ter atividades desportivas gratuitas “incentivando-os a participar no programa Português a Brincar, que não tem custo, para que assim possam ver e ouvir a língua dos avós e dos pais, entender que são originários de terras portuguesas”.

“Nós, no Centro Português, admiramos e respeitamos a cultura portuguesa e cada um tem a sua maneira particular de o fazer, alguns lendo os poemas de (Luís de) Camões, outros amando o folclore português. Outros, a sua gastronomia, com livros de receitas portuguesas”, disse.

O presidente do CPC explica ainda que “muitas pessoas conduzem os seus carros a ouvir a nossa música portuguesa e outros tocam um instrumento musical português, cantarolaram e cantam canções tradicionais das nossas raízes”.

“Todos vivem a cultura portuguesa de uma maneira muito particular (…) e é também importante que muitas pessoas querem aprender português”, frisou.

Sobre a Festa de São Martinho, explicou que “marca uma grande tradição” anual da qual faz parte “comer castanhas, acompanhando com um bom vinho português”.

“Este ano as castanhas vieram diretamente de Portugal, tal como já temos conseguido fazer nos últimos anos. E isso faz-nos lembrar as nossas tradições, costumes, a nossa gente em Portugal”, disse à agência Lusa.

Sérgio Nunes insistiu que, para os portugueses da Venezuela, o São Martinho é também “folclore, música, o reencontrar-se com amigos, companheiros e passar bem”.

As celebrações do São Martinho no CPC decorreram na noite de sábado para domingo e nelas participaram mais de 1960 membros daquele clube e uma centena de convidados, entre eles o embaixador de Portugal na Venezuela, João Pedro Fins do Lago.

Foram instaladas várias barracas, que entre outros, além de castanhas e vinhos portugueses, ofereciam espetadas de carne e frango, bolos do caco, bifanas, pastéis de nata e outros, cujos fundos angariados estão destinados a atenção social.

O Grupo Folclórico Danças e Cantares do CPC celebrou o 25.º aniversário e houve ainda a atuação do grupo infantil e juvenil do clube, o Grupo Musical Magia Lusitana, e a Banda Recreativa Madeirense da Venezuela.

Fundado em 2019 e paralisado devido à pandemia da covid-19, o grupo de ‘gaitas’ venezuelanas PortuGaitas, regressou aos palcos interpretando aquele estilo musical com um toque português. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

domingo, 10 de julho de 2022

Venezuela - Exposição «As primeiras Viagens» contribui para a história da emigração


 

A exposição «As Primeiras Viagens», que pretende contribuir para a construção da história dos portugueses na Venezuela, foi inaugurada na passada segunda-feira, 4 de Julho, no Consulado Geral de Portugal em Caracas. O Correio, juntamente com o JM Madeira e o Notícias da Diáspora juntaram-se para promover a exposição com o apoio do Consulado Geral de Portugal em Caracas.

Na sede consular, os visitantes poderão encontrar uma série de painéis e objetos históricos que narram os primeiros dias da imigração portuguesa para o país de Simón Bolívar, incluindo os navios que fizeram a travessia, registos de inscrições consulares, cartas de chamada e momentos de reuniões familiares.

A inauguração contou com a presença do secretário regional de Economia, Rui Barreto, que visitou recentemente a Venezuela em representação do governo Regional por ocasião das comemorações do Dia da Região e das Comunidades Madeirenses. Participaram também no ato o presidente do Instituto de Desenvolvimento Empresarial, Duarte Freitas, o Embaixador de Portugal na Venezuela, João Fins do Lago, o Cônsul Geral de Portugal em Caracas, Licínio Bingre do Amaral, entre outras personalidades.

«Esta exposição foi realizada devido à necessidade de ajudar todos os seres humanos a saberem de onde viemos, quais são as nossas origens. Quando se trata de emigração, são países diferentes, não são origens estáticas. A migração tem essa magia”, explicou, durante o ato, o diretor do Correio da Venezuela, Aleixo Vieira, lembrando que se “não fizermos este tipo de trabalho agora, com o tempo a ligação perde-se».

Os dados históricos patentes no espaço disponibilizado pelo consulado resultam de uma pesquisa meticulosa levada a cabo pelo investigador de história da Companhia Colonial de Navegação, Miguel Correia, bem como pelo jornalista madeirense Catanho Fernandes, e ainda pela comunicadora luso-venezuelana Teresa Vieira.

Na exposição se mostra a migração desde os primeiros anos dos navios italianos e franceses, passando depois para os navios portugueses, com o Santa Maria como um dos maiores navios de bandeira. A exposição inclui uma réplica original do Barco Santa Maria, pertencente ao emigrante Felisberto Camacho, adquirida à Companhia Colonial de Navegação.

«Por vezes queixamo-nos de que não temos WiFi, Internet, que a ligação é muito má, mas como é que as pessoas comunicavam com os seus familiares naqueles dias? Para enviar uma foto, tinhas de mandar através dos correios, que viajava naqueles navios e depois era entregue pelos carteiros, aquela figura mítica que também estamos a tentar reanimar aqui», disse Aleixo Vieira. O público também pode conhecer o papel desempenhado pelos consulados portugueses na Venezuela, através da história dos Consulados de Valência e Caracas.

A exposição inclui os rostos de vários emigrantes e algumas malas que passaram por estes navios; objetos que contam um pouco da vida daqueles que emigraram para a terra prometida e foram peças inseparáveis do viajante; um símbolo de coragem e o desejo de se melhorar a si próprio. «São malas de uma vida inteira, que vieram cheias de sonhos e do desejo de devorar o mundo», disse o também conselheiro madeirense.

Para conseguir um contraste entre história e modernidade, Teresa Vieira, uma comunicadora envolvida nesta exposição, explicou que o objetivo é ligar as pessoas à emoção destas viagens. «É preciso conhecer o passado para compreender o presente. A intenção não passa apenas por contar a história, mas também em transmitir as emoções vividas pelos emigrantes durante esses anos” disse a jovem.

«O Cônsul ajudou-nos com factos e informações importantes. Graças a ele e à sua equipa, pudemos ter acesso à documentação e imagens dos primeiros 100 portugueses que pisaram as terras de Simón Bolívar», explicou Teresa Vieira, acrescentando «normalmente foram os homens que partiram naqueles navios e as mulheres ficaram à espera, sem saber o que ia acontecer».

A comunicadora apelou aos jovens para compreenderem as gerações mais velhas. «Antigamente tudo era muito mais difícil e a única coisa que os seres humanos levavam consigo era a esperança, porque a comunicação era muito difícil; é isto que procuramos transmitir nesta exposição. Muitas vezes, nós jovens pedimos aos adultos para compreender a nossa geração, mas para compreender o presente é preciso compreender o passado e tudo tem uma razão. Tal como os nossos pais nos procuram ensinar, também temos muito a ensinar-lhes para além da tecnologia; mas para isso temos de compreender muito do passado e esta experiência mudou um pouco a minha mentalidade. Compreendo que é necessário chegar a acordos, trocar opiniões e pensamentos, sabendo que a mistura das duas gerações é o futuro», assegurou a luso-descendente.

Teresa Vieira disse que estão a ser preparados trípticos alusivos à exposição, que serão entregues aos visitantes do Consulado Português em Caracas, incluindo uma mensagem do Cônsul Licínio Bingre do Amaral e um formulário de doação de peças e documentos, para aqueles que têm objetos antigos relacionados com a história da emigração portuguesa para a Venezuela e que desejam doá-los para fazer parte deste projeto.

A exposição estará disponível no Consulado Geral de Portugal em Caracas durante todo o mês de Julho. Posteriormente será levada a outras entidades, a começar por Valência, e os seus elementos serão ampliados em função do espaço disponível em cada um destes lugares. In “Correio da Venezuela” – Venezuela com “Notícias da Diáspora”

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Venezuela - Portugueses unidos para ajudar quem mais precisa

 


“É a última ação que estamos a fazer este ano. Eu pedi a ajuda de alguns empresários na área do setor dos supermercados para doar alimentos, tendo em conta a quadra natalícia e a situação de muitos luso-venezuelanos. Mais uma vez a comunidade portuguesa na Venezuela demonstrou a sua grande generosidade e grande solidariedade”, explicou o diplomata à agência Lusa.

A distribuição, explicou, começou na segunda-feira, com uma visita a uma cantina onde uma ONG venezuelana prepara alimentos para quase 11 mil crianças.

“É óbvio que não podemos fornecer mantimentos ou alimentos para esse número, mas é uma pequena gota para tornar o mês de dezembro um bocadinho melhor para essas crianças e também para algumas das famílias”, disse Carlos de Sousa Amaro, precisando que “são meninos pequeninos, num dos bairros mais desfavorecidos de Caracas”.

No dia seguinte, disse, junto com representantes da ONG luso-venezuelana “Regala una Sonrisa” (Dê um sorriso) foi “visitar vários lares de portugueses que estão com grandes dificuldades financeiras, levar o equivalente a um cabaz de Natal com elementos básicos, para também os ajudar”.

O diplomata foi também ao Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, que acolhe 60 idosos portugueses, “doar alimentos” e “para ajudar a administração do lar, que tem também grandes problemas financeiros”.

“Devo acrescentar que o Estado português também tem ajudado, com um conjunto de contribuições, e a comunidade portuguesa tem-se juntado para angariar fundos também para apoiar o lar”, explicou.

Segundo Carlos de Sousa Amaro, “há todo um trabalho conjunto a que a Embaixada se associou este ano, porque de facto, ao contrário do que às vezes se possa pensar, de que há muitos portugueses com muito ou grande sucesso na Venezuela, há também portugueses que infelizmente, por variadíssimas razões, não tiveram tanto sucesso e precisam muito de apoio”.

“E, foi nesse sentido que tentámos contribuir um bocadinho, à nossa maneira, para aliviar essas dificuldades”, sublinhou.

Questionado sobre quais os motivos para estas dificuldades atuais, tendo em conta que a Venezuela é um país com amplos recursos naturais e produtor de petróleo, explicou que o país está em crise desde há vários anos.

“Como nós todos sabemos, a Venezuela vem atravessando uma crise económica profundíssima já há pelo menos cinco, seis ou sete anos, e a comunidade portuguesa, como toda a população da Venezuela, não está imune aos efeitos dessa crise económica”, disse.

Segundo o diplomata, “há parte da comunidade que tem conseguido ir vivendo com esta crise, mas há muitos que perderam os empregos” têm problemas de saúde, num país onde há “grande dificuldade para obter alguns medicamentos e tratamentos, e as condições dos hospitais não são as melhores”.

“Devo dizer que tem havido um esforço da parte das autoridades portuguesas através da Embaixada, dos consulados, para trabalhar com algumas organizações como por exemplo a organização que esteve connosco (Dê Um Sorriso) às que pedimos para identificar elementos da comunidade portuguesa que necessitem de facto do nosso apoio”, disse.

Carlos de Sousa Amaro sublinhou ainda que desde que chegou à Venezuela (em 2017) pediu ajuda “para que não houvesse nenhum português a viver sem abrigo, debaixo da ponte”.

“E temos algumas organizações que trabalham nessa área e que andam à noite a prestar apoio, com médicos e enfermeiros, a pessoas sem abrigo e que quando identificam algum português, passam então essa informação para o consulado e nós tentamos ajudá-los”, concluiu. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

domingo, 8 de agosto de 2021

Venezuela - Apagões não demovem professores de português

 Os professores de português na Venezuela estão a fazer um “trabalho extraordinário” com o ensino da Língua Portuguesa, que continua a avançar apesar dos frequentes apagões elétricos e falhas na Internet, avaliou hoje a catedrática portuguesa Adelina Moura...

“É muito importante o que está a fazer a coordenação do ensino de português na Venezuela. É extraordinário”, disse Adelina Moura à Agência Lusa.

A catedrática, que participou nas “IX Jornadas para professoras de Língua portuguesa na Venezuela”, deu, durante três dias, formação virtual subordinada ao tema “Entre o analógico e o digital”, a mais de uma centena de docentes de português.

Adelina Moura começou por explicar que já em 2016 (presencial) e 2020 (à distância) tinha feito formação a docentes daquele país latino-americano e que direcionou a atual formação “tendo em mente as dificuldades que os professores na Venezuela têm por causa do acesso à internet por causa da falta, às vezes, de eletricidade e de equipamentos informáticos para os alunos”.

Precisou que “os alunos usam muito, na Venezuela, os telemóveis em vez do computador”, mas que “hoje já há muitas aplicações que podemos utilizar e que beneficiam os alunos que usam os seus smartphones para aprender”.

“Dei-lhe o título ‘Entre o analógico e o digital’ porque enquanto a pandemia não nos libertar vamos continuar a viver estas situações híbridas à distância e presencialmente (…) O que vejo nos professores da Venezuela é que houve uma necessidade imperiosa de continuar as práticas educativas usando tecnologia e isto foi muito importante para muitos professores que não eram muito proficientes com a tecnologia e também não acreditavam muito no seu poder”, explicou a catedrática.

Segundo Adelina Moura, com a pandemia os professores tiveram de fazer “o possível e o impossível” para não deixar os alunos locais para trás e por isso “em termos tecnológicos, deram-se passos de gigante” que permitiram “abrir os olhos” com relação à visão da tecnologia digital na educação, apesar de que desde há anos, os docentes recebiam formação nessa área.

“O que devemos fazer é não perder este entusiasmo fantástico que se criou, em relação à Venezuela. No ano passado eu senti os professores muito aflitos, ansiosos. Havia uma enorme incerteza e angústia pelo que viria pela frente (…) hoje vejo professores a dizer que já usam algumas plataformas e a compartilhar as suas práticas e experiências, e temos que continuar a apoiá-los porque já não se trata de saber pela rama, mas de aprofundar o conhecimento de potenciar as tecnologias digitais na educação”, explicou.

Durante a formação, foram explorados materiais manipulativos, em que os alunos podem interagir com as plataformas e criar os seus próprios materiais também.

Também a criação de jogos pedagógicos e interativos, virtuais e analógicos, direcionados para a literatura, e a criação de apresentações dinâmicas e interativas.

“Apresentámos também uma plataforma nova que é o ‘Milage Aprender+’, coordenada e desenvolvida pela Universidade do Algarve em Portugal e (…) ideias para novas estratégias e práticas pedagógicas”, explicou a catedrática.

Adelina Moura precisou que além de docentes da Venezuela participaram na formação professores do Brasil, Itália, Áustria, EUA, Espanha, Paraguai, Alemanha, Indonésia, Argentina, Austrália, Timor-Leste, México, Portugal, Colômbia, Peru, Guiné-Bissau e Angola.

“Portanto, não foram só professores da Venezuela, conseguiu-se atingir um grupo bastante diversificado de professores que estão ligados com o ensino da língua do português como língua estrangeira no mundo”, frisou.

Segundo dados da Embaixada de Portugal na Venezuela, em dezembro de 2020, quase 5500 alunos venezuelanos aprendiam português no sistema oficial venezuelano. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Venezuela - Portugueses perdem importância e representatividade

 O presidente da Universidade Metropolitana de Caracas, uma das mais prestigiadas da Venezuela, instou os portugueses a recuperarem a quota de comércio e de poder que já tiveram num país que considera continuar a ser de oportunidades...

“Eu não tenho visto, ultimamente, nenhum lusodescendente na Federação de Câmaras de Comércio, na Câmara Venezuelana da Indústria de Alimentos e no Conselho Nacional de Comércio e Serviços. Todos os [seus] representantes são descendentes de espanhóis e italianos”, disse Luís Miguel da Gama.

O luso-venezuelano falava, na noite de quinta-feira, durante as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreram no Centro Português em Caracas, clube que celebrou também o 63.º aniversário da sua fundação.

“Onde estamos? O que estamos fazendo? Porquê, se tínhamos essa quota de comércio e de poder não estamos aí? Isto é para refletir”, enfatizou.

O presidente da Universidade Metropolitana de Caracas, que foi convidado especial da cerimónia, sublinhou: “Devemos sentir-nos orgulhosos de ser portugueses e onde estivermos representamos Portugal”.

“Onde há um português esse espaço cresce (se multiplica), geramos família, progresso, tecnologia, trabalho, princípios e valores. Há que dizer isso aos nossos filhos. Geramos puras coisas boas, não há gente como a gente”, afirmou.

Quanto à Venezuela, explicou, que “a situação é complexa” : “Não podemos tapar o sol com um dedo. O mar está picado (agitado), bem picado e é complexo cambiar o mar”.

“Mas vocês sabem, melhor do que eu, que os portugueses foram os melhores navegadores. Podemos mudar esse mar, essa embarcação. Podemos decidir a que velocidade vamos, onde vamos, com que clima e ambiente. Então não há desculpas”, acrescentou.

Luís Miguel da Gama precisou que a nível “macro a situação é complexa, [mas] no micro há oportunidades”.

“Todos os dias vai sair gente a chorar às ruas e outros que riem. Têm que escolher a qual equipa vão subir para continuar. Um pensamento positivo sempre vai ajudar. Temos que recuperar esse espírito aventureiro de onde viemos”, explicou.

Por outro lado, fez “um especial reconhecimento pelo trabalho da embaixada e do consulado”, ao embaixador de Portugal em Caracas, Carlos de Sousa Amaro, e ao cônsul-geral Licínio Bingre do Amaral.

“A verdade é que no marco das relações bilaterais têm estado bem presentes e defendido os interesses da comunidade. Muito obrigado, senhor, embaixador Amaro. Muito obrigado, senhor, cônsul Licínio, pelo que fazem pela Venezuela”, frisou.

Durante a sua declaração, Luís Miguel da Gama citou como exemplo de orgulho os prémios Nobel Egas Moniz e José Saramago, Henrique, o Navegante, Luís de Camões, o marquês de Pombal, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues.

No desporto recordou Cristiano Ronaldo, Figo e Eusébio, e no plano religioso Nossa Senhora de Fátima, “que sempre” cuida e a quem rezou para que tudo lhe corresse bem na sua intervenção.

Filho de madeirenses, Luís Miguel da Gama, 57 anos, nasceu em Caracas. É atualmente presidente do conselho superior da Universidade Metropolitana, instituição a que também preside.

É também presidente executivo da rede de supermercados Gama (propriedade da família). Entre 1984 e 1985 foi analista de crédito do Banco de Venezuela e entre 1985 e 1989 foi gerente do Banco do Orinoco para a Região Capital.

Gama é graduado em Ciências Administrativas pela Universidade Metropolitana, com especialização em ‘Banking & Finance’, na mesma instituição. Fez ainda estudos sobre ECR (resposta eficaz ao consumidor) no Instituto de Tecnologia de Estudos Superiores de Monterrey, México. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 1 de junho de 2021

Venezuela - “Ensino da língua portuguesa está no bom caminho”

 O ensino da língua portuguesa marcha por “bom caminho” na Venezuela, sendo uma “grande oportunidade para investir nele”, disse a professora de Português como Língua Estrangeira, Lúcia Mascarenhas...

“Daquilo que tenho visto, lido, dos números que tenho, a Venezuela está num ótimo caminho. Tem havido projetos, imensas iniciativas nos últimos anos e o número de alunos está a aumentar, já não são apenas os lusodescendentes, mas venezuelanos que não têm qualquer ligação de herança familiar com o português que estão a querer aprender”, disse à agência Lusa.

Durante dois dias, Lúcia Mascarenhas participou como convidada nas VIII Jornadas para Professores de Língua Portuguesa na Venezuela, um evento virtual que abordou as principais características da educação plurilingue e intercultural, potencialidades, conteúdos históricos e culturais, recursos e estratégias didáticas para o ensino da história e cultura.

“A Venezuela está num bom caminho e é uma excelente altura e uma grande oportunidade para investirmos nisso e para darmos a estes professores fantásticos e tão esforçados as ferramentas de que eles precisam”, afirmou.

Lúcia Mascarenhas explicou que “esperava uma recetividade menor”, mas encontrou “um entusiasmo muito grande, uma grande motivação”.

“Os professores estão ávidos de receber apoio, alternativas, (…) e acabei por mudar a minha formação de um dia para o outro, para poder dar de facto recursos até gratuitos, facilmente acessíveis, para os poder ajudar nisso”, referiu.

A docente explicou que os professores locais procuram um conhecimento mais atual, “perceber como é hoje Portugal, o que se passa, que tipo de conteúdos podem transmitir aos alunos”.

“Encontrei professores extremamente motivados, (…) um interesse profundo, um empenho enorme em fazer o seu trabalho da melhor forma possível. Fiquei muito contente e muito surpreendida”, frisou.

Segundo Lúcia Mascarenhas, “a Internet é o melhor dos recursos”, mas é possível obter um apoio maior através do centro de língua local.

“É muito importante haver uma sinergia, uma comunicação entre os professores de cá e os lá. Mais jornadas, mais iniciativas deste género, porque os professores querem ter formação, mas não totalmente teórica que depois na prática não lhes dá resposta, estão à procura de algo que transporte a cultura atual para a Venezuela”, notou.

Explicou que pode ser também “uma forma de a língua portuguesa, e de Portugal, ganhar uma nova imagem, mais jovem, mais atualizada” através dos novos alunos e que “Portugal é tradição, mas é muito mais do que isso, é tradição e modernidade”.

“Espero que os novos alunos possam conhecer e absorver esta nova modernidade que Portugal tem. Somos um país de empreendedores, temos projetos interessantíssimos, artistas fabulosos”, salientou.

Por outro lado, fez questão em dar os parabéns aos participantes nas jornadas pelo “excelente trabalho” que estão a fazer.

“Fiquei com vontade de falar mais, de os conhecer melhor. Parabéns, continuem o vosso trabalho, e vamos juntar forças, unir mais ainda a Venezuela e Portugal, e usar a língua portuguesa. Gosto muito de ver como as comunidades mantêm e alimentam a língua e a cultura portuguesa”, concluiu.

Lúcia Mascarenhas, 37 anos, nasceu em Lisboa e vive perto de Mafra. Tem uma licenciatura na FCSH – Universidade Nova de Lisboa em LLM – variante de estudos portugueses e alemães em 2005 e um mestrado em Ensino do Português como Língua Segunda e Estrangeira (2009)

Desde 2005 colabora com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, com a Bolsa Fernão Mendes Pinto. Desde 2007 trabalha como tutora dos cursos ‘online’ de Português para Estrangeiros.

Colabora com a Porto Editora como autora/coautora de diversos projetos entre eles o Cultura e História de Portugal, vol. 1 (2013). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Venezuela - Mérida e Ilha de Margarita vão ter programa-piloto de ensino de Português à distância

A coordenação do ensino do Português na Venezuela vai avançar com dois programas-piloto de ensino da língua portuguesa à distância, através de plataformas digitais, na cidade de Mérida e na ilha de Margarita, foi anunciado.

“Vão ser dois projectos-piloto modestos, mas é a porta de entrada para começar a entrar em estados longe da capital, como é o caso de Mérida e Nova Esparta (ilha de Margarita), e é nesse sentido que nós vamos”, disse o coordenador do ensino do português na Venezuela, Rainer Sousa.

O coordenador falava à agência Lusa à margem das V Jornadas para Professores de Língua Portuguesa da Venezuela.

“A possibilidade de dar aulas à distância, usando as tecnologias digitais, é uma grande oportunidade para algumas escolas que, mesmo nesta situação de pandemia (da covid-19), têm solicitado o ensino do Português”, frisou Rainer Sousa

As jornadas tiveram o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e a participação de 60 professores de Português, 55 da Venezuela, dois de Portugal, dois da Colômbia e um do Brasil.

“Foi a primeira de uma série de formações que vamos organizar”, adiantou Rainer Sousa, precisando que haverá formação em Agosto e Setembro, e que o congresso anual de professores, previsto para Novembro, deverá usar as plataformas digitais.

“Isto constituiu uma primeira experiência, positiva. É muito mais económico fazer algo assim, em vez de trazer pessoas de fora”, disse o coordenador, esclarecendo que “num cenário de pandemia” não se pode “descuidar a formação de professores, ainda mais, quando eles têm necessidade de conhecer as tecnologias que permitem levar a cabo o processo de ensino”.

Rainer de Sousa explicou ainda que os professores de Português na Venezuela terminaram o ano lectivo com muito esforço a lidar com a tecnologia, mas que vão ter mais competências e conhecer todos os recursos para o ensino que existem na internet.

“Houve professores que deram aulas pelo WhatsApp. O ensino de uma língua passa pela interação verbal com os estudantes. Com a formação de hoje ficaram a conhecer um leque bastante amplo de outras possibilidades”, disse, reconhecendo haver limitações na Venezuela quanto à internet e às ligações, que são desafios que requerem um esforço maior de parte dos professores e dos alunos.

Segundo Rainer de Sousa, há quase 4500 alunos, das escolas do ensino básico e secundário da Venezuela, a frequentar aulas de português em Caracas (capital), Maracay, Cágua, Clarines e Valência.

“Esse número, apesar da pandemia, vai aumentar, uma vez que há escolas que vão avançar com o ensino do português mesma na modalidade à distância”, referiu.

Devido aos apagões eléctricos e às falhas da internet, as aulas de português na localidade de Punto Fijo foram suspensas temporariamente.

A nível universitário, 300 alunos estão em formação para obterem o grau de professores de língua portuguesa, nas universidades Central da Venezuela, Carabobo e Pedagógica Experimental Libertador.

Há ainda alunos a estudar português como opção curricular nas universidades Metropolitana, Zúlia, Bolivariana da Venezuela e no Instituto Américo Vespúcio, instituições que não têm protocolos assinados com o instituto Camões.

“Apesar das dificuldades continuamos a avançar. A Venezuela tem um grande potencial para o ensino do Português. Há muitas escolas que gostariam de oferecer o Português no seu programa curricular”, afirmou o coordenador do ensino do Português na Venezuela. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Venezuela - Novo voo de repatriamento organizado por Portugal

Portugal prevê repatriar nesta sexta-feira mais 200 cidadãos nacionais que ficaram retidos na Venezuela devido à quarentena preventiva da covid-29, disse esta terça-feira o cônsul-geral de Portugal em Caracas



“São à volta de 200 portugueses que vão viajar neste voo, a esmagadora maioria com destino ao Funchal. Temos cerca de 40 italianos, alguns venezuelanos e espanhóis, no voo do dia 31 (sexta-feira)”, disse Licínio Bingre do Amaral.

Em declarações à agência Lusa, o diplomata explicou que para as pessoas que pretendam ser repatriadas da Venezuela “continua a ser obrigatório que tenham residência” em Portugal.

Licínio Bingre do Amaral admitiu haver “umas ligeiras exceções”, como “de pessoas que têm uma situação de saúde muito complicada e têm de ir fazer tratamento médico”.

“Isso são exceções que nós permitimos”, salientou.

Questionado sobre como tem sido o relacionamento com as autoridades venezuelanas na coordenação, com Portugal, deste voo, o segundo organizado pelos consulados portugueses, o cônsul-geral respondeu existir “colaboração total”.

“Desde o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano à vice-presidência, na parte da autorização dos voos, tem sido excelente. E o vice-ministro dos Transportes Aéreos, o almirante Vieira Acevedo, tem sido muito, muito, colaborador e deu-nos todo o apoio para a elaboração dos voos até este momento”, adiantou.

Desde março, 257 portugueses foram repatriados da Venezuela, 181 deles em 13 de junho, num voo organizado por Portugal.

Pelo menos 76 portugueses regressaram a Portugal noutros voos organizados pela União Europeia, Espanha e França.

O novo voo, organizado por Portugal, está marcado para a próxima sexta-feira e “o custo de cada bilhete de avião é de 821 euros”, afirmou Licínio Bingre do Amaral.

Apenas os cidadãos comprovadamente residentes em Portugal ou noutro país europeu tiveram acesso à compra de bilhetes.

Os portugueses que queiram ser repatriados deverão informar o consulado e enviar uma fotocópia do passaporte português e, no caso dos cidadãos com dupla nacionalidade, também uma cópia do passaporte venezuelano.

Devem ainda apresentar comprovativos de residência em Portugal ou noutro país europeu, indicar a cidade e morada completa onde se encontram atualmente na Venezuela, um endereço de ‘e-mail’ e números de telefones fixos e de telemóvel. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Venezuela - Pandemia afeta comerciantes portugueses



O coronavírus introduziu novos desafios aos comerciantes lusos e aos venezuelanos, que já habituados à falta de água, luz, gás e gasolina, agora passam mais tempo em família, têm mais cuidados com a higienes e compram em maior quantidade.

“Estamos tratando de sobreviver. Não sabemos quando isto terminará. Tratando de manter-nos seguros. Mudou tudo, porque o nosso estilo de vida mudou desde há um mês”, explicou à Agência Lusa António da Silva, 58 anos.

Natural do Estreito de Câmara de Lobos, Madeira, António da Silva está radicado em Caracas, na Venezuela, desde há 42 anos, onde é sócio do Supermercado Maturín.

“Trabalhamos quando se pode, abrimos quando se pode e as pessoas também estão comprando o que podem”, disse, admitindo que muitas coisas subiram de preço.

“Sabemos como é a inflação na Venezuela. Hoje está a um preço e amanhã a outro”, disse salientando que, com o confinamento, as pessoas compram mais “farinhas, massas, óleo, tudo o que são produtos do cabaz básico”, mas também “álcool e vinagre para ajudar” a previr o coronavírus, responsável pela pandemia covid-19.

Chegar diariamente ao supermercado “não é fácil” porque a circulação está condicionada.

“Temos o problema de que não há gasolina, de que não podemos sair à hora que queremos e temos que regressar mais cedo. Estamos abertos até às quatro horas da tarde, porque a partir das cinco já não podemos estar a circular”, disse.

António vê diariamente as notícias e sabe que “a pandemia não afeta apenas Portugal, nem a Venezuela, mas todos os países do mundo” e tem causado muita incerteza nos comerciantes, admitindo que poderão passar dois ou três meses até a situação melhorar.

“Que todos fiquem em casa, que usem máscaras. Eu só saio porque tenho de abrir o meu negócio, que é de comida”, frisou.

Por outro lado, Jaime Graterol, comerciante e cliente do supermercado considera que pessoas devem adaptar-se.

“Não é que eu queira que mude ou não. Tudo mudou, inclusive os preços, e isso é normal, porque não há gasolina.”, frisou.

No supermercado comprou “atum e sardinhas enlatadas, sumos, o essencial” e diz que o seu estabelecimento está “abastecido, tem frutos, de tudo, o que é preciso ter é dinheiro para poder pagar”.

“Que todos se cuidem. Que fiquem em casa. Que se protejam. Que lavem as mãos, que troquem de roupa ao chegar. Cuidemo-nos uns aos outros”, pediu.

A covid-19, mudou também a vida de Cláudia Kisene, terapeuta de linguagem, que ficou sem pacientes e sem trabalho.

“Eu ensino os meninos a falar melhor. Tenho que tocá-los, que fazer exercício e não posso fazer isso pela Internet. A primeira mudança foi laboral. O segundo, a dinâmica familiar, estar com os filhos em casa e planear rotinas para que lhes seja mais fácil não estarem no colégio. E o terceiro, é que apenas faço compras uma vez por semana. Para proteger-nos e sair o menos possível, três ou quatro coisas de cada produto”, disse.

O abastecimento de víveres, está na mesma. O que há menos “são os frutos e as verduras porque vêm do interior (do país) e às vezes o acesso à cidade (Caracas) está bloqueado ou não há gasolina”.

Cláudia gosta de comprar naquele supermercado de portugueses porque consegue o que mais procura e porque “tem mantido os preços”, que “noutros sítios subiram muitíssimo”.

Vários comerciantes estão a usar o Instagram para oferecer combinações de produtos a preços acessíveis e que podem ser comprados sem sair de casa.

“O ‘delivery’ vai provocar uma competição de preços e as pessoas vão gastar onde o seu dinheiro vale mais”, frisou.

Ao concluir recomendou às pessoas que mantenham a calma, que tenham muita fé porque “Deus nos está permitindo reencontrar-nos connosco mesmos, com a família. Também que nos aproximemos mais de Deus”, disse.

Na Venezuela, as autoridades oficiais indicaram a existência de 165 infetados no país, com o registo de sete vítimas mortais, mas os dados têm sido contestados por analistas, que questionam os números indicados por Caracas. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Venezuela - Pedidos de nacionalidade portuguesa aumentam no interior do país

O número de pedidos de nacionalidade portuguesa está a aumentar no interior da Venezuela na área do Consulado Geral de Portugal em Valência, tendo atingido os sete mil, disse à Lusa a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas.

Em contrapartida, segundo Berta Nunes, os pedidos de nacionalidade abrandaram no Consulado Geral de Portugal em Caracas, a capital do país. A governante adiantou que “Caracas tem mais do dobro dos pedidos de Valência”.

Pudemos verificar que o consulado (em valência) tem vindo a aumentar o número de atos consulares. a procura da nacionalidade não dá também sinais de abrandar, (houve) cerca de sete mil pedidos de nacionalidade no ano passado”, disse.

Berta Nunes falava à agência Lusa, terça-feira, ao finalizar uma visita ao Consulado Geral de Portugal em Valência, cidade onde inspeccionou o funcionamento da rede de atendimento médico a portugueses, criada por Lisboa.

A governante esteve ainda no Centro Social Madeirense e na Casa Portuguesa Venezuelana de Carabobo.

“De facto este consulado tem feito um trabalho excelente, tem vindo a ter uma organização de forma a fazer um atendimento ‘online’, do público, através de e-mail e de telefone, para não termos filas, apesar de o atendimento ter vindo a aumentar”, frisou.

A responsável precisou ainda que no ano passado foram registados “cerca de 40 mil atendimentos o ano passado” em Valência, um trabalho excelente e muito valorizado pelos próprios funcionários e pela comunidade.

“Por outro lado, este consulado e também o de Caracas têm vindo a aumentar as permanências consulares, ou seja, a deslocação a vários locais aqui da Venezuela, de forma a ir ter com as comunidades portuguesas”, afirmou.

Segundo Berta Nunes, os novos pedidos de nacionalidade são “principalmente de adultos, lusodescendentes, que nunca tinham pedido a nacionalidade portuguesa que agora é para eles um porto de abrigo”.

“Não significa que vão regressar a Portugal, mas dá-lhes uma outra possibilidade de ter mobilidade noutros países, com o passaporte português. E dá-lhes acesso a todos os apoios que temos vindo a desenvolver aqui na Venezuela, como os apoios sociais, a rede médica, eventualmente, se necessário, o repatriamento sanitário (…). Esta procura da nacionalidade significa que as pessoas percebem que há aqui um valor acrescido, que é importante e uma forma até de os proteger em caso de necessidade”, explicou.

Certamente vamos ter muito mais portugueses que tenham a nacionalidade portuguesa, mas provavelmente nunca vamos ter toda a dimensão porque os portugueses estão muito espalhados por toda a Venezuela”, disse.

Explicou que há lugares urbanos “que estão ainda relativamente isolados, em que as pessoas não vão procurar a nacionalidade” porque “estão muito integradas e isso é uma característica interessante da comunidade”, destacando que só numa situação de crise é que quiseram pedir a nacionalidade.

“Por isso é que eu penso que haverá certamente muitos mais portugueses, muitos dos quais nem virão a pedir a nacionalidade principalmente se a situação melhorar, então aí certamente que a procura até diminuirá, porque esta procura é uma espécie de plano B, uma salvaguarda para a comunidade portuguesa aqui na Venezuela”, disse.

Berta Nunes declarou ainda estar muito satisfeita com a visita, mas com a percepção de que há que “continuar a reforçar, a acompanhar” o trabalho dos consulados, nomeadamente o de Caracas “que perdeu dois funcionários”, que terão que ser repostos.

A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas iniciou no sábado à noite uma visita de cinco dias à Venezuela, para contactar com as autoridades locais e portugueses nas localidades de Caracas, Los Teques (Carrizal), Maracay e Valência. In “Lux24” – Luxemburgo com “Lusa”