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MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva

terça-feira, 21 de julho de 2026

Cabo Verde - Arqueólogos redescobrem um dos primeiros hospitais do Atlântico

 Cidade Velha – Arqueólogos estão a escavar uma encosta da Cidade Velha, primeira capital de Cabo Verde, e a devolver à luz do dia as ruínas de um dos hospitais pioneiros no Atlântico, com cerca de 500 anos.


"Será mesmo um dos primeiros", admite André Teixeira, arqueólogo da Universidade Nova de Lisboa, que colabora com o Instituto do Património Cultural (IPC) cabo-verdiano.

O espaço “aparece em documentação desde finais do século XV, portanto, entre 30 a 40 anos após a descoberta de Cabo Verde”, em 1460.

“Desde o início da expansão além-mar que se percebe que é preciso haver espaços de assistência. Esta é uma dessas primeiras experiências. Cabo Verde é, a muitos títulos, um espaço de experimentação” nas rotas portuguesas da época, refere.

Os trabalhos já duram há ano e meio e a redescoberta levou as autoridades a redesenhar o projeto de requalificação daquela zona da cidade classificada como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês).

Num projecto com apoio do Banco Mundial, as ruínas do complexo da Misericórdia vão acolher o primeiro núcleo museológico da Cidade Velha, a 10 quilómetros da cidade da Praia, com muitas histórias para contar.

Por exemplo, André Teixeira mostra à Lusa os restos de um cachimbo que se supõe tenha sido usado no antigo hospital, encontrado no subsolo, ao lado de pedaços de porcelanas.

“O fumo para aliviar as dores não é inédito nestes contextos hospitalares”, descreve.

Um dos membros da equipa, num trabalho minucioso, continua a picar o chão e bate em alguma coisa: devagar e com ajuda de uma escova, surge do meio da terra mais um pedaço de cerâmica – certamente de produção local, aponta André.

Tem sinais de ter ido ao lume e há ossos de galinha desenterrados mesmo ao lado, naquilo que pode ter sido uma cozinha ou refeitório no rés-do-chão do antigo hospital.

A equipa vai “removendo a montanha e as estruturas vão emergindo”, acrescenta.

O edifício, incrustado numa encosta rochosa que os séculos se encarregaram de cobrir com terra, teria um primeiro andar com enfermarias (nota-se o nível do chão) e terá sido abandonado no século XIX, reflexo da mudança da capital para a cidade da Praia.

Com o tempo, acabou por ficar soterrado, tal como a base da antiga Igreja da Misericórdia, cuja nave central está à vista, mas das paredes restam apenas vestígios, alguns com pedaços de azulejos pintados junto ao chão, com as variações de cor a testemunhar a passagem do tempo.

A torre sineira – que era o único pedaço do complexo que estava à superfície –, continua de pé e completa o quadro, juntamente com as capelas laterais e o que se julga ter sido a residência do bispo, com um pavimento e escadaria preservados, acima do complexo.

“Este espaço funcionou como Sé de Cabo Verde durante mais de um século, enquanto não era concluída a construção da catedral, lá no alto”, detalha André Teixeira.

Há “uma grande presença religiosa, central, como era tradição, a igreja, em comunicação com o hospital”, evocando “a dupla função das misericórdias, a assistência social e na saúde”.

Em fevereiro de 2025, numa fase inicial das prospeções, André Teixeira dizia à Lusa, no mesmo local, que ainda só se vislumbrava “a ponta do iceberg”.

Havia “o topo de dois murinhos” e “não se via mais nada”, recorda, mas o resultado surpreendeu a equipa da Nova e do IPC.

“Só víamos pequenas estruturas do complexo da Misericórdia, mas agora, depois de várias campanhas de escavação, estamos a descobrir uma estrutura monumental, com maior dimensão do que pensávamos”, refere à Lusa Jaylson Monteiro, arqueólogo do IPC.

A prazo, “tudo vai estar completamente diferente: há um projeto de arquitetura finalizado, vai haver um espaço musealizado e uma estrutura de proteção, para evitar degradação por chuvas ou intempéries. Isto vai ter outra imagem”, diz.

O objectivo é enriquecer o roteiro de visita da Cidade Velha, com a preservação do património aliada ao usufruto dos residentes e ao turismo – motor da economia cabo-verdiana e em crescimento nos últimos anos, fruto do aumento de ligações aéreas com a Europa. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

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