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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Paradoxos do Acordo Ortográfico


Se há lugar no espaço lusófono onde o Acordo Ortográfico é defendido sem estados de alma, esse lugar é a Galiza, como mais uma vez pude comprovar. Numa sessão dupla que decorreu, em meados de Dezembro, em Santiago de Compostela, na Faculdade de Filosofia da Universidade de Santiago de Compostela e na Fundação Academia Galega de Língua Portuguesa, verifiquei, com efeito, que isso é cada vez mais assim.

O que não surpreende – se há variante da língua portuguesa que tem sido sobressaltada pelas mais diversas ortografias é a variante galega: este Acordo Ortográfico aparece assim, para muitos galegos, como uma âncora. Sendo que o paradoxo é o seguinte: se há lugar onde um Acordo Ortográfico (que põe, em muitos casos, a origem etimológica das palavras em causa) poderia ser questionado, esse lugar deveria ser a Galiza. Noutros lugares mais longínquos do espaço lusófono, por sua vez, é mais natural que essa raiz latina (e europeia) da nossa língua comum não seja algo de tão relevante.

Em Portugal, como se sabe, a questão continua a ser assaz controversa. Uma das mais recentes manifestações disso é a anunciada proposta da Academia das Ciências de Lisboa, visando “aperfeiçoar o Acordo Ortográfico”, ao diminuir, desde logo, o número de grafias duplas, uma das críticas maiores dos opositores do Acordo Ortográfico. E pertinentes, importa reconhecê-lo – dado que qualquer Acordo Ortográfico (não apenas este, em particular) terá, por definição, esse desiderato.

Pelos exemplos já antecipados, não cremos, contudo, que a proposta convença os opositores do Acordo Ortográfico. Fixemo-nos no seguinte exemplo: pela prevalência da fonética sobre a grafia, no Brasil pronuncia-se e escreve-se “recepção” e em Portugal, segundo o Acordo Ortográfico, “receção”. Segundo a anunciada proposta da Academia das Ciências de Lisboa, neste caso, em nome da grafia única, ficaria, em ambos os países, “recepção”. Sendo que o paradoxo é aqui o seguinte: como os brasileiros pronunciam mais abertamente as nossas palavras, incluindo algumas consoantes ditas “mudas”, a pronúncia brasileira da nossa língua garantirá mais o respeito ortográfico pela origem etimológica das palavras em causa.

A este respeito: há quem defenda, partindo de alguns documentos, que a pronúncia brasileira da nossa língua está mais próxima da pronúncia mais original (em Portugal). A tese é igualmente controversa mas esta proposta da Academia das Ciências de Lisboa parece-lhe dar, ainda que por portas travessas, alguma razão, ao fazer da pronúncia brasileira da nossa língua o padrão, nalguns casos, para a grafia comum. Só não estamos a ver como é que aqueles que acusam o Acordo Ortográfico de “abrasileirar” a nossa língua possam aceitar esta proposta, por muito que ela diminua, como diminui, as grafias duplas. Se a aceitassem, seria um paradoxo maximamente irónico. Veremos o que acontecerá no novo ano.

17 comentários:

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Para acabar com os paradoxos do AO90... nada melhor do que acabar com o dito cujo, pura, simplesmente e definitivamente.

Fernando Carvalho disse...

Efectivamente, o simples facto de a Academia das Ciências de Lisboa ponderar alterações ao AO demonstra, sem equívocos, que o mesmo foi um equívoco e que estamos perante um assumir de culpas, disfarçado com a palavra "aperfeiçoamento". O AO90 é um erro que não basta corrigir, é preciso mesmo eliminar.

António Aguiar disse...

Recepção, no Brasil, lê-se com quatro sílabas: "recepição".
O AO90 não tem solução: corrigir, não, é revertê-lo porque está completamente errado. Terá de haver coragem política... Estamos fartos de ver políticos vexados com o AO.

Isabel A. Ferreira disse...

O AO90 é tão mau, tão mau, tão mau... tão descaracterizado... que o único lugar onde fica bem é dentro de uma incineradora.

Nada há a corrigir ou a aperfeiçoar. O que há é um aborto ortográfico completamente mutilado que só dentro de uma incineradora cumprirá o seu destino.

JP Secca disse...

Concordo totalmente com o que disse a Isabel Ferreira - este AO não tem aperfeiçoamento possível. Só numa incineradora.

Paulo Pereira disse...

No acordo ortográfico, acontece como nas religiões. Os laicistas apoiam as religiões radicais para depois dizer que as religiões são perigosas e de que precisam de uma inquisição laica.

Da mesma forma, em Portugal, foi onde eu vi uma resistência maior ao acordo, mas também é onde ele é levado de forma mais radical, fugindo ao espírito e agarrando-se à letra. Parece que é para ver se as pessoas se irritam e são contra o acordo.

Em primeiro lugar foi em Portugal que surgiu a moda horrível de ouvir dizer "Em Portugal segundo acordo se escreve assim e no Brasil de outra forma". Querem alguma coisa que vá mais contra o espírito do acordo do que isto? Como têm então depois coragem de dizer que são rigorosos na letra?

O acordo permite duplas grafias etc. mas elas seriam para ser usadas livremente por cada pessoa (desde que previsto como possível) e nunca por diferenciação quase obrigatória por país.

Por exemplo, eu portuense, sempre toda a minha vida disse "ruptura", "recepção", "infecção" (e até também "facto") e agora vou ser coagido a escrever "rutura", "receção" etc. só porque alguém em Lisboa o decidiu? Curiosamente a maior parte dessas formas se escreve com consoante muda no Brasil. Como vai um portuense ficar coagido a escrever dessa forma se milhões de pessoas escrevem já como ele pronuncia?

Podem reparar, quando uma pessoa contra o acordo dá um exemplo de uma palavra que fica horrível sem consoante muda, ela se escreve com consoante muda no Brasil e é pronunciada pelas velhas gentes do Porto, quase sempre!

Na minha opinião só falta um pouco de flexibilização e inteligência na aplicação do acordo já que ele é bastante aberto e permissivo e depois com o tempo alterar, como todos até hoje.

Em vez de ser contra o acordo seria muito mais inteligente aplicá-lo de forma perspicaz nem que para isso se viole ligeiramente a letra dele. Foi o que fez Bechara em relação a certos pormenores do hífen e ninguém se queixou...



Paulo Pereira disse...

Antônio Aguiar, no Brasil se pronuncia de muitas formas. Se for a Belém é de uma forma, se for ao Rio de Janeiro é outra. Se for ao extremo Sul do Rio Grande do Sul, se surpreenderá com o português ao estilo do Porto só que espanholado.

Esse é o erro fundamental das pessoas contra o acordo ortográfico. Continuam a dividir o uso linguístico pelas divisões políticas. Essa é a razão fundamental de ser contra o acordo. Em todos os seus argumentos eles partem desse princípio. Para eles Portugal é Lisboa e Brasil é metade Rio metade São Paulo. De fato eles vêm no acordo uma perda de poder e usam o pouco poder que ainda têm para tornar o acordo o pior possível confundindo e baralhando!

Vou confessar que não entendi quando ouvi uma máquina dizendo "Por favor tire o seu tiquiti". Para quem viveu em Inglaterra vários anos, de "tiquiti" a "ticket" vai uma grande diferença...

No entanto isso não é generalizado. o Brasil é muito grande... Isso posso garantir...

Isabel A. Ferreira disse...

Paulo Pereira, o acordo , ou melhor, o desacordo ortográfico, não unifica nada, é o abrasileiramento de uma ortografia que no Brasil já foi portuguesa e agora não passa de uma trapalhada, desenraizada e longe da sua matriz culta, e por isso, em Portugal, os portugueses não aceitam tal retrocesso numa ortografia que é europeia. Não estamos no "Bráziu".

O AO90 pretende somente que o "linguajar" brasileiro se instale no mundo.

Se querem sobressair, e uma vez que já não se estuda Língua Portuguesa nas escolas brasileiras, mas sim "expressão e comunicação", seja lá o que isso for, chamem a isso Língua Brasileira, desvinculem-se de uma vez por todas de Portugal, rasguem em praça pública a AO90 (que no Brasil já se usa desde 1945) e fiquemos por aqui.

Brasil é o Brasil com a sua especificidade linguística (nada contra) e Portugal é Portugal com a sua bela e culta Língua Portuguesa (tudo a favor).

Por isso, o AO90 deve ir parar à incineradora, e assim acaba-se com este estúpido linguicídio. Uma autêntica coisa de doidos!!!!!


Paulo Pereira disse...

Isabel, isso é propaganda enganosa e totalmente fora da realidade. Senão, vejamos.

Historicamente o Brasil foi sempre muito mais conservador na escrita do que Portugal. Até os anos 30, no Brasil, se escrevia à antiga e em Portugal à moderna por influência dos republicanos. A coisa era tão escandalosa que houve várias tentativas de unificação. Portugal sempre tomando dianteira e rebeldia andando para trás e para a frente. Nessas tentativas houve aproximação mas não unificação, pelo menos por muito tempo.

Neste momento, mesmo que Portugal não siga o acordo, as coisas já ficam muito melhores, tendo os brasileiros já se aproximando à nossa ortografia, principalmente no que respeita a acentuação. Portanto para mim o acordo já foi de um êxito enorme.

A questão das consoantes mudas poderia se resolvida até por uma criança de 8 anos e só não é por má vontade e guerrinha entre os portugueses. Um critério tão simples como o de dizer se a consoante é falada por número considerável de pessoas dentro do espaço lusófono ela pode ser mantida.

Que tem a ver escrever ou não a consoante muda com o abrasileiramento da língua? Aqui, eles escrevem "recepção", "ruptura", etc.

Exatamente todos os exemplos que as pessoas costuma dar como gerando confusão, no Brasil se escreve e se pronuncia com consoante muda. Eles adoptaram a eliminação das consoantes mudas num grau diferente de Portugal (que também eliminou em certas palavras) pelos desencontros dos acordos dos anos 40. Não tem nada a ver com brasilidade.

Por brasilidade eles escreveriam com "ph", que é o que fazem ainda hoje com os nomes.

Se alguém diz que se chama 'Sofia", eles escrevem "Sophia", naturalmente. Bahia ainda se escreve com h e assim vamos.

Dizer que o acordo ortográfico é um abrasileiramento é uma arbitrariedade e uma inverdade, que procura apelar aos sentimentos primários mais ruins das pessoas...




Maria Afonso Sancho disse...

;) Se a Inquisição tal mo permitir, digo que gosto muito de escrever segundo o AO.
Divirto-me e gosto mesmo muito.
Mas isto sou eu. Alguém tão estranho, que sente diversão e prazer na criação artistica.
Se a Inquisição não mo permitir... retiro já tudo o que antes escrevi, para salvar a vida. Pois tenho esta prioridade.
Abraço MIL

Isabel A. Ferreira disse...

Paulo Pereira, como se engana.
O que eu escrevi não é propaganda. É a constatação de um faCto.
Eu não lido com propagandas, ideias ou opiniões. Eu lido com faCtos, assim mesmo escrito, para não fugir ao significado correCto da palavra.

Se historicamente o Brasil foi mais conservador, não parece que agora seja.

Eu não estou a falar do Brasil colónia. Eu estou a falar do Brasil actual, livre do colonizador.

E para que saiba, eu estudei em escolas brasileiras e frequentei a Universidade Gama Filho, e sei muito bem do que estou a falar, quando digo que o AO90 não passa do ABRASILEIRAMENTO de uma ortografia que já foi portuguesa e agora não é.

Quando regressava a Portugal para continuar os meus estudos, tinha de reaprender a a LÍNGUA CULTA PORTUGUESA. Era o que me diziam. E tive de fazer isto várias vezes ao longo da minha infância, adolescência e juventude.

Portanto, atiremos o AO90 ao lixo, porque não passa de lixo ortográfico.
E isto não é propaganda: é um FACTO, que poderá comprovar aqui:

O QUE OS BRASILEIROS CULTOS PENSAM SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-que-os-brasileiros-cultos-pensam-8246

Paulo Pereira disse...

A única razão de que agora os brasileiros não querem colocar consoantes mudas é pelo simples facto de que já as tiraram. Como é lógico é muito mais fácil tirar algumas do que as colocar de volta.

A questão agora é "E porque é que os brasileiros as tiraram no passado?" Não vou contar. Peço que analise os acordos desde 1930 até 1945. Você depressa vai ficar arrepiada como já desde então parecia que sempre houve alguém interessado que não se chegasse à uniformização, e mais do lado dos portugueses...

Você já pensou porque Fernando Pessoa disse "Minha Pátria é a Língua Portuguesa" e não "A Minha Pátria é a Língua Portuguesa". Só não vê quem não quer... Era uma homenagem à elite brasileira que manteve a escrita antiga. Como sabe essa frase resultou de uma revolta à mudança de ortografia portuguesa, que foi à revelia da norma brasileira.

Paulo Pereira disse...

Isabel A Ferreira eu entendo os seus sentimentos por causa da horrível educação "revolucionária" brasileira...

No entanto, paradoxalmente aproveito para homenagear os gramáticos brasileiros. A classificação gramatical brasileira é muito mais estável e profunda.

Por outro lado, eles têm um discurso do politicamente correto, para não serem atacados pelo poder político e social e discriminados e poderem assim garantir certo poder mínimo.

No entanto, nota-se, perfeitamente que internamente eles são de uma clarividência incrível e só não fazem melhor para não entrar em conflito com o poder político e social.

Isabel A. Ferreira disse...

Senhor Paulo Pereira, não sei qual é o seu interesse em defender o "aborto ortográfico" (porque existe um interesse obscuro por parte de quem o defende) , mas vou dizer-lhe por que os brasileiros retiraram as consoantes mudas em muitas palavras, mas não em outras: simplesmente para se afastarem da língua do colonizador e para simplificar a escrita, pensando que com isso poderiam diminuir o índice elevado de analfabetismo.

Mas se quiser saber mais sobre esta matéria, por favor, consulte este link:

http://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-genese-do-acordo-ortografico-de-1990-52848

A língua de um país é um património inviolável. Não é para andar a brincar às ortografiazinhas, como meninos de escola que não conseguem aprender a escrever.

Paulo Pereira disse...

Isabel

Por favor analise os acordos ortográficos de 1930 a 1045. Eu não vou detalhar porque é tão complicado que teria de fazer um doutorado. E sempre que se estuda melhor se vê uma nova nuance, e afinal não era bem assim... No entanto, está muito longe de ser um culpa brasileira que só se quer diferenciar da escrita do colonizador. A partir de 1945 houve pequenas modificações de ambos os lados, mas a ruptura essencial foi no desentendimento de 1945.

Mais uma vez repito, você tem de distinguir entre a certa elite e resto da elite e sua propaganda revolucionária gramsciana. Você etá fazendo associação de ideias e misturando as coisas...

O meu interesse em defender o acordo ortográfico é só este. Não é o que eu queria, mas é o possível e é melhor ter este do que não ter nenhum: simples assim.

Por outro lado este acordo é tão permissivo e vago que se os portugueses quisessem poderiam continuar a escrever consoantes mudas em quase todas as palavras pois sempre há quem as pronuncie. De facto a maior parte das pessoas ora as pronuncia ora não. Há palavras como "redação" em que isso não não acontece? Há. Mas em todas as palavras citadas em exemplos polêmicos sempre há quem as pronuncie e, portanto, seria teoricamente possível manter a consoante.

Para mim o grande problema não está no acordo, mas nos aplicadores do acordo como expliquei acima.



antonio disse...

só uma questão, que me baralhei: mas não é o português que vem do galego?

Osiris Roriz disse...

Dizem já alguns linguistas, que a língua portuguesa não existe. O que existe é o galego, com sotaque espanhol; o galego com sotaque lusitano; o galego com sotaque brasileiro; o galego com sotaque angolano, e assim por diante nos demais países lusófonos. Assim sendo, conclui-se que, a considerar a diferença ente ditos idiomas galego e português ser menor que 4%, e dado a este pequeno diferencial, a linguística e os linguistas, o consideram muito aquém do suficiente para diferenciar duas línguas.