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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Ainda sobre Fidelino de Figueiredo...


Numa visão estrita, para não dizer estreita, do existencialismo, tal como ele se configurou enquanto corrente filosófica e cultural no século XX, Fidelino de Figueiredo não foi de todo um existencialista, mesmo quando defendeu que os “existencialistas franceses têm razão indiscutível, quando matam com certo desdém realista esse perturbador e imaginoso problema das essências, coisa tão vã como a querela dos ‘universais’ (…) à qual de resto se articula (in Símbolos & Mitos, Europa-América, 1964, p. 58).

Recordemos que, nessa célebre querela, se confrontaram, no essencial, duas correntes: uma ainda de matriz platónica, para quem os Universais existem (não apenas do ponto de vista temporal como, sobretudo, ontológico) “antes” das coisas (universalia sunt ante res); outra de cariz nominalista, para quem os Universais são considerados como meros nomes, enquanto criações da mente, sem qualquer referente prévio – existindo, assim, “depois” das coisas (universalia sunt post res).

No entanto, a deriva egóica, para não dizer egocêntrica ou subjectivista do existencialismo contemporâneo já não mereceu, de todo, a sua adesão – como chegou a escrever: “Esses existencialistas já não têm sombra de razão quando com mau humor negam a existência do mundo fora do nosso espírito, da sua representação subjectiva e da sua utilização egocêntrica. Por aqui os existencialistas franceses acordam e reforçam o seu parentesco fenomenológico e vão entroncar-se, queiram-no ou não, na velha corrente idealista, e, se analisássemos fundamente essa atitude, contrariariam o seu antiessencialismo, como se perdessem o pé num redemoinho” (idem, p. 58).

Daí, de resto, a sua inequívoca demarcação de duas das mais prominentes figuras do existencialismo: Albert Camus e Jean-Paul Sartre – ainda nas suas palavras: “O livrinho de Camus [O mito de Sísifo] contém um monstruário dos absurdos da existência humana – sem grande acerto na escolha nem na caracterização de cada um” (idem, p. 59); “No código da doutrina, o tratado L´Être e le Néant, de Sartre, fervilham, como de costume, nos escritos de metafísica, os paralogismos que levam à paradoxia e às logomaquias, as petições de princípio, os postulados gratuitos e o subjectivismo impressionista” (idem, p. 60)

Ainda assim, encontramos na sua obra elementos que nos poderão levar a um neo-existencialismo, mas já devidamente depurado dessa deriva egóica, para não dizer egocêntrica ou subjectivista, pelo próprio Fidelino de Figueiredo denunciada e renegada. Falamos sobretudo da importância que dá ao espaço e ao tempo – mais do que ao tempo, à história – e do papel do ser humano enquanto construtor da história e da cultura. Daí que, ao podermos falar de um neo-existencialismo a propósito de Fidelino de Figueiredo, possamos cumulativamente falar de um neo-humanismo. Eis, em suma, a tese que procuraremos aqui verificar – abordando, sucessivamente, os conceitos de “cultura”, “tradição”, “heroísmo” e, finalmente, o seu inovador conceito de “imagem-força”.

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Comecemos, então, pelo conceito de cultura de Fidelino de Figueiredo – nas suas palavras: “Cultura é o conjunto de ideais condutores, o sistema de juízos e valores, de opções e preferências, que orientam uma época; é a imagem que cada homem civilizado se forma do mundo e do passado da sua espécie, e o plano de actuação futura que se reserva” (Menoridade da Inteligência, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1933, pp. 50-51)

Ainda segundo Fidelino de Figueiredo, esse “conjunto de ideias condutores”, que se consubstancia, geração após geração, num “plano de actuação futura”, não se faz necessariamente, nem sequer idealmente, por renegação do passado, antes no respeito da tradição, pelo menos enquanto esta é, nas suas palavras, “uma força viva”, “sangue quente a circular no organismo social, continuidade profunda e involuntária, como o laço familiar, e não doutrina artificiosamente reconstituída pela nostalgia estática ou pela renúncia descoroçoada” (idem, p. 115)

Eis, ainda segundo Fidelino de Figueiredo, a tarefa das elites culturais de qualquer povo, que se devem reger por essa lógica criadora – ou criacionista, como diria Leonardo Coimbra –, senão mesmo por uma lógica de heroísmo – ainda nas suas palavras: “Por heroísmo entendo eu, não só a sua forma marcial, mas todas as potencialidades humanas levadas ao máximo, o predomínio dos melhores, a reconquista dos direitos da inteligência, da força moral, do ideal interior, para fazer impor e triunfar uma ideia: a capacidade de curvar, obediente, a argila humana às dedadas do génio” (Torre de Babel, Empresa Literária Fluminense, 1925, p. 172).

Entrevemos aqui toda a importância dada à cultura, na sua prevalência sobre todos os demais planos – nomeadamente, os planos social, económico e político. Daí também, enfim, o seu conceito de “imagens-força” (cf., por exemplo, Interpretações, Editorial Nobel, 1944, p. 30). Correspondem estas às “visões do mundo” que, historicamente, se tornaram hegemónicas ao longo dos séculos – desde a visão mítica do mundo, passando pela visão clássica (de matriz aristotélica), até à visão do Renascimento e da Contemporaneidade (onde, para Fidelino de Figueiredo, a figura de Einstein, e da sua física relativista, avulta). Pois bem – perguntamos: não será tempo de se abrir uma nova visão do mundo, uma visão não diremos “neo-existencialista” mas, de forma assumida e descomplexada, “neo-humanista”?

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