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Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O Português foi português, até quando ele foi chamado de galego.


 

Alexandre Banhos Campo.

(excerto) Comunicação na XI semana de filologia na USP (Universidade de São Paulo) 9 a 13 de maio de 2016

 

As Origens da língua portuguesa

O português nasceu na Galiza, mas esse espaço denominado Galiza, pouco tem a ver com o território que atualmente usufrui esse nome, pois essa Galiza histórica e originária entendia-se do mar Cantábrico até o Tejo.

 

O contexto político prévio à fratura da Galiza

Para entendermos o contexto da ruptura entre o norte e o sul do rio Minho, cumpre dar uma olhadela ao reino de Afonso VI de Leão.

O segundo dos matrimônios de Afonso VI, o de mais duração, é dizer o mais estável, pois durou até o falecimento da esposa e rainha no 1093, foi com Constança de Borgonha (do que sobreviveu a filha Urraca); este matrimonio levara-o a ter certa estabilidade de relações com Borgonha, e que para a corte viessem desde Borgonha vários cavaleiros, tais como os nobres borgonhóis Raimundo e Henrique.

 

No ano 1090, o Rei Afonso casou a sua filha e herdeira Urraca, com Raimundo de Borgonha, matrimonio ao que se garante o reino da Galiza à sua morte.

Raimundo muito faz por agradar ao Rei, fortalece a cidade estratégica, por estar na fronteira sul, de Ávila; e dirige continuas guerras contra o domínio muçulmano, especialmente no sul da Galiza, alargando o território. Raimundo incluso tentou  tomar Santarém. Porém ele no ano 1107 faleceu.

Outro nobre borgonhão que viu à corte, primo do anterior, vai ser Henrique, e a quem o rei casa no ano 1095 com uma outra filha sua, Teresa, uma menina de uns 10 anos. Esta filha era o resultado dumas suas relações com uma moça de nome Jimena Nunes.

Henrique é posto sob as ordens de Raimundo e encarregado de guardar a extrema sul da Galiza. Sob Raimundo, a extrema da Galiza alcançara já o rio Tejo; e frente a tradicional historiografia portuguesa, há que afirmar que ele não teve nunca o título de conde de Portucale. Esse condado tinha sido suprimido, já havia algum tempo, pelo rei Garcia no 1071, após a derrota do último dos seus condes Nuno Mendes, na batalha do Pedroso.

Conflito Compostela Braga: A Compostela de Gelmirez não aceita a condição de primaz de Braga, e por tanto o seu submetimento a Braga, e entra  em conflito com ela. Nisso esta a isca da fratura da Galiza e da independência e nascimento do reino de Portugal.

Braga era o cerne da Galiza, desde que os romanos a converteram na capital da província, e os Suevos na capital do seu estado. Era a cabeça da Igreja e das ordens religiosas.  Após a invasão muçulmana da península, delega-se o poder eclesiástico de Braga na diocese de Lugo, como lugar mais seguro, e que ficava mais fora do controle muçulmano. O Rei Garcia da Galiza, também se encarregou de que Lugo devolvesse os poderes a Braga. Ele restaura a cidade, e converte-a de novo no cerne do reino. De essa política de Garcia não gosta a apostólica sede que nesse momento estava nascendo.

 

O bispo Gelmirez tece uma rede de poder, com o ouro que as peregrinagens levam a Compostela -e apoios, na sua condição de Sé apostólica-.

Quando em 1107 falece Raimundo de Borgonha, quem estava destinado por Afonso VI a ser o rei da Galiza, oferece a sua proteção e acolhida a Urraca e ao seu filho. Urraca também recebe o apoio da poderosa casa dos Trava aliada de Gelmirez.

Em 1109, falece o rei Afonso VI, e Compostela imediatamente age para que ela seja reconhecida como Imperatriz da Galiza, e também dos demais territórios que estavam sob a coroa do seu pai, mas o seu pai antes de morrer arranjara o matrimonio da sua filha com Afonso o Batalhador de Aragão, que o exige com as armas, e até ameaça Compostela.

Esse matrimonio  vai resultar na perda de influência de Compostela/Gelmirez, e ele reage: -Tinha com ele, na sua condição de tutor, a Afonso Reimundes, o filho de Urraca e Raimundo de Borgonha-.  E -apoiando-se na vontade de Afonso VI, responde, coroando em Compostela em 1111, como rei da Galiza e Toledo,  a Afonso o filho de Urraca, -como Afonso VII- que era uma criança -duns 7 ou 8 anos.

Neste rei, pretende achar Gelmirez um poderoso instrumento para as suas ambições peninsulares, nas que Compostela aspira a ser a cabeça, além da Galiza, da península toda se puder.

Era tal o desejo de Compostela de estar a cima de Braga, que Gelmirez compra com ouro ao papado a mitra arzobispal e o submetimento a ele (Compostela), de parte das dioceses que respondiam ante Braga,  mas nem assim lhe chegava para ganhar o respeito e o prestígio a que aspira.

No ano 1102 Braga conseguiu a condição de arcebispado, e além disso conseguiu de Henrique de Borgonha, que tinha direitos sobre a cidade, que estes lhe fossem entregues na sua totalidade a ele como arcebispo de Braga.

Gelmirez responde a isso e organiza nesse ano, o assalto noturno a Sé de Braga e a outras igrejas da localidade, para roubar e trazer para Compostela os venerados restos dos santos que ali estavam -Frutuoso, Susana, Cucufate, Silvestre e alguns outros (A Frutuoso e Susana mandou Gelmirez erguer sendas igrejas em Compostela). Tentava assim. de ganhar o prestígio da vero caput para Compostela.

 

O arcebispo de Braga é perseguido por Gelmirez utilizando o poder real

A viúva de Henrique de Borgonha, Teresa, que mora em Guimarães, tem uma posição favorável à Gelmirez, além disso relaciona-se com o Conde de Trava -outro aliado de Gelmirez, que era o responsável de Viseu e Coimbra, e localidades mais ao sul.

Em 1120, sob a direção do arcebispo de Braga, o menino Afonso Henriques que tinha na altura uns doze anos, tomou uma posição política oposta à da mãe.

Como resultado dessa posição, o arcebispo de Braga Paio Mendes é forçado a deixar Braga e ir desterrado, mas levou consigo o infante, do que era tutor. Em 1122 armou-o cavaleiro em Tui.  Pacificadas as tensões, voltará de arcebispo para Braga.

A Sé de Braga usa o seu pupilo Afonso Henriques, e Gelmirez a Afonso VII, na luta incansável que travam. Em 1127, Afonso Henriques vai ser cercado em Guimarães, para que se submeta ao rei. Porém ao estar montando o cerco, sabe que faleceu a sua mãe Urraca rainha de Leão e que a ele corresponde esse reino, pelo que abandonará o cerco. Para Afonso VII, ser rei em Leão, e proceder a recuperar a coroa de Castela, que usufruía Aragão, passa a ser central. Com isso, vai por fim libertar sua pessoa do controle estremado a que estava submetido por Compostela, e cada dia vai ficar mais longe e menos interessado nesses assuntos,  pois Afonso VII ao título de rei da Galiza e de Toledo acabara somando, os reinos de Leão e de Castela, e o centro dos seus interesses deslocara-se geograficamente, sendo isso também determinante na fratura da Galiza e o nascimento do reino de Portugal.

A  batalha de São Mamede

Uns meses depois estalam de novo as tenções entre Afonso Henriques, que na altura tinha já uns 20 anos, e sua mãe. Em 1128, enfrentam-se tropas de Teresa e Fernão Peres de Trava, com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede (batalha na que participaram uns poucos centos de homens, tendo as tropas do nosso rapaz, a bênção e o guia do bispo de Braga, que achegou homens, saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense

O arcebispo, consciente da importância das forças que ameaçavam o poder de Afonso Henriques, guiou a este no governo, e fez esforços em negociações junto da Santa Sé, com um duplo objetivo: por um lado, alcançar a plena autonomia da Igreja de Braga, recuperando dioceses das que perdera o controle (O Pio Latrocínio foi de ajuda). e assim recuperar a sua condição de igreja metropolitana e primaz, e deixar de estar submetida a Compostela, e pelo outro lado, obter o reconhecimento do espaço de Portucale como um reino. E teve sucesso. No momento oportuno o arcebispo de Braga faz rei a Afonso Henriques.

 

O nascimento do galaico-português ou galego-português para a história da língua portuguesa.

Em Portugal começa-se a lhe dar à língua o nome do reino, de jeito geral, ainda que não unânime, durante o reinado de D. Afonso III (1248 -1279), num processo que aliás é muito frequente por todo lado.

Carolina Wilhelma Michaëlis de Vasconcelos, foi a primeira estudiosa moderna da história da língua portuguesa, com rigor científico. Ela com Leite de Vasconcelos revolucionaram o estudo histórico da língua portuguesa, e criam o termo galego-português e/ou galaico-português.

Qual a razão de usar esse nome, em vez de chamar à língua de portuguesa (como recomenda Lidley Sintra, quando fala de português antigo), pois o nome nada variava sobre a sua natureza, e a realidade de estarmos ante uma língua única, como se passa na mesma península com o castelhano/espanhol.

Pois isso foi por uma razão muito simples, e que se rastreja na sua correspondência, é o processo de desbotar o esforço que suponha ligar o nascimento de Portugal a uma outra realidade jurídica, o qual, e não é preciso ser muito exaustivo no exame, resultava -e ainda resulta- muito problemático e esquisito, a particular historiografia portuguesa, que no processo de virar as costas a Castela, com grande inteligência e sucesso, faz nascer Portugal dum ato praticamente milagroso ligado a santa figura de Afonso Henriques, e criando umas diferenciações entre os moradores a norte e a sul de Minho, que em realidade carecem de qualquer base histórica.

Neste momento, já aceite universalmente, salvo pela ideologia espanholista, que galego e português são nomes históricos de uma mesma realidade. Não deveria ter nenhum problema  a filologia lusófona de chamar de português às formas da língua que se deram em qualquer momento da sua história.

Hoje a Academia Galega (AGLP) recomenda que à língua, que se fala na atual Galiza -a que usufrui o nome histórico- se lhe chame português da Galiza em paralelo com o português do Brasil, o português da Angola, o português do Moçambique, o português de Portugal etc etc. Pois a língua portuguesa, como toda língua internacional, estendida por todos os continentes, é única como tal língua, mas com a diversidade interna da sua cor local, o mesmo que se passa com todas as línguas de grande extensão geográfica. Ainda que isso é certo que faz conflito a Castela/espanha, já que para eles o português é língua estrangeira e o galego “modalidade espanhola”, com tudo o que isso significa

2 comentários:

José Verdasca disse...

DATA VENIA - e com respeito e humildade - cumpre-me opinar classificando o texto de
fraca qualidade histórica - ver parágrafo em que declara Afonso Henriques filho de Urraca - e ainda de menor nível ortográfico e estilístico, pelo que não engrandece o Movimento Lusófono, que se pretende de alto nível.

Analisando a frase: "O (P)ortuguês foi português(,) até quando ele foi chamado de galego", ficamos SEM SABER se pretende DIZER que o IDIOMA "português deixou de O ser quando foi chamado de galego", ou, pelo contrário, se continuou a sê-lo até MESMO "quando ELE foi chamado de galego".

Esta modesta análise crítica tem - apenas e só - o objetivo de chamar a atenção sobre um texto que SINCERAMENTE NÃO me agradou com vistas a - se for o caso - uma tomada de posição em prol do PRESTÍGIO do Movimento Internacional LUSÓFONO.

Cordialmente, José Verdasca dos Santos - Presidente da Ordem Nacional dos Escritores.

Manuel Fernandes disse...

Começo por dizer que, embora dispondo, há muito tempo, desta passibilidade de comentar, fui adiando sucessivamente, na expetativa de me sentir mais à vontade para tal, em condições mais legítimas... mas a indecisão tem-se eternizado, o que não me fez esquecer que tem toda a razão quem, no respeito pelo lugar que ocupa, não podia olvidar o que, evidentemente, notou naquele texto que, além de erros deturpantes da história, bem denota falta de conhecimento da boa "Língua Portuguesa", e, consequentemente, ignorância do NAO, independentemente das "fragilidades" deste.
(Embora sem fazer doer, até parece haver razão para "verdascada" por Satos.

Com os melhores cumprimento,

Manuel Fernandes