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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quinta-feira, 27 de março de 2014

Um «personalismo crítico» e um «personalismo liberal aberto»



Como nós não opomos, em antítese ou antinomia insuperáveis, indivíduo e pessoa ─ o que se traduziria numa fragmentação inaceitável e numa autêntica esquizofrenia da mais fundamental e ôntico-ontológica unidade humana, que tem de ser salvaguardada de um ponto de vista ontológico-metafísico ─, e porque não definimos toda a «essência» do humano como exclusivamente social; mas porque, por outro lado, para nós também, o conceito universal que verdadeiramente exprime o ipsum esse do homem, em toda a sua completude, ontológica e axiologicamente perspectivado, é efectivamente o de pessoa humana, adoptamos um «personalismo crítico» e um «personalismo liberal aberto» e preferimos falar, em síntese, da pessoa humana individual, numa linha de proximidade  com o individualismo verdadeiro de HAYEK e aceitando a visão básica e a inestimável contribuição do liberalismo clássico, na base de uma fundamental concepção individualista, realista e crítica da pessoa huma-na, realidade humana que define uma unidade originária, anterior e para além da separação cartesiana entre psíquico (res cogitans) e físico (res extensa), e no reconhecimento primordial da Liberdade (ontológica), da Espiritualidade e da Racionalidade (crítica e prática) como os elementos centrais, embora não exclusivos, da Existência, e definindo também a pessoa, apesar de tudo, como, simultaneamente, um «ser espiritual», um «ser racional», um «ser livre» e um «ser prático».
Nesta nossa concepção, a pessoa humana, o próprio «ser» da pessoa, a própria natureza humana universal (como «constituição ontológico-fundamental» do Dasein, do «ser-aí», na terminologia de MARTIN HEIDEGGER), não são portanto concebidos como uma sub-stância, que ainda o é para o pensamento metafísico tradicional, mas como uma «ordem», ou o que também se poderá dizer um «sistema», ou «complexidade integrada», mas uma «ordem» ou um «sistema» abertos e simultaneamente universais e únicos, um microcosmos dentro do mais vasto e alargado macrocosmos da sociedade, da civilização e do Universo. A «essência» da Ek-sistência humana não é, assim, só o «ser» (positividade: HEIDEGGER), nem só o «não-ser» (negatividade : SARTRE), mas mais o «poder-ser», como unidade da possibilidade e da liberdade e englobando dinamicamente aqueles dois aspectos, donde resulta a normatividade da Existência humana, em que o dever-ser (valor) é o possível em sentido normativo, equivalente moral do poder-ser em sentido empírico (NICOLA ABBAGNANO). A nossa concepção da pessoa humana (e do seu «ser» e «não-ser», como «poder-ser» e «dever-ser») não é assim uma concepção substantivista, monista, fechada, estática, definida e fixa, mas uma concepção relacional, plural, dinâmica, móvel (sincronicamente), mutável, histórica (diacronicamente) e aberta.
De modo semelhante ou, pelo menos, convergente, A. CASTANHEIRA NEVES, em Pessoa, Direito e Responsabilidade, diz o seguinte:
«(…) De uma outra forma, mas no fundo convergente, se poderá também dizer com JEAN-MARC TRIGEAUD que o “dado capital” da pessoa, na sua absoluta implicação ético-axiológica, não encontra o seu fundamento em qualquer “natureza” (e em qualquer “direito natural”, no seu sentido tradicional), que apagaria inclusive a compreensão da sua “individualidade irredutível”, mas numa “ideia metalógica e meta natural” ─ a emergir da “intuição” de uma pessoal unidade fundamental entre ser e dever-ser. Do mesmo modo que “o respeito de esta presença, de este existente, como respeito da pessoa dada à experiência mais imediata do olhar e do sentido, é a primeira lei do justo, o primeiro dever indissociavelmente moral e jurídico que se impõe”.
Assunção relacional do valor absoluto da pessoa ou relação de reconhecimento do puramente pessoal como verdadeiro dom, que encontra a sua decisiva possibilidade e o seu último sentido ─ há que dizê-lo também ─ na graça de aquele outro reconhecimento provindo do Amor absoluto que nos chamou ad imaginem et similitudem Suam e que, simultaneamente libertador do autêntico em cada um de nós e vinculante de cada um de nós à vocação iniludível do outro, nos faz todos irmãos na comunhão e partilha do mesmo mundo.
Por isso será duvidosa a concepção substancialista da pessoa em BOÉCIO (persona est rationalis naturæ individua substantia, mesmo no sentido profundo de o ser do logos ou que tem logos) e não muito diferentemente tanto em S. TOMÁS como em SUÁREZ, mesmo com a correcção de RICARDO DE SÃO VICTOR. E não menos as actuais tentativas de uma sua dedução transcendental em referência à comunicação (ÄPEL) ou do discurso (ADELA CORTINA) ─ a comunicação só o será autenticamente entre pessoas, é certo, mas são estas que instituem a comunicação, e não a comunicação que fundamenta constitutiva-mente as pessoas» ─ os itálicos são nossos.

VIRGÍLIO CARVALHO.

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