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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

domingo, 16 de março de 2014

Extractos de Literatura Portuguesa - 2 - Aquilino Ribeiro - A Via Sinuosa


“A meus pés, a menos de tiro, passava a ribeira sobre areal e terras de paul, um cabelo de água com a estiagem, onde as rolas vinham espenujar-se ao sol poente. Marginava-a da banda de lá uma lameira de que só os juncos e as rabaças verdejavam, porque são ervas indigestas ao vivo e lhe desbotam os dentes. De longe em longe, vinha para ali apascentar as vacas uma pastora, a quem eu muito admirava a cinta pura e flexível e o jarrete nu sob a saia de grande roda. Não era a zagala almiscarada das églogas, a suspirar por Sileno, ou das pinturas galantes, com um borrego de chifres dourados e laço de seda ao pescoço a pascer-se entre boninas; mas uma zagala das serras, na primeira adolescência, que, ao pressentir-se só no descampado, se lançava como um animalzinho à franca na natureza. Muitas vezes a vi, de cócoras à beira de água, abrir a saia e o colete e espulgar-se. Seu corpo era viçoso e bem entroncado, da cor do trigo quando está na eira. Catava-se, coçava-se, e com ingénua curiosidade punha-se a arrepelar o velo loiro e os mamilos vermelhos dos seios. E, núbil e desejosa, eu antevia-a a embalar um berço, ao som magoado da Rosa Tirana. Na erva rapada até ao sabugo, as vacas tasquinhavam, regando céu e terra do soluço das campainhas; ela, com um caco de pente, desenriçava as negras tranças, ou de saia arregaçada até às virilhas, chapinhava pela corrente fora atrás dos peixinhos. Maciças e tentadoras eram as coxas, mas os requebros inocentes como de pomba e descuidados como de ninfa. E porque assim era, porque seu jeito se fundia na sinceridade da natureza, meus olhos experimentavam aquelas inefáveis e puras delícias do anjo, ao surpreender no toucador à Virgem Maria, e não outras.
No pasto pelado, sem detença de maior, as vacas moscavam; a boieira despedia atrás delas, e só então sentia a luxúria atear-se-me nos nervos, acesos pelo lume vermelho do lenço vermelho a esvoaçar.
Eu recaía na soledade, em que tudo, até o frémito remoto duma asa de vespa me parecia dizer: cá vou! Olhando ao longe, por entre os troncos, meu espírito emornecia, penetrado do estado sonolento da terra inteira. A tarde dobava, e nuvens brancas, muito altas, fugiam sobre os cerros como bandos de grous. Uma luz branda, como o ocre desbotado dos velhos palácios, envolvia a terra. Mas o sol lá ia, ainda magnífico, arrastando uma dalmática de soberbo e velho oiro.”

Do livro de Aquilino Ribeiro, A Via Sinuosa, Lisboa, Bertrand, 1960, pp. 215-216.

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