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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Publicado no Jornal Público (20.03.2013): "O Acordo Ortográfico e a Lusofonia"



Há algo que assaz me incomoda em toda esta querela em torno do Acordo Ortográfico (AO): um certo sentimento anti-lusófono que emerge em alguns dos argumentos aduzidos, como se fosse possível confundir a questão (bem vasta) da Lusofonia com esta questão do AO, questão bem específica, por mais fracturante que seja. Essa confusão, deliberada nalguns casos, involuntária noutros, encontro-a, devo dizê-lo, tanto nalguns apoiantes como nalguns detractores do AO: nos primeiros, quando fazem do AO uma questão, quando não “a questão”, fundamental da Lusofonia, como se não fosse possível defender a Lusofonia sem apoiar o AO; nos segundos, quando, a respeito do AO, falam do “lusofonês” ou da “abrasileirização” da língua portuguesa.
Gostaria, pois, de começar por desfazer essa confusão: o AO não é a questão fundamental da Lusofonia e é possível defender a Lusofonia sem apoiar o AO. Conheço, de resto, várias pessoas que têm essa posição, desde logo no universo do MIL: Movimento Internacional Lusófono, a que presido. Numa sondagem que realizámos junto dos nossos aderentes, verificou-se que esta era mesmo, de longe, a questão mais fracturante – muitas delas defendem, sem qualquer reserva, o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço da lusofonia no plano cultural, social, económico e político, considerando que, para tal desiderato, o AO não é fundamental, sendo mesmo contraproducente.
Pela minha parte, defendendo em teoria os benefícios de um AO, devo reconhecer que este AO a que se chegou, após o longo e sinuoso processo negocial que escusado será aqui recordar, tem causado muitos danos à Lusofonia que tanto defendo. Não vou aqui entrar na argumentação mais técnica – sendo certo que sou particularmente sensível, por formação (filosófica) à questão da filologia (“sem filologia não há filosofia”), não é menos certo que a língua portuguesa, antes deste AO, já estava, em muitos casos, longe da raiz filológica. Para mais, tenho, até por razões académicas, uma visão histórica da língua: leio frequentemente textos antigos e constato que a língua já mudou (muito) mais antes do que agora com este AO. Dito isto, não posso deixar de reconhecer que este AO tem recomendações que a mim me causam as maiores reservas.
Sem orgulho nisso, devo até confessar que, quando tenho que escrever segundo este AO uso o seguinte expediente: escrevo a primeira versão sem me preocupar com o assunto; na revisão, sempre que tenho que “corrigir” algum vocábulo, arranjo um sinónimo, nem que para isso tenha que alterar a construção frásica. É daqueles casos em que me sinto mais dividido. Racionalmente, considero que um AO seria benéfico – não apenas no interior do espaço lusófono (para o ensino da língua, desde logo), mas também para fora: na ONU, por exemplo, como noutros fóruns internacionais, os documentos para divulgar são, por regra, traduzidos para português e brasileiro, como se fossem duas línguas independentes. Seria a meu ver benéfico que isso deixasse de acontecer – mas o problema é que com este AO isso não fica devidamente resolvido, como se sabe (dada a profusão das duplas grafias).
Tudo seria mais fácil se a história fosse um jogo de computador, em que pudéssemos voltar atrás sempre que damos um passo em falso. Nesta questão, o grande passo em falso foi dado, como é sabido, por Portugal, em 1911, quando, unilateralmente, avançou para uma reforma ortográfica sem o acordo do Brasil. Já então “a língua não era só nossa, mas também nossa”. De então para cá, essa fissura ortográfica foi-se alargando – a ponto de, actualmente, ser talvez impossível um AO aceitável para ambas as partes. Mas talvez fosse possível dar ainda um último passo nesse sentido: face a todas as hesitações, agora até do Brasil, deveríamos sentarmo-nos a uma mesa e, sem qualquer pressão mediática, repensar este AO desde a raiz. Sem recriminações nem preconceitos – a esse respeito, gostaria também de dizer que os defensores deste AO que conheço (falo apenas daqueles que conheço) são pessoas genuinamente bem intencionadas – não os “vendidos a interesses comerciais” como, por vezes, são apresentados.
Estou, de resto, cada vez mais convencido de que, mesmo que este AO entre em vigor, mais cedo ou mais tarde ele terá que ser revisto. Talvez agora isso não seja possível, dado o impasse a que se chegou. Mas isso, fatalmente, irá acontecer. Nem que seja para, em última instância, reconhecer que nenhum AO será aceitável para ambas as partes. Não será por isso que a Lusofonia morrerá. Como é cada vez mais reconhecido, o maior erro estratégico de Portugal nestas últimas décadas foi ter desprezado os laços com os restantes países e regiões do espaço lusófono – isso fragilizou-nos, em muito, no plano global e, em particular, no seio da União Europeia, onde estamos, cada vez mais, numa posição subalterna. O impasse em que agora estamos é, de resto, bem maior do que o impasse do AO. Não podemos sair do euro e, ficando no euro, pior cada vez mais estaremos. Sem ser uma panaceia, longe disso, a convergência lusófona é a via que, a médio-longo prazo, melhor garante o nosso futuro. Com ou sem AO.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org

7 comentários:

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Excelente artigo. Parabéns, Renato.

Benjamim Monteiro disse...

Parabéns Renato por este excelente artigo. Quanto ao AO não há bela sem senão...

Paulo Pereira disse...

A questão da dupla grafia foi instigada pelos inimigos do acordo. Os portugueses começaram a escrever mais "à brasileiro" do que os próprios brasileiros como que para irritar, seguindo mesmo a minoria dos pronunciantes.
Isto para mim foi notório.

Por outro lado quem fez o acordo parece não ter tido coragem de seguir o espírito do acordo até ao fim.

Fazer listas de vocabulário baseado em cada país foi a coisa mais ridícula que já vi.

Nunca pensei que se viesse a dizer isto: «Em Portugal segundo o acordo escreve-se assim e no Brasil de outro modo.» Ridículo, Ridículo! Os inimigos da lusofonia foram geniais, tenho de admitir!

Paulo Pereira disse...

Para um portuense como eu, proveniente de onde se conserva mais as formas do português arcaico e de onde, de fato, nasceu a língua portuguesa, ou pelo menos lhe deu o nome; considero uma traição dizer que o acordo não é possível...

Se o Brasil não pode escrever de maneira igual a Portugal, por maioria de razão os portuenses não podem escrever de maneira igual aos lisboetas.

Nós portuenses, sacrificamos um pouco da nossa idiossincrasia em prol de um ideal que é algo ainda mais nuclear dela mesma. E os lisboetas ficam tacanhos agarrados ao seu mundinho, pensando que isso é Portugal. Para mim isso tem uma única palavra: traição.

Proudhon disse...

Caro amigo,
Discordo do soberanismo, e consequente saída da UE, discordo por vários motivos, porque foi o mesmo que nos levou a duas guerras mundiais e é o mesmo que nos meteu nesta crise, fossem os países europeus federalistas e fosse a UE um estado federal e não confederal e cada vez mais soberanista e não nos vias nesta camisa de forças que agora estamos metidos. E também discordo do federalismo lusófono "tout court" que é defendido por ti e por vós, MIL, discordo porque espaços sem continuidade geográfica e com realidades económicas, sociais e culturais a anos luz de cada um, não podem nunca ser uma comunidade económica, social e até cultural forte. A CPLP é o exemplo acabado disso, para grande pena minha, a CPLP deveria ser uma comunidade coesa em termos pelo menos culturais, mas as diferenças em alguns aspectos são tão profundas que é impossível cumprir o sonho de Agostinho da Silva e de Fernando Pessoa (desde o "Quinto Império de Portugal ser o da língua" até "a minha pátria ser a língua portuguesa") e essa impossibilidade faz-me olhar para o outro lado da fronteira e defender o federalismo europeu em vez do federalismo lusófono (acham mesmo que as cleptocracias africanas abdicariam alguma vez dos seus poderes ou o Brasil deixaria de ser um actor global ao liderar o processo federal económico e social na América latina para se aliar a nós nesse processo?). Desta maneira e para mim casos como os de Olivença para mim são absurdos, eu quero lá saber dessa linha de fronteira!!! E achas mesmo que os Portugueses querem? Se falam que os portugueses não ligam a ideologias irão ligar a esse micro caso de algo que já está assumido de facto entre os dois países e as duas comunidades? Desta maneira não sou defensor da lusofonia (no espírito da integração económica, social e regional) já o serei a nível cultural, tivesse a CPLP apenas esse objectivo cumprido e de facto que eu já me consideraria muito feliz, hoje o que existe é um aborto sem lógica e sem nenhum sentido, com plataformas não funcionais em vários sectores e com uma ridícula força de intervenção de paz mas que na ONU nem conseguem ser um lobby organizado para pôr o Brasil no Conselho de Segurança ou até uma coisa mais simples como transformar o Português numa língua oficial desta organização e das suas organizações descentralizadas) nem muito menos soberanista (pelas razões já referidas).
Saudações,
.'.Sandro Pires.'.

Paulo Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Pereira disse...

Discordo completamente de Proudhon.

Pertencer à UE, e quanto mais integrado pior, é meter-se numa guerra só porque os outros se meteram.

Foi o que nos aconteceu na 1. guerra mundial onde morreram 36 000portugueses, somado os que morreram na Europa e África.

Na nossa terrível guerra colonial morreram 8000 portugueses, ou seja menos de 1/4 e por um período muito maior.

Se nós não estivéssemos "isolados" e nos tivéssemos metido na 2ª guerra mundial atirando talvez os espanhóis para o lado contrário, que cenário muito pior não seria para todos. Repito para todos os lados.

A lógica de guerra da Europa não é a nossa lógica. Isso é o que sentimos na alma, algo quase imperceptível de localizar mas muito forte no agir intuitivo. Algo que mesmo os portugueses que o negam sabem muito bem sentir.

É essa visão independente, sem estar ligada às grandes engenharias de poder do mundo, que queremos retomar. Lutar pela justiça do mundo sem estar compromissado com quem está sob grande influência de elites dominadoras.

Para Portugal, sozinho será difícil, mas juntamente com os seus países irmãos que comungam muito deste espírito, para além da língua, será mais fácil. Nos dias de hoje um país como Portugal não consegue sobreviver sozinho. Agora numa comunidade cuja área terrestre só fica atrás da Rússia já consegue, ou pelo menos, é muito mais fácil.

O grande paradoxo do século XXI temo que vai ser, pela de defesa da paz se farão grandes guerras, pela defesa de todas as religiões se acabará por querer aniquilar todas, pois, todas, no fundo, de alguma forma nega a outra. Então para proteger a outra se aniquila a anterior acabando paradoxalmente por aniquilar todas.