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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

domingo, 26 de agosto de 2012

De Agostinho: "o Brasil como guia do mundo"


Do mais seguro que temos nos tempos futuros que já hoje se desenham é que o Brasil virá a ser guia do mundo. Católica reserva de um catolicismo universal a ele confluíram, por milagre da história, e aqui usamos milagre no sentido de manifestação da lei suprema, essencial e simples, influências dos três continentes. O não existir aqui na altura dos descobrimentos nenhuma alta civilização como as que encontraram os espanhóis fez que se não opusesse à cultura nova que entrava nenhuma barreira de elites interessadas em que o antigo se mantivesse; o terem vindo da África só escravos e, como escravos, homens cujos quadros culturais já tinham sido despedaçados, quer pelas próprias migrações africanas, quer pelos ataques dos descobridores brancos, contribuiu igualmente para que o Brasil recebesse apenas o que era como que instintivo no povo, como que fazendo agora parte de sua natureza, e não como mais ou menos artificialmente elaborado por um escol; finalmente, a permanência relativamente curta dos funcionários portugueses, não privando o Brasil dos benefícios de uma política altamente planejada, livrou-o por outro lado de todos os malefícios a que dá lugar o excessivo acomodamento; o que ficou foi também povo.
Lentamente a Nação se foi elaborando e principia hoje a aparecer como uma série de características que prenunciam o futuro. Não falo muito neste ponto do Brasil da costa, o que é necessariamente em grande parte de carácter europeu, embora de uma Europa já muito batida, felizmente, pelos influxos da terra. Falo do Brasil que fica para dentro, do tal Brasil de igarapés, chapadões e cochilas, do Brasil que tentou defender-se e afirmar-se, quando ainda era cedo demais, nos sertões da Bahia e nas fronteiras de Santa Catarina e ter uma voz religiosa no Juazeiro místico e ter um surto artístico nos escultores de ex-votos, nos poetas de romance e peleja, nos teatrólogos de Catrinetas e Bumbas. E falaria, se já tivesse estudado sob este ponto de vista, noutro Brasil que vai ser extremamente importante quando a História se decidir a dobrar a sua esquina: o Brasil marginal de morros e favelas.[1]


[1] “Brasil, Índia e China”, in O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 05/02/1956.

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