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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Lubis-homem


“As palavras dos baptizados eram outras...”
Um dito popular no Alentejo sobre lobisomens

“Profanador do Aónio santuário,
Lobisomem do Pindo, 

orneia ou brama,
Até findar no Inferno o teu fadário!”
Bocage, Obras Escolhidas, primeiro volume, p.122.

“Os lubis-homens são aqueles que têm o fado ou sina de se despirem de noite no meio de qualquer caminho, principalmente encruzilhada, darem cinco voltas, espojando-se no chão em lugar onde se espojasse algum animal, e em virtude disso transformarem-se na figura do animal pré-espojado. Esta pobre gente não faz mal a ninguém, e só anda cumprindo a sua sina, no que têm uma cenreira mui galante, porque não passam por caminho ou rua, onde haja luzes, senão dando grandes assopros e assobios para se lhas apaguem, de modo que seria a coisa mais fácil deste mundo apanhar em flagrante um lubis-homem, acendendo luzes por todos os lados por onde ele pudesse sair do sítio em que fosse pressentido. É verdade que nenhum dos que contam semelhantes histórias fez a experiência”.

Alexandre Herculano, Opúsculos, Tomo IX, Bertrand, Lisboa, 1909, p. 176-177.

“A porta em que bateu o padre Diniz comunicava para a sala em que estavam duas criadas da duquesa, cabeceando com sono, depois que se fartaram de anotar as excentricidades de sua ama, que, a acreditá-las, há cinco anos que cumpria fado, espécie de Loba-mulher, ou Lobis-homem fêmea, se os há, como nós sinceramente acreditamos.”

Camilo Castelo Branco, Mistérios de Lisboa, Vol.I, Porto, 1864, p. 136.




O milho regado como ouro cristalino a deslizar pela água, sobre o qual se deita em êxtase o rubro clarão do Sol moribundo, vê aproximar-se o vulto do que eu diria ser uma menina, bela, a dançar numa saudade recém-nascida, uma mancha de prata sobre o dourado anunciando o luar da noite. O seu vestido alvo arranha o milheiral e move-se com a graça enamorada das coisas que caminham sobre e dentro do mundo.
O homem, robusto, esculpido pela terra e gasto pelo Sol, arrepia-se muito. Emociona-se, o seu corpo estica-se para além do corpo e volta a ancorar nos ossos. De olhar arregalado e soltando a enxada fita uma segunda vez a menina, fixa-lhe o ser e decide aproximar-se. Passa um fomentado vento negro que ao negrume vem anunciar e gela as criaturas que vivem do perene. As pálpebras da imóvel menina estremecem, levanta as saias num gesto obsceno, revelando a pelugem acabrunhada dos bodes, o sexo animal e inquieto, e, numa corrida selvagem, mistura-se com as cores dos corpos móveis.
O monte, na sua largura, perdeu-a. O homem, incrédulo, questiona os alicerces do mundo e inunda-o o mundo. Concentra-se no quotidiano, fecha a água do tanque, e, dirigindo-se a casa, reflecte. Apunhala-o um uivo de olhar amarelo, súbito e triste, que toma o lugar alarmado de todos os seus pensamentos. Podia-se agora ver a menina, que passeava os cascos nus sobre a neblina nocturna e sorvia o sobrenatural, fazendo-se acompanhada de um lobo da sua altura. A lua menstruada sobre o verde hórrido pintava-os como um quadro demente.
Meteu-se na casa, e pela janela aguardou que o tempo banisse e esquecesse aquele tempo, enquanto observava as duas criaturas pétreas vestidas de céu e erva.
A manhã descobriu-o, com a ousadia desavergonhada que à luz descreve, rasgado pela loucura, histérico e nu.


André Consciência





* Composto a partir de uma narrativa numa taberna do interior algarvio (concelho de Tavira), e que tinha sido registada pela Confraria de Alfarroba.
Na história original o homem acerta um tiro de caçadeira no lobo, e na manhã seguinte um dos seus compadres é encontrado ferido.

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