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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

domingo, 27 de novembro de 2011

Guiné-Bissau: Violência gratuita sem fim à vista (?)

Ismael Sadilú Sanhá*

O tema da presente reflexão «Se Amílcar Cabral estivesse vivo, estaria a Guiné nas condições em que se encontra, em termos de perspectiva política, económica e social?». Legitima algumas interrogações e até pode suscitar alguma perplexidade. As interrogações merecem ser respondidas e a perplexidade dissipada de uma forma apropriada. A primeira clarificação tem a ver com o facto de Amílcar Cabral ser o mentor do Estado da Guiné-Bissau nos moldes em que foi proclamado e funcionou. E ele releva da História do PAIGC e da Luta de Libertação Nacional. Isto é fundamental para a subsequente análise do seu paradigma. A segunda clarificação que se torna necessário evidenciar é o facto de os actores políticos serem Homens formados por Amílcar Cabral na doutrina e na prática política. Diferindo, portanto, alguns de Cabral na génese do pensamento e no nível cultural.

Os erros detectados nos primeiros e subsequentes anos da independência em todos sectores da vida nacional foram os mesmos que acabaram por vitimar o Líder Histórico. E estão enraizados na longa tradição de violência que marca desde a nascença, o percurso do PAIGC. Amílcar Cabral, só mais tarde teve o real impacto das consequências funestas, de ter colocado nas mãos das pessoas, sem grande preparação ideológico e de um nível cultural baixo um vasto poder que a detenção das armas conferia. Muitos grupos de guerrilheiros se transformaram em verdadeiros bandos armados em territórios definidos e cometiam as piores atrocidades, que nada tinham a ver com os desígnios da luta de libertação, muitas das vezes ultrapassando as façanhas tenebrosas dos próprios agentes colonialistas.

Daí surgir a necessidade urgente da convocação de reunião magna dos quadros do Partido com o objectivo de erradicar esses males e de estabelecer linhas de conduta - o congresso de Cassacá.
O Iº Congresso do PAIGC que decorreu de 13 a 17 de Fevereiro em Cassacá foi realizado com o intuito de fazer correcções dos erros e imprimir uma nova dinâmica no processo da Luta de Libertação Nacional. PAIGC tinha conquistado uma vasta zona que denominou zonas libertadas. Pelo que se impunha a criação das estruturas socioeconómicas e politicas para gerir essas zonas.
Portanto os dois objectivos da realização da conferência dos quadros que se transformou em congresso devido as importantes decisões aí tomadas, eram essas:
pôr cobro à crise de liderança consubstanciado nos desmandos de alguns responsáveis do Partido e criar as estruturas socioeconómicas, políticas e militares, capazes de gerir as áreas libertadas (criação dos armazéns do povo; os centros de saúde; as escolas piloto; a organização dos comités do Partido de base, secção, sector e região; a criação do bureau político, um comité executivo e de um comité central; o conselho de guerra onde pontificavam os máximos dirigentes políticos a par das chefias militares, ao qual respondiam os comandos das frentes Norte, Sul e Leste; a organização de um exercito regular, as forças armadas revolucionárias do povo, as milícias populares, e a guerrilha; a figura de controlador político das actuações militares, os comissários políticos, etc. são algumas dessas medidas).

Apesar do vasto trabalho político realizado posteriormente, através dos Seminários dos Quadros, e outras acções congéneres, a Guiné nunca mais se libertou do estigma de violência gratuita, sobretudo quando voltou a evidenciar-se o vazio ideológico nos anos subsequentes a liberalização política. A gestão dos Recursos Humanos muito parcos era um outro problema com que Cabral debatia e consoante a guerra avançava mais difícil se tornava. Gerir a luta com muito poucos quadros qualificados era uma tarefa ingente. E na situação da luta era ainda muito mais ciclópico.

São esses quadros que depois da independência, sem grandes preparação e experiencias de gestão, com nível académico baixos que tiveram que assumir os destinos da Guiné. E se Cabral estivesse vivo era com os mesmos quadros que ele mandou formar, que iria contar para as tarefas ingentes da construção do País, muito mais complicados. O pensamento e a acção de Amílcar Cabral estão cristalizados no tempo e foram desenvolvidos numa conjuntura particular de guerra e de confronto ideológico Este-Oeste. Este facto perdurou até à independência. Porém devemos, igualmente sublinhar que a política de ão-alinhamento definido por Cabral foi a que os Estados criados por ele, adoptaram, no pós- independência.

É de recordar que alguns dias antes do seu assassinato, Cabral anunciava as linhas mestras da nova política que o partido iria seguir, nas mensagens de Novo Ano endereçadas aos militantes (a proclamação unilateral da independência, a criação da Assembleia Nacional Popular, ANP, a formação do Governo, a adopção de uma Constituição para o novo Estado a ser criado). Portanto o sistema político adoptado foi o preconizado por Amílcar Cabral. O sistema de organização político e económico criado na Luta persistiu até 1986, quando finalmente foi introduzido a liberalização económica e consignado maior liberdade aos Guineenses.

Guineenses versus Cabo-verdianos

Cabral igualmente sentenciava a morte aos colonialistas e aos seus lacaios. Depois da independência esses lacaios foram perseguidos e executados na Guiné.
O patrimonialismo que a classe dirigente da Guiné praticou é nada mais nada menos que aquilo que aprenderam do seu Líder-fundador. Cabral desdobrava-se em esforços para conseguir meios para a luta que se desenvolvia e era ele mesmo que presidia a distribuição desses meios aos combatentes. E só em raros casos delegava essas tarefas aos outros dirigentes máximos da Luta. Portanto a herança persistiu.

Um outro aspecto que merece realce nesta breve reflexão é o da unidade Guiné-Caboverde o «leitmotiv (ligação)» da luta de Amílcar Cabral. No entanto a aplicação prática desse desiderato marcado por uma certa discriminação causou celeumas acabando por se transformar num problema com consequências desastrosas para Cabral e para os Guineenses. As perspectivas divergentes da sua aplicação ditaram, à partida, a existência de uma cultura de conflito inerente entre Guineenses e Cabo-verdianos que marcou todo o percurso do PAIGC, que infelizmente Cabral não logrou resolver e que só culminou com os acontecimentos do 14 de Novembro de 1980.


Em jeito de conclusão, as medidas tomadas por Amílcar Cabral não foram, em certos casos, adequadas deixando profundas sequelas que ensombram ainda hoje a Guiné-Bissau. Todavia é natural que o seu pensamento seja interpretado num contexto diferente, uma vez que a sua morte prematura privou-nos de qualquer desenvolvimento ulterior que, refira-se, seja de maior pertinência e interesse na actual conjuntura política, social e económica Guineense. O que acontece é que Cabral, ao fundar a nacionalidade Guineense e Cabo-verdiana, imortalizou-se e o seu legado ganhou uma importância política Capital no qual se encontram todas as respostas para o desenvolvimento da Guiné e se explicam todos os falhanços sucessivos da sua afirmação.


Apesar de tudo o pensamento de Cabral mantém alguma actualidade, devendo-se, de facto, procurar aí respostas, sobretudo aquelas que se prendem com a postura de Estado, que entendia ser exigida ao homem político e com a necessidade de mudar, a seu tempo os aspectos culturais que considerava anticientificos porque entravavam a marcha dos povos rumo à inserção no mundo moderno. Cabral simbolizou um tempo perfeito de harmonia de coesão e esforço empenhado dos Guineenses na luta pela sua liberdade, dignidade e independência. Estes são apenas alguns hiatos no longo processo da Luta de Libertação conduzida por Amílcar Cabral que mereceram a nossa pequena reflexão. Toghether we can. Vmieste mi mojem (em língua Russa)

*Mestrando em Relações Internacionais

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