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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O legado cultural de Júlio Resende (1917-2011) e de José Niza(1938-2011)

Neste ano de 2011 o mundo lusófono perdeu duas figuras de proa da cultura artística: o pintor Júlio Martins Resende da Silva Dias e o compositor José Manuel Niza Antunes Mendes. Júlio Resende foi um pintor eclético, discípulo do mestre Dórdio Gomes, que aprendeu a sua arte pictórica no Porto e na cosmopolita e bela cidade de Paris. A sua pintura passou por várias fases estilísticas, mas o seu timbre mais significativo é uma tendência expressionista e um inequívoco sentido lírico das suas obras mais emblemáticas. Formou-se em 1945, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, onde mais tarde veio a ser professor. A sua obra foi reconhecida pelos críticos de arte, a nível nacional e internacional, e o Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, agraciou-o em 1997 com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Parte do seu espólio pictórico encontra-se disponível na Fundação Júlio Resende.

José Niza foi uma figura multifacetada, de médico, de compositor e de político, que procurou sempre ao longo da vida lutar pelo bem-estar dos seus semelhantes nestas várias áreas em que se embrenhou. Estudou, no final dos anos de 1950, Medicina em Coimbra, tendo feito a sua tese de licenciatura sobre o tema da Esquizofrenia. Em 1961 fundou com José Cid, Daniel Proença de Carvalho e Rui Ressurreição o Orfeão Académico de Coimbra, onde parece ter despertado para a música. No início dos anos de 70 dirigiu a editora discográfica “Arnaldo Trindade” e celebrizou-se como autor de letras para cantores famosos (Adriano Correia de Oliveira, Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, etc.) e nessa qualidade ganhou vários Festivais RTP da Canção.

O seu momento de glória, ficou registado “in illo tempore”, como diria José Francisco Trindade Coelho, nas páginas da História de Portugal, foi a sua letra da canção “E depois do Adeus”, cantada por Paulo de Carvalho, que se tornou na senha musical que serviu aos Capitães de abril para sinalizar o arranque das operações militares da Revolução do 25 de abril de 1974, também conhecida popularmente como Revolução dos Cravos.

José Niza destacou-se ainda como deputado do Partido Socialista, tendo sido eleito a 25 de abril de 1975 representante da Assembleia Constituinte, que moldou a Constituição da República Portuguesa de 1976. Como político sobressaiu no seu trabalho legislativo de deputado em diplomas ligados à proteção cultural e musical. Aliás, o seu labor em prol da cultura foi, também, bem visível como Diretor de Programas da RTP, dando um cunho marcadamente cultural à grelha televisiva nacional nos anos 70 e 80. Depois de deixar de ser deputado tornou-se assessor do Presidente da Assembleia da República, Dr. António de Almeida Santos.

Em suma, a posteridade há de guardar a memória destes dois grandes protagonistas da Cultura Contemporânea, Júlio Resende e José Niza, empenhados na liberdade criativa e na liberdade de expressão como supremas manifestações da plenitude realizadora dos seres humanos. Porquanto, nestes tempos de crise financeira do mundo Globalizado urge lembrar o preceito cristão: “nem só de pão vive o Homem”…

Nuno Sotto Mayor Ferrão

Publicado com documentos completares em: Crónicas do Professor Ferrão

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