BLOGUE DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.
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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
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Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)
A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)
Agostinho da Silvaquarta-feira, 17 de abril de 2019
O MIL, a(s) Esquerda(s) e a(s) Direitas(s)...
José Pedro Zuquete, in Ideias e Percursos das Direitas Portuguesas, coord. de Riccardo Marchi, Lisboa, Texto Editora, 2014, p. 420.
Agostinho da Silva, primeiro inspirador da CPLP...
Cármen Maciel, "A construção da Comunidade Lusófona a partir do antigo centro", Tese de Doutoramento em Sociologia, Fac. Ciências Sociais e Humanas, Univ. Nova de Lisboa, 2010 (Tese vencedora da 4ª edição do "Prémio Fernão Mendes Pinto"), Lisboa, Instituto Camões, 2015, p. 50.
terça-feira, 16 de abril de 2019
Também no jornal Público: "Cinco Lições do Brexit"
Ainda não se sabe de todo como
o processo de saída britânica da União Europeia se irá concretizar (se é que se
irá mesmo concretizar), mas já se podem extrair algumas lições a partir da
forma (negativa) como o processo se tem (des)enrolado:
I – Podendo (e devendo, a
nosso ver) este tipo de decisões ser ratificada em referendo, uma decisão como
esta deve ser ratificada por uma maioria qualificada (dois terços ou, no
mínimo, cinquenta e cinco por certo). De outro modo, ao primeiro obstáculo,
essa ratificação tende a ser posta em causa. Uma decisão como a saída britânica
da União Europeia (ou, por exemplo, a saída catalã de Espanha) não pode jamais
sustentar-se numa maioria tangencial.
II – Se os britânicos queriam
mesmo respeitar a maioria tangencial que se pronunciou a favor do Brexit, então a liderança política não
deveria ter sido entregue a quem votou contra (Theresa May). No jogo de sombras
que se criou após o referendo, temos tido um Governo pró-Brexit liderado por quem votou contra e a oposição anti-Brexit liderada por quem foi contra a
entrada da Grã-Bretanha na União Europeia (Jeremy Corbin).
III – Em política, tão ou mais
importante do que a racionalidade táctica, importa a convicção estratégica. Se
têm um Governo pró-Brexit liderado
por quem votou contra, como poderiam esperar os britânicos um Governo realmente
convicto do melhor caminho a trilhar? É certo que, por vezes, mesmo na
política, acontecem “milagres” ou “golpes de sorte”, mas era mais do que
previsível o impasse a que chegámos. Para mais, a União Europeia por uma vez
mostrou-se realmente unida em dificultar a vida à Grã-Bretanha, decerto para
que o exemplo britânico não servisse de inspiração a nenhum outro país.
IV – Dito isto, se havia país
da União Europeia que poderia aspirar a sobreviver (sem danos maiores) a uma
saída era, à partida, a Grã-Bretanha. Para isso, porém, precisava de reatar os
laços que tinha à escala global na época do Império Britânico (obviamente, não
já numa lógica imperial). Esse caminho nunca foi, contudo, sequer tentado de
forma realmente coerente e consequente. Mesmo a “relação especial” com os
Estados Unidos da América continua a ser, em grande medida, uma relação
retórica.
V – Perante tudo isto, quem em
Portugal teve a tentação de seguir o exemplo britânico deve mesmo (re)pensar
nas consequências. É certo que Portugal pode (e deve, a nosso ver) reforçar
muito mais os laços com os países (e regiões) do espaço lusófono à escala
global – a todos os níveis: cultural, social, económico e até político –,
despertando de vez a CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portugal da sua
substancial letargia. Mas isso deve fazer-se numa lógica de complementaridade,
não, de todo, numa lógica de contradição. Hoje como sempre, o que importa é
compatibilizar da melhor forma a nossa condição europeia com a nossa dimensão
lusófona. O que está ainda muito longe de acontecer.
Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento
Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.orgPrefácio de António Braz Teixeira à "Via Lusófona III"
Na continuidade das duas anteriores colectâneas desta
série, editadas em 2010 e 2015, apresenta-nos, agora, Renato Epifânio o
terceiro volume de A Via Lusófona: um novo
horizonte para Portugal, em que prossegue a sua persistente campanha para
uma compreensão futurante do mundo de língua portuguesa e do papel que poderá
desempenhar ao nível global, proposta cuja pertinência e actualidade os
acontecimentos a que estamos a assistir vêm tornar mais evidentes.
Tal como os dois volumes que o precederam, este
terceiro tomo de A Via Lusófona, no
seu conteúdo heterogéneo – votos, breves apontamentos, reflexões, pequenos
ensaios, comentários de actualidade, intervenções cívicas e culturais – e sob
uma aparente ou real diversidade, vem a constituir como que uma singular forma
de diário, mais cívico do que
estritamente pessoal ou centrado na subjectividade do autor, ao qual se
encontra subjacente uma atitude intelectual de serena e inteligente compreensão
que, no entanto, não o impede de assumir, tantas vezes isoladamente ou em
contra-corrente, com argumentada firmeza, as suas posições ou de expor e
defender as suas teses.
Inspirado na visão de Agostinho da Silva sobre o
futuro do mundo lusófono e atento à alta lição especulativa de José Marinho e
ao sentido sófico da interrogação, que deve preceder e acompanhar toda a acção,
Renato Epifânio, há mais de um decénio, vem dedicando, com persistente
diligência e entusiasmo, a sua rara capacidade organizativa e o seu sentido de
missão cívica e patriótica, ao fortalecimento dos laços espirituais, culturais,
históricos e afectivos entre as diversas parcelas dispersas do mundo lusófono,
da Galiza ao Brasil, do Cabo Verde a Macau, de Goa a Malaca, propugnando e
agindo na via da constituição de uma futura efectiva comunidade dos povos e
regiões de língua portuguesa, enriquecida, criadoramente, pela convergente e
complementar diversidade das várias culturas que a integram e nela se exprimem
e pensam, bem como do estabelecimento de uma cidadania lusófona que daquela seja, a um tempo, o prenúncio e o
suporte.
Sabendo aliar a dimensão visionária e futurante a um
lúcido sentido do real e do possível, uma invulgar capacidade de congregar
inteligências e vontades e uma não menor capacidade de dar expressão literária
clara e rigorosa aos seus projectos e ideias, a calma e afabilidade à convicção
e firmeza, Renato Epifânio tem conseguido dividir-se, com discreta eficácia,
por múltiplas iniciativas, da presidência do MIL: Movimento Internacional
Lusófono à direcção e divulgação da revista NOVA
ÁGUIA, da activa participação na direcção do Instituto de Filosofia
Luso-Brasileira – e também enquanto membro integrado do Instituto de Filosofia
da Universidade do Porto – à organização de colóquios, encontros e conferências
e à realização e promoção de edições.
Se as condições altamente negativas que, devido a
políticos tacanhos e medíocres, nos últimos anos, foram criadas à investigação
no domínio das Humanidades, e, de modo particular, no da Filosofia, têm
impedido Renato Epifânio de prosseguir predominantemente por essa via, de que,
no presente volume, o breve ensaio Entre
ser e sentido é ilustrativo exemplo, devemos congratularmo-nos por ter
sabido fazer de uma situação adversa uma possibilidade de exercitar outras das
suas capacidades na tarefa, em que está profundamente comprometido, de promoção
e defesa da “via lusófona” que, como ele, pensamos constituir “um novo
horizonte para Portugal”, que urge demandar como primeira prioridade nacional.
Sobre «descolonização», no Público
A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Descolonização ortográfica, já!». Um excerto: «Agora há que saber se em Portugal se vai acabar com a experiência catastrófica, não utópica mas sim distópica, de uma “novilíngua” que viola a etimologia europeia predominante em todas as nações civilizadas do Mundo e que resultou da “adoção” ilegal e reforçada, deste lado do Atlântico e isolando-nos daquelas, de uma subversão terceiro-mundista executada por uma ditadura brasileira da década de 40 do século passado decidida a diminuir os laços com o Velho Continente, e em especial com a nação ex-colonizadora de que muitos brasileiros se envergonha(va)m».
"Agostinho da Silva - Ele Próprio" - Filmado por António Escudeiro - Edições Zéfiro - Nova edição na íntegra num só vídeo
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Em nome da mais elementar coerência, essa coisa chata...
Recentemente, participámos em dois eventos que, à partida, nada de
comum teriam entre si, mas que, de forma por inteiro inesperada, se tornaram
quase o espelho, ainda que invertido, um do outro: o Colóquio “António Sérgio,
meio século depois” (Universidade do Porto) e o II Congresso Internacional
"Diálogos Interculturais Portugal-China" (Universidade de Aveiro).
Assim, no primeiro, foram naturalmente abordadas diversas facetas
da vida e obra de António Sérgio, sendo que em algumas das intervenções se
salientou a sua faceta de activista político contra o Estado Novo: como foi
recordado, António Sérgio foi, inclusivamente, um dos grandes mentores da
candidatura presidencial de Humberto Delgado, em 1958.
Já no segundo evento, não se falou, obviamente, de António Sérgio.
Mas falou-se bastante do regime chinês, partindo, porém, de premissas bem
diversas. Enquanto que a oposição de António Sérgio ao Estado Novo foi
justificada pela sua ânsia de liberdade, proclamadamente incompatível com
qualquer regime de partido único, na avaliação que foi feita do regime chinês
essa foi uma questão que passou para segundo plano, como se fosse, quase, uma
futilidade.
Em algumas intervenções, defendeu-se até, de forma expressa, que o
regime chinês era, no fundo, um regime “meritocrático”, ou seja, que escolhia
os melhores para a sua liderança, sem correr o risco de, através de eleições
livres, permitir que os “não melhores” fossem eleitos. Chegou-se até a dar o
exemplo da “República” platónica – onde o líder era, por definição, o mais
sábio, o “Rei-Filósofo”.
Não pudemos deixar de sorrir interiormente, perante tanto
contorcionismo argumentativo: alguns daqueles que, em nome da liberdade, não
aceitavam qualquer espécie de tolerância perante um regime como o Estado Novo,
mostravam-se sumamente tolerantes perante um regime (igualmente de partido
único) como o chinês, não percebendo que, dessa forma, estavam a caucionar
muitos dos argumentos dos defensores do Estado Novo, para quem este era também,
de facto, um regime “meritocrático”, liderado pelo melhor de todos: no caso,
António de Oliveira Salazar.
Pela nossa parte, como tivemos a oportunidade de dizer na ocasião,
estamos dispostos a conceder que um país do tamanho da China (como outros: por
exemplo, a Rússia) só é governável através de um regime altamente centralizado:
na democracia, o tamanho conta. Mas, em nome da coerência, não podemos aceitar
que os mesmos argumentos deixem de valer quando muda o contexto (ou a
conveniência ideológica). Na China, como também salientámos, há presos
políticos e estes não podem ser, simplesmente, eclipsados. Em nome da mais
elementar coerência, essa coisa chata…
segunda-feira, 15 de abril de 2019
Manuel Pinto da Costa (Ex-Presidente da República de São Tomé e Príncipe): Prémio MIL Personalidade Lusófona 2018...
Das várias propostas que nos chegaram do Conselho Consultivo do MIL, o nome de Manuel Pinto da Costa, Ex-Presidente da República de São Tomé e Príncipe, foi o mais consensual para receber o "Prémio MIL Personalidade Lusófona 2018". A sessão de Entrega do Prémio será anunciada em breve...
A história de Lisboa também passa pelos sinais de trânsito...
Muito antes de surgirem os sinais luminosos e as regras de circulação, já D. Pedro II se preocupava com os problemas de trânsito entre as carroças, os coches e as liteiras. O rei mandou colocar 24 sinais de trânsito, mas apenas um sobreviveu até aos dias de hoje
Na Rua do Salvador, em Alfama, há uma placa numa parede que pode passar despercebida, mas que tem grande importância histórica. A placa de mármore é considerada o sinal de trânsito mais antigo de Lisboa (e talvez do mundo).
Trata-se de uma placa de finais do século XVII, mandada colocar pelo Rei D. Pedro II, que diz o seguinte: “Ano de 1686. Sua Majestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da Portaria do Salvador recuem para a mesma parte”. Ou seja, quem viesse de cima perdia a prioridade em relação a quem subisse. Com a rua estreita e numa época em que os conflitos acabavam muitas vezes em lutas e duelos esta foi a forma encontrada para evitar disputas de trânsito.
A movimentação da cidade era tanta que os problemas de trânsito multiplicavam-se, o que levou D. Pedro II a mandar colocar um total de 24 sinais reguladores do trânsito em Lisboa, nomeadamente em São Tomé, na Largo de Santa Luzia ou na Calçada de São Vicente. No entanto, só esta placa chegou aos nossos dias.
Os problemas de trânsito eram tantos, que a Coroa e o Senado criaram regras de trânsito - um equivalente ao Código de Estrada - com penalidades bastante duras para aqueles que as desrespeitassem. Os cocheiros, lacaios ou liteiros foram expressamente proibidos de usar adagas, bordões ou qualquer arma que pudesse ser utilizada numa discussão de trânsito.
Quem desobedecesse pagaria 2 mil cruzados de multa e corria o risco de ser exilado para o Brasil. Susana Ribeiro – Portugal in “Sapo Viagens”
domingo, 14 de abril de 2019
Macau - Uma viagem pelo Renascimento no Museu de Arte
Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Raphael, Rosso Fiorentino, Ticiano ou Mantegna estão entre os 42 artistas renascentistas representados no Museu de Arte de Macau. A mostra dos desenhos que exploram o processo criativo dos artistas estará patente até 30 de Junho. O MAM vê agora concretizado o desejo de longa data de trabalhar com o “British Museum”, numa ocasião em que celebra 20 anos. A exposição apresenta um cariz inclusivo com várias experiências tácteis para pessoas com dificuldades visuais
São os desenhos de Michelangelo, Raphael e de um dos seguidores de Leonardo Da Vinci – Maestro Della Pala Sforzesca – que abrem a exposição “Desenhos da Renascença Italiana do British Museum”, que se encontra patente no Museu de Arte de Macau (MAM) até 30 de Junho. “São [pintores] os mais poderosos, aqueles que definiram a Renascença italiana”, destacou ontem a curadora da exposição, Sarah Vowles, à Tribuna de Macau.
A primeira dedica-se ao corpo humano e às diferentes formas de o explorar e representar, sendo “a mais básica, mas a mais importante”, realçou a curadora. Por exemplo, em “O Movimento”, Sarah Vowles realçou o desenho “Hércules e o Centauro”, a que Raphael deu forma pouco depois de chegar a Roma. “Impressionado pelas figuras físicas de Michelangelo”, o pintor acabou por combinar as suas próprias características “com o poder” das técnicas que via nas figuras do outro pintor. Quanto à luz, era utilizada não só como forma de dar volume às figuras, como também se reflecte na espiritualidade das imagens.
No fundo, a viagem pelos seis “mundos” da mostra “permite-nos perceber o brilhante processo de ver jovens artistas, no período do Renascimento, a enfrentarem desafios de crescente complexidade”, disse a curadora. O objectivo é que “as pessoas percebam a importância e primazia dos desenhos destes jovens artistas”.
O desejo dos jovens pintores de quererem representar o mundo tal e qual como os rodeava – a natureza, o corpo humano, o palpável – e, por outro lado, o interesse de séculos pela Antiguidade foram o mote para que surgisse o Renascimento. “Estes dois elementos juntaram-se para criar um terreno invulgar e muito poderoso. Foi assim que nasceu o Renascimento”, acrescentou Sarah Vowles.
A colaboração com o “British Museum” era “um desejo de há muito”, confessou a curadora do MAM, Margarida Saraiva. “Por um lado porque é uma referência a nível mundial, por ter sido o primeiro museu público no mundo, e por outro porque tem a maior colecção de objectos de todo o mundo”, disse. Um desejo que é agora concretizado por ocasião do aniversário dos 20 anos do MAM e em que se cumprem também os 500 anos da morte de Leonardo Da Vinci.
Uma exposição inclusiva
De forma a envolver as pessoas que visitam a exposição “na descoberta dos desenhos”, foram criados objectos que possam permitir ter uma experiência táctil a pessoas com deficiências visuais ou a quem queira ter uma experiência diferente. Do conjunto de obras expostas, 16 foram escolhidas para serem representadas de forma física.
“Queremos que as pessoas possam tocar, que possam experimentar os diferentes sentidos, porque os desenhos são apenas visuais”, explicou o professor Gerald Estadieu, da Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José, que orientou o projecto.
“Para cada um desses desenhos, o que tentámos foi traduzi-lo num objecto físico. Com alguns criámos modelos 3D, com outros utilizámos apenas algumas linhas-chave [dos desenhos], mas claro que nunca podemos reproduzir exactamente o que o artista fez”, acrescentou. Apesar disso, a ideia é criar um museu mais inclusivo em que “pessoas com dificuldades visuais possam reagir quando tocam nestes objectos”.
Para Sarah Vowles, que já experimentou alguns dos puzzles criados, a iniciativa não podia ser melhor: “Ver as diferentes formas como o universo pode responder aos desenhos adiciona uma nova dimensão à exposição, portanto acho que é um projecto importante”.
As expectativas para os dois meses de exibição dos desenhos originais são positivas, mas acima de tudo, Margarida Saraiva pretende que a mostra seja uma inspiração não apenas na forma de olhar para a arte. “Espero que possa inspirar [na medida em que] às vezes não vemos as dificuldades que nos rodeiam. A exposição deve ser um momento de inspiração, por isso tentamos que seja para todas as pessoas, com diferentes interesses e desejos”, concluiu a curadora. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”
sábado, 13 de abril de 2019
Timor-Leste – Governo aprova cooperação com Portugal na área da Segurança Social
O Governo timorense aprovou na passada quarta-feira, 10 de abril, o programa de cooperação entre o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social português e o Ministério da Solidariedade Social e Inclusão de Timor-Leste de 2019 a 2022. A cooperação entre os Ministérios da área do Trabalho e dos Assuntos Sociais de Portugal e Timor-Leste remonta a 2003, com a assinatura do primeiro Programa de Cooperação bilateral, ainda que antes tivessem sido apoiadas algumas atividades de cooperação nos domínios do Emprego e Formação Profissional, em concreto no apoio à instalação do Centro Nacional de Emprego e Formação Profissional, em Tíbar. Entre 2002 e 2018 o financiamento concedido pelo MTSSS-PT no âmbito da sua cooperação com Timor-Leste ascendeu a cerca de 18,2 milhões de euros
O documento vai ser assinado no próximo dia 16, em Díli, pela ministra da Solidariedade Social e Inclusão timorense, Armanda Berta dos Santos, e pela secretária de Estado da Segurança Social portuguesa, Cláudia Joaquim, disse fonte do Ministério timorense à Lusa.
Democracia, Estado de direito e direitos humanos, desenvolvimento humano e erradicação da pobreza, direitos da criança e igualdade de género são os três eixos principais do programa setorial de apoio de Portugal, com ações na área social e na capacitação institucional, de acordo com o Governo timorense.
Estes três eixos foram definidos com base nos "objetivos e prioridades acordados pelos Governos dos dois países", indicou.
A secretária de Estado portuguesa chegou hoje a Díli para uma visita de cerca de uma semana ao país, em representação do ministro José António Vieira da Silva e a convite de Armanda Berta dos Santos, com o objetivo de fortalecer as relações bilaterais na área da Segurança Social.
Cláudia Joaquim tem previsto visitar centros de ação social em vários pontos do país e inaugurar, no sábado, o primeiro Bloco do Centro Comunitário de Same, a sul de Díli, financiado com apoio português.
Na quinta-feira, a delegação da secretária de Estado desloca-se a Manatuto e a Baucau, a leste de Díli, para visitar centros de ação social. No dia seguinte, estará de novo na capital para conhecer, entre outros espaços, o Centro Nacional de Reabilitação e o Centro Juvenil Padre António Vieira.
Na próxima segunda-feira, a responsável portuguesa deverá visitar centros sociais no enclave de Oecusse-Ambeno.
Um dos pontos altos da visita ocorre a 16 de abril quando se realiza uma Conferência Sobre Segurança Social, promovida pelo Ministério da Solidariedade Social e Inclusão e pelo Instituto Nacional de Segurança Social timorenses.
A conferência analisará aspetos como a cooperação bilateral nesta matéria e o sistema de segurança social timorense.
O acordo de cooperação entre os dois países deverá ser assinado nesse momento. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”
Declaração MIL sobre a situação em Moçambique

O MIL: Movimento Internacional
Lusófono manifesta, em nome de todos os cidadãos lusófonos, a maior
solidariedade ao povo-irmão de Moçambique, assolado pelo Ciclone Idai (uma das
piores tempestades de sempre no hemisfério sul), que atingiu, em particular, as
províncias de Sofala e Manica. Saudando todos aqueles que no terreno têm dado o
seu apoio solidário e altruísta a todas as vítimas, o MIL apela à mobilização
de toda a Comunidade Lusófona para o apoio urgente aos nossos irmãos
moçambicanos. Face a esta tragédia de proporções nunca vistas, impõe-se o
envolvimento máximo de todos os países da CPLP: Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa.
MIL:
Movimento Internacional Lusófono
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Portugal assina projeto de apoio em língua portuguesa com Universidade Nacional Timor Lorosa’e
Portugal assinou com a Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) o novo projeto de capacitação em língua portuguesa, com financiamento conjunto de 2,7 milhões de euros, destinado a reforçar as competências do Centro de Língua Portuguesa da instituição.
O projeto, cofinanciado pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e assinado pelo embaixador de Portugal em Timor-Leste, José Pedro Machado Vieira e pelo reitor da UNTL, Francisco Martins, insere-se na cooperação bilateral com a universidade pública timorense.
José Pedro Machado Vieira sublinhou que o projeto, dá seguimento à política de cooperação portuguesa com Timor-Leste “com um investimento constante e consistente na Educação”, setor para onde é canalizada cerca de 80% da ajuda pública do Governo português ao país.
O objetivo global é “contribuir para a melhoria da qualidade do ensino em Timor-Leste e consolidação da língua portuguesa como instrumento para aquisição e acesso ao conhecimento”, disse.
“A Cooperação Portuguesa e a UNTL assumem o compromisso de, sem distrações ou derivas, trabalhar para formar professores e alunos da UNTL, bem como funcionários públicos e população em geral”, referiu.
A vigorar até 2022, o “Formar, Orientar, Certificar e Otimizar” (FOCO-UNTL) substitui o Projeto de Capacitação da UNTL em Língua Portuguesa, e “é constituído por um conjunto de atividades destinadas a contribuir para o reforço das competências do Centro de Língua Portuguesa da UNTL”.
O projeto aposta na melhoria do nível de proficiência em língua portuguesa dos professores e alunos da UNTL, assim como dos funcionários da Administração Pública e público em geral e ao mesmo tempo “na componente de certificação do nível de proficiência em língua portuguesa”.
A UNTL contribui com um terço dos fundos do projeto e o Camões com dois terços.
Francisco Martins explicou que o projeto envolve 11 professores portugueses destacados em Timor-Leste e apoiados por entre seis e 18 professores timorenses.
O reitor considerou o projeto essencial para permitir à UNTL implementar a sua missão “como instituição formadora e de investigação” e para “elevar a qualidade do sistema académico da universidade”, permitindo “capacitar e elevar a competência dos jovens timorenses em língua portuguesa”.
Um projeto bilateral assenta numa história de quase 20 anos de cooperação bilateral com Portugal, que permite reforçar não apenas os conhecimentos em língua portuguesa, mas a aprendizagem noutras áreas especificas da oferta formativa da UNTL.
Evidente, explicou, é igualmente o crescente interesse e pedido de apoio de várias instituições timorenses que solicitam à UNTL formação em língua portuguesa.
O programa junta-se a outras ações de cooperação portuguesa, incluindo a atribuição de bolsas para o ensino superior, os Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), a Escola Portuguesa de Díli ou o projeto Formar +, que está a ser reestruturado.
“A Cooperação Portuguesa e a UNTL estão unidas na ambição de colocar a educação como prioritária, entre as necessidades e objetivos do povo timorense. A formação das pessoas é o principal determinante do desenvolvimento económico e social sustentável”, disse o diplomata.
“A educação, para além de constituir um direito humano fundamental, é, igualmente, um instrumento essencial à boa governação, às tomadas de decisão informadas e à promoção da democracia”, frisou. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Idai: Timor-Leste contribui com um milhão de dólares para fundo solidário
Timor-Leste vai doar um milhão de dólares (890 mil euros) para o fundo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa para ajudar as vítimas do ciclone Idai, que já tem comprometida uma verba de 1,5 milhões de euros
Os montantes foram hoje divulgados em Lisboa, durante a assinatura do memorando de entendimento entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o governo de Moçambique, segundo o qual o Instituto de Gestão das Calamidades Naturais será o principal beneficiário dos recursos.
As verbas vão ser canalizadas através de uma nova rubrica do fundo especial da CPLP dedicada ao "apoio à situação de emergência provocada pelo ciclone Idai em Moçambique".
Estão já disponíveis 250 mil euros (consignados por Portugal à rubrica "alterações climáticas" no âmbito do fundo especial da CPLP) que deverão ser reforçados com os contributos de Timor-Leste (890 mil euros), Cabo Verde (200 mil euros), Guiné-Bissau (100 mil euros), Portugal (100 mil euros), Associação Caboverdeana, na qualidade de observador consultivo da CPLP (250 euros) e Ordem dos Advogados (7000 euros).
"Quando a CPLP decidiu, há uma semana e meio, instituir este apoio especial no âmbito do fundo especial da CPLP tínhamos em mente, não só a situação trágica que estavam a passar os nossos irmãos de Moçambique, mas também a importância de haver um gesto da CPLP nesta hora muito difícil para um dos seus estados-membros fundadores", assinalou o secretário-executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, após assinar o protocolo.
Francisco Ribeiro Telles mostrou-se "convencido" de que o fundo terá mais adesões no futuro, destacando que "quaisquer contribuições serão bem-vindas".
O embaixador de Moçambique em Lisboa e representante permanente do país na organização lusófona, Joaquim Bule, registou "com apreço, o gesto da CPLP" e garantiu que os gastos serão auditados.
"Há mecanismos que foram instituídos pelo Governo de Moçambique, no sentido de que toda a ajuda canalizada para o país no âmbito da emergência está sujeita a auditoria externa", o que assegura que os fundos serão usados "com a transparência necessária" e que haverá prestação de contas, considerou o diplomata.
"Nós costumamos dizer que é nos momentos difíceis que se revelam os melhores amigos e acreditamos que a contribuição feita pelos Estados-membros da CPLP vai contribuir para o conjunto dos esforços que o país está a fazer e que a comunidade internacional também está a fazer, com vista a ajudar o país a enfrentar os prejuízos, os danos, a destruição provocada pelo ciclone", declarou Joaquim Bule.
O ciclone Idai atingiu a região centro de Moçambique, o Maláui e o Zimbabué em 14 de março.
Segundo o último balanço das autoridades moçambicanas, o ciclone fez 602 mortos e 1.641 feridos, tendo afetado mais de 1,5 milhões de pessoas no centro de Moçambique. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Também no Jornal Público: "A azia anti-lusófona".
É algo que se repete sempre,
de forma mais do que previsível, mas é também algo que sempre nos consegue
espantar, tal a sua bizarria. Falamos de algumas reacções ao impacto que teve a
recente visita do nosso Presidente da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, a
Angola.
Atribuem alguns a razão maior de
tal impacto à personalidade singular (especialmente simpática) do nosso
Presidente da República mas isso não corresponde, senão de forma residual, à verdade.
O anterior Presidente, Aníbal Cavaco Silva, tinha (e tem), como todos sabemos,
uma personalidade bem diferente a esse nível e nem por isso deixou de ter um
impacto análogo a sua visita oficial, em 2010.
Quanto muito, podemos dizer
que a personalidade singular do nosso Presidente da República aumentou ainda
mais esse impacto que à partida seria sempre grande. E que certos aspectos
conjunturais também ajudaram: em particular, o fim do (“irritante”) processo judicial
a Manuel Vicente e o início (auspicioso) da Presidência de João Lourenço.
Mas nada disso muda o
essencial: a relação entre os angolanos e os portugueses é, em geral, uma
relação de fraternidade (como Marcelo Rebelo de Sousa muito bem salientou). E
que, de resto, não se confina à relação entre Portugal e Angola, mas se estende,
(mais ou menos) na mesma medida, a todos os demais povos de língua portuguesa,
mesmo em conjunturas não particularmente favoráveis, como Marcelo Rebelo de
Sousa reiterou no início do ano, no Brasil.
Há portugueses que,
manifestamente, não gostam disso. Com toda a crueza: há portugueses que não
gostam nada que os angolanos (e os demais povos de língua portuguesa) gostem,
em geral, tanto de nós. Ainda que nunca o digam de forma clara, consideram que
isso denota uma descolonização não inteiramente cumprida. Esse paternalismo já
se tinha também manifestado, em todo o seu esplendor, em comentários a
propósito das manifestações de regozijo, por todo o mundo lusófono, pela
vitória de Portugal no Europeu de Futebol.
Importa dizer que os nossos
“media” também têm, em geral, promovido esse complexo. Há sempre um
indisfarçável mal-estar em dar conta dessas manifestações espontâneas de
fraternidade lusófona, como se isso fosse uma excrescência de um passado que
importasse enterrar de vez (e não, sobretudo, como o sinal de um futuro ainda
por cumprir). Isto para além de todos os episódios menores que os nossos
“media” gostam, em geral, de empolar. Também neste ponto, esteve o nosso
Presidente da República particularmente bem – nas suas lapidares palavras: "a diferença entre um
político e um estadista é que o político prende-se aos irritantes e aos
insignificantes e o estadista olha para os importantes". Para azar da
azia…
Renato Epifânio
Presidente
do MIL: Movimento Internacional Lusófono
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