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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Também no jornal Público: "Foi você que pediu um pensamento incoerente e ilógico?"



É, decerto, mais um (mau) sinal dos tempos: as minhas idas a livrarias são cada vez mais deceptivas. É cada vez mais raro encontrar um livro que esteja em destaque e que me suscite sequer curiosidade. Basta olhar para as capas para perceber (quase) sempre todo o conteúdo. Há, como sempre, excepções. Recentemente, entrei numa livraria e deparei com o livro “Os não-europeus pensam?”, de Hamid Dabashi. O título, pelo menos, era suficientemente interpelativo para não o ignorar.

Comecei a lê-lo com genuína curiosidade mas logo percebi o quanto o livro, todo ele, assentava num equívoco de base, que só vale a pena denunciar porque, infelizmente, é um equívoco em crescente disseminação: mais um (mau) sinal dos tempos. E que se pode expressar da seguinte forma: o pensamento filosófico, tal como o (re)conhecemos, é não tanto filosófico como sobretudo europeu.

As consequências que se podem retirar desta premissa falsa, ou, pelo menos, assaz enviesada, podem ser, no limite, as mais suicidárias: se o pensamento filosófico, tal como o (re)conhecemos, é não tanto filosófico como sobretudo europeu, então, em nome da recusa – seja qual for a motivação: política, económica, civilizacional, cultural, religiosa, histórica, etc. – da Europa, acaba por propor-se, ainda que não de forma expressa, a recusa do pensamento filosófico, ou, pelo menos, a procura de alegados “novos paradigmas” para o pensamento, contrapostos, claro está, aos paradigmas alegadamente europeus.

E eis aqui todo o equívoco. Gostava de dizer o meu Professor de Filosofia Antiga na Faculdade de Letras de Lisboa, José Trindade dos Santos, que “os Gregos tinham aberto (quase) todas as portas”. Apesar da minha relação com ele não ter sido a mais pacífica, cada vez mais lhe dou razão (neste ponto). É que a mente humana não tem possibilidades infinitas. O pensamento filosófico, ao longo de toda a sua história, tem sido apenas a exploração multímoda dessas possibilidades. De forma – sendo que aqui a questão da forma é fundamental – crítica, auto-vigilante, estruturada, coerente, lógica, etc. A filosofia é, tem sido, essencialmente isso.

Façamos aqui uma analogia entre a mente e o corpo: até porque tal como a mente humana não tem possibilidades infinitas, o mesmo acontece com o nosso corpo. Agora imaginem que tinham sido os europeus os primeiros seres humanos a conseguirem correr. Não é provável, mas partamos, por um instante, dessa premissa. Agora imaginem o absurdo que seria aparecer alguém, no século XXI, a defender que afinal a forma como todos os seres humanos correm é “europeia”. E que, por isso, importava encontrar novas formas de correr, “novos paradigmas”. O resultado não é difícil de adivinhar: esta moda politicamente correcta para encontrar novos paradigmas para o pensamento filosófico, por ser alegadamente “europeu”, irá conduzir-nos às maiores aberrações. Foi você que pediu um pensamento incoerente e ilógico?

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