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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Texto de Ramalho Eanes para a NOVA ÁGUIA 20...


O ser humano é o único ser na natureza dotado de uma dupla historicidade: a herdada (cultural e política) e a pessoal (a educação que é, a um só tempo, reflexo e projecto de cultura). Todo o ser humano é, naquela perspectiva, um permanente produtor-consumidor de cultura.
Obviamente, neste ciclo de inevitável produção comum de cultura, há sempre alguns que mais se distinguem pela qualidade, pela inovação criativa – enfim, pela excelência da produção cultural. A estes chamamos «artistas», aqueles que se dedicam ao fabrico consciente de beleza.
Natural seria, pois, que a vida e a natureza – enfim, o múltiplo e permanente inter-relacionamento do homem com o Outro –, quer seja o seu semelhante, quer seja o mundo, se tornassem fontes privilegiadas de inspiração e de luminoso despertar artístico. E fonte, assim, porque apaixonadamente sedutora ela é e se manifesta, pela diversidade de seres, pela multiplicidade de formas e cores que oferece, pela beleza plural que exibe, pela sensibilização que gera.
Natural, pois, que José Rodrigues, na sua Angola natal, sentisse o apelo sensorial que a natureza lhe lançava, manifestando, desde criança, um gosto pelas artes, nomeadamente pelo barro, originado pela natureza e que esta permite recriar. Natural, pois, que a sua ânsia por mais saber e mais aprender o tivesse impulsionado para Portugal, e o levasse a frequentar o curso de Belas Artes no Porto, que, aliás, terminou com a nota máxima, e onde viria a ser professor.
Do seu valor e qualidade artística falam, com indubitável comprovação, o reconhecimento, nacional e internacional, que granjeou. Expôs, individualmente, em múltiplas geografias, onde o público se rendeu às suas poderosas esculturas, nomeadamente, de Anjos e Cristos, de um misticismo impressionante. Participou, também, em diversas exposições colectivas, tanto em Portugal como em países tão diversos como Áustria, Estados Unidos, Brasil, Índia, China e Japão, entre outros. Muita é, ainda, a arte pública, esculpida por José Rodrigues, que podemos apreciar em diversos pontos do País, como Porto, Viana do Castelo, Monção, Arcos de Valdevez, Vila Nova de Cerveira, Vila Real e Lisboa, entre outros.
Para além do seu brilhante trabalho como escultor, José Rodrigues produziu, ainda, cerâmica, medalhística e ilustrou livros de poetas e escritores de renome e seus amigos, como Eugénio de Andrade, Jorge de Sena e Vasco Graça Moura. Foi, igualmente, cenógrafo, de diversas produções no Porto, em Cascais e Lisboa. Lembro, particularmente, as suas belíssimas produções para a produção de Yerma, de Federico Garcia Lorca, em 1992, que considerou muito estimulante e provocante, por implicar encenar uma peça onde o ateísmo e a fé são tão irmãos, a alienação e a libertação tão radicais.
Não posso, nem devo, ainda, esquecer que foi um dos artistas fundadores da Árvore-Cooperativa de Actividades Artísticas, em 1963, cooperativa que fez parte da grande renovação cultural da cidade do Porto, da batalha contra a desertificação, o imobilismo e o envelhecimento das estruturas existentes. Trata-se, pois, no seu campo de actuação específico, de um projecto de mediação entre o artista plástico e o público, entre a cultura e a cidade do Porto, tendo a sua dinâmica divulgado uma nova linguagem, e criado uma nova forma de relacionamento com a cidade, tornando-a no que é hoje: uma das mais distintas e distintivas organizações da sociedade civil portuense no campo da arte e do acolhimento e mobilização de artistas plásticos.
Mas correcto não seria falar apenas do José Rodrigues Artista, cuja qualidade tantos apreciam, neles se contando nós – eu e minha mulher – e, já, também, os nossos filhos. É que José Rodrigues era, para além de artista, ou talvez por ser também artista, um homem de apurada sensibilidade, acutilante olhar para a beleza, transcendente olhar para o Homem e para Deus, e elevada lealdade como amigo.
A sua obra é, pois, uma dádiva, em primeiro lugar, à arte e à escultura e, por isso, à cultura do País e, depois, também, à família (a quem nos liga um especial carinho e admiração; à Lindinha, filhas e netos), aos seus amigos, aos seus muitos admiradores, entre os quais me incluo, naturalmente, e incluo a minha mulher.
Não posso, pois, deixar de, reconhecidamente, prestar homenagem, pública, a José Rodrigues, por toda a criatividade com que, inspiradamente, observava o mundo e recriava a sua beleza, a que o redemoinho do quotidiano da vida, tantas vezes, nos alheia.
                                                                       António Ramalho Eanes