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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Uma visão de Antero de Quental*


É sabido que, entre os pensadores portugueses contemporâneos, o igualmente açoriano Antero de Quental foi um dos que mereceu maior atenção a Gustavo de Fraga, tendo-lhe dedicado alguns textos. Aqui, determo-nos num deles, sugestivamente intitulado “A síntese impossível” (In AA.VV., Pensar a Cultura Portuguesa – Homenagem ao Prof. Doutor Francisco José da Gama Caeiro, Lisboa, FLUL/ Colibri, 1993, pp. 151-165).

Aí, começa Gustavo de Fraga por defender que “sob influência de Hegel, o seu eclectismo foi guiado pela ideia de desenvolvimento, o que o conduziu a investigar qual o pensamento filosófico mais real e, portanto, na sua época mais verdadeiro. Uma das suas últimas questões foi a religiosa, que procurou resolver no terreno do panteísmo espiritualista europeu, entre Bruno, Schelling e Eduard von Hartmann (este último seu contemporâneo e como ele nascido em 1842), partindo da convicção da inconsciência do Eu absoluto” (ibid., p. 151).

Salvaguardando, logo de seguida, que “é impossível separar a sua tentativa de síntese religiosa das suas ideias morais e metafísicas”, Gustavo de Fraga irá depois defender que “a unidade do acto filosófico exige que tenha duas raízes, uma na especulação, outra na moral” (ibid., p. 154), citando o próprio Antero, a respeito da “tarefa” da filosofia: “sem arredar pé do terreno do espírito moderno, chegar teoricamente até aquela profundidade de compreensão do ‘homem interior’, como eles diziam, a que os místicos chegaram”.

Seguindo a via de “um eclectismo ou um sincretismo mais ou menos sistemático” (ibid., p. 156), Antero procurará chegar a uma “doutrina mística definitiva do espírito ocidental, superior à que o Oriente elaborou no Budismo” (ibid., p. 157) – citando o próprio Antero: “Creio que a obra destes séculos mais próximos será, não destruir o Cristianismo (quero dizer, o espírito cristão, o ponto de vista da transcendência metafísica e moral) mas completá-lo com a ciência da realidade. A religião do futuro, de que nos fala Hartmann, não pode ser outra, e não julgo necessário ir procurar [a]o budismo, quando o que nele há de melhor se encontra no Cristianismo, e com uma forma sentimental mais pura, mais humana.”.

Ressalvando que “esta liberdade com que Antero de Quental utiliza o Cristianismo (no sentido de ‘espírito cristão’) pouco tem a ver com o Cristianismo como religião revelada”, Gustavo de Fraga citará de novo Antero, a respeito de Francisco de Assis: “Considero-o como o primeiro dos precursores do espírito moderno, digo, o espírito moderno como representado por Bruno, Schelling e Hartmann, do Panteísmo espiritualista.” (ibid., p. 159). Apesar de todo o seu misticismo – “quis ser ‘místico dentro da realidade’, porque fora disso só via ‘um novo paganismo’” –, Gustavo de Fraga assinala “a insuficiência da sua ideia do divino”. 

Ainda para Gustavo de Fraga, essa “insuficiência” decorre da anteriana atracção – fatal, dir-se-ia – pela ideia de “inconsciente”, que o leva à procura da “dissolução do eu” e da “negação da personalidade”.

* Para o Colóquio “A Obra e o Pensamento de Gustavo de Fraga”, co-organizado pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e pela Universidade dos Açores (28-30 de Novembro de 2016). Para mais informações: www.iflb.webnode.com

2 comentários:

João Ribeiro disse...

Muito bom!!

“Creio que a obra destes séculos mais próximos será, não destruir o Cristianismo (quero dizer, o espírito cristão, o ponto de vista da transcendência metafísica e moral) mas completá-lo com a ciência da realidade. A religião do futuro, de que nos fala Hartmann, não pode ser outra, e não julgo necessário ir procurar [a]o budismo, quando o que nele há de melhor se encontra no Cristianismo, e com uma forma sentimental mais pura, mais humana.”.

Tenho de me aproximar de Antero, tenho posto este escritor de lado desde que me chegou aos ouvidos de que era Iberista(Era mesmo?)

Abraço

João Ribeiro

Nova Águia disse...

Caro João Ribeiro

Sim, era (ninguém é perfeito). Sendo que é preciso contextualizar. Na altura, o iberismo era uma posição muito generalizada...

Abraço MIL
Renato Epifânio