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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Da Ucrânia ao Brasil


“Ironicamente, esta crise [entre a União Europeia e a Rússia] expôs também a fragilidade da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]. Moscovo já anunciou que vai passar a importar de um país chamado…Brasil” [PÚBLICO, 16.08.2014]
 
De forma no mínimo insólita, assim termina o Editorial do PÚBLICO sobre as consequências do congelamento das importações russas de produtos alimentares europeus, em resposta às restrições europeias aos movimentos russos no mercado financeiro.
Que Portugal fique refém de uma política europeia feita “aos solavancos” e “sem um plano” (idem), ainda se poderá compreender, por muito que o lamentemos. Afinal, o estatuto de Portugal na União Europeia sempre foi, desde o nosso ingresso, de menoridade, agora ainda mais agravada pelo resgate financeiro a que fomos sujeitos – escusado será aqui recordar que sem autonomia económica nunca há verdadeira autonomia política.
O que já não se compreende, de todo, é a sugestão de que a CPLP em geral e o Brasil em particular deveriam (por causa de Portugal?!) ser solidários com uma política que não se tem feito apenas “aos solavancos” e “sem um plano”. Bem pior do que isso: a política que tem sido definida pela União Europeia contra a Rússia a propósito da Ucrânia tem sido suicidária.
Com efeito, não deixa de ser curioso que os mesmos que (bem) tanto denunciaram a ignorância histórica norte-americana nos recentes conflitos no Médio Oriente procurem agora caucionar um conflito entre a Rússia e a (Des)União Europeia a propósito da Ucrânia. O que a Europa deveria ter dito à Ucrânia era simplesmente isto: “Vocês têm que manter uma boa relação com a Rússia”. Em vez disso, criou uma ilusão (como já havia feito com a Turquia…) que, essa sim, pode ter consequências bem desastrosas para os ucranianos.
Ou alguém esperaria que a Rússia ficasse de braços cruzados perante o assédio europeu à Ucrânia? Como eu próprio já defendi num outro texto sobre este assunto, não é razoável esperar que a Rússia abdique da sua hegemonia em territórios em que uma parte substancial da população (e só na Crimeia são cerca de dois terços…) é russófona. É assim tão difícil perceber isto? Julgamos que não e que Portugal poderia e deveria percebê-lo melhor do que qualquer outro país europeu.
Segundo José Marinho, um dos maiores filósofos portugueses do século XX, enquanto povo que habita no extremo da ocidentalidade, o povo português tem afinidades com os povos eslavos: “Tanto como a Espanha, ou os povos eslavos, e mais talvez do que eles, a situação do nosso povo é diferente e sob certos aspectos contrastantes da dos povos da Europa.”. De resto, Marinho chega a dar exemplos dessas afinidades, ao aproximar o nosso pensamento do “grande pensamento da tradição eslava”, nomeadamente do de Wronski, Soloviev, Chestov e Berdiaev. Não que isto interesse alguma coisa – afinal, em geopolítica, não há nada “melhor” do que seguir os cowboys norte-americanos. Saudemos o Brasil por não saber isso mesmo.

5 comentários:

João Paulo Barros disse...

É um assunto “espinhoso”. :) Na minha opinião, o que se passa hoje na Ucrânia é completamente desnecessário, a Rússia e a Ucrânia são países irmãos, é completamente ridículo Russos e Ucranianos serem inimigos. Eu sei que o Vladimir Putin não é nenhum santo, ele é um sujeito muito autoritário, viola direitos humanos, só que o método dos Estados Unidos não está funcionando, na verdade, está piorando a situação na Ucrânia. O Barack Obama tem boa oratória mas não sabe lidar com a situação da Ucrânia. Ou tem a intenção de entrar em guerra contra a Rússia.
Eu compreendo as razões de Portugal de apoiar os EUA e a UE, pois é membro desta e também da NATO. Portugal tem mesmo que apoiar os seus aliados ocidentais. Para Portugal, ter que afrontar Washington e Bruxelas pode acabar em desastre, talvez. Portugal tem que priorizar os seus próprios interesses e os seus próprios valores.
Mas o caso do Brasil é diferente. Não sei se vocês sabem (mesmo porque é muito pouco divulgado), mas o Brasil corre alto risco de ir à bancarrota já em 2015, devido à política econômica desastrosa do atual governo, que inclusive arruinou a Petrobrás. O Brasil corre o risco de se tornar outra Venezuela ou outra Argentina. A Rússia e a China estão ajudando o Brasil ao importar daqui e ao investir aqui. E no rastro da China, veio o Japão também. E mais, o governo brasileiro atual não prioriza os direitos humanos, prioriza os interesses econômicos, apesar de ser um partido de esquerda.
Torço para que os líderes mundiais não deixem a crise caminhar para outra guerra mundial. Espero que eles tenham juízo.

João Paulo Barros disse...

A Rússia não vai mesmo cruzar os braços diante das sanções ocidentais e nem diante da postura ocidental à Ucrânia. A Rússia não é o Iraque, não é Cuba e nem a Coreia do Norte. Os EUA e a UE estão brincando com fogo. A Rússia também tem armas nucleares.
Eu admiro a UE, os esforços dos europeus em se unir, considerando que a Europa é um continente heterogêneo, com diversas línguas, diversas culturas. Mas a minha frustração com a UE é vê-la submissa aos EUA em vez de procurar ser uma superpotência global que defende os seus próprios interesses. A UE não precisa concordar com a Rússia, mas é frustrante vê-la ser submissa aos EUA.
O Leste Europeu não quer ser quintal da Rússia e, a América Latina não quer ser quintal dos EUA. Por isso que a América Latina se abre aos investimentos russos e chineses. A América Latina pode ter cometido um grande erro, mas o sentimento nas duas regiões é parecido. Os demais países da CPLP, eu não creio que os Palop concordem em levantar sanções contra a Rússia. Principalmente Angola e Moçambique.

Paulo Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Pereira disse...

Sempre ouvi dizer que na dúvida nos devemos omitir.

O mundo está muito complexo. Os grandes países como USA, Rússia e China já mostraram, no passado, usar de muitos artifícios e táticas maquiavélicas que não dão minimamente sequer para interpretar qualquer ação ou resultado.

Só nos cabe uma neutralidade atroz e focarmo-nos no mundo que ainda conhecemos minimamente: CPLP.

Neste mundo ainda temos alguma capacidade para julgar, bem como deveres e afinidades históricas e linguísticas.

A CPLP formaria o segundo país maior em área e recursos naturais, não chega?

Tomar um partido de um lado ou outro ou seguir relações de confiança cegas entre países é extremamente perigoso na atual situação.

Conheço bem este academismo inconsciente, que pode levar a consequências desastrosas como guerras imprevisíveis...

João Paulo Barros disse...

No caso do Brasil, ainda neste ano, em Outubro, vai ter eleições presidenciais. O candidato Aécio Neves provavelmente vai tentar afastar o Brasil da Rússia e da China, no que se refere à geopolítica, e se reaproximar dos EUA, caso seja eleito presidente. Vai afastar o Brasil dos vizinhos bolivarianos e, vai fazer o que for possível para colocar o Brasil numa posição de neutralidade geopolítica. Já a candidata Marina da Silva, eu não faço a mínima ideia, talvez ela afaste o Brasil da Rússia e da China para se reaproximar dos EUA, ou talvez siga adiante a política externa da Dilma Rousseff, se a Marina for eleita presidente. Se a Dilma for reeleita, tudo segue como está agora. Como a Rússia e a China estão investindo no Brasil e importando do Brasil, vão querer cobrar a solidariedade brasileira.
Já Portugal, por ser membro da UE e da NATO, se não se alinhar aos EUA e à UE, pode ter sérios problemas. A não ser que a Alemanha realmente faça o que foi afirmado na internet, sair da UE, da NATO e se alinhar aos BRICS, e a França seguir a Alemanha. Aí Portugal vai ter brecha para optar pela neutralidade. Caso contrário, Portugal tem que apoiar a UE para não ser prejudicado.
Os Palop recebem muito investimento chinês, então dificilmente vão se alinhar aos EUA e UE contra a Rússia e a China.
Enfim, é uma situação muito complicada e perigosa. Mais cedo ou mais tarde, vai atingir também a CPLP de alguma forma. Eu sinceramente desejo que o Obama e o Putin entrem num acordo e façam as pazes.