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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quarta-feira, 24 de abril de 2013

“Da ‘portugalidade’ à lusofonia”: entrevista a Vítor de Sousa...



- O que é que o Professor Renato Epifânio entende por ‘portugalidade’?
A “portugalidade” é para mim uma noção a ultrapassar. Valorizando a Língua, a História e a Cultura – o tripé, passe a expressão, da “portugalidade” –, considero que, no século XXI, valorizar a Língua, a História e a Cultura passa, sobretudo, por afirmar a Lusofonia, a meu ver a palavra-chave do nosso futuro. Quanto muito, pode-se continuar a falar de “portugalidade” no âmbito da Lusofonia, dado que esta é e será sempre – em termos linguísticos, históricos e culturais – um espaço heterogéneo, facto que equaciono de forma positiva. Lamento que, ao invés, haja quem continue a afirmar a “portugalidade” contra a “Lusofonia”, numa perspectiva mais nacionalista.

- Como encara o facto de a ‘portugalidade’ ser uma palavra mais empregue pela direita do que pela esquerda? Havendo registo de um sublinhado em relação à palavra por parte dos defensores do Estado Novo, nomeadamente grande parte dos Integralistas Lusitanos (embora António Sardinha, considerado mestre da ‘portugalidade’ nunca tivesse utilizado o termo)?
No século XXI, considero essas noções – “esquerda” e “direita” – cada vez mais ultrapassadas. Mas, a usá-las, direi que esse facto é, em grande medida, circunstancial. Poder-se-ia dizer o mesmo do termo “Pátria” – acrescentando que, durante a I República, a “esquerda” era tão patriota quanto a “direita”. Depois, por reacção ao Estado Novo, sobretudo a seguir à Revolução de 1974, a “esquerda” (ou, pelo menos, parte significativa dela) procurou recalcar esses valores. Ou então sublimá-los: não por acaso se falou tanto de “patriotismo europeu”. O que, dado o estado a que chegou a União Europeia, só nos pode fazer hoje sorrir… Em todo o caso, basta passar a fronteira para perceber a relatividade dessas “etiquetas”. Na Galiza, por exemplo, aqueles que mais valorizam a Língua, a História e a Cultura, ou seja, os mais “galeguistas”, são de “esquerda”.

- Pode afirmar-se que se existe Portugal, há ‘portugalidade’?
Não sou dado a essencialismos – logo, direi que não. A “portugalidade” foi uma construção histórica de todos aqueles que, século após século, têm valorizado a nossa singularidade linguística e cultural. Valorização que, como sabemos, está muito longe de ser extensiva a todos os portugueses. Há muitos que, ou são indiferentes ao assunto, ou lamentam ter nascido em Portugal… Digo isto sem recriminações. Considero até que as pessoas têm o absoluto e inalienável direito de renegarem o país onde nasceram – e a sua Língua, Cultura e História.

- Manuel Alegre defende a “vocação humanista e anti-racista como características da “portugalidade”. A propósito da ‘englishness’, por exemplo, Stuart Hall afirma tratar-se de “racismo cultural”. Que paralelo se pode estabelecer entre ambas as perspectivas?
As histórias coloniais europeias tiveram afinidades mas também tiveram diferenças. E isso é algo que se pode verificar ainda hoje – a relação, por exemplo, que, em geral, existe entre os portugueses e os habitantes dos países africanos colonizados por Portugal é muito diferente da relação que existe entre outros povos ex-colonizadores e ex-colonizados. Também aqui não vejo nenhum essencialismo – simplesmente, em geral, os portugueses que partiram para as ex-colónias eram pessoas de baixa instrução e, até pelo nosso tom de pele mais naturalmente moreno, relacionaram-se de forma mais dialogante com os povos locais (não por acaso, o comércio foi e continua a ser uma das áreas de eleição da nossa diáspora). Isto sem escamotear a violência da colonização – não há colonizações não violentas –, sobretudo nalguns países, como, por exemplo, em Moçambique (por má influência do modelo sul-africano).

- O Governo português adoptou o ‘pin’ com a bandeira portuguesa. Em tempo de troika, em que estamos dependentes do exterior, apela-se a este tipo de ‘patriotismos’. É isto uma tentativa de incremento de portugalidade? (isso estende-se a uma série de eventos a nível nacional, desde a indústria do calçado que aposta na ‘portugalidade’, à lotaria nacional, aos lenços de namorados…)
Não me parece que isso seja muito significativo. A crise em que estamos é estrutural – decorre, a meu ver, de um colossal erro geostratégico: termos desprezado os laços com os restantes países e regiões do espaço lusófono. Isso fragilizou-nos no plano global e, em particular, no seio da União Europeia, onde estamos cada mais numa posição subalterna. Direi até que estamos num beco sem saída: não poderemos sair da União Europeia e, ficando nesta (sobretudo, na zona euro), estaremos cada vez pior… Não creio que o actual Governo tenha consciência disso – quanto muito, acredito que eles acreditem que fazem o possível por Portugal (e que, por isso, podem e devem pôr o pin). Mas, a meu ver, estão fundamentalmente errados. Digo isto sabendo que não há nenhuma panaceia. Mesmo quando tanto falo do desígnio estratégico da Convergência Lusófona – pelo reforço gradual dos laços entre os países e regiões do espaço da lusofonia, no plano cultural, mas também social, económico e político –, tenho consciência que esse é um caminho que não resolve, no imediato, os nossos problemas. A não ser, em parte, o do desemprego – como se está a ver, pela quantidade de portugueses que estão a emigrar para os países lusófonos, ainda que de forma não devidamente enquadrada pelos Governos (como deveria acontecer, como, por exemplo, na área do ensino).

- Chegando ao título da minha tese – “Da ‘portugalidade’ à lusofonia” -, será que a lusofonia está relacionada com ‘portugalidade’?
[Essa ligação é feita por alguns deputados da AR, nomeadamente por Cruz Abecassis (CDS), a propósito da discussão do projecto de resolução n.º 5/VII - Constituição de uma comissão eventual destinada a promover o projecto de uma comunidade de países de língua portuguesa (“como berço da democracia, que compete ser aquele cadilho onde se forja a vontade nacional e que é dela que mais facilmente se pode passar à comunidade portuguesa uma mesma vontade comum da construção do nosso futuro e da afirmação da portugalidade no mundo”)].
Julgo que sim, mas por superação. O caminho da Lusofonia será naturalmente um caminho trans-nacionalista, que, passo a passo, valoriza mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. Caminho longo e, sei-o bem, sinuoso, dada a minha experiência enquanto Presidente do MIL [Movimento Internacional Lusófono], movimento cultural e cívico que, criado em 2010, conta já com mais de 20 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono e que defende o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade. Mas, reitero, é o único caminho que melhor garante o nosso futuro histórico – de Portugal e dos restantes países de língua portuguesa. Timor-Leste é um exemplo mais óbvio – se não fosse o seu estatuto lusófono, jamais teria conseguido a independência política, por mais precária que esta ainda seja.

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