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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um Farol de Portugalidade no Continente Americano (texto lido na Homenagem promovida a Manuel Luciano da Silva na Sociedade de Geografia de Lisboa: 06.12.12)


                                                                                                      “Deus deu aos portugueses um berço

                                                                                                       Estreito para nascer, e um mundo

                                                                                                       Inteiro para morrer”.

                                                                                                          Padre António Vieira
  


Introdução
    Da vasta e rica biografia e obra do Dr. Luciano da Silva já outros trataram e a melhor título do que eu o faria.
     Por isso decidi dilucidar uma faceta deste nosso compatriota – que nunca esqueceu as suas origens, apesar de ter passado a maior parte da sua vida em território estrangeiro – que o ultrapassa a ele, à sua obra, à sua pátria e ao seu país de acolhimento, os EUA, para se tornar progressivamente universal.
    Estou a querer referir-me à defesa que intentou fazer durante a maior parte da sua longa vida – depois de firmar a sua competência nas ciências médicas: a importância e pioneirismo dos descobrimentos portugueses, na história do mundo, em geral, e do continente americano, em particular.
     Assim nós saibamos dar continuidade à sua obra!
    Desenvolvimento
    A História de Portugal é rica em eventos de toda a natureza. Está recheada de glórias, de desastres e alegrias, e conta, também, com o seu quinhão de infâmias.
    Entre o activo e o passivo, creio que ainda saímos de cabeça levantada e, num “ranking” mundial que não nos envergonha.
    Nestes quase 900 anos a nação dos portugueses viveu intensamente e, se a humanidade acabasse agora, nós não passaríamos despercebidos na sua história futura, pois deixámos nela, indelevelmente marcado o nosso cunho.
     Foi esse “cunho” que o Dr. Luciano da Silva se dedicou a conhecer melhor, enaltecer e divulgar.
    Neste âmbito, o podemos assemelhar ao notável 2º Visconde de Santarém, diplomata e historiador, exilado em paris, e que em larga faixa do século XIX, prestou um assinalável contributo para a afirmação dos descobrimentos portugueses no mundo, e dos direitos de Portugal, em áfrica.
    Investigador de mérito, o Dr. Luciano da Silva, juntava às suas qualidades, a iniciativa junto com a capacidade de realização prática, que são um conjunto de atributos difícil de reunir na mesma pessoa.
     Deste modo a redescoberta da “Pedra de Dighton”, em 1959, no leito do rio Taunton, perto de Berkeley, e o seu estudo sobre o pioneirismo dos Corte Reais, que dos açores e de Lisboa, navegaram para a terra nova e o norte do continente americano, foram causa da sua participação no I Congresso Internacional dos Descobrimentos Portugueses, em 1960, em Lisboa.
    Foi o princípio de uma longa luta de incompreensões que o acompanharam ao longo da existência.
    Note-se que nem o notável “Dicionário da História de Portugal”, coordenado por Joel Serrão, quando se refere à dita pedra, refere Luciano da Silva, fazendo apenas referência ao americano Delabarre que, a partir de 1918, falou em primeiro lugar na tese portuguesa, misturada com meia dúzia de outras, algo fantasistas. Este Delabarre chegou a ser condecorado pelo governo português, em 1926.
    Felizmente que hoje se reconhece o valor do homenageado, ao ser-lhe concedido o grau de Comendador da Ordem de Mérito, em complemento do grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique, outorgado em 1968.
    Espera-se que, de igual modo, o seu nome passe a ser uma referência quanto à Pedra de Dighton aquando de uma reedição do assinalado dicionário.
    Reunindo apoios nos EUA conseguiu remover a citada pedra – cujas inscrições ele estudou minuciosamente e da qual existe uma cópia no exterior do museu de marinha (e mesmo assim continua desconhecida da maioria dos portugueses) – e, com base nela, levantar um pequeno museu no estado do Massachusetts, de que chegou a ser director.
    Mais tarde, interessando-se pela figura do grande Almirante Cristóvão Colon, investigou as suas origens e vida, escrevendo um livro intitulado “era Cristóvão Colon (Colombo) Português?”, em que procurou provar, em bases sólidas, a nacionalidade portuguesa desse grande personagem da história universal.
    A ele e a sua mulher se devem a notável descoberta, na biblioteca do vaticano, de duas bulas do Papa Alexandro vi, em que o nome do navegador aparece escrito em português, e não em latim (como seria normal), castelhano ou genovês…
    Para além de numerosos artigos, conferências, entrevistas, programas de televisão e rádio, em que foi parte, em vários países – e que se contam pelas centenas – Luciano da Silva ainda conseguiu criar uma associação e museu, com o seu nome, na sua terra natal (Cavião, Vale de Cambra), dedicada às paixões da sua vida, e foi argumentista do filme que o consagrado Manuel de Oliveira realizou, dedicada ao mistério da vida de colon (intitulado “Cristóvão Colombo – o Enigma”), que foi premiado na bienal de Veneza, em 2008.
    Manuel Luciano da Silva foi ainda membro fundador da associação Cristóvão Colon, com sede em Cuba, Alentejo, que se dedica à defesa da portugalidade do incorrectamente apelidado “descobridor da américa”.
    Luciano da Silva foi investigador sério e patriota, e a sua acção devia servir de exemplo para quem, em Portugal e no resto do mundo, tem tratado este tema.
     De facto não queremos deixar de lamentar a “subserviência” que foi o tom da participação portuguesa na Expo 92, em Sevilha, que permitiu aos espanhóis menorizar a grandeza lusa, proclamando aos quatro ventos a tese do “encontro de culturas” em detrimento da epopeia descobridora e da preterição do pioneirismo português face à “expansão dos povos da meseta”. Entre muitas outras maldades…
    Lembro ainda a oportunidade perdida da Expo 98, em lisboa, em que se tratou o excelente tema dos “oceanos” sem abordar a história, tudo feito numa linguagem muito “modernista”, como a dizer que não se queria nada com o passado...
    E que dizer da própria comissão dos descobrimentos, que eivada do “politicamente correcto” e de preconceitos da historiografia marxista, decidiu defender a tese genovista, que dá Colon nascido em Génova e a atacar quem tal contestasse!
    E, em todo este âmbito, é lamentável que o franco e necessário debate das ideias, saia do campo académico e científico, para aquele dos ataques estéreis e da ofensa pessoal.
    A obra de homens com Luciano da Silva, também continua a ser ignorada pela generalidade da escola e dos órgãos de comunicação social embeiçados, que estão, na propagação das ideias europeístas e da “História da Europa”, em detrimento do estudo daquilo que fizeram os nossos antepassados.
    Por isso desejo aqui expressar o meu apreço pela coragem da actual presidência da academia portuguesa da história, ao abrir aquela vetusta instituição ao estudo de teses que saiam fora da “verdade oficial”, como é o caso de Cristóvão Colon.
    Foi pena que o homenageado de hoje, já não pudesse ter disfrutado desta abertura.
Conclusão
    O Dr. Luciano da Silva foi um homem de causas e combateu o bom combate, com tenacidade, saber e coragem. E, no seu caso particular, constituiu-se ainda em farol permanente de portugalidade e patriotismo em terras estranhas – o que devia ser apanágio de todos os bons portugueses.
    É da mais elementar justiça reconhecer a sua obra e apontá-lo como exemplo cívico.
    Resta-me deixar um repto à Sociedade de Geografia, que serviria como derradeira homenagem a quem esta sessão é dedicada: era grata intenção de Luciano da Silva conseguir que uma réplica da Pedra de Dighton fosse transportada para a ilha da terceira, de onde era originário Miguel Corte Real, filho de João Corte Real, 1º Capitão Donatário de Angra.
    Apesar dos esforços que fez junto do Governo Regional dos Açores, tal nunca se efectuou.
    Seria uma boa acção da Sociedade de Geografia de Lisboa levar a cabo este desiderato por diante.
    Manuel Luciano da Silva foi mais um daqueles portugueses ilustres, retratados na citação do Padre António Vieira e homem de igual têmpera
    Lá no etéreo firmamento de onde nos possa estar a escutar, vai para si, caro Dr. Luciano da Silva, um grande bem - haja!



                                                           João j. Brandão Ferreira
                                                             Oficial Piloto Aviador

2 comentários:

Miguel Ferreira disse...

Muito bem!

julio disse...

Todo o português que tendo o que dizer por conhecimento dos feitos de outro português tanto no singular, quanto coletivo, tem o dever de o mostrar ao mundo.
Não se pode afirmar que tenha havido
muitos povos cujos feitos se igualem aos nossos.
Ainda ontem despolpando umas mangas para guardar no congelador, conversando com a moça que trabalha conosco lhe perguntei se ela sabia da origem da manga; e ela assim como a maioria dos brasileiros, pela facilidade que essa fruta produz por aqui, me dizia que era natural daqui mesmo.
Disse-lhe que não, foram os portugueses que a trouxeram da Índia e ela admirou-se e eu também pela falta de esclarecimento desse e tantos outros feitos em contraponto a tantas bocas malfalantes de nossa gente, que até nas escolas depois dos progressistas, ensinam que o Brasil foi invadido por nós, não descoberto.
Enfim, Portugal também por outras razões de caráter oculto não merecia passar por essas dificuldades que está passando agora.
Saudações fraternais Lusófonas a todos